quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

La Fiesta del Padre Hemingway


O que diria o Pai Hemingway – como lhe chamou Henry Chinaski, alter-ego do truculento Charles Bukowski – perante os primeiros indícios de uma mudança de atitude dos espanhóis face à bárbara chacina de touros na denominada Fiesta Nacional espanhola?

Resposta mais do que provável: «Você é bom, Pai Hemingway. Não se pode vencer sempre (…) Não estoure com os miolos.»
(retirado do conto “Classe” incluído na obra A Sul de Nenhum Norte, de Charles Bukowski)

Nota: Ministra espanhola do Meio Ambiente, Cristina Narbona, propõe uma reflexão nacional sobre o fim dos “touros de morte”, dando com exemplo a festa brava portuguesa.
Segundo o Gallup (España), em 2006 apenas 7,4% dos espanhóis se considera aficionado da Fiesta, enquanto cerca de 72,1% reprova convictamente este tipo de barbárie. O Gallup faz notar que em 1971 a distribuição das respostas era diferente, apesar de já se haver verificado a superioridade do número de detractores das touradas, 22 e 42%, respectivamente.
[Ler a notícia sobre a sondagem no jornal La Vanguardia e sobre a proposta da Ministra no El Mundo.


Imagem: cartoon de autoria de Ralph Barton, “Hemingway”, (© Diana Barton Franz) publicado na revista Vanity Fair, onde Hemingway vestido de toureiro espanhol confraterniza com o próprio touro.

1 comentário:

João G. disse...

Um amigo espanhol (numa discussão há tempos sobre toiros de morte: Portugal Vs Espanha) já me tinha dito que em Espanha a "fiesta brava" tinha mais projecção do que adoração, com relevante destaque principalmente na estação pública de televisão, como imagem de marca nacional. Dizia ele que a grande massa da população não ía ver, que eram sempre as mesmas pessoas que enchiam as praças todas as semanas, que não conhecia ninguém realmente "aficionado" por paixão, e era a (suposta) elite de gerações mais velhas que não só mantinham a tradição como faziam por mantê-la como inantigível por mudanças e como festa nacional.

Sempre desconfiei que fosse tão grande essa percentagem de espanhóis que reprovava o toiro de morte, mas pelos vistos tinha razão! Ele, não eu!