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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Menino gabado,,,

Corre por todos os blogues a notícia:
A editora Assírio & Alvim já tem blogue. E eu acrescento, já o teve há cerca de um ano, mas foi subitamente interrompido ao fim de alguns dias, talvez por falta de entusiasmo.

Mas, finalmente, D. Rosa, a
Assírio tem blogue e… está na feira

No passado dia 29 de Maio gabava-a
aqui neste blogue, conjuntamente com a Cotovia e a minha editora de eleição, a Relógio D’Água do resistente Francisco Vale.

Mas já diz o ditado (completando):

…menino estragado.

Eu, leitor interessado, complemento a informação que o incensado blogue se esqueceu de fornecer:

  • A Assírio & Alvim também está presente na 78.ª Feira do Livro do Porto no pavilhão A-10 (corredor da entrada, ao fundo do lado direito);
  • Livros do dia: infelizmente não disponho dessa informação de carácter privilegiado(passei por lá hoje em busca do livro de Ezra Pound (& Hilda Doolittle), Fim do Tormento / O Livro de Hilda, que ainda não tenho, mas não só não o vislumbrei como não me souberam responder sobre o seu paradeiro: a) em stock, b) sem stock, c) prestes a chegar, d) exclusivo do Parque Eduardo VII, e) a vaguear pela estratosfera, f)nenhuma das anteriores, g) perguntar no stand de uma das seguintes editoras: Bertrand, Bico de pena, Pergaminho, Temas e Debates (jamais no do Círculo de Leitores, não nos largam...)

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Notícia do dia: entretanto, no próximo número da revista Ler mais 150 arquitectos dão a sua opinião sobre a localização e o layout da próxima Feira do Livro de Lisboa. Entre eles contam-se nomes como o centenário Oscar Niemeyer, o consagrado arquitecto canadiano e santanista Frank Gehry e a famosa Linda Reis (a.k.a. Pomba Gira) que entrou em contacto com Antonio Gaudí, Frank Lloyd Wright, Adolf Loos, Le Corbusier, Alvar Aalto, entre outros. Ao que até agora se conseguiu apurar, ninguém da denominada Escola do Porto foi contactado: Álvaro Siza, Alcino Soutinho, Eduardo Souto Moura, entre outros.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pobre Antonia

Por estes dias, a recente e louvavelmente criada editora Sextante – que começou por se chamar Sudoeste e modificou o nome para evitar possíveis mal-entendidos com outras editoras existentes, optando por um novo que, de forma estranha, é igual à de outra existente no Brasil – publicou a, até hoje considerada, obra-prima da romancista, ensaísta, crítica literária e ex-professora universitária Antonia Susan Byatt (assina o seus trabalhos como A.S. Byatt), nascida em 1936 em Sheffield em Inglaterra, Possessão (Possession, 1990).
Esta obra permitiu à escritora britânica juntar o seu nome ao restrito conjunto de autores que venceram o mais prestigiado prémio literário a galardoar uma obra de ficção publicada originalmente em língua inglesa (Estados Unidos não incluídos), o célebre Booker Prize. E se acrescentarmos que, até 2007 (inclusive), dos 41 prémios distribuídos desde 1969 (tanto em 1974 como em 1992 houve dois vencedores ex aequo, Middleton e Gordimer, e Ondaatje e Unsworth, respectivamente) apenas 14 foram atribuídos a mulheres, o valor da vitória ganha outros matizes de excelência.
Por estes dias vou terminando a sua leitura, que diga-se, a talho de foice, não é nada fácil. Porém, posso desde logo confirmar de que se trata de um romance minuciosamente trabalhado, de uma excelente obra, com um arcaboiço literário invejável capaz de retirar o fôlego a mentes menos avisadas nas artes literárias. Para além da técnica narrativa recorrentemente analéptica, pejada de saltos históricos entre os séculos XIX e XX (hoje), e do percebido conhecimento aprofundado dos poetas, das suas obras e biografias, dos períodos romântico e vitoriano (Wordsworth, Arnold, Tennyson, S.T. Coleridge, Byron, Keats, etc.), de mitologia grega, do folclore nórdico e celta, e de filosofia, Byatt alterna dentro da mesma obra as formas narrativas do conto, da poesia, da prosa epistolar e diarista, do romance profusamente descritivo dos personagens, ambientes e objectos e dos diversos locais por onde se vai desenrolando a trama, a diálogos bem elaborados, com uma grande dose de humor e de ironia normalmente apontada à vida académica contemporânea, caracterizada por um estado de guerrilha latente, de invejas e de compadrios – só quem por lá anda ou andou consegue rever-se na descrição da envolvente tão bem articulada pela autora inglesa.

Bom, mas o que me levou à elaboração deste já longo texto irónico-interrogativo, nada teve que ver com a obra em si mesma, mas com a coincidência estranha da forma como a edição desta obra foi noticiada pela imprensa da especialidade1.
aqui havia referido o texto publicado a propósito de Possessão no último número da renovada revista Ler que, pelos laconismo e brevidade, apenas, na minha maneira de ver, teve como resultado um dispêndio despropositado de espaço e de caracteres: «Empreendimento no mínimo volumoso, acaba de sair Possessão […]»
Desta feita, a honras cabem ao JL, que na sua última edição (n.º 982, de 21 de Maio) refere o seguinte na página 29: «Há mistérios insondáveis na tradução portuguesa. Possessão – Uma História de Amor de A. S. Byatt é um deles. Escrito em 1990 [será?], foi distinguido com o Man Booker Prize [o grupo Man, plc só começou a patrocinar o Booker Prize desde 2003] no mesmo ano. Mas só agora foi traduzido do inglês.»
Mistério insondável? Porquê? Tratar-se-á de uma ironia, em tom de ferroada, ao editor português, que em boa hora se lembrou de colmatar esta lacuna no mercado livreiro de língua portuguesa? Ou será um puxão de orelhas a todo o meio editorial nacional pela falta de sensibilidade na escolha das obras estrangeiras a editar no nosso país?
Ora, em quase 40 anos de Booker Prize (1969-2007), foram premiadas cerca de 41 obras de ficção, das quais 26 foram editadas em português europeu e 15 não mereceram essa atenção – destas 15 há quatro obras posteriores a Possessão de A.S. Byatt: é o caso das obras vencedoras em 1991, 1992, 1994 e 1995, respectivamente, The Famished Road de Ben Okri; Sacred Hunger de Barry Unsworth; How Late It Was, How Late de James Kelman; e The Ghost Road de Pat Barker. Curiosamente, esta última foi nomeada, em conjunto com mais 5 obras de outros tantos escritores vencedores do Booker, para a eleição aberta ao público em geral para o prémio “The Best of the Booker Prize” a propósito da comemoração dos seus 40 anos de existência. Neste caso e naqueles termos, estamos perante um mistério ainda mais insondável, sabendo que a escritora inglesa (n. 1943) conta já com duas das suas onze obras de ficção editadas em português, nenhuma das quais pertence ao grupo das suas três (incluíndo The Ghost Road) que foram contempladas com prémios literários.

Mas o verdadeiro problema do mercado editorial português, se nos abstivermos do critério do potencial êxito comercial, normalmente associado a obras de qualidade duvidosa, está nos autores que jamais viram as suas respectivas obras penetrarem no mercado luso, embora sejam internacionalmente reconhecidos por diversos méritos estritamente relacionados com a questão literária; ou naqueles de reconhecidíssimo mérito cuja obra completa editada na nossa língua está muito longe de ser alcançada.
Há cerca de um mês elaborei uma listagem, que ficou no segredo dos meus ficheiros pessoais, que incluía 50 obras fundamentais de 10 autores norte-americanos2 que jamais viram a luz do dia (ou o negro tipográfico) na língua de Camões (embora algumas tenham sido editadas em português do Brasil). Após a realização daquele empreendimento e por mera coincidência, uma semana bastou para a lista passar da sua configuração de 10/50 para 10/49, uma vez que a editora portuense Civilização acabara de lançar no mercado uma das obras referenciadas na dita lista, Regressa, Coelho (Rabbit Redux, 1971) de John Updike. E até sei que, pelas mãos da editora acossada pela publicação da obra de Byatt, a cifra passará, em breve, para 10/48, já que se prevê a edição da obra-prima de um dos mestres da literatura contemporânea: Underworld (1997) de Don DeLillo. Será, da mesma forma, um empreendimento volumoso e/ou um mistério insondável?
A ver vamos.


Notas:

  1. Antes de Possessão, já se encontravam editados em Portugal um romance e um conto de A.S. Byatt: A Fábula do Biógrafo (ed. port. Temas e Debates, 2003; The Biographer’s Tale, 2000) e, curiosamente, um conto de fadas extraído do romance Possessão (ed. port. Sextante, pp. 67-77), chamado O caixão de vidro (ed. port. Tempus, 1997; The Glass Coffin incluído na colectânea de contos da autora The Djinn In The Nightingale's Eye, 1994).
  2. Autores referenciados na lista pessoal: John Barth (1930), Donald Barthelme (1931-1989), Saul Bellow (1915-2005), Don DeLillo (1936), Vladimir Nabokov (1899-1977), Thomas Pynchon (1937), Philip Roth (1933), Norman Rush (1933), John Updike (1932) e David Foster Wallace (1962).

sábado, 3 de maio de 2008

Quac

No dia 23 de Abril do mesmo ano (embora por calendários diferentes, separados por 10 dias), 1616, morriam William Shakespeare e Miguel de Cervantes, em Stratford-upon-Avon e Madrid, respectivamente, data aproveitada pela UNESCO em 1995 para dar início à celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.
Este ano, por terras lusas, saía para as bancas o primeiro número da renovada revista Ler (edição n.º 69 desde a sua inauguração), de novo dirigida por Francisco José Viegas e agora com periodicidade mensal.
Na capa, para além do principal destaque dado a uma entrevista dada por António Lobo Antunes a Carlos Vaz Marques – este último, é, no meu entender, de longe e desde há muito, o melhor entrevistador português da actualidade sobre assuntos da ciência e da cultura –, dá-se especial relevo a um artigo, em jeito de lista, que no meu caso, um listómano assumido, sobressalta da mesma forma como a heroína sobressaltava W.S. Burroughs – oferecesse a Ler uns gramas… –, sob o título de “Os 50 autores mais influentes no século XX” [pp. 48-59]. Na página 48 surge o subtítulo “e o que aprendemos ou devíamos ter aprendido com eles”, assinado pelo jornalista José Mário Silva. Sobre a dita lista e sem um texto introdutório de elucidação sobre os critérios (artísticos, estéticos, técnicos, comerciais e/ou sociológicos) que conferiam a elegibilidade dos autores como um bloco, muito poderia ter sido dito – as anotações apensas a cada nome, por mais extensas ou desenvolvidas que sejam, enfermam sempre dessa necessária visão global. E, neste caso, a posição mais cómoda é a do crítico, que desde logo poderia destacar um conjunto de nomes que foram esquecidos e outros que incompreensivelmente figuram no referido arrolamento.
Mesmo o critério temporal, o único verdadeiramente explícito, parece haver sido derrogado quando se inclui o questionabilíssimo Emilio Salgari (1862-1911) e se deixa de fora o Mestre Henry James (1943-1916), com um bom punhado de romances, novelas e contos escritos e publicados já no século XX; situação que se agrava com a não inclusão de um dos melhores poetas de todos os tempos, Nobel da Literatura em 1923, W.B. Yeats (1865-1939). Dos vivos a inclusão de Rushdie (n. 1947) e principalmente de Salinger (n. 1919) – que para além de À Espera no Centeio (ou Agulha no Palheiro; The Catcher in the Rye, 1951), andou apenas à volta dos hinduísmos e dos jovens místicos e assaz aborrecedores Glass e depois desapareceu – é mais do que discutível, quando se deixa de fora Pynchon (n. 1937), Roth (n. 1933), DeLillo (n. 1936), McCarthy (n. 1933) ou Updike (n. 1932), conjuntamente com o mais imperdoável esquecimento (ou não, desconheço o critério), o do inigualável Saul Bellow (1915-2005), Nobel da Literatura em 1976; ou até de Capote (1924-1984) ou Mailer (1923-2007), que, em estilos diametralmente opostos, revolucionaram as letras norte-americanas com os habituais efeitos de contagio para o universo das diferentes literaturas.

Muito poderia ser ainda dito sobre a referida listagem, como a inclusão de Barbara Cartland e de J.K. Rowling, e a não inclusão de nomes como Chesterton, Gide, Malraux ou Blanchot. Todavia, arriscando-me a proferir um lugar-comum, tudo isso é discutível e de sobremaneira relativo. Jamais se poderá fazer uma lista desta estirpe com alguma objectividade, entenda-se com o toque de mágica de agradar a todos. Gosto de lá ver Umberto Eco – como gostaria de ver incluído pelo menos um dos beatniks, porque não Kerouac? –, mas intuo que uma esmagadora maioria dos leitores acha a sua inclusão mais do que discutível.

Finalmente, a propósito deste artigo, li
um texto divertidíssimo do Alexandre Andrade, em que confessa que, ainda nesta Primavera, irá tatuar na sua omoplata direita a labiríntica e claustrofóbica inscrição perecquiana “11, rue Simon-Crubellier”José Luís Peixoto tem tatuado num dos braços “Yoknapatawpha” o condado imaginário que aparece na maioria dos romances (rústicos ou de folclore regional como lhes chamava Nabokov) de William Faulkner. Pois, eu, meu caro Alexandre ponho-me a nu, e revelo aqui e agora, com prova documental, que a pele que cobre este arcaboiço, que se foi agigantando, desde o escultural até levemente (que ironia) aceitável para a vista, desde o fatídico dia para qualquer homem... (adiante) dispõe de 3 (três) tatuagens Por amor a Borgespor Borges (nas costas), Por amor a Nabokovpor Nabokov (no braço esquerdo e que enorme heresia para um quase quase russo branco, mas o direito já tinha o indispensável “amor de mãe”) e uma terceira num local inconfessável, tal como a daquele bombeiro voluntário bem abonado dos chistes ordinários, residente na freguesia de Valbom, concelho de Gondomar, distrito do Porto, que aparente e molemente havia mandado tatuar a palavra “Bombom”…
Um dos romances da minha vida, foi escrito por um autor inglês chamado Malcolm Lowry, que conta a história fatídica, ocorrida num só dia, o dia dos mortos, de um cônsul inglês, de seu nome Geoffrey Firmin, numa terra ficcionada (que chegou a existir durante o domínio do Império Azteca), onde hoje existe Cuernavaca no México.
Trata-se de um lânguido Quac

Pergunta ao estilo Yorn: Que mais lugares imaginários saídos da literatura tens tu tatuados no teu corpo?