sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Frases iniciais exemplares (v. beta #19, #20, #21 e #22)

Bruscamente, (ainda) neste Verão, descubro que esta iniciativa, que tem prosperado neste blogue, não é uma originalidade na blogosfera lusa. Através de uma pesquisa corriqueira no Google descobri que no antigo fórum de O Citador houve um tópico dedicado a este assunto, com contribuições dos seus utilizadores, que decorreu entre Junho e Outubro de 2005.
Todavia, foi o Luís Januário, autor do blogue
A Natureza do Mal, o verdadeiro precursor da ideia, vide este texto colocado no seu blogue em Junho de 2005, que se inicia com uma referência a uma entrevista de Jorge Luis Borges, na qual este terá afirmado que “a frase mais importante de um romance é a primeira”. Curiosamente, o Luís Januário dá o mote citando a primeira frase do Dom Quixote de Cervantes – 27.ª classificada na lista da American Book Review.
Feita a justíssima referência, relembro que, neste blogue, esta ideia surgiu com o artigo publicado na
American Book Review no início deste ano (vol. 27, n.º 2), tal como aqui expliquei. A lista da ABR apenas foi publicada com as traduções disponíveis – irá ser publicada na íntegra para a próxima semana. As frases que integram a listagem alternativa são publicadas neste blogue e compiladas no blogue subsidiário Data neste ficheiro.

Bem, regressemos às frases e aos prestimosos e notáveis contributos da blogosfera para o enobrecimento da lista alternativa (ou versão beta).
Destaco a contribuição de Jorge Andrade Silva que, na mensagem de correio electrónico que me enviou, afirmou pertencer ao “Imperador da nossa língua” – não poderia estar mais de acordo:

#19, contribuição de Jorge Andrade Silva, do blogue
Prima Scripta:
«Nenhuma cousa se pode prometer à natureza humana mais conforme a seu maior apetite nem mais superior a toda sua capacidade, que a notícia dos tempos e sucessos futuros; e isto é o que oferece a Portugal, à Europa e ao Mundo esta nova e nunca ouvida História.»
Padre António Vieira, História do Futuro

(Brasil: Universidade de Brasília, 2005, pág. ?; Organização da obra por José Carlos Brandi Aleixo; Publicado originalmente em Portugal em 1718)

#20, contribuição de Manuel José Matos Nunes, do blogue
Disperso Escrevedor:
«Só agora Amaro acredita que a primavera chegou: de sua janela vê Clarissa a brincar sob os pessegueiros floridos. As glicínias roxas espiam por cima do muro que separa o pátio da pensão do pátio da casa vizinha. O menino doente está na sua cadeira de rodas; o sol lhe ilumina o rosto pálido, atirando-lhe sobre os cabelos um polvilho de ouro. Um avião cruza o céu, roncando – asas coruscantes contra o azul nítido.»
Erico Veríssimo, Clarissa

(Livros do Brasil, 9.ª edição, 1979, pág. ?)

#21, contribuição de Mónica Granja, do blogue
Linha do Norte:
«O autor actual deste livro garante que o leitor não será condenado a morrer depois de o ter lido, como foi o destino dos seus predecessores, em 1691, quando o Dicionário Khazar ainda estava na sua primeira edição e quando o seu primeiro autor ainda vivia.»
Milorad Pavic, Dicionário Khazar: romance-enciclopédia em 100.000 palavras

(Dom Quixote, 1.ª edição, 1990, pág. ?; Tradução de Herbert Daniel; Obra Original: Hazarski Recnik, 1984)

#22, contribuição de Rui Miguel Brás, do blogue
Coisas:
«Dois ex-amantes de Molly Lane estavam à espera à porta da capela crematória, de costas para o frio de Fevereiro. Tudo aquilo já tinha sido dito, mas eles voltaram a dizê-lo.»
Ian McEwan, Amesterdão

(Gradiva, 7.ª edição, Outubro de 2000, pág. 11; Tradução de Ana Falcão Bastos; Obra Original: Amsterdam, 1998)

2 comentários:

Jorge A. S. disse...

O Jorge Andrade Silva equivocou-se e estas coisas dos títulos têm de ser levadas a sério: o Príncipe afinal é um Imperador, Pessoa dixit....

Está reposta a verdade nobiliárquica...

Abraços.

amc disse...

:)
Será corrigido.
Un abraço