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quarta-feira, 16 de julho de 2008

Disparidades

A propósito de um texto que estou a escrever sobre um livro que acabei de ler (e que mais tarde, ou mais cedo, irá aqui ser objecto de publicação), onde me detinha sob considerandos formais da edição e da composição gráfica do exemplar estrangeiro para a nossa língua, relembrando aquilo que aqui foi dito sobre a publicação de um conto de Henry James, não consigo entender, a decisão dos editores da Relógio D’Água (e não se trata, de forma alguma, de uma embirração, ao invés, aqueles que me lêem até já conhecem a estima que tenho pela editora de Francisco Vale, propalada sempre que reputo essa referência de excelência como de menção oportuna) para a composição gráfica e tipográfica adoptada na reedição da obra introspectiva de Virginia Woolf, Rumo ao Farol. O tamanho da letra, o espaçamento entre linhas (perfazendo 175 páginas, excluindo o índice final, e dimensões de 23 x 15 x 1,5 cm, por um preço de venda ao público de 18 euros) não diferem muito da versão de bolso que continua a ser vendida pela Europa-América (180 páginas e dimensões de 17,5 x 11,5 x 1,3 cm, por apenas 6,49 euros).
Encontrando-me neste momento numa fase de releitura do referido romance de Woolf (o primeiro confronto com a obra deu-se precisamente através do livro de bolso supramencionado) e atendendo às condições climáticas dos dias que vão correndo, cada página lida contribui para o adensar de uma lenta e ruminante dor de cabeça, que a perseverante canícula nocturna agrava. Em suma, disparidades quase incompreensíveis, tão habituais no meio editorial nacional. E, neste caso em concreto, qual é o seu motivo?
  • Será dos direitos de autor? Da tradução a cargo de Mário Cláudio que já constava da 1.ª edição de 1985 das Edições Afrontamento (Porto)? Dos direitos a pagar a esta última?
  • Justificará a discrepância entre os 345 cm2 e os 201,25 cm2 (e respectivas qualidade e gramagens do papel) a diferença de 11,51 euros, com um número sensivelmente igual de páginas impressas?

No meu entender de leitor exigente, considero que, uma vez mais, se perdeu a oportunidade de se fazer uma edição portuguesa digna da imensidão literária da obra. É, sem sombra de sarcasmo, uma pena.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Feira do Livro do Porto [actualizado]

UEP


[Uma vontade indómita de boicotar, enquanto leitor: os grupos LeYa e Bertrand – sendo este último associado da APEL –, os editores da UEP e até a editora recentemente adquirida pelo jovem reformado Paulo Teixeira Pinto, a casa da colossal Agustina (autora do Porto, nascida em Vila-Meã em 1922), a Guimarães Editores. Não têm qualquer tipo de representação na 78.ª edição da FLP.]


Saúde-se a Gradiva e a Europa-América pelas suas posturas livres e independentes, pela coragem demonstrada perante o apelo do poderio económico de tendência eminentemente oligarca, em prol dos livros e da Literatura – já pareço o Carvalho da Silva a discursar.

Notas:
  1. Ver aqui a lista possível dos editores e livreiros com expositores na Feira do Livro do Porto, que se inicia hoje, 21 de Maio, às 15:30 no Pavilhão Rosa Mota.

  2. António Lobo Antunes irá estar presente no próximo dia 24, pelas 19:30, no Café Literário para uma sessão de autógrafos, ao arrepio da atitude inqualificável dos responsáveis da editora que publica os seus livros. Oxalá José Luís Peixoto e Gonçalo M. Tavares se conseguissem demarcar, de igual modo, das suas editoras, Bertrand e Caminho (LeYa), respectivamente.