segunda-feira, 17 de abril de 2006

Do esquecimento

Não há pior forma de esquecimento do que a omissão, porque esta não é descuido ou desleixo, reveste-se de um acto deliberado que, eventualmente, inflige dano na parte omitida.
É assim que funciona esta pequena blogosfera que, todavia, não esmorece o presumido adversário, antes lhe dá a força necessária para continuar e servir um público desconhecido, mesmo que ínfimo, através da verdade e nada mais que a verdade.
Quem escreve gosta de ser lido, até citado, nunca esquecido.
Há aqueles que permanecem neste mundo sem serem reconhecidos porque não o querem e para tal não trabalham e há os outros que dele dependem – do reconhecimento –, como uma palavra amiga que nos sai da alma num momento oportuno quaisquer que sejam as circunstâncias e a envolvente.
Escrevo por prazer e sem ataviamentos, apenas como forma de expelir os meus sentimentos mais íntimos, confessáveis, sem rodeios, que de outra maneira ficariam fechados nesta carapaça a provocar-me um lento e cruel definhamento intelectual e espiritual.
Pronto, já está. É o meu processo de catarse.
Quanto ao avivar da memória colectiva nacional pelos horrendos acontecimentos de há 500 anos atrás, no próximo dia 19, estou solidário com os fins, mas não me revejo nos meios.


שָׁלוֹם

domingo, 16 de abril de 2006

Marcelo dixit [Actualizado]

Marcelo Rebelo de Sousa, cidadão eleitor do círculo eleitoral de Braga, prometeu, hoje em directo no seu programa de televisão «As Escolhas de Marcelo» na RTP1, que se iria certificar se os deputados do PSD que ajudou a eleger por Braga teriam faltado à sessão parlamentar de quarta-feira passada na Assembleia da República.
Marcelo disse mais, fez depender o seu voto no PSD nas próximas eleições legislativas no comportamento assumido pelos deputados em causa – caso não tivessem comparecido sem justificação de força maior – e que tudo iria fazer, desde que ao seu alcance, para que os prevaricadores não se candidatassem uma vez mais pelo seu partido.
Assim, atendendo ao eminente sentido de Estado e de serviço público deste blogue, publicam-se os nomes dos deputados em exercício na actual legislatura, eleitos pelo círculo eleitoral de Braga pelo Partido Social Democrata:

  • Emídio Guerreiro
  • Fernando Santos Pereira
  • Jorge Pereira
  • Jorge Varanda
  • Miguel Macedo
  • Patinha Antão
  • Virgílio Almeida Costa

(Nota: esta é apenas a lista dos deputados por Braga eleitos pelo PSD, não é a lista dos faltosos)

Olhando bem e estando atento à realidade política nacional, há, pelo menos, 3 nomes da lista de 7 que, a terem prevaricado de acordo com a directriz marcelista, irão fazer mossa no partido em causa e motivar muitos editoriais, muitos artigos e entrevistas, e uma salutar, e cada vez mais importante no contexto global, discussão na blogosfera.
Eu, humilde eleitor e agreste contribuinte, espero que a medida apalavrada se imponha e que, desta feita, se acabe com a impunidade destes esbanjadores – é um eufemismo – dos dinheiros públicos.
Muitas vezes os grandes exemplos e as medidas profilácticas provêm destes micro-episódios que, aparentemente, costumam resultar num impune nada para o perpetrador.
A ver vamos!

Nota: O texto completo da emissão de hoje será publicado na íntegra no sítio do programa, assim como o habitual ficheiro de som em formato mp3 ou em vídeo através da aplicação RealPlayer.

Adenda: Ler este artigo do Paulo Gorjão, no Bloguítica, onde já se prognosticava o que iria ser dito hoje.

A moda dos Fibs

Na edição do The new York Times de sexta-feira passada, um artigo intitulado por «Fibonacci Poems Multiply on the Web After Blog's Invitation» chamou-me à atenção pela referência à famosa Sequência de Fibonacci.
Fibonacci – de nome Leonardo Pisano – foi um dos mais importantes matemáticos da história, sendo o seu principal mérito a introdução no mundo ocidental da, menos complexa e moldável em termos matemáticos, numeração árabe no início do século XIII, com a publicação em 1202 do seu livro «Liber Abaci».
Outro facto bem conhecido do público em geral – através da leitura do livro de Dan Brown, «O Código Da Vinci» – foi a invenção da referida sequência, que consiste no seguinte:
Uma sucessão de números, iniciando-se em “0” e “1”, onde o número seguinte resulta sempre da soma dos dois números imediatamente anteriores. Então, a famosa sequência inicia-se desta forma: 0, 1, (0+1) 1, (1+1) 2, (1+2) 3, (2+3) 5, (3+5) 8, (5+8) 13, (8+13) 21 e por aí em diante.
Gregory K. Pincus, argumentista norte-americano de cinema e de televisão, amante de poesia e de livros ilustrados para crianças, autor do blogue
GottaBook, lançou um desafio à blogosfera que consiste no desenho de um poema composto por seis versos, cujas sílabas seguem em crescendo de acordo com a Sequência de Fibonacci: 1, 1, 2, 3, 5, 8, isto é, 1.º verso 1 sílaba, 2.º verso 1 sílaba, 3.º verso 2 sílabas, 4.º verso 3 sílabas, 5.º verso 5 sílabas e 6.º verso 8 sílabas.
O desafio foi designado por Fib – acrónimo de Fibonacci – e teve uma repercussão estrondosa na blogosfera e nos mais diversos meios, por exemplo, nas academias de matemática, de literatura e de poesia, nos meios de comunicação social e até em poetas e em sociedades de poetas.
Eu, na minha modesta condição de blogger, contribuirei aqui, neste meu espaço de pura diversão, com o meu primeiro Fib:

Sim,
tu!
No vão
desse céu
azul esparso.
Sentes-te só, sem sol, nem mar!

AMC, Abril de 2006

Lanço o mesmo desafio aos meus visitantes que, por via da Divina Providência de apelido
Gross, aumentaram em número significativo nos últimos dias – porém, quer-me parecer que irá ser sol de pouca dura e lá voltarei aos 28 vpd.

Nota: Para saber mais sobre este desafio lançado por Gregory K. Pincus, consultar o blogue do autor, onde inclusivamente estipula algumas regras, como por exemplo, não é permitido o uso de artigos definidos ou indefinidos nos primeiros versos.

A ternura dos quase 60

Ainda vou nos 33! Anos percorridos com sobressaltos, alegrias, perdas intoleráveis, tristezas profundas, júbilos, desencantos e momentos de exultante euforia.
(Segundo os cânones, ainda desfrutarei, pelo menos, da outra metade do percurso e, talvez por isso o desígnio da morte só se sublima em mim através das perdas que irremediavelmente ainda virei a sofrer. É esse o mal de amar! Um sentimento que requer reciprocidade, mas que, na maioria das circunstâncias, é de um egoísmo exacerbado, quase parasitário das emoções da contraparte, cerceador da liberdade alheia e circunscritivo da sua conduta. Como uma imagem reverberada por um espelho, vemos os outros em função de nós próprios.)
Os parêntesis que delimitam o parágrafo anterior foram colocados à posteriori quando, num estado de lucidez – ler texto desassossegado em epígrafe neste blogue –, reparei que divagava a bom divagar.
Voltando ao assunto sobre o qual me apetece discorrer.
Dizem que com a idade, principalmente quando se dobra o difícil cabo dos 50, as pessoas ficam mais piegas, mais susceptíveis a estados de comoção, até mais compreensivas e dóceis, com uma certa dose de loucura reminiscente (percebida) e remanescente da juventude (inconsciente).
Ao 10.º romance, damos por nós a lembrar que Auster já não é uma criança, o jovem escritor da Trilogia ou do Palácio da Lua. Falta menos de um ano para Paul completar os seus sessenta anos, precisamente a idade do seu protagonista-narrador, Nathan Glass, incluído no seu último romance «As Loucuras de Brooklyn».
Auster não está melhor, nem pior, está diferente!
Não está diferente na forma de abordar o acaso – eternamente presente na sua obra – e as consequências implacáveis dos pequenos grandes episódios que preenchem a nossa vida. Não está diferente na inclusão do aparentemente insignificante que tudo significa na narrativa. Contudo, está menos sério na substância – e entenda-se aqui por “menos sério” como qualificativo do grau de comicidade –, mais solto e mais arejado, não tão carregado, embora “a miséria humana” permaneça o seu tema central.
Provavelmente, este é o menos austeriano dos seus romances. Não exige o mesmo grau de introspecção que romances como «Palácio da Lua», «Timbuktu», «Leviathan» ou até «O Livro das Ilusões» exigem. Não é tão hermético e negro como «A Trilogia de Nova Iorque»; nem tão violento, exasperante e trucidante como «A Música do Acaso».
«As Loucuras de Brooklyn» é o seu primeiro romance a mencionar acontecimentos que afectaram de forma marcante os Estados Unidos e que deixaram feridas ainda muito longe de cicatrizar na sociedade americana: as eleições presidenciais de Novembro de 2000 e o famoso imbróglio judicial no Estado da Florida, e os atentados de 11 de Setembro 2001.
Avaliação final: omitida por falta de imparcialidade!
Em jeito de nota final – para mais não roubar ao prazer da sua descoberta –, deixo aqui ficar uma classificação muito pessoal, por ordem de preferência e de entusiasmo literário, de 8 dos 10 romances já publicados por Auster até à data:

  1. A Trilogia de Nova Iorque – (The New York Trilogy, 1985);
  2. A Música do Acaso – (The Music of Chance, 1990);
  3. Palácio da Lua – (Moon Palace, 1989);
  4. Leviathan – (Leviathan, 1992);
  5. Timbuktu – (Timbuktu, 1999);
  6. O Livro das Ilusões – (The Book of Illusions, 2002);
  7. As Loucuras de Brooklyn – (Brooklyn Follies, 2006);
  8. A Noite do Oráculo – (Oracle Night, 2003).

Notas:
(1) Infelizmente, ainda não li, e já conhecem os meus critérios – linguísticos – os romances «In the Country of Last Things» (1987) e «Mr. Vertigo» (1994).
(2) Obviamente, foram excluídos da lista os seus ensaios, poesia e argumentos para filmes – igualmente deleitáveis.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Lágrimas escarninhas #9

Nada como o início da Sexta-feira Santa para quase quebrar uma promessa – e disse "quase", porque me limito a reproduzir algo que foi escrito por outrem.
Esta é a 9.ª edição deste espaço, votado ao riso deliberadamente inclemente, com o 9.º autor diferente – este facto traz à colação o logro perpetrado pelos arautos do fim desta imensa comunidade pecadora, demonstrando uma vez mais a riqueza e a saúde actuais da nossa blogosfera.
O galardão vai, merecidamente, para o Manuel Jorge Marmelo – cujo blogue e texto aqui representados acabei de descobrir, via o impagável
Cantinho do Hooligan de FJV.
Então, MJM escreve
esta pequena indignação perante a pasmosa amnésia colectiva dos habitualmente pertinazes defensores dos direitos dos animais:

«Não percebo essas associações que alegadamente se dedicam à defesa dos animais. Protestam por tudo e por nada, mas não se lhes escuta uma palavra que possa ajudar a salvar aquela pobre águia, Vitória se chama (?!), aviltantemente forçada, um domingo após outro, à tortura de ver jogar tão mau futebol.»

Ler texto e comentários – onde ademais se vai discutindo o tema “Dragão: mito ou realidade? Uma reflexão sobre Komodo” – no blogue Tatarana, que aliás salta, desde já e sem passar pela casa de partida, para a coluna à direita… deste texto, claro!

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Eu, pecador me confesso!

Não, não fujo aos impostos, os outros fogem – e de que maneira! – por mim!
Se conduzo em excesso de velocidade? Não... digo!
No entanto, sou um pecador. Um bastardo de um neo-pecador.
Ora bolas, já não me bastava o pesado fardo do pecado original com o qual os meus luxuriosos pais me resolveram carregar à nascença – obscenos! – e houve um espírito de luz que me soprou que de facto sou um pecador porque escrevo estas palavras!
Não porque elas sejam injuriosas ou sacrílegas, mas porque o acto de composição deste texto me incrimina pelo tempo despendido inutilmente.
Neste momento sinto essa duplicidade que me atulha o cérebro de sinapses contraditórias. Por cada letra que acrescento a este texto, menos uma letra leio dos cinco livros do Pentateuco, dos Actos dos Apóstolos, da Epístola de S. Paulo aos Coríntios.
Assim sendo, vou publicá-lo antes que o cúmulo da penitência, transitado em confidência, me enclausure no coração das trevas a ler o Apocalipse – não de Conrad – de S. João Evangelista.
O Horror!

Nota: Ler a notícia aqui, mesmo sabendo que ireis pecar, irmãos!

Haja Fé!

Samuel Beckett

Samuel Beckett 100 Anos
(1906-1989)


Desamor

Rodrigo Guedes de Carvalho - Mulher em BrancoEscrevi este título sem invectivas e recuos. Sem que um febril estado de arrependimento me compelisse a apagar de imediato essa palavra que pressupõe um sentimento que já existiu e que, porventura, de forma abrupta desapareceu deixando o sabor amargo do ressentimento que, com o tempo, se transformará no simples olvido – esse é o lado negro do amor; neste mundo binário, de contrários que se atraem e se repelem com as mesmas energia e destreza.
Decorreram apenas quatro ou cinco minutos, mas pareceram-me cem. O cursor cintila sobre a folha em branco. Não sei como começar… e assim começo, porque não é um início é um meio que me conduz ao fim de descrever os sentimentos que me envolveram num manto de silêncio, um nó na garganta, quando fechei, em definitivo, as páginas de «Mulher em Branco», de Rodrigo Guedes de Carvalho.
O livro relata esse lado obscuro do amor, que é finito, felizmente invisível quando embarcamos de forma desabrida nas teias da emoção pura. Porém, mais cedo ou mais tarde, essa sombra emergirá e, como tudo na vida, ele também finda e esse fim é dor e mais dor… só ela parece ficar, aniquilando todo um espectro iridescente de sentimentos.
O estado de desamor implica uma ruptura prévia e irreparável que se fez de um pequeno nada. De um bocejo, de um hiato de tempo correspondente a um abanão de asas de um colibri. Depois… só as trevas, uma negridão inquietante interrompida por imagens, por manchas de rememorações obstinadas e doentias: em que parte da história falhei? Não, espera, não fui só eu? Sim, não fui eu? Tu é que falhaste…
Neste livro, Rodrigo Guedes de Carvalho captou o arcano do desamor usando um leque aparentemente complexo de relacionamentos que, na realidade, não é nada mais do que a imitação da própria vida, da espécie humana no seu quotidiano mais fútil, frugal e mesquinho.
Ler este «Mulher em Branco» é um exercício de leitura inesquecível, pela dureza da constatação dessa realidade nua e crua, escrita com uma leveza de mágico!
Ao contrário de «A Casa Quieta», tenho a firme convicção de que este livro, mesmo com o inexorável passar do tempo, me ficará eternamente gravado na memória.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Um esclarecimento

A propósito deste texto de JPT no Ma-Schamba, escrevi esta breve nota na sua caixa de comentários e dela fiz eco neste blogue.
O tema centra-se na passagem dos 500 anos do início do pogrom de Lisboa, em 19 de Abril de 1506, e de uma vigília agendada para o mesmo dia deste ano – próxima quarta-feira – no Rossio em Lisboa, onde foram chacinados milhares de judeus ao mando de um celerado D. Manuel I, o venturoso – para muitos o pai do declínio de Portugal com os seus devaneios de prepotência e de magnificência.
Não me manifestei contra a vigília, só referi que nela não iria participar. Em primeiro lugar, por uma simples questão logística ou de distância meramente física – mas esta perde a importância toda perante a que se segue. Depois, porque não me revejo – e está-me no sangue – nesse tipo de exteriorizações, seja de que índole for: religiosa ou política, de agravo ou de desagravo. Todavia, reconheço aos outros – sem presunção de espécie alguma, aliás digo isto na mais genuína das humildades – o direito inalienável de expressão do mais íntimo das suas indignações, dos seus sentimentos de injustiça, das suas revoltas perante impunidade dos actos dos poderosos mais cruéis, tanto no passado como no presente.
Não acenderei uma vela no Rossio no próximo dia 19, todavia, tal como referi aqui nos comentários a
este texto do Francisco José Viegas, a minha vela acender-se-á transfigurada num sentimento de culpa no mais profundo da minha alma porque sou português e porque um dia me orgulhei, numa ignara sapiência, de alguns feitos logrados à custa do sangue dos inocentes – e não me venham com a historieta dos mouros e das guerras travadas na península, denominadas sob o título de reconquista cristã; tratava-se de uma guerra, e quem lá vai dá e leva, como diz o ditado.
Nuno, Lutz e Francisco rogo-vos que não interpretem mal as minhas palavras – e daí a necessidade deste esclarecimento, neste habitual ambiente exaltado e hiperbólico da nossa blogosfera.
Como já mencionei, sou um católico de número. Fui baptizado aos 3 ou 4 meses, consto dos registos paroquiais e posso receber os restantes sacramentos da liturgia católica.
No entanto, essa é a minha parte insubstancial que se transmuta num número, que se usa para ser extrapolado nas discussões teológicas ou ecuménicas.
Eu sou daqueles que partilham a máxima do “crer para ver” – ok, já estou a citar o último romance de Auster, ainda mal o comecei a ler. Transformei-me num inconsequente de um céptico, não niilista, porém ateu, para a grande mágoa do meu querido pai, um católico dedicado e ritualista.
Os meus deuses são os meus ídolos, a minha família, os meus amigos e aqueles que, embora não conhecendo, reputo de infinitamente bons, justos, íntegros e rectos.
Não me levem a mal, é a minha natureza!

Só para terminar, queria aqui deixar uma pequena história verídica. Ocorreu no dia 1 de Março de 1994, no Radio City Music Hall, em Nova Iorque, na sessão de entrega dos prémios Grammy. Frank Sinatra foi previamente indigitado e nesse dia galardoado com o Grammy Legend Award (Lifetime Achievement). O discurso de apresentação do prémio coube a Bono Vox, e recordo-me agora da comoção que se me assaltou e do arrepio que senti durante o discurso enfático do vocalista dos U2. Bono terminou o discurso com estas palavras:

«Ladies and gentlemen, are you ready to welcome a man heavier than the Empire State, more connected than the Twin Towers, as recognizable as the Statue of Liberty, and living proof that God is a Catholic!
Will you welcome the King of New York City, Francis Albert Sinatra!
»

[destaque meu]

11 de Setembro à parte, eu digo que Deus foi católico até ao dia em que o coração o traiu, Francis Albert – 14 de Maio de 1998.
Todavia, para mim, Deus continua a ser judeu, pelo menos desde
3 de Fevereiro de 1947, como poderá ser de outro sentido qualquer. Essa a minha maneira de sentir a presença d’Ele. Perdoem-me!

É sorrir e acenar, rapazes!


In O Jogo, 12/04/2006

Nota: Obviamente, sem quaisquer comentários! Mudo e quedo!

Insubmisso enriquecido...

Mahmoud Ahmadinejad ...pelos pacifistas!
Que me venha mais algum pseudo pacifista pôr paninhos quentes neste pulha!
Um dos maiores palhaços de toda a História usou e abusou da arma dos consensos fúteis e/ou impossíveis, e acabou por assistir pacificamente – morreu! – aos blitzkrieg a devastar o seu país que ele queria de consensos:
«É a paz no nosso tempo», disse ele, Neville Chamberlain!
Com criminosos jamais se negoceia!
As angelicais, imaculadas, beneméritas, voluntariosas e prodigiosas negociações são o pretexto para que o imperceptível passar do tempo fortaleça os assassinos.

1939-1945? Não basta este episódio!

Chamberlain com Hitler

terça-feira, 11 de abril de 2006

“O senhor Murakami”®

Haruki MurakiAntes de chegar ao tutano do texto, embora corra o risco de exibir o meu carácter tergiversador, cabe-me fazer aqui um brevíssimo proémio para que se espalhe uma luz sobre a figura do escritor nipónico Haruki Murakami.
José Mário Silva, no seu blogue
A Invenção de Morel, apõe uma pequena asserção que, assim dita, é susceptível de gerar um manancial de interpretações:

«Haruki Murakami é o Dan Brown dos intelectuais.»

Ora, uma coisa parece certa, ambos escrevem livros e que estes estão traduzidos para a nossa língua. Dan é um cidadão americano com quase 42 anos de idade, Haruki é japonês de com 57 anos já feitos – logo, já está, literariamente, um homenzinho. O primeiro publicou 4 romances 4, o segundo 16. Ambos são considerados como escritores “pop” – de limão não estraga as unhas nem, tão-pouco, as mãozinhas! –, embora o primeiro seja um pop internacional, o segundo, por enquanto, é um pop apenas no Japão, ao contrário da sua imagem na Europa ou nos Estados Unidos.
Posto isto, há uma pequena grande diferença – o chamado pormaior:
DB escreve romances policiais – históricos ou não – que resultam de uma aturada pesquisa bibliográfica, uma vez que procura neles abordar matérias polémicas, fracturantes e conspirativas. A sua prosa é de leitura e de interpretação fáceis, leve e enleante, constituída, na sua essência, por diálogos e por breves abordagens explicativas dos seus personagens. Tudo isto espargido por um número infindável de capítulos, curtos, com final em suspenso que, em regra, só é continuado 1 ou 2 capítulos mais à frente. DB não se detém em rodriguinhos literários ou em efabulações, é curto e grosso, e chega!
HM é mais complexo sem o parecer. Em muitas circunstâncias a mensagem que pretende transmitir lê-se nas entrelinhas, porém, na maioria das vezes, damo-nos a procurá-la como tontos desconfiados, mas de facto nesse local ela não existe; o texto é taxativo, mas há qualquer coisa que, por vezes, nos põe a pensar em voz alta e nos leva à teimosa e cansativa releitura do parágrafo que mal acabámos de passar os olhos. Sobre Murakami fico-me por aqui – apenas neste texto –, até porque – e o insone
Henrique Fialho é disso o suspeito número 1 – «O Senhor Murakami» é muitíssimo bem – já pareço a ® com os seus incontáveis superlativos – retratado num pequeno texto homónimo – aliás, por falar no diabo, o título deste texto foi daí plagiado – de Rui Tavares incluído no seu livro «Pobre e Mal Agradecido», Tinta-da-china, Fevereiro de 2006 (pp. 53-63).
Em Portugal, HM tem 3 títulos editados – como estou com uma preguiça colossal, ver
aqui o que já escrevi sobre isto – e já há um 4.º a caminho, o seu mais louvado e premiado «The Wind-Up Bird Chronicle», que também será editado pela Casa das Letras.

Para finalizar, regresso ao proémio e tento fazer um exercício lógico-dedutivo:
Li Dan Brown. Todos. Os 3 editados em português e lerei o que há-de vir. Gosto – serei supliciado, é certo, mas foda-se, é a vida! Diverte-me e desopila-me. Gosto de Murakami. Muito até. Li o de Sputnik que era beat, que era beatnik, Kerouac. Não gosto, desprezo até, Beatles. Mas gostei do Eleanor – não, isso era Coupland, seu sacrílego! – Norwegian Wood. O pássaro voou…
Logo:
Sou um banal, hetero, coçador-de-tomates, bebedor-de-cerveja, leitor-de-jornais-desportivos de um pop, arremetido de frivolidades, mas, ao mesmo tempo, sou um pop culto, um panasca de um intelectual de um presunçoso que só se besunta com caviar e com champanhe – champagne, s’il vous plait! – e nada de lambonas da Planta de passantes de chopingue dominical de fatos-de-treino roxos flamejados de verde-alface e bigodes farfalhudos risca-ao-meio na bissectriz do cabelo gorduroso, manteiga… conhece a manteiga como Brando no seu Últimoem Paris!
Rótulos, compartimentações, guetos, prisões… Prometeu ladrão da chama agrilhoado, de fígado pútrido por uma águia debicado.
Que nó!

Notas:
(1) Para mais informações sobre o autor consultar esta página da
Wikipedia, onde se poderão encontrar outras referências espalhadas pela Internet.
(2) Sobre «Kafka à Beira-mar» – editado este ano em Portugal, ver
aqui a referência – confesso que fiquei um pouco decepcionado com o excesso de delírios fantasiosos. Falarei disso quando houver tempo, e se me apetecer, claro!
(3) Por uma questão de justiça – aliás já o queria ter feito há muito – o
blogue do Rui Tavares salta já para a minha lista de ligações.

Ei-lo!

Paul Auster - As Loucuras de BrooklynAnunciado nos finais de Março pela editora Asa, «As Loucuras de Brooklyn» de Paul Auster (Brooklyn Follies, 2006) chega finalmente às livrarias!
Resta o imaginável prazer, parcimonioso, na sua leitura, o que para um fanático austeriano, com determinados ritos ou obsessões literárias, exigirá, em primeiro lugar, a conclusão da leitura da mulherzinha frágil e amnésica – diria em branco – e as vicissitudes das personagens que a rodeiam, e, sem querer parecer pobre e mal agradecido, ler nos intermezzos e de forma descontínua – porque a estrutura da obra assim o permite – o manual de educação patológica, com laivos
sísmicos.

Despeço-me à EPC, bons livros!

Promoções na Páscoa

Aproveitando o início da Semana Santa – uma semana maniqueísta, por excelência antagónica, perdoem-me a heresia – de jejuns e abstinências – não comer carne na sexta, ou seja coboiadas no Wyoming são permitidas! –, de aleluias e repastos folgazões no Domingo de Páscoa, actualizo a minha apaixonada lista de blogues.
Uma vez mais, a heterogeneidade geográfica, política, cultural, religiosa e futeb… – prometi mudez e remanso – pinta de democraticidade a lista que se segue – postados por ordem alfabética:
Agridoce, de Pedro Vieira; Destaques a Amarelo, de Sérgio Aires; Diário, de Tiago Galvão; Ilhas, dos açorianos Alexandre Pascoal, Carlos Guilherme Riley, João Nuno Almeida e Sousa, Pedro de Mendoza e Vítor Marques; A Invenção de Morel, de José Mário Silva; A Praia, de Ivan Nunes; Quase em Português, de Lutz Brückelmann; Welcome to Elsinore, de Carla Carvalho.

A todos expresso as minhas sinceras felicitações pelos excelentes espaços blogosféricos, deixando a promessa de visitas mais assíduas.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

A idade de Cristo

Para além de haver constatado pelo número excessivo de bloggers de nome André – o nome do santo da cruz invertida (cuidado, não é literal!) – na blogosfera nacional, agora deparo-me com uma pequena multidão com a idade de Cristo crucificado: 33 anos!
Apenas alguns exemplos (6), para além deste vosso autor:

Para a semana, a sexta-feira é Santa, o que significa que se pretende simbolizar o dia da Paixão, isto é, pelas 15 horas de sexta-feira da semana da Páscoa Cristo foi crucificado…

«E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados».
S. Mateus (27:51-52)

Basta!


Parafraseando o título da capa da revista The Economist desta semana, referindo-se a outro assunto.

Proliferam como cogumelos ou como reverberações de nauseabunda submissão: o todo pela parte e parte pelo todo!
Faz-me lembrar as tardes de Verão no Douro, onde assistia ao corrupio das pudicas e cândidas damas nativas, que recorriam, numa desenfreada histeria, ao ouvido paciente da minha mãe, soltando as repulsivas línguas de maledicência viperina e boçal.
E como batiam... Batiam, com auto elogios à nobreza de carácter e à devoção cristã do amor pelo outro!
Batiam e batiam com a mão no peito e eu só lhes desejava que aqueles esternos lhes rebentassem naqueles negros e repelentes buços por aparar.

Futebol, só quando houver realizações – matemáticas, claro!

Até lá, mudo e quedo!

Canal-Caveira

«Mijo no restaurante do Canal-Caveira, decidiu ele, numa retrete nauseabunda atulhada de merda imemorial dos comensais, que deixa na loiça dedadas arrastadas e sujas de Arquivo de Identificação, que nenhuma água limpará. Mijo no restaurante do Canal-Caveira, onde me sentarei diante do bife do ano passado com fastio do ano passado nas tripas, recusando as batatas fritas da travessa num enjoo imenso.»*

Retribuo o abraço, ressalvando, todavia, que essa chusma mencionada no texto me arrepia até os pelitos mais grossos – pronto, os púbicos, porra!
Porém, esses quadrilheiros não são os únicos! Mesmo as tais cigarritas já são embriões de formiguitas que labutam, num esforço hercúleo e incessante, pelo mimetismo dessa desenfreada marabunta.
Não, não vou nomear!
Só vou deixar aqui um fio para desatar meada – e que não fala de “unhas”, nem de “máquinas fotográficas”, deixo a clorofila em paz:
W essa semivogal labiovelar, muitas vezes designada em Portugal por “Duplo V”, logo V e V dá VV, W.

* In «Conhecimento do Inferno», de António Lobo Antunes. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 14.ª edição (1.ª edição ne varietur), Novembro de 2004, pág. 141

Justas referências cum laude – III

Pronto! Os capítulos sucedem-se!
Desta feita, chamo a devida atenção para
este texto de José Pimentel Teixeira sobre a celebração ou não da tragédia com cinco séculos e meio de história, 19 de Abril de 1506, o tristemente célebre pogrom, onde milhares de judeus foram barbaramente assassinados no Rossio, sobre os auspícios do reinado de el-Rei D. Manuel I, o venturoso.
Por manifesta preguiça, irei apenas fazer copy & paste do meu comentário inserido no
texto do Ma-schamba.

«Excelente texto JPT!
Subscrevo-o na íntegra!
Este tipo de iniciativas, levadas a cabo volvidos séculos após o acontecimento, faz-me uma certa confusão!
Que o D. Manuel I, como chefe supremo da nação, fosse um celerado e que se o demonstre à saciedade para que a História dos pogrom não seja branqueada, concordo – já que ela figura sempre na óptica do vencedor.
Agora, vigílias, velinhas, cânticos e concentrações por acontecimentos históricos seculares – não falo, por exemplo, deste tipo de iniciativas nos casos de injustiças que ocorrem na actualidade por esse mundo fora – provocam normalmente mais ruído do que esclarecimento; são simples desvarios estrídulos sem que se consiga alcançar o objectivo pretendido, uma vez que há a conotação com radicalismos que acaba por afastar os moderados.
Agora, que se publiquem livros, que se promovam debates, que sejam alertados os meios de comunicação social para que se refiram a este tipo de acontecimentos, é outro tipo de manifestação completamente diferente, com o qual concordo – aliás como fez o
Nuno Guerreiro através do seu alerta na blogosfera!
A este propósito deixo aqui uma sugestão, ao estilo MRS: «
O Último Cabalista de Lisboa», Richard Zimler. Lisboa: Quetzal Editores (eu disponho da 9.ª edição, que é de Maio de 2004, mas não existe a referência à data de publicação da 1.ª).»

Postado no Ma-Schamba, hoje, 10 de Abril de 2006, às 17 horas e 31 minutos, hora de Lisboa.

Nota: os procedimentos de montagem do comentário – ligações, destaques, itálicos – e eventuais correcções, foram realizados apenas neste blogue.

Justas referências cum laude – II

A blogosfera tem destas coisas, ainda ontem inaugurei uma nova secção deste cantinho de pura divagação e já houve motivos para o segundo capítulo.
Assim, o louvor vai inteirinho para
este texto do meu conterrâneo Tiago Barbosa Ribeiro, no seu blogue Kontratempos. O meu palavreado laudatório vai, no seu âmago, para esta frase:

«Um adepto do Porto aprende a gostar do seu clube antes de gostar de futebol.»

No entanto, houve reacção! E por um dos meus prosadores dilectos, o Afonso Bivar [ver aqui a réplica].
Eu, que vivi durante 25 anos nas Antas, mais concretamente na fronteira entre as freguesias do Bonfim e de Campanhã, com Paranhos à ilharga, só queria fazer uma pequena correcção ao texto do Afonso:
O Velásquez – para quem não conhece situa-se em pleno coração da andradolândia, na antiga praça do mesmo nome, hoje denominada por Francisco Sá Carneiro – é o ponto de encontro de um conjunto heterogéneo de paixões clubísticas, no qual porém predomina a azul e branca – tal como na cidade inteira e tal como os cafés circundantes, Eça e Bom Dia.
As célebres tertúlias literárias, políticas e futeboleiras davam-se no falecido – hoje uma dependência bancária – Café Orfeu e na Petúlia – ambos sitos na Rua Júlio Dinis, Boavista –, na Brasileira – na Rua Sá da Bandeira, na Baixa – e no eterno Majestic – na Rua Santa Catarina, também na Baixa.
Ao contrário do que o Afonso refere, a zona das Antas não é uma zona depressiva, é burguesa em contraponto à nobre Foz – onde, aliás, também predomina o azul e branco.
Para quem não conhece o Porto, a denominada zona das Antas é um pequeno enclave que circunda a parte mais alta da enorme Avenida Fernão de Magalhães – esta última começa no coração da cidade, Campo 24 de Agosto e termina na zona da Areosa na qual confluem 3 concelhos: Porto, Gondomar e Maia.
A tal zona deprimida é de facto a zona oriental do Porto, constituída essencialmente pela freguesia de Campanhã, sendo as Antas sua parte integrante, porém é um oásis no meio dessa degradação. Ademais, é a zona na qual gostaria de ter continuado a viver, porém o preço por metro quadrado para habitação é dos maiores do país, rivalizando por exemplo com Lisboa (Lapa, Estrela e Restelo) e Porto (Foz e Boavista).

O estrangeiro

O Ivan Walden… perdão, Nunes, escreveu este naco de prosa no seu blogue A Praia – o qual passará a constar da minha lista na actualização prometida para hoje [chegou-me ao conhecimento via Vasco M. Barreto's A Memória Inventada]:

«Não gostar do Benfica (para além dos aspectos éticos), é questão de vizinhança; não gostar do Porto é xenofobia, trata-se de um clube estrangeiro.»

Não, Ivan não vive nos bosques! Vive na Grande Urbe – Lisboa que, em boa verdade, é uma cidade que ¡me encanta! – e nunca desfrutou da companhia mais íntima de um notável portista, assim compreendo a xenofobia e depreendo que os considere alienígenas – em sentido lato – ou uma tribo talvez a perscrutar à laia de David Livingstone.
Eu, em tempo idos – e vou confessar-me –, na mais pura das realidades, não conhecia sportinguistas – nos ciclos restritos da família, dos amigos e dos colegas! Porém, tudo isso mudou a partir dos meus 13-14 anos, na minha fase ontogenética de amadurecimento. Ou seja, fui-me socializando, dei novos mundos ao meu mundo – que, assustadoramente, se estendia para lá do meu quarto –, e os comecei a encontrar sportinguistas e com eles a privar de perto, mantendo laços estreitos de amizade com muitos deles até aos dias de hoje – em idade capicua que foi a de Cristo crucificado.
Mas na minha ainda curta vivência terráquea, a mais fina das ironias acabou por pintar a letras de ouro a minha biografia. Philip Roth escreveu o notável livro «Casei com um Comunista». (Não, não esperem por essa! No meu contrato matrimonial não existe a contraparte comunista e muito menos um ele!) No meu caso, há quase 9 anos, poderia ter escrito «Casei com uma Sportinguista» e tem sido uma experiência deveras aberta e interessante, com uma única excepção a essa regra de livre debate: a doutrinação da nossa filha – agora com 2 anos e meio –, que já é sócia do FCP desde os 3 meses de idade – não fosse o diabo (ou, neste caso, o Rei Lagarto – Jim Morrison!?) tecê-las!
Ao Ivan recomendo a leitura do livro de Huxley, essencialmente pelo título, «Admirável Mundo Novo» e porque não, também por parte do enredo, a viagem de Lenina e de Bernard Marx a Malpaís, onde conhecem o selvagem miscigenado John, que será a fonte de todos os problemas!
Ivan, não me leve a mal: eu fundamentalista me confesso!

domingo, 9 de abril de 2006

Amanhã...

…proceder-se-á a mais uma actualização da lista de blogues e do conteúdo da grafonola que, necessariamente, já não obriga à inclusão de sons BLUE – a esse respeito está prometido um espaço daqui a 2 ou 3 semanas e, garantidamente, no dia 14 de Maio.
Porque será?

Semana em grande!

Depois de uma brutal enxaqueca na quinta-feira, de uma tremenda decepção cinéfila na sexta, de uma alegria, ainda que moderada e cautelosa, no sábado, só faltava uma dorzita de dentes para rematar – não, essa do rematar… foi o Jorginho! – a semana!
Ah, e descobri que Llona “Cicciolina” Staller é portista!

Nota (quase que me esquecia):
Afonso, já divisei a potencial fonte de agudização de Bivar, chama-se corrector ortográfico FLIP. Não sei por que cargas de água o dito cujo aplicativo transforma bivar ou Bivar em “Bívar”!?
Como desconheço a existência da palavra Bívar – e sempre conheci o mui nobre nome de família Bivar –, só posso interpretar que o obediente corrector a considere como uma palavra grave – gravíssimo! – que termina em “r” e, assim, obedecendo às regras de acentuação, acentue de forma automática a penúltima sílaba.
Gostei do «
desígnio licantrópico»! Contudo, na próxima 5.ª feira, dia 13 – por mera coincidência, é esse o número –, fechar-me-ei em casa a partir das 7 horas e 51 minutos da manhã até às 4 horas e 28 minutos da manhã do dia 21 de Abril... (In)felizmente, acabaram-se-me as balas de prata!

Justas referências cum laude – I

Inaugura-se mais uma secção deste blogue, na qual irão ser postadas, de forma intermitente, algumas referências a textos publicados na blogosfera – mais viva que nunca! – que merecem um distinção com louvor – adverte-se que o critério é manifestamente subjectivo.
Para começar bem, destaco logo dois textos de dois blogues diferentes.
O primeiro destaque vai para
este texto de Vasco M. Barreto, o correspondente nova-iorquino da nossa blogosfera, publicado no seu blogue A Memória Inventada:
«TSF online: oiço tudo e volto a ouvir. É o meu Portugal portátil.»
De facto queria aqui reforçar o reconhecimento do riquíssimo conteúdo da
TSF Online, como, aliás, VMB merecidamente enfatiza no seu texto. A minha dilecção vai inteirinha para o programa de Carlos Vaz Marques «Pessoal e... Transmissível», no ar depois das notícias das 19 e em permanência na página da Internet da TSF. CVM é admirável em todos os aspectos na arte de conduzir uma entrevista. Os seus diálogos não parecem seguir um guião e resultam da interacção simbiótica entre entrevistador e entrevistado. Deixo, apenas, 3 singelas sugestões: as entrevistas de CVM a Ian McEwan, Salman Rushdie e Paul Auster – e já agora a entrevista a Pat Metheny, do qual são os acordes que dão vida e cor ao programa. A TSF neste âmbito presta um verdadeiro serviço público – e acabo por aqui com os encómios, não vá o Fragoso lembrar-se de passar a cobrar pela audição online dos ficheiros de áudio!
O segundo destaque, cum laude, vai para
este texto de João Gonçalves no seu blogue Portugal dos Pequeninos – na verdade o título do blogue até se encaixa bem na matéria nele (texto) vertida.
JG referindo-se à O2 Clara Ferreira Alves e ao seu anúncio digital da morte da blogosfera: «Eu [João Gonçalves], pelo contrário, desejo vida e saúde à sua "pluma caprichosa" no jornal do regime, bem como à sua "língua de prata" na versão televisiva do mesmo jornal. Não a leio. Não a oiço. Por isso não me incomoda nada que ela exista, mesmo que "aprisionada" nos seus "formatos e vícios".»
Para entender melhor esta morte quiçá “desejada” – como refere JG e que eu reitero – deixo aqui uma citação de um texto postado num blogue darwiniano, corria o dia 11 de Janeiro deste ano:
«A Casa é um projecto entusiasmante e delicado; precisa de público, de mais público; as ideias e os projectos que já existem precisam agora de tempo, como se sabe.»
A Casa tem o nome de Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares, e por aí fora. Passou a figurar no costumadamente restrito e exíguo mapa cultural português. Honra seja feita ao seu director
Francisco José Viegas e ao seu animador Ricardo Gross, que trouxeram para o domínio público aquilo que muito bem se faz no campo das letras em Portugal e no mundo. Parafraseando Rodrigo Guedes de Carvalho aquele espaço deixou de ser uma “Casa Quieta”, finalmente tornou-se num memorial vivo e digno do nome assombroso que ostenta. É razão para se dizer que, neste caso, A Mensagem transmitida por esse Infante Francisco que navega essa nau no turbilhão artístico português concretizou-se «Deus quer, o homem sonha, a obra nasce». À laia de citação, aponho aqui o delicioso estribilho de António Lobo Antunes nos seus relatos espectrais: «percebe».

sábado, 8 de abril de 2006

Mais um passo...

Jorginho E calma! Ainda não há razões para festejos!

Faltam: 31.ª U. Leiria (Dragão); 32.ª Penafiel (fora); 33.ª V. Guimarães (Dragão) e 34.ª Boavista (fora).

Explicações de Português

Habilidoso «adj. e s. m., que ou aquele que é hábil, destro; que tem habilidade; jeitoso, engenhoso; deprec., espertalhão, finório.» in Dicionário da Língua Portuguesa On-line, da Priberam

Fora-de-jogo, esse incompreendido!
Lei 11 do International F. A. Board
«Um jogador encontra-se em posição fora-de-jogo se estiver mais perto da linha de baliza adversária do que a bola e o penúltimo adversário»

À lei de Murphy

Cillian MurphyMurphy, Cillian Murphy.
Neil Jordan dirigiu e elaborou o argumento, adaptado do romance de 1998 «Breakfast on Pluto», do escritor irlandês Pat McCabe.
Jordan arriscou! Adaptou ao cinema uma fabulação que mexe com questões fracturantes como a homossexualidade, a inadaptação pelo género e a homofobia; a política e o terrorismo; a religião e os seus zelosos dignitários.
Mais, Jordan necessitava de um Actor – de letra capital!
No que toca ao argumento, Jordan ficou-se pela rama, não foi ao fundo da mina que lhe poderia ter trazido o ouro dos galardões ou então a negridão da hulha que poderia contribuir para a fossilização de um mito.
Jordan lembrou-se de Murphy. Da lei, como se de uma profecia se tratasse, um oráculo celta que lhe transmitia que se algo pode correr mal, esse mal decerto ocorrerá.
Jordan, no fundo, não arriscou na prospecção do conteúdo da mina, cobriu-se de um argumento que dependia de um actor, como disse anteriormente: do Actor.
Brotou Murphy – o Actor – de nome Cillian, o irlandês de 30 anos.
A lente, a câmara, faziam depender os seus movimentos do grau de genialidade do protagonista. O rasgo deste último era o caminho do sucesso do filme e, logo, Jordan arriscou!
Foi esta dualidade, este hermafroditismo de sentimentos, que se me assaltou perante o fundo negro da tela com letras desenhada a branco projectando “The End”.
Sobre o filme terei que reflectir mais uns dias ou, porventura, revê-lo.
Sobre Cillian, magistral seria um qualificativo depreciativo da grandeza da interpretação. É o filme de Cillian e não de Jordan ou até – porque não? – de Neeson ou de Rea – ofuscados pelo glam!

Notas:

  • Lembram-se do estrangulador de bigode ralo que percorria as ruas de Londres a bordo do seu carro de luxo? Sim, esse mesmo que canta… Bryan Ferry!
  • Ver aqui a opinião de Ricardo Gross e aqui a de Luís Mourão.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Um preço...

…perfeitamente abrupto!

Vi, claramente visto, hoje na Bertrand do Dolce Vita E. Dragão!

Diga comigo: 55! (≈ 1/7 do S.M.N.)

Weblog de uma enxaqueca

Que fique registado nos autos que, aos seis dias do mês de Abril do ano da Graça de dois mil e seis, o autor deste blogue pariu uma rameira de uma enxaqueca – polidez de redacção advinda da bonança do suave restabelecimento.
Que fique, ademais, registado que o trabalho de parto durou um tempo obsceno – de novo a polidez – de umas dez horas e que o autor – ao contrário do estatuído como razoável e da opinião da turba de terapeutas especializada em cópulas cerebrais – foi visto e sentido a espiolhar blogues, chegando inclusive ao paroxismo da desfaçatez através da manifestação de opiniões em blogues que, delirantemente, diz de referência.
Esta acta depois de lida será assinada…

Eu digo: vão para a p… [lápis azul, Caran d’Ache Prismalo Aquarelle]

Mudando de assunto, depois de regurgitada esta dor espasmódica, vou-me preparando para o hooliganismo e a troca de galhardetes, contando como é óbvio com uma boa dose de verrina cruzada com os meus eternos, porém transitivos, opositores – no que à insânia da bola diz respeito, claro! –
Afonso Bivar e José Pimentel Teixeira.
O Afonso até já transformou o nome de blogue para um ambíguo Moron e
promete uma luta encarniçada.
Ó Francisco, eventualmente, irei necessitar de uma ajudinha para combater estes aguerridos lagartos*!

Nota:
* Tentei encontrar uma melhor expressão para substituir o quiçá pejorativo “lagarto” através de uma expressão grandiloquente que simbolizasse a dimensão argumentativa dos meus oponentes, todavia o maior lagarto do mundo é… o
Dragão de Komodo!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Da essência

Na margem esquerda de um rio, por entre a neblina expelida por aquela linha de água cálida e a reverberação, numa paz sibilante, do coaxar das rãs, um solitário escorpião vislumbra, na outra margem, a terra prometida de escorpionas em topless exibindo ostensivamente as suas rabichas peçonhentas.
O macho, que nunca foi de nadar, procura, num frenesim de testosterona em ponto de ebulição, algo ou alguém que o carregue para aquela margem idílica, a direita.
Num nenúfar, não muito longe da margem, avista uma pequena rã palpitante, de porte atlético, que de olhos bem abertos ignora o efeito danoso dos ultravioleta nas suas anfíbias retinas.
O sagaz aracnídeo, numa punção ejaculatória, arquitecta um plano para transpor de forma rápida e incólume aquele purgatório de águas lodosas:
– Minha linda flor verde de coxas deleitosas e muito apreciadas! – começou o finório. – Preciso de chegar à outra banda antes que anoiteça! – disse-o, amaciando a voz. – Será que abusarei da tua confiança se me carregares nas tuas resplandecentes e firmes costas?
A pequena rã, bondosa na sua essência, reforçada durante tempos infindos por um lar repleto de urbanidade ainda se conhecia como um imberbe girino, depressa anuiu, não sem que antes avisasse o potencial ser deletério para os perigos em que o seu canastro incorria pelo ousado transporte.
O lacrau, na sua voz melíflua, logo lhe assegurou que riscos corriam-se nos casinos ou na bolsa e que entre irmãos – nessa imensa fraternidade que os unia contra o Homem ignóbil e poluidor – jamais poderia existir a desconfiança e até mesmo o vil sentimento de traição.
Assim posta a coisa, o pobre batráquio inicia a sua viagem com a besta encavalitada no seu dorso, apelando a todos os anjos e santos que lhe concedam o dom de resistir a tão rígido esforço, quase desbatraquiano.
A meio do percurso, num estertor de guelras e bofes, a pequena rã sente uma dor atroz no fundo da espinha que lhe percorre, numa fúria incontida, todo o corpinho esponjoso num décimo de segundo. Numa vozinha membranosa, diz:
– Então, o que se passa!? Carrego-te… blurp… blurp… às co… co… costas… aaarf… e fa… fa… fazes-me… blurp… u… umm …uma me… merda destas!?
O escorpião, de aguilhão crivado no mais fundo daquele ser, riposta num tom escarninho e, simultaneamente, triunfante:
– Pois é, meu caro amigo! Está na minha natureza!

Pequena história adaptada por mim de um excerto do argumento de «The Crying Game», de Neil Jordan.

Nós não nos esquecemos…

…do vosso apoio…



…e assim retribuímos, endavant Barça!

Novo espaço de poesia

Via este artigo de valter hugo mãe no seu blogue Da Literatura, tomei conhecimento do projecto Poetry International Web.
Este novo sítio pretende divulgar a poesia que se escreve por esse mundo fora em edição bilingue: na língua nativa e também em inglês.
Cada país participante dispõe de um editor nacional, que no nosso caso é o tradutor Richard Zenith – por exemplo, conta no seu currículo com a tradução para a língua inglesa do “Livro do Desassossego” de Bernardo Soares (Pessoa).
A política deste fórum de poesia não permite o envio de poemas para posterior publicação. Os poemas publicados são de exclusiva escolha do editor nacional, incentivando-se, porém, os interessados a enviar sugestões para a sua caixa de correio electrónico.
Assim, o e-mail de Richard Zenith é
portugal@poetryinternational.org.

Aqui deixo uma sugestão: tradução e posterior publicação do poema em epígrafe de Sophia de Mello Breyner Andresen «Porque», que serviu de inspiração à atribuição de um nome a este cantinho blogosférico de têmpera eminentemente desassossegada no combate à lusa impunidade
.

Tremor salazarista

Não é que no meu texto anterior quase citei o António do Vimieiro, Santa Comba Dão, ipsis litteris!
«(…) uma Nação que é fundada por um filho que arreia na mãe! Só poderia dar nisto (…)»
De forma
abrupta, ignorante me descobri.
Ou serei um simples corpo no qual habita uma alma vulnerável às efervescências de mensageiro-do-além do Botas?

terça-feira, 4 de abril de 2006

Lágrimas escarninhas #8

A 8.ª edição deste cantinho no Blogger plantado é dedicada a O Acidental.
É de relembrar que esse blogue tem o seu fim anunciado para o dia 8 de Abril – próximo sábado.
Por simples coincidência o 8.º chorrilho de escarnecimento lacrimejante é dedicado a este texto de PPM:
«Surpreendente: leitura original no Abrupto». Certeiro!

Acrescento que, para além das estafantes – ou estafadas? – imagens de trabalho e dos criteriosamente seleccionados panegíricos emeilados por essa massa informe que se dá a conhecer pelo nome de “povo” – se não o fossem, o blogue dispunha de uma caixa de comentários aberta ao público –
JPP poderá impulsionar esse «outro aspecto interessante deste novo mundo» através da publicação de excertos de um livro antes da sua colocação no mercado tradicional.
Amanhã já se promete «
D. Afonso Henriques e D. Teresa» e acrescento como possível subtítulo «as perturbações de um filho rebelde».
Em abono da verdade, temos que convir que se trata de um episódio exemplar de amor e de harmonia familiar: uma Nação que é fundada por um filho que arreia na mãe! Só poderia dar nisto: o défice das contas públicas é de 6,02% do Produto Interno Bruto, a taxa de insucesso…

Coles y medusas

Já disponível nas livrariasEnquanto procurava a capa do livro acabadinho de ler de João Pedro George «Couves & Alforrecas – Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» da editora de valter hugo mãe, de nome Objecto Cardíaco, encontrei este artigo publicado no diário espanhol El País referindo-se à polémica.
De facto, os espanhóis em tudo são mais retumbantes. A sua língua não é de paninhos quentes, nem de grandes mesuras e, assim, MRP® pede o sequestro do livro de JPG – ponto final.
Bom, voltando ao assunto que me traz à redacção deste texto, li de enfiada a crítica de JPG e, sinceramente, não há nada do que lá vem escrito que seja susceptível de difamar, injuriar ou caluniar a dita senhora®.
Nas parcas páginas que o livro encerra – e refiro-me obviamente ao volume do dito – está plasmado um trabalho árduo e sério, o qual eu não desejaria realizar. Em primeiro lugar, porque não tenho vocação natural, nem habilitação académica ou, tão-pouco, mestria que advenha da minha profissão para fazer recensões aprofundadas de obras de literatura. Em segundo lugar, e tal como revela o autor no inicio da elucubração, jamais teria pachorra para ler 10 páginas da autora®, quanto mais 8 livros. Cá em casa, empoeira-se na estante o livro da referida escritora® «Não Há Coincidências» [sic], Oficina do Livro, 5.ª edição, Maio de 2000, recordando-me, agora, da minha compulsão para o seu encerramento ad aeternum logo na página 11 – que é a 1.ª página do 1.º capítulo dito romance, que começa a meio dela – quando, já com alguma agonia, lia «Também ninguém me manda ser uma directora criativa de uma agência de vão de escada, da qual ainda por cima sou sócia, e ter uma empresa de plantas artificiais chamada Jardim sem Regador. Giro, não é?»
Dispenso*… Foda-se, tenho 109 livros na prateleira – acabados de contar – ainda por ler de autores como Hemingway, Camus, Tavares – Gonçalo M. –, Banville, McEwan, Barnes, Agustina, Saramago, Lobo Antunes – António –, Vila-Matas, Faulkner, Fitzgerald, Mann, Miller – Arthur e Henry –, Kerouac, Bukowski, Burroughs, Lodge, Yourcenar, Flaubert, García Márquez, Duras, Proust, Dostoievski, Kafka, Nin, Salinger, Joyce – James –, Bucay, Musso, até curiosamente do editor de JPG,
vhm, Tabucchi, Coetzee, Pérez-Reverte, etc. e ia perder o meu rico tempo, à leitura deles destinado, a ler metáforas com couves, pescadas e alforrecas!? Auto-plágios intra e inter livros da autora®? Citação dos mesmos autores – por exemplo, O’Neill e Mourão-Ferreira – e/ou frases destes em várias obras?
A análise crítica de João Pedro George é de indispensável leitura, tanto para os sequazes leitores e/ou tomadores-das-dores-de-MRP®, como para os detractores. Sem que com isto haja alguma pretensão – se é que se pode aplicar esta palavra neste blogue de uma imensa minoria – de afastar os indiferentes. O que quis referir é que se trata de um livro imperdível para aqueles que gostam e se interessam pela literatura e pelo processo de fabricação de uma obra literária.

Nota:
*1.ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo dispensar – compreender-se-á esta nota após a leitura do livro.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Brownomilhões

Obra completa!
No próximo dia 19 de Abril será lançado para o mercado português mais um romance de Dan Brown. Com as edições de «O Código Da Vinci», «Anjos e Demónios» e «A Conspiração», já só faltava a tradução para português (de Portugal) do seu primeiro romance «Digital Fortress».
A editora
Bertrand lançará o romance sob o nome de «Fortaleza Digital» e, por certo, entrará na semana de estreia para o n.º 1 do top de vendas.
Ganha Brown e, sobretudo em Portugal, ganha a
Bertrand, que fica a dever o seu sucesso ao rasgo de Zita Seabra, que comprou por meia dúzia de trocos os direitos de publicação de «O Código Da Vinci» uns meses antes de se tornar um rotundo sucesso.
Com a publicação deste último romance, a obra completa do ficcionista norte-americano está disponível no mercado português na língua de camões.

Bibliografia browniana:
  • Digital Fortress, 1998 – Fortaleza Digital, Bertrand, 2006;
  • Angels and Demons, 2000 – Anjos e Demónios, Bertrand, 2005;
  • Deception Point, 2001 – A Conspiração, Bertrand, 2005;
  • The Da Vinci Code, 2003 – O Código Da Vinci, Bertrand, 2004.

Nota: Para o final de este ano ou para o início de 2007 é aguarda a publicação, nos Estados Unidos, do seu novo romance «The Solomon Key» que, desta feita, contemplará a Maçonaria e a sua ligação à fundação dos Estados Unidos e à grande maioria dos seus "Pais Fundadores".

domingo, 2 de abril de 2006

Mais um a findar!

O fim de O Acidental
Paulo Pinto Mascarenhas anunciou, «agora a sério», o fim do blogue que fundou O Acidental.
PPM referiu que a decisão pelo encerramento já se encontrava «há muito amadurecida – ainda antes do fim d' O Espectro».
PPM diz de forma clara que a decisão teve que ver com algum estafamento – que aliás já vinha anunciando – do modelo actual da blogosfera, «já deu o que tinha a dar e é preciso mudar alguma coisa para que não fique tudo na mesma», afastando liminarmente a hipótese da existência de outra causa que não essa, alertando para esse facto os «adeptos das teorias da conspiração».
Um conspirador, normalmente, trabalha em meras conjecturas, partindo de determinados sinais que, dado o estado de exaltação permanente, são interpretados sem qualquer objectividade e extrapolados, por acinte, para todo o universo. Um conspirador é, simultaneamente, um indutor e um doutrinador que carece de prosélitos, como de pão para a boca.
Ora, não me revendo eu nessas características, e não sendo de forma alguma um obsessivo-compulsivo, começo a detectar a existência de alguma correlação entre algumas prédicas do
Pai dos Mandamentos e a desistência de blogues da, agora parametrizada, blogosfera ou, então, no caso da não desistência, um menor entusiasmo na publicação de textos – que perdem a capacidade de sedução de leitores –, ou o simples desleixo e incúria do próprio blogue.
Começa a haver uma base empírica para o modelo.
Assim, falo nalgumas vítimas de ataques, sendo sobejamente conhecidos os casos d’
O Espectro e da Grande Loja. No caso d’O Acidental lembro-me perfeitamente do ataque – por vias travessas – que se materializou no infeliz epíteto postado à revista Atlântico: «obscura».
No preciso momento em que escrevo este texto, o aguilhão acusatório – repleto de verrina – está voltado para o
Eduardo Pitta e para o Francisco José Viegas.
Em boa verdade vos digo, o dia do abrupto juízo final está próximo: o Pai manda e os filhos obedecem, com toda a parcimónia que se lhes exige!

sábado, 1 de abril de 2006

Silêncio!

FC Porto - 25.º classificadoOu ando completamente desatento, ou a comunicação social – excepto o jornal desportivo português O Jogo – anda distraída, para não dizer, pelo menos, negligente – até poderia dizer insidiosa, mas escasseiam-me as provas.
A
Forbes, reputada revista norte-americana dedicada, em epígrafe, aos líderes mundiais de negócios, publicou no passado dia 28 de Março a lista dos 25 clubes de futebol mais valiososThe Most Valuable Soccer Teams.
A lista é composta por clubes pertencentes a 8 países, todos europeus: Inglaterra (9), Alemanha e Itália (4 cada), Espanha (3), Escócia (2) e França, Holanda e Portugal (1 cada). Sendo que o nosso país é apenas representado pelo meu FC Porto, que ocupa o 25.º lugar da lista.

Serão necessárias mais palavras?

Porém, se a distracção for de minha responsabilidade, aqui fica o meu pedido de desculpas!

Ser panel****...

é ter na alma a… [à Monty Python] [som de agulha a riscar o disco*] STOP THAT!

Ordem na casa!
Ora bem, sobre a polémica reza
aqui a história. Por outro lado, temos aqui e aqui as partes da contenda. E, finalmente, o Francisco rematou bem, canalizando o problema à língua.

Da publicidade em si [ou em quem a apanhar]
É tão lastimável e censurável… tão pastel de nata, sem boina, nem causa… que me quedo por aqui! Não vá às vezes dizer uma caral**** da qual me possa vir a arrepender!

Dos versículos
«Tem tudo o que é preciso, só perde por ser mole.»
«Marca mais, chuta mais / Menos ais, menos ais, menos ais, / Quero ainda mais
E, para finalizar,
«Vamos com tudo, meter o pé, chutar primeiro, / Que o último a chegar é panel****.»
Prontos pá, a malta é ousada… a modos que irreverente, sabes… não tem mão nas mijas… somos uns gandas malucos!

Sugestão
Tirem de lá o *****eiro e substituam os asteriscos – asterísticos para muita gente – por “azeit”. Pelo menos, dá-lhe uma pincelada nortenha e é produto nacional!

Contudo, o que mais me faz espécie são as entrelinhas de um pensamento obscuro-indutivo ou negro-dedutivo ou é apenas um mero silogismo ou até um adágio [molto cantabile].
Quem quer menos ais e perde por ser mole ou é paneleiro ou quer chegar [vir-se embora] primeiro, e por aí fora…
Atenção, não despiciendo, a empresa patrocinadora vende lubrificantes!

Valha-nos Aquele em que acreditamos… no meu caso o Miguel Sousa Tavares**!

Notas:
* Para os mais novos a onomatopeia que se pretendia representar – mas a falta de arte não o permitiu – entre parêntesis retos… perdão!, rectos refere-se ao som característico produzido por uma agulha, no extremo de um braço basculante, por contacto com os anacrónicos, porém saudosos, discos de vinil em movimento em cima de um prato rotativo; se a agulha deslizasse num movimento lateral, antinatural, produzia o arrepiante som que se pretendia aqui evidenciar.
** Não se esqueçam da data de hoje! «
I never thought that it would be this way /
See I took it granted that you were here to stay
».