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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nostalgia por esses anos sombrios

Hoje de manhã, ao ligar-me à Fnac espanhola, reencontrei um dos fantasmas do meu passado, Kristin Hersh. Em 1994, entre os meus 21/22 anos de (in)experiência empilhada por uma vida burguesa, de diletante – em busca de sombras para tornar expressiva uma vida anódina – a Rat Girl, que, uma década antes, noutra dimensão e suportando um fardo de um peso inaudito, vivenciou esse mesma deriva crepuscular, edita o seu primeiro e sublime álbum a solo, Hips and Makers.
Encontrávamo-nos naquele quarto atulhado com as superfluidades das nossas vidas – quando a dor, de que nos arrogávamos ser os sumos-sacerdotes curtisianos, ainda nos assombrava como uma nuvem pulviscular (vale-me o Mestre Calvino, o Italo) que só se dissipou na Primavera desse mesmo ano pela crueldade da tirania divina que fez de mim o agnóstico que vinte anos não mudaram – ligávamo-nos à eterna XFM, para desgosto dos ouvidos incuravelmente musicófobos da nossa mãe, e escutávamos, sem parar, as músicas que saltavam do disco, repetido pela novidade, da melhor estação de rádio de sempre: “Teeth” e “A Loon”, mas também “The Cuckoo”, e principalmente “Your Ghost” – nem de propósito, no início deste mês cujo fim marca uma década da Tua Ausência:

I think last night
you were driving circles around me.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vera Lynn

«Does anybody here remember Vera Lynn?
Remember how she said that
We would meet again
Some sunny day?
Vera! Vera!
What has become of you?
Does anybody else here
Feel the way I do?»
Pink Floyd, “Vera”, do álbum The Wall (1979)
Estes são os inesquecíveis oito versos de Roger Waters incluídos num dos inúmeros momentos altos do álbum The Wall (1979) dos Pink Floyd e do filme epónimo de Alan Parker, que precede o famosíssimo grito antiguerra “Bring the Boys Back Home” (don’t leave the children on their own, no, no) numa retumbante e antinómica marcha marcial. Waters perdeu o pai na II Guerra Mundial, tal como Pink – interpretado por Bob Geldof – o protagonista do filme de Parker de 1982.
O terceiro verso menciona a famosa canção de 1939 “We'll Meet Again” imortalizada por Vera Lynn. Estávamos no dealbar da II Grande Guerra, e a canção de Lynn serviu, durante seis anos de horror e morticínio, como um hino de campanha para as forças armadas britânicas além-mar.

Eis Vera Lynn (hoje, com 92 anos) com “We'll Meet Again”, de regresso aos tops musicais pela efeméride que marcou os 70 anos da invasão da Polónia por Hitler (1 de Setembro de 1939):




PS – recordação pinkfloydiana – com apenas 11 anos já dispunha toda a sua discografia em vinil – induzida por este excelente texto do Pedro Correia no Delito de Opinião.