segunda-feira, 10 de abril de 2006

Justas referências cum laude – II

A blogosfera tem destas coisas, ainda ontem inaugurei uma nova secção deste cantinho de pura divagação e já houve motivos para o segundo capítulo.
Assim, o louvor vai inteirinho para
este texto do meu conterrâneo Tiago Barbosa Ribeiro, no seu blogue Kontratempos. O meu palavreado laudatório vai, no seu âmago, para esta frase:

«Um adepto do Porto aprende a gostar do seu clube antes de gostar de futebol.»

No entanto, houve reacção! E por um dos meus prosadores dilectos, o Afonso Bivar [ver aqui a réplica].
Eu, que vivi durante 25 anos nas Antas, mais concretamente na fronteira entre as freguesias do Bonfim e de Campanhã, com Paranhos à ilharga, só queria fazer uma pequena correcção ao texto do Afonso:
O Velásquez – para quem não conhece situa-se em pleno coração da andradolândia, na antiga praça do mesmo nome, hoje denominada por Francisco Sá Carneiro – é o ponto de encontro de um conjunto heterogéneo de paixões clubísticas, no qual porém predomina a azul e branca – tal como na cidade inteira e tal como os cafés circundantes, Eça e Bom Dia.
As célebres tertúlias literárias, políticas e futeboleiras davam-se no falecido – hoje uma dependência bancária – Café Orfeu e na Petúlia – ambos sitos na Rua Júlio Dinis, Boavista –, na Brasileira – na Rua Sá da Bandeira, na Baixa – e no eterno Majestic – na Rua Santa Catarina, também na Baixa.
Ao contrário do que o Afonso refere, a zona das Antas não é uma zona depressiva, é burguesa em contraponto à nobre Foz – onde, aliás, também predomina o azul e branco.
Para quem não conhece o Porto, a denominada zona das Antas é um pequeno enclave que circunda a parte mais alta da enorme Avenida Fernão de Magalhães – esta última começa no coração da cidade, Campo 24 de Agosto e termina na zona da Areosa na qual confluem 3 concelhos: Porto, Gondomar e Maia.
A tal zona deprimida é de facto a zona oriental do Porto, constituída essencialmente pela freguesia de Campanhã, sendo as Antas sua parte integrante, porém é um oásis no meio dessa degradação. Ademais, é a zona na qual gostaria de ter continuado a viver, porém o preço por metro quadrado para habitação é dos maiores do país, rivalizando por exemplo com Lisboa (Lapa, Estrela e Restelo) e Porto (Foz e Boavista).

O estrangeiro

O Ivan Walden… perdão, Nunes, escreveu este naco de prosa no seu blogue A Praia – o qual passará a constar da minha lista na actualização prometida para hoje [chegou-me ao conhecimento via Vasco M. Barreto's A Memória Inventada]:

«Não gostar do Benfica (para além dos aspectos éticos), é questão de vizinhança; não gostar do Porto é xenofobia, trata-se de um clube estrangeiro.»

Não, Ivan não vive nos bosques! Vive na Grande Urbe – Lisboa que, em boa verdade, é uma cidade que ¡me encanta! – e nunca desfrutou da companhia mais íntima de um notável portista, assim compreendo a xenofobia e depreendo que os considere alienígenas – em sentido lato – ou uma tribo talvez a perscrutar à laia de David Livingstone.
Eu, em tempo idos – e vou confessar-me –, na mais pura das realidades, não conhecia sportinguistas – nos ciclos restritos da família, dos amigos e dos colegas! Porém, tudo isso mudou a partir dos meus 13-14 anos, na minha fase ontogenética de amadurecimento. Ou seja, fui-me socializando, dei novos mundos ao meu mundo – que, assustadoramente, se estendia para lá do meu quarto –, e os comecei a encontrar sportinguistas e com eles a privar de perto, mantendo laços estreitos de amizade com muitos deles até aos dias de hoje – em idade capicua que foi a de Cristo crucificado.
Mas na minha ainda curta vivência terráquea, a mais fina das ironias acabou por pintar a letras de ouro a minha biografia. Philip Roth escreveu o notável livro «Casei com um Comunista». (Não, não esperem por essa! No meu contrato matrimonial não existe a contraparte comunista e muito menos um ele!) No meu caso, há quase 9 anos, poderia ter escrito «Casei com uma Sportinguista» e tem sido uma experiência deveras aberta e interessante, com uma única excepção a essa regra de livre debate: a doutrinação da nossa filha – agora com 2 anos e meio –, que já é sócia do FCP desde os 3 meses de idade – não fosse o diabo (ou, neste caso, o Rei Lagarto – Jim Morrison!?) tecê-las!
Ao Ivan recomendo a leitura do livro de Huxley, essencialmente pelo título, «Admirável Mundo Novo» e porque não, também por parte do enredo, a viagem de Lenina e de Bernard Marx a Malpaís, onde conhecem o selvagem miscigenado John, que será a fonte de todos os problemas!
Ivan, não me leve a mal: eu fundamentalista me confesso!

domingo, 9 de abril de 2006

Amanhã...

…proceder-se-á a mais uma actualização da lista de blogues e do conteúdo da grafonola que, necessariamente, já não obriga à inclusão de sons BLUE – a esse respeito está prometido um espaço daqui a 2 ou 3 semanas e, garantidamente, no dia 14 de Maio.
Porque será?

Semana em grande!

Depois de uma brutal enxaqueca na quinta-feira, de uma tremenda decepção cinéfila na sexta, de uma alegria, ainda que moderada e cautelosa, no sábado, só faltava uma dorzita de dentes para rematar – não, essa do rematar… foi o Jorginho! – a semana!
Ah, e descobri que Llona “Cicciolina” Staller é portista!

Nota (quase que me esquecia):
Afonso, já divisei a potencial fonte de agudização de Bivar, chama-se corrector ortográfico FLIP. Não sei por que cargas de água o dito cujo aplicativo transforma bivar ou Bivar em “Bívar”!?
Como desconheço a existência da palavra Bívar – e sempre conheci o mui nobre nome de família Bivar –, só posso interpretar que o obediente corrector a considere como uma palavra grave – gravíssimo! – que termina em “r” e, assim, obedecendo às regras de acentuação, acentue de forma automática a penúltima sílaba.
Gostei do «
desígnio licantrópico»! Contudo, na próxima 5.ª feira, dia 13 – por mera coincidência, é esse o número –, fechar-me-ei em casa a partir das 7 horas e 51 minutos da manhã até às 4 horas e 28 minutos da manhã do dia 21 de Abril... (In)felizmente, acabaram-se-me as balas de prata!

Justas referências cum laude – I

Inaugura-se mais uma secção deste blogue, na qual irão ser postadas, de forma intermitente, algumas referências a textos publicados na blogosfera – mais viva que nunca! – que merecem um distinção com louvor – adverte-se que o critério é manifestamente subjectivo.
Para começar bem, destaco logo dois textos de dois blogues diferentes.
O primeiro destaque vai para
este texto de Vasco M. Barreto, o correspondente nova-iorquino da nossa blogosfera, publicado no seu blogue A Memória Inventada:
«TSF online: oiço tudo e volto a ouvir. É o meu Portugal portátil.»
De facto queria aqui reforçar o reconhecimento do riquíssimo conteúdo da
TSF Online, como, aliás, VMB merecidamente enfatiza no seu texto. A minha dilecção vai inteirinha para o programa de Carlos Vaz Marques «Pessoal e... Transmissível», no ar depois das notícias das 19 e em permanência na página da Internet da TSF. CVM é admirável em todos os aspectos na arte de conduzir uma entrevista. Os seus diálogos não parecem seguir um guião e resultam da interacção simbiótica entre entrevistador e entrevistado. Deixo, apenas, 3 singelas sugestões: as entrevistas de CVM a Ian McEwan, Salman Rushdie e Paul Auster – e já agora a entrevista a Pat Metheny, do qual são os acordes que dão vida e cor ao programa. A TSF neste âmbito presta um verdadeiro serviço público – e acabo por aqui com os encómios, não vá o Fragoso lembrar-se de passar a cobrar pela audição online dos ficheiros de áudio!
O segundo destaque, cum laude, vai para
este texto de João Gonçalves no seu blogue Portugal dos Pequeninos – na verdade o título do blogue até se encaixa bem na matéria nele (texto) vertida.
JG referindo-se à O2 Clara Ferreira Alves e ao seu anúncio digital da morte da blogosfera: «Eu [João Gonçalves], pelo contrário, desejo vida e saúde à sua "pluma caprichosa" no jornal do regime, bem como à sua "língua de prata" na versão televisiva do mesmo jornal. Não a leio. Não a oiço. Por isso não me incomoda nada que ela exista, mesmo que "aprisionada" nos seus "formatos e vícios".»
Para entender melhor esta morte quiçá “desejada” – como refere JG e que eu reitero – deixo aqui uma citação de um texto postado num blogue darwiniano, corria o dia 11 de Janeiro deste ano:
«A Casa é um projecto entusiasmante e delicado; precisa de público, de mais público; as ideias e os projectos que já existem precisam agora de tempo, como se sabe.»
A Casa tem o nome de Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares, e por aí fora. Passou a figurar no costumadamente restrito e exíguo mapa cultural português. Honra seja feita ao seu director
Francisco José Viegas e ao seu animador Ricardo Gross, que trouxeram para o domínio público aquilo que muito bem se faz no campo das letras em Portugal e no mundo. Parafraseando Rodrigo Guedes de Carvalho aquele espaço deixou de ser uma “Casa Quieta”, finalmente tornou-se num memorial vivo e digno do nome assombroso que ostenta. É razão para se dizer que, neste caso, A Mensagem transmitida por esse Infante Francisco que navega essa nau no turbilhão artístico português concretizou-se «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce». À laia de citação, aponho aqui o delicioso estribilho de António Lobo Antunes nos seus relatos espectrais: «percebe».

sábado, 8 de abril de 2006

Mais um passo...

Jorginho E calma! Ainda não há razões para festejos!

Faltam: 31.ª U. Leiria (Dragão); 32.ª Penafiel (fora); 33.ª V. Guimarães (Dragão) e 34.ª Boavista (fora).

Explicações de Português

Habilidoso «adj. e s. m., que ou aquele que é hábil, destro; que tem habilidade; jeitoso, engenhoso; deprec., espertalhão, finório.» in Dicionário da Língua Portuguesa On-line, da Priberam

Fora-de-jogo, esse incompreendido!
Lei 11 do International F. A. Board
«Um jogador encontra-se em posição fora-de-jogo se estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário»

À lei de Murphy

Cillian MurphyMurphy, Cillian Murphy.
Neil Jordan dirigiu e elaborou o argumento, adaptado do romance de 1998 «Breakfast on Pluto», do escritor irlandês Pat McCabe.
Jordan arriscou! Adaptou ao cinema uma fabulação que mexe com questões fracturantes como a homossexualidade, a inadaptação pelo género e a homofobia; a política e o terrorismo; a religião e os seus zelosos dignitários.
Mais, Jordan necessitava de um Actor – de letra capital!
No que toca ao argumento, Jordan ficou-se pela rama, não foi ao fundo da mina que lhe poderia ter trazido o ouro dos galardões ou então a negridão da hulha que poderia contribuir para a fossilização de um mito.
Jordan lembrou-se de Murphy. Da lei, como se de uma profecia se tratasse, um oráculo celta que lhe transmitia que se algo pode correr mal, esse mal decerto ocorrerá.
Jordan, no fundo, não arriscou na prospecção do conteúdo da mina, cobriu-se de um argumento que dependia de um actor, como disse anteriormente: do Actor.
Brotou Murphy – o Actor – de nome Cillian, o irlandês de 30 anos.
A lente, a câmara, faziam depender os seus movimentos do grau de genialidade do protagonista. O rasgo deste último era o caminho do sucesso do filme e, logo, Jordan arriscou!
Foi esta dualidade, este hermafroditismo de sentimentos, que se me assaltou perante o fundo negro da tela com letras desenhada a branco projectando “The End”.
Sobre o filme terei que reflectir mais uns dias ou, porventura, revê-lo.
Sobre Cillian, magistral seria um qualificativo depreciativo da grandeza da interpretação. É o filme de Cillian e não de Jordan ou até – porque não? – de Neeson ou de Rea – ofuscados pelo glam!

Notas:

  • Lembram-se do estrangulador de bigode ralo que percorria as ruas de Londres a bordo do seu carro de luxo? Sim, esse mesmo que canta… Bryan Ferry!
  • Ver aqui a opinião de Ricardo Gross e aqui a de Luís Mourão.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Um preço...

…perfeitamente abrupto!

Vi, claramente visto, hoje na Bertrand do Dolce Vita E. Dragão!

Diga comigo: 55! (≈ 1/7 do S.M.N.)

Weblog de uma enxaqueca

Que fique registado nos autos que, aos seis dias do mês de Abril do ano da Graça de dois mil e seis, o autor deste blogue pariu uma rameira de uma enxaqueca – polidez de redacção advinda da bonança do suave restabelecimento.
Que fique, ademais, registado que o trabalho de parto durou um tempo obsceno – de novo a polidez – de umas dez horas e que o autor – ao contrário do estatuído como razoável e da opinião da turba de terapeutas especializada em cópulas cerebrais – foi visto e sentido a espiolhar blogues, chegando inclusive ao paroxismo da desfaçatez através da manifestação de opiniões em blogues que, delirantemente, diz de referência.
Esta acta depois de lida será assinada…

Eu digo: vão para a p… [lápis azul, Caran d’Ache Prismalo Aquarelle]

Mudando de assunto, depois de regurgitada esta dor espasmódica, vou-me preparando para o hooliganismo e a troca de galhardetes, contando como é óbvio com uma boa dose de verrina cruzada com os meus eternos, porém transitivos, opositores – no que à insânia da bola diz respeito, claro! –
Afonso Bivar e José Pimentel Teixeira.
O Afonso até já transformou o nome de blogue para um ambíguo Moron e
promete uma luta encarniçada.
Ó Francisco, eventualmente, irei necessitar de uma ajudinha para combater estes aguerridos lagartos*!

Nota:
* Tentei encontrar uma melhor expressão para substituir o quiçá pejorativo “lagarto” através de uma expressão grandiloquente que simbolizasse a dimensão argumentativa dos meus oponentes, todavia o maior lagarto do mundo é… o
Dragão de Komodo!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Da essência

Na margem esquerda de um rio, por entre a neblina expelida por aquela linha de água cálida e a reverberação, numa paz sibilante, do coaxar das rãs, um solitário escorpião vislumbra, na outra margem, a terra prometida de escorpionas em topless exibindo ostensivamente as suas rabichas peçonhentas.
O macho, que nunca foi de nadar, procura, num frenesim de testosterona em ponto de ebulição, algo ou alguém que o carregue para aquela margem idílica, a direita.
Num nenúfar, não muito longe da margem, avista uma pequena rã palpitante, de porte atlético, que de olhos bem abertos ignora o efeito danoso dos ultravioleta nas suas anfíbias retinas.
O sagaz aracnídeo, numa punção ejaculatória, arquitecta um plano para transpor de forma rápida e incólume aquele purgatório de águas lodosas:
– Minha linda flor verde de coxas deleitosas e muito apreciadas! – começou o finório. – Preciso de chegar à outra banda antes que anoiteça! – disse-o, amaciando a voz. – Será que abusarei da tua confiança se me carregares nas tuas resplandecentes e firmes costas?
A pequena rã, bondosa na sua essência, reforçada durante tempos infindos por um lar repleto de urbanidade ainda se conhecia como um imberbe girino, depressa anuiu, não sem que antes avisasse o potencial ser deletério para os perigos em que o seu canastro incorria pelo ousado transporte.
O lacrau, na sua voz melíflua, logo lhe assegurou que riscos corriam-se nos casinos ou na bolsa e que entre irmãos – nessa imensa fraternidade que os unia contra o Homem ignóbil e poluidor – jamais poderia existir a desconfiança e até mesmo o vil sentimento de traição.
Assim posta a coisa, o pobre batráquio inicia a sua viagem com a besta encavalitada no seu dorso, apelando a todos os anjos e santos que lhe concedam o dom de resistir a tão rígido esforço, quase desbatraquiano.
A meio do percurso, num estertor de guelras e bofes, a pequena rã sente uma dor atroz no fundo da espinha que lhe percorre, numa fúria incontida, todo o corpinho esponjoso num décimo de segundo. Numa vozinha membranosa, diz:
– Então, o que se passa!? Carrego-te… blurp… blurp… às co… co… costas… aaarf… e fa… fa… fazes-me… blurp… u… umm …uma me… merda destas!?
O escorpião, de aguilhão crivado no mais fundo daquele ser, riposta num tom escarninho e, simultaneamente, triunfante:
– Pois é, meu caro amigo! Está na minha natureza!

Pequena história adaptada por mim de um excerto do argumento de «The Crying Game», de Neil Jordan.

Nós não nos esquecemos…

…do vosso apoio…



…e assim retribuímos, endavant Barça!

Novo espaço de poesia

Via este artigo de valter hugo mãe no seu blogue Da Literatura, tomei conhecimento do projecto Poetry International Web.
Este novo sítio pretende divulgar a poesia que se escreve por esse mundo fora em edição bilingue: na língua nativa e também em inglês.
Cada país participante dispõe de um editor nacional, que no nosso caso é o tradutor Richard Zenith – por exemplo, conta no seu currículo com a tradução para a língua inglesa do “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares (Pessoa).
A política deste fórum de poesia não permite o envio de poemas para posterior publicação. Os poemas publicados são de exclusiva escolha do editor nacional, incentivando-se, porém, os interessados a enviar sugestões para a sua caixa de correio electrónico.
Assim, o e-mail de Richard Zenith é
portugal@poetryinternational.org.

Aqui deixo uma sugestão: tradução e posterior publicação do poema em epígrafe de Sophia de Mello Breyner Andresen «Porque», que serviu de inspiração à atribuição de um nome a este cantinho blogosférico de têmpera eminentemente desassossegada no combate à lusa impunidade
.

Tremor salazarista

Não é que no meu texto anterior quase citei o António do Vimieiro, Santa Comba Dão, ipsis litteris!
«(…) uma Nação que é fundada por um filho que arreia na mãe! Só poderia dar nisto (…)»
De forma
abrupta, ignorante me descobri.
Ou serei um simples corpo no qual habita uma alma vulnerável às efervescências de mensageiro-do-além do Botas?

terça-feira, 4 de abril de 2006

Lágrimas escarninhas #8

A 8.ª edição deste cantinho no Blogger plantado é dedicada a O Acidental.
É de relembrar que esse blogue tem o seu fim anunciado para o dia 8 de Abril – próximo sábado.
Por simples coincidência o 8.º chorrilho de escarnecimento lacrimejante é dedicado a este texto de PPM:
«Surpreendente: leitura original no Abrupto». Certeiro!

Acrescento que, para além das estafantes – ou estafadas? – imagens de trabalho e dos criteriosamente seleccionados panegíricos emeilados por essa massa informe que se dá a conhecer pelo nome de “povo” – se não o fossem, o blogue dispunha de uma caixa de comentários aberta ao público –
JPP poderá impulsionar esse «outro aspecto interessante deste novo mundo» através da publicação de excertos de um livro antes da sua colocação no mercado tradicional.
Amanhã já se promete «
D. Afonso Henriques e D. Teresa» e acrescento como possível subtítulo «as perturbações de um filho rebelde».
Em abono da verdade, temos que convir que se trata de um episódio exemplar de amor e de harmonia familiar: uma Nação que é fundada por um filho que arreia na mãe! Só poderia dar nisto: o défice das contas públicas é de 6,02% do Produto Interno Bruto, a taxa de insucesso…

Coles y medusas

Já disponível nas livrariasEnquanto procurava a capa do livro acabadinho de ler de João Pedro George «Couves & Alforrecas – Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» da editora de valter hugo mãe, de nome Objecto Cardíaco, encontrei este artigo publicado no diário espanhol El País referindo-se à polémica.
De facto, os espanhóis em tudo são mais retumbantes. A sua língua não é de paninhos quentes, nem de grandes mesuras e, assim, MRP® pede o sequestro do livro de JPG – ponto final.
Bom, voltando ao assunto que me traz à redacção deste texto, li de enfiada a crítica de JPG e, sinceramente, não há nada do que lá vem escrito que seja susceptível de difamar, injuriar ou caluniar a dita senhora®.
Nas parcas páginas que o livro encerra – e refiro-me obviamente ao volume do dito – está plasmado um trabalho árduo e sério, o qual eu não desejaria realizar. Em primeiro lugar, porque não tenho vocação natural, nem habilitação académica ou, tão-pouco, mestria que advenha da minha profissão para fazer recensões aprofundadas de obras de literatura. Em segundo lugar, e tal como revela o autor no inicio da elucubração, jamais teria pachorra para ler 10 páginas da autora®, quanto mais 8 livros. Cá em casa, empoeira-se na estante o livro da referida escritora® «Não Há Coincidências» [sic], Oficina do Livro, 5.ª edição, Maio de 2000, recordando-me, agora, da minha compulsão para o seu encerramento ad aeternum logo na página 11 – que é a 1.ª página do 1.º capítulo dito romance, que começa a meio dela – quando, já com alguma agonia, lia «Também ninguém me manda ser uma directora criativa de uma agência de vão de escada, da qual ainda por cima sou sócia, e ter uma empresa de plantas artificiais chamada Jardim sem Regador. Giro, não é?»
Dispenso*… Foda-se, tenho 109 livros na prateleira – acabados de contar – ainda por ler de autores como Hemingway, Camus, Tavares – Gonçalo M. –, Banville, McEwan, Barnes, Agustina, Saramago, Lobo Antunes – António –, Vila-Matas, Faulkner, Fitzgerald, Mann, Miller – Arthur e Henry –, Kerouac, Bukowski, Burroughs, Lodge, Yourcenar, Flaubert, García Márquez, Duras, Proust, Dostoievski, Kafka, Nin, Salinger, Joyce – James –, Bucay, Musso, até curiosamente do editor de JPG,
vhm, Tabucchi, Coetzee, Pérez-Reverte, etc. e ia perder o meu rico tempo, à leitura deles destinado, a ler metáforas com couves, pescadas e alforrecas!? Auto-plágios intra e inter livros da autora®? Citação dos mesmos autores – por exemplo, O’Neill e Mourão-Ferreira – e/ou frases destes em várias obras?
A análise crítica de João Pedro George é de indispensável leitura, tanto para os sequazes leitores e/ou tomadores-das-dores-de-MRP®, como para os detractores. Sem que com isto haja alguma pretensão – se é que se pode aplicar esta palavra neste blogue de uma imensa minoria – de afastar os indiferentes. O que quis referir é que se trata de um livro imperdível para aqueles que gostam e se interessam pela literatura e pelo processo de fabricação de uma obra literária.

Nota:
*1.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo dispensar – compreender-se-á esta nota após a leitura do livro.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Brownomilhões

Obra completa!
No próximo dia 19 de Abril será lançado para o mercado português mais um romance de Dan Brown. Com as edições de «O Código Da Vinci», «Anjos e Demónios» e «A Conspiração», já só faltava a tradução para português (de Portugal) do seu primeiro romance «Digital Fortress».
A editora
Bertrand lançará o romance sob o nome de «Fortaleza Digital» e, por certo, entrará na semana de estreia para o n.º 1 do top de vendas.
Ganha Brown e, sobretudo em Portugal, ganha a
Bertrand, que fica a dever o seu sucesso ao rasgo de Zita Seabra, que comprou por meia dúzia de trocos os direitos de publicação de «O Código Da Vinci» uns meses antes de se tornar um rotundo sucesso.
Com a publicação deste último romance, a obra completa do ficcionista norte-americano está disponível no mercado português na língua de camões.

Bibliografia browniana:
  • Digital Fortress, 1998 – Fortaleza Digital, Bertrand, 2006;
  • Angels and Demons, 2000 – Anjos e Demónios, Bertrand, 2005;
  • Deception Point, 2001 – A Conspiração, Bertrand, 2005;
  • The Da Vinci Code, 2003 – O Código Da Vinci, Bertrand, 2004.

Nota: Para o final de este ano ou para o início de 2007 é aguarda a publicação, nos Estados Unidos, do seu novo romance «The Solomon Key» que, desta feita, contemplará a Maçonaria e a sua ligação à fundação dos Estados Unidos e à grande maioria dos seus "Pais Fundadores".

domingo, 2 de abril de 2006

Mais um a findar!

O fim de O Acidental
Paulo Pinto Mascarenhas anunciou, «agora a sério», o fim do blogue que fundou O Acidental.
PPM referiu que a decisão pelo encerramento já se encontrava «há muito amadurecida – ainda antes do fim d' O Espectro».
PPM diz de forma clara que a decisão teve que ver com algum estafamento – que aliás já vinha anunciando – do modelo actual da blogosfera, «já deu o que tinha a dar e é preciso mudar alguma coisa para que não fique tudo na mesma», afastando liminarmente a hipótese da existência de outra causa que não essa, alertando para esse facto os «adeptos das teorias da conspiração».
Um conspirador, normalmente, trabalha em meras conjecturas, partindo de determinados sinais que, dado o estado de exaltação permanente, são interpretados sem qualquer objectividade e extrapolados, por acinte, para todo o universo. Um conspirador é, simultaneamente, um indutor e um doutrinador que carece de prosélitos, como de pão para a boca.
Ora, não me revendo eu nessas características, e não sendo de forma alguma um obsessivo-compulsivo, começo a detectar a existência de alguma correlação entre algumas prédicas do
Pai dos Mandamentos e a desistência de blogues da, agora parametrizada, blogosfera ou, então, no caso da não desistência, um menor entusiasmo na publicação de textos – que perdem a capacidade de sedução de leitores –, ou o simples desleixo e incúria do próprio blogue.
Começa a haver uma base empírica para o modelo.
Assim, falo nalgumas vítimas de ataques, sendo sobejamente conhecidos os casos d’
O Espectro e da Grande Loja. No caso d’O Acidental lembro-me perfeitamente do ataque – por vias travessas – que se materializou no infeliz epíteto postado à revista Atlântico: «obscura».
No preciso momento em que escrevo este texto, o aguilhão acusatório – repleto de verrina – está voltado para o
Eduardo Pitta e para o Francisco José Viegas.
Em boa verdade vos digo, o dia do abrupto juízo final está próximo: o Pai manda e os filhos obedecem, com toda a parcimónia que se lhes exige!

sábado, 1 de abril de 2006

Silêncio!

FC Porto - 25.º classificadoOu ando completamente desatento, ou a comunicação social – excepto o jornal desportivo português O Jogo – anda distraída, para não dizer, pelo menos, negligente – até poderia dizer insidiosa, mas escasseiam-me as provas.
A
Forbes, reputada revista norte-americana dedicada, em epígrafe, aos líderes mundiais de negócios, publicou no passado dia 28 de Março a lista dos 25 clubes de futebol mais valiososThe Most Valuable Soccer Teams.
A lista é composta por clubes pertencentes a 8 países, todos europeus: Inglaterra (9), Alemanha e Itália (4 cada), Espanha (3), Escócia (2) e França, Holanda e Portugal (1 cada). Sendo que o nosso país é apenas representado pelo meu FC Porto, que ocupa o 25.º lugar da lista.

Serão necessárias mais palavras?

Porém, se a distracção for de minha responsabilidade, aqui fica o meu pedido de desculpas!

Ser panel****...

é ter na alma a… [à Monty Python] [som de agulha a riscar o disco*] STOP THAT!

Ordem na casa!
Ora bem, sobre a polémica reza
aqui a história. Por outro lado, temos aqui e aqui as partes da contenda. E, finalmente, o Francisco rematou bem, canalizando o problema à língua.

Da publicidade em si [ou em quem a apanhar]
É tão lastimável e censurável… tão pastel de nata, sem boina, nem causa… que me quedo por aqui! Não vá às vezes dizer uma caral**** da qual me possa vir a arrepender!

Dos versículos
«Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.»
«Marca mais, chuta mais / Menos ais, menos ais, menos ais, / Quero ainda mais
E, para finalizar,
«Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro, / Que o último a chegar é panel****.»
Prontos pá, a malta é ousada… a modos que irreverente, sabes… não tem mão nas mijas… somos uns gandas malucos!

Sugestão
Tirem de lá o *****eiro e substituam os asteriscos – asterísticos para muita gente – por “azeit”. Pelo menos, dá-lhe uma pincelada nortenha e é produto nacional!

Contudo, o que mais me faz espécie são as entrelinhas de um pensamento obscuro-indutivo ou negro-dedutivo ou é apenas um mero silogismo ou até um adágio [molto cantabile].
Quem quer menos ais e perde por ser mole ou é paneleiro ou quer chegar [vir-se embora] primeiro, e por aí fora…
Atenção, não despiciendo, a empresa patrocinadora vende lubrificantes!

Valha-nos Aquele em que acreditamos… no meu caso o Miguel Sousa Tavares**!

Notas:
* Para os mais novos a onomatopeia que se pretendia representar – mas a falta de arte não o permitiu – entre parêntesis retos… perdão!, rectos refere-se ao som característico produzido por uma agulha, no extremo de um braço basculante, por contacto com os anacrónicos, porém saudosos, discos de vinil em movimento em cima de um prato rotativo; se a agulha deslizasse num movimento lateral, antinatural, produzia o arrepiante som que se pretendia aqui evidenciar.
** Não se esqueçam da data de hoje! «
I never thought that it would be this way /
See I took it granted that you were here to stay
».

sexta-feira, 31 de março de 2006

Lágrimas escarninhas #7

Quase me escapava esta «Interrupção no O Cantinho do Hooligan».
E não se pense que faço aqui a apologia do hooliganismo! Bem pelo contrário, é a saudável antologia do hooligan do
Francisco que me leva às lágrimas!

Escarnecimentos anteriores:
#1 Insónia; #2 O Sniper; #3 O Insurgente; #4 Da Literatura, #5 Mau Tempo no Canil e #6 Bombyx Mori.

Ibéria: alegoria de um amor impossível!

O Mar de Madrid, de João de Melo (Dom Quixote, 2006)
«Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.»
De Antonio Machado, Campos de Castilla (1912-1917): Proverbios y Cantares [XXIX]



Eis a obra «O Mar de Madrid», de João de Melo, Publicações Dom Quixote, 1.ª edição de Janeiro de 2006.
Eis Francisco Bravo Mamede, poeta português de muitos caminhos, poeta andarilho em busca da «dimensão do ser e das coisas, muito para além de si mesmo. Até certo ponto, considerava-se um profeta da evidência, um visionário do oculto, um anunciador das verdades que mentem, das mentiras que às vezes dizem verdade.» (p. 28)
E Dolors Claret, escritora catalã, vive em Barcelona com o seu marido galego – rico e adulador dos poderosos, despótico e boémio – e dois filhos gémeos, é autora de novelas negras, porém a sua vida atravessa uma dolorosa encruzilhada, sente-se inquieta e angustiada, «desmoralizada, perdida na confluência de todos os rumos possíveis, mas sem saber por qual deles tomar, nem que rumo escolher» (pp. 50-51), onde os filhos e o «apelo das palavras» (p. 51) são a força motriz da sua vida.
Mas o mar que a Madrid não chega, lá existe na consciência colectiva daquela massa de espíritos que nela se cruzam. O “Marco Zero” da Puerta del Sol, de onde todas as estradas partem em direcção ao mar, como eflúvios de alcatrão em brasa que disseminam a fúria do império, como veios linfáticos que conferem ao corpo a prerrogativa de uma identidade que não é artificial apesar das autonomias, da babilónia de idiomas e da aparente manta de retalhos que é, todavia, cerzida a fios de aço enleados por um código que ninguém, no íntimo do seu ser, pretende desencriptar.
É a Ibéria do eterno romance de partes desavindas; onde perdura o desconhecimento, a inusitada ignorância e a simples indiferença – mais do que o desdém, porque este implica conhecimento e sentimento.
Só quem conhece Madrid pode descortinar esta realidade comum atávica, porém denegada pela mais feroz consciência. O dueto que ostensivamente se separa e se enfraquece, sem a mínima percepção do valor acrescentado da, quase quimérica, união de esforços, que resultaria num todo indiscutivelmente maior do que o somatório das partes.
Portugal poeta. O sonho dos feitos há muito passados e repisados até à exaustão, o devaneio, a saudade; a resignação da espera, prostração, fatalismo, desencanto e abastardamento: é a frequente e fúnebre expectativa, incubada numa passividade recalcitrante, pela intervenção da Divina Providência que nos salve da aflição.
Espanha prosadora. A inventividade, a fúria, o desassossego que lhes corre nas veias, é fúria, enfileiramento de caracteres perfeitamente incrustados na alma de eterna insatisfação; sempre a fúria, a raiva, a incandescência, a luminosidade, a ideia, a alegria contagiante, as vogais altissonantes que nos entram na alma soletradas com paixão, o sorriso aberto e enérgico – até coriáceo – que nos parece afrontar; ó que grande equívoco! É um convite que corporiza um forte e sentido amplexo para partilha da sua vivência, da sua cultura e da sua furiosa idiossincrasia.
Mais do que vizinhos desavindos, são irmãos de costas voltadas. Enquanto um observa num torpor debilitante o mar agreste como expiação de um medo espectral, o outro remira-se ao espelho não perdendo a jactanciosa Europa de vista. Parece um destino há muito marcado, idealizado, fatalista: o fado – mas, paradoxalmente… o livre arbítrio, a apologia de Machado, caminante no hay camino, e o teu caminho é a senda que tu próprio crias e não avanças suspirando o passado.
João de Melo compôs um poema em forma de prosa. Uma alegoria de tons feéricos, grácil e reflexiva.
«O Mar de Madrid» torna-se de leitura obrigatória para quem partilha, como eu, um amor desmedido pela Ibéria, pelas suas raízes, cumplicidades e equívocos. Contudo, a sua leitura é deveras fundamental para os hispanófobos. Sim, para esses mesmos, os do vento e do casamento!

quinta-feira, 30 de março de 2006

Do cacete…

…ou da falta dele!

É importante que se leia
este texto postado no Bombyx Mori.
Alerta-se para o facto de que é manifestamente prejudicial ler o texto sem tirar os olhos da fotografia – risco sério de desalinhamento ocular.
E...
Claro que se pode, já está provado... não, é seguro, não provoca a cegueira!

Afonso, tenha medo, tenha muito medo!

Jordan, Neil Jordan

Neil Jordan's Breakfast On PlutoO último filme do inebriante realizador irlandês de «Jogo de Lágrimas» – com o qual arrecadou o Óscar para Melhor Argumento original em 1992 – estreia hoje nas salas de cinema portuguesas.
«Breakfast On Pluto», ao que dizem, conta com uma magistral interpretação do jovem actor irlandês Cillian Murphy. O argumento baseia-se no romance homónimo do escritor, também irlandês, Pat McCabe, o qual foi incluído na lista final (shortlist) do
Man Booker Prize for Fiction em 1998.
A ver que tal!

Até, pelo menos, à publicação da minha análise crítica, deixo neste blogue a canção interpretada por Dusty Springfield «The Windmills of Your Mind» que acompanha o breve trecho publicitário do filme.

quarta-feira, 29 de março de 2006

R.E.P. – Ele há cada coisa!

Paul Auster - As Loucuras de BrooklynApós haver terminado a publicação do texto anterior, chega-me a novidade que a Asa acaba de editar o último romance de Paul Auster em Portugal.
Assim, proceder-se-á à necessária actualização da secção deste blogue dedicada ao Ritmo Editorial Português. A obra foi publicada em Portugal decorridos 208 dias da sua publicação em França e de 92 dias nos Estados Unidos. O que se poderá qualificar como bom, atendendo ao panorama geral!
O romance foi baptizado em português como «As Loucuras de Brooklyn», de 303 páginas, e faz parte da colecção “Vozes do Mundo” das
Edições Asa.
Agora, até já percebo o erro do
JL! A culpa será do malfadado copy & paste?

Bem, fico-me por aqui, há algo que me forçará a ausentar… (depois de um telefonema, claro!)

Anacronismos

in JL n.º 925, Paul AusterNa edição n.º 925 do JLJornal de Letras, Artes e Ideias – saiu este pequeno comentário [carregar aqui ou na imagem para a ampliar] sobre o romance de Paul Auster «A Noite do Oráculo», Edições Asa, 1.ª edição de Novembro de 2004.
O romance de Auster, o tal que fala dos famosos cadernos portugueses de dons divinatórios, foi publicado pela Henry Holt and Company em Dezembro de 2003 nos Estados Unidos (Oracle Night, 2003).
Entretanto, para além do romance já publicado – numa esmagadora maioria de países, exceptuando o nosso – «Brooklyn Follies», Auster prepara-se para lançar, no final deste ano, o seu novo romance «Travels in the Scriptorium».
Até lá prevê-se a estreia do filme que Auster rodará em Lisboa «A Vida Interior de Martin Frost», com banda sonora de Philip Glass.

Regressando ao tema, a que se ficou a dever este aparente delírio jornalístico?

O diário da tua Providência*

Caravela Portuguesa
Este deveria ser o título do próximo livro de João Pedro George. Enquanto o Couves & Alforrecas permanecer em suspenso, à cautela, JPG poder-se-ia dedicar a escrever um diário sobre as incidências deste episódio da sua vida, porque questiúnculas e o necessário tempo não lhe irão faltar dado o banal procedimento triturador da iníqua justiça portuguesa.
Os dentes da máquina de tortura da justiça – devoradora de homens e aniquiladora da personalidade por mais forte ou incrustada que seja – já se vão afiando para mais um moroso massacre, ao estilo de uma Colónia Penal kafkiana. Aí virão processos dilatórios, requerimentos, audiências preliminares, tentativas de conciliação, escusas de entulhamento de agenda, recursos… enfim, é este o país que temos e, como já proferi, que porventura merecemos!
Não quero parecer fatalista e muito menos conformado, tento lutar e já lutei muito. O que é deveras curioso é que no fim de tudo só me dá vontade de rir perante tanta e tão lusa tacanhez; e, como se não bastasse, acrescente-se que a alforreca mais perigosa do mundo tem o nome de “Caravela Portuguesa”…! [na imagem]
Concordando com a quase totalidade dos textos postados na blogosfera sobre este assunto, destaco, todavia, as palavras professadas pelo
Afonso Bivar na adenda deste texto e as de Eduardo Pitta no seu Allegro [molto vivace].
Aguarda-se pelos próximos episódios, porém é melhor aguardar sentado não vá o tempo criar as aborrecidas varizes.
Pergunta inocente: O que diria o Almada se porventura fosse vivo?
Para recordar o seu célebre Manifesto, aqui deixo a sua prosa declamada por Mário Viegas [ficheiro de áudio retirado
daqui]:

Almada Negreiros - Manifesto Anti-Dantas (por Mário Viegas)

Nota: *Ler a notícia de hoje do DN, onde se entende a razão deste título.

Endogamia [correcção ao comentário]

Francisco José Viegas, no seu blogue A Origem das Espécies, publicou este texto que reporta para a pertinente reflexão – e por que não, grito de alerta! – de Miguel Araújo, no sítio Ciência Hoje, sobre a tradição secular de endogamia nas universidades portuguesas.
Ora, tive a oportunidade de apor um
comentário para complementar a dissertação sobre esse mal, através da recomendação da leitura de mais 2 textos. Referi o magistral artigo de Orlando Lourenço e o de Michael Athans, este último um professor do MIT que leccionou em Portugal, porém a respectiva ligação para transferência do artigo não funcionou. Assim, pode descarregá-lo aqui (em versão PDF).

terça-feira, 28 de março de 2006

É linear, meu caro...

Eduardo Pitta manifestou aqui a sua estranheza pela utilização do termo Simplex, abusado pela tecnocracia dos boys governamentais para evocar as 333 medidas de desburocratização apresentadas ontem por Sócrates.
Ó Eduardo, para este Governo não há hermetismos, nem esoterismos! A premissa socrática é o exoterismo: o educador do povo. A vida dos contribuintes portugueses passará a ser optimizada através da solução básica admissível: ou aprendem de uma vez ou então estão fodidos! É a Investigação Operacional, caramba!
Questionado pela designação, JS explicou, com uma manifesta estranheza pela ignorância demonstada pelo povo e pelos jornalistas, que Simplex se tratava de um problema matemático. Ora, ironicamente, a matemática tem sido o grande enigma dos sucessivos Governos portugueses. Tudo começou com o mito dialogante de Guterres: «Hum, 6% de… hum, o PIB é de… 3 mil milhões!?... hum, 6x3 são 18… hum, façam as contas!».
Ponto de ordem: o Simplex é o algoritmo utilizado na Programação Linear que maximiza uma função matemática – função objectivo –, atendendo a um conjunto de restrições paras as variáveis, que podem ser apresentadas na forma de equação – forma padrão – ou na forma de inequação – forma canónica –, através de um processo de iterações até se encontrar a Solução Básica Óptima – este método é, por exemplo, utilizado para a optimização na aplicação dos recursos disponíveis de uma empresa.
Resumindo e concluindo, para um louro de carapinha preta ou para um preto de cabeleira loura – e outras disfunções – a solução passa pelo Restaurador Simplex! E dinheiro gasto assim, com pompa e circunstância, é sempre dinheiro bem gasto!
Agora, pôr essa tralha toda a funcionar…

Nota: Para resolução dos seus problemas quotidianos – do pêlo encravado ao delírio tremens – utilize
esta aplicação em linha.

PS – Nas próximas prelecções discutiremos o “Simplex: Primal ou Dual?

A propósito de Femme fatale

Nico dancing (1967) por Lisa ShawDesconhecia o pequeno episódio envolvendo a doce Nico e o aveludado Sterling Morrison relatado aqui por Pedro Mexia.
Em sua (dela) memória, aqui fica a ode à perfídia de Cale/Morrison/Reed/Tucker/Yule & Nico.

PS – A propósito do francês americanado, o trio Violent também se pronuncia "feimes". Eles querem e podem, logo...

segunda-feira, 27 de março de 2006

A Trilogia de Siri

Siri Hustvedt - Aquilo Que Eu AmavaQuis a sorte ou o azar que partilhasse o lar com Paul. A celebridade do último cataloga-a, em primeiro lugar, como a mulher deste e, só depois, a notável romancista de apelido facilmente enrolável na língua lusa, Hustvedt.
Qualquer apresentação passa pela afirmação, em tom de lembrete ou como carta de recomendação, da sua condição de cônjuge do Mestre da narrativa nova-iorquina – o Woody Allen das palavras impressas, e este só não é o Auster da película de celulóide porque é o primogénito da ilustre e orgulhosa família da Grande Maçã.
«Aquilo Que Eu Amava» (Asa, Outubro de 2005) é o último romance de Siri Hustvedt, publicado em 2003 nos Estados Unidos sob o título «What I Loved».
Neste romance, constituído por 3 partes simultaneamente intercomunicáveis e distintas, Siri pinta o quadro da elite cultural que vivifica e que ao mesmo tempo se alimenta de Nova Iorque, como num processo químico onde nada jamais se perderá. Parte do amor pela arte como a materialização do apego à vida e da solidificação dos laços de sangue que não resultam de uma elementar miscigenação genética, mas antes de um todo complexo e sincronizado, produto fiel de uma construção abstracta de sentimentos, de afectos, de cumplicidades e de atitudes francas de pura partilha.
Siri conta-nos a vida como ela é: um encadeamento de acasos a que o tempo se encarrega por lhe dar uma consistência, é a nossa história.
Porém, a sua narrativa não assenta nessa sucessão de acasos, mas na dolorosa percepção da fragilidade da nossa vivência, de um quotidiano preso por arames, como num demorado jogo de xadrez onde, após cada passo dado, dificilmente conhecemos a decisão que advirá da outra parte que interage nessa dialéctica.
É uma história em 3 actos dramática porque verosímil, comovente e arrebatadora porque traduz fielmente os nossos desassossegos, mais ou menos conscientes, perante a necessária adaptação do eu à vida em sociedade.
O livro, apesar de extenso, lê-se de uma só penada, onde chegam a coexistir o nó na garganta e a sentida hilaridade. O início do 2.º acto – chamemos-lhe assim – vergou-me perante o peso das lágrimas que rebentaram qualquer resistência de estúpido macho latino: homem não chora!
De leitura imprescindível!

Termino com a firme convicção de que algures em Brooklyn, Nova Iorque, haverá uma fonte que jorra inspiração, criatividade e genialidade.

domingo, 26 de março de 2006

Novos blogues na lista

Tal como havia prometido: hora de Verão, ligações novas.
Assim, entram para a lista os blogues:
25 Centímetros de Neve, b-site, Lóbi do Chá, Manchas, Metamorfases e, por fim, para emendar um lamentável lapso – e já diz o povo que mais vale tarde do que nunca –, o blogue Tugir.
De igual modo, procedeu-se à actualização dos blogues de referência.

Daylight Saving Time…

Daylight Saving Time
a.k.a. Horário de Verão entrará em vigor – para meu júbilo – daqui a pouco.
Para ficar a conhecer a história sobre a necessidade da criação do DST, consultar
esta ligação.
Com o novo horário, a secção de blogues – com as devidas recomendações – sofrerá algumas alterações e acrescentos.
Em 29 de Outubro deste ano lá voltaremos aos dias curtos.

Até lá, bom proveito!

sábado, 25 de março de 2006

Capitalismo (K vs L?)

KELSO & ADLER - THE CAPITALIST MANIFESTOO Hélder recomenda, e bem, a leitura urgente do livro de Andrew Bernstein «The Capitalist Manifesto : The Historic, Economic and Philosophic Case for Laissez-Faire».
Ao corroborar essa sugestão, aconselho vivamente a leitura – para quem não conheça –, ou então a releitura – para quem já não se recorde –, da Bíblia que aborda esse conceito, aparentemente abstracto, que se chama capitalismo. O livro em questão é o velhinho “The Capitalist Manifesto” do jurista e pensador norte-americano Louis O. Kelso e do seu compatriota Mortimer J. Adler, filósofo e pensador, que, curiosamente, se converteu no final da sua vida ao catolicismo.
Adler e, principalmente, Kelso são reconhecidos nas lides académicas como pais dos conceitos de “Capitalismo Popular” e de “Economia Binária”.
Resumidamente, Kelso lançou a semente para a economia participativa nos Estado Unidos, onde o capital das empresas passou a ser partilhado com uma parte importante da sua força de trabalho, através da introdução de planos estruturados de atribuição de acções.
A falência do Estado providência e os avanços tecnológicos deram o derradeiro impulso a esta doutrina. As questões sociais deixaram de ser de exclusivo domínio do Estado, atribuindo-se ao mercado e aos agentes económicos o desempenho da tarefa de reduzir esses desequilíbrios – embrião da responsabilidade social das empresas.
Estas ideias culminaram com a publicação, em 1974, do ERISA - Employee Retirement Income Security Act – nos Estados Unidos.
Para a história fica o célebre jantar – considerado como o acto precursor do ERISA – em Washington, D. C. entre Kelso e o Senador Democrata Russel B. Long, que na altura presidia à Comissão de Finanças do Senado norte-americano, onde Kelso, com a eloquência que lhe era reconhecida, terá explicado os benefícios das teorias por ele preconizadas.
Para aquilatar do incomensurável atraso da Europa em relação aos americanos nesta matéria, os organismos da União Europeia apenas se aperceberam desta premente necessidade e inevitabilidade com a publicação do trabalho de Milica Uvalic em 1991 denominado por «The promotion of employee participation in profits and enterprise results», mais conhecido pelo relatório PEPPER. Até hoje, 25 de Março, mantém-se a indefinição e, com isso, a Europa vai definhando e perdendo a sua competitividade perante o Japão e os EUA, com todos os custos sociais daí advenientes e que já se fazem sentir.

Nota: Para conhecer mais sobre a vida e a obra de Louis Kelso recomendo a consulta ao The Kelso Institute, onde inclusivamente se poderá fazer a transferência do livro supracitado em texto integral.

Regresso

Pepe joga a bola com a mão fora da áreaA poeira assentou e o meu sangue baixou, de súbito, a sua temperatura.
Estive ausente da blogosfera por dia e meio, num processo de retiro espiritual, até que meu fervor de
hooligan de verbalização arrefecesse.
Estive fora do país e, pelos vistos, perdi parte da análise à polémica procedente do pulsante jogo de quarta-feira no Dragão.
Tal como havia
dito, tinha sérias dúvidas que aquele lance mais polémico tivesse ocorrido dentro da área. Afinal, parece-me que acertei! Todavia, não invalida que o meu jogador houvesse cometido falta, e se ela não foi sancionada, a contraparte saiu prejudicada.
De forma categórica manifestei
aqui a minha avaliação sobre arbitragem do senhor de Leiria: péssima. Curiosamente, utilizei o mesmo qualificativo quando esse senhor arbitrou o jogo do meu clube na Amadora contra o Estrela… apesar dos frangos!

quinta-feira, 23 de março de 2006

Este blogue...

...encontra-se em hibernação meditativa!
Meditation II - Chris Paschke

Chris Paschke, Meditation II

Da batota

Ainda antes do jogo da meia-final da Taça de Portugal entre o meu FCP e o Sporting, tive a oportunidade de escrever isto.
O fenómeno desportivo em geral, e o futebolístico em particular, é um potencial gerador de paixões assolapadas, provocando, por muito que se evite, o domínio da emotividade sobre algum resquício de racionalidade. A paixão é isso mesmo: febril, descontrolada, avassaladora e potenciadora de conflitos internos e externos.
Ontem, pude assistir a um paupérrimo jogo de futebol. Confesso que, no cômputo geral, o Sporting foi prejudicado pela arbitragem de um árbitro que nunca me mereceu admiração – aliás, dos nacionais, não me lembro do último que ma mereceu.
O Sporting perdeu bem? Não me consigo alhear da minha qualidade de fundamentalista azul-e-branco. Para mim, num paroxismo de paixão, o meu Porto perde sempre mal. Normalmente, faço um meticuloso exercício de espanta-espíritos para encontrar um bode expiatório.
Porém, eu, portista, me confesso: o FCP não jogou bem, o árbitro prejudicou o Sporting na eventual grande penalidade – e o eventual resulta da dúvida do lance se ter desenrolado dentro ou fora da área. As expulsões foram exageradas: o árbitro poderia ter contemporizado no 1.º caso – o do Caneira – uma vez que com 115 minutos de jogo nas pernas, o discernimento não é o melhor – e isso é do senso comum, tendo sido cientificamente comprovado. A 2.ª expulsão – a de Bosingwa – foi completamente disparatada, porque Tello atira-se para o chão na quina da área e Bosingwa nem de raspão lhe tocou. O acto irreflectido do árbitro no minuto 119 provocou a marcação de um livre directo a cerca de 2 metros da linha limite cimeira da grande área. João Moutinho marcou o livre e Vítor Baía efectuou uma grande defesa – desta vez, felizmente, não confiou no golpe de vista – e a jogada gerou um canto a favor do Sporting. Agora pergunto: e se Vítor Baía – como é costume – não se fizesse ao lance e a bola se tivesse postado no fundo da baliza? Que comentários haveria ao jogo e ao trabalho árbitro?
O que eu lamento – e estou a ser o mais sincero possível – é ver textos escritos por pessoas, que não conheço, mas que estimo e aprecio pela forma como conduzem os seus blogues, a escreverem, a quente, comentários profundamente injustos, tendo como alvo um conjunto perfeitamente heterogéneo de pessoas que se unem em torno de uma paixão clubística. Um dos quais foi José Pimentel Teixeira (JPT) no seu blogue
Ma-Schamba, ao qual tive a oportunidade de manifestar a minha discordância in loco, fazendo, também, um mea culpa pela agressividade que coloquei nos meus dois primeiros comentários a este texto – ver, também, este segundo texto.
Não, eu não me revejo nos elementos desordeiros dos Super Dragões. Abomino-os, tal como abomino os seus similares noutras claques de outros clubes. Como aqueles que antes de um SCP-FCP, no pretérito Estádio de Alvalade, arremessavam pedras ao Dr. Domingos Gomes e ao Rodolfo Moura quando estes assistiam vários jovens que se haviam estatelado da altura de 2 dois andares após a queda de um varandim, incidente do qual resultaram mortos.
Não, eu não me revejo nos dirigentes e nas suas tentativas de apagamento de fogos com gasolina. Detesto-os e sem distinção.
Não, eu não gosto de batota e detesto ganhar com manifesto prejuízo do adversário causado por terceiros na tarefa de julgar.
Aquilo que, na realidade, me faz vibrar e rejubilar passou-se em 27 de Maio de 1987, ou em 13 de Dezembro de 1987, ou em 23 de Maio de 2003, ou em 26 de Maio de 2004, ou em 12 de Dezembro de 2004.

PS – Este blogue sofrerá de uma pausa para reflexão sobre a sua continuidade até sábado, 25 de Março.

Oeiras, 14 de Maio!

Oeiras lá nos espera!

Poooooooooorto!

quarta-feira, 22 de março de 2006

Desabafo!

Esta merda cansa-me!
Vitupérios, engraxadelas, críticas veladas, intelectualismos subliminares, bajulações, ronceirices, mensagens crípticas, ufanismos, massagens no ego, ostracismos, boçalidades… enfim, o desprezo, a irascibilidade ou a indiferença pelo comum dos mortais... longe do apetecível limelight da sobranceira vaidade!




Tests” por Walt Whitman, The Leaves of Grass, Book XXIV: «Autumn rivulets»

Estou cansado! Muito cansado!

terça-feira, 21 de março de 2006

Só mais uma achega

Em primeiro lugar, cabe-me deixar claro que não me insiro em nenhuma corrente de pensamento político-económica, limitando-me a ser um crítico dos males e das vicissitudes dos vários sistemas. Ainda estou à espera de um melhor que, com certeza, há-de vir!
Em segundo lugar, chamo à atenção para
este pertinaz texto do Rodrigo n’O Insurgente, em jeito de resposta a este texto de Nuno Ramos de Almeida do blogue Aspirina B.
Finalmente, reiterar as afirmações do Rodrigo e deixar, apenas, este meu singelo contributo: a França dispõe do mercado de trabalho mais proteccionista e menos flexível da antiga Europa dos 15afirmação categórica do autor.
A tendência natural dos franceses e, em especial, dos sucessivos governos tem sido o privilégio do diálogo social como a melhor solução para a resolução dos conflitos latentes no mundo laboral. Têm, é verdade, uma das legislações mais favoráveis e avançadas no que diz respeito às políticas de redistribuição de riqueza, designadamente com os planos de participação financeira: Intéressement e Participation Actionnariat.
No entanto, em França peca-se pela deriva legislativa e regulamentar, e a consequente rigidez do mercado laboral; assim como de um movimento sindical influente – que por si só não constituiria algum mal – que é, todavia, movido por uma forte orientação ideológica, inflexível e renitente à mudança e à inovação nas relações industriais.
Lembro, apenas, a devastadora lei das 35 horas semanais de trabalho. Milhares de empresas fecharam as portas, outras deslocalizaram a produção, outras foram-se aguentando com uma estrutura de custos quase incomportável. Consequências: subida inexorável da precariedade laboral e forte aumento da taxa de desemprego.
Quem ficou a ganhar? O Estado? As empresas e os empresários? Os trabalhadores?

E fico-me por aqui...

segunda-feira, 20 de março de 2006

Every sperm is sacred!

eles diziam e o melhor é começar desde já a poupá-los!
A propósito
deste texto de JPT no seu blogue Ma-Schamba – ver a ligação nele contida e que lhe deu o mote – lembrei-me de duas infelizes curiosidades sobre o problema da infertilidade masculina nos dias que correm.
As duas podem ser encontradas
neste sítio – bastante holístico –, que contém um breve resumo das possíveis causas:

  1. O exercício físico em demasia – eu tinha as minhas razões para ser um preguiçoso de um sedentário: aumenta a temperatura do escroto, logo mata os altamente sensíveis espermatozóides.
  2. O acto puro e simples de beber água da torneira nas grandes cidades [ver também aqui] – passei a beber água de nascente engarrafada. A vulgarização das pílulas anticoncepcionais femininas, compostas por hormonas de estrogénio sintéticas, implica que as mulheres libertem enormes quantidades dessa hormona através da urina, que é recolhida pelos sistemas de esgotos das grandes cidades e misturada com a água que, por sua vez, irá ser reciclada e purificada. Porém, o estrogénio não é eliminado, entrando no nosso organismo – muito macho – pelo simples acto de beber um copo de água da torneira. Corolário, redução drástica do esperma e progressiva efeminização do espécimes que ufanamente representam o sexo masculino [desabafo: estamos feitos!]

Como dizia o meu avô: «hoje em dia não há nada que não faça mal!»

Prognóstico de um slogan das autoridades sanitárias para 2030:
«Por favor, não respire! Pela sua saúde!»

1 ano de pura seda

Bombyx MoriNão poderia, de forma alguma, deixar de felicitar o Afonso Bivar pelo aniversário do seu blogue enleante Bombyx Mori.
Por mera curiosidade, nove meses depois nascia o meu – pasquim, por comparação – e a partir dessa entrada na blogosfera – apesar de uma decepcionante experiência anterior – descobri o
Bombyx, não conseguindo, desde então, deixar de ler, com real prazer – chega a ser um vício, porém benigno – os textos aí expostos.
Não! Não vou dizer que o
Afonso é hermét… Nem tão pouco enigmático. É eloquente!
Falo de cátedra. Como já disse, discordo muitas vezes das suas ideias – politicamente falando, claro! Mas reconheço-lhe a razão das suas convicções e o seu direito inalienável de as professar e de as manifestar – fazendo-o sempre com mestria, uma vezes sedoso e subtil, outras, porém, cáustico e corrosivo.

Bom, deixando-me de panegíricos, que poderão roçar o lambebotismo – caso eu conhecesse o Afonso e lhe soubesse a profissão – só me resta desejar-lhe, pelo menos, mais um ano de textos de igual carácter e de suave – como a seda – irreverência.

Frases que ficam para História

Pravda JoséNo especial, em directo, comemorativo dos 52 anos de Herman José promovido pelo canal de Carnaxide, ou seja, [Balsemão] deixem-me-besuntá-lo-de-mimos-antes-que-venha-cá-o-Moniz, o aniversariante disse, a propósito da revelada militância comunista de José Milhazes:
«Nos anos 80 quando sofri com as atitudes censórias, O Diário era o único que publicava notícias sobre mim» (+/- sic, porque a minha memória já não é o que era).

O Diário, a pravda é o ópio do povo!

domingo, 19 de março de 2006

Mais um…

SAPO DouradoSAPO!

Em apenas 5 minutos o "1-0" passou a "0-1", golo mal anulado ao Rio Ave e golo mal validado aos Mantorras naquele golpe de Karaté!

Tanto barulho durante a semana! Já se imaginava...