Mostrar mensagens com a etiqueta Economia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Economia. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O arrazoado


© 2008 Coast (design) & Eurodad (campanha “Fight Capital Flight”)

Fiscalistas, economistas, advogados parafiscalistas e multi-usos, politólogos, comentadores da estirpe pau-para-toda-a-colher, e só ficaram a faltar os obstetras para ajudar a dar à luz, ou melhor, para explicar o bê-á-bá do mercado livre e da livre circulação dos capitais nesta entidade amorfa e fragmentária que se chama União Europeia. De todos se ouviu: não é irregular; não vai contra a lei; pois, está claro, com esta carga fiscal as empresas, sem contrariar a lei, note-se ou que fique bem claro, procuram outros sítios fiscalmente mais (argumentário adjectival):
  1. estáveis,
  2. favoráveis,
  3. leves,
  4. sólidos,
  5. benéficos,
  6. ligeiros,
  7. firmes,
  8. vantajosos,
  9. suaves,
  10. todas as anteriores, porque as hipóteses 1, 4 e 7 significam o mesmo, tal como as 2, 5 e 8, e as 3, 6 e 9; e cada conjunto forma os vértices do triângulo do éden fiscal para onde se expulsam os plutocratas cujas taxas efectivas de imposto sobre o rendimento, devido a determinadas benesses e ao chamado planeamento fiscal, é muitíssimo inferior àquela que recai sobre os lucros das PME.

Curvas de Laffer, votar com os pés E, já agora (não vá o diabo tecê-las), que tal um pouco de Canesten? Deixemo-nos de teorias e vamos à vidinha
Será que aqueles liberais de pacotilha, de colarinho branco e dentes branqueados, cujas televisões deram a imperdível oportunidade de mostrar os quadros dos seus escritórios sumptuosos, pretendiam fazer coincidir legalidade com legitimidade?
Mas eu assevero: o negócio Zoete Druppel é simultaneamente legal e ilegítimo. Acrescento, à laia de explicação, é soez, bárbaro e indecoroso, de uma boçalidade prototípica de um cacique de sertão do século XIX, que respeita mais o gado que alimenta, que a família que sustenta ou os “colaboradores” que fustiga com salários de miséria.
Neste momento, nesta conjuntura, neste cenário de sacrifício nacional, é imoral. Desde quando se pode legitimar ou concordar com uma imoralidade apoiando-se na lei?
É antinómica a coabitação dos vocábulos “justo” e “imoral” para qualificar um mesmo nome, uma lei imoral destrói os princípios basilares da decência formulados pela sociedade: os seus valores, as suas crenças.

Sou um liberal, com uma forte vocação libertária, sou até um fervoroso partidário da revolução capitalista há tantas décadas professada por Louis Kelso – o que hoje temos não pode ser chamado de capitalismo, mas de ganância e cobiça congenitamente necrófagas dos mais débeis –, mas sei que, tal como alguém propunha para a democracia, há momentos em que esse fulgor libertário – fundado num liberalismo cego – tem de ser suspenso em nome de uma causa maior, sob pena da sua autoderrogação ao tornar-se iníquo. Esta cedência não é significado de capitulação, é sobretudo um sinal de inteligência, quando entendemos que aquela, por haver ocorrido, actuará pelo bem comum, pelas paz e coesão sociais, pela solidariedade, pela justiça, em suma, pela tão apregoada, como não praticada, responsabilidade social. Lavem-me essa boca!

Termino com uma frase de alguém que, embora distante da minha ideologia, perfilha, através das suas arte e intervenção cultural, a ideia comum e basilar de jamais transigir com a injustiça: Jean-Luc Godard. E como ele quis no seu filme mais recente, «No Comment»:
«Quand la loi n’est pas juste, la justice passe avant la loi.»

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

À vista um Titanic à portuguesa

Talvez não seja a ocasião certa para trocadilhos, por simples respeito às pessoas que derem o seu melhor no desenvolvimento de um projecto faraónico e que dele dependiam como base remuneratória de sustentação das suas vidas. Mas a ameaça de encerramento, como explica, e bem, o Eduardo, começou com a sua inauguração.
Prometia muito, mas deu muito pouco ou nada. Durou um ano.
Os meus contactos limitaram-se a duas ou três compras via internet, quase sempre para usufruir de vantagens promocionais de vária índole. As encomendas de livros, por exemplo, duravam uma eternidade quando a disponibilidade era superior a 24 horas, para depois chegarem luxuosamente, com entrega dedicada, via Express Mail.


Os prometidos fundos editoriais jamais chegaram a ver a luz do dia, nunca ultrapassando a disponibilidade dos concorrentes directos: Fnac, Bertrand, Bulhosa/Leitura ou a Almedina.

Em Fevereiro anunciava-se com toda a soberba comercial a construção da
maior livraria do país no Porto. Ocuparia o espaço, hoje degradado, do antigo Clérigos Shopping – mais um dos muitos projectos falhados na Invicta por erros de gestão, que apenas apresentava como atractivo o saudoso Café na Praça –, situado na sistematicamente degradada Praça de Lisboa – ainda me recordo da horrenda e anti-higiénica feira que aí difundia o seu miasma de ruralidade putrefacta em pleno coração do Porto, ao lado do monumento projectado por Nicolau Nasoni.
O projecto de reconversão estava (ou ainda está) a cargo da famosa Bragaparques, mas quem por lá passa apenas vê uma série de taipais cheios de graffitis, e de cartazes rasgados e deteriorados a fazer lembrar as zonas de guerra citadinas realisticamente imortalizadas pela lente de Rossellini no pós-guerra de 1945. Já os cartazes a anunciar a abertura da livraria, que me garantiram estiveram lá postados até há meio ano, desapareceram, ou pereceram por obsolescência induzida por telepatia, ou foram retirados por agente possuidor de informação privilegiada sobre a iminência do naufrágio. Era o prenúncio de que algo corria mal no reino de Areal – e que se me perdoe a rima que, mesmo pobre, surgiu de uma valiosa irritação pela aparente megalomania tão lusa (aparente, ou seja, no caso de estarmos apenas no domínio da negligência, do mero devaneio faraónico… processos omo, desconheço.)

De resto, fica apenas a minha solidariedade para com os trabalhadores que, afortunadamente, cairão nas malhas do faustoso subsídio de desemprego – a levar a sério a última brincadeira de chancela Constâncio, que se reveza no despautério e na idiotia, numa perfeição quase comovente, com a interruptora de democracias Manuela Ferreira Leite, o PGR e o Governo – ou rezar por aqueles que, eventualmente, nada mais tinham que um vínculo precário sem a garantia da possibilidade do exercício de direitos pela perda do posto de trabalho.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Harry “Coelho” Angstrom, de novo

A editora portuense Civilização acaba de lançar no mercado o 3.º livro da tetralogia (+ ½) do Coelho de autoria do escritor norte-americano John Updike (n. 1932): Coelho Enriquece (Rabbit is Rich, 1981).
Recorda-se aqui que já foram publicados em Portugal pela mesma editora as primeira e segunda partes da vida do americano arquetípico Harry “Coelho” Angstrom: Corre, Coelho (Rabbit, Run; 1960) em Fevereiro de 2007 e Regressa, Coelho (Rabbit Redux, 1971) em Março deste ano. Ainda por publicar estão o 4.º livro Rabbit at Rest de 1990 e a novela de 2001, integrada na colectânea de contos do autor Licks of Love, Rabbit Remembered.

Este livro venceu três dos mais importantes prémios literários atribuídos a uma obra de ficção publicada originalmente nos Estados Unidos da América:

  • National Book Critics Circle Award for Fiction em 1981;
  • Pulitzer Prizer for Fiction em 1982;
  • National Book Award for Fiction (Hardcover) em 1982.

«“A gasolina está a acabar-se”, pensa Coelho Angstrom […] Este mundo de merda está a ficar sem gasolina. […] A gasolina a noventa e nove ponto nove cêntimos o galão e noventa por cento das estações de serviço a fecharem ao fim-de-semana. […] os camionistas que não conseguem gasóleo disparam contra os próprios camiões […] As pessoas estão a perder a cabeça, os seus dólares não valem um cêntimo, retraem-se como se não houvesse amanhã.»
John Updike, Coelho Enriquece, pág. 7
[Porto: Civilização, Setembro de 2008, 498 pp. (tradução de Carmo Romão)]


A acção desenrola-se em pleno 2.º Choque Petrolífero que ocorreu em 1979. A actualidade da citação é mais do que angustiante. A América e o mundo ocidental ou ocidentalizado tardam em aprender com os erros passados. Porém, é óbvio que esta aprendizagem foi plenamente assumida, o que a torna, hoje em dia, num perigoso sofisma à disposição de políticos sem escrúpulos e de outros sem coragem para denunciar a acções concertadas e criminosas daqueles com os grandes interesses do petróleo, disseminados pelos opacos mercados de capitais (desregulamentados) que vomitam anonimamente gigantescas mais-valias nas operações financeiras sem o devido suporte de operações reais ou económicas. A avidez pelo capital destrói a essência do capitalismo, deixando o cidadão desprotegido e sem forças para lutar perante a ressuscitação das teorias económicas que comprovadamente conduziram à coarctação das liberdades política, económica, social, artística, etc.

domingo, 6 de janeiro de 2008

A Comédia do Poder


Esclarecimento
Não tive a oportunidade de assistir em directo na televisão à mensagem presidencial de Ano Novo, nem tão-pouco à primeira emissão do ano do debate televisivo semanal Quadratura do Círculo que, sei agora, reflectiu sobre a pertinência da tal mensagem enviada aos portugueses por Cavaco Silva no exercício das suas funções.
Dei-me conta, todavia, dos ecos noticiosos repercutidos pela mensagem – que pude ler na íntegra no sítio da Presidência da República –, li, atónito, a notícia de primeira página da edição do Jornal de Negócios de ontem sobre o assunto e ouvi hoje o
podcast do referido programa da SIC Notícias, que foi para o ar na passada quarta-feira à noite, dia 2 de Janeiro.

Perplexidades
José Pacheco Pereira classificou o alerta/reflexão do Presidente da República sobre se os «rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores» como fait divers e uma manobra populista.
António Lobo Xavier apelou inclusivamente ao recurso da evidência estatística para desmistificar essa inverdade presidencial de natureza e objectivos marcadamente demagógicos, ignorando, todavia, porque à boa maneira do político luso falou de cor, os próprios dados tratados pela mesma ciência tão assertiva e enfaticamente evocada que, por mero azar, depois de uma simples análise descritiva, foram publicados no dia seguinte pela generalidade da imprensa nacional e que demonstraram de uma forma categórica o gigantesco desfasamento entre o rendimento médio de dirigentes e trabalhadores – informação apurada pela empresa norte-americana
Mercer Human Resource Consulting; em Portugal a média de rendimentos da classe de dirigentes é cerca de 32 vezes superior ao rendimento médio dos trabalhadores (15 em Espanha, 14 no Reino Unido e 10 na Alemanha, por exemplo).
Jorge Coelho, reconhecidamente um homem inteligente e um político astuto, bem informado sobre os meandros do poder, entendedor da retórica da ilusão e dos preceitos da teoria da falácia, disse que o problema não está nos altos rendimentos dos dirigentes das empresas portuguesas mas nos baixos rendimentos dos trabalhadores em geral.
Ora, a realidade que a tríade comentadora não pode nem deve encobrir, até por conhecimento de causa, angariado nos lugares de responsabilidade públicos e privados que ocupam ou ocuparam, e sem que com isso se caia na apologia do radicalismo cego da meritocracia, normalmente esquecediça das condições de partida, é a do processo viciado de cariz endogâmico, em circuito fechado, de nomeações de figuras políticas para altos cargos directivos nos domínios empresariais público e privado. Nomeia-se pela influência subterrânea criada pelo exercício anterior da função pública, prática corrente, reiterada, tacitamente aceite e potenciada por um Estado controlador e superpoderoso, anquilosado e ainda inadaptado ao exercício dos seus poderes dentro dos limites naturais definidos por uma sociedade democrática moderna e avançada, onde deveriam imperar, para a sua própria sobrevivência, o espírito da livre iniciativa e o princípio da igualdade de oportunidades para todos os cidadãos sem excepção.
Em Portugal todos invocam a Constituição, todos falam sobre o cumprimento ou sobre a derrogação dos direitos, liberdades e garantias previstos pela Lei fundamental, existe até um tribunal que zela pelo seu cumprimento, cujos membros são designados pelo poder político, pelos grupos de interesse legalmente constituídos, vulgo partidos; porém ainda ninguém reparou ou quis notar que a vozearia invocativa oculta o seu verdadeiro estado de efectividade, o daguerreótipo da situação real do país: ferida de morte por incumprimento implícito, cúmplice e tolerante – a tão típica impunidade dos poderosos.
Não errarei por muito se disser que Portugal nunca foi um país verdadeiramente democrático, apesar de apresentar alguns sintomas ou indícios de democracia, consubstanciados meramente na eleição dos órgãos de poder nacional, regional e local. Aliás, o apodo de “democrático” ao nosso Estado, salvaguardadas as devidas distâncias demonstradas pela História, faz-me lembrar o segundo D na sigla DDR (ou o D da ex-RDA em língua portuguesa), um país democrático não praticante. Vivemos numa pura oligarquia que a ciência política não nega. Prevalecem os nepotismos, os favoritismos de cor e de filiação partidária e a luta pelo poder subterrâneo entre os homens do avental e os rapazes do cilício – diga-se, em abono da verdade, que Cavaco Silva, segundo confidência de uma voz assaz entendida no assunto, foi o primeiro Presidente da República eleito que jamais pertenceu quer a uma quer a outra organização de compadrios malsãos.
Cavaco Silva entendeu por bem trazer à colação a disparidade remuneratória entre dirigentes e dirigidos, talvez instigado pelos mais recentes escândalos ocorridos no centro nevrálgico de comando do Millennium BCP. O trio de comentadores da Quadratura do Círculo, em especial Pacheco Pereira e Lobo Xavier, escarneceram e vituperaram o Presidente da República por este se haver referido a um assunto menor e que, segundo dizem, está deslocado da realidade do país. Pois bem, neste caso, não entrando em linha de conta com o desrespeito desabrido ao mais alto soberano da nação e nos termos em que foi feito, releva a reacção desmesurada e desproporcional face a um assunto que resulta de uma mera constatação empírica e que em nada desmerece o estatuto do político por haver sido proferido por Cavaco Silva. Além disso, ninguém espera que um bom Presidente, interventivo e perspicaz, se auto-inflija de um degredo opinativo, posicionando-se no alto de uma torre de marfim, ignorando as reais preocupações da população que, de acordo com os poderes constitucionais, superintende. É bonito falar-se da livre iniciativa e da liberalização do mercado e que um mercado livre tende a corrigir os seus erros. No entanto, numa oligarquia típica de um país terceiro-mundista como o nosso, o verdadeiro mercado não existe porque nele apenas intervém um grupo restrito de senhores e protegidos. Nem tão-pouco se pode falar em activismo accionista, ou na célebre e ilustrativa Teoria da Agência formulada por Jensen e Meckeling, ou numa monitorização da gestão eficaz. Os próprios reguladores institucionais não intervêm ou quando o fazem movem-se apenas por reacção. Os accionistas de referência são poucos, de fraca qualidade e espalham-se por ambos os lados da barricada – o principal e o agente – em diversas empresas. Os pequenos investidores participam de forma marginal no mercado e actuam como meros especuladores, onde a maximização dos lucros é uma um conceito difuso. A generalidade da classe dirigente das empresas portugueses para além de não agir de forma directa na criação de valor para os seus accionistas, esquece-se por completo dos demais interessados, de onde emergem os próprios trabalhadores, para além dos clientes ou fornecedores, ou mesmo do Estado. Não há uma efectiva política de recompensas, ou um sistema de incentivos, aos trabalhadores que se relacione de forma directa com a produtividade total (não apenas a laboral).
No meio de tudo isto, o mais surpreendente, talvez para os mais desprevenidos, foi a exagerada e agreste reacção de repúdio dos comentadores supracitados. Talvez o Presidente da República haja logrado atingir um ponto sensível a tão desinteressados analistas de quase tudo o que mexe politicamente na lusa pátria.
E será que JPP, ALX e JC:

  • Acaso não conhecem empresas cujos próprios titulares dos órgãos administrativos e de supervisão interna aumentam os seus próprios salários e benefícios em dinheiro ou em espécie de forma considerável apesar da prevista e iminente ruína económica e financeira, despedindo trabalhadores à discrição, com salários em atraso e indemnizações por pagar?

  • Será que os comentadores da Quadratura do Círculo desconhecem que os bancos agora investigados têm deixado de forma impiedosa particulares, empresas e respectivos trabalhadores à beira da miséria, para fazerem valer os seus direitos de crédito?

Não acredito. Aliás, estou convicto de que, na posição de observadores privilegiados dentro de um sistema oligárquico, não desconhecem situações como essas. E, no entanto, criticam ferozmente a diligência presidencial, que em nada extravasou o limite das suas competências funcionais e orgânicas, de um firme e sonoro alerta ao país, às instituições policiais e judiciais, às entidades reguladoras.

E se realmente necessitam de uma imagem para atestar do grau de impunidade reinante na república oligárquica portuguesa, basta que nos recordemos da imagem recente (final de Dezembro de 2007), carregada de um forte simbolismo do status quo luso, quando a propósito de uma reunião de dirigentes do BCP uma longa fila de automóveis de cor escura com motorista, de marcas Jaguar, Mercedes, BMW e Audi, estava plantado na zona pedonal da Rua Augusta em Lisboa. O que aconteceria se na mesma situação estivesse envolvido o tal Zé de Durão Barroso? Dispenso-me a mais palavras. A impunidade, a vassalagem e a bajulação
do poder estão à vista de todos. Pobre cidadãos, a quem pretendem furar dos dois olhos o único que permanece são.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Aplausos

Autoridade da Concorrência multa PT em 38 milhões de euros por abuso de posição dominante.

Finalmente, alguém com coragem para abanar – não creio que seja, para já, o princípio do fim – as estruturas de um monopólio, mantido durante anos a expensas dos contribuintes e com o beneplácito dos governantes deste país – os mesmos que mais tarde, saídos do Governo, integravam os órgãos colegiais da dita empresa.

Actualmente, não tenho uma única relação comercial com a PT: telemóvel, internet, telefone fixo e televisão por cabo. Poupo mais de 50 euros mensais.

Sou PT Free há um ano! (e não foi necessário seguir o método dos 12 Passos).

quarta-feira, 14 de março de 2007

Este caro prazer – I

Sou um indisciplinado por natureza que, todavia, se disciplina na desorganização. Como cultor do ócio, o verdadeiro tutano da vida, só trabalho sob pressão, como um experiente funâmbulo que se propõe a atravessar o Grand Canyon equilibrado na mais fina corda.
Um célebre jurista/economista norte-americano, Louis O. Kelso, publicou em 1958 um manifesto do capitalismo, no qual o professava como o melhor dos sistemas de organização económica e social, aquele que, sendo seguido, seria certamente o melhor indutor de felicidade na espécie humana.
A base da sua teoria está na maximização da produtividade total através da produtividade do capital, relegando para segundo plano a tão incensada produtividade laboral como factor crítico de sucesso. Segundo o autor, uma vida boa – diferente de boa vida – traduz-se pela maximização do binómio trabalho e ócio, onde a acumulação de riqueza para além da satisfação da procura individual por lazer é potencialmente geradora de infelicidade, não só para o acumulador desses excedentes que os desperdiça, como também para aqueles que por via dessa acumulação terão de se esforçar mais para poder subsistir e com isso aniquilar qualquer disponibilidade para a sua realização pessoal através dos tais momentos de ócio. Ao contrário das teorias económicas clássica, neoclássica e marxista, uma economia saudável seria aquela onde cada trabalhador seria simultaneamente proprietário na estrita medida das suas necessidades, reduzindo a intervenção do Estado ao mínimo indispensável, principalmente no que concerne à sua cada vez mais desajustada função de redistribuição da riqueza gerada nessa economia.

(continua num próximo texto, para assim o poder exorcizar de toda a linguagem eminentemente economicista que, decerto, estragaria o tema central… E, como disse noutras paragens por essa blogosfera, nauseia-me falar de trabalho num sítio que pretendo que funcione como uma catarse para o meu cinzento alter-ego.)

sábado, 3 de março de 2007

País Medievo


O João e o Eduardo (aqui e aqui), em poucas palavras, disseram o que poderia ser dito sobre a famosa Assembleia Geral que decorreu ontem no Centro de Congressos de Lisboa.
A imagem do país não esteve na reunião da AG propriamente dita, até porque nem sabemos a substância daquilo que lá foi discutido, isto é, em que termos se dirigiram os accionistas aos seus pares. O espelho do país esteve nas declarações posteriores do Presidente do Conselho de Administração, e aqui falo da forma, na utilização do espaço arrendado para o efeito como meio para veicular o regozijo pela vitória e o esmagamento dos tiranos opressores que vieram do norte para arrostar o eixo Lisboa-Cascais-Quinta do Lago. Eles são os donos da empresa, quais accionistas? Comportaram-se como se a Portugal Telecom, SGPS mais não fosse que a Granadeiro & Bava, Lda.

Noutro registo – até porque remeto outros considerandos, que me apetecia aqui postar, para os textos dos meus estimados bloggers supramencionados – mais intimista, ou se se preferir terra a terra. A Oferta Pública de Aquisição lançada pela Sonae era entendida por algumas pessoas mais esclarecidas e menos atreitas à intoxicação encomendada por Granadeiro, E. S. Salgado, Berardo e Vara – e que bem assenta o apelido neste último – como o fim do monopólio da PT sobre o mercado das telecomunicações.
É por todos demais conhecido que, apesar de existirem concorrentes, as infra-estruturas de cobre e de cabo são detidas em exclusivo pela PT, garantidas por décadas de um proteccionismo paralisador pelo Estado português – em tempos houve uma esperança chamada EDP que, através da sua ONI, poderia concorrer com aquela num suporte tecnológico diferente, todavia quo vadis EDP?
Até ao momento em que escrevo este texto, continuo a pagar mensalmente cerca de 15,32 euros para apenas ter direito a uma linha telefónica.
Mais, todos sabemos quais o preços que a PT cobra aos outros operadores no mercado grossista. A própria Sonae chegou a fornecer o serviço de Internet com margens reduzidíssimas de lucro, havendo mesmo suspendido a realização de novos contratos dados os custos fixos associados por cada novo cliente angariado.
Conheço vários casos de particulares e de empresas que esperavam pela concretização da OPA para tomarem a decisão de mudança. No meu caso, a decisão já estava tomada, nuns casos há algum tempo, noutros, porém, prevendo este desfecho na reunião da AG pela desblindagem.
Já sou TVTel na televisão por cabo,
Vodafone nas comunicações móveis e dentro de uma semana serei Tele2 nas comunicações por cobre (voz e internet), o que, após longos anos de independência paterna, constituirá, por si só, um marco histórico na minha independência de uma empresa que, como se viu pelas manifestações à porta do edifício onde iria decorrer a reunião, representa o Portugal que, após o fim das superprotegidas corporações por um regime autocrático, se cristalizou no poder e no modus operandi das empresas públicas, criando aquelas figurinhas de comando obscuras e sancionadas pela populaça ociosa que empunhava bandeiras vermelhas, ao bom estilo bolchevique.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Dois anos de insurgência

Os parabéns chegam atrasados, é certo, mas ainda não é tarde para uma saudação.
O Insurgente completou ontem dois anos de existência.
Felicitações à equipa e em especial ao meu homónimo Azevedo Alves, pessoa com qual divirjo convictamente na sua fé inabalável num Deus justo, crença que cheguei perfilhar mas que aos poucos fui perdendo – religiosidade transmitida por atavismo que, pelas agruras da vida e ao contrário da maioria que pelo sofrimento caminha em sentido inverso.
Todavia, há consonâncias manifestadas, de forma irredutível,
neste ponto e, de forma aparentemente diversa porém de substância similar, numa economia de pendor liberal, no meu caso mais ao jeito deste – quase ignorado pelas escolas de pensamento económico, mas que lançou as bases da economia participativa, enfatizando as potencialidades e as virtudes da produtividade do capital, em detrimento, da invocada até exaustão, produtividade laboral.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Palavras a menos

Manuel PinhoO que o Ministro Pinho se esqueceu de dizer a propósito da tentativa de captação dos recursos chineses para investimento em Portugal (ao contrário do popularucho Sparks, estas não são as Palavras Que Nunca Te Direi):

“… Para além disso, há sempre a hipótese de V. Exas. poderem vir a beneficiar de fundos comunitários atribuídos pelo estado português e encerrarem a produção assim que o período de isenção fiscal terminar. Saem melhor do que entraram!
Por outro lado, nunca ficará de fora a hipótese de um suborno a um autarca, ou de uma pequena (grande) fuga aos impostos, ou de uma negociata qualquer com um banco de investimentos que zelosamente lavará o vosso dinheiro… A justiça lá é lenta. Com um bom escritório de advogados, com um bom emprego das medidas dilatórias que o intricado das leis nacionais permite e uns conhecimentos numa entidade invisível (também conhecida por Arquivadoria) os casos nem chegam à barra. E depois… Depois, há a figura da prescrição, se outros meios faltarem.
V. Exas., por mera curiosidade, acaso não pertencem à Maçonaria? À Opus, então?”