- A Caça, de Thomas Vinterberg (Jagten, 2012)
- Django Libertado, de Quentin Tarantino (Django Unchained, 2012)
- Dentro de Casa, de François Ozon (Dans la maison, 2012)
- O Mentor, de Paul Thomas Anderson (The Master, 2012)
- Ferrugem e Osso, de Jacques Audiard (De rouille et d’os, 2012)
«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Os Melhores Filmes de 2013
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segunda-feira, 29 de julho de 2013
Fim do Silêncio: Outono-Inverno 2013/2015
Enquanto não vem a provação jesuítica lusa no Japão de Shuzaku Endo:
E este não se decide entre Verne e o Larsson, parte 2:
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Um paliativo para a ressaca
Como um confesso viciado em DF, contento-me, por vezes, com uns fogachos diáfanos de espanto – pequenos fragmentos, insatisfatórios até, por onde passaram as mãos do mestre, numa época do ano em que se esbanjam elogios em folha de ouro, dedicados à obra menor e que acabam por dar relevo àquilo que realmente nos fere a alma pela sua manifesta mediania abroncada.
Em suma, adaptando as palavras do gigante literário oitocentista, a celebração do medíocre através da sua consagração pela nomenclatura do Santo Artifício Visual, em detrimento de outros técnica, estética e, até, eticamente mais habilitados na inovação e no progresso artísticos, é de um miserabilismo intolerável, não se vislumbrando um fim nos tempos mais próximos:
«(…) il y a un point où les infortunés et les infâmes se mêlent et se confondent dans un seul mot, mot fatal, les misérables (…)»*
Victor Hugo, Les Misérables, 1862 (Tome III, Livre huitième, Chapitre V).
Atenção: This not a film…
«We'll cleave you from the herd and watch you die in the wilderness.»
A dor foi aplacada.
Nota: *Numa tradução livre (perante a ausência do livro nas nossas palavras no momento de redacção deste texto):
«existe um ponto em que os infelizes e os infames se misturam e se confundem numa só palavra, palavra fatal, os miseráveis».
«existe um ponto em que os infelizes e os infames se misturam e se confundem numa só palavra, palavra fatal, os miseráveis».
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Óscares – Na perspectiva das “5 Grandes”
A hora negra rosa exuberante, meia-hora depois, 1 da manhã do próximo dia 25 de Fevereiro (hora de Lisboa), ainda vem longe, mas os previsíveis já se perfilam para proferir as inanidades do costume perante a Glam Cam do rapagão Ryan E! Seacrest, hipno-implantada na passadeira vermelha do Dolby Theatre (so long Kodak!)
Usando um critério de nomeações nas consideradas 5 grandes categorias (Melhores Filme, Realizador, Argumento, Actor e Actriz principais), em filmes com mais de 5 nomeações no total, temos o alinhamento que se segue (e que se pode):
- Guia para um Final Feliz, de David O. Russell (Silver Linings Playbook) – 8 nomeações [5 nas cinco categorias principais];
- Amor, de Michael Haneke (Amour) – 5 [4+];
- Lincoln, de Steven Spielberg – 12 [4+];
- 00:30 Hora Negra, de Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty) – 5 [3+];
- A Vida de Pi, de Ang Lee (Life of Pi) – 11 [3+];
- Argo, de Ben Affleck – 7 [2+];
- Django Libertado, de Quentin Tarantino (Django Unchained) – 5 [2+];
- Os Miseráveis, de Tom Hooper (Les Misérables) – 7 [2+];
- 007 – Skyfall, de Sam Mendes (Skyfall) – 5 [0+].
Prometedor, não?
De notar que apenas o filme do sobre-aclamado (confesso que me auto-indulgenciei pelo uso daquela palavra composta sem usar “estimado” após o radical) D. Owen Russell poderá entrar no diminuto conjunto de filmes que, em 84 edições dos prémios da AMPAS, inclui os que conquistaram os 5+. A saber, por ordem cronológica:
- 1934 – (7.ª cerimónia de entrega dos Óscares) Uma Noite Aconteceu, de Frank Capra (It Happened One Night) – parelha de actores principais: Clark Gable / Claudette Colbert;
- 1975 – (48.ª) Voando sobre um Ninho de Cucos, de Milos Forman (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) – parelha de actores principais: Jack Nicholson / Louise Fletcher;
- 1991 – (64.ª) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme (The Silence of the Lambs) – parelha de actores principais: Anthony Hopkins / Jodie Foster.
Pronto, está despejada a matéria. Para mais informação, ver aqui.
PS – Ah!, já me esquecia… Este ano há Óscar para Melhor Planeamento de Produção (mais um para adensar o momento Xanax).
PPS – Para a 86.ª edição, proponho um Óscar para as seguintes categorias (categorias em progressão, para que se alcancem as 100 na edição 100):
- Melhor Catering em Fase de Produção (categoria artística, porque não só contarão as estrelas Michelin, como está provado que se verifica um forte correlação positiva entre um bom repasto dos RH alocados à feitura da obra e a qualidade fílmica);
- Melhor Olheiro Cinegeoreferenciador (categoria também artística, porquanto este desgraçado calcorreia o mundo para escolher os locais de filmagem onde, normalmente, o sufixado ASC ou BSC ou o que seja apenas mete a lente – como exemplo, o olheiro de Brokeback Mountain (2005) não merecia ganhar um Óscar pela escolha do local das cenas iniciáticas de amor entre homens (género) que guardam ovelhas: Kananaskis, Alberta, Canadá? Ah, pois não! Não foi no Wyoming, EUA.
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domingo, 23 de dezembro de 2012
Maturação
Quando esta manhã passava os meus olhos pelos blogues que consulto numa base regular, deparei-me com este texto do João Gonçalves que, embora culmine em assunto diverso àquele que me traz aqui, materializado nestas curtas palavras, avivou ainda mais o meu deslumbramento pelo filme de um realizador que tem o condão (e ele gosta de o ter) de instilar apreciações maniqueístas na crítica e nos cinéfilos espalhados por esse mundo fora (especialmente os norte-americanos – perguntem a James Caan –, que não se esquecem facilmente da mensagem muito pouco subliminar, que mesmo que o fosse seria destruída com as imagens em slideshow nos créditos finais, de Dogville (2003) e de Manderlay (2005) – a tragédia americana aferroada por um dos maiores provocateurs da cinematografia contemporânea), esse é Lars von Trier.
No ano passado, por esta altura, inclui-o na 3.ª posição do meu Top 10, atrás de Malick e de Skolimowski. Porém, enquanto estes ficaram pelo único visionamento no grande ecrã, Melancolia (Melancholia, 2011) passou, em 2012, vezes sem conta debaixo dos meus olhos, com paragens de imagem, slow motions, fast forwards e rewinds repetidos tanta vezes quanto o necessário, detendo-me ora nos pormenores, nas expressões, nas cores, ora em toda a mise-en-scène, e até repousado, de olhos fechados, a escutar apenas as ondas de choque wagnerianas com os fotogramas da esplendorosa introdução gravados na retina.
Não é por isso que deixarei de aqui postar as minhas listas, mas Melancolia foi de facto o meu filme de 2011 (saltou dois lugares), que me desculpem os adeptos do panteísmo malickiano ou os da imagética skolimowskiana, o autor de As Cinco Obstruções, levou-lhes a palma.
Para recordar:
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Os Melhores Filmes de 2012: Lista Preliminar
Pouco depois da hora em que o mundo iria acabar, e ponderado o espírito do tempo, é chegado o momento de mostrar ao meu (talvez constituído por 10 pessoas que ainda têm pachorra para ler o aqui escrevo, que de ano para ano se tornou mais insípido, desinteressante e sem a chama da exaltação perante os pensamentos exteriorizados, os sentimentos proclamados e as acções praticadas em que prevalecem impudicamente a iniquidade, a estultícia e/ou a perfídia que, decerto, resultam de um íntimo erro de base na catalogação, porque na verdade, eliminando a minha eventualmente distorcida mundividência, se tratam de formas de pensar, de sentir ou de agir justas, sensatas e/ou honestas), mas como dizia eis que, nas horas subsequentes ao pseudo-armagedão e tal como prometi, chegou o momento de revelar o meu primeiro balanço fílmico do ano, divulgando os filmes que me mereceram uma nota positiva entre aqueles que pude ver – geralmente não discorro sobre aqueles que não vejo, embora possa manifestar alguma desconfiança (um nebuloso apriorismo) em razão de inúmeros factores que me possam ajudar a intuir sobre as suas potenciais peculiaridades que me levam à troça fácil.
Assim, antes de divulgar a lista, deixo aqui ficar um pequeno resumo estatístico sobre os filmes estreados em salas de cinema nacionais em 2012, em concreto as estreias que ocorreram entre os dias 29 de Dezembro de 2011 e 20 de Dezembro de 2012, inclusive:
- Nesse período estrearam em Portugal 285 filmes;
- Do total de filme exibidos, consegui ver 59 (21%), facto incontornável e que se tratou de uma verdadeira surpresa para este vosso listómano, porquanto já me havia convencido de que este tinha sido o ano menos profícuo em deslocações ao cinema – a propensão marginal imaginada para o consumo artístico desce consideravelmente em períodos de semi-perda de soberania por resgate financeiro (pessoal e nacional);
- Do conjunto anterior, 2, 12 e 10 filmes foram produzidos em 2010, 2011 e 2012, respectivamente;
- Desses 59 filmes vistos, 24 mereceram nota positiva, 22 foram-me completamente indiferentes (o entusiasmo foi tão grande que a maioria já há muito havia debandado da minha memória, não fora a minha (in)útil mania de os pontuar no IMDB, e os 59 passariam a quarenta e muitos) e 13 foram incluídos na confusa escala que vai do “horripilante” ao “indigno” como objecto de manifestação artística;
- Entre os que se incluem no grupo dos 79% não vistos, destaquei 10 que eventualmente poderiam fazer aumentar a lista dos melhores, baseando-me em opiniões de profissionais e amadores da coisa fílmica que muito reputo, tanto em termos nacionais, como internacionais;
- Dos 24 filmes que, como já referi noutro texto, tocaram a minha veia sensível, 11 foram produzidos nos Estados Unidos;
- Dos 13 filmes que me repugnaram, horrorizaram, decepcionaram e/ou me induziram a náusea, 7 foram produzidos nos Estados Unidos.
Finda a estatística, eis os 24+ de 2012 (semifinalistas, como explicarei no fim deste texto), organizados por ordem alfabética – alfanumérica, se quiserem – do título em português, afora artigos definidos e indefinidos:
- 4:44 Último Dia na Terra, de Abel Ferrara (4:44 Last Day on Earth, 2011);
- À Queima-Roupa, de Fred Cavayé (À bout portant, 2010);
- Amigos Improváveis, de Olivier Nakache e Eric Toledano (Intouchables, 2011);
- Amor, de Michael Haneke (Amour, 2012);
- Argo, de Ben Affleck (2012)
- O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (A torinói ló, 2011);
- César Deve Morrer, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani (Cesare deve morire, 2012);
- Cosmopolis, de David Cronenberg (2012);
- Crónica, de Josh Trank (Chronicle, 2012);
- O Deus da Carnificina, de Roman Polanski (Carnage, 2011);
- O Dia Antes do Fim, de J.C. Chandor (Margin Call, 2011);
- Elena, de Andrey Zvyagintsev (2011);
- Enterrado, de Rodrigo Cortés (Buried, 2010);
- Holy Motors, de Leos Carax (2012);
- Le Havre, de Aki Kaurismäki (2011);
- Uma Lista a Abater, de Ben Wheatley (Kill List, 2011);
- Looper – Reflexo Assassino, de Rian Johnson (Looper, 2012);
- Martha Marcy May Marlene, de Sean Durkin (2011);
- Millennium 1 – Os Homens que Odeiam as Mulheres, de David Fincher (The Girl with the Dragon Tattoo, 2011);
- Tabu, de Miguel Gomes (2012);
- Temos de Falar Sobre Kevin, de Lynne Ramsay (We Need to Talk About Kevin, 2011);
- The Grey – A Presa, de Joe Carnahan, (The Grey, 2012)
- Vergonha, de Steve McQueen (Shame, 2011);
- As Voltas da Vida, de Robert Lorenz (Trouble with the Curve, 2012).
- Da lista acima mencionada, serão extraídos 10 que serão organizados por ordem de preferência e constituirão o meu Top 10 – Os Melhores Filmes de 2012 –, tal como 7 serão apresentados por ordem alfabética integrando a lista de “Menções Honrosas” – filmes fora do Top 10 mas que merecem destaque na lista dos 24;
- Listarei 10 filmes não vistos que, eventualmente, poderiam influenciar as listas dos melhores;
- Revelarei a lista dos meus mui estimados “Razzies”, que inclui 10 filmes extraídos dos 13 que considerei repugnantes, horrorosos, decepcionantes e/ou nauseantes, organizados do pior ao menos mau – o que significa que, ao contrário dos que me agradaram, a imensa comunidade que me segue não ficará a conhecer os 3 maus que ficaram de fora, assim como, note-se, os 22 que me foram absolutamente indiferentes;
- Em resumo, só dou a conhecer o título de cerca de 58% dos filmes que tive a oportunidade de ver e quase 4,5% dos que não vi, estreados em salas de cinema durante 2012.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Uma Correcção
Afinal, a Medeia Filmes trouxe a referida película até ao
Porto.
Ao contrário do que era anunciado nas semanas anteriores –
na página da Medeia referia-se um “Em exclusivo no cinema King – Lisboa” –, o
novo filme sensação do notável Leos Carax será projectado numa sala a norte da
Capital: Teatro Campo Alegre, com duas sessões diárias, às 18:30 e às 22 horas.
Terá sido um recuo, ou apenas um lapso cometido por quem
introduz a informação na página oficial?
Com recuo ou com lapso no hipertexto, o que para aqui é importante é,
por um lado, fazer o mea culpa e corrigir a informação deixada neste texto e,
por outro, saudar a feliz decisão de trazer Holy Motors até ao Porto, abrindo-se, assim, o acesso aos cinéfilos nortenhos. Para estes últimos, até logo ou até amanhã. Já
o vi, mas quero vê-lo de novo. Não se trata de um filme fácil, nem acessível aos que apenas vêem o cinema como objecto recreativo, mas é uma obra-prima, de que,
estou certo, me escaparam imensos pormenores no primeiro visionamento em
formato franco-castelhano.
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Fazer as contas ao Cinema acima do paralelo 39ºN (act.)
Em breve, talvez no próximo fim-de-semana, será aqui
publicada a lista dos filmes vistos, por este que vos quer, e estreados durante o ano corrente em salas
de cinemas nacionais.
Como tem ocorrido nos anos mais recentes, haverá uma derrogação a este critério,
que se traduz pela inclusão dos filmes estreados na última quinta-feira do ano civil
anterior e pela exclusão dos filmes a estrear na última deste ano – neste caso,
foram incluídos os filmes estreados a 29 de Dezembro de 2011 e não serão
objecto de apreciação os filmes a estrear na quinta-feira 27 de
Dezembro de 2012, que transitarão para o próximo ano.
Por agora, e tendo feito a trabalhosa contabilidade dos meus
estados de encantamento, de decepção ou de repulsa, e de indiferença perante as
obras visionadas durante o ano – aguardo apenas pelo dia de amanhã e por uma
possível deslocação às salas de cinema do Grande Porto nos próximos dias –, são 24 os filmes que
serão divulgados numa primeira lista e que tocaram a minha veia sensível de
cinéfilo. Entre eles:
- 11 foram produzidos nos Estados Unidos;
- 2, 12, 10 estrearam mundialmente em 2010, 2011 e 2012, respectivamente;
- 1 filme irá, com certeza, provocar uma derrogação adicional ao critério de inclusão da lista, dado o centralismo Medeiano neste pobre país; vi o filme no Renoir em Espanha – na versão original francesa e legendado em castelhano –, mas gostaria de vê-lo traduzido na língua de Camões para os portugueses cinéfilos que têm a infelicidade de residir longe das latitudes da Capital do Império; mas também para o mal amnésico centralóide que assola a queirosiana Província, há sempre um remédio na possibilidade internética… Ah, gente com fibra!
Até breve, antes que, por decreto, fechem a salas de cinema
acima do paralelo 39. Mas, temos de convir, é bastante justo e mais que certo, a arte para os verdadeiros artistas…
Correcção [20/12/2012, às 13:53]: Afinal, o filme referido no ponto 3, estreia hoje num cinema a Norte da Capital. Ler aqui o texto com a correcção.
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
E este tem dias
Já não sei o que pensar de Ang Lee, a posição crítica tornou-se bastante volátil. Não sei se é o Ang Lee de Hulk (2003), se o de O Banquete de Casamento (1993) ou de Sensibilidade e Bom Senso (1995), para citar os extremos.
Agora aferrou-se ao Booker Prize de Yann Martel, e há aplausos de gente importante, avaliadora da 7.ª arte. Porém, ainda há os que não se deixaram encantar pela exuberante garridice, há, pelo menos, esta frase espirituosa que sobressai da recensão do cáustico O’Hehir no Salon e que resulta da sua experiência de visionamento, tendo-lhe carinhosamente chamado o “Embuste Desvendado”:
«Eu senti-me como se tivesse sido convidado para um jantar de sete pratos e afinal todos se resumiram a um bolo – e, de seguida, o anfitrião insistiu em dar uma palestra sobre como o bolo poderia aproximar-me mais de Deus.»
Também gostei do destaque do artigo sobre «(…) a impossibilidade de algo na Terra brilhar com a baboseira radioactiva de “A Vida de Pi”.»
Mas, até lá – se o houver, esse tempo no futuro próximo –, prometo, não vou cair nos tão usados apriorismos catalogadores, e até pode ser que, como o farol cinéfilo Ebert, o considere como «um feito miraculoso na narração e uma proeza da mestria visual.»
Nota: Traduções (livres) do inglês – AMC.
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Já foi ano…
…(como se sói dizer) em que Spielberg ficava de fora dos inúmeros tapetes vermelhos que amparam os pezinhos galácticos no magote de prémios cinematográficos a entregar no princípio de cada ano civil.
Atente-se nas nomeações para os Globos de Ouro de 2013 e apesar de Tarantino ir a quase todas e de Bigelow andar perto, a mascarada será a mesma, deixando o viperino (também canastrão) enfant terrible PT de fora da parte que lhe interessava e o Wes ao lado daquela coisa do Marigold, da marmelada salmónica no Iémen e da 57.ª versão tele/cinematográfica de Os Miseráveis (na realidade, não devo andar longe) de Victor Hugo que, por um lado, tem o condão de trazer de volta aquele britânico triste, atadinho (ou formalmente agrilhoado) e cinzento do Tom Hooper e que, por outro, irá contribuir para ofuscar ainda mais, na memória de peixe-dourado do pipoqueiro nato, a muito razoável versão do dinamarquês Bille August de há quase 15 anos (é só comparar os trios: Jackman, Crowe e Hathaway (cor apropriada) vs. Neeson, G. Rush e Thurman).
E será que vamos ver de novo a Streep com aquele braço bamboleante em cima dos apensos proto-gelationosos e que saltam intensamente devido, não só, à sua proeminência, mas também ao resfolegar sexagenário, por aquela zurrapa fílmica chamada Terapia a Dois (Hope Springs, 2012)?
A 13 de Janeiro de 2013 teremos a confirmação. Entretanto fiquemo-nos, apenas, com a introdução tartamudeada das nomeações deste ano pela curiosa figura da presidente da HFPA, a "Dra. Aida" (foi pena não ter sido o habitual cómico-sério do bigodinho seboso e sotaque pior-que-Moltalban do Jorge Camara), mas temos a doce Megan (depois podem desligar, o tipo não interessa e a Alba que vá aprender a ler):
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Amour e Indiferença
Não encontrei. O último fotograma de Amor de
Haneke. Huppert, pouco depois, sentada na mesma cadeira, a do pai, siderada por
um estranho brilho emoldurado pelo inquietante sossego da casa agora a seus pés.
Remorso. Culpa, talvez. Mas é aquela apatia o oposto do Amor. A cruel
indiferença que enche, em silêncio, o último fotograma antes do fade-out para a
escuridão futura.
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quinta-feira, 2 de agosto de 2012
É, de facto, o Melhor Filme de Sempre
(Scottie [James Stewart] entre a ficção obsidiante de Madeleine [Kim Novak] e a vertigem da realidade carnal de Judy [idem].)
«[No auge da obsessão, o catalisador para o desenlace | notas de minha autoria]
Judy: Não podias gostar de mim? Apenas de mim, tal como sou?
[…]
Judy: Se eu permitir que me modifiques, será o suficiente? Se fizer o que me pedes, passarás a amar-me?
Scottie: [veemente] Sim... [toldado pela obsessão] Sim!
Judy: Então eu faço-o. Eu já não me importo comigo.»
Nota: A exaltação da obra-prima do mestre Hitchcock por 846 especialistas em cinema na Sight & Sound, que pela primeira vez destrona o colossal O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane, 1941) de Orson Welles, deixando para trás obras de realizadores (por ordem classificativa) como Ozu (2 filmes), Renoir, Murnau, Kubrick, John Ford, Vertov, Dreyer (3 filmes), Fellini (2 filmes), Eisenstein, Vigo, Godard (4 filmes, um deles o não-kermodesco À bout de souffle, 1960, ou O Acossado), Coppola (3 filmes), Bresson, Kurosawa (2 filmes), Bergman, Tarkovsky (3 filmes), Stanley Donen e Gene Kelly, Antonioni, Wong Kar-Wai, Lynch, Claude Lanzmann, Scorsese, De Sica, Buster Keaton e Clyde Bruckman, Fritz Lang, Hitchcock (de novo), Chantal Akerman, Béla Tarr, Truffaut, Rossellini, Satyajit Ray, Billy Wilder, Tati, Kiarostami, Pontecorvo, Chaplin, Mizoguchi, e Chris Marker (falecido há 3 dias, no dia em que completava 91 anos).
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sexta-feira, 20 de julho de 2012
Kasdan
Um tipo aprende a gostar de um filme – you can’t always get what you want, com o London Bach Choir… Karen, JoBeth Williams, dá o mote para a celestial ironia que acompanha o caixão à sua cova –, incutido por um tio solteirão que, por haver nascido depois do tempo, completou os seus dezoito anos em pleno PREC , tarde para esfrangalhar os nervos no Ultramar, bem a tempo da fraternidade herbácea, do espírito comunitário e da promoção da propriedade pública conjugal, e do livro vermelho do camarada Mao, e depois espera, desespera e jamais alcança por outra coisa igual do idealista Lawrence, o Kasdan de um filme só*.
Eis que há algumas semanas regressou, e o meu espírito rememorativo trouxe uma esperança – será que é desta? Foi logo desfeita pelos medíocres fogachos entrevistos na tela através do anúncio da sua estreia iminente por cá, bem como na sua (má… destruidora) crítica, em que destaco esta de Nick Schager (Mick Jagger!?), com a lapidar e porventura enluvável frase que abre a sua recensão na Slant:
«A lost-dog drama so insufferable it makes one wish its human characters would also run off and never return […]»
E que desperdício: Dianne Wiest e Diane Keaton, pelas raparigas; Kevin Kline e Sam Shepard, pelos rapazes.
Olha a gravata e… passa, enquanto o polivalente David Frost, entre o furo do exsudativo e gravador (não, não esculpia lápides) Richard Nixon e o flower power, apresenta os Stones em estúdio… e depois fala com o Príncipe Carlos:
Nota: *Exagero para fins dramáticos, ainda que bem longe da hipérbole. Kasdan antes do Big Joint… Chill, realizou o bastante aceitável e polémico Noites Escaldantes (Body Heat, 1981) – emparelhamento e harmonia perfeitos Turner/Hurt –, e escreveu para o ecrã o melhor Star Wars (O Império…) e o mais sério Indiana Jones (o da Arca), mas também rivalizou com o Gallo – não o Vincent, o azeite – no gorduroso O Guarda Costas (The Bodyguard, 1992), protagonizado por aquela dupla inolvidável: o Tony Carreira dos ecrãs made in Hollywood (que para além de não se limitar a guardar, também não ficou só pelas costas), e a personificação mais perfeita do Hoover – é tempo livre! – de Beverly Hills e arredores; dizem que não houve pó que lhe resistisse e, como há pouco tempo se provou, pulverizou-se no éter.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Defender o indefensável
Uma pequena amostra para o título deste texto pode ser testada no argumentário do crítico retro-palavroso da BBC Mark Kermode. Kermode na construção do seu novíssimo Film Club* escolheu Breathless (filme de 1983, realizado por Jim McBride, que em Portugal levou com o título de O Último Fôlego, talvez mais ajustado ao seu magnífico antepassado gaulês, que agora já ganhou raízes inextirpáveis como O Acossado) para a sua primeira fita – o que tu queres sei eu (daí a “fita”): gerar discussão.
Quem não se lembra deste filme? Era a sensação mediática do momento, em que eu, puto ladino, me introduzi à sorrelfa num das inúmeras salas de cinema que a minha cidade outrora possuía. Na altura Godard soava-me bem, mas deveria pertencer a uma qualquer corrente esotérica de alto coturno, apesar de reconhecer Truffaut (via Spielberg), embora desconhecesse que fora o autor – usurpado – do guião. Saí do cinema com uma irritação profunda pela semanada despendida com aquela banhada. É que na altura – e ainda despontava em mim o maniqueísmo tão adolescente – já não suportava aquele cabotino muito na moda apelidado de Gere, o que se agravou pela misérrima interpretação de uma francesa, para mim desconhecida e ainda hoje entre as brumas da cinefilia, de sobrenome Kaprisky. E todo aquele filme, a sua deplorável mise-en-scène…
Mais tarde, muito mais tarde, no processo de refinamento do gosto pessoal, soube-o, porque vi o original produzido no alvor da Nova Vaga para comparação com o seu sucessor americano. Confrontei-o com o meu ainda existente caderno de apontamentos da era pré-púbere e notei que, apesar do momento de enjoo de antanho, houvera pecado mesmo assim por uma certa condescendência infantil. Belmondo/Seberg (Jean [ea=i], esta última, esse milagre tão bem construído pelos franceses) versus Gere/Kaprisky. Ou Godard versus McBride (literal: o filho da noiva). Nada importa para Kermode. São obras diferentes sobre o mesmo argumento. Concordo. Mas há limites, e o filme de 1983 é soberanamente mau. Mas o pecado da gula pela confrontação foi irresistível, e surgiu um segundo vídeo a comprovar isso mesmo. Kermode espalha-se ao comprido pelo inusitado exercício.
Mais tarde, muito mais tarde, no processo de refinamento do gosto pessoal, soube-o, porque vi o original produzido no alvor da Nova Vaga para comparação com o seu sucessor americano. Confrontei-o com o meu ainda existente caderno de apontamentos da era pré-púbere e notei que, apesar do momento de enjoo de antanho, houvera pecado mesmo assim por uma certa condescendência infantil. Belmondo/Seberg (Jean [ea=i], esta última, esse milagre tão bem construído pelos franceses) versus Gere/Kaprisky. Ou Godard versus McBride (literal: o filho da noiva). Nada importa para Kermode. São obras diferentes sobre o mesmo argumento. Concordo. Mas há limites, e o filme de 1983 é soberanamente mau. Mas o pecado da gula pela confrontação foi irresistível, e surgiu um segundo vídeo a comprovar isso mesmo. Kermode espalha-se ao comprido pelo inusitado exercício.
O indefensável arrazoado (as calças ao xadrez, a «majestade resplandecente» de Gere em relação a Belmondo, sexo no chuveiro com Elvis e as Mentes Suspeitas, e pasme-se a arquitectura, numa comparação subentendida Los Angeles versus Paris, o que só confirma a estética de McBride em detrimento de Godard):
Entretanto, os primeiros críticos americanos a recensear o último bat-onanismo do Nolan, vêem-se de novo perseguidos pelos fãs do morcego Bale com os seus estrepitosos efeitos sonoros e flamejantes efeitos especiais que se fundem numa caldeirada pseudo-metafísica, antes sequer de o filme ter estreado. É a crítica ao crítico por antecipação**.
Prepara-te, Luís Miguel, se a tua recensão for similar às duas anteriores, vais levar com a geração “Produções Fictícias” em cima e com argumentos do “quarto fechado”…
Notas: *O segundo filme escolhido por Kermode foi o pior e o mais escabroso de Lynch, um slapstick chamado Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer (Twin Peaks: Fire Walk with Me, 1992).
**Para ficar a saber mais, ler na Slate um versão resumida dos últimos acontecimentos em «Batman Fans Go After Critics (Again)».
**Para ficar a saber mais, ler na Slate um versão resumida dos últimos acontecimentos em «Batman Fans Go After Critics (Again)».
quarta-feira, 20 de junho de 2012
E O Mestre regressa com...
The Master, P.T. Anderson
“Hopelessly Inquisitive”
P. Seymor Hoffman / J. Phoenix / Amy Adams & Laura Dern
Uma vez mais com BSO a cargo do assombroso radioheader Jonny Greenwood, por muito que custe ao irreconhecível, quase-afónico (perdeu o falsete de cana rachada), inchado e ressentido, como uma abóbora já mesmo esborrachada, Billy Corgan, um dos melhores guitarristas dos últimos tempos, simultaneamente responsável por inquietantes e geniais bandas sonoras.
Dou três exemplos:
Dou três exemplos:
- Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood, 2007);
- Norwegian Wood, de Tran Anh Hung (Noruwei no mori, 2010);
- Temos de Falar sobre Kevin, de Lynne Ramsay (We Need to Talk About Kevin, 2011).
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
When it grows dark we always need someone*
Beach House, “Myth”, Bloom (2012; Bella Union)
Help me to name it! (Não te acomodes na indiferença perante o teatro do sofrimento. Aquilo que fomos.)
«“Nunca sabemos quem somos. São os outros que nos dizem quem e o que somos. Explicam-nos tantas vezes quem somos, e de formas tão diferentes, que, no final, acabamos por não saber em absoluto quem somos. Todos dizem de nós algo diferente. Até nós mesmos estamos sempre a mudar de opinião. Se a isso acrescentarmos que nos esforçamos por surpreender os outros sendo várias pessoas ao mesmo tempo, o que na verdade acaba por acontecer é que acabamos por não ter a menor noção de quem somos ou poderíamos ter sido” (Juan Lancastre, A Interrupção).»
Enrique Vila-Matas, Ar de Dylan, pág. 124.
[Lisboa: Teodolito, 1.ª edição, Março de 2012, 259 pp; tradução de Miranda das Neves; obra original: Aire de Dylan, 2012.]
*Nota: «Yes. It's odd — when it turns dark you need someone.» (“Patricia Hollmann”, por Margaret Sullavan (1909-1960) em Três Camaradas (Three Comrades, 1938), de Frank Borzage (1893-1962).
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sábado, 16 de junho de 2012
Fiat Tenebras
Incómodo. Perplexidade. Desconforto. Irritação. Sufoco.
Prostração. Rendição. Êxtase.
Nestas quatro décadas a deambular por quilómetros de
fotogramas em movimento, não me recordo de, no processo recapitulativo de
apreciação de um filme, conseguir relacionar, num todo harmonioso, aquelas oito palavras que, com uma inquietante precisão, descrevem a minha experiência no
seu visionamento.
Béla Tarr (n. 1955), o artífice, de quem apenas vi O Homem de Londres (A Londoni
férfi, 2007).
Fiat Lux: o início dos 146 minutos com a narração do lendário
delíquio de consequências irreversíveis de Nietzsche em Turim. O cavalo e a sua
corrida fustigada pelo vento. Um velho. A filha. O anti-Génesis. Da Luz às
Trevas; do descanso ao flagelo, em seis dias… o que fará Ele no 7.º?
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terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Polichinelo e o seu segredo em Hollywood
Bocejo de previsibilidade.
Prática abandonada em 2009, quando iniciei o programa de
desintoxicação dos Óscares da Academia – técnica dos 12 passos –, retomo, à guisa de serviço público, ao exercício de publicação da habitual lista dos filmes com maior número de nomeações (este
ano integram a referida lista 8 filmes com 4 ou mais nomeações) seguindo o
critério usado na fase oscarómano:
[Critério: Em destaque (a bold) as nomeações pertencentes ao
denominado Top 5, ou seja, aquelas que se inserem nas cinco categorias
artísticas consideradas como as mais importantes na atribuição do galardão:
melhores filme, realização, argumento (original e adaptado), actor principal e
actriz principal. Ao lado do número de nomeações para cada filme, figurará o
número de nomeações para o Top 5, seguida da notação “+”.]
– A Invenção de Hugo / Hugo (11 nomeações, 3+)
Argumento Adaptado – John Logan
Banda Sonora Original – Howard Shore
Direcção Artística
Efeitos Especiais
Efeitos Sonoros
Filme
Fotografia
Guarda-Roupa
Montagem
Realização – Martin Scorsese
Som
– O Artista / The Artist (10 nomeações, 4+)
Actor – Jean Dujardin
Actriz Secundária – Bérénice Bejo
Argumento Original – Michel Hazanavicius
Banda Sonora Original – Ludovic Bource
Direcção Artística
Filme
Fotografia
Guarda-Roupa
Montagem
Realização – Michel Hazanavicius
– Cavalo de Guerra / War Horse (6 nomeações, 1+)
Banda Sonora Original – John Williams
Direcção Artística
Efeitos Sonoros
Filme
Fotografia
Som
– Moneyball – Jogada de Risco / Moneyball (6 nomeações, 3+)
Actor – Brad Pitt
Actor Secundário – Jonah Hill
Argumento Adaptado – Steven Zaillian, Aaron Sorkin e Stan
Chervin
Efeitos Sonoros
Filme
Montagem
– Os Descendentes / The Descendants (5 nomeações, 4+)
Actor – George Clooney
Argumento Adaptado – Alexander Payne, Nat Faxon e Jim Rash
Filme
Montagem
Realização – Alexander Payne
– Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres / The Girl
with the Dragon Tattoo (5 nomeações, 1+)
Actriz – Rooney Mara
Efeitos Sonoros
Fotografia
Montagem
Som
– Meia-Noite em Paris / Midnight in Paris (4 nomeações, 3+)
Argumento Original – Woody Allen
Direcção Artística
Filme
Realização – Woody Allen
– As Serviçais / The Help (4 nomeações, 2+)
Actriz – Viola Davis
Actriz Secundária – Jessica Chastain
Actriz Secundária – Octavia Specter
Filme
Para mais pormenores consultar a notícia aqui.
Apesar de apenas ter visto três dos oito filmes aqui
apresentados (Meia-Noite em Paris, Millennium 1 e Moneyball), os restantes não
me são em nada apelativos para uma sessão paga em frente da grande tela cinzenta: um cavalo-herói inteligente, talvez de origem judaica, supostamente perlado de lágrimas
spielberguianas; um eventual chico-espertismo francês de Hazanavicius que tirou
o mudo da cartola com auxílio de um dotado cão Jack Russell (figas para que este alce a pata traseira e abarque a estatueta num fluido amplexo dourado em pleno palco do Kodak); e Hugo do quase
septuagenário Scorsese que apenas agora, qual criança apurando os sentidos,
descobriu o poder das novas tecnologias, embora as suas cinefilia e erudição
cinematográfica poderão fazer admitir o esboço de uma tentativa para uma ida ao cinema.
Depois, o pior: não se faz!, não se compensa Malick com aquelas nomeações apenas para americano ver e aplaudir – de pé, de preferência – o incomensurável sentido de justiça e o enorme bom senso dos membros da Academia, onde se encaixa, do mesmo modo, o Tinker Tailor... de Tomas Alfredson, e a atribuição de categorias técnicas a Fincher; as inexplicáveis zero nomeações para Melancolia e
para Clint Eastwood (embora do seu filme a concurso, J.Edgar, disponha apenas da apreciação escrita de alguns cinéfilos que me vão merecendo todo o crédito); o já conhecido desprezo pelos documentários de Herzog, e tudo para consagrar, como é mais que previsto, o petulante alemão com aquele cabelo indescritivelmente
amaricado e a sua Pina; e os indies?, nada, como sempre no anquilosado reino da indústria de Hollywood; e
por fim 2 nomeações 2 para aquele objecto pegajoso, que se qualificou por
fílmico porque dispõe de imagens em movimento (peristáltico, decerto), chamado A Melhor Despedida de Solteira
(Bridesmaids).
Será que, pela primeira vez em duas décadas, ficarei na caminha – como o
lançador do peso na China – a aproveitar o calor do meu processo endotérmico, enquanto,
no próximo dia 26 de Fevereiro, no Kodak (em fecho de portas) Theatre se pratica o
arremesso da estatueta dourada?
A ver vamos.
A ver vamos.
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domingo, 22 de janeiro de 2012
Obsessão (act.)
Pensei escrever qualquer coisa. Alinhavei umas quantas palavras. A obsessão pelo pormenor. A meticulosidade de um relojoeiro na evocação imagética. A mão perfeita de um artesão que usa a tecnologia sem que a pressintamos – para ele é mesmo um meio, e nunca um artifício estético. As mulheres, sempre as mulheres, não tão ostensivas como em Lars von Trier, maquinais e diabólicas como em Tarantino, austeras, frias e impiedosas como em Almodóvar, objecto de desejo que se emancipa perante o indício da corte pelo pavão como em Rohmer, ou eloquentes, por vezes doces receptoras da neurastenia projectada pelo criador, como em Woody Allen. São uma bruma perene, omnipresente, extática e hermética, portadoras – eis o ventre primordial – do código inacessível a um encadeamento lógico da razão.
Fiz um historial da abordagem subliminar do lado feminino
que joga um papel crucial em Fincher desde Se7en (1995) – excluí Sigourney
“Ripley” Weaver, não tivesse sido ela de Ridley Scott, em primeiro lugar, e de
James Cameron, em segundo – Paltrow (1995), Kara Unger (1997), Bonham Carter
(1999), Foster (2002), Sevigny (2007), Blanchett (2008), e Mara por duas vezes
(2010 e 2011), mas guardei o ficheiro na imensa pasta dos textos “não
publicados”, talvez para maturação, muito provavelmente para as impenetráveis
trevas do olvido. Decidi “me & myself” atirar Karen O, cujo grito seco ressoa no negro líquido viscoso (amniótico) para a fogueira daqueles que Odeiam as Mulheres:
«Salander não consegue mexer-se. Espera que a dor abrande – o que eventualmente acontece – mas apenas para ser substituída por um sentimento de abandono. Então aquele abranda, substituído por um semblante de indiferença.»Em jeito de nota final, o fim: é impossível ficar indiferente ao pathos que emana daquele olhar, que tudo apaga, de Rooney Mara.
Steven Zaillian, The Girl with the Dragon Tattoo [screenplay], p. 165 (© 2011 Sony Pictures). Tradução livre: AMC.
Soberbo.
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Fincherianismo
Ah, como gosto de ler João Lopes quando escreve sobre Cinema
(a arte, assim grafada). Não vou fazer a apologia de todo o seu saber acumulado
e da natural consequência de, com propriedade, usar e abusar do cinema
comparado. É um fincheriano convicto e não adianta negá-lo (em boa verdade nunca o negou, embora nunca o tenha confirmado). E mesmo estando numa torturante contagem decrescente
para ver Millennium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres (The Girl with the
Dragon Tattoo, 2011), não posso deixar de concordar com a parte que remete para
o todo (de outra forma não poderia ser, por via da razão avocada: ainda não o vi), o universo
inebriante de Fincher, incluída neste extracto de um texto do eminente crítico nacional sobre Fincher no DN de quarta-feira, 18:
«Daí a estranha beleza de Millennium 1: por um lado, há nele uma urgência face ao concreto do nosso mundo que lhe confere a dimensão de parábola sobre a persistência do Mal e o fim de todos os romantismos; por outro lado, vivemos uma aventura tocada pela abstra[c]ção formal. É tempo de acreditarmos que Howard Hawks tem, finalmente, um herdeiro moderno.»
Mas esta é a velha questão do subtexto fincheriano, que muitos ou não
vislumbram (limitação, é uma pena), ou vislumbrando não pretendem dar a conhecer por um velho apriorismo
de que não se conseguem libertar (má-fé). Como entender, por exemplo, Clube de
Combate (Fight Club, 1999) sem nos embrenharmos (apreender) na sua beleza
subliminar, latente em cada fotograma, incrustada pelo realizador de Denver?
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