segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Cinema: Os Melhores de 2008, e não só…

Tal como havia prometido, hoje é o dia de anúncio dos 10 filmes que estrearam no ano de 2008 em salas de cinema portuguesas, que mais fizeram pulsar a minha veia cinéfila.
Preocupei-me sobretudo em encontrar – e sempre dentro do conjunto de 69 filmes que tive oportunidade de ver –, uma lista tão heterogénea quanto o possível, transnacional, englobando vários estilos, criadores consagrados e outros menos conhecidos.
Até chegar à lista final foram ultrapassadas várias etapas, que descrevo de forma resumida:

  • Identificar entre os cerca de 230 filmes estreados em Portugal em 2008, quais o que tinha realmente visto (e não foi uma tarefa fácil, uma vez que em alguns existia apenas um ideia difusa de os haver realmente visto): 69/230 (30%);
  • Depois limitei-me a assinalar os que pelas piores ou melhores razões não me tinham, de forma alguma, deixado indiferente: 50/69 (73%);
  • Seguidamente, separei os filmes por origem da produção, bastando para isso encontrar duas subclasses: Produzidos nos Estados UnidosNão Produzidos nos Estados Unidos: 34/50 – 16/50. Na prática, expurgados os “indiferentes” (19), apenas ficaram os medíocres e os que considerei “bons” ou “muitos bons”: 15/34 (44%) – 12/16 (75%);
  • Chegou a fase da “1.ª triagem”. De entre os 27 filmes provindos da etapa anterior, foram escolhidos 17 com hipótese de integrar a lista final de 10 filmes: 9/15 (53%) – 8/12 (67%).

A Selecção Final de 10 filmes, independentemente da origem de produção, resultou, por mero acaso, num equilíbrio de 5 filmes americanos e 5 filmes não norte-americanos.

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Eis Os Dez Melhores Filmes de 2008 (por ordem de preferência):

  1. O Lado Selvagem, de Sean Penn (Into the Wild, 2007);
  2. Darjeeling Limited, de Wes Anderson (The Darjeeling Limited, 2007);
  3. Corações, de Alain Resnais (Cœurs, 2006);
  4. Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood, 2007);
  5. A Rapariga Cortada em Dois, de Claude Chabrol (La fille coupée en deux, 2007);
  6. Uma Segunda Juventude, de Francis Ford Coppola (Youth Without Youth, 2007);
  7. Caos Calmo, de Antonio Luigi Grimaldi (Caos Calmo, 2008);
  8. O Segredo de um Cuscuz, de Abdel Kechiche (La graine et le mulet, 2007);
  9. Vigilância, de Jennifer Lynch (Surveillance, 2008);
  10. Bem-vindo ao Turno da Noite, de Sean Ellis (Cashback, 2006).

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Agora, os restante 7 que, após alguma reflexão, foram rejeitados pela “última triagem”, mas que poderiam integrar a listagem dos 10+, substituindo as duas últimas posições (onde optei claramente pelo baixo orçamento em detrimento da megaprodução), organizados por ordem alfabética do título em português:

  • Antes que o Diabo Saiba que Morreste, de Sidney Lumet (Before the Devil Knows You’re Dead, 2007);
  • O Assassínio de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford, de Andrew Dominik (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 2007);
  • Do Outro Lado, de Fatih Akin (Auf der anderen Seite, 2007);
  • Este País Não É Para Velhos, de Joel e Ethan Coen (No Country for Old Men, 2007);
  • Gomorra, de Matteo Garrone (Gomorra, 2008);
  • My Blueberry Nights – O Sabor do Amor, de Wong Kar Wai (My Blueberry Nights, 2007);
  • A Turma, de Laurent Cantet (Entre les murs, 2008).

Muitos filmes ficaram por ver (cerca de 161), a maioria deles por falta de tempo e do dom da ubiquidade, e muitos deles por não terem chegado às salas de cinema da Invicta. Entre os não vistos, alguns poderiam haver influenciado a lista final, de acordo com a crítica e com a análise de pessoas cuja opinião reputo de cinefilamente válida. Por isso destaco, por ordem alfabética do título em português, 10 filmes que não vi (i.e., putativamente influentes na lista dos 10+):

  • Alexandra, de Aleksandr Sokurov (Aleksandra, 2007);
  • Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes (2008);
  • Austrália, de Baz Luhrmann (Australia, 2008);
  • Berlim, de Julian Schnabel (Berlin, 2007);
  • Fome, de Steve McQueen (Hunger, 2008);
  • A Fronteira do Amanhecer, de Philippe Garrel (La Frontière de l’Aube, 2008);
  • Luz Silenciosa, de Carlos Reygadas (Stellet licht, 2007);
  • Quatro Noites com Anna, de Jerzy Skolimowski (Cztery noce z Anna, 2008);
  • O Silêncio de Lorna, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Le Silence de Lorna, 2008);
  • W., de Oliver Stone (W., 2008).

Finalmente, e pela primeira vez desde que entrei nisto da ostentação listómana no meu blogue, divulgo por ordem decrescente de náusea, fastio, charlatanice ou nódoa fílmica, a lista dos “Dez Piores Filmes de 2008” (sofreram um processo idêntico de selecção ao dos dez melhores) – eis os meus Razzies:

  1. Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street, de Tim Burton (Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, 2007);
  2. Capítulo 27 – O Assassinato de John Lennon, de J.P. Schaefer (Chapter 27, 2007);
  3. Angel – Encanto e Sedução, de François Ozon (Angel, 2007);
  4. Duas Irmãs, um Rei, de Justin Chadwick (The Other Boleyn Girl, 2008);
  5. O Sonho de Cassandra, de Woody Allen (Cassandra’s Dream, 2007);
  6. Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles (Blindness, 2008);
  7. Savage Grace – Desejos Selvagens, de Tom Kalin (Savage Grace, 2007);
  8. O Acontecimento, de M. Night Shyamalan (The Happening, 2008);
  9. Destruir Depois de Ler, de Joel e Ethan Coen (Burn After Reading, 2008);
  10. Os Amores de Astrea e Celadon, de Eric Rohmer (Les amours d'Astrée et de Céladon, 2007).

Também ficariam muito bem naquela lista as últimas obrazinhas, por vezes pretensiosamente arrevesadas, de realizadores consagrados como Kenneth Branagh (Sleuth pintaresco), Todd Haynes (Tô nem aí…), Steven Spielberg (Velhadas Jones), Paul Haggis (Panfletarismo david-goliano em Elah), Ang Lee (Brokeback Hetero) ou Frank Darabont (o sebastiânico, usando a marca do Carpinteiro); ou até, o acto falhado do pretenso neo-Ivory Joe Wright (Como expiar filmando com scanner).

Nota: nos próximos dias (já em 2009), se o tempo e a paciência o permitirem, escreverei um pequeno texto, à laia de justificação, para cada filme que integra a lista de «Os Dez Melhores Filmes».

Para o ano há mais (se por cá andar…)

1 comentário:

Victor Afonso disse...

Excelentes escolhas. Também coloquei muitas dessas referências no meu tasco, mas não com esta organização!