«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Um dos melhores romances dos últimos tempos…
sábado, 29 de maio de 2010
Temor
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Nocturnes, by Ishiguro

Data de publicação no Reino Unido: 7 de Maio de 2009 (Faber and Faber).
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Kazuo regressa
O não prolífico escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro regressa ao mercado editorial com um inédito na sua bibliografia, um livro de contos – em 1981 publicou três contos em Introductions 7: Stories by New Writers.
Depois do extraordinário e avassalador Nunca Me Deixes (Never Let Me Go, 2005), e cumprindo de forma quase escrupulosa o seu tempo médio de publicação de obras de ficção de sua autoria (calculado em 4 anos, 7 meses e 6 dias), a Faber and Faber (a sua editora de sempre) anunciou em circuito fechado o lançamento para Maio de 2009 de:
Nocturnes: Five Stories of Music and Nightfall, que na edição canadiana da Random House disporá de 224 páginas.
Todas as obras de ficção de Ishiguro foram publicadas em Portugal, apesar de metade delas se encontrarem esgotadas há anos:
- As Colinas de Nagasáqui, romance editado pela Relógio D’Água em 1990 (A Pale View of Hills, 1982);
- Um artista do mundo transitório, romance editado pela Livro Aberto em 1990 (An Artist of the Floating World, 1986) – ESGOTADO;
- Os Despojos do Dia, romance editado pela Gradiva em 1991 (The Remains of the Day, 1989) – ESGOTADO;
- Os Inconsolados, romance editado pela Gradiva em 1995 (The Unconsoled, 1995) – ESGOTADO;
- Quando Éramos Órfãos, romance editado pela Gradiva em 2000 (When We Were Orphans, 2000);
- Nunca Me Deixes, romance editado pela Gradiva em 2005 (Never Let Me Go, 2005).
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Prova de Vida
Afinal o prodigioso criador de Despojos do Dia (The Remains of the Day, 1989; Booker Prize), Quando Éramos Órfãos (When We Were Orphans, 2000; finalista do Booker Prize) e de Nunca Me Deixes (Never Let Me Go, 2005; finalista do Booker Prize) e de mais três romances anteriores aos mencionados, nascido em 1954 em Nagasáqui no Japão, residente em Inglaterra desde 1960, de seu nome Kazuo Ishiguro deu sinais de vida, ao ser o protagonista número 196 das célebres entrevistas The Art of Fiction publicadas na revista literária The Paris Review* (n.º 184, Spring 2008).De qualquer modo, apesar deste ligeiro protesto em tom de exultação na qualidade de admirador da obra, é bom que se diga em prol do rigor, que Ishiguro nunca foi um escritor prolífico. Desde 1982 com a publicação do seu primeiro romance As Colinas de Nagasáqui (A Pale View of Hills) apenas se lhe sucederam mais cinco até ao ano de 2005 (o último, Nunca Me Deixes), o que perfaz um período médio “entre publicações” de 4 anos, 7 meses e 6 dias. Assim, fazendo fé nos dados obtidos pela estatística descritiva, haverá novo romance lá para o final de 2009, início de 2010 – e isto, se as derivas de argumentista para o grande ecrã não atrasarem ainda mais a publicação de nova obra de ficção…
Da entrevista, a edição da Paris Review dá destaque a um excerto:
«Nunca senti que dispusesse de um talento particular para escrever uma prosa apelativa. Eu escrevo prosa quase mundana. Julgo que sou bom entre os rascunhos. Posso olhar para um rascunho e dispor de um sem-número de boas ideias para o que irei fazer com o próximo.» [tradução livre: AMC]
Há quem diga que a humildade é a pior forma de manifestação de orgulho. Sinceramente, não creio ser esse o caso, embora essa quase certeza não se baseie num conhecimento rigoroso, no espaço e no tempo, do grau de auto-estima do escritor anglo-nipónico, que até pode dar a ler os seus manuscritos ao canalizador Fortunato (peço desculpa, pela transição abrupta para outra dimensão da divagação literária; ou cinematográfica?) antes de os entregar ao seu editor. Admiro a simplicidade da sua prosa: Ishiguro tem o dom raro de expor as grandes ideias da sua obra através de um estilo de narrativa não artificioso, cuja desafectação linguística é a sua principal característica (entenda-se, por exemplo, em nada circunloquial, contemplativa, devaneante e exageradamente descritiva), sem jamais abdicar de algum esteticismo ou cair num minimalismo grosseiro, ou até numa leveza de linguagem de romance de venda directa, com promoção, em supermercado – convém recordar que Ishiguro teve em Angela Carter (1940-1992) a sua mentora e principal guia literária, assim como em Malcolm Bradbury (1932-2000) o mestre de iniciação aos estudos pós-graduados em Literatura na Universidade de East Anglia.
Notas:
* A série de entrevistas The Art of Fiction (adiante, por mera comodidade, designada pela sigla taof) iniciou-se com a fundação da revista em 1953, cabendo o privilégio inaugural, na qualidade de entrevistado a E.M. Forster (taof n.º 1), seguindo-se o autor francês, Nobel da Literatura em 1952, François Mauriac (taof n.º 2, Summer 1953) e o britânico Graham Greene (taof n.º 3, Autumn 1953). José Saramago foi o único português que teve honras de entrevista no referido periódico (taof n.º 155, n.º 149, Winter 1998), no ano em que venceu o Nobel da Literatura.
** Se houver uma alma caridosa que, na sua qualidade de assinante da dita revista, possua a versão integral digitalizada da entrevista… o meu endereço de e-mail está mesmo ali ao lado, no meu perfil – as bases de dados não a dispõem em texto completo desde o ano 2000.
segunda-feira, 19 de março de 2007
Literatura e o Mundo
Não é difícil de adivinhar com quem Gabriel García Márquez, o escritor colombiano semper fidelis, resolveu comemorar o seu 80.º cumple años, fugindo dos que lhe deram a prerrogativa, através da merecida deificação da sua escrita, para cometer de forma livre estes desvarios, com um ligeiro aroma (não da goiaba, mas) da democracia professada mas não praticada. Democracia, esse conceito tão difuso e conformável às necessidades. Mas, não houve Ezra Pound, por um lado, e George Bernard Shaw, por outro? E tantos outros...
Formou-se um grupo de 44 escritores francófonos para a elaboração de um manifesto que exige uma mudança do centro geodésico da língua francesa, até hoje concentrada na Metrópole, para outros cantos do mundo onde se fala francês, como África e Caraíbas. No entanto, a chamada de atenção para os escritores francófonos fora do pentágono gaulês redunda, de forma cómica, em exemplos dessa descentralização na literatura de língua… inglesa! São apontados como exemplo a seguir nomes como Rushdie (nascido na Índia e naturalizado inglês), Ishiguro (nascido no Japão e naturalizado inglês) ou Ondaatje (nascido no Sri Lanka e naturalizado canadiano) e esquecem-se de referir quais os francófonos que poderiam ser a voz dessa mudança. Talvez eu, um lusófono não pertencente ao mundo das letras, proponha Houellebecq que nasceu na ilha de Reunião, escreve em francês e vive em Espanha; ou então a jovem esperança Jonathan Littell que, apesar de americano, vive em Espanha, casou com uma belga e publica em francês.
Finalmente, o escritor peruano Mario Vargas Llosa (meu colega de doutoramento… em matérias e épocas diferentes, porém no mesmo local) emite a sua opinião sobre a libertação de Ignacio de Juana e para o perigo de desmoronamento daquilo que o país conquistou com a denominada Transição Pacífica – que, acrescento, foi o factor que esteve na génese do contínuo afastamento do nosso país do vigor económico, social, tecnológico e cultural espanhol.
