«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Aqueles que não contribuem para o PIB...
domingo, 29 de abril de 2012
domingo, 22 de maio de 2011
16.ª Taça de Portugal
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Sem (muitas) mais palavras
PPS – A constatação pela sintonia perfeita (futura) entre a choraminguice final, (devido a um cartão que, aventou, ficou por mostrar ao filho dos Cárpatos ao 75 minutos, palavras insanas proferidas, demonstrando uma soberba inusitada, que decerto se traduziria num golo marcado) e o clube que representará e que dela vai fazendo hino todos estes anos de deserto.
PPPS – Aos 30 minutos de jogo o nosso super-herói da Marvel (verde quando se enfurece), só se manteve em campo porque a ligação da alcunha à sua compleição física não é apenas um acaso. Um tal Sílvio, que no final do jogo se apressou a dizer que se irá acostar nos alvo-e-rubros colchoneros na próxima temporada, deveria ter jogado menos 60 minutos no verde de Dublin. A choraminguice esqueceu-se desse pormenor. Paciência!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Um enorme pesar
domingo, 10 de outubro de 2010
O Homem a Abater
Nas vésperas do centenário da Implantação da República em Portugal, André Villas-Boas – a 13 dias de completar 33 anos – passou a ser mais um dos alvos em movimento. Os jornalistas arregimentados, os opinadores pagos à peça, os bloggers facciosos, os paineleiros da insídia e da inveja, não tardaram a sair do armário com todo a sua fúria, contida ao longo de seis longas jornadas futebolísticas e de onze jogos de invencibilidade. O veneno, esse, ia-se-lhes acumulando lenta e perigosamente nas glândulas pestilentas e a oportunidade surgiu com o justo desvario do rapaz na noite de 4 de Outubro – desatinos, sem consequências, que os treinadores e os directores desportivos das agremiações protegidas neste mundo desigual descerram, terminadas as inúmeras partidas, no centro do relvado acompanhando os árbitros, decerto com elogios e panegíricos entusiastas, até à boca do túnel. E a destilação do ódio não acalmou mesmo tendo o jovem treinador vindo a terreiro desculpar-se pela injustiça das suas críticas relativamente ao lance que o atirou de antecipação para os balneários pela primeira vez na sua curtíssima carreira – apesar do golo irregular do oponente, dos fora-de-jogo mal assinalados, da violência quase criminosa dos jogadores oponentes (ah, e aquele imberbe facínora, ao arrepio da prática comum aos seus companheiros de profissão em equipas adversárias noutros jogos, não falou da eventual grande penalidade cometida na grande área portista).
Porém, o xistrema já estava montado, com toda a sua carga, folclore e ressentimento provinciano, balofo, saloio (ou como o quiserem qualificar), e a retirada perante o mea culpa do jovem inimigo seria mais dispendiosa que continuar a alimentar a fogueira do rancor, da caricatura soez e do incitamento à violência. A pesada máquina estava em estado de prontidão e iniciou-se a rentabilização do investimento inicial que só alcançará, pelo menos, um valor actual líquido (npv para os anglófilos das finanças empresariais) de zero em Maio de 2011, se o verde-lagarto ou o vermelho-lampião-ofuscado circular de bandeiras desfraldadas, com uma turba a cuspinhar impropérios perante as sedentas câmaras de televisão da capital do império.
Mas há coisas que os supra-referidos não conseguem controlar, como o fazem nos Ministérios da Justiça e da Administração Interna, com o PGR e os procuradores-adjuntos, com a imprensa, com as marionetas adestradas dos horrorosos e estupidificantes programas de debate futebolístico nas televisões e numa estação de rádio pública, no Elefante Branco e casas congéneres, com os órgãos da Liga e da FPF (então com o futuro presidente Seara…):
- The Wall Street Journal (5 de Outubro de 2010) – “Meet Portugal’s Boy Genius”;
- La Gazzetta dello Sport (6 de Outubro de 2010) – “Villas-Boas il nuovo Mourinho: Il suo Porto è ancora imbattuto”.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Fiat Justitia, pereat mundus (act.)
[Actualização, 25/03, às 15:47]: comentário do dia (da decisão), por André Sousa, de Coimbra, em reacção à sanha justiceira vermelha e à cegueira da clubite exibida por outros nos comentários que postaram sobre a mesma notícia do jornal Público:
«Os tribunais Civis ilibaram o Pinto da Costa... e a Comissão Disciplinar é que era isenta!!... O TAS não deu razão às queixinhas do SLB e Guimarães... e a Comissão Disciplinar é que era isenta!! ... a FPF deliberou a favor da pretensão do FCP nas penas EXCEPCIONAL e PROPOSITADAMENTE aplicadas ao Hulk e Sapunaru, e a Comissão Disciplinar é que continua a ser a entidade isenta!! IRRA... quem acredita ainda na CD Liga ou é cego ou Lampião... só pode!! O Herminio Loureiro, perdeu uma boa oportunidade de dar outra entrevista à SIC a expressar a sua mágoa pelas decisões da CD Liga... enfim... é o SISTEMA!!» [sic]
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
4 meses, 23 jogos e o 25 de Abril
«Deixo a minha opinião sobre os castigos de Hulk e Sapunaru já no início do texto: são desproporcionados.Os actos dos dois futebolistas não mereciam semelhante pena, que considero de uma violência sem sentido. Se pensarmos que os jogadores têm, em média, dez anos de carreira ao melhor nível, este castigo significa, por exemplo, que o lateral romeno acabou de perder 5 por cento da sua vida desportiva. É brutal.Arrumada a minha opinião sobre a dimensão do castigo, sobram três perguntas: o processo foi bem conduzido, o desfecho podia ter sido diferente, os regulamentos disciplinares do futebol português são bons?1. Depois de ouvidas as explicações de Ricardo Costa fiquei convencido de que o processo foi bem conduzido. Respeitou os prazos, fez o que tinha a fazer. No entanto, o final foi desastroso. A conferência de imprensa na sede da Liga é desajustada e constituiu um triste e lamentável espectáculo. Se pretendia ser claro, Ricardo Costa deveria ter-se limitado a colocar online um acórdão contido, correcto e claro. O dia em que jogadores são condenados a castigos tão pesados não pode ser promovido a espectáculo televisivo. Muito menos por pessoas com responsabilidades disciplinares e na sede do organismo que representa os clubes.2. Acho que a Comissão Disciplinar valorizou muito pouco duas questões fundamentais: o comportamento dos stewards indicados pelo Benfica e o facto de os jogadores estarem sujeitos a uma pressão que resultava de terem terminado um jogo de futebol intenso minutos antes. Ou seja, os stewards não deviam simplesmente estar naquele sítio, quanto mais optar por um comportamento que a CD considerou «provocatório». Faltou à Comissão Disciplinar algo essencial a quem aplica regulamentos: bom senso. Os clubes mal intencionados ficaram a saber que sai muito barato provocar os jogadores adversários nos túneis. Com 1500 euros pode conseguir-se provocar um sério dano na concorrência.3. A resposta à terceira pergunta é fácil. É evidente que os regulamentos são maus. Mas antes de serem maus, são demasiados. Os regulamentos devem garantir que todos podem defender-se, mas, em simultâneo, permitir a aplicação da justiça em tempo útil. Porque, como se viu, o tempo de quem julga é bem diferente do tempo de quem joga. Aqui, mais uma vez, a Comissão Disciplinar da Liga esteve mal. Os anos que leva no futebol são mais do que suficientes para lhe exigir que tivesse conseguido uma acção activa na alteração dos regulamentos. É fraca desculpa alegar, nos momentos mais delicados, que a culpa é das leis, que são más. Sobretudo quando no resto do tempo se assobia para o lado.O facto de discordar do desfecho deste caso não me leva a dar o passo seguinte: colocar em causa a honra e o equilíbrio de quem integra a Comissão Disciplinar. Reconheço na acção de Ricardo Costa rigor, trabalho e esforço honesto na alteração das práticas anteriores. E todos sabemos como funcionava a CD antes da direcção de Hermínio Loureiro.Dito isto, era tempo de os clubes, sobretudo os maiores, contribuírem para a elevação do futebol em Portugal. E isso faz-se nos momentos complicados, como este. O F.C. Porto tem todo o direito de recorrer, mas perde respeito quando o faz utilizando linguagem imprópria.P.S.: Só mais um ponto: face à dimensão do castigo aplicado a um jogador tão importante como Hulk, é evidente que a Comissão Disciplinar poderá sempre ser acusada de ter contribuído para decidir o campeão em 2009/10.»Luís Sobral, in MaisFutebol, “Castigos a Hulk e Sapunaru: obviamente são excessivos”, 20 de Fevereiro de 2010. [destaques meus]
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Para que conste (uma terapia)
Por tudo o que atrás expus, e para não falar com toda a carga da violência que em mim se vem armazenando sobre um dos assuntos que me apoquenta de momento, figurará na coluna do lado direito deste blogue um singelo contador, devidamente emoldurado, como válvula de escape. Sem adjectivos para certificar a qualidade de: A Bola, o Record, o Correio da Manhã, o Rui Santos, os moderadores e comentadores desportivos da SIC, e muito menos a turba de opinadores escolhida a dedo, cujo ódio visceral ao meu clube é o principal propulsor para os seus panfletos viscosos (pronto, adjectivei), onde pontificam o Daniel Oliveira e os bobos do regime (2.ª adjectivação, paro por aqui, prometo) Quintela e Góis (que há muito deveriam ter levado com processos-crime por injúrias, calúnias e difamação ao meu clube), e até por insultos (não gratuitos, pagos e bem pagos com o dinheiro do Bava e da Golden Share) às inteligência e paciência de todos nós portugueses, por nos entrarem pela casa dentro, sem pedir licença, a proferir barbaridades como “o pinheiro manso de Natal” (é bravo, porra!) e o Rei Mago “Belchior” (é Melchior, ó ignaros!).
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
O “Zé do Boné”: 25 Anos
segunda-feira, 11 de maio de 2009
24
e sonho que, na luta, amadurece.
- O de tornar maior esta cidade.
Eis o desejo que traduz a prece.
Só quem não sente o ardor da juventude
poderá vê-la, de olhos descuidados.
Porto - palavra exacta. Nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!
Deram tudo por nós estes atletas.
Seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas…
Ó fé de que andam nossas almas cheias!
Não há derrotas quando é firme o passo.
Ninguém fale em perder! Ninguém recua…
E a mocidade invicta em cada abraço
a si mais nos estreita. A pátria é sua.
E, de hora a hora, cresce o baluarte!
Lembro a torre dos Clérigos, às vezes…
Um anjo dá sinal quando ele parte…
São sempre heróis! São sempre portugueses!
E, azul e branca, essa bandeira avança…
Azul, branca, indomável, imortal.
Como não pôr no Porto uma esperança
se “daqui houve nome Portugal”?
Pedro Homem de Mello, “Aleluia!”
(Nota: esta interrupção não significa a revogação da suspensão de actividade, com limite temporal indefinido, deste blogue.)
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Insisto [actualizado]
*Um bom argumento para que, desta vez, se produza um bom filme, seria o EstorilGate de 2004/2005. O maior escândalo que, com os meus já respeitáveis 36 anos, pude assistir no futebol português.
Nota: Em faltas para grande penalidade não se aplica a "lei da vantagem". Proença errou, mas disso não convém falar. O resultado estava 0-0 e o Reyes trava a progressão do Lucho.
Essa visão monocular clubítica irrita-me profundamente.
[adenda, dia 10/Fev, às 12h06m]: (C.E.) Proença condensado e verificado, em lides comentadeiras – eu, ainda não havia visto as imagens dos casos do jogo, à excepção do pretenso penalty do Lisandro repetido até à náusea pelo Rui Santos no "Hora Extra" – no programa “O Dia Seguinte” na SIC-Notícias, e assumo agora a função de contra-queixinhas (4 incidências de relevo, 1 erro técnico e 3 de avaliação):
- 19 min. – Lucho é travado por Reyes dentro da grande área do Benfica, cai e continua o lance, com passe para Fucile que, à entrada da área, remata por cima da baliza. Nem que Fucile houvesse marcado golo, a falta de Reyes sobre Lucho teria de ser marcada, porque dentro da área jamais se aplica a “lei da vantagem”. Segundo os regulamentos, uma falta na grande área cometida sobre um jogador da equipa que ataca é penalty. Erro técnico grave e não de avaliação subjectiva – resultado na altura 0-0;
- 28 min. – Sidnei, considerado como herói na imprensa desportiva de hoje, pisa ostensivamente Lucho (a bola há muito que lá não estava), deitando o jogador portista por terra (o tal que com fair-play, nove minutos antes não se atirou para o chão na grande área). Cartão vermelho e consequente expulsão (erro de avaliação) – o Benfica passaria a jogar com apenas 10 jogadores durante mais de 1 hora de jogo – resultado na altura 0-0;
- 79 min. – Por compensação, por ter visto mal o lance, por dolo ou pela re-admissão do Cardeal Nazi no seio da Igreja Católica pelo Papa Ratzinger, Proença assinalou mal o penalty (erro de avaliação) pretensamente cometido por Yebda sobre Lisandro López – convém salientar que todos os jornalistas, comentadores e narradores do jogo (rádios e televisão) afirmaram, sem repetições e no momento exacto do lance, que Yebda havia cometido penalty – o resultado na altura era de 0-1, que passou a 1-1 pela conversão da grande penalidade;
- 94 min. – David Luiz, sem bola, atinge com os pitões da sua bota as pernas de Fucile e com o cotovelo atinge-o no pescoço, não só ficou por mostrar o cartão vermelho ao jogador benfiquista, como Proença interpretou a falta ao contrário e exibiu o cartão amarelo ao jogador portista (que por acumulação não jogará no próximo jogo), engendrou um livre directo perigoso e inexistente junto da área portista (erros de avaliação), convertido por Carlos Martins e defendido com extrema dificuldade por Helton, dadas a potência e a colocação do remate – fim do jogo, 1-1 resultado final.
(Q.E.D.)
domingo, 26 de outubro de 2008
De derrota em derrota
Ao comando mantemos Jesualdo Ferreira (com a saída de Carlos Azenha, fomos buscar José Gomes; ficou a dupla que, há alguns anos, tão bom resultados deu ao Benfica…)
Com Jesualdo somos bicampeões (para o “tri” teríamos de acrescentar o casmurro e incómodo Adriaanse). Perdemos duas Taças de Portugal e duas Supertaças frente ao Sporting, mas vamos vencendo o Benfica…
Nos últimos dois anos, contratámos um grupo inteiro de uma escola de tango: Benítez, Mariano, Bolatti, Tomás Costa, Farías, que se juntam à dupla de contrariados e insatisfeitos, com o seus gordos vencimentos, Lucho e Licha. Fomos à Colômbia buscar o afamado Guarín, depois do desastre Rentería (de quem espero que, em partenariado com o Alan, fique por muitos e bons anos na cidade dos arcebispos). Roubámos o Rodríguez ao Benfica. Pedimos à Marvel o Hulk. Eclipsámos aquele de quem se dizia ser o melhor defesa central do futuro, Stepanov. Deixámos o desgraçado do Raul Meireles sozinho a meio-campo, a percorrer o terreno todo sob o peso das tatuagens.
Mas temos Jesualdo e o seu idiossincrático e hidiano simpático/abespinhado na presença de jornalistas e de adeptos insatisfeitos.
E repito-me, já foram as taças e as supertaças, e a honra e a glória com o Nacional em casa, com o Chelsea, Liverpool e o Arsenal fora… e, ontem, o Leixões… «foi horrível», disse. Continuará a ser terrível, digo eu.
Entretanto, lá em cima, reproduzidos em píxeis, figuram o melhor jogador do Brasileirão da última época, Ibson (ainda para mais, pela onomástica, um quase excelso dramaturgo, ou um homem que trata os dramas por tu), e a, até há bem pouco tempo, grande esperança do futebol brasileiro, Leandro Lima (um pouco confundido com a idade, é certo, mas seria, certamente, uma preciosa ajuda para um meio-campo inexistente, que serviria de tampão para uma defesa de 5.ª categoria) – e ainda falta dissertar um pouco sobre o que se passou com o Bruno Moraes...
Entretanto, Jesualdo vai descarregando a sua bílis sobre tudo e todos.
Sou sócio do meu clube há quase 33 anos. Já paguei uma enormidade em quotas, uma pequena fortuna em lugares anuais (que abandonei com Adriaanse), e alguma coisa em produtos oficiais com marca registada… não sou accionista, e recuso-me a sê-lo enquanto o controlo pertencer a uma trupe que faz do meu clube um entreposto de jogadores, uma plataforma giratória de jogadores da bola entre a América Latina e a Europa.
Exige-se responsabilização.
Quero uma explicação cabal para o afastamento daqueles dois que, propositadamente, coloquei a envergar camisolas com outras cores que não as azul e branca.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
«Só perdemos três pontos…»
Não é que não possa acontecer. Ele há dias maus. O que dificilmente poderei aceitar como adepto e sócio do clube há quase trinta e três anos é o discurso da mediocridade, da desculpabilização do indesculpável, da legitimação da incompetência, da vergonha.
E foram só quatro…
Mas se fossem dez ou onze tudo leva a crer que a arengada passiva pós-coital se manteria. A equipa é jovem, o ambiente foi terrível, jogou-se bem até ao primeiro golo sofrido… depois, foi só deixar correr o marfim… por um ou por vinte, que importa?
Jamais aceitarei um discurso desta estirpe que, mais do que a derrota, me revolve as entranhas e deixa num estado de náusea perante a pequenez.
Não se pode apelar à compra dos lugares anuais, ao Dragão cheio, ao apoio incondicional da equipa e/ou à paciência dos adeptos com comportamentos destes. Está longe das expectativas criadas no fervoroso adepto no início de cada época.
Se o discurso é legítimo, e ademais tacitamente sancionado pelos emudecidos dirigentes do meu clube do coração, então que se tenha a coragem de abandonar de vez a competição internacional, dedicando-se a prestar os serviços mínimos na competiçãozinha interna, onde se reina com um só olho (que enfrenta sérios riscos de perder irremediavelmente a visão).
Está em causa o nome de um clube construído com sangue, suor e lágrimas ao longo das últimas décadas… respeitado e temido.
A resignação… melhor, a demagogia (para ser brando) da matemática dos três pontos perdidos tem de ser severamente repreendida, sob pena de a perda transformar um clube, que, acrescente-se, também é uma sociedade anónima que pretende a valorização dos seus activos e a maximização do valor dos seus accionistas, numa entidade que não se dá ao respeito, moralmente espúria, indigente e degradada.
Em suma, o mal está feito, é uma evidência, mas argumentar com a matemática sem que, rápida e reflectidamente, se exprobre a argumentação, apenas servirá para perpetuar o crime sem castigo.
[Imagem a partir da capa da edição de 01/10/2008 do jornal O Jogo]
segunda-feira, 30 de junho de 2008
O futeboleiro Presidente

Quarta-feira, 16 de Maio de 1984. A poucas semanas de completar a minha primeira dúzia de anos a vaguear por este mundo – hoje, já completei três – disputava-se na Suíça um dos jogos mais importantes da história futebolística do meu clube desde a sua fundação (28 de Setembro de 1893 pelo vinicultor e exportador de Vinho do Porto António Nicolau de Almeida): a final da Taça das Taças frente à vecchia signora, o clube de Turim Juventus FC, propriedade de Giovanni Agnelli, principal accionista do império FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino) que ajudou a fundar.
De um lado a superpoderosa Juventus, do outro os irredutíveis homens de azul e banco – dirigidos interinamente por António Morais, dada a ausência forçada do colossal José Maria Pedroto, na batalha final contra a doença que o iria vitimar em Janeiro de 1985. Esses desconhecidos, de dragão ao peito, acabavam de vergar a outrora colossal equipa escocesa do Aberdeen, treinada por um homem chamado Alex Ferguson, saindo do estádio escocês debaixo dos aplausos em pé dos adeptos adversários, numa demonstração de reconhecimento da superioridade evidenciada por Gomes & Companhia nos dois jogos.
Aos dezasseis dias do mês de Maio, do ano da Graça de mil novecentos e oitenta e quatro, disputou-se no Estádio St. Jacob1, Basileia, a final Taça dos Vencedores das Taças, entre Futebol Clube do Porto (Portugal) e a Juventus Football Club (Itália), arbitrada pelo habilidosíssimo árbitro da extinta República Democrática Alemã (RDA) de seu nome Adolf Prokop.
Alinhamento das equipas2:
- FC Porto: Zé Beto; João Pinto, Lima Pereira, Eurico e Eduardo Luís; Frasco, Jaime Magalhães, Jaime Pacheco e Sousa; Gomes e Vermelhinho. Jogaram ainda: Costa e Mike Walsh. Treinador: António Morais.
- Juventus FC: Tacconi; Gentile, Scirea, Brio e Cabrini; Tardelli, Platini, Boninni e Vignola; Boniek e Paolo Rossi. Jogou ainda: Caricola. Treinador: Giovanni Trapattoni.
Resultado: FCP – 1 (Sousa, 29’) / Juventus – 2 (Vignola, 13’; Boniek, 85’)
Do jogo ficou a excelente exibição do meu FCP, manchada por uma arbitragem miseravelmente suspeita (aliás com ecos, à laia de rumor, que se fizeram ouvir pela Europa do futebol sobre a sua nomeação nos dias que antecederam o jogo) – eu, com mais 24 anos em cima, não me recordo de uma arbitragem que se aproximasse deste indecoroso calibre; nem o Bruno Paixão em Campo Maior...
Platini era o n.º 10 da equipa de Turim. A Juve venceu a Taça das Taças com a ajuda de uma arbitragem escandalosa de um senhor do outro lado (o leste, miserável) da cortina de ferro. Durante o jogo, ficaram faltas por marcar dentro e fora da área a favor do meu clube. Boniek (o excelente avançado polaco) aproveitou-se e marca o segundo golo em falta sobre os defesas portistas a cinco minutos do final do jogo. Zé Beto é suspenso pela UEFA durante 1 ano porque no túnel de acesso aos balneários tentou tirar satisfações do árbitro e o fiscal de linha interpondo-se ao conflito verbal acabou por levar um pontapé do irascível e saudoso guarda-redes portista.
Recordo-me, vivamente, de me haver agarrado ao meu irmão e de ter chorado de raiva, enquanto ele, então com 8 anos, perguntava à minha mãe: Mas porquê?
No entanto, acabámos por ficar com a Taça exposta no museu dos troféus conquistados. Numa demonstração inequívoca de amor ao clube, os sócios juntaram-se e arrecadaram o dinheiro necessário para construir uma réplica da dita taça e ofereceram-na ao FCP, como acto simbólico de reposição da justiça que faltou, que apaziguou a revolta que ainda vivia nos corações de todos os adeptos.
Por onde andavas Michel Platini? O homem que hoje se arroga das transparência e lealdade desportivas.
É um futeboleiro. Nunca deixou de o ser. Não se enganem. É por falar francês? Língua que, aos nossos ouvidos terceiro-mundistas, pela fonética lhe empresta um certo ar imperial, superior e afectado.
Platini fala do que desconhece na íntegra. Aparentemente, serve de mero ventríloquo das opiniões de alguém que as fez soprar ao ouvido, desautorizando a instâncias jurídicas e disciplinares do organismo máximo que superintende. Hoje, por exemplo, houve o encerramento definitivo de parte de um dos dois processos (o do Estrela da Amadora)…
E depois, M. Platini?
Notas:
- O amnésico-lacunar Valdemar Duarte da TVI, que a propósito de tudo e de nada se referia a qualquer incursão benfiquista, antiga ou recente, por terras austríacas e helvéticas – não se pôde, no entanto, furtar à referência do calcanhar de Madjer e eventos conexos no agora Ernst Happel, outrora apenas Praterstadion, que recebeu a final do Euro 2008 – esqueceu-se, que eu saiba, de mencionar a célebre final de Basileia em 1984. St. Jacob era um dos estádios do Europeu deste ano, tendo recebido inclusivamente um dos quatro jogos da selecção nacional.
- A constituição das equipas foi retirada do livro de Rémulo Jónatas e Bernardino Barros, Mui Nobre e Sempre Invicto Clube do Porto (Parede, Prime Books, 1.ª ed., pág. 44).
sábado, 17 de maio de 2008
Não podem consentir
[Nota prévia: por razões de comodidade de leitura num blogue, procedeu-se a algumas alterações na forma de apresentação deste texto do eminente escritor, cronista e ensaísta português, licenciado em Belas-Artes. Todos os destaques são de minha autoria.]
No Grande Auditório do Soviete Supremo do Nacional-Centralismo, reuniu a respectiva assembleia-geral para análise, discussão e propostas relativas aos pontos únicos da agenda «Pode o Império Centralista continuar a consentir que o F. C. Porto ganhe campeonatos? Pode o Império consentir que uma equipa da província, sem representatividade nacional, mantenha a supremacia sobre as glórias do centralismo?»
A tais questões, pronunciaram-se os seguintes representantes dos Organismos Tutelares do Centralismo:
– da Confraria dos Centralistas Devoristas, que advertiu;
– da Confraria Centralista dos Gestores 7+ (acima dos 7 empregos), que berrou;
– da Confraria Centralista dos Gestores 7/5 (entre 7 e 5 empregos), que uivou;
– da Confraria Intelectual Centralista, que bolsou;
– da Confraria dos Assessores Centralistas, que gritou;
– da Confraria de Legisladores Centralistas, que decretou;
– da Confraria dos Grandes Incompetentes Centralistas, que dejectou;
– da Confraria dos Médios Incompetentes Centralistas, que arengou;
– da Confraria dos Provincianos Convertidos ao Centralismo, que grunhiu;
– da Confraria dos Centralistas subvencionados pelo Estado, que cuspiu;
– da Confraria dos Centralistas nomeados por proximidade do sistema, que ganiu;
– da Confraria dos Centralistas infiltrados nos Meios de Comunicação, que ladrou;
– da Corporação dos Centralistas Avençados, que exortou;
– da Corporação dos Centralistas Disfarçados, que invectivou;
– da Confraria Centralista da vista grossa à Insegurança no país, que programou;
– da Confraria dos Consultores Centralistas, que bradou;
– da Corporação Centralista de Comentadores de TV, que expeliu;
– da Corporação Centralista dos Acumuladores de Subsídios, que ejaculou;
– da Corporação Centralista promotora do abastardamento da Língua Portuguesa, que perdigotou;
– da Corporação Centralista do Cosmopolitismo Importado, que mesurou;
– da Corporação do Proteccionismo Centralista, que rezingou;
– da Corporação Centralista dos Exterminadores de Serviços Regionais, que peidorreou;
– da Corporação dos Yes-Men and Job for the Boys Centralization System, que arrotou;
– da Corporação dos reality-shows Centralistas, que discorreu;
– da Corporação dos Esbanjadores Centralistas, que vituperou;
– da Corporação Centralista dos Saudosos da Censura Prévia, que baliu;
– da Corporação Centralista dos Grupos de Trabalho, que praguejou;
e todos em uníssono votaram: «Não podemos consentir!» e «É ultrajante!».
Face à unanimidade, a Assembleia aprovou as seguintes conclusões:
1.º - Uma cidade a que o centralismo retirou quase tudo: emprego qualificado, sedes de empresas, serviços, investimento público, etc., não pode manter um clube que ganha campeonatos consecutivamente;
2.º -A única coisa que o centralismo ainda não conseguiu extorquir ao Porto são os campeonatos;
3.º - Como os clubes centralistas não ganham no campo, é preciso fazê-los ganhar em jogos fora do campo.
Para isso, serão adoptadas medidas imediatas:
a) lançar uma OPA sobre o F.C. Porto, transferindo-o para a capital;
b) aumentar o IVA do F. C. P., em 80% e os impostos em 90%, para o fazer ir à falência;
c) depois do dourado, lançar apitos prateados, verdes, laranjas, vermelhos e até PINK - cor favorita dos centralistas - para descredibilizar o F. C. P.;
d) formar um consórcio editorial para publicar exclusivamente livros de autores de nomeada - designadamente mortos ou moribundos - contra o F. C. P.;
e) classificando-o como local altamente perigoso para o centralismo, expropriar o Estádio do Dragão por razões de Estado;
f) fazer aumentar a taxa de desemprego da Área Metropolitana do Porto para níveis que obriguem à emigração dos adeptos do F. C. P. para trabalhar na Galiza;
g) legislar no sentido de impedir os menores de 90 anos de assistirem aos jogos do F. C. P.;
h) em caso de insucesso destas medidas, determinar que, no início dos campeonatos, os clubes do centralismo partam com 20 pontos de avanço.
Mal esta notícia chegou à cidade, na Vitória, na Sé, em Campanhã, em Lordelo, no Aleixo, no Cerco do Porto, no Monte Crasto, no Monte da Virgem, nas Cachinas, em Rio Tinto, na Feira, em Avintes, Custóias, Valongo e por aí fora, em toda a parte onde há dragões, milhares de bandeiras azuis se agitaram. E, enquanto os mais velhos cantavam a Maria da Fonte «Pela santa liberdade / Triunfar ou perecer», todos faziam o gesto do zé-povinho na direcção do antigo Sul (agora mudado pelos centralistas para West Coast) e os jovens portistas cantavam: «Esta vida de dragão / Só dá campeão! Tra-lará-lará - lará, lará-lará.»
In Jornal de Notícias, 1 de Maio de 2008.
domingo, 6 de abril de 2008
Ø. FIM. 1 golo por cada ponto
sábado, 5 de abril de 2008
1,... [com promessa]
O rapaz e a mãe ficaram a olhar para a carrinha até aquela desaparecer ao dobrar da esquina. No interior da casa reinava de novo um silêncio de morte. Ele já não se tinha de preocupar com o Rover, ter de verificar se ele estava a fazer algo aos tapetes, ou a morder os móveis, ou até verificar se ele tinha água suficiente ou algo que comer. Rover era a primeira coisa com que se costumava preocupar todos os dias quando regressava da escola e quando a ela voltava de manhã; andara sempre preocupado que o cão pudesse fazer alguma coisa que desagradasse o seu pai e a sua mãe. Agora toda essa ansiedade acabou e, com ela, o prazer, e a casa estava silenciosa.
Ele regressou à mesa da cozinha e tentou pensar em algo que pudesse desenhar. Um jornal estava pousado numa das cadeiras, ele abriu-o e deparou-se com um anúncio a meias da Saks que mostrava uma mulher que envergava um fino vestido, aberto para exibir a perna. Ele começou a desenhá-lo e voltou a pensar em Lucille. Será que poderia ligar-lhe, interrogava-se, e fazer aquilo que haviam feito da última vez? Apesar de ela, com certeza, poder vir a perguntar pelo Rover e não tinha alternativa senão mentir-lhe. Ele recordou-se da forma como ela afagara o Rover nos seus braços, até chegara a beijar-lhe o nariz. Ela amava o cachorrinho. Como é que ele lhe poderia contar que já não o tinha? Só de estar sentado a pensar nela, sentia-o a entesar como um pau de vassoura, e de súbito, perguntou-se, e se lhe telefonasse a dizer que a família estava a pensar num segundo cão para fazer companhia ao Rover? Mas nesse caso ele teria de fingir que continuava a possuir o Rover, o que passaria a envolver duas mentiras, e isso já era um pouco assustador. Nem é tanto as mentiras, à medida que tentava recordar, primeiro, que ele ainda tinha o Rover, segundo, que estava a falar a sério quanto ao segundo cão, e, terceiro, a pior de todas, que quando ele saísse e se levantasse de Lucille ele teria de dizer que infelizmente não poderia levar outro cão porque… Porquê? Só o facto de haver perfilado esses pensamentos, deixou-o exausto. Depois viu-se a si mesmo no meio do calor dela e pensou que a sua cabeça lhe explodia, e veio-lhe à ideia que quando tudo acabasse ela poderia insistir que ele levasse outro cachorrinho. Forçá-lo a isso. Afinal de contas, pensou ele, ela não lhe aceitou os três dólares e o Rover foi uma espécie de presente. Seria embaraçoso rejeitar a oferta de outro cão, especialmente por ele haver regressado especificamente por essa razão. Ele não se atreveria a ir para frente com tudo isso e desistiu da sua ideia. Mas depois arrastou de novo à sua memória a imagem dela escarrapachada no chão da maneira que o fizera, e ele voltou a procurar um motivo para alegar na recusa do segundo cão, depois de ter percorrido Brooklyn inteiro para o ir buscar. Ele quase que lhe podia ver a expressão da cara no momento em que ele recusasse o segundo cão, a estupefacção ou, pior, a fúria. Sim, era bem possível que ela ficasse furiosa e que visse tudo através dele, podendo-se sentir insultada, apercebendo-se de que ele apenas viera para se aproveitar dela e tudo o resto era uma leviandade. Até o poderia esbofetear. O que faria ele a seguir? Ele não podia dar luta a uma mulher adulta. Mas, ocorreu-lhe que por esta altura ela era bem capaz de já ter vendido os outros dois cães, que a três dólares cada um eram bastantes baratos. E depois? Ele começou a interrogar-se, suponhamos que ele lhe telefonava e, sem mencionar qualquer cão, lhe dizia que gostaria de regressar a sua casa para a visitar? Ele apenas teria de contar uma mentira, que ele ainda tinha o Rover e de que a sua família o adorava, e por aí fora. Ele podia facilmente aguentar com isso. Sentou-se ao piano e tocou alguns acordes, a maioria nas teclas pretas de som grave, para se acalmar. Na realidade, ele não sabia tocar piano, mas adorava inventar acordes, deixando que as vibrações atingissem os seus braços. Ele tocava, sentindo-se como se algo dentro dele abanasse desenfreadamente e houvesse colapsado ao mesmo tempo. Ele estava diferente do que tinha sido, não limpo e vazio, mas coberto de segredos e das suas mentiras, algumas ditas outras não, mas todas desagradáveis o suficiente para o manter ligeiramente fora da sua família, num local onde ele agora os poderia observar, e observá-los com ele. Ele tentou criar uma melodia com a mão direita tentando encontrar os acordes harmonizáveis com a esquerda. Por pura sorte, ele conseguia criar alguma beleza. Era realmente surpreendente, como os seus acordes só estavam ligeiramente dissonantes, com uma intensidade discordante mas mantinham-se, de algum modo, num diálogo harmonioso com a melodia tocada pela sua mão direita. A mãe dele entrou na sala surpreendida e pasmada de prazer. “O que se está a passar?” clamou ela em delírio. Ela sabia piano e tocar música de ouvido, tentou ensiná-lo mas falhou, porque, acreditou ela, o ouvido dele era muito bom e ele preferia tocar aquilo que ouvisse do que ter o trabalho de ler notas na pauta. Ela aproximou-se do piano e permaneceu perto do rapaz, observando-lhe as mãos. Espantada, desejando, como sempre que ele pudesse ser um génio, ela riu-se. “Estás a improvisar?” ela quase gritou, como se estivessem lado a lado a descer uma montanha russa. Ele apenas podia abanar a cabeça, não se atrevendo a falar, caso contrário talvez pudesse perder o que ele, de alguma forma, apanhou do ar, e riu-se com ela porque se sentia tão feliz por haver secretamente mudado, e, ao mesmo tempo, tinha dúvidas de que no futuro pudesse alguma vez voltar a tocar assim.
(nota: a divisão do conto em capítulos é da minha inteira responsabilidade – Cap. V: 4615 caracteres)
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Amanhã, terminarei, pelos menos de forma temporária, a minha actividade na blogosfera. A indisciplina e o torvelinho de emoções que se me assaltou nos últimos tempos, advindos sobretudo de um cansaço mental percebido – e, convenhamos, se aquele é de facto consciente, já não estamos nada mal… – não se coaduna com o vício diário de exibir a pobreza dos meus pensamentos ao mundo – e acreditem que não é falsa modéstia, vinha sentindo uma certa deterioração que com alguma premência exigia um afastamento… para não gangrenar e arruinar de vez (passe a redundância) um dos meus passatempos favoritos: escrever (e, claro, ser lido).
Às 20:45 estarei nas Antas a assistir ao primeiro jogo da época e será porventura o último até ao seu final. Com mais 6 ou menos 6 pontos lá estarei a emprestar a minha voz àqueles cujo justo domínio avassalador durante três décadas, dentro e fora de portas, um sistema judicial estranhamente unidireccional, tão podre e tão repugnante como aqueles que neste momento são por ele investigados, pretende fazer esquecer… Canal Caveira eclipsou-se e ninguém pretende que, recorrendo ao simples método da reconstituição histórica, se escrutine os 60 anos que precederam o 25 de Abril de 1974. A rádio não exibia repetições… Um tal de Joel, que substituiu Rui Oliveira e Costa, dizia na televisão pública na passada terça-feira com toda a desfaçatez: "seis pontos não compensam vinte anos". Ao ponto a que chegou a desvergonha e o descaramento de quem não consegue aceitar, pelo menos, algumas das inúmeras derrotas e de reconhecer o mérito a quem de facto o teve durante anos a fio; é que nem das "unhas" se conseguiu recordar!...A promessa: deixarei aqui uma pequena história, conto ou, se preferirem, uma pequena peça escrita sem pretensões literárias de apelo à memória, que é tão curta neste país de medíocres. Irá chamar-se "Bokassa". [cancelada por manifesta falta de vontade]
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Do miasma
Hoje é um dia triste, e não se julgue que a causa, por via imediata, esteve na infeliz circunstância de o meu Porto haver sofrido por terras do Visconde a segunda derrota no campeonato – ganhou em atitude, segundo o filósofo Prof. Jesualdo, e com atitude pagarei a minhas quotas se o espectáculo de falhanços clamorosos, com ou sem Xistra, se repetir.
Enquanto o seu grande amigo, o Querido Líder da Invicta, dá sinais evidentes de que, em breve, se mudará a contragosto de malas e bagagens para Lisboa (Deus, ou alguém ou algo por Ele, o guarde aí em baixo por muitos anos) a pedido da imprensa e da blogosfera da Capital, atente-se nos seus hossanas diários, Pacheco Pereira anda distraído a brincar ao “São João Baptista” (até porque é o padroeiro da sua tão amada e inesquecível cidade), com a Cofina, Pinhão & Botelho, Carolina e com a elite fozeira Veiga e Aguiar Branco, abrindo os caminhos para a triunfal chegada do senhor, pondo de lado a “Teoria do Milieu” – ambiente miasmático em que tudo se passa – e o seu principal arquitecto JNPC, depois dos homicídios de Rio de Mouro e dos gangues que, a fazer fé nos relatos de residentes com identidade protegida, todos os dias aterrorizam a população, ou das facadas em Guimarães e dos anódinos very lights.
JPP pôs literalmente as barbas de molho, a vice-presidência chegará em breve, entretanto toca a “botar faladura” (como se sói dizer cá por cima) nos inúmeros meios de comunicação que lhe dão voz – ad nauseam.








