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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Biopic

«-noun
(informal) a film based on the life of a famous person, especially one giving a popular treatment
[from bio (graphical) + pic (ture)]»
Collins English Dictionary – Complete and Unabridged, 10th Edition.
Seguido de:
«You’re not an asshole, Mark. You just want to be.»
[Do argumento de Aaron Sorkin, The Social network, pág. 160 – última fala do filme, proferida pela assistente do advogado ("Sy") de Zuckerberg, "Marylin".]
q.e.d.
Sugestão de temas a desenvolver:

  • Facebook e o mundo.
  • A privacidade e o Facebook.
  • Facebook e a dependência afectiva.
  • O Facebook e a alienação da identidade.
  • Manuel Alegre: "Cavaco Silva serve-se do Facebook enquanto PR" – A instrumentalização capitalista de Cavaco patrão / Cavaco costureiro.
  • Beijei a fotografia do perfil do Facebook de Rui Santos (o tal do cabelo encaracolado), será que estou grávida?
  • O Facebook e a modernidade: a impossibilidade de dissociar estes conceitos, ou o emparelhamento inextinguível – estudo de críticas cinematográficas.
  • Fincher começa por F… acebook, o que faltou incluir no F… ilme para o transformar numa obra rivettiana, F… oda-se.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Beat to its socks

Pode ler-se, num círculo autocolante aposto à capa da edição portuguesa de mais uma entre dezenas de biografias e livros de memórias sobre o pai beatnik Jack Kerouac, a seguinte frase: «Primeira biografia em português» a rodear o nome do autor biografado, que surge estampado a vermelho e encimando o recorte vazio dos emblemáticos sinais de trânsito que demarcam as estradas norte-americanas.
Apesar de a edição brasileira do mesmo livro datar de 2007, não belisca de forma alguma a veracidade da frase promocional. Na realidade, e nos dias que correm, também no Brasil é a única biografia de Kerouac disponível na língua de Camões.
Para quem conhece outros livros versados sobre a vida do autor de Pela Estrada Fora, para além de alguns factos que, à custa da reiteração, fazem parte do folclore que rodeou aquele bando de desordeiros, toxicómanos, bêbados, pederastas, criminosos (também escreviam livros e pintavam), e que são do conhecimento de alguém com o mínimo interesse na coisa literária, especialmente na literatura americana da segunda metade do século XX, o livro de Yves Buin é uma síntese de biografias de maior fôlego – cito as do lynchiano Barry Gifford e a de Gerald Nicosia, que aliás são profusamente referenciadas por Buin ao longo do texto; como os testemunhos oculares escritos pelos companheiros de viagem do próprio biografado, também eles parte integrante do ruidoso movimento Beat: destaco, neste caso, as obras de John Clellon Holmes ou as de Joyce Johnson (Glassman), assim como as referências cruzadas da omnipresente Carolyn Cassady (mulher de Neal Cassady durante quinze anos e mãe dos seus três filhos – o inspirador do magnum opus de Kerouac, na pele de “Dean Moriarty” – e vértice de um sórdido triângulo luxurioso completado por aqueles).
A obra apresentada por Buin é um apanhado, como uma súmula académica pronta a servir de única base de estudo ao estudante mais indolente, da tortuosa biografia de Kerouac. O livro do pedopsiquiatra francês – e é curioso o prefixo profissional, já que, no auge do movimento cultural retratado, o biógrafo poderia ter sido de uma utilidade ímpar pelos diversos traumas decerto infundidos por aquele bando a inúmeros potenciais clientes – em nada acrescenta ao já publicado, para além de, por um lado e porventura num esforço de síntese, funcionar como um repositório de nomes sem qualquer referência biográfica (prática comummente conhecida por name dropping, que pode ser bem mais viciante que o consumo de yage), e, por outro, se tratar de um texto cronologicamente confuso, sem um marco histórico definido, com recurso a analepses e prolepses consecutivas, que por vezes faz distar dois parágrafos em duas ou mais dezenas de anos. E para dar o remate final poderia trazer à colação a objectividade do investigador que, na prática, sai prejudicada por uma longa narrativa que espremida se assemelha a uma espécie de elegia ao inocente mago literário canuck, apesar de nela se evidenciar uma posição íntima, como um severo ralhete paternalista, de censura pelos excessos cometidos.
Mas o pior não está no texto publicado originalmente pela Gallimard em 2006. A sua edição portuguesa é um verdadeiro desastre: uma tradução miserável, o que indica uma revisão literária ausente ou negligente. Ao longo das trezentas páginas não há um par que não escape a, pelo menos, um erro ortográfico e/ou de sintaxe, e até a um enxame de erros nitidamente tipográficos. É simplesmente inadmissível e ultrajante para o leitor luso, aquele que, em vias de extinção, gasta os seus parcos recursos na aquisição de uma obra com esta especificidade literária, apresentar um livro cujo chorrilho de asneiras torna quase impraticável a sua leitura. Se há casos em que mesmo uma má tradução não implica inexequibilidade da leitura, este seguramente que não é um deles. Muito do que foi dito nos parágrafos anteriores poderá, admito, advir do estado de irritação crescente à medida que me fui embrenhando no livro – erros de género e de número, então, são aos magotes, assim como, é assaz perceptível uma espreitadela, talvez à laia de muleta, na edição brasileira, bem patente no emprego de alguns termos apenas usados por terras de Vera Cruz. Aos responsáveis da editora atrevo-me a lançar um desafio: retirem, rápida e prontamente, a 1.ª edição do mercado, façam uma revisão literária, remodelem a capa com a aposição de uma frase do género “nova tradução” ou “2.ª edição revista”.
A beatitude lusa compadece-se destes casos, sem que se vislumbre qualquer hipótese de usar o qualificativo como um catalisador do engrandecimento do espírito, como defendia Kerouac e Clellon Holmes para a sua embrionária geração; talvez fosse preferível começarmos por adoptar e a adaptar, de uma vez por todas, como uma fatalidade, a origem do termo criado, em primeira mão, pelo beatnik Herbert Huncke, neste caso como a nação estéril, derrotada ou prostrada: beat to its socks.
Referência bibliográfica:
Yves Buin, Jack Kerouac – Biografia. Lisboa: Bertrand, Abril de 2010, 301 pp; tradução de Ana Godinho; obra original: Kerouac, 2006.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Finalmente!

Quase doze anos após a publicação original do Volume I, e dez do Volume II, chega a Portugal a tradução de uma das mais irrepreensíveis biografias políticas de sempre, que por enquanto é considerada como o relato mais objectivo e inclemente, perante o colaboracionismo cego de um povo, das ascensão e queda de um dos maiores monstros de toda a História: Hitler – Uma Biografia (Publicações Dom Quixote).



Pela pena do par do reino Sir Ian Kershaw (n. 1943), eis a génese maléfica da húbris (1889-1936) e a sublimação da némesis (1936-1945) condensadas num só volume de 968 páginas.
Seguramente, um dos livros do ano, senão mesmo o acontecimento literário do ano em Portugal.

Nota I: (à atenção do Francisco e do Senhor Palomar) a excitação bibliómana jamais prescindiria de tão nobre sinal de pontuação no título, erecto ou aprumado como um fuso, inextricável da gramática portuguesa, como reflexo de um povo de excessos tanto no auto-elogio, como nas manifestações sobre o incontornável fado e de uma inusitadamente baixa auto-estima.

Nota II: resta, agora, a tradução para a nossa língua das obras magistrais sobre o outro lado da contenda, equivalente na monstruosidade: os livros de Robert Conquest (n. 1917) sobre Estaline, os gulags, o Terror Vermelho e as purgas.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Praia

«Larguei a heroína e voltei à minha terra e comecei com o tratamento de metadona que me administravam no ambulatório e poucas coisas mais tinha de fazer excepto levantar-me a cada manhã e ver televisão e conseguir dormir à noite, mas não podia, alguma coisa me impedia de fechar os olhos e descansar, e essa era a minha rotina, até que um dia não aguentei mais e comprei um fato de banho preto numa loja do centro da povoação e fui à praia, com o fato de banho vestido e uma toalha e uma revista, e coloquei a minha toalha não muito perto da água e de seguida estirei-me e estive um pouco de tempo a pensar se haveria de ir ou não tomar banho, vislumbrava muitos motivos para o fazer, mas também vislumbrava alguns motivos para o não fazer (as crianças que tomavam banho na beira-mar, por exemplo), assim o tempo passou e voltei a casa, e na manhã seguinte comprei creme de protecção solar e fui de novo à praia, e por volta do meio-dia dirigi-me ao ambulatório e tomei a minha dose de metadona e saudei algumas caras conhecidas, nenhum amigo ou amiga, só caras conhecidas da fila para a metadona que acharam estranho ver-me de fato de banho, e eu como se nada fosse, e logo voltei a caminhar para a praia e desta vez dei o primeiro mergulho e tentei nadar, porém não consegui, mas isso para mim foi o suficiente, e no dia seguinte voltei à praia e de seguida voltei a untar o corpo com o protector solar e depois fiquei a dormir na areia, e quando acordei sentia-me bastante descansado, e não tinha queimado as costas nem nada de nada, e assim passou uma semana ou talvez duas, não me lembro, onde não restava qualquer dúvida era que a cada dia que passava estava mais moreno e embora não falasse com ninguém a cada dia sentia-me melhor, ou diferente, que não é a mesma coisa mas no meu caso parecia, e um dia apareceu na praia um casal de velhos, disso recordo-me com nitidez, via-se que já andavam há muito tempo juntos, ela era gorda, ou cheiinha, e devia andar aproximadamente pelos 70 anos, e ele era magro, ou mais que magro, um esqueleto que caminhava, creio que foi isso que me chamou a atenção, porque regra geral nunca reparava na gente que ia à praia, mas nestes reparei devido à magreza do tipo, o que vi assustou-me, merda, é a morte que vem buscar-me, pensei, mas não vinha, era só um casal idoso, ele com uns 75 e ela com uns 70, ou ao contrário, e ela parecia gozar de boa saúde, e ele tinha cara de quem iria bater a bota a qualquer momento ou que este seria o seu último Verão, em princípio, ultrapassado o primeiro susto, tive dificuldades em desviar o olhar da cara do velho, da sua caveira apenas coberta por uma fina camada de pele, mas logo me habituei a olhá-los de forma dissimulada, deitado na areia, de bruços, com a cara tapada pelos braços, ou a partir do passeio, sentado num banco em frente à praia, enquanto fingia que tirava a areia do corpo, e lembro-me que a velha chegava sempre à praia com um guarda-sol em cuja sombra se introduzia de forma pressurosa, sem fato de banho, apesar de por vezes a ter visto de fato de banho, mas mais usualmente com um vestido de verão, bastante largo, que lhe fazia parecer menos gorda do que era, e debaixo do guarda-sol a velha passava o tempo a ler, levava um livro bastante grosso, enquanto o esqueleto que era seu marido se estendia na areia, vestido unicamente com um fato de banho diminuto, quase uma tanga, e absorvia o sol com uma voracidade que a mim me trazia recordações longínquas, de junkies desfrutando estáticos, de junkies concentrados no que faziam, na única coisa que podiam fazer, e naquele momento ficava a doer-me a cabeça e ia-me embora da praia, comia no Paseo Marítimo, uma tapa de anchovas e uma cerveja, e depois punha-me a fumar e a observar a praia através dos janelões do bar, e depois voltava e aí seguia o velho e a velha, ela debaixo do guarda-sol, ele exposto aos raios do sol, e então, de forma involuntária, dava-me vontade de chorar e mergulhava na água e nadava, e quando já me havia afastado bastante da beira-mar observava o sol e parecia-me estranho que estivesse ali, essa coisa grande e tão diferente de nós, e de imediato punha-me a nadar até à chegar à orla (por duas vezes estive a ponto de me afogar) e quando chegava deixava-me cair na minha toalha e ficava um bom bocado a respirar com dificuldade, mas sempre espreitando até onde se encontravam os velhos, e depois talvez tivesse dormido deitado na areia, e quando acordava a praia começava a esvaziar-se, mas os velhos continuavam lá, ela com o seu romance debaixo do guarda-sol e ele deitado de costas, numa zona sem sombra, com os olhos fechados e uma expressão estranha na sua caveira, como se sentisse cada minuto que passava e o desfrutasse, mesmo que os raios de sol fossem já débeis, mesmo que o sol já se encontrasse do outro lado dos edifícios da primeira linha da costa, do outro lado das colinas, mas isso parecia não lhe importar, e então, no momento de acordar eu observava-o e observava o sol, e por vezes sentia nas costas uma dor ligeira, como se naquela tarde me houvesse bronzeado mais do que o normal, e de imediato observava-os e logo me levantava, jungia a toalha ao corpo como uma capa e ia-me sentar num dos bancos do Paseo Marítimo, onde fingia que sacudia a areia que não tinha nas pernas, e a partir daí, desde essa altura, a visão do casal era diferente, dizia a mim mesmo que talvez ele não estivesse a ponto de morrer, dizia a mim mesmo que o tempo talvez não existisse tal como eu acreditava que existia, reflectia sobre o tempo enquanto a distância do sol alongava as sombras dos edifícios, e de seguida ia para casa e tomava um duche e olhava para as minhas costas vermelhas, umas costas que não pareciam minhas mas de outro tipo, um tipo a quem ainda faltariam muitos anos para eu conhecer, e depois ligava a televisão e via programas que não entendia em absoluto, até que ficava a dormir no sofá, e no dia seguinte voltava ao mesmo, a praia, o ambulatório, outra vez a praia, os velhos, uma rotina que por vezes evitava o aparecimento de outros seres que apareciam na praia, uma mulher, por exemplo, que estava sempre de pé, que jamais se recostava na areia, que ia vestida com a parte de baixo de um biquíni e com uma camisa azul, e quando entrava no mar só se molhava até aos joelhos, e que lia um livro, como a velha, mas esta mulher lia-o de pé, e por vezes agachava-se, embora de uma forma esquisita, e agarrava numa garrafa de Pepsi de litro e meio e bebia, de pé, claro, e a seguir deixava a garrafa sobre a toalha, que eu não fazia a mínima ideia porque é que a havia trazido se nunca se estendia nela e tão-pouco tomava banho, e por vezes esta mulher metia-me medo, parecia-me excessivamente esquisita, mas a maioria das vezes só me metia pena, e também vi outras coisas estranhas, na praia passam-se sempre coisas assim, talvez porque é o único sítio onde todos estamos meio despidos, mas que não tinham importância alguma, uma vez pareceu-me ver um ex-junky como eu, enquanto caminhava pela beira-mar, sentado num montículo de areia com um bebé de meses sobre as suas pernas, e de outra vez vi umas raparigas russas, três raparigas russas, que provavelmente eram putas e que falavam, as três, ao telemóvel e riam-se, mas na verdade o que mais me interessava era o casal de velhos, em parte porque tinha a impressão de que o velho ia morrer a qualquer instante, e quando pensava nisto, ou quando dava conta de que estava a pensar nisto, ocorriam-me sempre ideias disparatadas, como a que depois da morte do velho surgiria um maremoto, a povoação era destruída por uma onda gigantesca, ou punha-se a tremer, um terramoto de grande magnitude faria desaparecer a povoação inteira no meio de uma onda de pó, e quando pensava no que acabo de dizer escondia a cabeça entre as mãos e desatava a chorar, e enquanto chorava sonhava (ou imaginava) que era de noite, pelas três da manhã, e que eu saía da minha casa e ia à praia, e na praia encontrava o velho estendido na areia, e no céu, próximo das outras estrelas, mas mais próximo da Terra que das outras estrelas, brilhava um sol negro, um enorme sol negro e silencioso, e eu descia até à praia e também me estendia na areia, as duas únicas pessoas na praia eram o velho e eu, e quando voltava a abrir o olhos apercebia-me de que as putas russas e a rapariga que estava sempre de pé e o ex-junky com o bebé nos braços me contemplavam com curiosidade, perguntando-se quem, por acaso, poderia ser aquele tipo estranho, o tipo que tinha as costas e os ombros queimados, e até a velha me observava a partir da frescura do seu guarda-sol, interrompia a leitura do seu livro interminável por um segundos, perguntando-se talvez quem era aquele jovem que chorava em silêncio, um jovem de 35 anos que nada tinha, mas que estava a reconquistar a vontade e o valor e que sabia que ainda ia viver por mais uns tempos.»
Roberto Bolaño, “Playa”, in El Mundo*, 17/Agosto/2000 [tradução: AMC, 2009]

*série de contos escritos por vários autores subordinados ao tema “O pior Verão da minha vida” e publicados no Verão de 2000 no jornal espanhol El Mundo. Para além de Bolaño participarem neste desafio escritores como Zoé Valdés, Francisco Umbral, Eduardo Mendicutti, Manuel Hidalgo, Juan Marsé, Ignacio Padilla, Lucía Etxebarria, Guillermo Cabrera Infante, José Ovejero, entre outros.

A habitual citação dominical foi substituída pela “citação completa” de um conto de Bolaño, publicado em 2000 no mencionado jornal espanhol. A sua pertinência deve-se à habitual especulação necrófaga sobre a vida de um determinado autor que se destacou em vida pela excelência da sua literatura. Foi assim com Hemingway, tentaram fazê-lo com Henry James, e iniciou-se agora a campanha de esquadrinhamento da vida privada de Bolaño. Com este conto, alguns biógrafos de pacotilha vêem nele um ex-heroinómano, que lutou anos contra o seu vício quinciano. Outros investigam ainda possibilidade de Bolaño não ter estado no Chile a 11 de Setembro de 1973 – como o autor insistentemente afirmava nos seus escritos –, quando se deu o Golpe de Estado de Augusto Pinochet contra o Presidente socialista Salvador Allende. Logo a sua famosa prisão por uma semana acusado de ser terrorista foi uma farsa. E hão-de continuar. Mais episódios surgirão independentemente da vontade da família, dos seus amigos e editores.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Arranja Uma Vida!

Nadine GordimerÉ esta a tradução literal do título do último romance de Nadine Gordimer, que mereceu um título português mais poético e menos coloquial de «Faz-te à vida» – sobre este livro já falei aqui, em 25 de Agosto deste ano.
E, certamente, foi essa frase, em forma de interjeição, que Ms. Gordimer proferiu ao seu biógrafo inglês Ronald Suresh Roberts, tobaguenho de educação – suponho ser um dos gentílicos possíveis para denominar os habitantes de Trinidad y Tobago – de 38 anos, quando decidiu vetar, sem êxito, a publicação da versão final da sua biografia.
A história está contada num artigo pré-publicado no sítio oficial do Times, que irá ser publicado no final do ano.
Para além de biógrafo de Nadine, Roberts ganhou o estatuto de biógrafo do presidente sul-africano Thabo Mbeki, obra que será publicada em meados de 2007.

Esta novela, que seguramente contará com mais episódios, assemelha-se a outras, embora diversas na substância, que afectaram os autodenominados moralistas da política mundial, anti-imperialismo americano, militantes da esquerda radical e todos apoiantes da revolução cubana e do seu líder Fidel Castro, designadamente Grass e Saramago. Afinal, a dada altura, os esqueletos criteriosamente encerrados durante anos no armário das suas vidas, parecem ganhar vida e emudecer os seus fiéis discípulos.
Ms. Gordimer para além de haver confessado a falsificação de uma curta autobiografia publicada na revista
The New Yorker em 1954, tem tido, nos últimos anos, um comportamento pouco convencional para uma activista e militante do Congresso Nacional Africano (ANC).