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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

39 anos, 7 meses e 3 dias

Não se trata de um filme romeno, nem tão-pouco da minha idade (sou infelizmente mais velho, embora cerca de 8 meses, para que conste), mas do tempo que decorreu entre a publicação original e a edição em Portugal de uma transgressão literária que, mesmo na actualidade, continua a fazer torcer várias mentes e a vergar à humilíssima condição de falível humano os reaccionários semideuses defensores do realismo flaubertiano (e há um muito na moda) – como se isto fosse uma competição interescolar ou de mensuração perimetral e da extensibilidade máxima do órgão da soberba na eterna refrega pela masculinidade.

É somente isto:
«Uma berraria vem através do céu. Já aconteceu antes, mas nada há que a compare com agora.»
Com chancela da Bertrand e tradução de Jorge Pereirinha Pires, eis a tão magistral, como polémica, obra de Thomas Pynchon, que motivou mesmo uma suspensão de atribuição do prémio Pulitzer em 1974, embora a obra tivesse sido unanimemente eleita pelo júri nomeado para a categoria de “Ficção” – a talho de foice, constituído pelos escritores e críticos literários Elizabeth Hardwick (1916-2007) e Alfred Kazin (1915-1998), e pelo escritor, ensaísta, eminente académico e crítico cultural Benjamin DeMott (1924-2005) , porém enfaticamente rejeitado pelos visionários membros do Conselho de Administração dos referidos galardões.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Finalmente em descanso

Termina em Portugal a “tetralogia do Coelho” com a publicação do seu último livro. John Updike (1932-2009, morreu a 27 de Janeiro) –, o “colosso” como há pouco tempo o definiu Philip Roth referindo-se ao espanto que sempre lhe provocou Updike não haver recebido o Prémio Nobel –, publicou em 1990 o último livro da tetralogia, sob o título original de Rabbit at Rest. Com ele venceu o Pulitzer em 1991 e o National Book Critics Circle Award em 1990. Em 2001, publica uma novela, “Rabbit Remembered”, inserida na sua colectânea de contos Licks of Love, uma pequena sequela que narra, sem a presença do personagem epónimo Harry “Rabbit” Angstrom, as vidas de alguns personagens que integraram a tetralogia e cujos destinos foram, de certa modo, forjados pelo personagem agora desaparecido, vogando como um espectro de destruição. Pede-se a sua publicação.

Frase de abertura:
«De pé no meio do bronzeado e exaltado gentio pós-natalício do Aeroporto Regional do Sudoeste da Florida, Coelho Angstrom tem a repentina e curiosa sensação de que aquilo com que se foi encontrar, o que flutua no invisível prestes a aterrar, não é o seu filho, Nelson, a nora, Pru, e os dois filhos destes, mas sim uma coisa mais agoirenta e intimamente sua: a sua própria morte, com a silhueta imprecisa de um avião.»
John Updike, Coelho em Paz, p. 9
[Porto: Civilização, Setembro de 2009, 539 pp; tradução de Carmo Romão; obra original: Rabbit at Rest, 1990]

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Nos Escaparates

Vencedor, na segunda-feira passada, do Pulitzer 2007 na categoria de obra literária de ficção, A Estrada (The Road, 2006) do escritor norte-americano Cormac McCarthy já se encontra à venda em Portugal, editado pela Relógio D’Água, com tradução de Paulo Faria.

Nota: McCarthy também figura na lista de finalistas para o IMPAC Award 2007, com o seu romance de 2005 No Country for Old Men, ainda sem edição em Portugal.





Obras de McCarthy editadas em Portugal, para além de A Estrada:
  • O Guarda do Pomar – Relógio D’Água, 1996 (The Orchard Keeper, 1965);
  • Filho de Deus – Relógio D’Água, 1994 (Child of God, 1974);
  • Meridiano de Sangue ou o Crepúsculo Vermelho no Oeste – Relógio D’Água, 2004 (Blood Meridian, or the Evening Redness in the West, 1985);
  • Belos Cavalos – Teorema, 1994 (All the Pretty Horses, 1992)*.

*Obra que, conjuntamente com The Crossing (1994) e Cities of the Plain (1998), integra a denominada Trilogia da Fronteira do autor norte-americano.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Pulitzer 2007

Foram hoje (ontem, dia 16) anunciados os vencedores do Pulitzer Prize do ano de 2007.
Na categoria “Ficção” venceu Cormac McCarthy – a quem B. R. Myers apontou no seu Reader’s Manifesto como epítome da “prosa musculada”, apresentando-o como sujeito de sobreavaliação literária pelo feudo da crítica norte-americana – com o seu romance The Road – suponho que já se encontra no prelo para o mercado editorial português, sob o título A Estrada, com chancela da editora Relógio D’Água.

Foram também atribuídas duas menções honrosas: uma ao autor de Fahrenheit 451, Ray Bradbury, hoje com 86 anos, pela sua «distinta, prolífica e altamente influente carreira como autor, sem par, nas áreas da ficção científica e do fantástico», e a outra, a título póstumo, ao fabuloso – e meu muito dilecto – compositor e saxofonista de jazz John Coltrane, que, por complicações hepáticas, faleceu prematuramente aos 40 anos de idade, em Julho de 1967.

Ver aqui os prémios Pulitzer 2007 para as restantes categorias.