quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Ao intervalo

De novo na casa de partida, mas com alguns dos haveres de viandante ainda emalados – já para nem falar dos deveres… isso é outra história.
Com uma interrupção pelo meio, são já vinte e cinco os dias sem blogosfera, preparando-me para ampliar a marca para os trinta e cinco – tantos como os anos percorridos naquele processo, ou estigma insanável, o delicado continuum, designado por envelhecimento… envelhecer, em toda a sua radiosa intransitividade, por justaposição ao comezinho e tão luso vamos vivendo, rindo e chorando neste vale de lágrimas (ah, que bela manifestação da minha tendência schopenhaueriana!).
Pois, entre idas e vindas, há uma sede que tem de ser saciada...
Esperam-me as vindimas e a insubstituível peregrinação anual à terra que, ufana dos seus socalcos resvaladiços e xistosos, somente se fez achar pelo trabalho árduo e pela vontade férrea das suas gentes. Outrora do seu fruto dizia-se que dava o pão a um milhão de portugueses. Porém, hoje, a cupidez de uns e a grave negligência de outros, esfarelaram-no numas míseras migalhas a repartir pela mesma gente que da teimosia fez coragem.
Nem de propósito, cem anos, Torga, nome da urze que com a esteva odorizam a terra que te viu nascer: Um poema geológico. A beleza absoluta.

Nota: o meu mui estimado manuel a. domingos lançou um repto em cadeia à blogosfera, que fez jus à sua condição exponencial. Multiplicaram-se as listas, as reacções, as pró-acções – esta tinha de surgir, a célebre locução de contraponto estético-linguístico do jovem empreendedor, normalmente iletrado – e até considerações epistemológicas.
Tentarei abordar o assunto antes de partir. Todavia, por razões diversas, deixo aqui três pequenos apontamentos:

  1. O Francisco, meu correligionário clubista, filho da região supracitada e um dos meus bloggers preferidos, conseguiu, com a sua lista, acertar em três dos meus livros de eleição;
  2. O Luís segue a bom ritmo a demonstração da impossibilidade epistemológica do exercício, através de um delicioso diálogo com a sua leitora, cujo infinito particular tive a oportunidade de tanger;
  3. O Eduardo, para o leitor atento aos seus escritos, não deixou de dar a sua (justa) ferroada ao mais que incensado Austerlitz de Sebald.

Voltarei ao assunto.

1 comentário:

manuel a. domingos disse...

fico à espera. e já agora: que tal uma lista tua?