sábado, 9 de dezembro de 2006

A Náusea

Bem pior que a escumalha que, munida de um ressentimento excruciante e impregnada de um arrivismo alarve, se serve de um livro para denegrir a imagem, revelando factos do foro íntimo de alguém com quem em tempos privou, são aqueles que se servem dessa imundície e depois difundem-na até à náusea, socorrendo-se, criminosamente, da autoridade absoluta do dever de informar.
De uma forma mais coloquial e directa (inteligível para a escumalha que se alimenta da escumalha), refiro-me ao estereótipo do português medíocre e necrófago (chulo), ou seja, aquele que para lidar com a merda, cheira-a, aproxima-se e degusta-a com júbilo, e depois de devidamente saciado liga a ventoinha para a qual regurgita o sadio repasto.

Só me resta repetir as palavras do João: «Ao que chegou a D. Quixote»! E acrescentar a questão: como é possível publicar-se “As Memórias da Tua Puta Ressentida no Calor da Noite” quando se publicam autores como Philip Roth, Gabriel García Marquez, Lobo Antunes, Rushdie, Vargas Llosa, Capote, Kundera, Jorge Amado, Musil, Naipaul ou Faulkner?

1 comentário:

Mónica (em Campanhã) disse...

são critérios... editoriais, dizem. para quem ainda tivesse ilusões.