sábado, 16 de junho de 2012

Fiat Tenebras


Incómodo. Perplexidade. Desconforto. Irritação. Sufoco. Prostração. Rendição. Êxtase.


Nestas quatro décadas a deambular por quilómetros de fotogramas em movimento, não me recordo de, no processo recapitulativo de apreciação de um filme, conseguir relacionar, num todo harmonioso, aquelas oito palavras que, com uma inquietante precisão, descrevem a minha experiência no seu visionamento.

Béla Tarr (n. 1955), o artífice, de quem apenas vi O Homem de Londres (A Londoni férfi, 2007).

Fiat Lux: o início dos 146 minutos com a narração do lendário delíquio de consequências irreversíveis de Nietzsche em Turim. O cavalo e a sua corrida fustigada pelo vento. Um velho. A filha. O anti-Génesis. Da Luz às Trevas; do descanso ao flagelo, em seis dias… o que fará Ele no 7.º?