sábado, 18 de março de 2006

Botellón

Estava apenas há uma semana instalado em Madrid, quando numa sexta-feira depois de um bom repasto me dirigia à estação de metro da Moncloa para regressar a casa e poder finalmente deitar a cabeça na almofada.
Nos jardins da Moncloa uma horda de estudantes apenas deixava entrever escassos metros quadrados de relva por ocupar. Carregavam sacos de plástico, daqueles que se oferecem nos hipermercados, que dado o peso do material transportado poderiam rebentar a qualquer momento.
Estupefacto, detive-me naquele ponto estratégico da Calle Princesa, por um curto mas suficiente espaço de tempo, mirando do alto privilegiado a área confinada pelo Paseo Moret, a Avenida Victoria e a Avenida Séneca, movido por uma irreprimível curiosidade sociológica.
Aquele amontoado, aparentemente anárquico, de jovens, entre os dezassete e vinte muitos anos, era, no entanto, formado por centenas de pequenas rodas quase perfeitas e indistintas de rapazes e raparigas, que seguravam, com um zeloso afinco, um mega copo de plástico onde previamente haviam preparado um cocktail explosivo de rum, tequila, gin, vodka, absinto e whisky, meticulosamente suavizado com refrigerantes e colas.
Perguntei qual a razão de ser daquele amontoado. Responderam-me que era pelo simples prazer do convívio ao ar livre e que, assim, se poderia juntar o prazer de beber e de fumar – não só tabaco – por um preço irrisório. Está claro que, desde logo, me apercebi de que aquele último era o motivo principal.
Mais tarde pude testemunhar algumas das sequelas do botellón. Pelos jardins a relva transformara-se num mar de copos de plástico e de garrafas de bebidas espirituosas e de refrigerantes. Porém, havia retardatários nadando em poças do seu – penso eu – próprio vómito. Outros estavam prostrados à sombra lunar de um carvalho, de um plátano ou de uma tília. Mais à frente alguns jovens casais copulavam num despudor que só lhes era permitido pela abundância de álcool e de substâncias psicotrópicas que circulavam naquelas veias ainda fortes e resistentes pela parca idade biológica.
Contudo, houve uma certa manhã em que acordei com a notícia de que essas práticas licenciosas passariam a ser proibidas. O famoso botellón soltaria, por certo, o seu último estertor por aqueles dias.
E assim se sucedeu,
se bem que…

sexta-feira, 17 de março de 2006

Conta-se que…

Jean-Paul Sartre…era uma vez em Coimbra, numa oral de uma disciplina ligada às ciências da natureza, ocorreu este diálogo entre o professor – o examinador – fisicamente vesgo e o aluno – o examinado:
– Então diga-me lá – perguntava o Professor – que tipo de pássaros conhece?
O aluno, digno representante daquela bela estirpe que não é de ficar calado perante a reconhecida ignorância, iniciou a resposta nomeando uma lista infindável de espécies avícolas e terminou dizendo:
– …pássaros, passarinhos e passarões; pássaros de capoeira e pássaros de gaiola.
O resoluto e vesgo professor retorquiu escarnecendo:
– E que tal um chumbinho para matar essa passarada toda?
Resposta pronta e eficaz do aluno:
– E um olhinho vesgo para falhar a pontaria?

Foi este aprazível episódio, pleno de espírito académico, que rememorei quando relia “Explication de l’Étranger” de Sartre sobre “O Estrangeiro” de Camus.
Lembrei-me, ainda, do prodigioso Vian e de “A Espuma dos Dias” falando de Partre, Jean-Sol:
«Partre levantara-se e apresentava ao público amostras de vómito embalsamado.» [bold meu] (Relógio D’Água, 2001, com tradução de Aníbal Fernandes, p. 95).

Blogues: novas entradas

Nova actualização da secção deste espaço dedicada ao enlaçamento de blogues de visita frequente.
Entram para a tabela os seguintes:
Adufe, de Rui M. Cerdeira Branco; A destreza das dúvidas, de Luís Aguiar-Conraria e de Cristóvão de Aguiar; Espumadamente; e Sobre o tempo que passa, de José Adelino Maltez.

quinta-feira, 16 de março de 2006

Terra quente

Recomendo a leitura deste texto de Pedro Correia, postado no seu blogue Corta-Fitas, sobre o filme «North Country – Terra Fria», o qual tive o prazer de ver no dia da sua estreia há cerca de três semanas.
Concordo na íntegra com as suas palavras sobre o filme e, sobretudo, acerca das embirrentas estrelinhas dos nossos críticos de cinema, que são colocadas decorrendo – de entre outras bastante repreensíveis – da seguinte bitola: {Europeu, de 3 a 5 estrelas; Americano [independente 3 a 5 estrelas; produzido pelos grandes estúdios (clássico restaurado ou em reposição, 5 estrelas; estreia, de 0 a 3 estrelas)]}
Em Portugal, há apenas duas pessoas que têm o dom natural de me seduzir nas suas digressões críticas pelas obras da 7.ª arte: João Lopes e, claro, João Bénard da Costa. São ricas de conteúdo, são válidas e bem reflectidas, mesmo que mais tarde, após o visionamento do filme, possa eventualmente não concordar com o resultado final das suas incursões críticas. Porém, as suas apreciações são sempre sérias e honestas e, acima de tudo, resultam das suas inextrincáveis competência e sabedoria na percepção do fenómeno de realização, produção e coordenação que se materializa num todo concertado ao qual chamamos obra de arte.

PS – Ver também este
texto de Luís Naves no mesmo blogue.

quarta-feira, 15 de março de 2006

Texto reciclado


Porque reciclar é viver!

PS - Viram o Veiga a saudar o Pontes ao bom estilo do João Vieira Pinto? Veiga, read my lips...

Adenda...

...ao meu texto «Lágrimas escarninhas #6».
[Reactualização, hoje, às 21 horas]

terça-feira, 14 de março de 2006

Quem ri por último…

O Compasso e o EsquadroQuem ainda não leu o livro de Dan Brown “O Código Da Vinci”?
Um artigo da revista britânica
The Economist, de Junho de 2005, sentenciava que aqueles que ainda não o leram, pertenceriam, por certo, a uma das três categorias seguintes que, como ficou claro, são mutuamente exclusivas:
  1. Insuportavelmente intelectual;
  2. Completamente iletrado;
  3. Vive em Marte.

Majestade e fleuma britânicas à parte, o famoso Código malhava, sem dó nem piedade, na prelatura pessoal do Papa, que dá pelo nome de Opus Dei, e discorria sobre a existência de uma eventual organização secreta que esconderia algo que, se revelado, abalaria o mundo cristão.
Brown edificou o seu romance a partir da eterna história da luta de contrários. Porém ao incluir a Opus Dei – a qual, inclusivamente, dispunha de um numerário albino, de nome Silas, pronto a matar pela causa – esqueceu-se da Maçonaria e introduziu o denominado Priorado do Sião, embora essa organização esotérica estivesse próxima do processo de iniciação e do rito maçónicos.
Hoje, no Britain’s High Court – onde decorrem as audiências da queixa por plágio apresentada pelos autores Michael Baigent e Richard Leigh contra Dan Brown – o autor norte-americano depôs pela primeira vez e afirmou que houve uma razão para não incluir a Maçonaria (fonte: edição de hoje do
NYT):
«I decided to shelve the Masons for another day

Afinal, pedreiros e sinos, aventais e compassos, pentagramas e folhas de acácia, também irão ser escrutinados pelas teorias brownianas, mais cedo do que se poderá imaginar.

E vá-se lá saber para que lado cairá o Pêndulo

Ovação de pé…

Pixies…para Henrique Fialho!
Para além dos seus textos, fica-nos a música que escolhe e que dá mais cor ao seu blogue Insónia.
Henrique prometeu e está prometido! Allison de Black Francis, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering permanecerá no seu blogue durante
uma semana.

PS – Para complementar – e não para concorrer –, deixo durante esta semana na minha caixa de música sons que, a avaliar pelos comentários no Insónia, deixarão muita gente feliz.

Lágrimas escarninhas #6 [actualizado 2 vezes]

Afonso Bivar é sem dúvida, de entre os autores dos meus blogues de referência, o mais docemente corrosivo. As suas inquietações blogosféricas, muitas vezes de uma forte têmpera hermética sem, contudo, se tornarem em dissertações perifrásticas, constituem momentos de puro prazer literário, mesmo que nos encontremos visceralmente nos antípodas daquilo que muitas vezes escreve.
Concluindo, serviu esta verborreia toda apenas para recomendar a leitura o seu texto «Che» que, apesar de a minha opinião estar mais do que formada sobre esse feroz revolucionário – ver textos neste blogue –, me levou às lágrimas.

PS – Também de leitura obrigatória o texto de resposta de JPT no seu excelente blogue Ma-Schamba.

Adenda: Acerca da micro polémica entre JPT e AB, que motivou este texto de réplica de AB, confesso que quando fiz a ligação ao texto de JPT ignorei a parte «Continue a ler “Público e Privado”» onde o autor manifestava a sua indignação acerca do alegado branqueamento de “Che” [corrijo aqui citando JPT, que nos comentários explicou o motivo: não gostei do tom que me dirigiu] por AB nestes termos: «Afonso Bivar, sem merdas, pelo tom vá à merda (…)». Limitei-me a fazer a ligação e não dei conta da investida pouco suave de JPT. A quem se possa ter ofendido, peço as minhas sinceras desculpas! Não sou, de forma alguma, adepto do palavrão, foda-se!

segunda-feira, 13 de março de 2006

Hostilómetro

A complexificação das actividades económica e financeira, assim como o crescente afastamento entre o fluxo real propriamente dito (económico) e os fluxos financeiros que ocorrem paralelamente – calcula-se que uma simples transacção em termos reais abarque uma centena de movimentos financeiros de suporte –, trouxeram ao mundo da gestão empresarial um manancial de disciplinas que derivam de um tronco comum, com uma terminologia própria e necessariamente prática para lidar com uma série de conceitos até então desconhecidos e com o intuito de simplificar toda uma actividade.
Ora, nos dias que correm é mais do que geralmente aceite que, para além de um conhecimento geral ou pluridisciplinar de base, a especialização é a forma mais eficaz para a resolução dos problemas do dia-a-dia, e isto tem vindo a ocorrer, ao longo dos tempos, em tudo aquilo que se designa como actividade humana: medicina, economia, direito, engenharia, arquitectura… e até nos trabalhos eminentemente manuais.
Assim, é de vital importância que os nossos jornalistas que se dedicam à informação sobre assuntos económicos e/ou financeiros disponham de conhecimentos específicos na área, que não se adquire nas escolas de jornalismo, mas em cursos de especialização ou de pós-graduação, e até – por que não? – através da realização de cursos de mestrado ou de doutoramento.
Com a OPA da Sonae sobre a PT e a de hoje do BCP sobre o BPI, os nossos jornalistas andavam numa azáfama – que até metia dó – perguntado a tudo e a todos, e até questionando-se a si próprios, se a oferta pública de aquisição era ou não hostil!
No Dicionário da Língua Portuguesa On-line da
Priberam, hostil define-se por:
«(…) que é de inimigo, próprio de inimigo; adverso; agressivo; contrário; provocante.»
Depois deste ponto de ordem, cabe perguntar: no âmbito das ciências económicas e empresariais, o que significa hostil, quando este adjectivo é apenso ao acrónimo OPA?
Neste caso, exigia-se, pelo menos, a consulta de um dicionário da especialidade – que existem aos pontapés numa livraria ou num sítio da Internet perto de si!
Só para esclarecer, uma Oferta Pública de Aquisição, como o próprio nome indica, significa que determinada empresa oferece em bolsa – mercado organizado e com regras previamente definidas – um determinado valor pelo capital de outra empresa, que é representado por um conjunto de títulos – acções – na posse de um grupo mais ou menos alargado de accionistas, com o objectivo de controlar os activos por eles detidos.
A definição de hostil ou amigável – infelizmente para alguns – não representa um facto susceptível de encher as páginas de uma publicação da imprensa cor-de-rosa, nem se trata de uma simples declaração de guerra para aniquilar o putativo inimigo.
Uma OPA é hostil se os representantes da contraparte – conselhos de administração ou executivo, directores ou gestores – considerarem, por alguma razão, que esta operação não serve os interesses dos seus accionistas ou pode fazer perigar os seus direitos.
O que Paulo Teixeira Pinto, Presidente do Conselho de Administração do Millennium BCP, referiu aos jornalistas foi que no ordenamento jurídico português este era o único caminho, ou seja, afastada a hipótese de fusão – pela dispersão do capital – o comprador (ofertante) tem que lançar publicamente, com comunicação prévia à entidade reguladora – em Portugal a CMVM – a proposta de compra sobre todo – e saliente-se a última palavra – capital da empresa, sem discriminar accionistas, tanto os institucionais como os simples particulares.
Uma OPA não dispõe de graus de intensidade. Pode-se qualificar como hostil ou amigável, numa escala que não é contínua, é maniqueísta, ou é ou não é!

Por que cargas de água anda toda a gente preocupada com a hostilidade?

Será que a pressão das audiências implica que um simples negócio em bolsa se torne num folhetim aparentemente pleno de reviravoltas? Ou será pura ignorância?

Finalmente, a moda pegou!

BCP: OPA sobre o BPIUltimamente, o nosso paupérrimo mercado de capitais – em liquidez, capitalização bolsista e volume de acções transaccionadas – anda deveras animado.
Aparentemente, concretizou-se aquilo que muitos já profetizavam há, pelo menos, 5 anos, ou seja, o lançamento de uma Oferta Pública de Aquisição sobre o BPI.
Muitos saudosistas e proteccionistas questionavam a aparente fragilidade do BPI perante uma operação de aquisição de grande envergadura de um concorrente estrangeiro. Pior ainda, para esses o adquirente poderia ser o BSCH ou BBVA, ou ainda outro espanholeco qualquer! Lá se ia a nossa independência restaurada, pelo fervor do sangue luso, no 1.º de Dezembro de 1640.
Todavia, os mais pessimistas falharam.
O proponente é o Millennium BCP, isto é, o maior banco privado português.
Para os que não se arrepiam com estas operações – como é o meu caso – trata-se de mais um sinal da aparente convalescença económica e financeira do nosso país. Para além disso, 30 anos após o 25 de Abril e a deriva revolucionária que se seguiu – como já estou farto de o referir neste blogue, muito diferente da transição pacífica que ocorreu em Espanha –, a sucessão deste tipo de operações levadas a cabo por empresas nacionais só deveria constituir um motivo de orgulho e não da tradicional e obtusa desconfiança tão portuguesa.
Quer se queira ou quer não, os mercados das economias ocidentais ou os das ocidentalizadas vivem, respiram e alimentam-se deste tipo de sinais e alavancam-se com este tipo de operações e, se a tudo isto, se acrescentar a enorme exposição ou abertura da nossa economia perante o exterior, estas acções são inevitáveis e, para além disso, fundamentais para a necessária regeneração do mercado.
Agora, só resta seguir os próximos episódios e saber interpretar os tais sinais. Depois poder-se-á especular! Aliás, é ou não é o grande passatempo nacional?

Nota: carregar aqui para transferir o documento em PDF, enviado hoje pelo Millennium BCP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, comunicando o facto relevante.

Lágrimas escarninhas #5

Seria uma injustiça não incluir nesta secção do meu blogue este pequeno texto de Francisco Trigo de Abreu, publicado no seu blogue Mau Tempo no Canil:

«Começo a acreditar que também preciso de um chip para a minha televisão. Hoje o meu filho (três anos) informou-me que gosta muito do "Casaco Silva".»

Nota: Só para recordar, os 4 textos anteriormente contemplados pertencem aos seguintes blogues: #1 Insónia; #2 O Sniper; #3 O Insurgente e #4 Da Literatura.

LUSA isenção

Benfica - Naval 1.º de Maio (12/03/2006)A Lusa, Agência de Notícias de Portugal integra a Portugal Global, SGPS, S. A. – que inclui a RTP e a RDP –, que é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, 100% detida pela Direcção-geral do Tesouro. Logo, de forma indirecta, é uma empresa financiada pelos impostos arrecadados pelo Estado aos contribuintes portugueses.
Hoje, a necessariamente imparcial agência de notícias portuguesa, publicava um artigo resumindo a 26.ª Jornada da Liga de futebol nacional:
«Futebol: Liga - Falhanços, Naval e árbitro atrasam Benfica».
No corpo da notícia poder-se-á ler que «(…) já na segunda parte, enquanto o árbitro albicastrense Carlos Xistra optou por julgar "limpos" dois lances em que os "encarnados" reclamaram penalti, por alegadas faltas sobre Nuno Gomes e Léo.» (sic)
O mais curioso é que a
Lusa agora faz juízos de valor sobre a notícias que difunde e neste caso sobre a arbitragem de um desafio de futebol, considerando aqueles lances como indubitavelmente passíveis de grande penalidade e esquece-se de atestar da bondade da expulsão do defesa do clube figueirense pelo tal “albicastrense”, apenas dizendo, em tom lacónico que houve «grande entreajuda dos figueirenses» e esta «permitiu-lhes defender o "nulo" até final, mesmo após expulsão do defesa Franco» (sic).
A notícia foi reproduzida na íntegra
aqui no serviço Sapo - Infordesporto.
Como adepto de futebol e contribuinte sinto-me verdadeiramente defraudado pelos 17.665.935 de euros de indemnização compensatória atribuída pelo Estado à agência noticiosa apenas no ano de 2005. Já para nem falar de um total acumulado de verbas transferidas de 56.539.015 euros desde o ano 2002.
Quanto ao “albicastrense”, este mesmo poderá avaliar se a matéria em questão poderá ou não dar origem a uma queixa-crime por difamação uma vez que, pelo título da notícia, «atrasou o Benfica», nada se sabendo pelo zeloso jornalista quanto ao grau de premeditação. Ele faz melhor, deixa em aberto...

Viverá ainda a Lusa no 24 de Abril de 1974?

Nota: o valor das indemnizações compensatórias do Estado à Lusa inseridos no texto (de 2002 a 2005) tiveram por fonte o ICS - Instituto da Comunicação Social.

sábado, 11 de março de 2006

11.º Mandamento

«Invejar é pior que morrer».

Uma vez mais cito – recomendando, vivamente, a sua leitura – o livro Inveja: Mal Secreto (Asa, 2005) do jornalista e escritor brasileiro Zuenir Ventura, quando este cita A Cabala da Inveja de Nilton Bonder, referindo-se à tradição judaica.

sexta-feira, 10 de março de 2006

Choque na blogosfera!

Aproveitando um pequeno intervalo sentei-me ao computador e enlacei-me ao Da Literatura. Abruptamente, deparei-me com este texto sucinto de Eduardo Pitta: «THE END».
O Espectro acabou!
Os motivos carecem de uma maior análise e de uma profunda reflexão!
Entretanto, vejam-se os textos: I, II, III, IV e V!
Espero que não seja a causa do efeito!
Caso haja relação, exige-se, no mínimo, que se siga o seu exemplo!
Será culpa do Sitemeter?

Admirável mundo novo [recuperado]

Só hoje tive a oportunidade de ler o artigo «Um mundo perfeito» escrito por Francisco José Viegas e publicado na edição de ontem do Jornal de Notícias, reproduzido no seu blogue e aqui.
FJV escreve um artigo magistral e carregado de uma fina ironia perante a constatação da uniformização dos costumes no denominado espaço único europeu. Em concreto, não se trata de um processo simbiótico mas de uma assimilação cultural. Estranhamente, esse processo de aculturação é encetado pelo aculturado – o agente passivo – ao invés do que seria natural. Neste caso o aculturante nem sequer desempenha o papel de observador nesse procedimento, porque não o impôs e tão-pouco nele interveio sob qualquer pretexto ou a algum título.
Este acto, de puro auto-enxovalho cultural, traduz o mimetismo balofo da actual classe política europeia, já de si desprovida de qualquer ideologia, de convicções políticas e do grau mínimo de sensibilidade e de sensatez na interpretação dos sinais emanados por um todo heterogéneo que se homogeneíza num determinado padrão a que convencionámos chamar Cultura. Somos governados por néscios com a agravante de nos quererem formatar de acordo com o seu grau de mediocridade e de ignorância.
Vénia ao Aldous Huxley e ao seu Admirável Mundo Novo (Brave New World, 1932)!
Pressinto que caminhamos a passos largos para um mundo de novos lugares, actividades e ocupações globalizantes, com salas de predestinação social e de condicionamento neo-pavloviano, exibições de cinema perceptível, engenheiros da emoção, de minuciosa catalogação da espécie humana preestabelecida à nascença, num espectro de mais e menos: alfas, betas, gamas, deltas e epsilones… e Soma, muita Soma!
Regressando ao mundo nos nossos dias, só discordo de FJV na adenda introduzida no
texto republicado no seu blogue, quando refere que «Estamos muito desatentos, estamos»! Modéstia à parte, a 29 de Dezembro do ano passado já aqui havia lançado o alerta para essa repugnante realidade, que corre o sério risco de um contágio irreversível.

Começou com as colheres de pau, jaquinzinhos e galheteiros… e terminaremos de cabelo pintado de louro, a falar esperanto e a copularmos como máquinas reprodutivas… ou até nem isso!

quinta-feira, 9 de março de 2006

A pele fria

Albert Sánchez Piñol - A pele friaComeço este texto com uma frase do escritor espanhol Enrique Vila-Matas estampada pela Editorial Teorema na contracapa do livro que aqui irei falar:

«Continua a perseguir-me depois de o ter lido. Um livro esplêndido.»

De facto não consigo encontrar melhores palavras para descrever a sensação que experimentei após haver devorado o 1.º romance do escritor catalão Albert Sánchez PiñolA pele fria” (La pell freda, 2002), editado em Portugal em Janeiro deste ano pela Teorema.
Alguns rotulam-no como um livro de ficção científica ou até de aventuras. Todavia, espartilhá-lo nessas categorias, normalmente menores, ter-me-iam afastado da sua leitura.
A pele fria é um romance de apenas 236 páginas – na edição portuguesa, claro está – que nos faz percorrer todo um espectro de sensações, por vezes antagónicas, no decurso da sua narrativa.
Frequentemente, as evocações apostas a um determinado tipo de romances contêm uma ou mais referências qualificativas da “Natureza Humana”: negra, cruel, perversa, obscura, etc. Essa descrição repete-se infindavelmente como um irritante estribilho, cuja estafada reiteração nos faz insensibilizar perante o indício da sua presença, tal como a permanente evocação do lobo pelo rapaz traquinas. No entanto, A pele fria perscruta a mente e a natureza humanas com uma aparente facilidade que nos deixa estonteados. O Homem perante a novidade, a dúvida, o incerto, o medo e os consequentes artifícios intelectuais que se criam e se transmutam ou em actos reflexos ou em acções concertadas para combater esses estados de precariedade e de fraqueza.
Esta é a singela história da humanidade e dos irreversíveis corolários da sua interacção com a natureza.
Contar mais estragaria, por certo, o prazer da descoberta na sua leitura, que página a página nos enreda nas suas mensagens subliminares.

Até agora, o melhor deste ano! Genial!

quarta-feira, 8 de março de 2006

Controlo

Instinto Fatal 2Hoje, 8 de Março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. Como sempre temas como poder e controlo, deveres e direitos, quotas, maternidade, o eterno feminino, serão, por certo, os mais difundidos neste dia. Mas, afinal, quem dirige?
Em 1992 os homens tremeram perante a sedutora ameaça de um famoso picador de gelo.
Paul Verhoeven dirigiu o inolvidável Instinto Fatal, onde Catherine Tramell – Sharon Stone – dominava a seu bel-prazer uma turba de homens enfeitiçados pelo implacável controlo de uma mulher deslumbrante, rica e, acima de tudo, inteligente e perspicaz acerca do instinto mais básico do primitivo macho na nossa sociedade.
Ei-la de volta!
Sharon Stone regressa no papel da irresistível Catherine Tramell sem o pobre detective Nick Curran – Michael Douglas – mas com outros da estirpe para torturar.
Trata-se da sequela de Instinto Fatal – ver trailer
aqui –, desta vez dirigido pelo realizador escocês Michael Caton-Jones, contando com a célebre e inebriante música do compositor já falecido Jerry Goldsmith.
Estreará no final deste mês.

Quem detém o controlo?

Filha de peixe…

Sophie Auster…sabe nadar! Neste caso, consegue mesmo fascinar!
Fiquei deveras estupefacto por este lindo espécime que é filha do Mestre!
Pedro Mexia posta aqui a fotografia de Auster, Sophie Auster, resultado, por certo, de uma noite bem passada em Brooklyn por Paul e Siri Hustvedt – e terá que ser de Siri, já que Auster apenas teve um filho do primeiro casamento, com Lydia, e nasceu varão, Daniel, de acordo com a fabulosa narração das memórias guardadas de uma parte importante da sua vida em Inventar a Solidão (The Invention of Solitude, 1982).
Do pai apenas tem o olhar hipnotizante… felizmente!
Por outro lado, só espero que não tenha herdado a truculência do meio-irmão Daniel – sagaz e engenhosamente transcrita no seu romance A Noite do Oráculo (Oracle Night, 2004) e no romance de Siri Aquilo Que Eu Amava (What I Loved, 2004) – e as violência e obstinação da bisavó Anne Auster.
A pequena Sophie, de 18 anos, parece que encetou as lides de cantadeira.

Bravo Paul, mais uma obra-prima!

terça-feira, 7 de março de 2006

Secção R.E.P. – Livro editado em português

Haruki Murakami - Kafka à beira-marDesde que iniciei a secção neste blogue dedicado ao Ritmo Editorial Português, apenas foi lançado no nosso mercado literário um livro dos 8 que chegaram a integrar esta categoria.
Assim, serve este texto para anunciar o lançamento em Portugal do livro:
  • Kafka à beira-mar (Título em inglês: Kafka on the Shore)
  • De Haruki Murakami
  • Casa das Letras, Março de 2006

Este romance de Murakami foi publicado pela primeira vez no Japão em 2002 e traduzido para inglês e publicado nos Estados Unidos e no Reino Unido no ano de 2005.
De notar que “Kafka à beira-mar” foi eleito pelo
The New York Times como o melhor romance de 2005 – tendo relegado para a 2.ª posição o romance de Zadie Smith “On Beauty” que também figura nesta secção do meu blogue.
Assim, após haver sido editado no Japão 1.273 dias e há 412 dias nos Estados Unidos, Murakami dispõe de mais um livro editado na língua de Camões.

Notas
I – O último romance de Murakami “After Dark”, publicado no Japão em 2004, já tem publicação garantida em 2006 nos Estados Unidos.
II – Em Portugal, o autor japonês conta já com 3 romances publicados. Para além do que foi aqui referido, contam-se “Norwegian Wood” publicado em 2004 pela Livraria Civilização Editora e “Sputnik Meu Amor” publicado em 2005 pela Editorial Notícias (agora Casa das Letras).

Bodegas

Via o António, um dos autores do meu blogue de referência A Arte da Fuga, fiquei a conhecer este blogue individual mantido pelo Bruno Gonçalves.
Sinceramente, do pouco que ainda pude ler, gostei!
No seu
texto comemorativo do 1.º aniversário pode-se ler:

«Suportar um blog sozinho, tentando manter alguma regularidade nos posts não é tarefa fácil. Porém, sei bem qual é a sensação de chegar a um blog e encontrar sempre o mesmo post, já com vários dias. Num dia-a-dia que é sempre exigente, lá se encontra uma pequena folga para escrever qualquer coisa, recomendar um texto, fazer referência a determinado acontecimento, ou simplesmente explicar o nosso estado de espírito depois de ter ouvido alguma declaração na TV completamente lamentável.»

Sei bem o que custa manter um blogue saudável quando essa tarefa é eminentemente solitária. Tal como o Bruno refere, um blogue irregularmente actualizado é um blogue morto! E caramba, se escrevemos é porque gostamos de ser lidos, nem que seja por uma única pessoa, como aqui escrevi ao iniciar este blogue em 17 de Dezembro de 2005!

Para concluir, só me resta desejar ao Bruno mais um ano repleto de textos como os que escreveu até agora e que no dia 6 de Março do próximo ano aqui estejamos a comemorar o seu 2.º aniversário!

segunda-feira, 6 de março de 2006

Golfadas evacuatórias

Um texto, intitulado por «O vómito, agora na Net, perto de si» e publicado num blogue estrangeirado que significa Dando Linguados – não, desengane-se nem o autor é tão benemérito, nem se trata da espécie piscícola espalmada e lambedora de fundos oceânicos carregada de mercúrio –, discorre, em tom de incontida defecação, sobre estes dois textos publicados por valter hugo mãe no seu blogue Da Literatura. Os textos tratam do historial celerado de um santo pacifista denominado por Ernesto Rafael Guevara de la Serna – estrangeirando, a.k.a. “Che” Guevara, ou então, se se preferir a tradução literal, “Pá” Guevara.
Como disse
aqui, não discuto dogmas ou axiomas com quem assume as suas crenças e os factos como tal. E disso estamos conversados!
O tal proprietário do blogue e subdirector do
DN, que dá pelo nome de João Morgado Fernandes diz, a dado momento, que vhm foi «prontamente aplaudido pela acefalia blogosférica do costume [está tudo linkado no fim do tal post]».
Ora, como duas das ligações [links, para quem não entende] são de minha autoria, a carapuça caiu-me na perfeição, embora pense que esse desarranjo epistolar se dirigisse a outros que, ao contrário de mim e do meu quase desconhecido blogue, são pessoas bem conhecidas do público e reputadas nas diferentes actividades que exercem.
Não faltou até uma defesa acérrima de um destemido anónimo, que assina “am”, a chamar a
FJV o «galo da capoeira dos "novos valores literários"» e o pai do vómitoeste comentário foi postado noutro blogue, no qual o peristáltico autor compartilha as suas solturas narrativas com outros que aprendi, apesar das diferenças, a estimar e a ler frequentemente.
Como já referi por inúmeras vezes, todos nós temos os dirigentes que merecemos porque os escolhemos por via democrática, e alguns jornalistas são a face visível desse problema, ou seja, diarreia verbal advinda da sua lassidão esfincteriana.

Noite das surpresas

Ontem, antes da sessão dos Óscares da Academia quando realizei os meus prognósticos aqui, limitei-me a interpretar os sinais que haviam sido dados antes, tanto pela crítica, como pelos prémios anteriormente atribuídos, para a atribuição dos prémios nas categorias mais importantes. Felizmente, enganei-me!
Nas 8 categorias, acertei em 5: Melhores argumento adaptado, actor, actor e actriz secundários e realizador.
Errei no Melhor argumento original, na Melhor actriz e no mais importante galardão, o Melhor filme.
Assim, o Óscar para melhor actriz foi para a insossa Reese Witherspoon pelo seu papel de June Carter no filme “Walk the Line”, que não consigo dissociar do seu papel mais do que perfeito no filme de 1999 “Eleições”, de Alexander Payne, onde interpreta uma jovem arrivista nas maquinações de um processo eleitoral para a associação de estudantes da sua escola, da actriz na realidade.
Por outro lado, os Óscares para Melhor argumento adaptado e Melhor filme premiaram “Colisão” – Crash – escrito e realizado por Paul Haggis, que saltou directamente do pequeno ecrã para as luzes da ribalta de Hollywood, apesar de se tratar do seu segundo filme enquanto realizador, depois do horrendo Red Hot.
Resumindo e concluindo, pudemos assistir à noite de entrega dos Óscares mais atípica dos últimos anos, com 4 vencedores – em número de Óscares: Memórias de uma Gueixa (Melhores guarda-roupa, direcção artística e direcção de fotografia), King Kong (Melhores efeitos especiais, som e efeitos sonoros), O Segredo de Brokeback Mountain (Melhores realizador, argumento adaptado e banda sonora original) e Colisão (Melhores filme, argumento adaptado e montagem).
Os grandes perdedores da noite: Munique, de Steven Spielberg e Boa Noite e Boa Sorte, de George Clooney, e, claro, o à partida grande favorito O Segredo de Brokeback Mountain que arrecadou apenas 3 estatuetas das 8 para o qual havia sido nomeado, perdendo a de Melhor filme: merecido!

domingo, 5 de março de 2006

O decidófobo

Hoje, no seu programa televisivo dominical na RTP1, Marcelo Rebelo de Sousa esteve simplesmente brilhante na sua análise ao desempenho do Governo durante o seu primeiro ano de actividade.
No cômputo final das classificações atribuídas, chegou a uma média de 11,5 valores para o Governo, que classificou como “Suficiente”. De facto, os habituais subentendidos de Marcelo são a maior riqueza do seu discurso avaliador da performance política daqueles que dela fazem profissão: temos os políticos que merecemos!
Mas o melhor da noite – para além do 10 atribuído a Freitas do Amaral e o pretenso tom de piedade que introduziu nesta parte do seu discurso – foi a comparação de Sócrates com anteriores primeiros-ministros. Em primeiro lugar, há que notar que Marcelo atribuiu-lhe 15 valores – confesso que pelas mesmas razões que lhos atribuiria – justificando-o com a coragem política com que Sócrates tem enfrentado a tomada de determinadas decisões impopulares e fracturantes que, eventualmente, poriam em risco a reeleição de um Governo em qualquer parte do mundo ocidental. Depois, Marcelo, no seu mais alto estilo maquiavélico, disse que ao contrário de Guterres, Sócrates não era um decidófobo, ou seja, que ao invés do estilo mais deplorável de António Guterres, Sócrates não tem medo de tomar decisões.
Ora, posto isto, corri a Internet à procura dessa fobia e encontrei-a neste
glossário elaborado pelo brasileiro Roque Theophilo presidente da Academia Brasileira de Psicologia e da Academia Internacional de Psicologia:
«Decidofobia = aversão e medo mórbido irracional, desproporcional persistente e repugnante de tomar decisões.»

Decididamente, Marcelo acertou em cheio!

Em contagem decrescente

OscarAs damas que encantarão mais logo com o seu glamour o Kodak Theater estarão, neste momento, a cumprir o seu programa apertado da manhã e do início da tarde com os seus batalhões de cabeleireiros e estilistas de renome, para que a língua aguçada dos seus pares e dos jornalistas da imprensa cor-de-rosa lhes concedam o galardão da noite, isto é, as mais belas entre as belas do tapete vermelho.
Nós, os simples e humildes espectadores, aguardamos com jubilosa esperança o espectáculo propriamente dito e as reacções de escárnio, de complacência, de orgulho e/ou de preconceito entre os elementos daquela horda milionária.
Enquanto Jon Stewart não proferir a frase «Ladies and Gentlemen, good night!» inúmeras especulações poderão ser realizadas. Contudo, como normalmente acontece, o brilho dos Óscares da Academia não está nas eventuais surpresas, já que o grau de previsibilidade tem sido elevado nos últimos anos, mas no espectáculo em si que, diga-se o que se disser, os americanos são imbatíveis.
Pouco mais há a acrescentar, a não ser as previsões do costume para as categorias mais importantes.
Aqui ficam as minhas:

Argumento Original
George Clooney & Grant Heslov - Good Night, and Good Luck

Argumento Adaptado
Larry McMurtry & Diana Ossana - Brokeback Mountain

Actriz Secundária
Rachel Weisz - The Constant Gardener

Actor Secundário
George Clooney – Syriana

Actor Principal
Philip Seymour Hoffman - Capote

Actriz Principal
Felicity Huffman – Transamerica

Realizador
Ang Lee - Brokeback Mountain

Filme
Brokeback Mountain

Creio que, para minha infelicidade, assim irá ser! Caso contrário perco na previsão, mas ganho alguma satisfação. O filme sobre os sheepboys está longe de ser uma obra-prima.

sexta-feira, 3 de março de 2006

Quem não tem águia...

...caça com pardal!

A equipa B do Benfica jogará contra o Liverpool.

O agarotado Ronald Koeman já o confirmou:
«Sai quem pensar em Liverpool na Amadora»
Ler
aqui a notícia na íntegra.

Ao que se conseguiu apurar, durante esta semana o holandês vo... sonhador ter-se-á deslocado a Hollywood com o propósito de se reunir com os irmãos Andy e Larry Wachowski, onde à troca de 4 jogos de pneus recauchutados conseguiu adquirir, por empréstimo, a célebre matriz da realidade.

«Welcome to the real world!»

As mamas de um Che capitalista

A não perder o artigo de hoje de valter hugo mãe que surge como resposta aos beatos guevaristas que se indignaram com as evidências.
No seu texto vhm nota bem que se as evidências não são prova – coisa que me parece um contra-senso, até porque são palavras sinónimas – então encontrar-nos-emos em face de uma discussão puramente religiosa, logo assente em dogmas cujos crentes jamais discutirão, aliás como me parece óbvio. Exemplificando, se eu acreditar na imaculada concepção de Virgem Maria, jamais aceitaria que não se considerasse Cristo como sendo Filho único – fruto do Divino Espírito Santo –, como pretendem demonstrar certos historiadores da religião. Ora, essa questão nem sequer se discute porque se trata da minha crença que é insusceptível de questionamento, logo é um dogma ou, para ser mais científico, um axioma.
Outra coisa diferente, e que, como homem das cavernas que sou, mais me aguçou o apetite – ainda bem que a minha mulher não tem por hábito ler os meus discorrimentos blogueiros –, as mamas da vizinha de vhm deixaram-me deveras curioso, conduzindo a minha mente à fortemente especulativa divagação pela eventual envergadura e pelos recorte e firmeza das ditas.
Meu caro vhm isso não se faz!
É verdade, Che é um subproduto do capitalismo selvagem, veja-se, por exemplo, a promoção do filme-lixívia – como branqueador – do brasileiro Walter Salles “Diarios de motocicleta”.

Nota final I: A libido tem destas coisas! Até já entrevejo um Che estampado deixado ao abandono em cima de uma cadeira de sala de jantar, enquanto saboreio uma sopa de peixe revigorada pelo leite das suas (dela) mamas… vhm, a tal vizinha, por ventura, não se chamará Lena?

Nota final II: A ler este artigo de resposta de FJV a um Fidel amigo no seu blogue A Origem das Espécies.

Pai galinha

Podemos discordar do mais que teimoso Adriaanse nas opções estratégicas que toma para fazer face aos inúmeros desafios que o meu FC Porto disputa. Aliás, já o venho a dizer, e não se trata de uma novidade, que o sistema de 3 defesas e 4 atacantes de raiz exige a introdução de um verdadeiro n.º 10 criativo no meio campo para que a bola possa chegar minimamente jogável aos jogadores da frente. No FCP há médios criativos – de acordo com as prerrogativas que a palavra "criativo" exige – como Diego e Ibson. Todavia, por pura casmurrice, Adriaanse não abdica desse modelo e está no seu direito, já que, contratualmente, está incumbido de dirigir o plantel e, de acordo com a sua filosofia táctica, escolher o modelo de jogo que muito bem entender.
Na minha modesta opinião, Diego, com apenas 20 anos, é um excelente jogador, faltando-lhe, porém, a necessária maturidade para enfrentar um lugar que exige experiência e bom senso, que só se adquire com o natural decurso dos anos. Agora, nenhum jogador, por muito boas que sejam as suas qualidades, pode exercer pressão sobre a sua entidade patronal para que esta altere a sua filosofia, quer em termos de pura gestão, quer em termos meramente técnicos, na prossecução dos seus objectivos bem definidos.
O que o pai/agente ou agente/pai de Diego tem vindo a fazer sempre que fala para a necrófaga imprensa desportiva portuguesa, configura-se como declarações eminentemente terroristas que, por um lado, instabilizam o clube que é a sua entidade patronal – e sem o devido sucesso, os seus recursos humanos também não são valorizados –, como, por outro, vão depauperando o já de si escasso lado humano de um jogador de futebol de eleição, tratando-o como uma mera mercadoria, sujeita a um processo exclusivamente mercantilista de um ser humano. Este caso é ainda agravado pela dupla qualidade do agente do jogador brasileiro. O tal “picareta falante” acumula as funções de pai com as de agente. Ora, que qualquer agente não goste de ver a sua mercadoria desvalorizada no mercado é uma realidade insofismável; todavia Diego é um ser humano que deve ser tratado como tal e não como uma activo negociável, muito menos por um pai que quer fazer simples comércio com um filho seu. Na realidade isso não me entra na cabeça, porque sou pai e não proprietário da minha filha e, nessa qualidade, darei o meu corpo, o meu sangue e todo o meu saber para que ela possa enfrentar a vida que se lhe depara pela frente. Contudo, jamais imporei condições que possam de algum modo prejudicar o seu livre-arbítrio nas inevitáveis opções que irão surgindo ao longo da sua vida. Quando muito – e para isso é que assumi essa pesada e encantadora responsabilidade de ser pai – dar-lhe-ei os necessários conselhos – mesmo que não os peça – sem que com isso lhe condicione a sua vivência.

PS – Ver o artigo da edição de hoje do jornal O Jogo denominado por «Diego: o problema é a pressa», onde são dadas várias opiniões de várias pessoas que no Brasil acompanharam a carreira de Diego. Só deixo aqui uma frase proferida por Francisco Lopes, dirigente do Santos – antigo clube de Diego: «O pai dele falava todos os dias na Imprensa, foi uma autêntica tortura chinesa. Diego era muito querido, mas a claque foi ficando aborrecida com ele por causa disso e a situação foi-se tornando insuportável» [destaques meus].

quarta-feira, 1 de março de 2006

Desesteticizando?

Neil Jordan - Breakfast on PlutoComeço este texto com uma frase retirada deste do, tal como eu, incrédulo Eduardo Pitta no seu blogue Da Literatura:
«(…) como foi possível ir tão longe na experiência do vazio? Uma das respostas parece-me óbvia: desesteticizando a arte que se transforma em mero ambiente aquático onde a identidade se esbate.»
Eduardo Pitta cita, e eu acredito piamente, um artigo do assombroso – e, por isso, singular – Eduardo Prado Coelho publicado na edição de hoje do jornal Público: «Como nos filmes» [sem ligação directa].
EPC retrata assim o famoso e hediondo crime, ocorrido no estaleiro das obras do há anos abandonado projecto “Pão de Açúcar” – situado na Avenida Fernão de Magalhães junto ao Campo 24 de Agosto –, perpetrado, com todos os requintes de malvadez, por um gang de imputáveis – destaque mais do que justo – púberes contra um pobre e infeliz travesti sem-abrigo.
Segundo pude aquilatar e reflectir pela leitura que fiz do texto – que, apesar da citação de Eduardo Pitta não ser completa, não me parece descontextualizada – o risível EPC culpabiliza os clubes de diversão nocturna – actualize-se rapidamente – e os concertos de bandas Rock pelo sucedido, recorrendo ao conceito de colectivização do eu como símbolo da morte dos valores, dos princípios e das crenças, e de insensibilização do colectivo perante os mais altos padrões morais.
Assim Falava Zaratr… Coelho: «o EU está morto!» e a Teoria Oceânica!
Consequência: meteu água!
No entanto, cheira-me a uma ligeira antecipação de elitismo cultural perante a iminente estreia, nas salas de cinema portuguesas, do novo filme de Neil Jordan «Breakfast on Pluto».
Não, a sério! Não me diga! Estraguei-lhe o artigo da próxima semana!

Como dizia António Lobo Antunes acerca do seu Fidelíssimo amigo: «Coitado!»

Correcção

Neste texto aqui foi injustamente referido que o triunvirato que havia escrito o livro The Holy Blood, and the Holy Grail havia processado Dan Brown por plágio.
Todavia, a queixa só foi interposta por Michael Baigent e Richard Leigh.
Assim, que a Divina Providência e o autor Henry Lincoln me desculpem a injusta catalogação de putanheiro.

Aqui fica a correcção e esta notícia do NYT sobre as alegações do advogado da editora Random House e de Dan Brown.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Em remodelação...

...a secção «Blogues de Referência».

O Cheque que preocupa...

…o Ensino Superior Público!
A notícia de hoje do
Diário Económico «Cheque-ensino continua a dividir especialistas», pôs uma vez mais a nu a corporação de interesses que continua a pulular pelos estabelecimentos públicos de Ensino Superior em Portugal, enquanto se vai aniquilando o Ensino Superior Particular e Cooperativo.
O descalabro remonta a questões como o fraco crescimento demográfico em Portugal, que se começou a verificar a partir dos anos 80 do século XX, e, acima de tudo, ao “homem das paixões” António Guterres e os seus sucessivos ministros da pasta.
Bem à portuguesa, Guterres resolveu o problema dos numerus clausus, e da demagógica injustiça que daí advém, com o aumento desmesurado de vagas no subsector público da educação superior.
Qual de nós não chegou a ouvir – num tom ufano-paroquial – o antigo Primeiro-Ministro a gabar-se da elevada percentagem de candidatos ao ensino superior que entra nas universidades do Estado?
Por seu turno, a universidades e os institutos ditos privados vão sucumbindo numa lenta agonia provocada pelo regulador do sector que, simultaneamente, é seu concorrente, ou comporta-se como tal.
Será que os contribuintes saberão quanto custa ao erário público – logo, aos seus humildes bolsos – a frequência de um aluno num dos cursos ministrados pelo Estado nas suas universidades e nos seus politécnicos?
Será que os fiéis contribuintes – sujeitos passivos, por definição, mas nem tanto! – saberão que o Estado é assustadoramente ineficiente na administração dos recursos ligados ao sector do Ensino Superior?
Será que os pagadores de impostos saberão o custo por aluno que o Estado português suporta e que é abrangido pelo Orçamento de Estado em cada ano?
Em 2005, o «
custo por aluno do ensino superior suportado pelo Orçamento de Estado (…) deverá acender aos 5.237 euros, mais quatro por cento do que ano passado (5.040 euros).»
Marçal Grilo e António Vitorino são contra a implementação do cheque-ensino –
ler a notícia do DE.
Pudera! Nós pagamos o ócio dos senhores professores Catedráticos e Associados do ensino público, que leccionam entre 4 a 9 horas de aulas por semana e auferem vencimentos de topo de escalão na função pública – apenas um exemplo, um Professor Catedrático é equiparado a um Juiz Conselheiro em termos remuneratórios.
Depois vêm as endogamias, as cadeiras-fantasma, as fracas assiduidade e pontualidade, o incomportável contingente de alunos por turma, o desinteresse do agente porque o principal é o Estado – essa figura abstracta – e não o colega que o administra na altura, etc.
Enfim, este é o (E)estado do nosso ensino superior!
Não vale a pena negar as evidências, façam as vossas
contas!
Que se compare o custo de um aluno a frequentar o ensino privado com o custo de um aluno num curso equivalente a frequentar o ensino público. Haverá surpresas? Claro que não? Mas na santa corporação jamais se poderá mexer!

Eu como contribuinte exijo: O Cheque-ensino já!

Putanheiros!

Brown vs. Baigent, Leigh & LicolnPara quem não conhece o termo – muito nortenho – “putanheiro”, nas suas diferentes acepções, pode significar “chulo” ou “proxeneta”, isto é, «que ou aquele que vive à custa de mulheres que se prostituem».

Em Julho de 2004 fui à Fnac – do GaiaShopping para os mais curiosos – para mais uma viagem consumista pela literatura, música e cinema.
Em destaque, tal como hoje, postava-se um livro editado pela Bertrand com a “Mona Lisa” na capa e o nome de um senhor – até então por mim desconhecido – chamado Dan Brown.
Disponível estava já a 9.ª edição, e isto para um livro que havia sido editado em Maio ou Junho desse mesmo ano. Já ouvira falar dele, mas por mero acaso ou por puro desinteresse não o havia adquirido.
Nesse dia – lembro-me agora, era uma sexta-feira – comprei-o sem problemas de consciência ou qualquer remorso.
Após ter regressado a casa, abri a badana, li a sinopse, e reli as frases curtas de ode sensacionalista que jornais e revistas de reputada crítica lhe haviam feito.
Não resisti e comecei a lê-lo…
No domingo estava lido. A partir daí teci-lhe os mais elogiosos comentários, recomendei a sua leitura e quase que obriguei os renitentes a lê-lo. Ao mesmo tempo li de enfiada mais de 10 livros de não-ficção, muitos deles com o carimbo de científico, sobre o tema em questão: Quem eram os templários? Jesus teria sido casado? Qual o verdadeiro papel de Maria Madalena no destino do Homem que mudou o mundo há 2000 anos atrás? O Graal existiu? Sob que forma? Quem começou a lenda da taça sagrada que albergara o sangue de Cristo? E os Cátaros, quem foram? Qual o papel de figuras como Filipe IV de França (o Belo), São Bernardo, Hugues de Payens, Jacques De Molay, etc.? O que são os Evangelhos Gnósticos? Existiram na realidade? E por aí fora…
Depois de ler a putativa descodificação de Simon Cox, centrei-me na leitura de Holy Blood, Holy Grail dos autores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln – donde supostamente surgiu o nome do personagem de Dan Brown “Leigh Teabing”, este último como anagrama de Baigent, o erudito professor inglês que vive em França, no sumptuoso castelo. Este livro, cujos autores haviam pretendido que fosse mais científico do que especulativo, formula uma série de hipóteses que se pretendem provar. No final as hipóteses que nos pareciam provadas, são deixadas em aberto à consideração do leitor – uma obra menor, que suscitou polémica no ano da sua publicação, 1982, no Reino Unido.
Dan Brown, através da sua obra, utiliza argumentos defendidos pelos 3 autores, assim como de variadíssimos autores que especularam sobre assuntos fundamentais que enchem a trama do romance: Margaret Starbird, Elaine Pagels, Lynn Picknett & Clive Prince, etc.
Por outro lado, Brown cita a obra e os seus autores, referindo-se na voz do personagem Leigh Teabing como os grandes divulgadores de uma corrente esotérica que fluía dentro de uma alegada organização secreta denominada por Priorado do Sião.
O grande facto é que “O Código Da Vinci” já vendeu mais de 25 milhões de cópias em todo o mundo e prepara-se para ser exibido nas salas de cinema de todo o planeta a partir de meados de Maio, produzido pela milionária indústria de Hollywood.
Brown transformou-se num multimilionário – tal como J. K. Rowling e o seu Harry Potter – e deu a ganhar muitos milhões a outros autores, que se multiplicaram como cogumelos, através da publicação de apologias ou de repúdios com demonstrações científicas ou para-científicas e, note-se que não despiciendo, potenciou as vendas de livros já antes editados que há muito não possuíam mercado para venda. Ora, foi precisamente isso que se sucedeu com o agora internacionalmente famoso Holy Blood, Holy Grail, que, quem sabe, deu aos 3 autores muitos milhões em direitos de autor que pensariam jamais arrecadar.
Uma vez mais fica demonstrada à saciedade a mesquinhez da natureza humana. Baigent, Leigh e Licoln além de sofrerem de uma inveja atroz pelo facto da escassez do seu espírito literário não lhes haver permitido romancear a história contada e torná-la apelativa ao público – veja-se esta brilhante citação do “gigante” Anthony Burgess (encontrada aqui) «It is typical of my unregenerable soul that I can only see this as a marvellous theme for a novel.» quando recenseou esta obra no jornal The Observer –, sofrem de uma cupidez desmedida pelos proventos de Brown, tentando usar, por direito, os meios judiciais para arrecadar mais uns tostões que não quiseram ou não souberam ganhar.
São uma corja de oportunistas e de parasitas que, ao contrário da sua pretensão mediante a petição entregue em tribunal, tentam usurpar, com toda a desfaçatez, a criatividade e a riqueza alheias.

Confesso que estou cheio deste mundo de Putanheiros!

PS – Para mais informações sobre este caso ver este artigo do New York Times.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Só para recordar!

O que é a História?

«s. f.,
estudo e narração sistemática do passado, dos factos (sociais, económicos, políticos, intelectuais, etc. ) considerados significativos;
ciência, ramo do saber que regista, explica e transmite o conhecimento sobre o passado;
o curso dos acontecimentos e dos factos históricos;
a evolução da humanidade;
estudo científico de uma evolução;
estudo das origens ou progressos de uma arte ou ciência;
o passado (do Homem, da Terra, de um indivíduo, de uma instituição, etc.);
»
in Dicionário da Língua Portuguesa On-Line, Priberam

Esta pequena introdução surgiu só para reforçar a ideia que valter hugo mãe quis transmitir no seu recente texto – em forma de lembrete – «O Mito de Che Guevara».

É curioso observar as manifestações dos fervorosos pacifistas antiglobalização. De cara tapada, carregam garrafas de gasolina, arrolhadas por pequenos rastilhos de pano humedecidos no líquido que ela contém. Vestem roupa de marca, made-in-countries-which-exploit-child-labor, bem disfarçada de humilde, é a tendência streetwear. Símbolos da paz, “A’s” fechados em círculos, foices e martelos e Che… Sempre Che, de estrela no frontispício da sua boina. O Ernesto argentino, amigo de Fidel o cubano, armado aos cucos de Simão Bolívar. Mataram-no! Ai o pobre desgraçado! Ladrão que rouba ladrão…
Vejo-os em Davos, como os vi em Seattle ou em Génova. Ferem polícias pela paz! Oferecem-se como alvos para defender o Iraque de Saddam! Vestem Guevara pela pacificação do mundo…
Por que motivo não usam t-shirts estampadas com a figura que irradia bonomia, da paz no seu tempo, chamada Neville Chamberlain, ou então, do resoluto Édouard Daladier!?
Por que razão não substituem as mofentas t-shirts de Che pela estampa do pacifista-mor do nossa república, investido das funções de MNE, Freitas do Amaral?

Q.E.D.

A sangue frio

CapoteEram 15:35, estava em casa a trabalhar, batendo Cervantes nas teclas furiosamente, conjugando verbos, percorrendo o texto para nele encontrar o fio dos intrincados idiomatismos… Lusomundo, 15:40, Dolce Vita, Capote. Vesti o casaco, já recheado dos meus pertences essenciais para que a ausência me seja permitida e a volta assegurada sem sobressaltos.
15:47, sala 3, ouço Dusty Springfield a cantar “The Windmills of your Mind”, o sangue que me fervia vai arrefecendo assim que me sento no K-7 arrendado 2 minutos antes por 4 euros. Era ainda Neil Jordan e seu último “Breakfast on Pluto”.
Holcomb, Kansas, 15 de Novembro de 1959…
Havia prometido que, após o recordar da obra que lhe deu o mote, veria o filme. Assim foi, ontem à noite depois da minha frustração portista, ainda encrespado e em pleno estado de efervescência li de uma só vez a 4.ª parte, “O Canto” - para a ironia ser completa só faltava chamar-se "O Livre"!
O filme vale sobretudo pelo, quase sempre brilhante, Philip Seymour Hoffman. Recordei-me de imediato de filmes como Magnólia, Happiness, O Talentoso Mr. Ripley e o seu curto papel em O Dragão Vermelho, entre outros, que provam a polivalência deste actor em potência. Dá-me vontade de rir a co-nomeação de Heath Ledger pelo pobrezinho Brokeback Mountain
Depois da leitura do “Romance de Não-Ficção” vi o seu making of transmutado em filme. Trata a busca desesperada de um conceituado autor para que a inexorável realidade consiga fazer terminar o seu romance, que acabou por se transformar no seu canto do cisne.
Apreciação a sangue frio: *** (bom)

PS – Catherine Keener tem uma excelente participação no papel da romancista norte-americana Harper Lee, vencedora do Pulitzer em 1960 pelo seu romance To Kill a Mockingbird – traduzido para português como “Não matem a cotovia”. Em 1962, o realizador Robert Mulligan levou-o a cinema, contando com a magistral interpretação de Gregory Peck que lhe valeu um Oscar® para melhor actor em 1963 – em Portugal o filme intitula-se por “Na sombra e no silêncio”.

Felicitações!

Um dos meus blogues de referência cumpre hoje 1 ano de actividade blogosférica!
Trata-se d’
O Insurgente, um blogue colectivo, sério e pertinaz na defesa das causas que consideram justas e na criteriosa rebeldia que os seus autores apõem na defesa de um sistema político, económico e social mais equitativo e… liberal, claro!

Um abraço e votos de muitos e continuados sucessos, deste V. leitor atento,

André Moura e Cunha

Breve declaração de um...

portista, sócio do clube há 30 anos:

Adriaanse ga weg, alstublieft!

Não se pode jogar com 4 gajos na frente sem um jogador criativo – na posição do antigo n.º 10 –, que lhes faça chegar a bola!

Entendeste, porra?

domingo, 26 de fevereiro de 2006

D. Pombinha, a perversa

O clube que se afirmou em tempos como o defensor da moral e dos bons costumes – devido às putativas relações extraconjugais de Pinto da Costa, levando FJV a cognominá-lo por “O Clube da D. Pombinha” –, impediu a entrada no relvado do JNPC alegando que não era delegado ao jogo.
No ano passado o clube da ética futebolística fez algo de pior e que poderia ter culminado numa tragédia: aquartelou cerca de 3.500 adeptos portistas num espaço que apenas comportava 1.000 espectadores.
A imprensa manteve-se calada num silêncio ensurdecedor que tresandava a compadrio ou a repentina cegueira aguda. Nos dias seguintes jamais se falou no assunto. Porém, o famoso Guarda Abel continua na berlinda decorridos 12 anos, esquecendo-se a vergonhosa arbitragem de Carlos Valente e o seu futuro promissor quando arrumou, em definitivo, as botas e o apito.
A D. Pombinha é maquiavélica e perversa. É uma papa-hóstias que bate recorrentemente com a mão no peito pedindo perdão pelos ímpios que pecam; contudo, é a que logo se prontifica a arremessar a primeira pedra quando a sua imaculada moral de fundo de sacristia poderá se posta em causa.

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Provocação

Capa de hoje d'A BolaQuando hoje me dirigi ao sítio do costume para ingerir a minha recomendada dose diária de cafeína, deparei-me com esta capa do jornal desportivo “A Bola”.
O que mais me irrita naquela infeliz manchete não é a revelação daquela evidência irrefutável, não se trata de matéria especulativa, nem de alguma novidade, mas a provocação incendiária subjacente e a minha reminiscência do descaramento dos jornalistas desportivos quando afirmam, do alto da sua torre marfim, que são os dirigentes que ateiam a revolta dos adeptos desse fenómeno de massas chamado futebol.
Aquela manchete porca e ignóbil é digna de um verdadeiro pasquim, no seu sentido mais restrito do termo, embarcando, activa ou passivamente, o bigodoso director num periodismo eminentemente panfletário que, no meu entender, interessa expurgar, ou então, que se assuma de uma vez como o defensor do clube do regime, aliás como o foi outrora e que, segundo reza a história, foi criado com esse fim.

Basta!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Lágrimas escarninhas #4

José Cid: barely nakedDesta vez a menção honrosa vai para este texto de valter hugo mãe no blogue Da Literatura.
A fotografia por si só diz tudo, e tal como refere vhm, eu «Lembro-me de ver esta fotografia há bons anos, incrédulo como ainda hoje.»

Apêndice (muito a propósito):
Porém, recordo-me agora, o facto mais curioso que ocorreu com esse contraditório retrato, que emana radiações de genuína e adulterina lubricidade, foi a sua nomeação para o primeiro prémio da pretérita Noite da Má-Língua na
SIC, que, na altura, contava com a apresentação da estridulosa Júlia Pinheiro e com os maledicentes Miguel Esteves Cardoso, Manuel Serrão, Alberto Pimenta e a jornalista já falecida Helena Sanches Osório. Se bem se lembram tanto o terrífico cenário, como o pungente troféu foram desenhados pelo hiperactivo Tomás Taveira.
Na semana seguinte, José Cid foi ao estúdio de Carnaxide com o objectivo de receber o prémio em directo no referido programa, e isto perante a aparente fleuma dos maledicentes de serviço e da histeria cacofónica de Júlia Pinheiro. Entre muita coisa que foi dita e outra que ficou por dizer, o saudoso MEC havia alegado que Cid tinha sentido a necessidade de expor o seu corpinho para mostrar que se tratava de facto de um homem inteiriço e não de um conjunto de peças deficientes. Depois, referiu que aquilo que ele escondia com o disco era equivalente à música que ele interpretava.
Cid inflamado responde, entornando o caldo e levando a que Júlia terminasse com o programa:
«Pois, eu pus um disco… Mas, ao Miguel bastaria uma caneta!»
MEC apenas não respondeu, mas ao mesmo tempo que se voltava para os seus companheiros, perguntou: «Mas o que é que ele está para ali a dizer? Não percebi!?»

O Mestre desce a Lisboa!

Paul AusterAuster, Paul Auster filmará “A Vida Interior de Martin Frost” em Lisboa. O filme conta com a interpretação do desaparecido Griffin Dunne – quem não se lembra da sua brilhante e deslumbrante performance no filme de Scorsese “Nova Iorque fora de horas”? – e, mais importante, é produzido pela empresa de produção audiovisual portuense Alfândega Filmes e conta com a co-produção de Paulo Branco.
Via este
texto de Ricardo Gross no blogue Mundo Pessoa, tomei o devido conhecimento da notícia publicada na edição de hoje do Jornal de Notícias.
A notícia é entusiasmante para um fundamentalista austeriano como eu.
Aqui fica um pequeno excerto do
artigo do JN que, tenho a certeza, aguçará o apetite dos devoradores de Auster:

«(…) sabe-se, para já, que parte de um fragmento de “O livro das ilusões” um romancista, Martin Frost, vê a sua mulher definhar à medida que avança na escrita da mais completa narrativa de sua autoria. Só com a morte da esposa Frost se apercebe da íntima relação causal e vê-se forçado a queimar o manuscrito para ressuscitar a amada.»

Por outro lado, tal como já havia confirmado aqui, o romance “No País das Últimas Coisas” – esgotadíssimo em Portugal há uma série de anos e publicado pela Editorial Presença em 1990 – será adaptado ao cinema por Auster, contando com a realização do argentino Alejandro Chomski, prevendo-se a sua estreia para 2007.
Também em 2007 – talvez no início do ano –, o Mestre lançará um novo romance intitulado “Travels in the scriptorium”. Por cá, neste venturoso país, ainda nem sequer chegou a tradução do seu último romance “Brooklyn Follies”.

A propósito de Auster, ver o que
aqui foi dito.

Já falta pouco

O Código Da VinciO Código Da Vinci” em filme dispõe de um sítio renovado.
A não perder a
entrevista com o realizador Ron Howard concedida ao programa “Today” da cadeia norte-americana NBC, onde Howard, no seu trabalho de montagem, mostra um pequeno trecho do início do filme, quando Neveu e Langdon tentam descodificar a mensagem deixada no plexiglas que protege a “Mona Lisa” de Leonardo.

Já falta pouco para 18 de Maio.

«So Dark the Con of Men»