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domingo, 23 de dezembro de 2012

Maturação

Quando esta manhã passava os meus olhos pelos blogues que consulto numa base regular, deparei-me com este texto do João Gonçalves que, embora culmine em assunto diverso àquele que me traz aqui, materializado nestas curtas palavras, avivou ainda mais o meu deslumbramento pelo filme de um realizador que tem o condão (e ele gosta de o ter) de instilar apreciações maniqueístas na crítica e nos cinéfilos espalhados por esse mundo fora (especialmente os norte-americanos – perguntem a James Caan –, que não se esquecem facilmente da mensagem muito pouco subliminar, que mesmo que o fosse seria destruída com as imagens em slideshow nos créditos finais, de Dogville (2003) e de Manderlay (2005) – a tragédia americana aferroada por um dos maiores provocateurs da cinematografia contemporânea), esse é Lars von Trier.
No ano passado, por esta altura, inclui-o na 3.ª posição do meu Top 10, atrás de Malick e de Skolimowski. Porém, enquanto estes ficaram pelo único visionamento no grande ecrã, Melancolia (Melancholia, 2011) passou, em 2012, vezes sem conta debaixo dos meus olhos, com paragens de imagem, slow motionsfast forwards e rewinds repetidos tanta vezes quanto o necessário, detendo-me ora nos pormenores, nas expressões, nas cores, ora em toda a mise-en-scène, e até repousado, de olhos fechados, a escutar apenas as ondas de choque wagnerianas com os fotogramas da esplendorosa introdução gravados na retina.
Não é por isso que deixarei de aqui postar as minhas listas, mas Melancolia foi de facto o meu filme de 2011 (saltou dois lugares), que me desculpem os adeptos do panteísmo malickiano ou os da imagética skolimowskiana, o autor de As Cinco Obstruções, levou-lhes a palma.
Para recordar:

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fazer as contas ao Cinema acima do paralelo 39ºN (act.)


Em breve, talvez no próximo fim-de-semana, será aqui publicada a lista dos filmes vistos, por este que vos quer, e estreados durante o ano corrente em salas de cinemas nacionais.
Como tem ocorrido nos anos mais recentes, haverá uma derrogação a este critério, que se traduz pela inclusão dos filmes estreados na última quinta-feira do ano civil anterior e pela exclusão dos filmes a estrear na última deste ano – neste caso, foram incluídos os filmes estreados a 29 de Dezembro de 2011 e não serão objecto de apreciação os filmes a estrear na quinta-feira 27 de Dezembro de 2012, que transitarão para o próximo ano.
Por agora, e tendo feito a trabalhosa contabilidade dos meus estados de encantamento, de decepção ou de repulsa, e de indiferença perante as obras visionadas durante o ano – aguardo apenas pelo dia de amanhã e por uma possível deslocação às salas de cinema do Grande Porto nos próximos dias –, são 24 os filmes que serão divulgados numa primeira lista e que tocaram a minha veia sensível de cinéfilo. Entre eles:
  • 11 foram produzidos nos Estados Unidos;
  • 2, 12, 10 estrearam mundialmente em 2010, 2011 e 2012, respectivamente;
  • 1 filme irá, com certeza, provocar uma derrogação adicional ao critério de inclusão da lista, dado o centralismo Medeiano neste pobre país; vi o filme no Renoir em Espanha – na versão original francesa e legendado em castelhano –, mas gostaria de vê-lo traduzido na língua de Camões para os portugueses cinéfilos que têm a infelicidade de residir longe das latitudes da Capital do Império; mas também para o mal amnésico centralóide que assola a queirosiana Província, há sempre um remédio na possibilidade internética… Ah, gente com fibra!

Até breve, antes que, por decreto, fechem a salas de cinema acima do paralelo 39. Mas, temos de convir, é bastante justo e mais que certo, a arte para os verdadeiros artistas…  

Correcção [20/12/2012, às 13:53]: Afinal, o filme referido no ponto 3, estreia hoje num cinema a Norte da Capital. Ler aqui o texto com a correcção.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É, de facto, o Melhor Filme de Sempre

(Scottie [James Stewart] entre a ficção obsidiante de Madeleine [Kim Novak] e a vertigem da realidade carnal de Judy [idem].)


«[No auge da obsessão, o catalisador para o desenlace | notas de minha autoria]

Judy: Não podias gostar de mim? Apenas de mim, tal como sou?
[…]
Judy: Se eu permitir que me modifiques, será o suficiente? Se fizer o que me pedes, passarás a amar-me?
Scottie: [veemente] Sim... [toldado pela obsessão] Sim!
Judy: Então eu faço-o. Eu já não me importo comigo.»


Nota: A exaltação da obra-prima do mestre Hitchcock por 846 especialistas em cinema na Sight & Sound, que pela primeira vez destrona o colossal O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane, 1941) de Orson Welles, deixando para trás obras de realizadores (por ordem classificativa) como Ozu (2 filmes), Renoir, Murnau, Kubrick, John Ford, Vertov, Dreyer (3 filmes), Fellini (2 filmes), Eisenstein, Vigo, Godard (4 filmes, um deles o não-kermodesco À bout de souffle, 1960, ou O Acossado), Coppola (3 filmes), Bresson, Kurosawa (2 filmes), Bergman, Tarkovsky (3 filmes), Stanley Donen e Gene Kelly, Antonioni, Wong Kar-Wai, Lynch, Claude Lanzmann, Scorsese, De Sica, Buster Keaton e Clyde Bruckman, Fritz Lang, Hitchcock (de novo), Chantal Akerman, Béla Tarr, Truffaut, Rossellini, Satyajit Ray, Billy Wilder, Tati, Kiarostami, Pontecorvo, Chaplin, Mizoguchi, e Chris Marker (falecido há 3 dias, no dia em que completava 91 anos).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Literatura: Os Melhores Livros de 2011


Como tem sido hábito desde a fundação deste blogue, que já passou por dois encerramentos e outros tantos regressos com nomes diferentes, a minha fúria listómana termina com a publicação dos melhores livros editados em Portugal durante o ano em causa. Não se trata, porém, de uma novidade, já que sempre existiu uma coluna do lado direito que vai engrossando à medida que novos títulos que emergiram no mercado editorial português vão passando sob os meus olhos ávidos de bibliómano. Infelizmente, a lista deste ano é mais curta que a dos seus predecessores, todavia é sobre ela que exponho, agora numa escala ordenada, os meus encantamentos literários.
Chega o momento de repetir à laia de aviso/disclaimer o processo de selecção:
Ao contrário de qualquer lista publicada nos órgãos de informação convencionais por um ou mais críticos, por meio de qualquer espécie de votação (nem que seja através de uma peroração avaliadora na sua recensão), o único critério que preside à escolha dos livros editados durante o ano para as minhas particulares sessões de leitura e sua posterior classificação (com publicação imediata no blogue) é apenas o meu gosto pessoal por determinados autores, por determinada escola literária ou por certo tipo de narrativas, embora a escolha possa haver resultado da indicação de alguém, seja um crítico literário ou um mero leitor, que me recomendou a sua leitura e, como é óbvio, desde que eu lhe confira algum tipo de autoridade na matéria – há críticos e críticos, e há leitores mais conformes às minhas preferências estético-literárias, mesmo que não os suporte. Assim, este tipo de listagem sofre, à partida, de um vício de forma, e que leva a que a maioria dos livros classificados se situe nos graus mais elevados de apreciação literária: uma escolha apriorística e condicional, sem a isenção que outros terão de apor no processo de selecção da obra a analisar, condição necessária à integridade de um crítico – no plano teórico, claro; não sou tão inocente.
Foram 37 (um não revelado) os livros editados em Portugal no ano de 2011 que passaram sob o meu crivo de bibliómano: 2 foram classificados como “obra-prima” (6 estrelas); 12 com “Muito Bom” (5 estrelas); 14 com “Bom” (4 estrelas); 5 com “A Ler” (3 estrelas); 2 com “Medíocre” (2 estrelas), e mais 1 classificado como “Mau” (1 estrela).

As listas

Os 10 Melhores Livros de 2010 – Ficção
1.º – Julian Barnes, O Sentido do Fim (ed. port. Quetzal; The Sense of an Ending, 2011);
2.º – David Vann, A Ilha de Sukkwan (ed. port. Ahab; Sukkwan Island, 2008);
3.º – Michel Houellebecq, O mapa e o território (ed. port. Alfaguara; La Carte et le Territoire, 2010)
4.º – John Banville, Os Infinitos (ed. port. Asa; The Infinities, 2009);
5.º – Don DeLillo, Ponto Ómega (ed. port. Sextante; Point Omega, 2010);
6.º – Colm Tóibín, Mães e Filhos (ed. port. Bertrand; Mothers and Sons, 2006);
7.º – Philip Roth, Némesis (ed. port. Dom Quixote; Nemesis, 2010);
8.º – Gonçalo M. Tavares, Short Movies (Caminho);
9.º – Don DeLillo, Americana (ed. port. Relógio D’Água; 1971);
10.º – Leonardo Padura, O Homem que Gostava de Cães (ed. port. Porto Editora; El hombre que amaba a los perros, 2009).

Menções Honrosas (livros que poderiam ocupar, por troca ou em simultâneo, os dois últimos lugares do Top 10, ordenados pelo nome próprio do autor)
  • Howard Jacobson, A Questão Finkler (ed. port. Porto Editora; The Finkler Question, 2010);
  • Jonathan Franzen, Liberdade (ed. port. Dom Quixote; Freedom, 2010).

Os 3 Melhores Livros de 2011 – Não-Ficção (este ano reduzida a 3 títulos)
1.º – Joseph ONeill, Rasto Negro de Sangue – Uma História de Família (ed. port. Bertrand; Blood-Dark Track: A Family History, 2001);
2.º – Patti Smith, Apenas Miúdos (ed. port. Quetzal; Just Kids, 2010);
3.º – Saul Bellow, Jerusalém, Ida e Volta – Um Relato Pessoal (ed. port. Tinta-da-China; To Jerusalem and Back: A Personal Account, 1976).

Memória (os meus melhores desde 2005)
2005Kazuo Ishiguro, Nunca Me Deixeis (ed. port. Gradiva; Never Let Me Go, 2005)
2006Vladimir Nabokov, Convite para uma decapitação (ed. port. Assírio & Alvim; Priglasheniye na kazn, 1936)
2007 – (2 obras em igualdade) Colm Tóibín, O Mestre (ed. port. Dom Quixote; The Master, 2004) & Jonathan Littell, As Benevolentes (ed. port. Dom Quixote; Les Bienveillantes, 2006)
2008Robert Musil, O homem sem qualidades, volumes I e II (ed. port. Dom Quixote; Der Mann ohne Eigenschaften, 1930-1942)
2009John Updike, Coelho em Paz (ed. port. Civilização; Rabbit at Rest, 1990)
2010Saul Bellow, As Aventuras de Augie March (ed. port. Quetzal; The Adventures of Augie March, 1953).

Finalmente, um breve excerto do melhor, para além do que aqui já foi dito em tempo oportuno e que se reflecte também nesta citação arrancada a um todo deslumbrante (no texto abaixo optou-se por uma transcrição ipsis verbis, seguindo-se, por isso, a opção da editora pela regras do abstruso e Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa; para além da incompreensível troca de artigos, o indefinido pelo definido, na tradução do título da obra para a nossa língua):
«Que sabia eu da vida, eu que vivera com tanto cuidado? Que não ganhara nem perdera, mas só deixara que a vida me acontecesse? Que tinha as ambições comuns e me adaptara demasiado cedo a que elas não se realizassem? Que evitava ferir-me e chamava a isso capacidade de sobrevivência? Que pagava as minhas contas, estava de bem com toda a gente na medida do possível, mas para quem o êxtase e o desespero depressa se tornaram meras palavras, lidas outrora nos romances? Eu, cuja autocensura nunca infligia realmente dor? Pois, havia tudo isto para refletir, enquanto eu passava por um tipo de remorso especial: uma dor finalmente infligida a alguém que sempre pensou saber como evitar ser magoado – infligida por essa mesma razão.»

Julian Barnes, O Sentido do Fim, p. 144 [Lisboa: Quetzal, Novembro de 2011, 152 pp.; tradução de Helena Cardoso; obra original: The Sense of an Ending, 2011]

domingo, 25 de dezembro de 2011

Cinema: Os Melhores Filmes de 2011 – semifinalistas


Esgotadas todas as possibilidades de poder assistir a mais filmes estreados em salas de cinema portuguesas até ao fim de 2011, manifestei aqui que dos 46 filmes (número muitíssimo abaixo da média dos últimos anos, que nem sequer perfaz a de 1 filme por semana), 21 foram considerados como bons ou muito bons, e em alguns casos como obras-primas.
Programada para publicação no dia de Natal de 2011 desde a passada sexta-feira (dia 23), eis a listagem completa dos 21 filmes que, na minha mui pessoal e inalienável opinião, e por um conjunto de razões facilmente descritíveis e de emoções na maioria das vezes inexplicáveis, mais encheram as minhas medidas de cinéfilo (este ano pouco praticante, como se depreende pelos números). Filmes organizados por ordem alfabética do título em português):
  • Um Ano Mais, de Mike Leigh (Another Year, 2010);
  • A Árvore da Vida, de Terrence Malick (The Tree of Life, 2011);
  • O Atalho, de Kelly Reichardt (Meek’s Cutoff, 2010);
  • Carlos, de Olivier Assayas (2010);
  • Cisne Negro, de Darren Aronofsky (Black Swan, 2010);
  • Essential Killing – Matar para Viver, de Jerzy Skolimowski (Essential Killing, 2010);
  • Filme Socialismo, de Jean-Luc Godard (Film Socialisme, 2010);
  • Kaboom – Alucinação, de Gregg Araki (Kaboom, 2010);
  • Meia-Noite em Paris, de Woody Allen (Midnight in Paris, 2011);
  • Melancolia, de Lars von Trier (Melancholia, 2011);
  • Um Método Perigoso, de David Cronenberg (A Dangerous Method, 2011);
  • A Minha Versão do Amor, de Richard J. Lewis (Barney’s Version, 2010);
  • O Miúdo da Bicicleta, de Jean-Pierre & Luc Dardenne (Le gamin au vélo, 2011);
  • Num Mundo Melhor, de Susanne Bier (Hævnen, 2010);
  • A Pele Onde Eu Vivo, de Pedro Almodóvar (La piel que habito, 2011);
  • Sangue do Meu Sangue, de João Canijo (2011);
  • Uma Separação, de Asghar Farhadi (Jodaeiye Nader az Simin, 2011);
  • Somewhere – Algures, de Sofia Coppola (Somewhere, 2010);
  • Super 8, de J.J. Abrams (2011);
  • A Toupeira, de Tomas Alfredson (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011);
  • Tulpan, de Sergei Dvortsevoy (2008).

 Publicação dos “10 Melhores Filmes de 2011” para breve.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Música: Melhores Álbuns de 2011 – A Lista


Encerra-se a primeira etapa deste blogue no que respeita à minha listomania que recidiva com uma virulência inusitada no final de cada ano. Desde o dia da Imaculada Conceição, os meus gostos musicais, substanciados nos vídeos que por aqui desfilaram, foram gerados com a mácula de não ter tempo, por um lado, e de me ir faltando a paciência necessária para as artes musicais do que se produz actualmente na vertente contemporaneamente apelidada de “Pop/Rock”. Daí que houvesse afirmado que a minha veia pubertária ainda se manifeste nas minhas assaz particulares escolhas/preferências – e sem dar grande margem à influência opinativa externa – nos álbuns de música editados em 2011.
Como mencionei em 2010, muitos (centenas) que me poderiam tocar ficaram por ouvir, a que não é alheia a (minha) nossa decadência física – vamos perdendo indelevelmente a audição e as cambiantes de um produto que se faz apenas ouvir perde terreno frente à ebulição do que é visual, qual imberbe perante a iridescência feérica da imagem. 
Resumindo e indo directamente ao assunto sem mais floreados, neste jogos florais que são um vício confessado deste que vos escreve, entre o muito pouco que pude escutar de um modo decente, houve 10 álbuns editados originalmente em 2011 que se destacaram dos demais, e outros (poucos, em 2011) que se revelaram uma decepção, por vezes dolorosa, já que admiráramos de uma forma visceral, a raiar o fundamentalismo melómano, os seus intérpretes como deuses, mas que, como cupidos de Brueghel, se deixaram cair nas garras do grotesco; traduzindo: quando “parar” lhes significará decerto “morte” e jamais soará como “empobrecimento” ou “fatal decadência”.
Sem mais, eis a lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2011 (ordem de preferência):

  1. – The Horrors, Skying (XL)
  2. – Iceage, New Brigade (What’s Your Rupture)
  3. – Bill Callahan, Apocalypse (Drag City)
  4. – St. Vincent, Strange Mercy (4AD)
  5. – Thurston Moore, Demolished Thoughts (Matador)
  6. – Radiohead, The King of Limbs (XL)
  7. – Arctic Monkeys, Suck It and See (Domino)
  8. – John Maus, We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (Upset the Rhythm)
  9. – The Strokes, Angles (RCA)
  10. – Bon Iver, Bon Iver (4AD)
De entre várias decepções (pouco ouvidas – e uma vez mais, devido ao grau de pachorra decrescente ante a causa auditiva), destaco apenas três (poderia incluir o 2.º álbum dos nova-iorquinos The Drums, Portamento, mas falta-lhes ainda tempo para a consolidação do estilo), apenas porque a ferida aberta cominada pelo horror estético ainda permanece aberta – nada que um bom antibiótico não ataque findo este período de profunda desilusão.

Decepções Musicais de 2011 (por ordem alfabética do nome do intérprete musical):
  • Panda Bear, Tomboy (Paw Tracks)
  • Peter Murphy, Ninth (Nettwerk)
  • Tv on the Radio, Nine Types of Light (Interscope)
Não refiro este ano uma banda sonora de um filme, pois não me recordo de alguma que, sendo original, uma compilação ou uma mistura de ambas, me tenha tocado a veia sensível.
Porém, não poderia deixar de dedicar um último parágrafo listómano para referir um álbum cuja tranquilidade de eminência country de uma banda do Oregon, EUA me induziu, e em particular, o seu “January Hymn”. Assim, em jeito de “Menção Honrosa”, que poderia ter entrado no “Top 10”, não fosse o meu vergonhoso conhecimento superficial do folclore musicado norte-americano e o declarado desconhecimento do trabalho anterior da banda (ignorância exposta):
  • The Decemberists, The King is Dead (Rough Trade)
PS – Para 30 ou 31 de Dezembro as listas dos “Melhores Livros de 2011 (editados em Portugal), nas categorias ficção e não-ficção. Entre 23 e 26 de Dezembro serão publicadas as listas dos “10+”, “10-” e menções honrosas no texto dedicado aos “Melhores Filmes de 2011 (estreados em salas de cinema portuguesas).


PPS – Fica aqui mais um vídeo de uma das faixas do álbum vencedor deste ano. A prodigiosa e revivalista “I Can See through You”:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As Listas de 2011


Apesar do induzido estado de adormecimento blogueiro durante o ano de 2011, motivado, por um lado, pelo esmorecer do encanto de dizer ao mundo aquilo que perpassa por esta mente em tumulto perene e, com maior acuidade, pelos trabalhos acrescidos pouco rentáveis a que fui sujeito, não poderia terminar o 6.º ano de actividade deste blogue (próximo dia 17) sem revelar as minhas listas de preferências sobre as três áreas artísticas mais presentes na torrente desordenada de textos que o constitui e que já se aproxima do milhar e meio.
Assim, sem grande novidade ao que aqui ocorreu no anterior (excepto na sua ordenação), passarei a postar diariamente as minhas predilecções musicais (como se irá ver, ainda com alguma irreverência pubertária nas veias), por ordem aleatória, apenas revelando a listagem final organizada por ordem de preferência, o meu “Top 10” de álbuns originalmente editados à escala mundial durante 2011, no final do mês (dia ainda indefinido) – os dez vídeos estão a partir de hoje programados para surgir neste blogue à mesma hora numa base diária.
Na secção “Cinema” (filmes exibidos pela primeira vez em sala de cinema em Portugal), e dadas a estreias que ainda irão ocorrer até ao final do ano (onde se excluem os que estrearão a 29 de Dezembro – serão incluídos na lista de 2012, se por cá andar – e incluem os estreados a 30 de Dezembro do ano passado, tal como foi prometido), o “Top 10” será revelado em vésperas natalícias – embora creia que as estreias que se avizinham em pouco ou nada contribuirão para alterar a opinião já formada.
Nos “Livros” editados em Portugal durante 2011, e como sempre tem ocorrido, as novidades não serão grandes, porquanto ao longo do ano aqueles que vou lendo vão sendo ordenados por prazer literário na coluna do lado direito deste blogue – apenas se espera a introdução de mais um ou dois exemplares cujo processo de leitura se encontra em curso e em velocidade de cruzeiro. Publicação final do “Top 10” prevista para 30 ou 31 de Dezembro.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Literatura: Os Melhores Livros de 2010

Das listas de final do ano em que manifesto as minhas preferências sobre os produtos artísticos em três das suas áreas, esta, a dos melhores livros, é a que menos surpresas contém. O leitor e meio que está atento ao meu blogue desde a sua fundação a 17 de Dezembro de 2005 (chamava-se, então, Porque), sabe que na sua coluna do lado direito figurou sempre uma listagem de actualização permanente de livros editados em Portugal no ano correspondente, por mim lidos e classificados de acordo com cinco categorias (mais uma, a título excepcional, a “obra-prima”) de apreciação literária, desde o “Muito Bom” (5 estrelas) ao “Mau” (1 estrela). A única novidade a apresentar está na segunda hierarquização que estabeleço no final do ano entre os livros que mais gostei, normalmente aqueles que foram por mim classificados com 5 ou 6 estrelas, que se materializa na publicação de duas listas ordinais: (1) a dos 10 melhores livros de ficção e (2) a dos 5 melhores livros de não-ficção (ensaio, crónicas, memórias, biografia, científicos, etc.).
Ao contrário de qualquer lista publicada nos órgãos de informação convencionais por um, de forma isolada, ou mais críticos, por qualquer espécie de votação, o único critério que preside à escolha dos livros editados durante o ano em que os irei ler e posteriormente atribuir-lhes uma classificação (com publicação imediata no blogue) é apenas o meu gosto pessoal por determinados autores, por determinada escola literária ou por certo tipo de narrativas, embora a escolha possa haver resultado da indicação de alguém, seja um crítico literário ou um mero leitor, que me recomendou a sua leitura e, como é óbvio, desde que eu lhe confira algum tipo de autoridade na matéria – há críticos e críticos, e há leitores mais conformes às minhas preferências estético-literárias, mesmo que não os suporte. Assim, este tipo de listagem sofre, à partida, de um vício de forma, e que leva a que a maioria dos livros classificados se situe nos graus mais altos de apreciação literária: uma escolha apriorística e condicional, sem a isenção que outros terão de apor no processo de selecção da obra a analisar, condição necessária a um crítico – no plano teórico, claro; não sou tão inocente.
Foram 41 os livros editados em Portugal no ano de 2010 que passaram sob o meu crivo de bibliómano: 3 foram classificados como “obra-prima” (6 estrelas); 14 com “Muito Bom” (5 estrelas); 12 com “Bom” (4 estrelas); 8 com “A Ler” (3 estrelas); 2 com “Medíocre” (2 estrelas), e mais 2 classificados como “Mau” (1 estrela).
As listas

Os 10 Melhores Livros de 2010 – Ficção
1.º – Saul Bellow, As Aventuras de Augie March (ed. port. Quetzal; The Adventures of Augie March, 1953)
2.º – Don DeLillo, Submundo (ed. port. Sextante; Underworld, 1997)
3.º – Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética (Caminho)
4.º – Thomas Pynchon, Vício Intrínseco (ed. port. Bertrand; Inherent Vice, 2009)
5.º – valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis (Alfaguara)
6.º – Lydia Davis, Break It Down – Demolição (ed. port. Ulisseia; Break It Down, 1986)
7.º – William Gaddis, Agapé, Agonia (ed. port. Ahab; Agapé Agape, 2002)
8.º – Ian McEwan, Solar (ed. port. Gradiva; 2010)
9.º – John Cheever, Crónica de Wapshot (ed. port. Relógio D’Água; The Wapshot Chronicle, 1957)
10.º – Norman Manea, O Regresso do Hooligan (ed. port. Asa; Întoarcerea huliganului, 2003)

Menções Honrosas (livros que poderiam ocupar, por troca ou em simultâneo, os quatro últimos lugares do Top 10, ordenados pelo nome próprio do autor)
  • Charles Bukowski, Ham on Rye – Pão com Fiambre (ed. port. Ulisseia; Ham on Rye, 1982)
  • John Updike, As Lágrimas do Meu Pai (ed. port. Civilização; My Father’s Tears and Other Stories, 2009)
  • Martin Amis, A Viúva Grávida (ed. port. Quetzal; The Pregnant Widow, 2010)
  • Sherwood Anderson; Winesburg, Ohio (ed. port. Ahab; 1919)

Os 5 Melhores Livros de 2010 – Não-Ficção
1.º – George Steiner, George Steiner em The New Yorker (edição de Robert Boyers) (ed. port. Gradiva; George Steiner at The New Yorker, 2008)
2.º – George Orwell, Livros & Cigarros (ed. port. Antígona, antologia da editora portuguesa; ensaios publicados entre 1936 e 1952)
3.º – Peter Sloterdijk, Cólera e Tempo (ed. port. Relógio D’Água; Zorn und Zeit. Politisch-psychologischer Versuch, 2006)
4.º – John Newsinger, George Orwell – Uma Biografia Política (ed. port. Antígona; Orwell’s Politics, 1999)
5.º – Andrew Sullivan, A Alma Conservadora (ed. port. Quetzal; The Conservative Soul, 2006)

Memória (os meus melhores desde 2005)
2005 – Kazuo Ishiguro, Nunca Me Deixeis (ed. port. Gradiva; Never Let Me Go, 2005)
2006 – Vladimir Nabokov, Convite para uma decapitação (ed. port. Assírio & Alvim; Priglasheniye na kazn, 1936)
2007 – (2 obras em igualdade) Colm Tóibín, O Mestre (ed. port. Dom Quixote; The Master, 2004) & Jonathan Littell, As Benevolentes (ed. port. Dom Quixote; Les Bienveillantes, 2006)
2008 – Robert Musil, O homem sem qualidades, volumes I e II (ed. port. Dom Quixote; Der Mann ohne Eigenschaften, 1930-1942)
2009 – John Updike, Coelho em Paz (ed. port. Civilização; Rabbit at Rest, 1990)

Por fim, uma verdadeira pérola, num mar literário pejado delas (um belo retrato – a Humanidade e a versão do real):

«Não é correcto pensar que todas as outras pessoas têm mais força de carácter que nós. Ora, é óbvio que isso não é verdade, é apenas a nossa imaginação a exagerar a visão que as pessoas têm de nós, interpretando erradamente que gostam de nós pelo que não somos, ou que não gostam de nós pelo que não somos, tanto por equívoco como por preguiça. A saída deve ser não nos importarmos, mas, para isso, temos de saber com o que nos devemos realmente importar e entender o que agrada ou não agrada em nós. Mas pensamos que cada nova pessoa que chega está preocupada com isso e atenta a isso? Não. E importamo-nos que cada uma delas se importe por sua vez? Nem pensar. Porque, de qualquer modo, não há uma única pessoa no mundo que consiga mostrar o que é sem se sentir um pouco exposta e envergonhada e, estando preocupada com isso, não pode importar-se, mas tem de tentar parecer melhor e mais forte do que as outras pessoas todas – que loucura! Entretanto, não sente nenhuma força de verdade em si, engana e é enganada, depende da burla, mas acredita anormalmente na força dos fortes. Durante este tempo todo, ninguém deixa que nada de genuíno apareça, nem sabe o que é real e o que não é. E estes são os desfigurados, degenerados e sombrios seres humanos – a simples Humanidade.» [E continua no parágrafo seguinte.]
Saul Bellow, As Aventuras de Augie March, p. 534 [Lisboa: Quetzal, Setembro de 2010, 709 pp; tradução de Salvato Telles de Menezes; obra original: The Adventures of Augie March, 1953.]

domingo, 26 de dezembro de 2010

Música: Melhores Álbuns de 2010 – recapitulação

Desde o passado dia 21, como foi visível para aqueles que me visitaram, foram sendo revelados, por ordem crescente de preferência, os álbuns de música editados em 2010 que mais me disseram durante um ano de audições. Muitos outros ficaram por ouvir, especialmente entre aqueles nomes que me são mais próximos, ou que já o foram, e muito, ao longo destas quase quatro décadas de existência. Todavia, acompanhando o fenómeno quase natural de irmos perdendo o fulgor da excitação que apúnhamos à arte musical e às suas novidades no idos anos dourados que coloriram a adolescência e os primeiros passos da idade adulta, há anos que os afazeres profissionais e os deveres domésticos se perfilam cada vez mais como o grande obstáculo para o consumo dos produtos musicais que vão surgindo em catadupa; eliminando mesmo do nosso vislumbre alguns, cujos intérpretes iniciaram por estes anos as suas carreiras na selva mundial da indústria discográfica.
Em suma, entre o muito pouco que pude ouvir, houve 10 álbuns editados originalmente em 2010 que se destacaram dos demais, e outros (ainda não mencionados) que se revelaram uma decepção, por vezes descoroçoante.
Eis, então, uma recapitulação da lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2010:
1.º – Avi Buffalo, Avi Buffalo (Sub Pop)
2.º – The National, High Violet (4AD)
3.º – Deerhunter, Halcyon Dreams (4AD)
4.º – Laurie Anderson, Homeland (Nonesuch)
5.º – LCD Soundsystem, This Is Happening (EMI)
6.º – The Fall, Our Future Your Clutter (Domino)
7.º – Vampire Weekend, Contra (XL)
8.º – The Walkmen, Lisbon (Bella Union)
9.º – Grinderman, Grinderman 2 (Mute)
10.º – The Drums, The Drums (Island)
Este, apesar das restrições acima relatadas, também foi o ano das decepções. Umas manifestaram-se com maior acuidade que outras, mas todas elas foram graves para a minha memória estético-musical dos seus intérpretes. Com destaque para o horripilante regresso dos Stone Temple Pilots e a rápida deterioração dos Arcade Fire, imagine-se, já ao seu 3.º álbum de originais…
Ei-las, as Decepções Musicais de 2010 (por ordem alfabética da banda musical – não há cantores a solo):
  • Arcade Fire, The Suburbs (Mercury)
  • Belle & Sebastian, Write About Love (Rough Trade)
  • Blonde Redhead, Penny Sparkle (4AD)
  • Interpol, Interpol (Soft Limit)
  • Kings of Leon, Come Around Sundown (RCA)
  • Stone Temple Pilots, Stone Temple Pilots (Atlantic)
Para terminar, não poderia deixar de mencionar a excelente banda sonora do meu 3.º filme de 2010: Shutter Island (Rhino). Apesar de não ser original, foi criteriosamente seleccionada pelo portentoso autor canadiano, judeu-índio de ascendência, Robbie Robertson, que inclui nomes como Mahler, Penderecki, Ligeti, John Adams, John Cage, ou Brian Eno, aventurando-se, inclusivamente, numa fusão etérea entre a maravilhosa e acolhedora voz de Dinah Washington com a sua canção de 1960 (três anos antes da sua morte por overdose de barbitúricos), composta por Clyde Otis, “This Bitter Earth”, com o excepcional trecho musical “On the Nature of Daylight” do compositor anglo-germânico Max Richter. Banda sonora que, na minha opinião, contribuiu e muito para a eternização do filme de Martin Scorsese (o futuro o dirá).
Para o ano há mais. E num texto a seguir perfilam-se (sem surpresas – cf. coluna do lado direito) os melhores livros editados em Portugal no ano de 2010.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Filmes 2010: jogos preliminares

Como já expliquei, em texto anterior, a falta de tempo não me irá permitir que este ano exponha a teoria subjacente às minhas escolhas nas três áreas artísticas habitualmente sujeitas a balanço de final do ano neste blogue.
Assim, tenho de aproveitar as horas de bulício de listas de compras, de efervescência natalícia e de encandeamento das luzes ornamentais aqui em casa, para poder desistir das matérias mais elevadas (ou mais sérias, porque delas depende a minha subsistência), uma oportunista fuga mental, e conseguir escrever alguma coisa de aproveitável (e sem sentimentos de culpa pelo trade-off) sobre o ano cinematográfico, musical e literário.
Não acreditando que de hoje até ao final do ano me consiga deslocar a uma sala de cinema para assistir a um filme recentemente estreado, e usando a famosa e utilíssima técnica de edição de texto “cortar e colar”, aplicada à listagem completa dos filmes estreados em salas de cinema portuguesas durante o ano de 2010 (cerca de 270, em que incluí, por razões óbvias, os estreados a 31 de Dezembro de 2009, da mesma forma que não inclui os que irão estrear-se a 30 de Dezembro deste ano), cheguei a uma lista preliminar de 68 filmes vistos, entre os quais 30 merecem o meu elogio (13 de produção norte-americana) – apesar dos diferentes níveis de prazer cinéfilo que deles retirei: há os que admirei em toda a sua plenitude e aqueles que tocaram em alguns dos meus pontos sensíveis –, 20 foram classificados como indiferentes e 18 como medíocres (entre estes, também se contam 13 os produzidos nos Estados Unidos).
Sem mais delongas, eis os 30 melhores filmes de 2010 (por ordem alfabética do título em português), entre os quais sairá, em breve, a lista definitiva dos “10+” de 2010:
24 City, de Zhang Ke Jia (Er shi si cheng ji, 2008);
Águas Agitadas, de Erik Poppe (DeUsynlige, 2008);
Aquário, de Andrea Arnold (Fish Tank, 2009);
City Island – Segredos à Medida, de Raymond De Felitta (City Island, 2009);
Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (Copie Conforme, 2010);
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois (Des hommes et des dieux, 2010);
Entre Irmãos, de Jim Sheridan (Brothers, 2009);
O Escritor Fantasma, de Roman Polanski (The Ghost Writer, 2010);
Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino (Io sono l’amore, 2009);
Um Homem Singular, de Tom Ford (A Single Man, 2009);
O Laço Branco, de Michael Haneke (Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, 2009);
Líbano, de Samuel Maoz (Lebanon, 2009);
Um Lugar para Viver, de Sam Mendes (Away We Go, 2009);
O Mensageiro, de Oren Moverman (The Messenger, 2009);
Meu Filho, Olha o que Fizeste!, de Werner Herzog (My Son, My Son, What Have Ye Done, 2009);
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (The Kids Are All Right, 2010);
Mother – Uma Força Única, de Bong Joon-ho (Madeo, 2009);
Na Senda dos Condenados, de Kari Skogland (Fifty Dead Men Walking, 2008);
Nada Pessoal, de Urszula Antoniak (Nothing Personal, 2009);
Polícia Sem Lei, de Werner Herzog (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
Presente de Morte, de Richard Kelly (The Box, 2009);
Um Profeta, de Jacques Audiard (Un prophète, 2009);
A Rede Social, de David Fincher (The Social Network, 2010);
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (El secreto de sus ojos, 2009);
Shirin, de Abbas Kiarostami (2008);
Shutter Island, de Martin Scorsese (2010);
Soul Kitchen, de Fatih Akin (2009);
Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen (Whatever Works, 2009);
A Última Estação, de Michael Hoffman (The Last Station, 2009);
Vencer, de Marco Bellocchio (Vincere, 2009).
Nota: no dia 23 de Dezembro irão estrear dois filmes. Por outro lado, há muitos ainda em cartaz sobre os quais os meus olhos não passaram. Como expliquei, estou convencido de que não terei oportunidade de ver nenhum deles. Todavia, se tal se verificar, qualquer ida à sala de cinema engordará a cifra dos 68 filmes vistos, e será posteriormente classificado segundo as três categorias acima referidas, que poderá interferir com esta listagem final – situação de ocorrência difícil perante o cartaz actual e apesar de O Mágico (L’illusionniste, 2010) se basear no argumento daquela figura esguia, terna e inesquecível que é o meu muito estimado Jacques Tati.

Filmes 2010 – preliminares

[Amanhã (hoje). A iminente vitória do sono sobre o meu estado de vigília não me irá permitir uma formatação digna e atempada.]

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

As Listas de 2010

Quando houver tempo e disponibilidade mental para escrever neste blogue, postarei aqui as habituais três listas dos meus “10+” no que diz respeito a filmes (projectados nas salas de cinemas portuguesas durante o ano), livros (editados em Portugal este ano) e álbuns originais de música editados no mundo em 2010.
Nada será como nos anos anteriores, onde reservava os três últimos dias do ano, para em cada um deles publicar uma lista diferente. Nem tão-pouco, de acordo com a tradição, irei revelando diariamente, por ordem aleatória, os meus dez álbuns musicais preferidos auxiliados pelos videoclipes disponíveis no YouTube, com um texto justificativo das minhas predilecção e escolha.
Este ano não há tempo. E depois, convenhamos, para quê? Ninguém lê esta porra…
Notas:
(1) O logótipo da 68.ª edição (a deste ano) dos prémios cinematográficos Globos de Ouro, atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA), nada tem que ver com o texto supra. Todavia, considerei ser de bom-tom introduzir uma imagem tão apelativa e tão bem gizada pelos seus criativos designers (embora tenha a certeza de que disporia de um maior impacto se guardada para edição do próximo ano), na medida em que reflecte o meu estado de espírito para com o mundo.
(2) Tem sido como limpar o rabo a meninosA Rede Social (The Social Network, 2010) prepara-se para o pleno dos prémios da Crítica. Não disponho de tantas certezas, contudo, com o que se irá passar nos mais folclóricos, uma vez que Danny cheesy Boyle aparece a concurso, ladeado pelo seu compatriota Christophemazy Nolan.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As listas de 2009

Já se tornou num hábito inultrapassável, quanto mais não seja pela preguiça de actualizar o blogue com textos que poderiam exigir um maior esforço de abstracção – e aqui apenas se seleccionam textos cuja qualidade (atente-se na polissemia do vocábulo) esteja assegurada –, irão ser publicadas as listas das minhas preferências musicais, cinéfilas e literárias que se estrearam neste pequeno rectângulo, com ilhas adjacentes, durante o ano de 2009.
Se nos livros não haverá grandes surpresas, já que a listagem dos livros editados em Portugal foi sendo actualizada desde o dia 1 de Janeiro deste ano, com a respectiva nota qualificativa, e figurou sempre na coluna do lado direito deste blogue; no cinema e na música, e dada a escassez de textos de suporte publicados, a novidade será quase total.
A terminar mais um ano civil de actividade na blogosfera, considerei que deveria salientar que, pela primeira vez, nenhum dos livros apreciados foi acompanhado de um texto, à laia de recensão – já fui acusado de me querer pôr em bicos de pés, logo faço-lhes a vontade –, que justificasse o espanto, a aversão ou a indiferença pela prosa neles vertida. Facto este que também se ficou a dever aos 211 dias de pausa para reflexão, apenas quebrada por algumas derivas culturais postadas no meu mural do Facebook, durante a minha pequena incursão por essa rede social insatisfatória e predadora de tempo – que, a talho de foice, será objecto de um filme a estrear no próximo ano, realizado pelo meu reverenciado David Fincher.


A datas para a publicação das listas:
  • Música – dia 29 de Dezembro (terça-feira) – lista dos 10 melhores álbuns musicais inéditos produzidos em 2009, com referência a algumas decepções. (Nota: a partir de amanhã, tal como fiz no final de 2008, irá ser apresentada até ao dia 28, uma sequência de dez textos diários com cada um dos referidos dez álbuns, por ordem aleatória de preferência.)
  • Cinema – dia 30 de Dezembro (quarta-feira) – lista dos 10 melhores filmes estreados em salas de cinema portuguesas durante o corrente ano, independentemente do seu ano de produção. Incluirá, também, uma lista das 10 aberrações cinematográficas do ano.
  • Literatura – dia 31 de Dezembro (quinta-feira) – listas dos 10 melhores livros de ficção e dos 5 melhores de não-ficção publicados em Portugal durante o ano. Trata-se apenas de atribuir uma ordem de preferência (hierarquia do gosto pessoal) aos livros que figuram na coluna lado direito deste blogue.
Nota: apesar da onda avassaladora de balanços da década em revistas, jornais, blogues e até na televisão, não será aqui divulgada nenhuma lista sobre a curiosa década de 9 anos. Por embirração matemática, a 1.ª década do 3.º Milénio, logo do século XXI, iniciou-se a 1 de Janeiro de 2001 e só termina a 31 de Dezembro de 2010. Por curiosidade, aqui fica a pergunta: em que década do século XX se deu a implantação da república em Portugal, na 1.ª ou na 2.ª?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

As listas de 2008 (parte II)

O listómano revela a agenda de ostentação das suas listas – jardelizou-se e fala dele na 3.ª pessoa do singular.
Como foi referido aqui, até ao último dia do ano serão reveladas as listas dos melhores objectos artísticos em três áreas distintas.
O exibicionista já encontrou as datas para a grande divulgação:

  • 29 de Dezembro – Cinema – Os Melhores Filmes de 2008 (estreados em salas de cinema portuguesas durante o corrente ano, independentemente do seu ano de produção)*;
  • 30 de Dezembro – Literatura – Os Melhores Livros de 2008 (editados, reeditados ou reimpressos durante o ano, em tradução portuguesa no mercado editorial nacional);
  • 31 de Dezembro – Música – Os Melhores Álbuns Musicais de 2008 (editados internacionalmente durante o ano de 2008)**.

Notas:
*Neste momento, foi finalmente ultrapassada a fase da “última triagem”. A lista dos “10+”, organizada por ordem de preferência, está concluída e pronta para publicação. A título de curiosidade, nela constam 5 filmes americanos, 3 franceses, 1 italiano e 1 britânico.
**Na coluna do lado direito, vão surgindo os 10 melhores álbuns de 2008, assim como a hiperligação ao vídeo de cada um dos escolhidos (entre 22 e 30 de Dezembro), por ordem aleatória de escolha. Apenas no dia 31 surgirão, em texto, ordenados por preferência do autor deste blogue apasquinado (cuidado com as confusões linguísticas!)

sábado, 20 de dezembro de 2008

A última triagem: Cinema

Basta fazer uma pequena prospecção pelos blogues nacionais, para verificar que alguns já se anteciparam às habituais listas de final do ano.
Por aqui, como tem sido hábito, divulgarei aqueles que, na minha mui íntima opinião pessoal, de acordo com os meus princípios artísticos e técnicos, atendendo sobretudo aos meus valores estéticos, nunca negligenciando as questões éticas ligadas ao fenómeno artístico, se distinguiram nas três áreas que preenchem, quase por completo, a minha sede insaciável por arte: Literatura, Cinema e Música.
No que diz respeito à literatura, as novidades – ou as eventuais surpresas – para quem me lê são escassas, uma vez que desde o início do ano (neste caso, o de 2008) figura na coluna do lado direito deste blogue um conjunto de livros lidos, editados e traduzidos em Portugal durante o corrente ano, organizados por nota de apreciação literária. A tarefa mais árdua consiste em dar-lhes uma ordem e escolher apenas dez entre os que se distribuem pelas categorias “obra-prima” e “muito bom” (6 e 5 estrelas, respectivamente).
No caso da música, o grau de insondabilidade é maior, dadas as curtas referências que a ela faço no decurso do ano, para além de existir uma jukebox sempre activa neste blogue, na medida em que, desde que me conheço, a volatilidade das preferências é extremamente alta: um disco idolatrado durante dez, quinze, vinte dias pode facilmente passar à categoria dos “odiados”, não só devido ao enjoo produzido pela repetição, como também por algum refinamento que a audição aturada produz.
Finalmente, na 7.ª arte, algumas das minhas preferências vão sendo aqui reveladas em textos escritos ao longo do ano – neste caso, filmes estreados em salas de cinema portuguesas em 2008. Apesar de dar um grande destaque aos meus ódios fílmicos depois de, penosamente, ter assistido à sua projecção no grande ecrã, também escrevi textos encomiásticos e de profunda admiração por determinada obra cinematográfica que acabara de assistir: surpresas, novidades e confirmações de talento.

Tendo iniciado a análise metódica de todos os filmes estreados em 2008 em Portugal – processo que foi explicado aqui, uma vez que não mantenho um ficheiro actualizado sobre os filmes que vou vendo e a sua nota de apreciação pessoal, como faço com os livros que vou lendo –, alcancei, por fim, a fase da última triagem, ou seja, consegui, através de algumas filtragens, chegar a uma listagem final… ou melhor duas (atendendo ao critério “produzido/não produzido nos Estados Unidos”).

Por enquanto, de acordo com o trabalho realizado, posso divulgar os seguintes dados:

  • Total de filmes vistos: 69;
  • Filmes anódinos ou indiferentes (sem separação do país de origem de produção): 19;
  • Filmes de produção americana: 34 (Bons ou Muito Bons: 15; Medíocres: 19)
  • Filmes de produção não americana: 16 (Bons ou Muito Bons: 12; Medíocres: 4)

Fase em que me encontro neste momento (a tal que precede a última triagem):

  • Total de filmes passíveis de integrar a lista dos “10 Melhores Filmes de 2008”: 17;
  • Americanos: 9/15;
  • Não Americanos: 8/12 (4 franceses, 2 italianos, 1 britânico, 1 turco/alemão/italiano).

A lista definitiva dos “10+” será apresentada num dos dias do intervalo fechado de 28 a 31 de Dezembro. Até lá, que venha o diabo e escolha… Aceitam-se apostas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

As listas de 2008

Há dias, contando o tempo que me resta entre relatórios, trabalhos e compras de última hora, cheguei à conclusão que, no habitual exercício de ostentação dos meus filmes preferidos estreados nas salas de cinema portuguesas durante o ano, a lista de 2008 estava praticamente encerrada. Não há tempo, não há vícios...
Depois, com as úteis ferramentas disponíveis à mão de semear, o exercício é simples: Cinema PTGate/Arquivo/Estreias em Portugal/2008; seleccionar a lista de filmes estreados desde Janeiro até hoje e copiá-los para uma folha de cálculo; na célula à frente da que contém o nome de cada filme apor uma nota de classificação; se preferir, acrescente outros critérios – eu acrescentei um segundo critério: “de produção americana/outros”.
Se os ditos “de produção americana” não constituem qualquer tipo de problema no seu acesso, já os filmes produzidos fora da máquina colossal de Hollywood, e de alguns independentes que gravitam em seu torno, são um verdadeiro desespero para o cinéfilo exibicionista, aquele que gosta de ostentar as suas preferências.
O caso paradigmático é o circuito comercial dos filmes de produção europeia: não chegam, pura e simplesmente, às salas de cinema da segunda cidade do país; onde, atendendo à lei das probabilidades, é bem possível que aí subsista e procrie a segunda maior comunidade portuguesa de cinéfilos
.
Chego ao fim da tal lista, ordenada cronologicamente pela data de estreia, e fica de fora uma mão-cheia de filmes que, inevitavelmente, incluí na minha lista de desejos. Por outras palavras, aqueles filmes que, de início e de forma ardente, pretendia assistir à sua projecção em sala de cinema – e isto, claro, desde que não inclua uma aberração de usufruto de serviços prestados por empresas como a Brisa, a TAP, a CP, os Cruzeiros Costa, qualquer meio da frota pesqueira das Caxinas, o Clube de Parapente de Linhares da Beira ou a Panamá Jack (esfoladas com paragem de meditação em Fátima).
A Medeia Filmes não traz os filmes menos comerciais ao Porto, ou quando o faz, já a Fnac ou a Blockbuster fizeram com eles uns milhares de euros com a compra e aluguer, em DVD ou Blu-Ray, ou por hipótese caíram nas firmes e sossegadas teias do olvido. Mas mesmo que os traga, são exibidos num conjunto de quatro salas de cinema incrivelmente anacrónicas, com um sistema de som que se aproxima grotescamente dos saudosos e surdos tempos de Buster Keaton, deixando o século XXI a milhas de distância; com o grande ecrã colocado em cima, no 2.º andar – muito bom para os bolsos já recheados dos ortopedistas portugueses na desempanagem dos belos, flexíveis e curvilíneos pescoços (e apetitosos para Vlad), e nada de menos recomendável para um visão sã e descansada, confirmado até por qualquer oftalmologista de pacotilha; cadeiras rangentes, duras, e verdadeiros aparelhos de tortura por entalação – repito, para que não julguem que me equivoquei no emprego do vocábulo anterior dada a proximidade fonética e de grafia com outro porventura mais desconfortável e até porque invoquei, a despropósito, o mestre dos mestres na nobre arte, o tal de Vlad, disse entalação.
Com que autoridade cinéfila poderei fechar uma lista deste género sem ter visto Hunger, ou Je Veux Voir, ou La Frontière de l’Aube, ou Le Silence de Lorna ou até Lou Reed’s Berlin, entre muitos outros?
O motivo desta excitação não é, como é óbvio, aquilo que um arrolamento de preferências representa, mas a sobranceria cultural com que se trata os rurais da burguesa Invicta.
Cidade onde a Cinemateca Portuguesa vai funcionar em três pólos… à laia de uma “volta ao Porto em filme de culto, antigo ou raro”. Até os que sofrem pela arte dificilmente conseguem engolir uma situação destas, arranjada (é o termo, com toda a sua carga pejorativa) pelo Sr. Ministro engalanado de dialogante, extraído da fina cepa causídica lisboeta.
Com este centralismo voraz, ainda iremos chegar à altura em que, perante as escolhas possíveis de filmes exibidos durante o ano, a minha lista incluirá dez filmes que terão de ser ordenados não por grau íntimo de brilhantismo e de admiração decrescente, mas por grau de atenuação de enjoo e de horror (por mera hipótese académica, eis um exemplo ilustrativo baseado na listagem de filmes estreados este ano em solo luso; em letra pequena, para não ferir susceptibilidades):

  1. P.S., I Love You*, de Richard LaGravenese (ou o meu profundo amor a Sócrates e a tudo o que ele representa)
  2. Alien vs Predador 2, da brilhante dupla fraterna Colin e Greg Strause (Aliens vs Predator – Requiem)
  3. Uns Espartanos do Pior, da mais brilhante dupla não fraterna Jason Friedberg e Aaron Seltzer, (Meet the Spartans)
  4. Capítulo 27 - O Assassinato de John Lennon**, de J.P. Schaefer (Chapter 27)
  5. 10.000 AC, de Roland Emmerich (10,000 BC)
  6. Angel – Encanto e Sedução**, de François Ozon (Angel)
  7. High School Musical 3: Último Ano, de Kenny Ortega (High School Musical 3: Senior Year)
  8. Não Me Toques nas Bolas, de Robert Ben Garant (Balls of Fury)
  9. Saw 5 – A Sucessão, de David Hackl (Saw V)+
  10. Ensaio sobre a Cegueira**, de Fernando Meirelles (Blindness)+

Notas: *Abandonado ao minuto 15 de exibição.
**Heroicamente vistos na íntegra e profundamente detestados.
Quanto aos restantes (sem asterisco solitário ou duplo) não foram sequer vistos. Trata-se, por um lado, de uma questão paranóica de higiene e, por outro, do mais genuíno dos preconceitos fílmicos.
+Por mero acaso, aparecem juntos, mas são semanticamente desconexos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A escolha dos livreiros

Por vezes no afã de criticar duramente as coisas que diante dos nossos olhos vão mal no nosso país, numa espécie de umbiguismo quase autista, esquecemo-nos de reparar naquilo que, potencialmente, será criticável noutros países, até nos geograficamente próximos, mesmo com níveis de desenvolvimento e de literacia superiores aos nossos.
Enquanto consultava a página da Internet da revista francesa Le Magazine Littéraire, saltou-me à vista, seguindo os meus instintos de listómano – e para além do apelativo dossier mensal, que desta feita versa sobre o marxismo e o inusitado ressurgimento comercial dos livros do barbudo alemão no mercado literário francês, provavelmente correlacionável com o ambiente económico-financeiro onde predomina um sentimento cataclísmico –, mas dizia, instigou-me uma lista de livros que será elaborada mensalmente, em colaboração com os responsáveis do sítio Le choix des libraires – os ideólogos da referida lista –, sobre as preferências dos livreiros no mercado editorial francês.
Na lista dos 20+ deste mês, um pouco chauvinista… ou melhor francesa – arrisco, porventura, são adjectivos intermutáveis –, para além de figurarem os nomes do inglês de Birmingham David Lodge, da irlandesa Nuala O’Faolain, da australiana Julia Leigh e do afegão Atiq Rahimi, com os seus mais recentes romances – ainda inéditos em Portugal –, todos os outros são franceses ou francófonos, não se incluindo, como é óbvio, o primeiro da lista – top of the list, king of the hill, a number one... perdoem-me a sinatrada – um dos melhores escritores britânicos da actualidade, Ian McEwan.
É verdade, McEwan surge no topo das preferências dos 113 livreiros franceses consultados, com o seu novo romance Sur la plage de Chesil, editado pela insigne Gallimard em meados de Setembro.
Só para recordar, o romance Na Praia de Chesil (On Chesil Beach, 2007), editado em Portugal pela Gradiva, teve, honra lhe seja feita, estreia mundial simultânea no Reino Unido e em Portugal, algures pelo mês de Abril do ano passado. A edição francesa demorou quase um ano e meio – toma lá esta! [as minhas desculpas, este blogue vai de mal a pior.]
Esquecendo todos os outros factores como o da primazia na edição para os autores de língua francesa ou o da francofilia cega, em conformidade com uma razoável anglofobia, por esta amostra a edição literária em Portugal recomenda-se e respira saúde…
Bom, mas não nos entusiasmemos…
Ainda na dita lista de preferências, figura na 18.ª posição o mais recente romance do escritor francês, natural de Le Mans, François Vallejo (n. 1960), L’Incendie du Chiado, história, como o título indica, tem por base o fatal dia 25 de Agosto de 1988 em Lisboa. Ainda assim, a obra não tem edição marcada em Portugal.

Trata-se, uma vez mais, da consagração do velho adágio (em versão pós-moderna): Quem com ferros mata, não atira pedras ao vizinho.