«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
Uma Correcção
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Fazer as contas ao Cinema acima do paralelo 39ºN (act.)
- 11 foram produzidos nos Estados Unidos;
- 2, 12, 10 estrearam mundialmente em 2010, 2011 e 2012, respectivamente;
- 1 filme irá, com certeza, provocar uma derrogação adicional ao critério de inclusão da lista, dado o centralismo Medeiano neste pobre país; vi o filme no Renoir em Espanha – na versão original francesa e legendado em castelhano –, mas gostaria de vê-lo traduzido na língua de Camões para os portugueses cinéfilos que têm a infelicidade de residir longe das latitudes da Capital do Império; mas também para o mal amnésico centralóide que assola a queirosiana Província, há sempre um remédio na possibilidade internética… Ah, gente com fibra!
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Às distribuidoras de filmes
Bom proveito, que por aqui ainda vai existindo a Internet.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sai um Pinholino, mas com mais Lino, por favor
Talvez tenha passado despercebido, até pela incomensuravelmente alta propensão marginal para a asnidade do (tomara) pretérito Ministro das Obras Públicas, de seu nome Mário Lino.Lino foi um inspirador para os filólogos no enriquecimento da língua, graças às suas desembestadas profissões de fé que o próprio, de imediato, tentava colocar em prática no seu estilo picaresco, à verbosidade e à assincronia profunda entre pensamentos, palavras – que oprimiam os primeiros até ao grau mínimo –, e acções – felizmente, travadas a tempo, pelo próprio quando chamado à razão mínima, ou por interferência de outros contando-lhe uma anedota derrogatória. Com ele ganhou o português, não o cidadão, desiludam-se, mas a língua falada por centenas de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo ao introduzir-se o nome “linismo” e todos a morfologia conexa.
Aliás, a acção concertada entre o referido ministro e o seu companheiro de Governo com a pasta da Economia criou o famoso mutante, de proporções quase bíblicas – acredita-se mesmo que o esqueleto de Mary Shelley finalmente se pulverizou na tumba, tantas foram a contorções orbiculares de inveja pela pequenez espiritual do seu Frankenstein –, mais conhecido por Pinholino, cujos efeitos em forma de mito sobre a população são, por ora, desconhecidos: Irá ser um monstro bonacheirão, a quem se alude para uma boa piada social? Ou um terrível e assustador mostrengo que assombrará as mentes mais vulneráveis, especialmente as de crianças de tenra idade, a razão de ser das noites negras e tempestuosas a cada passo rasgadas por um clarão fantasmagórico, seguido de um trovão arrasador?
Não sabemos. O tempo encarregar-se-á de o demonstrar.
“Come a sopa toda senão eu chamo o Pinholino.” “Não entres tão depressa nessa noite escura (versão de omnipresença megalómana ou de ALA) que o Pinholino vai-te papar.” “Fumar pinholiniza.” “30 condutores detidos numa operação stop realizada sexta-feira passada na A-28, conduziam sob vestígios do efeito de pinholinol.” E por aí fora.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
As listas de 2008
Há dias, contando o tempo que me resta entre relatórios, trabalhos e compras de última hora, cheguei à conclusão que, no habitual exercício de ostentação dos meus filmes preferidos estreados nas salas de cinema portuguesas durante o ano, a lista de 2008 estava praticamente encerrada. Não há tempo, não há vícios...
Depois, com as úteis ferramentas disponíveis à mão de semear, o exercício é simples: Cinema PTGate/Arquivo/Estreias em Portugal/2008; seleccionar a lista de filmes estreados desde Janeiro até hoje e copiá-los para uma folha de cálculo; na célula à frente da que contém o nome de cada filme apor uma nota de classificação; se preferir, acrescente outros critérios – eu acrescentei um segundo critério: “de produção americana/outros”.
Se os ditos “de produção americana” não constituem qualquer tipo de problema no seu acesso, já os filmes produzidos fora da máquina colossal de Hollywood, e de alguns independentes que gravitam em seu torno, são um verdadeiro desespero para o cinéfilo exibicionista, aquele que gosta de ostentar as suas preferências.
O caso paradigmático é o circuito comercial dos filmes de produção europeia: não chegam, pura e simplesmente, às salas de cinema da segunda cidade do país; onde, atendendo à lei das probabilidades, é bem possível que aí subsista e procrie a segunda maior comunidade portuguesa de cinéfilos.
Chego ao fim da tal lista, ordenada cronologicamente pela data de estreia, e fica de fora uma mão-cheia de filmes que, inevitavelmente, incluí na minha lista de desejos. Por outras palavras, aqueles filmes que, de início e de forma ardente, pretendia assistir à sua projecção em sala de cinema – e isto, claro, desde que não inclua uma aberração de usufruto de serviços prestados por empresas como a Brisa, a TAP, a CP, os Cruzeiros Costa, qualquer meio da frota pesqueira das Caxinas, o Clube de Parapente de Linhares da Beira ou a Panamá Jack (esfoladas com paragem de meditação em Fátima).
A Medeia Filmes não traz os filmes menos comerciais ao Porto, ou quando o faz, já a Fnac ou a Blockbuster fizeram com eles uns milhares de euros com a compra e aluguer, em DVD ou Blu-Ray, ou por hipótese caíram nas firmes e sossegadas teias do olvido. Mas mesmo que os traga, são exibidos num conjunto de quatro salas de cinema incrivelmente anacrónicas, com um sistema de som que se aproxima grotescamente dos saudosos e surdos tempos de Buster Keaton, deixando o século XXI a milhas de distância; com o grande ecrã colocado em cima, no 2.º andar – muito bom para os bolsos já recheados dos ortopedistas portugueses na desempanagem dos belos, flexíveis e curvilíneos pescoços (e apetitosos para Vlad), e nada de menos recomendável para um visão sã e descansada, confirmado até por qualquer oftalmologista de pacotilha; cadeiras rangentes, duras, e verdadeiros aparelhos de tortura por entalação – repito, para que não julguem que me equivoquei no emprego do vocábulo anterior dada a proximidade fonética e de grafia com outro porventura mais desconfortável e até porque invoquei, a despropósito, o mestre dos mestres na nobre arte, o tal de Vlad, disse entalação.
Com que autoridade cinéfila poderei fechar uma lista deste género sem ter visto Hunger, ou Je Veux Voir, ou La Frontière de l’Aube, ou Le Silence de Lorna ou até Lou Reed’s Berlin, entre muitos outros?
O motivo desta excitação não é, como é óbvio, aquilo que um arrolamento de preferências representa, mas a sobranceria cultural com que se trata os rurais da burguesa Invicta.
Cidade onde a Cinemateca Portuguesa vai funcionar em três pólos… à laia de uma “volta ao Porto em filme de culto, antigo ou raro”. Até os que sofrem pela arte dificilmente conseguem engolir uma situação destas, arranjada (é o termo, com toda a sua carga pejorativa) pelo Sr. Ministro engalanado de dialogante, extraído da fina cepa causídica lisboeta.
Com este centralismo voraz, ainda iremos chegar à altura em que, perante as escolhas possíveis de filmes exibidos durante o ano, a minha lista incluirá dez filmes que terão de ser ordenados não por grau íntimo de brilhantismo e de admiração decrescente, mas por grau de atenuação de enjoo e de horror (por mera hipótese académica, eis um exemplo ilustrativo baseado na listagem de filmes estreados este ano em solo luso; em letra pequena, para não ferir susceptibilidades):
- P.S., I Love You*, de Richard LaGravenese (ou o meu profundo amor a Sócrates e a tudo o que ele representa)
- Alien vs Predador 2, da brilhante dupla fraterna Colin e Greg Strause (Aliens vs Predator – Requiem)
- Uns Espartanos do Pior, da mais brilhante dupla não fraterna Jason Friedberg e Aaron Seltzer, (Meet the Spartans)
- Capítulo 27 - O Assassinato de John Lennon**, de J.P. Schaefer (Chapter 27)
- 10.000 AC, de Roland Emmerich (10,000 BC)
- Angel – Encanto e Sedução**, de François Ozon (Angel)
- High School Musical 3: Último Ano, de Kenny Ortega (High School Musical 3: Senior Year)
- Não Me Toques nas Bolas, de Robert Ben Garant (Balls of Fury)
- Saw 5 – A Sucessão, de David Hackl (Saw V)+
- Ensaio sobre a Cegueira**, de Fernando Meirelles (Blindness)+
Notas: *Abandonado ao minuto 15 de exibição.
**Heroicamente vistos na íntegra e profundamente detestados.
Quanto aos restantes (sem asterisco solitário ou duplo) não foram sequer vistos. Trata-se, por um lado, de uma questão paranóica de higiene e, por outro, do mais genuíno dos preconceitos fílmicos.
+Por mero acaso, aparecem juntos, mas são semanticamente desconexos.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Um esclarecimento
A propósito do meu texto anterior, o Nuno Góis do blogue com título sugestivo Nem Paz, Nem Guerra, pôs em evidência duas questões bastante pertinentes referentes à minha intenção de boicotar a compra de livros de determinadas editoras que não se dignaram a estar presentes, de forma individual – para que se entenda, já que muitas se fizeram representar por distribuidoras, com um escassíssimo número de títulos postos à disposição do público –, na 78.ª edição da Feira do Livro do Porto (FLP).
A primeira questão, resulta da impossibilidade de boicotar – ou recusar-se a adquirir – livros de uma determinada editora, quando o que, na realidade, importa é o produto em si, a obra e o seu autor. Ora, as editoras não vendem produtos indiferenciados que podem ser adquiridos com os mesmos requisitos noutras editoras, há os direitos de autor e de publicação. No caso de uma obra de meu interesse ter sido publicada por uma destas editoras, vou ter de, à socapa do meu polícia interior, infringir o boicote auto-imposto – aliás, passada a efervescência é o que irá ocorrer com frequência, tornando-se regra, derrogando assim o boicote.
A segunda, tem que ver com as enormes diferenças de recursos financeiros que podem ser observadas entre as diversas editoras nomeadas na dita lista. Muitas são pequenas editoras, que vivem com dificuldades económicas e financeiras e que lutam pela sobrevivência dia a dia no cruel mercado editorial nacional – há os David e os Golias – com sede e zona principal de actividade fora da região coberta pela FLP. Logo, os custos associados à manutenção de um stand individual, adicionando-se os necessários encargos com os recursos humanos, tornariam esse objectivo quase impraticável. Nesse grupo e olhando para a lista de 20 editores e livreiros por mim enunciada, talvez – o emprego deste advérbio deriva do desconhecimento da verdadeira situação económico-financiera de cada uma, individualmente – deva incluir editoras como: Alêtheia, Antígona, Cavalo de Ferro, Colibri, Fenda, Guerra e Paz, Nova Vega, Sextante e Tinta-da-China. Todavia, há outras de dimensão aparentemente similar que estão presentes na FLP. São critérios...
Porém, o que é mais revoltante em toda esta história de ausências importantes da FLP, advém do desinteresse dos grandes grupos editoriais, alguns com inúmeras lojas abertas ao público na região, sem que fosse dado qualquer tipo de explicação, ou então no caso de o ter sido, a justificação tem por base uma fundamentação tão irritantemente ridícula que se subsume num puro insulto à inteligência dos seus destinatários (grupo em que me incluo) – seria preferível apelidarem-nos de forma directa, sem atavios e circunlóquios, de burros e ignorantes; assim, pelo menos, a honestidade em todo este processo de aparente segregação sairia vencedora.
- Porque é que a Bertrand (Direct Group – Bertelsmann) não está presente?
- Porque é que a Guimarães (de Paulo Teixeira Pinto), após a sua reestruturação radical que acicatou a curiosidade dos interessados por assuntos literários, não se dignou a comparecer no Porto, onde reside um dos seus ícones, Agustina Bessa-Luís, que, durante anos, foi a verdadeira salvadora da dita editora à beira do colapso empresarial?
- Porque é que a LeYa se fez representar por uma distribuidora, depois de tanto alarde mediático com as suas aquisições, eventos culturais e prémios literários milionários?
- E a Fnac? Que explicações terá para dar aos seus clientes das suas lojas na região?
É este menosprezo que não se entende e que tem de ser justificado, com razões coerentes e plausíveis, a toda uma comunidade, que só na sua área metropolitana (da Póvoa a Espinho, do Porto a Arouca), alberga quase 1,7 milhões de pessoas* (a de Lisboa, por exemplo, tem uma população de quase 2,8 milhões*)
*Fonte: INE, INE/Metrex GAMP, 2008
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Lista Negra [actualizado]
Por simples exercício de comparação, que através da preciosa ajuda de uma folha de cálculo e da conhecida técnica “copy & paste” não durou mais de 10 minutos, consegue-se facilmente chegar a uma lista de Editoras e Livreiros que resolveram demarcar-se do conjunto pela ausência da 78.ª edição da Feira do Livro do Porto (FLP), que ainda permenacerá de portas abertas até ao próximo dia 10 de Junho nos calabouços nas instalações do Pavilhão Rosa Mota (sito nos jardins do Palácio de Cristal), mas que, ao invés, não deixaram de marcar a sua presença no mesmo evento realizado no afamado local na Capital do Império – afamado, pelos serviços de primeira necessidade prestados durante o ano inteiro à população. Note-se, que em alguns casos, os faltantes por razões comerciais da FLP, dispõem de uma presença assinalável, com vários stands em Lisboa, como por exemplo a Bertrand Editora, mesmo excluindo os mini-pavilhões das outras chancelas do grupo DirectGroup – Bertelsmann também presentes no evento.
Assim, facilmente se chegou a uma lista de 20 editoras ou livreiros, que aqui serão expostos a título informativo, para fins de boicote na aquisição dos livros por si publicados (vai ser difícil, vide o texto anterior sobre um livro de uma delas) ou na deslocação a esses postos de venda; e, porque não?, para memória futura (já que a idade não perdoa, e um recurso informático deste calibre não é de desprezar). Ei-las, por ordem alfabética:
- Alêtheia [no stand da Civilização]
- Antígona [no stand da Sodilivros]
- Asa (LeYa) [no stand da Inovação à Leitura]
- Bertrand [s/ rep.]
- Bico de Pena (Bertrand) [s/ rep.]
- Caminho (LeYa) [no stand da Inovação à Leitura]
- Cavalo de Ferro [no stand da Oficina do Livro]
- Dom Quixote (LeYa) [no stand da Inovação à Leitura]
- Fenda [no stand do Clube Literário do Porto]
- Guerra e Paz [no stand da Sodilivros]
- Guimarães Editores [s/ rep.]
- Nova Vega [s/ rep.]
- Pergaminho (Bertrand) [s/ rep.]
- Planeta Editora [s/ rep.]
- Sextante [no stand da Inovação à Leitura]
- Teorema (LeYa) [no stand da Inovação à Leitura]
- Texto Editores (LeYa) [no stand da Inovação à Leitura]
- Tinta-da-China [no stand dos Pequenos Editores]
Alguns comentários:
- À lista supra-referida poder-se-ia acrescentar outro conjunto de editoras que aumentaria de forma considerável a cifra de 20 não-presenças na FLP. A exclusão dessas editoras deveu-se, única e exclusivamente, a um critério pessoal de selecção. Excluíram-se, por exemplo, as editoras de livros escolares ou de literatura infantil. Apenas me preocupei com as produtoras de Literatura (conto, novela, romance, ensaio, poesia, teatro, não-ficção em geral).
- De modo inverso, isto é, das que marcaram presença no Porto e não em Lisboa, há apenas a destacar a excelente casa portuense Edições Caixotim, que, a propósito, emitiu um comunicado transcrito na íntegra no Blogtailors, onde, para além de uma abordagem pertinaz sobre o estado de degradação actual da FLP, potenciado pelos nossos queridos responsáveis pela Câmara Municipal, dá o devido destaque ao ponto de que se ocupa este texto, muito embora a Caixotim se refira em exclusivo ao grupo LeYa, que ainda “participou” indirectamente com um escasso número de títulos através da desconhecida “Inovação à Leitura”, que segundo me disseram é uma distribuidora de livros de Braga:
«Entretanto, alargando o âmbito desta análise, ao declarar abertamente, através da comunicação social, o seu desinteresse na participação da Feira do Livro do Porto, justificando-o por uma premissa de ordem comercial, o Grupo LeYa manifestou, para com os leitores do Norte, em geral, e os portuenses, em particular, um total alheamento, senão desprezo, mitigado por uma solução de remedeio encontrada à última hora e que se traduz na presença de uma distribuidora que expõe e comercializa os livros das editoras desse Grupo.» [destaques meus]
- Não se entende a estratégia do grupo Bertrand, que se prepara para inaugurar mais uma mega-loja com vários pisos no coração da Boavista. Para nosso grande consolo, apenas relegaram para a provinciana FLP os-mais-chatos-que-testemunhas-de-jeová funcionários/angariadores arrebatados [eufemismo] do Círculo de Leitores. Por outro lado, os responsáveis da editora do grupo alemão nem sequer tentaram a tal "solução de remedeio" através da inclusão dos seus livros através de uma distribuidora.
- Não se entende a não-presença da Fnac, pela primeira vez desde que chegou à Invicta. Ter-se-ão amedrontado com o excelente stand do El Corte Inglés, com inúmeros títulos em castelhano? Fará parte de uma estratégia de retirada, e irão fechar as três lojas do Grande Porto (GaiaShopping, NorteShopping e Santa Catarina)?
- Quanto à estratégia da Guimarães renovada, cedo me apercebi de um certo elitismo disfarçado que pululava sobre projecto. Com um patrão multimilionário, jovem e reformado, acabado de sair da banca por um processo no mínimo heteróclito, preocupou-se em formar um conselho editorial sonoro para uma determinada estirpe de frequentadores de eventos sociais quase esotéricos, com direito a pose junto de vivendas de assinatura nas revistas cor-de-rosa – estas, veículos privilegiados de práticas exotéricas, ou plásticas [eufemismo] das suas actividades em prole do povo, essa coisa enorme. Espero, com sinceridade, estar redondamente enganado.
- Não podia terminar este texto sobre a configuração de uma lista negra de editoras, sem que se fizesse uma referência especial a três outras cujo respeito pelos consumidores, as práticas de negócio, a não discriminação de públicos, em suma, os modos de agir são diametralmente opostos aos dos indexados. Falo, designadamente, da minha tríade de eleição, com a Relógio D’Água à cabeça – Francisco Vale, por favor não ceda, a sua editora é, de longe, a melhor do país –, a Assírio & Alvim e a Cotovia.
[Actualização às 20:02]: tal como referi no ponto 2 dos comentários relativamente às editoras do grupo Leya, há outras editoras que havendo decidindo pela não-presença na FLP enviaram uma parte dos seus títulos através de representantes ou distribuidores (figurará a vermelho à frente de cada editora).
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Feira do Livro do Porto [actualizado]

[Uma vontade indómita de boicotar, enquanto leitor: os grupos LeYa e Bertrand – sendo este último associado da APEL –, os editores da UEP e até a editora recentemente adquirida pelo jovem reformado Paulo Teixeira Pinto, a casa da colossal Agustina (autora do Porto, nascida em Vila-Meã em 1922), a Guimarães Editores. Não têm qualquer tipo de representação na 78.ª edição da FLP.]
Notas:
- Ver aqui a lista possível dos editores e livreiros com expositores na Feira do Livro do Porto, que se inicia hoje, 21 de Maio, às 15:30 no Pavilhão Rosa Mota.
- António Lobo Antunes irá estar presente no próximo dia 24, pelas 19:30, no Café Literário para uma sessão de autógrafos, ao arrepio da atitude inqualificável dos responsáveis da editora que publica os seus livros. Oxalá José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares se conseguissem demarcar, de igual modo, das suas editoras, Bertrand e Caminho (LeYa), respectivamente.
sábado, 17 de maio de 2008
Não podem consentir
[Nota prévia: por razões de comodidade de leitura num blogue, procedeu-se a algumas alterações na forma de apresentação deste texto do eminente escritor, cronista e ensaísta português, licenciado em Belas-Artes. Todos os destaques são de minha autoria.]
No Grande Auditório do Soviete Supremo do Nacional-Centralismo, reuniu a respectiva assembleia-geral para análise, discussão e propostas relativas aos pontos únicos da agenda «Pode o Império Centralista continuar a consentir que o F. C. Porto ganhe campeonatos? Pode o Império consentir que uma equipa da província, sem representatividade nacional, mantenha a supremacia sobre as glórias do centralismo?»
A tais questões, pronunciaram-se os seguintes representantes dos Organismos Tutelares do Centralismo:
– da Confraria dos Centralistas Devoristas, que advertiu;
– da Confraria Centralista dos Gestores 7+ (acima dos 7 empregos), que berrou;
– da Confraria Centralista dos Gestores 7/5 (entre 7 e 5 empregos), que uivou;
– da Confraria Intelectual Centralista, que bolsou;
– da Confraria dos Assessores Centralistas, que gritou;
– da Confraria de Legisladores Centralistas, que decretou;
– da Confraria dos Grandes Incompetentes Centralistas, que dejectou;
– da Confraria dos Médios Incompetentes Centralistas, que arengou;
– da Confraria dos Provincianos Convertidos ao Centralismo, que grunhiu;
– da Confraria dos Centralistas subvencionados pelo Estado, que cuspiu;
– da Confraria dos Centralistas nomeados por proximidade do sistema, que ganiu;
– da Confraria dos Centralistas infiltrados nos Meios de Comunicação, que ladrou;
– da Corporação dos Centralistas Avençados, que exortou;
– da Corporação dos Centralistas Disfarçados, que invectivou;
– da Confraria Centralista da vista grossa à Insegurança no país, que programou;
– da Confraria dos Consultores Centralistas, que bradou;
– da Corporação Centralista de Comentadores de TV, que expeliu;
– da Corporação Centralista dos Acumuladores de Subsídios, que ejaculou;
– da Corporação Centralista promotora do abastardamento da Língua Portuguesa, que perdigotou;
– da Corporação Centralista do Cosmopolitismo Importado, que mesurou;
– da Corporação do Proteccionismo Centralista, que rezingou;
– da Corporação Centralista dos Exterminadores de Serviços Regionais, que peidorreou;
– da Corporação dos Yes-Men and Job for the Boys Centralization System, que arrotou;
– da Corporação dos reality-shows Centralistas, que discorreu;
– da Corporação dos Esbanjadores Centralistas, que vituperou;
– da Corporação Centralista dos Saudosos da Censura Prévia, que baliu;
– da Corporação Centralista dos Grupos de Trabalho, que praguejou;
e todos em uníssono votaram: «Não podemos consentir!» e «É ultrajante!».
Face à unanimidade, a Assembleia aprovou as seguintes conclusões:
1.º - Uma cidade a que o centralismo retirou quase tudo: emprego qualificado, sedes de empresas, serviços, investimento público, etc., não pode manter um clube que ganha campeonatos consecutivamente;
2.º -A única coisa que o centralismo ainda não conseguiu extorquir ao Porto são os campeonatos;
3.º - Como os clubes centralistas não ganham no campo, é preciso fazê-los ganhar em jogos fora do campo.
Para isso, serão adoptadas medidas imediatas:
a) lançar uma OPA sobre o F.C. Porto, transferindo-o para a capital;
b) aumentar o IVA do F. C. P., em 80% e os impostos em 90%, para o fazer ir à falência;
c) depois do dourado, lançar apitos prateados, verdes, laranjas, vermelhos e até PINK - cor favorita dos centralistas - para descredibilizar o F. C. P.;
d) formar um consórcio editorial para publicar exclusivamente livros de autores de nomeada - designadamente mortos ou moribundos - contra o F. C. P.;
e) classificando-o como local altamente perigoso para o centralismo, expropriar o Estádio do Dragão por razões de Estado;
f) fazer aumentar a taxa de desemprego da Área Metropolitana do Porto para níveis que obriguem à emigração dos adeptos do F. C. P. para trabalhar na Galiza;
g) legislar no sentido de impedir os menores de 90 anos de assistirem aos jogos do F. C. P.;
h) em caso de insucesso destas medidas, determinar que, no início dos campeonatos, os clubes do centralismo partam com 20 pontos de avanço.
Mal esta notícia chegou à cidade, na Vitória, na Sé, em Campanhã, em Lordelo, no Aleixo, no Cerco do Porto, no Monte Crasto, no Monte da Virgem, nas Cachinas, em Rio Tinto, na Feira, em Avintes, Custóias, Valongo e por aí fora, em toda a parte onde há dragões, milhares de bandeiras azuis se agitaram. E, enquanto os mais velhos cantavam a Maria da Fonte «Pela santa liberdade / Triunfar ou perecer», todos faziam o gesto do zé-povinho na direcção do antigo Sul (agora mudado pelos centralistas para West Coast) e os jovens portistas cantavam: «Esta vida de dragão / Só dá campeão! Tra-lará-lará - lará, lará-lará.»
In Jornal de Notícias, 1 de Maio de 2008.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Mais logo...
Estou (ou sinto-me) esgotado para migrações temporárias transfronteiriças superiores a 12.874 metros.
Will you put my hands away?
Will you be my man?
Serve it up, don't wait
Let's see about this ham.
Oh, what happened?
Oh, what happened?
Home spun desperation's knowing
Inside your cover's always blown.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Alívio
Foram meses em que se não era a Ota, era a Câmara, e se não era a Câmara, era Berardo e o Benfica, o Berardo e o Museu Berardo e depois o Mega… chega!
Todavia, enquanto essa libertação, puramente ilusória, não puder ser gozada em toda a sua plenitude, os telejornais e os canais de televisão ditos generalistas vão-nos matraqueando com inúmeros rescaldos. As máquinas partidárias tiram as suas ilações para o todo nacional: vão rolar cabeças... Por aqui vai-se aguardando, em ansiosa esperança, por uma exportação laranja em 2009. A bem da Nação. O Porto perderá o seu filho dilecto, conjuntamente o mais amado pelos lisboetas que, em seis anos de exortações laudatórias, o poriam em cada esquina da Capital.
Os nove milhões continuarão, apesar de tudo, a viver as suas vidas. Desses, três milhões ainda respiram saúde pelo sorvedouro de recursos luso-centralista. Os restantes lutam por manter um nível de vida apenas equiparado ao das regiões mais pobres da Europa a 27.
Cá em cima, o Querido Líder promove uma competição automobilística na zona mais rica da cidade, bem longe do São João de Deus (à Areosa) onde ainda se trafica droga às claras. Quis o destino que as ruas da Alegria, D. João IV, Santa Catarina, do Bonjardim ou toda a zona do Bonfim e de Campanhã se houvessem assestado no extremo oposto da cidade: degradado e degradante; o local com maior incidência de casos de tuberculose do país, doença que, como se sabe, vem sempre associada à miséria extrema.
O Querido Líder faz uma declaração única
«O Porto possui esta marca muito forte, que temos de prestigiar cada vez mais, evitando, na medida do possível, cometer também cada vez menos erros e falhas.»
Mas:
Estamos todos felizes. De anestesia em anestesia, o país rejubila. Sócrates saiu incólume. Lisboa tem Presidente!


