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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Anotações e Transcrições – 8

Cito o José Mário Silva do blogue Sim no Referendo, para tal como ele vos poder transmitir a sensação de náusea e de repugnância que experimentei após a leitura deste pequeno texto do mais asinino, reles, perverso e obsceno que jamais vi durante cerca de ano meio que levo de blogosfera – e faço aqui a transcrição na íntegra para que não se apague a sordícia da nossa memória usualmente curta:

«
Venceu a cultura da morte!
11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Fevereiro. Datas manchadas pela morte!
»


O José Mário categoriza-o como o “
post mais infame, mentiroso e desonesto de que tenho memória”. Eu assino por baixo e ainda acrescento, para não me desenquadrar daquele contexto puramente abjecto, é na sua essência terrorista.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Quarenta por cento

O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições assegurava na TSF que a percentagem de votantes no referendo de hoje muito dificilmente ultrapassará a marca dos 40%. Até às 12 horas de hoje apenas 11,57% dos inscritos havia exercido o seu direito de voto.

Seguro do infinitésimo contributo para o crescimento da percentagem, eram 15 horas e 49 minutos quando apus a minha cruz no boletim de voto na Alexandre Herculano. O movimento pareceu-me ligeiramente inferior ao das outras votações.

Até às 20 horas, por aqui aguardarei as primeiras projecções à boca da urna, sendo certo que espero com alguma curiosidade de que forma, desta vez, a família Soares infringirá, por declarações prestadas à saída da assembleia de voto, a legislação eleitoral.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Por que votarei “Sim”

Ao longo dos últimos dias postei aqui algumas das razões que me levaram a que desta vez exerça o meu direito de voto e cumpra o meu dever cívico. Poderei resumi-las numa asserção incluída num texto escrito por Maria Velho da Costa e publicado no blogue Sim no Referendo:
«A defesa da vida, a qualquer preço, pode ser a defesa da morte.»

Foi isso mesmo que quis professar nos textos anteriormente publicados. Voto “Sim” porque perante duas soluções mutuamente exclusivas – e é apenas isso que está em causa no referendo do próximo domingo – terei de optar por aquela que menorize as eventuais sequelas que contribuirão para o agravamento da miséria humana.
Não é um simples opção científica entre a “vida” e a “morte” de um embrião humano, mas a escolha do caminho da felicidade, porque uma existência desprovida desse dom é a própria negação da vida, um martírio, uma degradação da condição humana.

Nota: ver o que escrevi sobre a matéria no tópico
I.V.G. (Aborto)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Maquiavel

Houve, em tempos idos – passe o pleonasmo –, quem houvesse apelidado Marcelo Rebelo de Sousa de exímio estratega na prossecução dos seus fins políticos; e diga-se à boa maneira do eminente florentino autor de O Príncipe, cujas ideias foram mais tarde erroneamente generalizadas para a tortuosidade dos meios empregados, há algum maquiavelismo subjacente.
Ontem, no programa As Escolhas de Marcelo na
RTP1, Marcelo faz jus ao ilustre estratega da teoria política e proferiu:
«Eu acho que o PS se envolveu decisivamente nesta campanha (…) A ideia dele [Sócrates] é dizer o seguinte: se o “Sim” ganhar, deve-se largamente… e é verdade… deve-se largamente ao Primeiro-Ministro, ao Governo e ao PS (…) E atenção, agora dou razão, percebo Edite Estrela quando dizia: se ganhar o sim é uma vitória do PS, é uma vitória do Governo»

Eis o que diz Maquiavel (O Príncipe, Cap. XX), sobre a união frente à ineficaz divisão:
«(…) quando o inimigo se avizinha, as cidades divididas, necessariamente, perdem-se logo, eis que sempre a parte mais fraca aderirá às forças externas e a outra não poderá resistir.»

E eu complemento, se achares a tua cidade dividida, apõe aos teus súbditos um desígnio aparentemente forte que, apesar de diverso do fundamento da contenda com as forças externas, uni-los-á em torno da defesa da tua cidade.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Alarvidades

O chorrilho de alarvidades a propósito da IGV continua. Há pouco ouvi a assertiva Maria José Nogueira Pinto afirmar que se o “Sim” vencer a entidade patronal pode obrigar as mulheres a abortar para assim evitar a licença de maternidade.
É espantoso verificar que para além das habituais afirmações asininas proferidas por João César das Neves – um Tomás de Torquemada dos tempos modernos –, os seus pares insistam em manter um registo que traduz bem a mediocridade transversal à classe política lusa e que se metastiza, de forma voraz, na actual sociedade portuguesa. Anteontem foi José Pedro Aguiar-Branco, ontem Maria José Nogueira Pinto, quem se seguirá neste desfile da falácia encoberta de dislate?

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Regresso

Uma derivação é, em português moderno – coloquialmente usado até à exasperação –, a passagem da causa ao efeito sempre que se tenta explicar um comportamento nefasto perversamente atribuído a uma origem invencível, elevada à condição de dogma. Por outras palavras, derivação é um eufemismo de desresponsabilização que desmonta qualquer tentativa de outrem na atribuição da culpa, afastando-se liminarmente a explanação da primitiva. É a tal visão monocular: precisas mudar de vida.

Finalmente, retornei a este mundo de derivação. Julguei-me definitivamente regressado à Terra, provindo do Tlön borgiano (de borges), onde o sonho, concretizado na expectativa de um futuro auspicioso, predomina sobre a realidade, o ideal sobre o verdadeiro; todavia fiquei agora com a sensação de a ele haver voltado: a recidiva da descrença.
Após a tal materialização das minhas esperanças, que decerto contribuiu para a agudização da ameaça da sobrepopulação mundial, vejo que, como dizia o outro, a cada dia que passa a certeza da minha lucidez se vai desvanecendo. A incredulidade agiganta-se à medida que vou percebendo que aquilo que vejo poderá não ser mais do que uma elucubração da minha mente sem o sustentáculo da realidade. O instantâneo sobrepõe-se ao passado, que a existir nada mais é do que uma pura ilusão.

Ontem vi e ouvi, com a atenção que a família me permitiu, o primeiro debate sobre a despenalização da IVG. Fiquei a perceber que o que uns defendem como direito inalienável à vida se poderá revestir na perpetuação da miséria, numa interrupção involuntária da condição humana: a destruição (ou desarranjo) de uma vontade instintiva de sobrevivência.
Não há saúde física sem sanidade psicológica. A falta desta última, agravada pela consumação do acto que esteve na sua origem – na medida em que uma lei imoral assim o impôs –, agrava as dificuldades de subsistência do próprio ser, traz infelicidade, que se desmultiplica, como uma epidemia, pela sociedade na qual se está inexoravelmente inserido.
Caberá ao Estado a imposição de limites razoáveis para a nossa felicidade? Ou a busca da felicidade, a receita, a solução, a essência da nossa existência, não se trata de um caminho eminentemente pessoal que se socorre dos instrumentos que uma determinada sociedade lhe pôs à disposição?
Depois há o argumento do princípio e do fim da nossa liberdade individual. Mas quem senão a própria mulher que decidiu abortar sofrerá o dano maior? A sociedade? Um feto com dez semanas de vida que mais não é do que uma amálgama celular sem vontade própria, dependente da saúde e do corpo da mãe? É, na realidade, um ser vivo que futuramente se transformará num ser humano plenipotenciário na estrita medida dos seus direitos e, por muito que isso possa custar a admitir, não é nada mais para além dessa condição.
Infelizmente, à laia de Pacheco Pereira, é essa a questão central. Perante inevitabilidade do dano opta-se pelo menor, e o menor desses danos é, com certeza, aquele que permite readquirir de forma mais rápida a felicidade que se perdeu. Esse recobro (espiritual) torna-se objectivamente mais difícil perante a disseminação da miséria por mais indivíduos excluindo a própria mulher.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Ao que isto chegou!

Fazia eu a triagem do lixo que diariamente assalta a minha caixa de correio postal para o depositar no Ecoponto e eis que me surge esta imagem.
No início pensei tratar-se de uma daquelas congregações milagreiras que pedem orações pela salvação do mundo, pela cura dos aleijadinhos e dos acamados. Depois de abrir o panfleto li as seguintes palavras em letra de cor vermelha, tamanho 14:
«No ano em que se comemora o 90º Aniversário das Aparições de Fátima, Nossa Senhora chora...»
E no parágrafo seguinte, em destaque, fundo creme, em letra de cor preta, tamanho 10,5:
«...e Ela chora por milhares de inocentes que podem perder a vida antes mesmo de dar o primeiro gemido.»

Não li mais. Só sei que o dito desdobrável é da responsabilidade de um movimento denominado Campanha pela Vida e que me faltam as palavras para descrever esta desonestidade, no mínimo interpretativa, na pretensa descodificação da vontade de Virgem Maria relativamente a uma questão que, tanto de um lado, como do outro – do Não e do Sim –, me provoca náuseas pelo argumentário exibido: indecoroso, manipulador e descentrado da questão essencial.

Na Realidade, este país tresanda de tanta mediocridade e de pequenez medieval!

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

IVG: A Minha Opinião

Tudo aquilo que expressei no texto que se irá suceder a este pequeno intróito traduz uma opinião firme, porém não definitiva – dado julgar que sobre este assunto deveria prevalecer o princípio da experiência sobre a razão eminentemente teórica ou até teosófica –, sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez. Este juízo opinativo resultou de um processo introspectivo de medição dos prós e dos contras, cujo amadurecimento não esvaziou na íntegra um eventual elenco inicial de inconvenientes, nem, por outro lado, confirmou a plenitude das vantagens preconcebidas. Com efeito, não se trata de uma convicção que me foi auto-imposta como dogma, dando-me a autoridade moral para discutir o assunto numa posição apriorística de irredutibilidade advinda de uma concepção político-ideológica. Trata-se, ao invés, de uma simples opinião de alguém cuja natureza quis atribuir a condição de macho fecundador que, eventualmente, dadas a vicissitudes da vida, poderia ou não haver participado num processo de resolução tão grave como a decisão de abortar.

Em 1998 não votei. Afirmo-o de livre consciência e sem que me haja envergonhado pela opção tomada ao ceder ao letargo do tempo previamente planeado para o ócio dominical, que me impediu a deslocação à assembleia de voto.
Naquela altura, votaria “sim” e talvez a certeza de uma não certeza, por manifesta falta de reflexão, haja contribuído para a preguiça em detrimento do cumprimento do tal dever cívico.
Desta feita irei votar e votarei SIM!
No próximo dia 11 de Fevereiro, eis uma nova oportunidade para exprimir o meu ponto de vista sobre a forma de cruz no boletim, debaixo de uma pergunta putativamente neutra e isenta de preconceitos – embora haja assentido que a sua formulação dificilmente alcançaria esse desiderato, o da neutralidade e da isenção.
No tal processo de maturação surgiram-me diversas dúvidas e interrogações cujas respostas que aparentemente estatuí com verdadeiras revelaram a chave para a resolução desta dicotomia preponderantemente do foro íntimo do meu ser.
Assim, coube-me procurar essas respostas. A questão que se coloca situa-se ou não no domínio do exercício da liberdade individual do Homem? Estará em causa a interferência do indivíduo no direito inalienável à vida de um terceiro que, por questões morfológicas, não pode exercer uma opção de vida?
Apesar da irrefutável interposição do, porventura subjectivo, entendimento de liberdade na reflexão a que me propus realizar, as possíveis respostas revestem-se de uma duplicidade intransponível, uma vez que lhes estão subjacentes fundamentos exclusivos do foro médico-legal. Ou seja, trata-se de definir e delimitar o conceito de “feto” e em que medida o simples acto intrusivo de um espermatozóide num óvulo pode ser considerado como o início de uma vida que, pela multiplicação celular, gerará num futuro próximo um ser humano. Não é uma questão de percepção da realidade e do grau de inteligibilidade dessa amálgama celular. No outro extremo também não se trata de uma decisão que se toma com base num futuro supostamente certo para o ser que se acabou de criar: se será ou não um indivíduo feliz; se será ou não um indivíduo exemplar. Essas dúvidas extravasam o domínio do tangível e apenas poderão ser elucubradas meras conjecturas ou previsões face à experiência passada e à envolvente no momento presente.
Ao contrário daquilo que muitos querem fazer crer, a opção por interromper uma gravidez que não se deseja, ou que se deseja mas as circunstâncias presentes contribuíram para uma decisão dolorosa – porque contrária ao desejo manifesto – para a sua interrupção, a mulher – ou no limite, o casal – em regra, não toma a decisão de ânimo leve. Não se trata de enfrentar um dilema corriqueiro de, por exemplo, tomar ou não tomar a pílula, de usar ou não usar o preservativo, ou até do acautelamento, de base meramente especulativa, na toma da pílula do dia seguinte, perante a perpetração do acto, tão humano como animal, da cópula.
A decisão, porque fracturante, implica dor, ponderação e um duro escrutínio dos prós e contras. Normalmente, e isso é o que nos faz distinguir dos seres que connosco partilham a biosfera, há a consciência de que a decisão versa sobre o permitir ou não permitir a existência de um ser humano. Só depois surgem as condições.
Quer se queira quer não, uma decisão desse calibre implica uma ruptura, não há meio-termo, nem soluções de equilíbrio. As respostas são mutuamente exclusivas, implica um processo doloroso duradouro e não imediato, instantâneo e sem hipótese de recuo: no limite uma má escolha gerará infelicidade, e se se optar por dar vida ao feto que se vai formando no ventre materno, a miséria jamais poderá ser estancada mesmo através de uma morte medicamente assistida e constitui-se como uma simples disseminação da infelicidade dos progenitores; essa opção poderá gerar um ser infeliz e/ou objecto da infelicidade da própria vileza da natureza humana: quantos casos não conhecemos que redundaram na pederastia, na pobreza extrema, na inanição, em suma numa vida desgraçada, infame e aniquiladora das mínimas condições para uma subsistência material e/ou espiritualmente saudável.
Quanto à questão jurídica e à necessidade de um ordenamento que possibilite a convivência do indivíduo no seio de uma comunidade – na qual terá de existir um mínimo de afinidade nos seus valores, crenças e atitudes, sob pena da indigência física e mental –, sabemos que a lei emana do direito natural que, por seu turno, surgiu com a concepção ética da sobrevivência humana. A lei surgiu para plasmar em letra o entendimento que determinada sociedade tem sobre determinado assunto num determinado momento. Se porventura essa identificabilidade for posta em causa, a lei torna-se injusta e por isso inadequada, podendo provocar uma de duas reacções: ou a sua violação permanente sem que a essa situação esteja associada uma pena, passando de forma indelével a letra morta, ou então à aniquilação da própria comunidade, presa a um preceito anacrónico e que de forma alguma contribui para a sua felicidade e para o seu bem-estar. Uma lei injusta, se não derrogada ou espojada dos eventuais preceitos indutores de injustiça, é um instrumento potencialmente genocida. Exemplificando, fenómenos como a escravatura, a segregação racial, as relações sexuais com crianças e menores, o trabalho infantil e a semana de trabalho sem descanso já foram moralmente aceites pela sociedade. Porém, a dada altura a felizmente mutável percepção da realidade, como reacção à envolvente e como precaução perante um futuro incerto, provocou a mudança de valores sobre a condição humana e os padrões morais resultantes dessa consciência colectiva coagiram no caminho da formulação de leis e de códigos de conduta que previssem a abolição da escravatura, a penalização da segregação racial, a condenação da pederastia e da pedofilia e a imposição ao empregador na atribuição de um período de descanso ao trabalhador durante a semana laboral.
Hoje, percorridos seis anos do século XXI, será justo criminalizar, condenar a penas de prisão e sujeitar ao enxovalho público mulheres que de forma livre e voluntária, independentemente do grau de sofrimento – jamais mensurável por critérios sérios e objectivos –, decidiram interromper a gravidez?
Até me poderão apontar a falácia do enriquecimento súbito e ostensivo de empresas, sob a forma de clínicas especializadas no assunto, como corolário da liberalização, mas não será essa uma consequência quase que natural de qualquer mudança legislativa? Alguém discorda que sejam impostas algumas restrições ao fumo em locais públicos, sabendo que isso implica transferir a riqueza das indústrias tabaqueiras para as empresas farmacêuticas especializadas em produtos inibidores do vício do tabaco, para clínicas de desintoxicação tabágica, para médicos psiquiatras, para empresas de pastilhas elásticas, de chupa-chupas ou até de verniz para as unhas?
A mim preocupa-me a condenação pura e simples de mulheres que, mais ou menos conscientes dos riscos físicos e psíquicos em que poderão incorrer pela decisão tomada, mais ou menos identificadas com o momento em que surge o tal valor sagrado da vida, assumiram de forma corajosa, interromper um processo para o qual foram sendo preparadas no seu processo ontogenético.

Termino com uma citação de um curioso diálogo, que é parte integrante de uma obra literária. Discutia-se a função primordial da reprodução, a escolha da via da paternidade e a visão de um pai perante o nascimento não desejado de um filho (neste caso ilegítimo):

«Qual de nós não viveu esse calvário! É uma das grandes provações da vida. Os que sucumbem e se tornam pais contra a vontade ficam para sempre condenados pela sua derrota. Fazem-se maus como todos os homens que perderam e desejam igual sorte a todos os demais.»


O mesmo interlocutor prossegue mais adiante a sua prédica a favor da sua condição celibatária (como forma de impedir a geração de mais um ser infeliz no mundo dos Homens):

«A era moderna já desmascarou todos os mitos. A infância de há muito deixou de ser a idade da inocência. Freud descobriu a sexualidade do lactente e disse-nos tudo a respeito de Édipo. Só Jocasta permanece intocável, ninguém ousa arrancar-lhe o véu. A maternidade é o último e o maior dos tabus, o que encerra a maldição mais grave. Não há laço mais forte do que o que amarra a mãe ao filho. Esse laço mutila para sempre a alma da criança e prepara para a mãe, quando o filho tiver crescido, as mais cruéis de todas as dores do amor.»


Milan Kundera, A Valsa do Adeus. Porto: Asa, 1.ª edição, Outubro de 2006, pp. 84-85 (tradução de Miguel Serras Pereira)