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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os Bons Anos

Já não há nenhuns, apenas o fedor da infinita graça desta perambulação sem sentido, a infinita graça da visão em paralaxe.
«Ah, pobre Yorick! Eu conheci-o, Horácio, uma pessoa de infinita graça, da mais fina fantasia.»
Levantado o véu sobre o Melhor Livro de 2012 (era um de dois), fica Brian Eno para ouvir em repetição infinita (a música de sua preferência):



Uma suave e eficaz sobrevivência para 2013.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Camaleão e a Voz Cavernosa

O vídeo deste ano recorda, uma vez mais, Bing Crosby e a época que lhe é sempre associada; o homem do anualmente reeditado “White Christmas” de Irving Berlin.
O curto filme que se segue, gravado em Inglaterra para a televisão, foi o último de Crosby. Mais um dos seus especiais para a quadra natalícia que ao longo dos anos protagonizou, representando e cantando, ao lado dos seus pares mais célebres, incluindo o seu proto-rival Frank Sinatra, a Voz.
No seu último trouxe Bowie. O Camaleão canta “Peace on Earth” num belíssimo dueto, com Bing a entoar “The Little Drummer Boy”. A gravação ocorreu no dia 11 de Setembro de 1977; Bing morre, vítima de um ataque cardíaco fulminante em pleno buraco 18 num campo de golfe nos arredores de Madrid, no dia 14 de Outubro do mesmo ano.
O Sr. Natal continua a ser recordado. E nós, à medida que vamos envelhecendo, apercebemo-nos de que a época vem carregada de uma melancolia pungente, surda, inexorável e que parece somatizar-se num imenso nó na garganta, apenas libertado pela alegria que irradia daqueles que chegaram há menos de uma década, em cujos olhos brilham lágrimas que brotam de outra fonte.


Feliz Natal! 

domingo, 23 de dezembro de 2012

Maturação

Quando esta manhã passava os meus olhos pelos blogues que consulto numa base regular, deparei-me com este texto do João Gonçalves que, embora culmine em assunto diverso àquele que me traz aqui, materializado nestas curtas palavras, avivou ainda mais o meu deslumbramento pelo filme de um realizador que tem o condão (e ele gosta de o ter) de instilar apreciações maniqueístas na crítica e nos cinéfilos espalhados por esse mundo fora (especialmente os norte-americanos – perguntem a James Caan –, que não se esquecem facilmente da mensagem muito pouco subliminar, que mesmo que o fosse seria destruída com as imagens em slideshow nos créditos finais, de Dogville (2003) e de Manderlay (2005) – a tragédia americana aferroada por um dos maiores provocateurs da cinematografia contemporânea), esse é Lars von Trier.
No ano passado, por esta altura, inclui-o na 3.ª posição do meu Top 10, atrás de Malick e de Skolimowski. Porém, enquanto estes ficaram pelo único visionamento no grande ecrã, Melancolia (Melancholia, 2011) passou, em 2012, vezes sem conta debaixo dos meus olhos, com paragens de imagem, slow motionsfast forwards e rewinds repetidos tanta vezes quanto o necessário, detendo-me ora nos pormenores, nas expressões, nas cores, ora em toda a mise-en-scène, e até repousado, de olhos fechados, a escutar apenas as ondas de choque wagnerianas com os fotogramas da esplendorosa introdução gravados na retina.
Não é por isso que deixarei de aqui postar as minhas listas, mas Melancolia foi de facto o meu filme de 2011 (saltou dois lugares), que me desculpem os adeptos do panteísmo malickiano ou os da imagética skolimowskiana, o autor de As Cinco Obstruções, levou-lhes a palma.
Para recordar:

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Número Mágico


Pormenor alterado do logótipo da capa comemorativa de © DanMonick & Gingko Press, para o 7.º aniversário da editora Rhymesayers e da banda Atmosphere – álbum musical e fotográfico comemorativo: Seven Years with Atmosphere and Rhymesayers.

Sete anos… Naquele 17 de Dezembro de 2005 queria que a coisa, com o tempo, se fosse moldando em algo que, em definitivo, não o é agora. Agora não o é… nada! Mas também, que diabo!, estou mais velho e cheguei este ano, há menos de seis meses, aos implacáveis “-entas”.
Chegou o tempo. Auto-análise, auto-ilusão – julgo-me 7 vezes: menos paciente, mais irritado, menos submisso, mais inquieto, menos prudente, mais desgarrado, menos crente na bondade imanente à coisa humana, mais atento às palmadas nas costas provindas da coisa.


Hélas!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amour e Indiferença

Não encontrei. O último fotograma de Amor de Haneke. Huppert, pouco depois, sentada na mesma cadeira, a do pai, siderada por um estranho brilho emoldurado pelo inquietante sossego da casa agora a seus pés. Remorso. Culpa, talvez. Mas é aquela apatia o oposto do Amor. A cruel indiferença que enche, em silêncio, o último fotograma antes do fade-out para a escuridão futura.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Resvalamento do Planalto



Ando por estes dias a observar, incrédulo e impotente (já não se trata de simples acédia), a subida, ainda por cima escabrosa, dos meus índices de PMD*. Com o efeito de retroacção sónica das Bombas V pynchonianas e o seu pavlovianismo, que por cá não se manifesta pela intumescência pré-libidinosa, nas convulsões anti-osmóticas com a espantosa turgidez narrativa de DFW**, os agonizantes odores de cansaço dos pupilos da ATE*** e que nos atingem fatalmente através de espúrias cadeiras de rodas canuck's, rejeitando com incompreensível intensidade a experialista Grande Concavidade: Quo vadis PMD!
Mais de duas mil duzentas páginas… Já nem há tempo para brevidade antologiada da ex-Auster, nem para a, pela cronologia, segunda pérola nabokoviana.
Terapêutica urgente: Reeducação Prescritiva, já!

A que vis andanças podemos tornar…****    

Notas:
*Propensão Marginal para a Demência.
**David Foster Wallace.
***Academia de Ténis de Enfield (“ETA” no original).

**** To what base uses we may return…

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nostalgia por esses anos sombrios

Hoje de manhã, ao ligar-me à Fnac espanhola, reencontrei um dos fantasmas do meu passado, Kristin Hersh. Em 1994, entre os meus 21/22 anos de (in)experiência empilhada por uma vida burguesa, de diletante – em busca de sombras para tornar expressiva uma vida anódina – a Rat Girl, que, uma década antes, noutra dimensão e suportando um fardo de um peso inaudito, vivenciou esse mesma deriva crepuscular, edita o seu primeiro e sublime álbum a solo, Hips and Makers.
Encontrávamo-nos naquele quarto atulhado com as superfluidades das nossas vidas – quando a dor, de que nos arrogávamos ser os sumos-sacerdotes curtisianos, ainda nos assombrava como uma nuvem pulviscular (vale-me o Mestre Calvino, o Italo) que só se dissipou na Primavera desse mesmo ano pela crueldade da tirania divina que fez de mim o agnóstico que vinte anos não mudaram – ligávamo-nos à eterna XFM, para desgosto dos ouvidos incuravelmente musicófobos da nossa mãe, e escutávamos, sem parar, as músicas que saltavam do disco, repetido pela novidade, da melhor estação de rádio de sempre: “Teeth” e “A Loon”, mas também “The Cuckoo”, e principalmente “Your Ghost” – nem de propósito, no início deste mês cujo fim marca uma década da Tua Ausência:

I think last night
you were driving circles around me.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Este eterno desassossego…

«É uma das mais estranhas descobertas que um homem pode fazer: a de que a vida, seja como for que a levemos, contém momentos de contentamento. Há sempre comparações que se podem fazer com tempos piores, e o pêndulo não deixa de oscilar mesmo no perigo e na miséria.»
Graham Greene, O Poder e a Glória, pág. 77.
[Alfragide: Casa das Letras, 1.ª edição, Março de 2010, 248 pp.; tradução de Manuel Cordeiro; obra original: The Power and the Glory, 1940.]
…muralha, possivelmente intransponível, que nos mantém dentro desta fossa cavernosa.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

When it grows dark we always need someone*


Beach House, “Myth”, Bloom (2012; Bella Union)


Help me to name it! (Não te acomodes na indiferença perante o teatro do sofrimento. Aquilo que fomos.)
«“Nunca sabemos quem somos. São os outros que nos dizem quem e o que somos. Explicam-nos tantas vezes quem somos, e de formas tão diferentes, que, no final, acabamos por não saber em absoluto quem somos. Todos dizem de nós algo diferente. Até nós mesmos estamos sempre a mudar de opinião. Se a isso acrescentarmos que nos esforçamos por surpreender os outros sendo várias pessoas ao mesmo tempo, o que na verdade acaba por acontecer é que acabamos por não ter a menor noção de quem somos ou poderíamos ter sido” (Juan Lancastre, A Interrupção).»
Enrique Vila-Matas, Ar de Dylan, pág. 124.
[Lisboa: Teodolito, 1.ª edição, Março de 2012, 259 pp; tradução de Miranda das Neves; obra original: Aire de Dylan, 2012.]
*Nota: «Yes. It's odd — when it turns dark you need someone.» (Patricia Hollmann”, por Margaret Sullavan (1909-1960) em Três Camaradas (Three Comrades, 1938), de Frank Borzage (1893-1962).

sábado, 16 de junho de 2012

Fiat Tenebras


Incómodo. Perplexidade. Desconforto. Irritação. Sufoco. Prostração. Rendição. Êxtase.


Nestas quatro décadas a deambular por quilómetros de fotogramas em movimento, não me recordo de, no processo recapitulativo de apreciação de um filme, conseguir relacionar, num todo harmonioso, aquelas oito palavras que, com uma inquietante precisão, descrevem a minha experiência no seu visionamento.

Béla Tarr (n. 1955), o artífice, de quem apenas vi O Homem de Londres (A Londoni férfi, 2007).

Fiat Lux: o início dos 146 minutos com a narração do lendário delíquio de consequências irreversíveis de Nietzsche em Turim. O cavalo e a sua corrida fustigada pelo vento. Um velho. A filha. O anti-Génesis. Da Luz às Trevas; do descanso ao flagelo, em seis dias… o que fará Ele no 7.º?

terça-feira, 24 de abril de 2012

Emersão da escuridão


São só cinco minutos. Volto já (erigi a placa infernal) ao conforto identitário das trevas na época de triunfo dos esbirros das nobres causas e dos actos majestáticos – os que confortavelmente se consideram semideuses, pais da pátria, canalhas impunes no alto da sua torre de marfim.
E porquê? Apenas para aplaudir o magnífico trabalho da Asa na limpeza de esteticista dos vetustos frontispícios das obras de Paul Auster. São deslumbrantes e o Miguel Seara mostra-as aqui em pormenor.
Aproveito a oportunidade para a publicação da minha volúvel austerlista, que talvez se manifeste numa estranha, porque disciplinada, recapitulação bienal, pela recordação de um instante, o punctum que sobrevém pela câmara clara da minha memória:
  1. Leviathan (1992)
  2. A Música do Acaso (The Music of Chance, 1990)
  3. A Trilogia de Nova Iorque (The New York Trilogy, 1987)
  4. Invisível (Invisible, 2009)
  5. O Livro das Ilusões (The Book of Illusions, 2002)
  6. Palácio da Lua (Moon Palace, 1989)
  7. No País das Últimas Coisas (In the Country of Last Things, 1987)
  8. Sunset Park (2010)
  9. Timbuktu (1999)
  10. Mr. Vertigo (1994)
  11. As Loucuras de Brooklyn (The Brooklyn Follies, 2005)
  12. A Noite do Oráculo (Oracle Night, 2003)
  13. Homem na Escuridão (Man in the Dark, 2008)
  14. Viagens no Scriptorium (Travels in the Scriptorium, 2006)

Imerjo, com o capacete de bombeiro… Por vezes a identificação estética é abalada por uma certa obscenidade de discernimento que estilhaça a convicção do mais devoto, embora neste caso, conceda, é sempre auto-reparável.
«1952. Aos cinco anos, despido na banheira, só, suficientemente crescido para te lavares sem ajuda, e enquanto estás estendido de costas na água quente, o teu pénis fica de repente erecto, emergindo acima da linha de água. Até esse momento, apenas havias visto o teu pénis de cima, de pé e a olhar para baixo, mas a partir desta nova posição estratégica, mais ou menos à altura da linha de visão, discorres que a ponta do teu órgão masculino circuncidado exibe uma semelhança notável com um capacete. Um género antiquado de capacete, como o que os bombeiros usavam nos finais do século XIX. Esta revelação é-te agradável, porque nesta altura da tua vida a tua maior ambição é seres bombeiro quando cresceres, considera-lo como o trabalho mais heróico à superfície da terra (sem dúvida que o é), e quão conveniente é que tenhas um capacete de bombeiro esculpido em ti próprio, precisamente na parte do corpo que, para além disso, se parece e funciona como uma mangueira.»
Paul Auster, Diario de invierno (Winter Journal), pág. 22.
[Tradução: AMC; edição espanhola da Anagrama, Fevereiro de 2012 – a edição original americana é publicada em Agosto.]

domingo, 22 de janeiro de 2012

Obsessão (act.)

Pensei escrever qualquer coisa. Alinhavei umas quantas palavras. A obsessão pelo pormenor. A meticulosidade de um relojoeiro na evocação imagética. A mão perfeita de um artesão que usa a tecnologia sem que a pressintamos – para ele é mesmo um meio, e nunca um artifício estético. As mulheres, sempre as mulheres, não tão ostensivas como em Lars von Trier, maquinais e diabólicas como em Tarantino, austeras, frias e impiedosas como em Almodóvar, objecto de desejo que se emancipa perante o indício da corte pelo pavão como em Rohmer, ou eloquentes, por vezes doces receptoras da neurastenia projectada pelo criador, como em Woody Allen. São uma bruma perene, omnipresente, extática e hermética, portadoras – eis o ventre primordial – do código inacessível a um encadeamento lógico da razão. 
Fiz um historial da abordagem subliminar do lado feminino que joga um papel crucial em Fincher desde Se7en (1995) – excluí Sigourney “Ripley” Weaver, não tivesse sido ela de Ridley Scott, em primeiro lugar, e de James Cameron, em segundo – Paltrow (1995), Kara Unger (1997), Bonham Carter (1999), Foster (2002), Sevigny (2007), Blanchett (2008), e Mara por duas vezes (2010 e 2011), mas guardei o ficheiro na imensa pasta dos textos “não publicados”, talvez para maturação, muito provavelmente para as impenetráveis trevas do olvido. Decidi “me & myself” atirar Karen Ocujo grito seco ressoa no negro líquido viscoso (amniótico) para a fogueira daqueles que Odeiam as Mulheres:


«Salander não consegue mexer-se. Espera que a dor abrande – o que eventualmente acontece – mas apenas para ser substituída por um sentimento de abandono. Então aquele abranda, substituído por um semblante de indiferença.»
Steven Zaillian, The Girl with the Dragon Tattoo [screenplay], p. 165 (© 2011 Sony Pictures). Tradução livre: AMC.
Em jeito de nota final, o fim: é impossível ficar indiferente ao pathos que emana daquele olhar, que tudo apaga, de Rooney Mara.

Soberbo.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Blackout cerebral


Enquanto a Wikipedia na sua versão inglesa promoveu um blackout de 24 horas no acesso aos seus conteúdos em protesto pela discussão e eventual aprovação das sugestivas leis PIPA e SOPA pelo Congresso Americano (seguir a ligação para mais informação) – de certa forma, e por todas as razões, faz-me lembrar o Portugal de antanho, de tempos da outra senhora como se sói dizer: a pipa (ou o seu enchimento etilizado) que punha a sopa na mesa de um milhão de portugueses; hoje, nem isso nos põe o pão na mesa, dadas as políticas agrícolas que arruinaram o sector vitivinícola e conduziram à miséria milhares de lavradores, especialmente os durienses, descurando-se até (negligência desmedida) o forte poder anestésico do líquido que, decerto, viria em auxílio a nós luso-dependentes da tríade nebulosa que atribui mais notas que o Prof. Marcelo e em que um dos seus elementos, numa demonstração de um sarcasmo repugnante, se dá ao luxo de ter Poor na sua denominação, para esquecer as agruras a que quotidianamente nos submetem –, o véu negro e opaco que cobria a minha percepção para as coisas que se vão passando e têm interesse no mundo real não-murakamiano (esse é uma estranha amálgama também anestésica, ou melhor, de privação cerebral) foi desvelado:

A melhor série televisiva de comédia de todos os tempos – para não me apontarem a puerilidade do exagero, coloco-a a par do Flying Circus dos eternos Monty Python, ou da curta e fugaz série (doze episódios), também da BBC, Big Train, e sim, concedo, o próprio Seinfeld co-criado por aquele que levou o psicoterapeuta ao suicídio (ver imagem) –, mas, prosseguindo, dizia que a melhor série cómica de todos tempos, Calma, Larry (Curb Your Enthusiasm), está a ser transmitida pelo canal FX da ZON (e suponho que nos outros fornecedores do serviço de televisão paga; aliás quem me informou é assinante do serviço fedorento Meo). Estão em exibição, com várias repetições na grelha diária, as duas últimas temporadas, a 7.ª e a 8.ª da série. Infelizmente, pelo caminho, perdi a 6.ª, mas guardo religiosamente os DVD das anteriores e a eles volto com alguma regularidade, sem que se perca o gosto e o prazer de ver a histórias daquele ser com uma lógica torcida e retorcida, e me preocupe com a suspensão de juízo que, neurologicamente, uma boa gargalhada poderá implicar.
Bendita seja a alma de quem me alertou. Já está tudo programado para gravação dadas as restrições horárias para poder ver aquele judeu inimputável nos poucos momentos de paz e tranquilidade que ainda existem no meu buliçoso lar.
Centenas de canais, dezenas de euros mensais, para o Panda, o Nickelodeon, Disney e pouco mais – expropriação por acção filial, seria a razão mais cómoda para apontar, mas em boa verdade, cansei-me de ver televisão e, por vezes (nem sempre), uma pessoa farta-se de engolir tanto lixo – e só ontem fiquei a saber que aquela coisa inenarrável está num canal não descortinável para um telespectador impaciente e irascível como eu.
Será de mim? Como o outro do adágio, fui o último a saber? A espera e a deliciosa contradição dos aforismos portugueses: desespera ou sempre alcança?
Cito Vila-Matas que cita Bertrand Russell que cita uma absurda anciã russa:
«Sim, meus senhores. Faz mau tempo e estamos à espera que mude. Mas é melhor fazer mau tempo do que não fazer nenhum, e é melhor estarmos à espera do que não esperarmos nada.»

Enrique Vila-Matas, Perder Teorias, pág. 26 [Porto: Afrontamento (Teodolito), 1.ª edição, Setembro de 2011, 88 pp.; tradução de Jorge Fallorca; obra original: Perder teorías, 2010.]

domingo, 15 de janeiro de 2012

Dos aventais


Nada contra. Não sou um gourmet, mas gosto de comer em bons restaurantes de cujas cozinhas emanam pratos com assinatura, e gosto sempre que o autor cortesmente ausculte a minha opinião, de avental alvo, sobre o nível de prazer na degustação do prato. Ao mesmo tempo, é uma peça de tecido com história, que me faz lembrar aquele Portugal rural que se foi perdendo – o do pequeno comércio porta a porta, os marçanos ou o do bulício serviçal. Por exemplo, a criadagem com os miúdos no jardim; a leiteira azeda a esborrachar os pacotes de leite pré-“Tetra Pak” nos alpendres das moradias; da peixeira com as notas de conto no regaço, fazendo trocos nas casas das senhoras, trocando cavalas por mil reis que se juntavam a mais outros tantos amarfanhados, envoltos em escamas e vísceras que escaparam ao produto vendido. Hoje, tudo isso foi substituído pela desprezível bata florida.
Agora dessa coisa dos pedreiros e dos chãos em xadrez – embora, neste caso, ignore o facto de algum lá ter ido parar (sim, isso mesmo, ao xadrez), os irmãos ajudam sempre –, os poucos que conheci – e que me garantiram tratar-se de aventaleiros da estirpe críptica, filhos de Ísis e Osíris –, ou eram uns filhos da puta e/ou criminosos e/ou políticos, juízes, procuradores e professores catedráticos. Apesar de ser um fã do James (em especial no drama pedo-nabokoviano-kubrickiano e no magistral North by Northwest, com a música retumbante do Bernardo SenhorHomem), das batidas do Nick, e de na minha juventude não perder as histórias a preto e branco do Perry, por manifesto azar, pessoalmente nunca me cruzei com um Mason-livre de avental imaculado e que disputasse as qualidades de humanista e/ou benemérito e/ou íntegro, as mesmas que ultimamente, numa operação de desespero ou de marketing do desespero, têm vindo a apregoar.
Contudo não gosto de generalizações. E não pretendo aplicar à minha, decerto curta, experiência o método indutivo. Até porque dispõem de um olho que tudo vê, e em terra de cegos… Ele há-de haver os que são bons.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Música: Melhores Álbuns de 2011 – A Lista


Encerra-se a primeira etapa deste blogue no que respeita à minha listomania que recidiva com uma virulência inusitada no final de cada ano. Desde o dia da Imaculada Conceição, os meus gostos musicais, substanciados nos vídeos que por aqui desfilaram, foram gerados com a mácula de não ter tempo, por um lado, e de me ir faltando a paciência necessária para as artes musicais do que se produz actualmente na vertente contemporaneamente apelidada de “Pop/Rock”. Daí que houvesse afirmado que a minha veia pubertária ainda se manifeste nas minhas assaz particulares escolhas/preferências – e sem dar grande margem à influência opinativa externa – nos álbuns de música editados em 2011.
Como mencionei em 2010, muitos (centenas) que me poderiam tocar ficaram por ouvir, a que não é alheia a (minha) nossa decadência física – vamos perdendo indelevelmente a audição e as cambiantes de um produto que se faz apenas ouvir perde terreno frente à ebulição do que é visual, qual imberbe perante a iridescência feérica da imagem. 
Resumindo e indo directamente ao assunto sem mais floreados, neste jogos florais que são um vício confessado deste que vos escreve, entre o muito pouco que pude escutar de um modo decente, houve 10 álbuns editados originalmente em 2011 que se destacaram dos demais, e outros (poucos, em 2011) que se revelaram uma decepção, por vezes dolorosa, já que admiráramos de uma forma visceral, a raiar o fundamentalismo melómano, os seus intérpretes como deuses, mas que, como cupidos de Brueghel, se deixaram cair nas garras do grotesco; traduzindo: quando “parar” lhes significará decerto “morte” e jamais soará como “empobrecimento” ou “fatal decadência”.
Sem mais, eis a lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2011 (ordem de preferência):

  1. – The Horrors, Skying (XL)
  2. – Iceage, New Brigade (What’s Your Rupture)
  3. – Bill Callahan, Apocalypse (Drag City)
  4. – St. Vincent, Strange Mercy (4AD)
  5. – Thurston Moore, Demolished Thoughts (Matador)
  6. – Radiohead, The King of Limbs (XL)
  7. – Arctic Monkeys, Suck It and See (Domino)
  8. – John Maus, We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (Upset the Rhythm)
  9. – The Strokes, Angles (RCA)
  10. – Bon Iver, Bon Iver (4AD)
De entre várias decepções (pouco ouvidas – e uma vez mais, devido ao grau de pachorra decrescente ante a causa auditiva), destaco apenas três (poderia incluir o 2.º álbum dos nova-iorquinos The Drums, Portamento, mas falta-lhes ainda tempo para a consolidação do estilo), apenas porque a ferida aberta cominada pelo horror estético ainda permanece aberta – nada que um bom antibiótico não ataque findo este período de profunda desilusão.

Decepções Musicais de 2011 (por ordem alfabética do nome do intérprete musical):
  • Panda Bear, Tomboy (Paw Tracks)
  • Peter Murphy, Ninth (Nettwerk)
  • Tv on the Radio, Nine Types of Light (Interscope)
Não refiro este ano uma banda sonora de um filme, pois não me recordo de alguma que, sendo original, uma compilação ou uma mistura de ambas, me tenha tocado a veia sensível.
Porém, não poderia deixar de dedicar um último parágrafo listómano para referir um álbum cuja tranquilidade de eminência country de uma banda do Oregon, EUA me induziu, e em particular, o seu “January Hymn”. Assim, em jeito de “Menção Honrosa”, que poderia ter entrado no “Top 10”, não fosse o meu vergonhoso conhecimento superficial do folclore musicado norte-americano e o declarado desconhecimento do trabalho anterior da banda (ignorância exposta):
  • The Decemberists, The King is Dead (Rough Trade)
PS – Para 30 ou 31 de Dezembro as listas dos “Melhores Livros de 2011 (editados em Portugal), nas categorias ficção e não-ficção. Entre 23 e 26 de Dezembro serão publicadas as listas dos “10+”, “10-” e menções honrosas no texto dedicado aos “Melhores Filmes de 2011 (estreados em salas de cinema portuguesas).


PPS – Fica aqui mais um vídeo de uma das faixas do álbum vencedor deste ano. A prodigiosa e revivalista “I Can See through You”:

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória


Nada de resenhas, críticas, ou pseudo-recensões – ainda me vergastam pela foice cravada na seara dourada deles. Trata-se apenas da exteriorização de um desassossego. Perdão! Fui assombrado pelo quarteto de palavras que formam a frase que encerra a centena e meia de páginas deste aqui ao lado – o Booker Prize deste ano. Talvez aquele que nos últimos dois ou três anos mais fez vibrar a corda sensível da minha condição de leitor ávido: «Há uma grande agitação.» [There is great unrest] – unrest.
     
Acumulação.
Seguimos com as nossas vida sem perceber… nunca percebemos. Caminhos trilhados a remover obstáculos que se vão acumulando, formando muros insuperáveis para quem outrora nos rodeou e seguia os nossos passos; e quando olhamos para trás apenas vislumbramos vultos difusos, uma memória esparsa que se foi enterrando nos escombros do quotidiano pelo egoísmo intrínseco à nossa subsistência.      
Responsabilidade.
A tomada de consciência. O despertar da memória – puxar os fios soltos que adejam ao vento, radicados ao solo estéril, que a libertam do entulho opaco, infecto e nauseabundo –, a miséria humana. A culpa pela dor atroz infligida.  
Agitação.
Não há reparação, nem nunca iremos perceber que todos os actos praticados com esse fim apenas irão servir para ampliar o sofrimento provocado. Resta o remorso:
«Às vezes penso que a finalidade da vida é reconciliar-nos com a sua eventual perda esgotando-nos, e provando, por muito tempo que leve, que a vida não é tão boa como se diz.»

Julian Barnes, O Sentido do Fim, pág. 109

[Lisboa: Quetzal, Novembro de 2011, 152 pp.; tradução de Helena Cardoso.]

domingo, 13 de novembro de 2011

Uma punch line do atordoante Smog


«Estourei os micrómetros com os primeiros golpes que dei no saco de areia. Prendi-os com uma ligadura à volta das mãos antes de calçar as luvas e arremeti contra o saco até os dedos ficarem ensanguentados, desfeitos e em carne viva.
»O meu treinador está muito, muito impressionado. Quero dizer, não parece de todo impressionado. Cheguei a convencer-me de que descobriria o meu potencial. A semente. Da grandeza. Nem pensar.»
Bill Callahan, Letters to Emma Bowlcut (Chicago: Drag City, 2010) [excerto da “Carta 59”; tradução livre: AMC]

Persisti em esmurrar-vos nos gumes escabrosos da realidade; expostos, despidos no púlpito do desespero. Degradante exibicionismo. Sois miseráveis, afastados da ribalta pelos aduladores da podridão. Jamais saltareis para o ringue. Vós? Nunca… Nós? Em tempo algum. Até ao dia. Rebentarei. Eu.


Bill Callahan, “Riding for the Feeling”, Apocalypse (Drag City, 2011)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Atentamente, L. Cohen

Como diria o outro (não me recordo agora de quem seja), é todo um programa que levou menos de três décadas a cumprir. Não é uma visão apocalíptica, trata-se de uma constatação da miséria humana num mundo em decadência compulsiva, quiçá registada no seu código genético, a autodestruição pela emergência in ego dos contrários.

«Sempre quis ser amado pelo Partido Comunista e pela Santa Madre Igreja. Queria viver numa canção folk, como o Joe Hill. Queria chorar pelas pessoas inocentes que a minha bomba deixaria necessariamente estropiadas. Queria agradecer ao velho camponês que nos daria de comer na nossa fuga. Queria usar a minha manga vazia arregaçada até cima, ver as pessoas sorrir quando eu fizesse a continência com a mão errada. Queria ser contra os ricos, mesmo que alguns deles conhecessem Dante; momentos antes da derrocada um deles ficaria a saber que também eu conhecia Dante. Queria que levassem o meu busto pelas ruas de Pequim, com um poema escrito no meu ombro. Queria poder sorrir aos dogmas, e apesar de tudo deixar que estes me distorcessem a personalidade. Queria defrontar as máquinas da Broadway. Queria que a Quinta Avenida recordasse os atalhos índios que por lá passavam. Queria sair de uma cidade mineira com maus modos e convicções incutidos por um tio ateu e bêbedo, ovelha negra da família. Queria atravessar a América num comboio blindado, ser o único branco aceite pelos negros na convenção. Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona. Queria lutar contra o golpe de estado da polícia secreta, mas de dentro do partido. Queria que uma velha a quem morreram os filhos se lembrasse de mim nas suas orações, numa igreja de adobe, e que os filhos me garantissem que o fizera. Queria persignar-me quando ouvisse palavrões. Queria ser tolerante para com os vestígios de paganismo numa festa de aldeia, condenando a Cúria. Queria envolver-me em negócios obscuros de imobiliário, ser o agente de um bilionário sem nome e sem idade. Queria escrever bem dos Judeus. Queria ser alvejado entre os Bascos por transportar a eucaristia para o campo da batalha contra Franco. Queria pregar sobre o casamento com a indiscutível autoridade de uma virgem, espreitando pêlos negros das pernas das noivas. Queria escrever um manifesto contra o controlo de natalidade num inglês muito claro, um panfleto que se vendesse nas salas de espera, ilustrado a duas cores com desenhos de estrelas cadentes e da eternidade. Queria proibir a dança durante uns tempos. Queria ser um padre drogado que gravasse um disco para a Folkways. Queria ser deportado por razões políticas. Acabo de descobrir que o cardeal … recebeu um avultado suborno de uma revista feminina, fui alvo de propostas desonestas por parte do meu confessor, vi os camponeses serem traídos por razões necessárias, mas os sinos tocam esta noite, outra noite no mundo de Deus, e há muitos que precisam de alimento, muitos joelhos ansiosos por se vergarem, subo os degraus gastos enrolado na velha pele de arminho.»
Leonard Cohen, Belos Vencidos, pp. 30-32 [Lisboa: Relógio D’Água, Novembro de 1997, 271 p; tradução de Margarida Vale de Gato; obra original: Beautiful Losers, 1966]

sábado, 28 de maio de 2011

Odisseia Malickiana

Não. Não vale a pena interpretar o que não se expôs para ser interpretado. Será a apreciação uma forma depurada da inevitável interpretação? Não me apetece ir por aí, nem tão-pouco entrar em considerações teosóficas sobre, se me é permitido, a mundividência transcendentalista de dois contrários:
«Father, Mother. Always you wrestle inside me. Always you will.»
Fiat lux. E após 90 minutos de projecção a sala estava a metade. Já nem nos importamos com o belo e com uma conjecturada harmonia, em nome da diversão imediata. É uma pena… que me tenham interrompido o delírio com a vossa indiferença. É só isso.
A alusão no momento crítico à 4.ª Sinfonia de Brahms… E o omnipresente, na nossas cabeças formatadas pelo marketing da coisa, 2.º Poema Sinfónico de A Minha Pátria de Bedrich Smetana, (o rio) “Moldava” (T 111, “Vltava”, 1874), são instantes de um todo… sublime?
Arrepio-me

[Sobre A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), de Terrence Malick]

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

IMPAC 2011

[Por vezes criamos rotinas difíceis de quebrar, como escrever neste blogue sem o deixar a morrer de inanição, famélico por novos textos por muito deploráveis que possam ser – do subgénero maçã podre – à luz dos profissionais desta coisa pavoneante; ou de deixar cair a divulgação de alguns eventos ou factos ligados à Literatura que, estou convencido do convencimento do leitor letrado, em nada engrandecem o valor deste blogue – aliás se acreditasse na potência do seu efeito multiplicador, seria como esperar por Godot, porquanto ao que de absorção se chama o elemento da multiplicação se traduz o valor real deste pasquim na plataforma do empório Google; e se absorve, por muitos milhões de caracteres que se lhe apliquem por repetição, a sua insignificância ou o nada será sempre a sua máxima distintiva.
Face ao grave e soturnamente exposto acima, e ao contrário de anos anteriores, abandono o tradicional exercício de “cortar e colar”, até pela expiração do prazo de validade da coisa, ou seja, mais desvalorizado pelo diferimento entre o acontecimento e o auto de notícia infra-escrito.]
No passado dia 15, foi anunciada a lista dos semifinalistas do International IMPAC Dublin Literary Award. A lista deste ano é composta por 162 romances (mais 6 que em 2010) escritos por outros tantos autores.
O destaque que aqui se dá a este prémio, advém da sua característica principal que o torna único e meritório, que se poderia traduzir nas 2 etapas (3 fases) bastantes distintas no processo de selecção que consiste na intervenção de dois níveis de especialistas ligados ao mundo dos livros: (1) bibliotecários, na 1.ª fase (este ano intervieram 126 bibliotecas situadas em 43 países), e (2) autores, críticos, editores e gente das letras, que constituem o júri previamente escolhido, nas 2.ª (eleição dos finalistas) e 3.ª (eleição do vencedor) fases (cujos resultados serão anunciados a 12 de Abril e a 15 de Junho de 2011, respectivamente).
As regras para as bibliotecas seleccionadas através de candidatura previamente elaborada são bastante simples:
- O Dublin City Council, através da administração das bibliotecas públicas da cidade de Dublin recebe uma lista de obras de ficção nomeadas por responsáveis de bibliotecas situadas nas capitais e principais cidades de países espalhados pelos cinco continentes.
- Cada biblioteca pode nomear até 3 obras de ficção que apenas têm de obedecer a uma condição: a sua publicação em língua inglesa.

Para o prémio de 2011 só poderiam ser nomeadas:
- Obras originalmente publicadas em inglês durante o ano de 2009;
ou,
- Obras originalmente publicadas noutra língua no quinquénio 2005/2009, e que hajam sido publicadas em inglês durante o ano de 2009.

Neste primeira fase do IMPAC de 2011, destacaram-se dez obras que obtiveram mais de quatro votos (cinco já foram publicadas em Portugal, curiosamente as quatro mais votadas e uma das três obras colocadas na quinta posição), num total dos 310 votos exercidos (para um máximo de 378 votos) pelas 126 bibliotecas (1 biblioteca – 3 obras diferentes; 1 obra – 1 voto).
Lidera a lista das dez mais votadas, a obra vencedora do National Book Award de 2009:
14 votos – Colum McCann, Deixa o Grande Mundo Girar (ed. port. Civilização, Let the Great World Spin);
13 votos – Colm Tóibín, Brooklyn (ed. port. Bertrand);
11 votos – Kathryn Stockett, As Serviçais (ed. port. Saída de Emergência, The Help);
10 votos – Hilary Mantel, Wolf Hall (ed. port. Civilização).
7 votos (3 obras)
- Julia Franck, The Blind Side of the Heart;
- Barbara Kingsolver, The Lacuna;
- Lorrie Moore, Uma Porta nas Escadas (ed. port. Relógio D’Água, A Gate at the Stairs);
5 votos (3 obras)
- A.S. Byatt, The Children’s Book;
- Linden MacIntyre, The Bishop’s Man;
- Dimitri Verhulst, Madame Verona Comes Down the Hill.

Apesar do encurtamento do texto habitual, jamais poderia deixar de revelar as obras eleitas pelas duas únicas bibliotecas portuguesas participantes no processo. Por norma, a sua participação reputa-se de bastante valiosa (nunca votaram num vencedor), isenta e, por isso, reveste-se do carácter de imprescindível; em regra, desprovida de qualquer vestígio de pró-lusofonia ou de amiguismo literário, resultando sempre de um enorme esforço de abstracção inteiramente dirigido para a qualidade das obras elegíveis. Eis, então, as escolhas para o IMPAC de 2011 enviadas (dentro do prazo) pelas nossas queridas instituições:
Biblioteca Municipal Central de Lisboa
- Carlos Ruiz Zafón – O Jogo do Anjo (ed. port. Dom Quixote) – 4 nomeações (+ Birmingham, Cork e Gateshead)
- Claudia Piñeiro – As Viúvas das Quintas-Feiras (ed. port. QuidNovi) – 2 nomeações (+ Brasília)
- Patrícia Melo – Mundo Perdido (ed. port. Campo das Letras) – 3 nomeações (+ Porto e Brasília)
Biblioteca Pública Municipal do Porto
- Daniel Silva – O Desertor (ed. port. Bertrand) – 1 nomeação
- Luiz Alfredo Garcia-Roza – Na Multidão (ed. brasileira Companhia das Letras) – 2 nomeações (+ Brasília)
- Patrícia Melo – Mundo Perdido (ed. port. Campo das Letras) – 3 nomeações (+ Lisboa e Brasília)

É tudo.