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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Um Trio

Poucas palavras e longe da semântica concupiscente do linguajar da contemporânea concepção metro que o título poderia encerrar, eis a minha escolha ternária (expressa na imagem, tendo presente que, as anteriores e as poucas que se lhe seguem, foram mesmo as únicas palavras escritas neste blogue sobre o evento findo):

Nota: A Estrela não foi incluída, não por pressão de um apriorismo (que o há), mas sobretudo pela espantosa versatilidade fonética que lhe permite enunciar, urbi et orbi, a palavra “olusedade”.

domingo, 29 de abril de 2012

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fiat Justitia, pereat mundus (act.)



(Sugestão: regressar ao título do texto – que, infelizmente, não se refere à estreia de um novo modelo da conhecida marca de automóveis sedeada em Turim; trata-se de coisa mais séria, animada por matéria mais inflamável –, apelando-se, neste caso, a uma acção enérgica por parte dos dirigentes do meu clube – fundamentada na opinião corroborada pela esmagadora maioria dos juristas instados a pronunciar-se sobre a matéria – grupo em que se inclui José Manuel Meirim, adepto do clube da Luz, e o único doutorado em Direito do Desporto em Portugal –, indo até às últimas consequências compensatórias e indemnizatórias perante uma sentença injusta, desproporcionada, revoltante e que manchou indelevelmente, por muito que se tente esconder com justificações de forma física, o rumo dos acontecimentos desportivos da época 2009/2010).

[Actualização, 25/03, às 15:47]: comentário do dia (da decisão), por André Sousa, de Coimbra, em reacção à sanha justiceira vermelha e à cegueira da clubite exibida por outros nos comentários que postaram sobre a mesma notícia do jornal Público:

«Os tribunais Civis ilibaram o Pinto da Costa... e a Comissão Disciplinar é que era isenta!!... O TAS não deu razão às queixinhas do SLB e Guimarães... e a Comissão Disciplinar é que era isenta!! ... a FPF deliberou a favor da pretensão do FCP nas penas EXCEPCIONAL e PROPOSITADAMENTE aplicadas ao Hulk e Sapunaru, e a Comissão Disciplinar é que continua a ser a entidade isenta!! IRRA... quem acredita ainda na CD Liga ou é cego ou Lampião... só pode!! O Herminio Loureiro, perdeu uma boa oportunidade de dar outra entrevista à SIC a expressar a sua mágoa pelas decisões da CD Liga... enfim... é o SISTEMA!!» [sic]

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Um homem que brilha no escuro

Treze dias passaram desde a data de publicação do último texto neste blogue. A modorra estival que sobre mim sói abater-se neste mês – o oitavo, pelo calendário, e verdade seja dita, também só restavam outros dois –, onde se esfumam os minúsculos resquícios de sanidade deste povo cultor da mediocridade, impede-me que prossiga escrevendo; talvez me solidarize, ou então, trata-se apenas de um sinal, de um terrível lembrete da minha inescapável condição de autóctone. Temo, por isso, sofrer dos mesmos males que afectam essa massa de arraialeiro-consumistas arquetípicos que dá corpo ao país que me viu nascer.
Querem melhor do que as justificativas para a participação desastrosa da nossa comitiva olímpica (valha-nos Santa Vanessa de Perosinho!): a humidade, o vento, os árbitros ou os juízes do judo, as provas matinais (hora para, em cima da almofada babada, dizer à caminha o quanto gostamos dela – aquele lançador do peso…), e até o desarranjo psíquico. Apenas um, que curiosamente é nigeriano de nascença, teve a humildade de reconhecer que as suas, outrora admiráveis, capacidades como atleta estão diminuídas – a idade não perdoa, especialmente, a um velocista – e que se retira para se dedicar de corpo e alma à sua fundação. Falo, é claro, de Francis Obikwelu.

Mas este regresso efémero – recolherei de imediato à lusa modorra – apenas teve que ver com um acontecimento literário: o meu, declarada e arrebatadamente, escritor preferido – e escusam de escrever na caixa de comentários, como já ocorreu, que é um autor cheio de debilidades – acabou de publicar (saiu para o mercado hoje mesmo no seu país natal) o seu 12.º romance – ou 14.ª obra de ficção para aqueles que preferem separar A Trilogia de Nova Iorque (The New York Trilogy, 1987) em três novelas, que de facto foram inicialmente publicadas em separado, entre 1985 e 1986. Trata-se do prometido Man in the Dark.

Releio incansavelmente o discurso de entrega do Prémio Príncipe de Astúrias de 2006. Concordo com cada linha e assumo que talvez seja por isso que entenda a literatura como a minha principal fuga para estes desvarios e irritações do quotidiano. A fuga ao real através da fantasia, da ilusão, através das histórias que nos são contadas por aqueles a quem concedemos a autoridade para a invasão do nosso imaginário.
Não é que a histórias de A Marquesa saiu às cinco horas não me despertem qualquer tipo de interesse, bem pelo contrário, encanta-me a estética do realismo literário, longe de algumas derivações contemporâneas do realismo: o histérico e o informacional, como crítica James Wood sem dó, nem piedade. Mas, como dizia André Breton, há que regressar aos contos de fadas, criando uma nova forma de contar histórias para gente crescida, retirando-lhes a fortíssima carga de puerilidade, tecendo mais fina a teia da inverosimilhança. No meu entender, Auster consegue-o, umas vezes com estrondoso sucesso, outras, infelizmente, a imperfeição humana, com menor brilhantismo; mas consegue, e isso é comprovável pela sua obra, construir a chamada narrativa do maravilhoso, preconizada pelo surrealista francês.

[Um exemplo cabal da narrativa do maravilhoso é o notável romance de 1978 do escritor chileno José Donoso (1924-1996) Casa de Campo e que foi publicado entre nós pela primeira vez este ano, sob a chancela da editora Cavalo de Ferro. O jogo da Marquesa saiu às cinco (expressão que Donoso retirou de Breton, e que este confessa que resultou de uma confissão de Paul Valéry), o trompe-l'œil, a descontinuidade, são de um empolgante enlevo literário, para além das sucessivas, encantadoras e inabituais interferências do omnisciente autor-narrador no decurso da história, chegando a dialogar com um dos seus inúmeros personagens.
Sobre ele gostava de aqui ter dito alguma coisa, mas a tal modorra/ausência/desencanto não mo vão permitindo.]

Correndo o risco de entrar para o Guiness (onde, decerto, estaria pneumaticamente mal acompanhado…) com o post mais longo de sempre da blogosfera, deixo-vos aqui, um excerto da primeira parte do novo romance de Paul Auster:

Paul Auster«Estou só na escuridão, alterando o mundo na minha cabeça à medida que vou combatendo outro ataque de insónia, outra noite em branco na desolação americana. Lá em cima, a minha filha e a minha neta estão a dormir nos seus quartos, cada uma igualmente só, a Miriam de quarenta e sete anos, a minha única filha, que passou a dormir sozinha nos últimos cinco anos e a Katya de vinte e três, filha única de Miriam, que costumava dormir com um rapaz chamado Titus Small, mas Titus está morto e Katya dorme sozinha com o seu coração partido.

Luz radiosa, depois as trevas. O sol disseminando-se por completo em todos os cantos do céu, seguido pelo negrume da noite, as estrelas silenciosas, o vento açulando os ramos das árvores. Tal é a rotina. Vivo nesta casa há mais de um ano, desde que me deixaram sair do hospital. Miriam insistiu para que eu viesse para cá e no início éramos só nós, com uma enfermeira de dia que cuidava de mim quando Miriam se ausentava para trabalhar. Então, três meses mais tarde, o céu abateu-se sobre Katya, abandonou a escola de cinema em Nova Iorque e regressou a casa para viver com a mãe no Vermont.

Os pais dele deram-lhe o nome do filho de Rembrandt, o rapazinho dos quadros, a criança de cabelos dourados com o barrete vermelho, o discípulo devaneante meditando profundamente sobre as suas leituras, o rapazinho que se tornou num jovem destruído pela doença e que morreu nos seus vinte e tal anos, assim como o Titus de Katya. É um nome assombrado, um nome que deveria desaparecer para sempre de circulação. Penso imensas vezes na morte de Titus, a história horrível daquela morte, as imagens dessa morte, as consequências demolidoras dessa morte na minha neta amargurada, mas não quero ir por aí agora, eu não posso seguir por aí neste momento. Tenho, tanto quanto possível, de atirar isso para longe de mim. A noite ainda é uma criança, e visto que estou aqui deitado a olhar para cima para escuridão, uma escuridão tão negra que torna o tecto invisível, começo a recordar-me da história que iniciei a noite passada. É isso que faço quando o sono recusa aparecer. Deito-me na cama e conto-me histórias. Elas poderão não acrescentar muito, mas enquanto permaneço dentro delas, elas impedem-me de pensar em assuntos que prefiro esquecer. A concentração pode ser um problema, todavia, e cada vez com mais frequência a minha mente afasta-se fortuitamente da história que tento contar rumo às coisas em que não pretendo pensar. Não há nada a fazer. Eu falho repetidas vezes, e essas são mais frequentes do que aquelas em que tenho sucesso, mas isso não significa que não lhe dedique a parte considerável do meu esforço.

Eu pu-lo num buraco. Pareceu-me um bom começo, uma forma promissora de prosseguir com as coisas. Pus um homem adormecido num buraco, e depois verei o que irá acontecer quando ele acordar e tentar rastejar para fora dele. Estou a falar de um buraco profundo no solo, com cerca de três metros de profundidade, cavado de maneira a formar um círculo perfeito, com paredes interiores alcantiladas formadas por terra tão densa e firmemente compactada que a superfície ganhou a textura de barro cozido, ou talvez até de vidro. Por outras palavras, o homem que está lá dentro será incapaz de se desembaraçar do buraco quando abrir os seus olhos. A não ser que esteja equipado com um conjunto de ferramentas de montanhismo – um martelo e espigões de metal, por exemplo, ou uma corda para enlaçar uma árvore que se encontre próxima – mas este homem não dispõe de ferramentas, e a partir do momento em que recuperar a consciência, rapidamente entenderá a natureza complicada da sua situação.

E assim acontece. O homem recobra os sentidos e descobre que está deitado de costas, olhando fixamente um céu crepuscular sem nuvens. Chama-se Owen Bricks e não faz a mínima ideia de como veio aqui parar, não tem memória de ter caído neste buraco cilíndrico, cujo diâmetro ele considera aproximar-se dos três metros e meio. Ele senta-se. Para sua surpresa enverga um uniforme militar feito de uma lá grosseira de tom pardacento. Tem uma boina na sua cabeça e calça um par de botas gastas de cabedal preto, atacadas acima dos tornozelos por um firme nó duplo. Existem duas listas militares em cada manga do seu casaco, indicando que aquele uniforme pertence a alguém com a patente de cabo. Essa pessoa poderá ser Owen Brick, porém o homem no buraco, cujo nome é Owen Brick, não se consegue recordar de, alguma vez na vida, ter servido em algum exército ou combatido numa guerra.

Em busca de uma qualquer explicação, ele assume que lhe infligiram uma pancada na cabeça e que temporariamente perdeu a memória. Quando põe a ponta dos dedos no seu escalpe e começa a procurar por inchaços ou golpes, ele não encontra, porém, qualquer sinal de tumefacção, nada de cortes, pisaduras, nada que sugira que tal lesão haja ocorrido. O que se passa, então? Terá sofrido alguma espécie de trauma debilitante que afectou uma grande parcela do seu cérebro? Talvez. Contudo, ele jamais terá maneira de o saber a não ser que regresse a memória desse trauma. Depois, ele começa a explorar a possibilidade de estar a dormir na sua cama em casa, aprisionado dentro de um qualquer sonho sobrenaturalmente lúcido, um sonho tão verosímil e intenso que a fronteira entre a fantasia e a consciência quase se dissipou. Se isso for verdade, então ele terá apenas de abrir os olhos, levantar-se num ápice da sua cama e ir para a cozinha preparar o seu primeiro café da manhã. Mas como podereis abrir os olhos se eles já estão na realidade abertos? Infantilmente, ele pestaneja algumas vezes, imaginando que esse acto lhe quebraria o feitiço – mas não há nenhum feitiço para quebrar e a cama mágica não é capaz de se materializar.

Um bando de estorninhos passa ao alto entrando no seu campo de visão por cinco ou seis segundos, desaparecendo depois na penumbra. Brick levanta-se para inspeccionar as suas imediações e enquanto o faz sente um objecto protuberante no bolso esquerdo da frente das suas calças. Era uma carteira, a sua carteira, e para além de setenta e seis dólares americanos, continha uma carta de condução emitida pelo Estado de Nova Iorque em nome de um Owen Brick, nascido a 12 de Junho de 1977. Isto só vem confirmar o que Brick já sabia: um homem aproximando-se dos trinta que vive em Jackson Heights, Queens. Ele também sabe que é casado com uma mulher chamada Flora e que nos últimos sete anos ele trabalhou como mágico profissional, actuando de preferência em festas de aniversário de crianças à volta da cidade, sob o nome artístico de Grande Zavello. Estes factos apenas adensam o mistério. Se ele está tão certo de quem é, então como é que ele acabou no fundo deste buraco, vestindo, sem mais, um uniforme de um cabo, sem papéis, chapas ou um cartão de identificação militar que pudessem provar o seu estatuto de soldado?

Não demora muito a aperceber-se de que escapar está fora de questão. A parede circular é demasiado alta e quando a pontapeia para amolgar a superfície e assim criar uma espécie de apoio para o pé que o ajudasse a trepá-la, o único resultado que logra alcançar é um dedo grande do pé dorido. A noite vai caindo velozmente e forma-se um tempo frio, um frio húmido e primaveril que lhe vai penetrando o corpo a pouco e pouco, e embora Brick comece a sentir algum receio, naquele momento ele ainda permanece mais confuso do que receoso. Não obstante, ele não se consegue deter em clamar por ajuda. Até agora, tudo se manteve silencioso à sua volta, sugerindo que ele se encontrava numa remota e despovoada extensão de terreno no campo, sem qualquer som excepto um ocasional gemido de um pássaro e o sussurrar do vento. Porém, como se estivesse ao comando, como se devesse a uma lógica torcida de causa e efeito, no preciso momento em que gritou a palavra SOCORRO, irrompe à distância fogo de artilharia e o céu escurecido iluminou-se por traços de cometas de destruição. Brick ouve metralhadoras, granadas a explodir e por trás de tudo isso, sem dúvida a quilómetros de distância, um coro sombrio de uivantes vozes humanas. Isto é a guerra, apercebe-se, e ele é um soldado nessa guerra, mas sem dispor de arma, nem forma de se defender perante o ataque, e, pela primeira vez desde que acordou dentro do buraco, ele está verdadeiramente assustado.

O tiroteio prossegue por mais de uma hora, depois dissipa-se gradualmente no silêncio. Não muito depois disso, Brick ouve o som desmaiado de sirenes, o que ele entende como sendo carros de bombeiros que acorrem aos edifícios que foram danificados durante o ataque. A seguir as sirenes também param e o silêncio assalta-o uma vez mais. Sente-se gelado e amedrontado, mas Brick está igualmente exausto e depois de ter andado à volta dos confins da sua prisão cilíndrica até as estrelas surgirem no céu, ele estende-se no chão e consegue finalmente adormecer.

Cedo, na manhã seguinte, ele é acordado por uma voz que o chama do topo do buraco. Brick olha para cima e vê o rosto de um homem que sobressai do rebordo, e uma vez que a cara é tudo o que ele consegue divisar, ele assume que o homem está estendido no chão sobre a sua barriga.

Cabo, diz o homem. Cabo Brick, é tempo de se pôr a mexer.

Brick levanta-se e agora que os seus olhos apenas se encontram a mais ou menos um metro do rosto do estranho, ele pode ver que o homem é um tipo de tez escura, de maxilar quadrado, com uma barba de dois dias e que enverga uma boina militar idêntica à dele. Antes de Brick poder protestar, tanto como gostaria de se pôr a mexer, ele não está em posição de fazer algo desse estilo, o rosto do homem desapareceu.

Não te preocupes, ele ouve-o a dizer. Nós tiramos-te daí já a seguir.

Uns instantes depois, segue-se um som de um martelo ou de uma marreta de ferro batendo ruidosamente num objecto de metal, e visto que, a cada martelada sucessiva, o som se ia tornando cada vez mais mudo, Brick imagina se o homem estará a espetar uma estaca no solo. E se for uma estaca, então talvez ser-lhe-á em breve amarrado um bocado de corda, e com essa corda Brick será capaz de trepar para fora do buraco. O estrépito pára, passam-se outros trinta ou quarenta segundos, e então, tal como havia previsto, uma corda desce até junto dos seus pés.»
Paul Auster, Man in the Dark, pp. 1-7
[tradução livre a partir da edição americana: AMC – New York: Henry Holt, first edition, 2008, 192 pp.]

Nota: foi actualizada a lista de obras, editadas em Portugal em 2008, por mim lidas e classificadas, que figura, desde o seu início, na coluna do lado direito deste blogue. Como se pode desde logo constatar, ao contrário das listas de 2006 e 2007, publicadas no Porque e no In Absentia, respectivamente, a lista deste ano, por manifesta falta de tempo e sobretudo de vontade, figura quase desprovida de “notas de leitura”.
Sic transit gloria mundi.

domingo, 21 de outubro de 2007

A Gargalhada Final

Kimi Raikkonen, não precisas de estar tão sério... Kimi Raikkonen
Campeão do Mundo de Fórmula 1 em 2007

terça-feira, 8 de maio de 2007

E pronto...


…aconteceu o que se previa depois da final antecipada dos quartos-de-final entre Ronnie O’Sullivan e John Higgins, o vencedor do encontro seria, certamente, o campeão do mundo de snooker em 2007, facto que se confirmou com a eliminação de Shaun Murphy nas meias-finais.

John Higgins 18-13 Mark Selby.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Aquilo que interessa

Medir a riqueza de um clube pelo potencial das receitas, é como analisar um quadro pela qualidade da tela e das tintas usadas na pintura.
Se quisermos ser simplistas e de alguma forma atribuir algum significado ao nosso estudo, não basta a eventual grandiosidade do nome do investigador para conferir validade científica aos resultados alcançados.
Uma hipótese, igualmente pouco trabalhosa, consistiria na análise do denominado Book Value (ou valor contabilístico). Nesta óptica o valor de uma qualquer empresa mede-se pela diferença entre os seus activos (bens e direitos) e passivos (obrigações), a que convencionámos chamar de Capital Próprio ou Situação Líquida. Embora seja um método simplista e assaz redutor, na medida em que por exemplo não entra em linha de conta com as potencialidades futuras face à capacidade instalada – neste caso o método dos Discounted Free Cash Flows é dos mais usados –, entra em linha de conta com massas patrimoniais de sinal contrário e implica, uma vez mais, informação fidedigna (clara, fiável e comparável), situação que é prejudicada pela não cotação em bolsa de equipas como o Benfica, Real de Madrid e Barcelona, devido às regras apertadas de uniformização, monitorização e de apresentação de factos relevantes susceptíveis de influenciarem as decisões de investimento dos denominados stakeholders.
Assim, a Deloitte desculpabiliza-se no preâmbulo do seu estudo:
«There are many ways of examining the relative wealth or value of football clubs – and at Deloitte we have developed sophisticated models of anticipated future cash flows to help potential investors or sellers do just that. However, for an exercise such as this, there is insufficient public information to do that. Here – in the Deloitte Football Money League – we use income as the most easily available and comparable measure of financial wealth. Income, like salary for an individual, is not the be all and end all of ‘richness’, but all would agree that – as a starting point – it is better to have more than less, and the choice of how to spend it.»
In Football Money League: The Reign in Spain, Deloitte, February 2007, p. 2

Porém, indo ao que realmente interessa – à parte desportiva – temos esta classificação relativa aos últimos 10 anos – European Club Ranking 1997-2006:

1.º) Real Madrid CF – 1.249,95 pts.
2.º) FC Bayern München – 1.239,67 pts.
3.º) FC Barcelona – 1.228,10 pts.
4.º) Manchester United – 1.227,60 pts.
5.º) Juventus FC – 1.138,82 pts.
6.º) Arsenal – 1.135,49 pts.
7.º) FC Porto – 1.100,07 pts.
8.º) Internazionale FC 1908 – 1.080,52 pts.
9.º) PSV – 1.057,47 pts.
10.º) AC Milan – 1.039,34 pts.
(…)
33.º) Sporting CP – 740,73 pts.
(…)
35.º) SL Benfica – 717,00 pts.
(…)
55.º) Boavista FC – 587,70 pts.


Posto isto, vou ver se consigo deixar de falar de futebol nos próximos tempos, enquanto assisto ao enterro antecipado do meu clube pelos Media.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Crónica de um portista arrebatado

O desafio foi sugerido pelo Ricardo, um companheiro de paixão clubística que, acudido por uma indelével memória onírica, convidou a blogosfera que se revê no azul e branco draconiano a postar as rememorações de um passado recente de alegrias e vitórias.

Uma paixão não se explica, não se arrazoa, nem pode ser entendida por quem dela não partilha o arroubamento, a entrega e um desvairado sentimento de protecção da coisa amada. É um amor exacerbado que os compêndios do comportamento humano não conseguem explicar que não seja por meras suposições e preconceitos subtractivos da razão do sujeito que ama sem condições, hipóteses ou regras de conduta.
Os apoucadores da paixão alheia soem relacioná-la com um estado de violência latente que se poderá materializar num ensandecimento lesivo da sã convivência. Embora não haja paixão sem impetuosidade – o tal ardor que nos consome as entranhas –, a sua exteriorização jamais se poderá confundir com violência; essa é um subproduto dos que supostamente amam, porque um verdadeiro apaixonado não utiliza o sujeito ou o objecto da sua paixão em serviço de outros desígnios que não sejam o alimento da própria alma.

Em Abril de 1984, tinha eu 11 anos, o FC Porto defronta o então temível Aberdeen FC de Alex McLeish e de Gordon Strachan, treinado por Sir Alex Ferguson. Disputar-se-ia a meia-final da extinta Taça dos Vencedores das Taças. Na 1.ª mão o meu Porto, num jogo inesquecível do extremo esquerdo Costa (José Alberto), ganhou por 1-0 com um golo do bi-bota Fernando Gomes aos 14 minutos de jogo. Lembro-me bem da sensação que dominava os portistas após o interminável abandono do estádio naquela quarta-feira fria de Primavera: a exibição foi portentosa, o resultado foi escasso e temíamos o poderio do adversário no jogo seguinte que se iria disputar na paisagem sombria de terras da Escócia.
Aberdeen, Escócia, Abril de 1984. Noite cerrada de nevoeiro. Um estádio repleto de fervorosos adeptos escoceses assiste à esmagadora superioridade defensiva do FC Porto – recorde-se que nessa época o Porto foi campeão nacional, tendo a defesa constituída por João Pinto, Inácio, Eurico e Lima Pereira apenas permitido o marcação de 6 golos pelas equipas adversárias – e um temível contra-ataque liderado por Gomes, Costa e pelo recém-entrado Vermelhinho. A exibição de Costa na 1.ª mão permitiu levar consigo para o flanco direito – flanco que viria a ocupar com a substituição – 3 jogadores do Aberdeen. Após um ataque da equipa escocesa alguém passa a bola a Vermelhinho que, havendo apenas corrido alguns metros, remata do meio campo para um monumental “chapéu” ao guarda-redes escocês. Estavam decorridos 76 minutos de jogo, o meu FCP acabara de se qualificar para a final de Basileia, onde veio a perder o troféu para a poderosa Juventus – que eliminara nas meias-finais o Manchester United – após os tristes acontecimentos com uma arbitragem de um senhor de nome Adolf Prokop, oriundo da ex-RDA, que de negligente nada teve…

Aqui fica o relato do golo de Vermelhinho pelo saudoso Gomes Amaro – não há portista da minha geração em diante que não se lembre dele – no Quadrante Norte (o som global!) com João Veríssimo, da noite recordo ainda um estádio inteiro, desportivamente, a aplaudir de pé a conquista do meu FC Porto:

Ficheiro wave (gravação arrancada a uma velhinha cassete Sonovox que repousava no pó da minha arrecadação)

domingo, 21 de janeiro de 2007

Ronnie O'Sullivan

The Rocket venceu o Masters (UK Championship)

Ronnie O'Sullivan


Exibição soberba e um carácter de campeão. Bateu na final o promissor jogador chinês Ding Junhui (n. 1987) – o único jogador que no torneio conseguiu a tacada máxima de 147 pontos – por 10 partidas a 3.