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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Património

Finalmente, emerge do lodaçal dos livros de auto-ajuda, dos romances históricos, da resma de livros sobre Salazar e D. Carlos, a edição portuguesa do aclamado livro de memórias de Philip Roth sobre as doença e morte de seu pai, Herman Roth.


[capa da 1.ª edição americana; vencedor do National Book Critics Circle Award em 1991 na categoria de Biografia; em Portugal será publicado pela Dom Quixote.]

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Meus senhores (…) Ivan Ilitch morreu! [actualizado]

«Aspirou o ar profundamente, não acabou a aspiração, inteiriçou-se e morreu.»
Porém, continuam a matar o pobre do Ivan Ilitch.

«Como isto aconteceu no início do terceiro mês da doença de Ivan Ilitch, impossível é sabê-lo, porque se deu a pouco e pouco, mas sucedeu que, sem ninguém dar conta, a mulher, a filha, o filho, os criados, os amigos, os médicos, e especialmente o próprio Ivan Ilitch, compreenderam que todo o interesse da sua situação para os outros se reduzia a saber quando deixaria enfim o campo livre, quando libertaria os vivos do mal-estar que causava a sua presença e se libertaria ele próprio dos seus sofrimentos.»


A Dom Quixote através da sua chancela para os livros de bolso, Booket, em colaboração com António Lobo Antunes, anunciou a edição da colecção “Biblioteca de Autor”, composta por 50 livros (à data não sei se reunirá 50 autores diferentes), ao preço de venda ao público de 7 euros cada, escolhidos pelo autor de Memória de Elefante.
Começou com Daudet e Tolstói (ambas as capas na imagem), e prosseguirá, por enquanto, com Conrad – mais uma edição, há poucas!, porventura com nova tradução, de O Coração das Trevas –, Svevo, Hawthorne com A Letra Encarnada – provavelmente, pelo título, com a tradução de Fernando Pessoa – e Balzac.

As citações acima reproduzidas referem-se à edição da Europa-América de A Morte de Ivan Ilitch, com tradução de Adolfo Casais Monteiro. Esta é a versão em português da obra imortal do escritor russo de que disponho na minha modesta biblioteca. Mas há-as para todos os gostos, mesmo sem contar com as edições brasileiras: ele é com tradução de Pedro Tamen, de António Pescada, de João Maia, do referido Casais Monteiro, de Alfredo e Maria Clarinda Brás – e não sei se a brilhante dupla de tradutores Nina Guerra e Filipe Guerra não terá feito a sua perninha; depois há Ilitch e Iliitch, de Leão, Leon, Leo ou Lev com Tolstoi, Tolstói ou Tolstoy; enfim, não é decerto por falta de soluções que Ivan Ilitch não morre…

Li algures que ALA pretende acabar com o marasmo da classificação de obras literárias como “clássico” – lá está a célebre megalomania, Lobo Antunes armado em Harold Bloom lusitano para fixar o cânone, com uma pitada de Borges para tentar delimitar a Biblioteca... se bem que este último houvesse proferido que ela “existe ab aeterno” e que o Homem é o imperfeito bibliotecário...
Pelos vistos, o marasmo combate-se com o marasmo. A Dom Quixote edita a célebre novela de Tolstói (a 7 euros, com uma brevíssima introdução de ALA) apenas dois meses volvidos da sua reedição pela Relógio D’Água (a 12 euros, com prefácio de Vladimir Nabokov), facto que é agravado pela total disponibilidade para venda da edição de bolso das Publicações Europa-América (a 5,99 euros, embora sem o precioso prefácio de 10 linhas de ALA…)
Assim vai o mercado editorial em Portugal, ainda parco na publicação de uma grande parte das obras da literatura universal de reconhecidíssimo mérito, abundante nas repetições, cujo único mérito, atingido assim de repente, é o de aumentar os lucros das indústrias da celulose, e pródigo nas mesquinhas guerras editoriais de alecrim e manjerona – e se, de facto, não se tratar de uma guerra, então o marasmo deve-se a uma negligência pura e simples, evidenciando o desrespeito pelo leitor e pelo fenómeno literário; maior proveito trariam se vendessem sabonetes…

[Não sei se já repararam, mas hoje mais do que nunca as reticências abundam neste blogue. É da idade e da irritação (contenção extrema para não dizer uma... caralhada.)]

Bom, eis o momento em que reiniciarei a antiga melopeia deste blogue em relação à maior (não confundir com a melhor, como se sói fazer neste país)
editora portuguesa, agora propriedade da LeYa, a princesa do George Lucas:

Para quando a prometida publicação das obras completas de Robert Musil com tradução de João Barrento?

«Nesse instante precisamente Ivan Ilitch caiu, viu a luzinha e descobriu que a sua vida não fora o que deveria ser, mas que o mal ainda podia ser reparado.»


[Adenda às 19:10]: Confirma-se, a versão de A Morte de Ivan Iliitch (sic) da editora Relógio D'Água é de autoria da dupla Nina Guerra e Filipe Guerra.

sábado, 15 de setembro de 2007

Regresso antecipado… com novidades


Antecipado em dois dias o regresso em definitivo à minha mesa de trabalho, perfilam-se desde logo as novidades editoriais em Portugal no campo da literatura da, usualmente fértil, temporada outonal.
Eis duas das mais importantes novidades para quem gosta de literatura anglo-saxónica contemporânea, e ambas com a chancela das
Edições Asa:

  • Paul Auster com Viagens no Scriptorium (Travels in the Scriptorium, 2007; publicado há 235 dias nos Estados Unidos e há 345 dias no Reino Unido – contador R.E.P.);
  • Julian Barnes com Arthur & George (Arthur and George, 2005; finalista do Booker Prize em 2005 e do International IMPAC Dublin Literary Award em 2007; publicado há 800 dias no Reino Unido – contador R.E.P.)

Para breve, nas Publicações Dom Quixote, Zadie Smith com On Beauty, Jonathan Littell com Les Bienveillantes e o retomar da publicação das Obras Completas de Robert Musil, traduzidas por João Barrento, depois de As Perturbações do Pupilo Törless, surge A Portuguesa e outras Novelas, seguindo-se a obra-prima O Homem sem Qualidades, em três volumes.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Uma editora a desperdiçar qualidades

Robert MusilEm Maio de 2005, a Lusa noticiava que a Dom Quixote iria editar as obras completas do escritor austríaco Robert Musil (1880-1942):
«O primeiro título da colecção será “As Perturbações do Pupilo Torless”, publicado em 1906 e já editado em Portugal pela Livros do Brasil.
«O segundo livro da série, intitulado “A Portuguesa e outras novelas”, sairá no Outono, e só no primeiro trimestre de 2006 devem chegar às livrarias os dois primeiros volumes de “O Homem sem Qualidades”, publicado entre 1930 e 1942.
«De acordo com João Barrento, a colecção, composta por oito obras distribuídas por 11 tomos, será publicada ao ritmo de dois a três livros por ano, devendo ficar completa no final de 2006 ou no início de 2007.» (Agência Lusa, 7 de Maio de 2005).

Hoje, 30 de Maio de 2007, a referida editora apenas publicou o excepcional As Perturbações do Pupilo Törless – uma das obras de ficção da minha vida, a par de Jakob von Gunten do seu contemporâneo suíço Robert Walser, uns furos acima da obra que emprestou a epígrafe a este blogue, para me situar no género diarista de púberes-buscas-existenciais, que já havia lido sob o título O Jovem Törless na versão, chamemos-lhe comedida, de João Filipe Ferreira para a editora Livros do Brasil.

Tal como A Montanha Mágica de Mann, O Homem sem Qualidades de Musil foi em tempos imemoriais publicado pela editora Livros do Brasil, porém há anos que ambas as edições se encontram esgotadas no mercado – colecção “Dois Mundos”, edições n.º 32 e n.º 115 (esta em 3 volumes), respectivamente –, e sem reedição prevista, talvez justificada pela perda de direitos de publicação.

(Louvor: honra seja feita à editora fundada por António Augusto de Souza-Pinto pelo eclético e completíssimo catálogo de autores consagrados e de verdadeiras obras-primas da literatura universal, que, se não existisse e perante a penosa constatação do vencimento dos critérios mercantilistas da promoção do lixo no actual panorama editorial português, jazeriam no olvido do deserto – desta feita em ambas as margens, a começar no Terreiro do Paço – cultural luso.)

É por todos sabido – pelo menos por aqueles que se interessam por livros – que a Dom Quixote tem vindo, no último par de anos, a encaminhar-se para um destino completamente divergente daquele que foi idealizado pela sua mais notável fundadora, a tragicamente desaparecida, a 4 de Dezembro de 1980, Snu Abecassis.
Em 1999, a editora portuguesa foi adquirida pelo gigantesco grupo editorial espanhol Planeta. No entanto, para nós leitores, os efeitos da quente brisa de mudança do Levante peninsular começaram apenas a sentir-se no século XXI, havendo culminado com a publicação do best-seller "Auchan/Modelo-Continente/Barbas" Eu, Carolina.
Enquanto isso a editora, que já perdeu Kundera e Banville para a Asa e que publica Roth, García Márquez, Lobo Antunes, Rushdie, Vargas Llosa, Faulkner, Jorge Amado, entre outros, tarda em publicar Slow Man de Coetzee, adia sucessivamente Everyman de Philip Roth, não se conhecem os últimos avanços na prometida edição de Les Bienveillantes de Jonathan Littell – vencedor do Goncourt 2006 –, emudece-se sobre a edição do aclamado romance On Beauty da jovem e premiada escritora britânica Zadie Smith (n. 1975) e, ao que parece, meteu literalmente Robert Musil na gaveta, já com obra restaurada pelo notável ensaísta, tradutor e crítico literário João Barrento.

De degradação em degradação, quo vadis, Dom Quixote?

terça-feira, 15 de maio de 2007

Em breve...

Em português, editado pela Dom Quixote, e segundo o JL sob o estranho título – adjectivação de minha responsabilidade – de Todo-o-Mundo (recebeu o título de “O Homem Comum” no Brasil e de “Elegía” em Espanha.


Até lá (e ainda vai funcionando o contador "R.E.P." iniciado por mim há mais de 1 ano no meu hibernado blogue Data) vamo-nos deliciando com as primeiras linhas do original (tal como fiz no Porque há 1 ano):
«Around the grave in the rundown cemetery were a few of his former advertising colleagues from New York, who recalled his energy and originality and told his daughter, Nancy, what a pleasure it had been to work with him. There were also people who'd driven up from Starfish Beach, the residential retirement village at the Jersey Shore where he'd been living since Thanksgiving of 2001-the elderly to whom only recently he'd been giving art classes. And there were his two sons, Randy and Lonny, middle-aged men from his turbulent first marriage, very much their mother's children, who as a consequence knew little of him that was praiseworthy and much that was beastly and who were present out of duty and nothing more. His older brother, Howie, and his sister-in-law were there, having flown in from California the night before, and there was one of his three ex-wives, the middle one, Nancy's mother, Phoebe, a tall, very thin whitehaired woman whose right arm hung limply at her side. When asked by Nancy if she wanted to say anything, Phoebe shyly shook her head but then went ahead to speak in a soft voice, her speech faintly slurred. "It's just so hard to believe. I keep thinking of him swimming the bay-that's all. I just keep seeing him swimming the bay." And then Nancy, who had made her father's funeral arrangements and placed the phone calls to those who'd showed up so that the mourners wouldn't consist of just her mother, herself, and his brother and sister-in-law. There was only one person whose presence hadn't to do with having been invited, a heavyset woman with a pleasant round face and dyed red hair who had simply appeared at the cemetery and introduced herself as Maureen, the private duty nurse who had looked after him following his heart surgery years back. Howie remembered her and went up to kiss her cheek.»
Philip Roth, Everyman (Houghton Mifflin)


Das 26 obras de ficção escritas e publicadas pelo Mestre Philip Roth – saga que começou em 1959 com Goodbye, Columbus and Five Short Stories, estando prevista para Outubro a publicação da 27.ª, com o título de Exit Ghost –, estão disponíveis em português de Portugal apenas 9 (NOVE), sendo que o perturbado Alexander Portnoy é o único representante de 31 anos de obra publicada entre 1959 e 1990 – por ordem cronológica da publicação original:

  • O Complexo de Portnoy (Bertrand, 1994) – Portnoy's Complaint, 1969.
  • Traições (Bertrand, 1991) – Deception, 1990.
  • Teatro de Sabbath (Dom Quixote, 2000) – Sabbath's Theater, 1995.
  • Pastoral Americana (Dom Quixote, 1999) – American Pastoral, 1997.
  • Casei com um Comunista (Dom Quixote, 2001) – I Married a Communist, 1998.
  • A Mancha Humana (Dom Quixote, 2004) – The Human Stain, 2000.
  • O Animal Moribundo (Dom Quixote, 2006) – The Dying Animal, 2001.
  • A Conspiração contra a América (Dom Quixote, 2005) – The Plot Against America, 2004.
  • Todo-o-Mundo (Dom Quixote, 2007) – Everyman, 2006.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Tóibín

«Noel was the driver that weekend in Clare, the only musician among his friends who did not drink. They were going to need a driver; the town was, they believed, too full of eager students and eager tourists; the pubs were impossible. For two or three nights they would aim for empty country pubs or private houses. Noel played the tin whistle with more skill than flair, better always accompanying a large group than playing alone. His singing voice, however, was special, even though it had nothing of the strength and individuality of his mother's voice, known to all of them from one recording made in the early seventies. He could do perfect harmony with anybody, moving a fraction above or below, roaming freely around the other voice, no matter what sort of voice it was. He did not have an actual singing voice, he used to joke, he had an ear, and in that small world it was agreed that his ear was flawless.»
in Colm Tóibín, "A Song", Mothers and Sons (2006 UK; 2007 USA)


Para quando em português, se nem o premiadíssimo romance The Master – sobre o esteta Henry James – tem data marcada para a edição portuguesa?
O segundo melhor escritor irlandês vivo – o melhor é Banville – tem apenas dois livros editados em Portugal, e o último – O Navio-Farol de Blackwater, 1999, ed. port. 2001 – foi editado pelo Dom Quixote, que, decerto, deterá os respectivos direitos de publicação em solo luso.
Depois desta última informação está praticamente tudo dito, não será assim?

sábado, 9 de dezembro de 2006

A Náusea

Bem pior que a escumalha que, munida de um ressentimento excruciante e impregnada de um arrivismo alarve, se serve de um livro para denegrir a imagem, revelando factos do foro íntimo de alguém com quem em tempos privou, são aqueles que se servem dessa imundície e depois difundem-na até à náusea, socorrendo-se, criminosamente, da autoridade absoluta do dever de informar.
De uma forma mais coloquial e directa (inteligível para a escumalha que se alimenta da escumalha), refiro-me ao estereótipo do português medíocre e necrófago (chulo), ou seja, aquele que para lidar com a merda, cheira-a, aproxima-se e degusta-a com júbilo, e depois de devidamente saciado liga a ventoinha para a qual regurgita o sadio repasto.

Só me resta repetir as palavras do João: «Ao que chegou a D. Quixote»! E acrescentar a questão: como é possível publicar-se “As Memórias da Tua Puta Ressentida no Calor da Noite” quando se publicam autores como Philip Roth, Gabriel García Marquez, Lobo Antunes, Rushdie, Vargas Llosa, Capote, Kundera, Jorge Amado, Musil, Naipaul ou Faulkner?