terça-feira, 19 de setembro de 2006

Marco

Fez-me chorar aos quatro anos. Do alto de mim, torrentes de baba e ranho entaramelaram-se numa mescla viscosa rumo àquele porto italiano que vira partir para a Argentina a querida mamã. O Dragonball é violento!? O Marco vence-o aos pontos. Porém, não é a esse que me refiro.

A violência e o horror em estado puro, depois de noites seguidas de canseira no exercício da prodigiosa tarefa de correcção de exames finais – assim o obrigavam a justiça e a objectividade classificativas. Naqueles dias, nada do que se pudesse suceder poderia ser ou parecer tão mau ou tão provocadoramente exasperante como aquele retiro ascético forçado, e eis que surgia aquela frase assassina que esperava por mim escondida nos interstícios das lajes que pavimentavam os corredores que ostentavam as pautas: «Foda-se, eu tinha passo se não fosse aquela merda!» Sempre a culpa alheia na hora do desaire e quem sofre é a língua e o seus particípios passados. Tal como «eu tinha marco aquele golo se…» qualquer complemento extemporâneo e deliciosamente rústico e boçal. Contudo, não é a esse marco que me refiro.

Histórico – as voltas que uma pessoa dá só para comunicar a 6,72 pessoas (sendo seis inteiras e a 0,72 a mais importante) que constituem a audiência deste depauperado blogue que, finalmente, o sapo – não o portal – foi engolido.
«No dia seguinte ninguém morreu.»
E pronto, mais notícias não darei, a não ser que se dê o caso especial de gostar da obra que presentemente leio – e que pretendo acabar de ler nos próximos dois dias no máximo; ou que a leitura das restantes obras me desperte e excite a dolorosa deglutição de todos os sapos que caíram do céu em Magnólia, de Paul Thomas Anderson, após a constatação de que aquele sujeito repelente – e, acreditem, poderia ter sido mais acutilante! – merece um dos lugares cimeiros na minha estante mental de autores de eleição.
Não creio, mas que é possível… ¡Cómo las brujas!

2 comentários:

hmbf disse...

Eu sempre fui mais «Bele e Sebastião».

amc disse...

Concordo, desde que se acrescente o nosso verniano Willy (Philleas) Fogg.