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domingo, 22 de janeiro de 2012

Obsessão (act.)

Pensei escrever qualquer coisa. Alinhavei umas quantas palavras. A obsessão pelo pormenor. A meticulosidade de um relojoeiro na evocação imagética. A mão perfeita de um artesão que usa a tecnologia sem que a pressintamos – para ele é mesmo um meio, e nunca um artifício estético. As mulheres, sempre as mulheres, não tão ostensivas como em Lars von Trier, maquinais e diabólicas como em Tarantino, austeras, frias e impiedosas como em Almodóvar, objecto de desejo que se emancipa perante o indício da corte pelo pavão como em Rohmer, ou eloquentes, por vezes doces receptoras da neurastenia projectada pelo criador, como em Woody Allen. São uma bruma perene, omnipresente, extática e hermética, portadoras – eis o ventre primordial – do código inacessível a um encadeamento lógico da razão. 
Fiz um historial da abordagem subliminar do lado feminino que joga um papel crucial em Fincher desde Se7en (1995) – excluí Sigourney “Ripley” Weaver, não tivesse sido ela de Ridley Scott, em primeiro lugar, e de James Cameron, em segundo – Paltrow (1995), Kara Unger (1997), Bonham Carter (1999), Foster (2002), Sevigny (2007), Blanchett (2008), e Mara por duas vezes (2010 e 2011), mas guardei o ficheiro na imensa pasta dos textos “não publicados”, talvez para maturação, muito provavelmente para as impenetráveis trevas do olvido. Decidi “me & myself” atirar Karen Ocujo grito seco ressoa no negro líquido viscoso (amniótico) para a fogueira daqueles que Odeiam as Mulheres:


«Salander não consegue mexer-se. Espera que a dor abrande – o que eventualmente acontece – mas apenas para ser substituída por um sentimento de abandono. Então aquele abranda, substituído por um semblante de indiferença.»
Steven Zaillian, The Girl with the Dragon Tattoo [screenplay], p. 165 (© 2011 Sony Pictures). Tradução livre: AMC.
Em jeito de nota final, o fim: é impossível ficar indiferente ao pathos que emana daquele olhar, que tudo apaga, de Rooney Mara.

Soberbo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Karen O, Reznor & Atticus Ross

Um fincheriano confessa-se (tão ao jeito do jogador da bola – a personalidade evanescente pela transpiração fragrante, como que transmigrada para um terceiro não presente –, sempre com a cabeça levantada para encarar o próximo desafio): aguarda com expectativa pela chegada do dia 19, mesmo considerando que Fincher não deveria ter cedido à pressão de Scott Rudin para tomar as rédeas de uma história de Stieg Larsson exaurida pelos fãs e já filmada no seu país natal (e com relativo sucesso), mesmo com um novo guião de Steven Zaillian. Mas sobre isso, o autor deste pasquim já falou: ao homem de Denver tudo se perdoa.
Para já, uma pequena amostra do que aí vem, neste videoclip reminiscente (um bom fincheriano passa no teste da evocação da obra passada), com a voz da portentosa Karen O, numa adaptação de Trent Reznor e Atticus Ross da icónica “Immigrant Song”, escrita pelos Srs. Oficial e Comendador do Império Britânico, respectivamente Jimmy Page e Robert Plant, estreada em 1970 no álbum Led Zeppelin III.
Eis o vídeo (fullscreen, please):

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O regresso dos lábios ardentes (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

 
“I Can Be a Frog”
The Flaming Lips Embryonic (Warner)
Com alguma consciência do sucedido, atrevo-me a dizer que já quase me havia esquecido da existência deste grupo norte-americano que, entretanto, já leva no seu pecúlio 12 álbuns 12 de originais. Muito se tem falado de Coyne & Companhia devido ao esperadíssimo remake de um dos melhores álbuns de todos os tempos, The Dark Side of the Moon, produzido em 1973 pelos eternos Pink Floyd. Porém, entre anúncio e prenúncios, surgiu finalmente no princípio do Outono, Embryonic, o 12.º álbum de originais do grupo que floresceu em Oklahoma. Com a colaboração da maravilhosa Karen O em 3 músicas e dos MGMT em 1, este duplo álbum é um verdadeiro desafio ao mais empedernido dos resistentes: a distorção contínua, os sons pungentes retirados dos mais diferentes objectos orgânicos ou inorgânicos – um pigarreio, uma interferência de um telemóvel, uma voz fria e sem cor que nos chega de um auricular de um telemóvel, o ruído do escasso silêncio –, alternados, em algumas músicas, com acordes zen a apelar à meditação, e outros arreigadamente psicadélicos, deixarão porventura mossa no cérebro mais são. Contudo, é na sua audição em repetição sucessiva que damos conta que já nos encontramos embryonicizados… já é tarde para dar um passo atrás, até porque atrás é o abismo de uma vida pardacenta, de uma rotina fracturante. Não havendo encontrado a minha música preferida – a que se destaca por muito pouco do conjunto, dado o todo inebriante – para postar o som original em vídeo, a psicadélica, com laivos curtisianos, e música de abertura do álbum “Convinced of the Hex”, deixo ficar a desconcertante “I Can Be a Frog” com Karen O ao telefone. Talvez apareça por aqui em breve com os seus Yeah Yeah Yeahs…
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.