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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Platão et al.

Não, não foi por falta de aviso – por leitura anterior e aconselhamento ajuizado. Mas naquele dia enquanto revolvia os livros floridos de auto-ajuda na secção de “Novidades” da Fnac, descobri que, para além dos romances históricos ou das efabulações sobre as cefaleias ou herpes labiais de determinado cientista ou personalidade histórica eminente, havia um livro cor de vómito em quarta expulsão – para ser sincero, julguei à partida tratar-se de mais um livro da inefável MRP® –, que me deteve pelo estilo de letra de imprensa garatujado a vermelho sangue pré-oxidado… chamava-se Diário e só faltava a fitinha coquete a enlaçá-lo – praga do kitsch mais balofo que se alastrou aos livros.
Não eram couves, nem tão-pouco alforrecas, o presuntivo cientista literário era outro. Tratava-se, então, do sexto romance de Palahniuk, originalmente publicado em 2003, editado em Portugal no passado mês pela Casa das Letras.
«A Voz de uma geração inquieta. O mestre das vidas marginais», garantia a capa em jeito laudatório.

Chuck PalahniukChuck Palahniuk (n. 1962), escritor norte-americano, de ascendência ucraniana, é actualmente considerado, a par de Bret Easton Ellis (n. 1964) e de Douglas Coupland (n. 1961), como uma das vozes mais inconformadas, um dos escritores de culto da denominada Geração X: a geração que se seguiu aos babyboomers do pós-guerra; seres rebeldes, livres e niilistas, nascidos nas décadas de 60 e 70, cansados, por simples tédio burguês, do american way of life, unindo-os um discurso ligeiro, coloquial e prático, entabulado pela alienação das massas, pelo consumismo, pela globalização, em suma, juntos são susceptíveis – ou, nesse caso, põem-se a jeito – de serem catalogados como epítome da frivolidade existencial contemporânea.
Palahniuk descende da nova vaga pós-modernista da ficção literária norte-americana. A sua estreia literária foi verdadeiramente prometedora. Em 1996, publicava o romance, considerado por muitos como a sua obra-prima, Fight Club (Clube de Combate, ed. port. de 1999, Editorial Notícias).
Muitas questões – ou quiçá, nenhumas… – poderiam ser levantadas se, em 1999, o realizador norte-americano David Fincher não houvesse levado à tela o dito romance – também para muitos, talvez para mim, o seu melhor filme. Magistralmente realizado, o filme contou com as interpretações irrepreensíveis, sublimes, mágicas de Edward Norton, Brad Pitt e Helena Bonham Carter – pronto, estou hiperbólico, estado que Fincher ousa impor-me. Porém, negar esse facto – o da cinematização do romance – para explicar o verdadeiro fenómeno que tornou Palahniuk como objecto de um culto literário, para além de falacioso, já que não existiria filme sem livro, sendo falso o seu inverso, seria como apreciar um carpaccio de salmão antes de, pelo menos, laminar as suas postas – que bela metáfora! Isto, por estes lados, anda cada vez melhor… [este é o meu Tyler Durden… o meu estado de espírito estival.]

Palahniuk é sobejamente conhecido por utilizar na substância das suas tramas tortuosas o tema do neoludismo: práticas de terrorismo urbano, de meios, organização e magnitude diversos que têm como alvo preferencial as grandes corporações multinacionais, de carácter globalizante, que emergiram nos mercados das economias ocidentais à custa do imparável fenómeno da globalização; alvos onde ademais se incluem as classes privilegiadas.
O prefixo “neo” deve-se, como é óbvio, ao reavivamento hodierno do ludismo, cujos primórdios remontam ao século XVIII na Inglaterra da Revolução Industrial. Os seus partidários e fundadores manifestavam-se contra o progresso tecnológico e científico e as suas implicações no factor humano, perpetrando acções terroristas organizadas, que quase sempre culminavam com a destruição de máquinas e instalações industriais. Segundo alguns, o termo “ludismo” tem na sua raiz etimológica o apelido de um operário da indústria têxtil chamado Ned Ludd, que em 1779, num ataque de fúria, entrou numa casa nos arredores de Leicester e destruiu à marretada dois teares de produção de malhas. Mais tarde os seus seguidores, os verdadeiros fundadores do Ludismo ou do Movimento Ludita, juraram fidelidade ao “Rei Ludd” – entidade abstracta – abjurando o Rei de Inglaterra, ficando para a História o dia 11 de Março de 1811 como o início das actividades luditas concertadas.
Para mais informações, porque não começar com um mestre?
Ler o fabuloso artigo de Thomas Pynchon, “Is It O.K. To Be A Luddite?”, publicado no The New York Times (Book Review) em 28 de Outubro de 1984, a propósito da comemoração dos 25 anos da dissertação, tão polémica, como revolucionária, “The Two Cultures and the Scientific Revolution” de C. P. Snow, no âmbito da ancestral e prestigiosa Rede Lecture na Universidade de Cambridge.

Hoje em dia, é inegável que Palahniuk arrasta consigo uma pequena horda de seguidores fanatizados com a sua escrita, prontos a espalhar pelo mundo o putativo sortilégio que emana dos seus livros. A Palahniuk resta apenas alimentar esse culto, não só através de uma sucessão impressionante de romances publicados – quase um por ano –, como também através de um aproveitamento quase irrepreensível desse claro factor de dependência, desse filão comercial, mediante o estabelecimento de uma interactividade público/autor, quase sempre perniciosa no mundo das letras, mas que com o escritor norte-americano tem servido de instrumento de fortalecimento para o seu culto – a clara identificação dos desenraizados do novo milénio.
Por exemplo, em Diário quase todos os nomes dos personagens correspondem a nomes de leitores na vida real. Para o efeito, Palahniuk lançou um concurso, comprometendo-se a seleccionar um conjunto de nomes que, mediante autorização, seriam utilizados no romance. Outros, porém, foram criados numa espécie de charada literária: leia o livro e descubra-lhe os “ovos de Páscoa”.

[Aviso: a partir deste ponto o texto poderá conter algumas pistas para o deslindar do enredo – é a minha veia ludita manifestada através da variante desmancha-prazeres. Se é que há algum para desmanchar…]
O romance, como o próprio nome indica, está redigido sob a forma de um diário, cujas entradas se situam entre os dias 21 de Junho – o solstício de Verão – e 3 de Setembro de um determinado ano. A sua autora, Misty Marie (Kleinman) Wilmot, narra os dias que se sucedem à gorada tentativa de suicídio do seu marido, Peter Wilmot, que, em resultado do terrível e caricato falhanço, se encontra em estado de coma num hospital que se situa fora da imaginária ilha de Waytansea – triste jogo de palavras, “wait and see”, é o local onde decorre a acção – ao largo da costa norte-americana do Pacífico.
Misty e Peter conheceram-se na juventude enquanto frequentavam uma escola de artes no continente. Misty fora criada no limiar da pobreza – pertencia à denominada “escumalha branca” – num parque de caravanas junto ao (inexistente) Lago Tecumseh, no estado da Geórgia, compartilhando uma roulotte com a mãe, que supostamente tinha dois tipos de ocupação… Peter provinha da ilha de Waytansea. Era um jovem andrajoso, de cabelo comprido sujo, que envergava inúmeras jóias de imitação, e, entre elas, um broche iridescente no blusão, previamente espetado no mamilo.
Misty tem aulas de História da Arte e de Anatomia humana. Através dessas disciplinas a protagonista inscreve no seu diário um sem-número de referências do anedotário do mundo das artes: artistas que criavam as suas obras de arte com as suas próprias fezes ou que aspergiam uma tela com o próprio vómito. De igual modo, há um rol de alusões que procura demonstrar que “arte é sofrimento” ou vista como sofrimento, citam-se exemplos de artistas eminentes à trouxe-mouxe e os seus segredos, insanidades e deformidades mais escondidos, como por exemplo o envenenamento por mercúrio ou por chumbo incluídos nas tintas.
Vejamos:

«– Se calhar, as pessoas têm de sofrer a sério antes de se arriscarem a fazer aquilo de que gostam.
Tu disseste isto tudo à Misty.
Contaste-lhe que o Miguel Ângelo era um maníaco-depressivo que se representou a si próprio como um mártir flagelado num quadro. O Henri Matisse desistiu de ser advogado por causa de uma apendicite. O Robert Schumann só começou a compor depois da mão direita ficar paralisada e acabou a sua carreira como pianista concertista.
[…]

Falaste-lhe do Nietzsche e da sua sífilis. Do Mozart e da sua uremia. Do Paul Klee e da sua esclerodermia que lhe encolheu as articulações e os músculos levando-o à morte. Da Frida Kahlo e da sua espinha bífida que lhe cobria as pernas de feridas sangrentas. Do Lord Byron e do seu pé deformado. Das irmãs Brontë e da sua tuberculose. Do Mark Rothko e do seu suicídio. Da Flannery O’Connor e do seu Lúpus. A inspiração precisa de doença, lesões, loucura.
– Segundo Thomas Mann – disse o Peter – Os grandes artistas são grandes inválidos.
[…]

E a Misty começou a pintar.
» (pp. 78-79)

Porém, Misty, que entretanto engravidara, vai viver para ilha de Waytansea, após a morte do sogro, para casa da mãe de Peter, Grace Wilmot, e deixa de pintar. Em breve, transformar-se-á numa vulgar empregada de mesa do restaurante do Hotel Waytansea, com um salário miserável e parcas gorjetas, para se sustentar a si e a Tabitha, a filha do casal, concebida, por uma série de práticas luditas de Peter, antes do casamento.

Como já referi, a acção inicia-se no momento em que Peter se encontra em estado de coma no hospital. Chega o Verão, o ferryboat traz os primeiros veraneantes para a ilha. Os proprietários regressam às casas de férias, arejando-as do ar bafiento pelo encerramento de uma temporada. Começam os problemas…
Entrada no diário: «21 de Junho. A Lua a Três Quartos.» Abertura do romance: «Hoje telefonou um homem de Long Beach. Deixou uma mensagem muito longa no atendedor de chamadas, balbuciando e gritando, falando depressa e devagar, praguejando e ameaçando chamar a polícia, para te mandar prender.» (pág. 9)
Angel Delaporte – mais um jogo de palavras, desta feita em francês, para o “anjo da porta” – queixa-se que a sua cozinha desapareceu. Peter que cuidava das casas abandonadas pelos proprietários durante o Inverno fechou a cozinha de Delaporte: «Um homem telefona do continente, de Ocean Park, a queixar-se que a cozinha desapareceu.» (pág. 23)
Aí está o recorrente neoludismo de Palahniuk. Peter antes de ter tentado o suicídio vandalizou as casas de Verão. Delaporte fez um furo na parede que tapava a cozinha e descobriu um conjunto de frases pintadas na parede: «…ponham o pé na ilha e morrem…» ou «…fujam o mais depressa que puderem deste sítio. Eles matarão todos os filhos de Deus se isso significar salvar os seus próprios…» (pág. 25)

Estão reunidos os ingredientes para mais uma narrativa tortuosa palahniukiana. Porém, a base residirá numa harmonia filosófica entre Platão e Carl Gustav Jung, o Síndrome de Stendhal e um Angel Delaporte estudioso e sintetizador das teorias e métodos de Stanislavski, Pavlov, Sechenov e Poe:

«A análise da caligrafia e a escola do Método, o Angel diz que ambas se tornaram populares ao mesmo tempo. Stanislavski estudou a obra de Pavlov e o seu cão salivante e a obra do neurofisiologista I. M. Sechenov. Antes disso, Edgar Allen Poe estudou grafologia. Toda a gente estava a tentar ligar o físico e o emocional. O corpo e o espírito. O mundo e a imaginação. Este mundo e o seguinte.
[...]
[Angel profere a seguinte asserção, depois de haver passado o dedo indicador de Misty sobre as letras pintadas na parede pelo comatoso Peter]:

– Se a emoção consegue criar acção física, então, o duplicar da acção física consegue recriar a emoção.
» (pág. 66)

Juntemos a filosofia de pacotilha à psicanálise baseada nos arquétipos universais de Jung – com um erro de palmatória «Segundo o filósofo alemão Carl Jung (…)» [destaque meu] (pág. 220) –, ver os outros como projecção de nós próprios, e à Alegoria da Caverna de Platão – «Como a tua cabeça é a caverna, os teus olhos a boca da caverna. Como vives dentro da tua cabeça e apenas vês aquilo que queres.» (pp. 290-291), com a experiência paralisante de Stendhal em 1817, quando visitava Florença, para o seu livro Rome, Naples et Florence, e depois de um dia a visitar os esplendorosos monumentos da cidade, entra na Basílica de Santa Croce em Florença, e eis que se vê acometido de alucinações, ritmo cardíaco acelerado, vertigens e tonturas não só pelos magníficos frescos e pela sua arquitectura fascinante, como também por aí estarem sepultadas figuras esmagadoras como Galileu, Maquiavel ou Miguel Ângelo – foi-lhe diagnosticada “overdose de beleza” –, e teremos o desenlace. Tudo isto numa linguagem pobre, superficial e com as inevitáveis reviravoltas na intriga, que inviabiliza uma leitura honesta ou, então, são os tais bolos com que se compram os tolos.

Classificação: ** (Medíocre)

Referência bibliográfica:
Chuck Palahniuk, Diário. Cruz Quebrada: Casa das Letras, 1.ª edição, Junho de 2007, 299 pp. (tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa, Vasco Teles de Menezes; obra original: Diary, 2003).

Nota: Havendo derrogado este ano, por duas ocasiões, o critério de avaliação das obras objecto da minha leitura – não revelar as obras classificadas abaixo das 3 estrelas –, passarei a incluir na coluna da direita, com a respectiva ligação, algumas – e não todas – destas obras. O contador “Livros de 2007” continuará a reflectir, por diferença, o número de obras não incluídas: à data, a diferença é de 1 obra (28 lidas – 27 classificadas).

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Algum Abandono

Capítulo I
Ando arredio. Por vezes, este exercício catártico a que se convencionou chamar de blogosfera – quiçá por disfuncionalidade anatómica ou por dislexia orgânica, nunca a vi como “extensão da pila” (deixemo-nos de pruridos penianos) – deixa-me prostrado, sem ânimo, o cursor a pulsar sobre a folha branca antes do copy & paste, as ideias formigam na minha cabeça, seguem num curso definido e delimitado, mas frequentemente acabam por desembocar num delta, gigantesco, pantanoso… assalta-me um sentimento de vazio: não têm ponta por onde se lhes pegue.

Capítulo II
Livros. Não me sinto capaz de encontrar um simples fio que me conduza à materialização das emoções que se me afloraram durante a sua leitura num texto estruturado. O livro de Palahniuk, que terminei há 5 dias, é medonhamente mau, é pura e simplesmente literatura rasca. Escrevi um monte de parágrafos e não os consigo encaixar num todo conexo que seja capaz de exprimir o meu sentimento de desagrado... repousa para amadurecimento. O mesmo se passa com Aqui Nos Econtramos de John Berger, embora com alguns sentimentos misturados, um belíssima primeira parte e um final um pouco fastidioso. Terminei-o há dois dias, atribuir-lhe-ia talvez 4 estrelas – Bom – mas não consigo encontrar as palavras. Cansam-me as remissões ao texto escrito, tenho preguiça de as procurar. Já para nem falar nalguma frase tipicamente de literatura comparada que, em certas ocasiões, aponho nos meus textos curtos de avaliação pessoal de uma obra. Pensei em Vertigens. Impressões de Sebald, Berger fez-me recordá-lo, porém não vislumbro as palavras que permitam consubstanciar a suposta semelhança entre as duas obras.

Capítulo III
Depois… Depois há a hora habitual do exercício da escrita na blogosfera. Aproveito o silêncio que prepondera no intervalo de tempo em que o trio fantástico de pares de cromossomas X inicia a sua peregrinação ao mundo dos sonhos, e eu, um insone por excelência, ainda vagueio pela casa inventando coisas – a ler, a comer, a ver televisão ou DVD, mais um iogurte com cereais, mais um livro, a escrever no blogue, and so on – antes de me deitar e dormir 4 ou 5 horas... OK, é pouco e eu não sou o Marcelo Rebelo de Sousa, recupero-as (refiro-me às horas de sono perdido) aos fins-de-semana.

Capítulo IV
Não é justo!, assevero com uma estranha indignação. A RTP2 anda a passar o Curb Your EnthusiasmCalma, Larry em Portugal – do genial argumentista e produtor de Seinfeld Larry David. A 1.ª temporada foi exibida na íntegra na semana passada – dois episódios por dia, nos dias úteis. Esta semana iniciou-se a 2.ª temporada – que ainda não havia visto. Há pouco mais de 1 hora acabei de ver os 3.º e 4.º episódios. Talvez se recordem: (3.º ep.) “Trick or Treat”, as meninas adolescentes que vão à porta da casa de Larry para o costumeiro “trick or treat?” na noite de halloween e que são corridas por este pela bitola idade e a qualificação de “vagamente disfarçadas”, mas também é o episódio do assobio do arranjo orquestral Idílio de Siegfried de Richard Wagner que o compôs para oferecer à sua mulher, Cosima, no dia do seu aniversário… a propósito Cheryl faz anos; (4.º ep.) “The Shrimp Incident” lembrem-se dos camarões que faziam parte do prato encomendado por Larry e que, alegadamente, o patrão da HBO comeu, por uma infeliz troca de encomendas, mais tarde remediada porém desfalcada de 8 dos precisosos bichos… É o episódio onde Larry é acusado de violência doméstica e de misoginia pelo uso da palavra “cunt” numa mesa de póquer. Alguém sai do armário…

Epílogo
A hora do silêncio é agora ocupada por Larry David
Para os 7 (e estou a ser generoso) que me lêem com atenção, as minhas desculpas. Queixem-se à HBO e especialmente à RTP2, cada vez melhor na sua criteriosa programação.

Rebuçado

quinta-feira, 1 de março de 2007

Who is...

Benjamin Black?
(pergunta preambular baseada numa outra, bem célebre, formulada por Chuck Palahniuk retratando a esquizofrenia dos nossos dias, ou um caso extremo de doppelgänger, ou a Némesis em potência que é a nossa própria identidade – e lá regresso eu à aporia, tendo Sartre como epicentro deste abalo mental, neste caso contrariando-o depois de o haver aceitado: e se o inferno somos mesmo nós?

Benjamin Black é irlandês e estreou-se em Outubro de 2006 na ficção policial, ou no thriller – há lá palavra melhor!?
Auster, que é Benjamin de middle name, acaba de escrever sobre Blank, porém há um Benjamin, que já foi vencedor do Booker Prize – logo não é Paul, porque este é americano – e que publica com apelido Black.

Lá está o bater das asas da borboleta em Tóquio…

«It was not the dead that seemed to Quirke uncanny but the living. When he walked into the morgue long after midnight and saw Malachy Griffin there he felt a shiver along his spine that was to prove prophetic, a tremor of troubles to come. Mal was in Quirke’s office, sitting at the desk. Quirke stopped in the unlit body room, among the shrouded forms on their trolleys, and watched him through the open doorway. He was seated with his back to the door, leaning forward intently in his steel-framed spectacles, the desk lamp lighting the left side of his face and making an angry pink glow through the shell of his ear. He had a file open on the desk before him and was writing in it with peculiar awkwardness. This would have struck Quirke as stranger than it did if he had not been drunk. The scene sparked a memory in him from their school days together, startlingly clear, of Mal, intent like this, sitting at a desk among fifty other earnest students in a big hushed hall, as he laboriously composed an examination essay, with a beam of sunlight falling slantways on him from a window somewhere high above. A quarter of a century later he still had that smooth seal’s head of oiled black hair, scrupulously combed and parted.» (excerto do 1.º capítulo do livro Christine Falls, de Benjamin Black. Edição americana: Henry Holt & Co.)

Anda por aí uma fotografia de parelha e há uma pista nos marcadores.