segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Joycianismos

Rui Santos (o enfarpeladoximoro gælusofutebolutocrata) responde à flash interview, citando, no muito seu entaramelado e, por vezes, silente e frenético estilo expositivo – lá está, as gravatas são os olhos da alma… como? –, a melhor caracterização de Finnegans Wake:

«O Ulisses paira acima dos restantes escritos de Joyce, e em comparação com a sua nobre originalidade e rara lucidez de pensamento e estilo, o infeliz Finnegans Wake não é mais do que uma massa insípida e informe de falso folclore, um empadão frio, um ressonar que nunca mais acaba no quarto do lado, o que ainda piora mais as coisas para quem sofre de insónia como eu [e, já agora, eu, atente-se na hora]. Além disso, sempre detestei a literatura regional, cheia de anciãos esquisitos e pronúncias imitadas. A fachada de Finnegans Wake dissimula um prédio de apartamentos muito convencional e sem cor, e só os raros bocadinhos de entoações celestiais o redimem duma insipidez gritante. Sei que vou ser excomungado por este pronunciamento.»
Vladimir Nabokov, Opiniões Fortes, pp. 95-96 (entrevista dada ao Wisconsin Studies of Contemporary Literature em Setembro de 1966, publicada no Vol. III, n.º 2 (1967) da revista).


Pergunta da semana:
«Será que Sepsis e Tiuí, o primeiro um vocábulo patologicamente putrefacto e o segundo uma onomatopeia ornitológica, irão ser úteis ao enriquecimento lexical no futebol português?»
(respostas para o e-mail do programa)

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