quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Acasos

Quase em simultâneo Pedro Mexia no seu blogue Estado Civil referia-se à mudança forçada da frase que antecede o nome do eleito na noite dos Óscares – é o vírus do p.c. que também aqui foi referido.
O p.c. mata a lúbrica sensação da vitória na hora da verdade. Adoro essas situações em que se revela o paroxismo do “rabo escondido com gato de fora”.
Porém, os censores do orgasmo vitorioso alheio esqueceram-se de inventar um verbo, e os seus vocábulos derivados, que substituísse vencer ou ganhar, correndo até o risco da substituição compulsiva descambar para um “conquistar” ou “aniquilar”.
And the Oscar goes to” deveria ter sido alterado para “And the oscarer is”.
A necessidade do p.c. obriga à criação desse artifício, como bem se compreende num singelo exemplo em português:
“Sean Penn ganhou o Óscar para melhor actor” devia ser “Sean Penn oscarou na categoria de melhor actor” – aproveita-se, assim, a terminação “ar” para a 1.ª conjugação e ainda para não cairmos na tentação de o transformar em “oscaralhar”, foda-se, convenhamos que soa mal! –, porque se com um Óscar não se ganha, vence, conquista ou aniquila a concorrência, para que é que serve a merda do Óscar? Para desentupir sanitas?

1 comentário:

rute disse...

Serve para ser arrecadado, arrebatado, conquistado! Bah.