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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Problemas da Bicefalia

Verão
«Estação do ano que começa entre 20 e 21 de [J]unho, isto é, no solstício de [J]unho, no hemisfério [N]orte, quando o Sol, no seu movimento anual aparente, atinge o ponto solsticial de [J]unho, e acaba 93 dias e 15 horas depois quando o Sol atinge o ponto equinocial de [S]etembro, na sua declinação mínima de 0º.»

In Infopédia (em linha). Porto: Porto Editora, 2003-2013.

Segundo me ensinaram, 2.º trimestre (ano civil): período compreendido entre os dias 1 de Abril e 30 de Junho em cada ano.

Declarações de uma das cabeças do BE (Bicéfalos de Esquerda?) à Lusa, via Público:
«Em declarações aos jornalistas em Faro minutos após a divulgação dos números do desemprego para o segundo trimestre do ano, João Semedo afirmou que as “pequenas variações sazonais têm a ver com o período de Verão, [que é] um período em que há uma oferta maior de trabalho”.» [destaque meu]

O principal problema da cabeça dupla (ou doppelköpfiger, e não confundir com o fenómeno do doppelgänger, porquanto ainda não se manifestou na sua componente nemésica) é o da não-ubiquidade, ou melhor, da transubiquidade, seja com o pachorrento Semedo, seja com a esbugalhada (e giroscópica) Catarina, há sempre uma boca muito próxima de um microfone para débito picareto-intelectual (ou pioletintelectual); e a alta voltagem sináptica tem destas coisas: uma propensão para o encontro imediato para asneira do 3.º grau.

sábado, 3 de agosto de 2013

Canino

Não falarei, nestas breves palavras, de Lanthimos e do seu alegórico Kynodontas (2009), embora o burlesco sirva de alicerce à eleição da fidelidade como valor absoluto de uma sociedade iconoclasta, que, todavia, se verga e anula, embargando a razão, perante o adjectivo: fiel. Palavra que me atemoriza mais do que me deixa nauseado, no que ela tem – num crescendo na escala de sordidez – de constância, de obstinação e de irredutibilidade, em suma, de um reaccionarismo bacoco.
Gostaria de trazer Rio à colação. Esse homem de cuja minha cidade, enfim, se liberta: o deificado gerente/merceeiro municipal – e a categoria profissional já o beneficia – de uma fidelidade canina perante a imagem da sua eminência, da sua rara inteligência, reflectida no espelho da sua soberba. Falar sobre a sua colagem ao mediático, à corrente de opinião diariamente emitida por esta nova raça de lapidadores do século XXI chamada de politólogo – nas variantes de comentador laureado ou de especialista bem avençado –, concebida nos laboratórios das redacções, engajada, com fidelidade, no argumentum ad hominem dirigido ao mais vulnerável, àquele que foi submetido a uma inclemente e massiva saraivada de flechas envenenadas com o objectivo, seguindo a cartilha goebblesiana (talvez, pela actualização temporal, ficasse melhor: fundados na frutuosa fidelidade norte-coreana), de aniquilar o seu carácter por maquiavelismo, sadismo, ou ambos. Na falta de Relvas (que até teve a sua dose de merecimento), houve Álvaro. Esquecido Álvaro, há Maria Luís, mais o apaniguado Secretário de Estado. Quando esta passar, virá (bom, já veio, pela boca perdigotosa dos guardiões da moral nacional, quase todos barbudos e barrigudos) o Machete, corta cerce! Ah, a rasoira politóloga… a bem da Nação (leia-se dos seus bolsos engordados por linhas editoriais que, falando de mansinho como a Ana Lourenço, vão mexendo os peões no jogo sujo dos amamentados pelo Estado.)         
Mas a canino-fidelidade teve na semana passada um episódio mais triste, que só corrobora a necessidade de a relativizar, para que alguma sanidade volte às nossas vidas – e não se me revolvam as tripas sempre que abro o jornal ou tenho o azar de passar pelos canais-viveiro de fiéis politólogos, comentadores e guias espirituais, e o seu dictat venal. Aquela história do cão Zico/Mandela, que matou uma criança, é tão sórdida, tão descentrada da realidade, fiel representante de uma nova vaga de um radicalismo liberal – fundando no pseudo-cosmopolitismo libertário que chega a ver o seu extremo: a ditadura e a vileza do politicamente correcto –, que em mais não se consubstancia que num retrocesso civilizacional. A insanidade apoderou-se desta gente e corporiza-se no (santo) nome escolhido para o cão que abocanhou a cabeça de uma criança, matando-a.
Tudo isto enquanto a saloiada Espírito Santo brinca aos pobrezinhos na Comporta.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Parágrafos Redundantes

Como de uma obra para outra o deslumbramento se torna em abominação literária.
Um exemplo da dissipação da palavra impressa numa manta de retalhos norueguesa premiada, a que chamaram romance:
«Eu sabia exa[c]tamente qual a cabana que queria. Disse-lhe o número. Ela [a recepcionista/proprietária] abriu a porta, pousou o balde no vestíbulo e vi-a a tirar a chave do quadro na parede que tinha várias fileiras de pequenos ganchos, um número para cada gancho e o mesmo número na placa plástica presa ao porta-chaves.»
Per Petterson, Maldito seja o rio do tempo, p. 208.
[Alfragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Junho de 2013, 237 pp; tradução de Maria João Freire de Andrade; obra original: Jeg forbanner tidens elv, 2008 – se bem que, por preguiça ou por falta de pilim para pagar a um tradutor de norueguês/português, a editora tenha optado por traduzir da tradução em língua inglesa: I Curse the River of Time.]

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Pecado Sinonímico


Levantou-se o habitual alarido na imprensa lisboeto-espalhafatosa – mas há-a de outro tipo? A dos bas-fonds do poder – quando o sujeito passivo da epinotícia é o Governo ou as suas instituições, e o activo um dos seus elementos mais próximos.
Na TVI o episódio mereceu maior destaque, em minutos, que a derrapagem nos números de (de)crescimento do PIB ou de acréscimo na taxa de desemprego. No Público gastaram-se 1.700 caracteres para dizer, logo no seu título, que «Ex-secretário de Estado avisa que vai mandar o fisco “tomar no cu”».
A mim preocupa-me apenas a expressão. Eu teria dito “apanhar” ou “levar”, é mais rasteirinha, bem mais portuguesa, vernacular. Mas sendo o Francisco um homem ecuménico por natureza, tão lido por nós, os do rectângulo, como pelos nossos irmãos do outro lado do Atlântico, desculpa-se o “tomar”; e este, é o único pecado detectável no seu texto, venial, apenas susceptível de causar algum tipo de proctalgia aos mais sensíveis.
“Cu” também goza de um riquíssimo campo semântico, mas adequa-se ao contexto, embora “olho” se encaixasse melhor neste baixo ciclópico país, terra em que os dois de cima, há muito, deixaram de ver, e como em tempos disse Vasco Pulido Valente, os que tinham um e poderiam ser reis, tiveram de o vazar, porque a mediocridade reinante a cada esquina não permite esse arrojo.
No entanto, é urgente resolver outra questão que, por analogia, pode traduzir-se em ineficácia fiscalizadora: como será possível mandar esses zelosos e temerários fiscais tomar, apanhar, levar no cu (perdoem-me a exergásia), se quem tem cu tem medo?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Óscares – Na perspectiva das “5 Grandes”

A hora negra rosa exuberante, meia-hora depois, 1 da manhã do próximo dia 25 de Fevereiro (hora de Lisboa), ainda vem longe, mas os previsíveis já se perfilam para proferir as inanidades do costume perante a Glam Cam do rapagão Ryan E! Seacrest, hipno-implantada na passadeira vermelha do Dolby Theatre (so long Kodak!)
Usando um critério de nomeações nas consideradas 5 grandes categorias (Melhores Filme, Realizador, Argumento, Actor e Actriz principais), em filmes com mais de 5 nomeações no total, temos o alinhamento que se segue (e que se pode): 
  • Guia para um Final Feliz, de David O. Russell (Silver Linings Playbook) – 8 nomeações [5 nas cinco categorias principais];
  • Amor, de Michael Haneke (Amour) – 5 [4+];
  • Lincoln, de Steven Spielberg – 12 [4+];
  • 00:30 Hora Negra, de Kathryn Bigelow (Zero Dark Thirty) – 5 [3+];
  • A Vida de Pi, de Ang Lee (Life of Pi) – 11 [3+];
  • Argo, de Ben Affleck – 7 [2+];
  • Django Libertado, de Quentin Tarantino (Django Unchained) – 5 [2+];
  • Os Miseráveis, de Tom Hooper (Les Misérables) – 7 [2+];
  • 007 – Skyfall, de Sam Mendes (Skyfall) – 5 [0+].
Prometedor, não?

De notar que apenas o filme do sobre-aclamado (confesso que me auto-indulgenciei pelo uso daquela palavra composta sem usar “estimado” após o radical) D. Owen Russell poderá entrar no diminuto conjunto de filmes que, em 84 edições dos prémios da AMPAS, inclui os que conquistaram os 5+. A saber, por ordem cronológica:
  • 1934 – (7.ª cerimónia de entrega dos Óscares) Uma Noite Aconteceu, de Frank Capra (It Happened One Night) – parelha de actores principais: Clark Gable / Claudette Colbert;
  • 1975 – (48.ª) Voando sobre um Ninho de Cucos, de Milos Forman (One Flew Over the Cuckoo’s Nest) – parelha de actores principais: Jack Nicholson / Louise Fletcher;
  • 1991 – (64.ª) O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme (The Silence of the Lambs) – parelha de actores principais: Anthony Hopkins / Jodie Foster.

Pronto, está despejada a matéria. Para mais informação, ver aqui.

PS – Ah!, já me esquecia… Este ano há Óscar para Melhor Planeamento de Produção (mais um para adensar o momento Xanax).
PPS – Para a 86.ª edição, proponho um Óscar para as seguintes categorias (categorias em progressão, para que se alcancem as 100 na edição 100):
  • Melhor Catering em Fase de Produção (categoria artística, porque não só contarão as estrelas Michelin, como está provado que se verifica um forte correlação positiva entre um bom repasto dos RH alocados à feitura da obra e a qualidade fílmica);
  • Melhor Olheiro Cinegeoreferenciador (categoria também artística, porquanto este desgraçado calcorreia o mundo para escolher os locais de filmagem onde, normalmente, o sufixado ASC ou BSC ou o que seja apenas mete a lente – como exemplo, o olheiro de Brokeback Mountain (2005) não merecia ganhar um Óscar pela escolha do local das cenas iniciáticas de amor entre homens (género) que guardam ovelhas: Kananaskis, Alberta, Canadá? Ah, pois não! Não foi no Wyoming, EUA.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Os Melhores Álbuns Musicais de 2012

Sem muita conversa e sem dar importância ao que para e acolá se vai vendo de listas de final de ano – e o que não se vê é quase tudo o que aqui foi escolhido: ou estou completamente desfasado da realidade estética da música pop, rock, electrónica, ou alternativa contemporânea, ou ainda melhor, o vasto campo musical onde sempre me movi, e movimentava-me muitíssimo mais há coisa de uma ou duas décadas, levou-me à profissão destas dez heteróclitas escolhas –, chegou, pois, o momento de revelar a ordem de preferências dos álbuns que por aqui desfilaram desde o dia 10 de Dezembro.

Os Melhores Álbuns de 2012
  1. Tame Impala, Lonerism (Modular);
  2. Calexico, Algiers (City slang);
  3. ERAAS, ERAAS (Felte);
  4. Beach House, Bloom (Bella union);
  5. Stagnant Pools, Temporary Room (Polyvinyl);
  6. The xx, Coexist (Young Turks);
  7. Clinic, Free Reign (Domino);
  8. Animal Collective, Centipede Hz (Domino)
  9. PAWS, Cokefloat! (Fat Cat)
  10. David Byrne & St. Vincent, Love this Giant (4AD)
(Nota pertinentíssima – os dois primeiros foram os últimos a ser revelados, por ordem inversa, nos dias 20 e 21. Um verdadeiro passe de mágica… Subtileza artística. E Tudo! Pim!)

De seguida, é de todo justa a referência a quatro álbuns que também me encheram as medidas e que, para ser sincero, me dava uma vontade indómita de os colocar nas posições supramencionadas, por substituição dos 7.º a 10.º classificados.
Eis as minhas Menções Honrosas para 2012, com direito a vídeo (organizados por ordem alfabética do nome do músico ou da banda):

Andy Stott, Luxury Problems (Modern Love):


Lee Ranaldo, Between the Times and the Tides (Matador):


Moullinex, Flora (Gomma):


Patrick Watson, Adventures In Your Own Backyard (Domino):



Banda Sonora Original a destacar (escolha mais que óbvia para um radioheadiano-ptandersoniano):

Jonny Greenwood, The Master – O.S.T. (Nonesuch)

Já nem há muito mais para as decepções, basta referi-las e ouvi-las num lugar e numa data qualquer por esse espaço infinito: Air, Hives e os que continuam A Esmagar Abóboras since 1988 (thru 1995, ano que deveria ter ditado o fim).


Livros, talvez amanhã. Porém, continuam perfilados mesmo aí ao lado.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Já foi ano…

…(como se sói dizer) em que Spielberg ficava de fora dos inúmeros tapetes vermelhos que amparam os pezinhos galácticos no magote de prémios cinematográficos a entregar no princípio de cada ano civil.
Atente-se nas nomeações para os Globos de Ouro de 2013 e apesar de Tarantino ir a quase todas e de Bigelow andar perto, a mascarada será a mesma, deixando o viperino (também canastrão) enfant terrible PT de fora da parte que lhe interessava e o Wes ao lado daquela coisa do Marigold, da marmelada salmónica no Iémen e da 57.ª versão tele/cinematográfica de Os Miseráveis (na realidade, não devo andar longe) de Victor Hugo que, por um lado, tem o condão de trazer de volta aquele britânico triste, atadinho (ou formalmente agrilhoado) e cinzento do Tom Hooper e que, por outro, irá contribuir para ofuscar ainda mais, na memória de peixe-dourado do pipoqueiro nato, a muito razoável versão do dinamarquês Bille August de há quase 15 anos (é só comparar os trios: Jackman, Crowe e Hathaway (cor apropriada) vs. Neeson, G. Rush e Thurman).
E será que vamos ver de novo a Streep com aquele braço bamboleante em cima dos apensos proto-gelationosos e que saltam intensamente devido, não só, à sua proeminência, mas também ao resfolegar sexagenário, por aquela zurrapa fílmica chamada Terapia a Dois (Hope Springs, 2012)?

A 13 de Janeiro de 2013 teremos a confirmação. Entretanto fiquemo-nos, apenas, com a introdução tartamudeada das nomeações deste ano pela curiosa figura da presidente da HFPA, a "Dra. Aida" (foi pena não ter sido o habitual cómico-sério do bigodinho seboso e sotaque pior-que-Moltalban do Jorge Camara), mas temos a doce Megan (depois podem desligar, o tipo não interessa e a Alba que vá aprender a ler):


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Resvalamento do Planalto



Ando por estes dias a observar, incrédulo e impotente (já não se trata de simples acédia), a subida, ainda por cima escabrosa, dos meus índices de PMD*. Com o efeito de retroacção sónica das Bombas V pynchonianas e o seu pavlovianismo, que por cá não se manifesta pela intumescência pré-libidinosa, nas convulsões anti-osmóticas com a espantosa turgidez narrativa de DFW**, os agonizantes odores de cansaço dos pupilos da ATE*** e que nos atingem fatalmente através de espúrias cadeiras de rodas canuck's, rejeitando com incompreensível intensidade a experialista Grande Concavidade: Quo vadis PMD!
Mais de duas mil duzentas páginas… Já nem há tempo para brevidade antologiada da ex-Auster, nem para a, pela cronologia, segunda pérola nabokoviana.
Terapêutica urgente: Reeducação Prescritiva, já!

A que vis andanças podemos tornar…****    

Notas:
*Propensão Marginal para a Demência.
**David Foster Wallace.
***Academia de Ténis de Enfield (“ETA” no original).

**** To what base uses we may return…

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Um Trio

Poucas palavras e longe da semântica concupiscente do linguajar da contemporânea concepção metro que o título poderia encerrar, eis a minha escolha ternária (expressa na imagem, tendo presente que, as anteriores e as poucas que se lhe seguem, foram mesmo as únicas palavras escritas neste blogue sobre o evento findo):

Nota: A Estrela não foi incluída, não por pressão de um apriorismo (que o há), mas sobretudo pela espantosa versatilidade fonética que lhe permite enunciar, urbi et orbi, a palavra “olusedade”.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Uma cadeira de rodas…


…mental, por favor, ou a história de um comunista armado em Redentor milagreiro.


Apesar da minha ausência desta página electrónica por motivos de força maior – motivos cuja presença se prolongará por um tempo ainda não definido – não resisti em postar um dos muitos exemplos da ridicularia do comentário e da crítica fáceis que se instalaram na (in)comunicação social portuguesa e nos políticos paineleiros que pululam divertidamente pelos estúdios das estações de televisão para uma pequena subvenção que compense os seus magros salários como políticos profissionais – jogo preferido: tiro ao Passos e/ou aos seus súbditos. Que alegre algazarra.
Estava eu sentado a jantar, tarde e a más horas, na sexta-feira passada em frente ao televisor sintonizado na SIC-Notícias e aquele seu peculiar jornal do “muito obrigado pela sua presença” e da “excelência de conteúdos”, quando o inefável Ruben de Carvalho – cada vez mais volumetricamente próspero –, depois de a estação de Carnaxide ter passado as inacreditáveis (qualifico a deontologia profissional) imagens recolhidas pela concorrente TVI sobre a famosa conversa informal entre os Ministros das Finanças de Portugal e da Alemanha.
Ruben de Carvalho disse, perdigotando uma área aceitável em seu redor:
«Faz-me vergonha e deprime-me profundamente. Acho inqualificável aquela imagem… enfim… de servilismo, é uma palavra, talvez, extremamente violenta […] não hesitaria em usar a palavra arrogância em relação ao seu outro interlocutor que fala com o seu par, em termos de hierarquia governamental em termos de União, sentado na cadeira, sem ter a gentile… e que inclusivamente se volta de cost… bom, uma coisa verdadeiramente lamentável, o que, digamos, ainda torna mais chocante o agradecimento do Sr. Ministro das Finanças… aliás, um comentário que eu li num jornal – que eu acho que é de uma grande crueldade, mas inteiramente adequado –, é um comentário do coiso que dizem… verificaram se ele estava assente num joelho ou em dois? [risos de escárnio javalinos] Porque de facto a imagem que aparece…»
Fiquei completamente atónito, mas ao mesmo tempo com pena pela constatação da ignorância que é transversal à classe política portuguesa (atrevo-me mesmo a asseverar: é mesmo endémica), nessa noite subsumida no comunista comentador, e sem rectificações, que urgiam, pelo reverencial Mário Crespo e pelo desconsolado (ou desconsolante) líder da bancada parlamentar do CDS.
Ora, o tal Ministro das Finanças alemão, é uma figura mundialmente conhecida pelos seus anos de militância política na Alemanha e pelos cargos que já ocupou na outrora 3.ª maior economia em termos mundiais, e que se chama Wolfgang Schäuble.
Herr Schäuble é paraplégico, caro edil.
Num dia de Outubro de 1990 (portanto, se a matemática não me trai, há quase 21 anos e meio), foi vítima de uma tentativa de assassínio numa acção de campanha eleitoral no Estado Federal de Baden-Württemberg, perpetrada por um louco que o brindou com uma salva de três tiros, tendo um deles atingido a espinal-medula, deixando-o paralisado da cintura para baixo para todo o sempre. Desde a alta hospitalar, Schäuble desloca-se em cadeira de rodas.
Enfim, ou Gaspar aluga uma e passa a falar com o seu homólogo alemão de igual para igual – nunca perdendo de vista a autoparaplegia por uma questão solidariedade de cargos. Ou Rúben de Carvalho necessita urgentemente de um dispositivo qualquer que induza, em termos intelectuais, os mesmos efeitos que a cadeira de rodas produz em Schäuble.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Uma xaropada no ouvido

É daquelas coisas incorpóreas, porém gelatinosas, peganhentas que se agarram e colam ao nosso ouvido. Difícil de expurgar como uma nódoa oleosa. Mesmo assim, não tão má como qualquer coisa saída da voz náuseo-lacrimosa de um James Blunt ou de um Marante.



Daqui a menos de uma semana já não a suporto. De hoje a um mês odeio-me por ter dito que se havia postado como um parasita paradoxalmente simbiótico dentro deste emaranhado de sinapses – como a origem plantada, uma ideia para o emaranhado Nolan, resiliente, um vírus – e irá dar-me uma vontade irreprimível para apagar este texto e o vídeo de um trio de parolos “gelizados” escoceses a cantar para os corações frágeis, e que quando colidimos amamo-nos ainda mais, e depois dizes “eu amo-te” e eu sei que mentes. O Horror, ou melhor, Na Sua Maioria Horror.
Ostentação irreprimível de um mau gosto, provocado por um trailer – pista nas palavras-chave.
Peço-te perdão, André. Mas foste tu que escreveste isto na infeliz data acima fixada.

Pois, convençam-me, isto nunca vos aconteceu… Fugir o dito para o chinelo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Bolas


É a designação inglesa. Ovos, a espanhola. Por cá ficámo-nos pela referência hortícola, embora a sinonímia seja bastante rica e imaginativa.
Não sei a razão por que ainda me exponho, mas acabei de levar uma valente biqueirada testicular – imagine-se! – pelo conteúdo de seis páginas de um livro – aconselho a leitura simultânea de dois ou mais livros para atenuar a dor (acreditem, é como o recomendado gelo para as tumefacções).
Seis páginas onde, na versão portuguesa, se fala de tintins (sic) e de pontapés nos mesmos, e debate-se sobre a dor lancinante que as mulheres desconhecem, fazendo-se a analogia com o fim do mundo e o filme de 1959, realizado por Stanley Kramer, A Hora Final (On the Beach), curiosamente baseado numa obra catastrofista de Shute – parece um imperativo.

Os guizos do fim da paciência já se fazem ouvir… 1Q84.

sábado, 17 de dezembro de 2011

O que fica abaixo do Básico?



Seis anos a aturar-me na blogosfera. Pela cadência de publicação de textos e pela decadência dos assuntos profusamente enfeitados de figuras, gráficos e vídeos, o 1.º ano do 1.º Ciclo atirou-me, sem me perguntar, para o 2.º patamar… do básico. E, na óptica, basicamente, do blogueiro (obrigado ao Rui Santos e ao Brylcream que amansam os seus caracóis neuronais tumultuosos – o nosso B.Boy, perfectly set for the day!) daqui não sairei tão cedo.
Obrigado aos meus 12 seguidores e aos outros 12 que, na óptica do paradigma do internauta distraído, basicamente caem aqui por acaso.


PS – por falar num greasy cocky mf, apeteceu-me de imediato falar de um filme, cuja exteriorização do meu estado de alma por si estimulado poderá ou não surgir neste espaço – até porque já está escrito –, e que tem funcionado como bandeira da jactância pequeno-burguesa dos que se impingem no grupo restrito da cinefilia lusa. Básico (como o rudimentar espúrio, que me levou aos adjectivos seguintes): cocky & tacky, numa espécie de panlinguismo zurzidor. A ver vamos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um final de enterrar


Já que “funeral”, já dizia a inefável Bobone com uma floreira, por vezes fruteira, na cabeça, é para a criadagem, e para o «magote de camponeses, de boné na mão» (p. 20).
«Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado.»
Maria Filomena Mónica, A Morte, p. 80 [Lisboa: FFMS, Junho de 2011, 82 pp.]
Um final de todo espirituoso, o menino ‘tá a ver…

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pritzker 2012?


«por […] construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.»

Agraciem-no antes com o Pritzker do próximo ano (o deste está tomado pelo nosso ESM), e ele próprio ainda não entende como ajudou a construir a ponte se nasceu e cresceu no Japão, fala japonês (o que é, desde logo, um feito notável), come comida japonesa (e que lhe faça bom proveito, por aqui é sinal pequeno-burguês de bom gosto: peixe cru por 200 euros) e faz todas as coisas que fazem os japoneses, mas (importante adversativa) gosta de Jazz e da literatura ocidental de Dostoievski a Stephen King (valha-me um qualquer Kami xintoísta, de Pessoa a Rebelo Pinto à escala lusa).
Sim, venceu em Março passado o Prémio Internacional da Catalunha, que conseguiu a proeza de meter no mesmo saco Harold Bloom e Stephen King por via referencial de Haruki Murakami. 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Biopic

«-noun
(informal) a film based on the life of a famous person, especially one giving a popular treatment
[from bio (graphical) + pic (ture)]»
Collins English Dictionary – Complete and Unabridged, 10th Edition.
Seguido de:
«You’re not an asshole, Mark. You just want to be.»
[Do argumento de Aaron Sorkin, The Social network, pág. 160 – última fala do filme, proferida pela assistente do advogado ("Sy") de Zuckerberg, "Marylin".]
q.e.d.
Sugestão de temas a desenvolver:

  • Facebook e o mundo.
  • A privacidade e o Facebook.
  • Facebook e a dependência afectiva.
  • O Facebook e a alienação da identidade.
  • Manuel Alegre: "Cavaco Silva serve-se do Facebook enquanto PR" – A instrumentalização capitalista de Cavaco patrão / Cavaco costureiro.
  • Beijei a fotografia do perfil do Facebook de Rui Santos (o tal do cabelo encaracolado), será que estou grávida?
  • O Facebook e a modernidade: a impossibilidade de dissociar estes conceitos, ou o emparelhamento inextinguível – estudo de críticas cinematográficas.
  • Fincher começa por F… acebook, o que faltou incluir no F… ilme para o transformar numa obra rivettiana, F… oda-se.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Houellebecq, finalmente

Michel Houellebecq (n. 1956)
Pelo seu romance La Carte et le territoire, num resultado de 7 votos contra 2 [Cinco à maior? Parece-me familiar…] Eis um excerto do romance galardoado, antes que me dê vontade de aqui expor e destapar a verve asinina (e até criminosa, pelas calúnia, difamação e infâmia) daqueles cuja inquestionável meia dezena no bucho não consegue fazer calar (carregar aqui para mais informações sobre a atribuição do prémio):
«Jeff Koons tinha acabado de se levantar do seu assento, os braços projectados para diante num impulso de entusiasmo. Sentado à sua frente numa otomana de couro branco parcialmente coberta de sedas, de certa forma absorto nos seus próprios pensamentos, Damien Hirst parecia encontrar-se prestes a proferir uma objecção – a sua cara estava corada, soturna. Ambos vestiam um fato preto – o de Koons, de riscas finas –, uma camisa branca e uma gravata preta. Entre os dois, na mesa de centro, permanecia um cestinho de frutas cristalizadas que nem um, nem outro, prestou qualquer atenção – Hirst bebia uma Budweiser Light.
»Atrás deles, uma pequena varanda envidraçada abria-se para uma paisagem de prédios altos que formavam uma desordem babilónica de polígonos gigantescos até aos confins do horizonte. A noite estava luminosa, o ar de uma limpidez absoluta. Podiam encontra-se no Catar ou no Dubai. Na realidade, a decoração do quarto tinha-se inspirado numa fotografia publicitária, retirada de uma publicação de luxo alemã, do hotel Emirates em Abu Dhabi.
»A testa de Jeff Koons estava ligeiramente brilhante. Com o pincel, Jed esbateu-a e recuou três passos. Decididamente, havia um problema com Koons. Hirst, no fundo, foi fácil de captar: podemos fazê-lo brutal, cínico, do tipo “eu cago sobre todos vós do alto da minha riqueza”; também se poderia fazer dele um artista revoltado (mesmo continuando rico) porfiando num trabalho angustiante sobre a morte. O seu rosto possuía algo de sanguíneo e grosseiro, tipicamente inglês, que o aproximava de um membro da claque do Arsenal. Em suma, existiam diferentes aspectos, mas que poderiam ser combinados num retrato coerente, representável, de um artista britânico típico da sua geração. Enquanto Koons parecia transmitir qualquer coisa de ambíguo, como uma combinação intransponível entre a manha ordinária de um vendedor e o entusiasmo de um asceta. Com aquela já fazia três semanas que Jed retocava a expressão de Koons a levantar-se do seu assento de braços projectados para diante num impulso de entusiasmo, como se tentasse persuadir Hirst – foi tão difícil como pintar um pornógrafo mórmon.»
Michel Houellebecq, La Carte et le territoire [parágrafos de abertura; tradução livre: AMC, 2010]
Patrocínio

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Quem?

As Novas Oportunidades in motion nas ilhas britânicas. Howard Jacobson, escritor-humorista mancuniano, nascido em 1942, venceu o Booker Prize de 2010, com The Finkler Question. E o júri considerou o pré-septuagenário como sendo em parte depositário «da mais espirituosa, pungente e verdadeiramente perspicaz prosa humorística na língua inglesa» – por andavas tu no nosso país (e talvez no teu), seu folgazão? E a obra «foi descrita como “maravilhosa” e “irrepreensivelmente satisfatória” e como um romance “pleno de sentido de humor, chama, inteligência, sensibilidade e compreensão”».
A obra debruça-se (com equilíbrio assegurado) sobre «o amor, a perda e a amizade masculina, explorando o que significa ser judeu nos dias que correm.» Estranho, este argumento parece-me familiar… [notícia em português aqui.]
[E cá está o neo-Booker, em cima na fotografia; tradução mal-amanhada aqui da casa; uma brutal enxaqueca (não repassada por artes do oculto ao premiado, cf. imagem) que deliu qualquer hipótese para o humor e a dor até foi, de certa forma, inculcadora de algum desprezo por quem o possa possuir em barda por estas horas, cuja falta me levou ao, muito praticado por esse país fora, “copiar e colar” partes do texto disponível na página do prémio, e acrescente-se mais um motivo (ou dois?): é de tradição anunciar aqui o Booker e estou a borrifar-me para o vencedor e as suas cinquenta mil libras esterlinas – troca-as por euros, que a coisa parece imparável por estes dias – e o jantarzinho lacrimejante, quando McEwan e Amis ficaram de fora em ano de excelentes romances; vai uns graminhas infinitesimais de clonixina? De codeína? De hidrocodona? E deixem-se lá de trocadilhos lúbrico-farmacológicos, que isto é assunto sério. A enxaqueca, claro.]

domingo, 3 de outubro de 2010

Nobel da Literatura 2010 – anúncio

É já na próxima quinta-feira, dia 7 de Outubro, pelo meio-dia (hora de Lisboa), que será anunciado o 107.º vencedor do Prémio Nobel da Literatura, na sua 103.ª edição desde que começou a ser atribuído no primeiro ano do século XX.
Como tem sido hábito aqui neste blogue, tentar-se-á dar notícia do laureado em cima do acontecimento, isto é, se a rede, normalmente congestionada na ocasião, o permitir. É que os assuntos para-literários também são notícia, embora desprovidos da arte e intelectualidade superiores que os zelosos literatos (patrulheiros) adoptam nos seus comportamentos públicos, cuja pulsão snobenta conduz ao desprezo daqueles que se dedicam a este tipo de jogos florais. Pues que, a mí me encantan los juegos florales.
Outra pequena nuance ou exercício de desperdício de palavras comummente associados a esta ocasião, consiste em verificar as probabilidades atribuídas a autores consagrados pelas casas de apostas – no caso do Nobel da Literatura, já se tornou tradição citar a tabela da casa inglesa Ladbrokes, que em 2006 acertou em cheio no autor laureado, o turco Orhan Pamuk. Assim sendo, confiramos as probabilidades retiradas da tabela de apostas publicada hoje dos 15 nomes mais prováveis a arrecadar o Nobel da Literatura:

1) Tomas Tranströmer (n. 1931; Suécia), com 4/1
2) Haruki Murakami (n. 1949; Japão), com 7/1
3) Ko Un (n. 1933; Coreia do Sul), com 8/1
--- Adonis (n. 1930; Síria)
5) Adam Zagajewski (n. 1945; Ucrânia/Polónia), com 10/1
6) Antonio Tabucchi (n. 1943; Itália), com 12/1
7) Les Murray (n. 1938, Austrália), com 13/1
8) Yves Bonnefoy (n. 1923; França), com 15/1
--- Assia Djebar (n. 1936; Argélia)
--- Thomas Pynchon (n. 1937; Estados Unidos)
11) Joyce Carol Oates (n. 1938; Estados Unidos), com 18/1
--- Margaret Atwood (n. 1939; Canadá)
--- Alice Munro (n. 1931; Canadá)
--- A.S. Byatt (n. 1936; Reino Unido)
--- Michel Tournier (n. 1924; França)
Na lista surge também António Lobo Antunes (n. 1942) com uma probabilidade associada de 35/1.
Entre os 72 nomes constantes da lista, para além dos referidos anteriormente, em que apenas Thomas Pynchon e Margaret Atwood me deixam entusiasmado, há 8 (com Pynchon e Atwood, são 10) que pertencem ao clube restrito da devoção literária aqui da casa e que considero merecerem o Nobel:
  • Philip Roth (20/1);
  • Don DeLillo (22/1);
  • Mario Vargas Llosa (25/1);
  • Milan Kundera (25/1);
  • Umberto Eco (45/1);
  • Ian McEwan (50/1);
  • John Banville (66/1);
  • Paul Auster (66/1).

Há, no entanto, alguns outros autores, para além dos 10 atrás referidos e de ALA, cuja atribuição do Nobel de 2010 não me deixaria, de forma alguma, nada desagradado, como são os casos de Munro, Byatt, Cormac McCarthy, Magris, Oz, Handke, Carlos Fuentes, Modiano, Javier Marías, Barnes, Atiq Rahimi ou o notável serôdio norte-americano William H. Gass.
Mencionei 23 autores em 72 que constam da listagem da Ladbrokes e tenho, desde já, uma certeza: nenhum deles irá vencer, ou porque não participam no diálogo da cultura universal, ou porque são de direita, ou mesmo de esquerda, mas americanos, ou até porque os seus nomes são excessivamente conhecidos e os seus livros vendáveis (segundo os critérios obscuros da Academia Sueca).
Em memória de Henry James, Pessoa, Proust, Joyce, Woolf, Musil, Nabokov, Walser, Borges, Bernhard e Updike.   

sábado, 25 de setembro de 2010

Náuseas Imperiais

Lisboetizando-me, trata-se daquelas carregadas de cevada, a cheirar a fermentação e a um insistente processo de levedação, alcoolicamente proibitivas, denunciadas pelo cheiro a benzina, pela dor de cabeça latejante e o inevitável vómito biliar que se nos apresenta de forma eruptiva no dia seguinte.
É assim o último romance do chavalo BEE da cidade dos anjos que resolveu repescar o seu sucesso de há 25 anos e escrever no mesmo estilo incipiente e cadavérico, perdoável, e até honorável, num jovem de vinte anos que se atirou de cabeça no mundo literário para contar as suas vacuidades burgueso-criminosas sob a forma de pseudónimos e sexos trocados, todavia inadmissível num jovem de 46 anos que não aprendeu a lidar com os seus traumas.
Mas se a história é deploravelmente enjoativa, a sua tradução para a nossa língua é repulsiva. Não há página, entre as 177, com letra de tamanho 12 e espaço e meio entre linhas, que não tenha o seu erro de palmatória em língua portuguesa. É o advérbio “demais” usado e abusado quando se pretende referir o excesso de alguma coisa; é o verbo “haver”, impessoal na sua acepção de “existir”, apresentando nesta situação formas verbais em todas as pessoas do singular ao plural; é a inconsistência no uso do “porque” e do “por que”, já de si uma fonte de polémica entre linguistas nacionais; é a terceira pessoa do presente do indicativo do verbo “vir” – “vêm” – substituída, quiçá por problema oftalmológico do tradutor, por “vêem”; são às dezenas as passagens de discurso directo ao indirecto que estão por assinalar devidamente pelo escolhido travessão, ou então, são incontáveis as vezes em que os diálogos são todos processados num só parágrafo, numa orgia gráfica entre “vírgulas”, “pontos finais” e “travessões” que fariam corar o José Castelo Branco, até pela terceira via de “género”; e, parafraseando este último, até é fino que apareça “New York” ao invés da forma portuguesa da Grande Maçã, “Nova Iorque”; mas depois vem o “112” em vez do “911”, o que é admissível, no entanto incoerente, e mesmo aviltante, quando se traduz a referência do narrador na página 114 que esteve “à porta do ER em Cedars-Sinai” (pág. 114) – o “ER” são as “urgências” e o “Cedars-Sinai” o famosíssimo hospital-universidade de Los Angeles, e não uma sala VIP de um clube nocturno exclusivo de Hollywood.
Um Nausef. E pronto. Acabei de tomar um antiemético muito conhecido sem nada receber por isso, nem uma viagem a um importante congresso à República Dominicana.
Referência bibliográfica
Bret Easton Ellis, Quartos Imperiais. Lisboa: Teorema, Agosto de 2010, 177 pp. Tradução de José Luís Luna, com revisão de José Costa; obra original: Imperial Bedrooms, 2010.