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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

LAFCA Awards 2008

A associação de críticos de cinema sediados em Los Angeles, Los Angeles Film Critics Association (LAFCA), anunciou há pouco os vencedores da 34.ª edição anual (edição de 2008) dos seus prémios de cinema em diferentes categorias técnicas e artísticas a concurso.
Algumas surpresas: como a do título vencedor de melhor filme, a nomeação de Penélope Cruz não só pela sua interpretação no filme de Woody Allen, como também na adaptação cinematográfica do romance Animal Moribundo (em filme, Elegia) de Philip Roth; e uma enorme frustração por ver que os meus receios têm, cada vez mais, alguma razão de ser, devido às várias nomeações do filme onde pulula, vacilante, o famoso morcego dos comics do menino-prodígio Chris Nolan e a sua (e deles, produtores e estúdios) poderosa máquina mediática pós-Ledger de aproveitamento da miséria num filme medíocre (ler aqui a minha opinião sobre o filme). E se mais não bastasse, nada de Fincher… movie geeks! (insultos, ainda em versão ultra-softcore)

Eis os vencedores nas categorias principais:

  • Melhor Filme: Wall-E (de Andrew Stanton) / 2.º lugar: O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, de Christopher Nolan);
  • Melhor Realizador: Danny Boyle por Slumdog Millionaire / 2.º lugar: Christopher Nolan por O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight);
  • Melhor Actor: Sean Penn em Milk (de Gus Van Sant) / 2.º lugar: Mickey Rourke em The Wrestler (de Darren Aronofsky);
  • Melhor Actriz: Sally Hawkins em Happy-Go-Lucky (de Mike Leigh) / 2.º lugar: Melissa Leo em Frozen River (de Courtney Hunt);
  • Melhor Actor Secundário: Heath Ledger em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, de Christopher Nolan) / 2.º lugar: Eddie Marsan em Happy-Go-Lucky (de Mike Leigh);
  • Melhor Actriz secundária: Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona (de Woody Allen) e Elegia (Elegy, de Isabel Coixet) / 2.º lugar: Viola Davis em Dúvida (Doubt, de John Patrick Shanley);
  • Melhor Argumento: Mike Leigh por Happy-Go-Lucky / 2.º lugar: Charlie Kaufman por Synecdoche, New York;
  • Melhor Filme Estrangeiro: Natureza Morta (Still Life/Sanxia haoren de Zhang Ke Jia) – China / 2.º lugar: A Turma (The Class/Entre les murs de Laurent Cantet) – França;
  • Melhor Filme de Animação: A Valsa com Bashir (Waltz with Bashir, de Ari Folman);
  • Prémio Melhor Estreia (New Generation Award): Steve McQueen, por Fome (Hunger);
  • Prémio de Carreira (Career Achievement Award): John Calley

sábado, 26 de julho de 2008

Acima de Ledger

Aaron Eckhart em O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008)
Ou melhor, o próprio actor excedeu-se, ultrapassou a barreira da sua mediocridade interpretativa, estabelecida, ironicamente, em todos os filmes, sem excepção (gay sheepboys, incluído), em que participou até ao penúltimo. Em The Dark Knight, os irmãos Nolan deram-lhe seguramente a hipótese para brilhar – é um papel num milhão. Não pretendo significar com isto, no entanto, que qualquer actor inserto na pele do personagem delineado pudesse atingir tal grau de resplandecência. Não, é aí mesmo onde se aloja a questão, toda a interpretação de Ledger é superação, esforço e dedicação, que até pode ser entendida pelo perfil histórico-fílmico do próprio actor, anódino e sem chama, como fazendo uma curta análise aos seis filmes Batman da nova geração: por exemplo, estou perfeitamente convencido de que Jack Nicholson, ligeiramente mais novo e menos indolentemente canastrão, jamais lograria alcançar o nível do australiano sem recorrer ao histrionismos que lhe conhecemos para tentar ultrapassar a fase da decadência – não falo, é claro, do Nicholson de Voado sobre um ninho de cucos (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975) de Milos Forman, de Chinatown (1974) de Polanski, de Profissão: Repórter (Professione: repórter, 1975) de Antonioni, de Shining (1980) de Kubrick ou até de Uma Questão de Honra (A Few Good Men, 1992) [You can’t handle the truth!] de Rob Reiner, um pouco mais velho que Ledger quando interpretou Joker e a anos-luz de distância (isto é, bem acima) no capítulo da eminência cinematográfica.

Deixando de parte a transfiguração de Heath Ledger, o filme de Nolan é tão banal como o seu predecessor Batman – O Início (Batman Begins, 2005), também com Christian Bale na pele do herói imaginado por Bob Kane, e banaliza-se com a sucessão de falhanços (opinião pessoal) desde o seu verdadeiro começo na era contemporânea, quando Tim Burton o resolveu ressuscitar para o grande ecrã em 1989, com Michael Keaton a fazer de homem-morcego.
Aliás, considero que o principal problema dos filmes Batman (como já referi, seis até hoje) com diversos realizadores (por esta ordem, Burton, Burton, Schumacher, Schumacher, Nolan e Nolan) reside na estranhíssima falta de apelo ou, se quisermos, de uma clara falta de identificação actor/personagem-herói/público; é uma relação clara e impudicamente falhada com Michael Keaton nos filmes de Burton (Keaton tentou, de forma perceptível para olho medianamente treinado em cinema, dar uma passo maior que a sua perna e estatelou-se ao comprido), e depois com performances sofríveis de Val Kilmer e George Clooney nos seguintes dois – actores cujos tiques pessoais já se tornaram inultrapassáveis –, e finalmente com Christian Bale nos dois últimos, cuja participação só poderá ser entendida pelo cachet e pela (por ele) constatada decadência capitalista de colegas actores da sua geração rendidos ao verde dos dólares e até dos personagens, como é o caso do meu mui estimado Ed Norton (que facada no coração).
Pelo vistos a saga irá continuar com os manos Nolan, com Bale e Eckhart confirmados. Agora, só resta esperar que este último não ensandeça no esforço de interpretar o papel de Two-Face (Harvey Dent), anteriormente interpretado em Batman Para Sempre (Batman Forever, 1995) por outro dos colossos de Hollywood, Tommy Lee Jones.

Very punctual, even to his own funeral! Boys, kill the Bat!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Unanimismos

Heath Ledger
Há qualquer coisa de muito negro sobre o último personagem encarnado (pelo menos em vida, sabe-se lá que papéis lhe foram reservados por Dante e companhia) pelo desditoso actor australiano Heath Ledger (1979-2008), por toda esta pornografia necrófila das campanhas promocionais de exploração do “coitadinho, por este papel ele seria…” e com a manobra que se pressente nos bastidores da Academia para o galardoar com Óscar para Melhor Actor a título póstumo no próximo mês de Fevereiro a despeito do grau de potência performativa da eventual concorrência.

Por enquanto, o negro do cavaleiro das trevas, transformou-se num incomensurável aglomerado de pigmentos verdes com o patrocínio do Pai Fundador Benjamin Franklin, reabilitando um realizador, Christopher Nolan, que teve, há uns anos, entradas de leão, mas que, com o passar do tempo, vai (ou ia) descendo vertiginosamente na escala felídea de ferocidade, roçando já o nível do gato persa.

Ao contrário da prática de alguma crítica, especialmente da literária, postarei aqui as minhas observações depois de o ver na grande tela, provavelmente no próximo fim-de-semana – e já sei que, pela antecipação e sem convites para antestreias, vou levar com o melódico ruminar das pipocas, com o estardalhaço do sorver das últimas gotas de Coca-Cola nos copos de meio litro e com o odor pestilento de alguns cachorros Cecil B. DeMille, ambos propensos à eructação… e fiquemo-nos por aqui.

Até lá... ah, e já agora, a talho de foice, uma boa crítica ao Vigilância de Jennifer Lynch no Expresso, por Manuel Cintra Ferreira.