- Ópera: Andrea Chénier (1896)
- Compositor: Umberto Giordano (1867-1948)
- Soprano: Maria Callas (1923-1977), como Maddalena di Coigny
- Ária “La Mamma Morta”, 3.º Acto
- Gravação: Ao vivo, Scala de Milão, 1955 (EMI Classics)
- Maestro: Antonino Votto (1896-1985)
- Orquestra: Scala de Milão
«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Cinefilia
sábado, 3 de janeiro de 2009
Se me perguntam…
Porquê o Cashback? Ou, seguindo o título que o IGAC escolheu, porquê o Bem-vindo ao Turno da Noite?
Colocaste-o em 10.º lugar…
Talvez responda, a abertura. Sim o momento em que se dá o contacto com a obra e que depende em muito da disposição emocional nesse marco temporal. O toque melodramático, potencialmente kitsch – dir-me-ão –, preservado indelevelmente pelo som que se solta, uma das melhores árias de ópera de todos os tempos, geradas pelo efémero e admirável compositor, que repousa ao lado de muitos outros que enobreceram a arte, em Père Lachaise, Paris: Vincenzo Bellini (1801-1835) – a ária é “Casta Diva” da ópera Norma, imortalizada por Maria Callas (1923-1977), neste caso interpretada pela soprano escocesa Jeni Bern, conduzida pelo jovem maestro e compositor inglês Guy Farley, com a Orquestra Metropolitana de Londres.
Não sei se conseguem ler as legendas em árabe, (e apenas me interrogo dadas as piedade e simpatia arrebatadas pelas suas gentes, religião e cultura que grassam pela blogosfera lusa esquerdófila e amnésica, e também pela saudosista e neonazi – como sempre, a ciência, os pólos opostos atraem-se –, contra esses celerados capitalistas/sionistas), mas pedindo perdão pela eventual contundência do aparte, eis esta deliciosa abertura:
«São necessários aproximadamente 227 kg para esmagar um crânio humano. Mas a emoção humana é uma coisa bem mais delicada.
Olhem para a Suzy, a minha primeira namorada a sério. A minha primeira separação a sério, a acontecer mesmo à minha frente. Nunca pensei que iria assemelhar-se a um acidente de carro. Travei a fundo, e estou a deslizar em direcção a um impacto emocional.
Então, será isto tudo culpa minha? Eu. Ben Willis.
É engraçado o que nos passa pela cabeça numa altura como esta. Os dois anos e meio que passámos juntos. As promessas que fizemos. As férias que passámos com os pais dela. O candeeiro que ambos comprámos no Ikea.
Era o meu último ano na Escola de Artes. E nas semanas que se seguiram à separação, tentei entender o que poderia ter corrido mal. Porque é que acabámos? É engraçado, mas quando recuo no tempo o motivo parece-me tão insignificante. Num dia ela está comigo e a dizer “eu amo-te”, e na semana seguinte ela está com outra pessoa... Provavelmente, a dizer-lhe a mesma coisa.
Será que, na realidade, ela me amou? Afinal, o que é o amor? E será assim tão passageiro?
[…] [a terminar o excerto arabizado, um diálogo banal, que se desbanaliza com as imagens]
Sean: Tens de arranjar uma rapariga bonita; uma modelo ou assim.
Bem: Porquê?
Sean: Bem, porque se tiveres uma rapariga bonita atrelada a ti, é porque a mereces. As mulheres estão sempre em competição umas com as outras. A Suzy vê-te com uma tipa sexy, então ela irá pensar “Se eu conseguir arrancar o Ben àquela rapariga bonita, então eu tenho de ser mais bonita que ela.”O sucesso do Sean com mulheres era bastante impressionante.
Sean: É verdade. Pergunta à tua mãe.»Diálogo extraído do filme britânico, exibido em 2008 nas salas de cinema portuguesas, Bem-vindo ao Turno da Noite (Cashback, 2006), argumento e realização de Sean Ellis [tradução: AMC, 2009]
«O tempo voa, mas a boa notícia é que tu és o piloto.»
sábado, 1 de março de 2008
M. Butterfly
(acompanhar com o texto, de preferência)
«Vós conheceis-me, não é verdade? Porquê? Porque sou uma celebridade. Faço rir as pessoas. Fiz rir toda a França. Mas se realmente o pudésseis entender… jamais vos haveríeis de rir. Bem pelo contrário. Homens como vós deveriam bater-me à porta suplicando-me que lhes contasse os meus segredos. Porque eu, René Gallimard, conheci e fui amado pela mulher perfeita.
Existe uma visão do Oriente que eu partilho: mulheres esguias, em qipaos e kimonos, que morrem pelo seu amor a indignos demónios estrangeiros. Elas nascem e são criadas para se tornarem mulheres perfeitas, aceitando qualquer tipo de castigo que lhes inflijamos e devolvem-no-lo fortalecido pelo amor. Incondicional. Esta visão converteu-se na minha vida.
O meu erro foi simples e absoluto. O homem que eu amei não era digno; não merecia sequer uma segunda oportunidade. Mas em troca eu dei-lhe o meu amor. Todo o meu amor.
O amor de que vos falo embotou os meus olhos. Por isso, agora, enquanto me olho ao espelho, não vejo mais que…
Eu tenho uma visão do Oriente. Nelas o mais profundo desejo morre, em silêncio. Mas continuam a ser mulheres. Mulheres dispostas a sacrificarem-se pelo amor de um homem. Mesmo por aquele cujo amor não merece respeito, é indigno. A morte com honra é preferível a uma vida com desonra.Assim… finalmente, aqui na prisão, longe da China, encontrei-a.O meu nome é René Gallimard…. Também conhecido por Madame Butterfly.»
David Cronenberg’s M. Butterfly (1993), com Jeremy Irons, baseado na peça homónima de David Henry Hwang [tradução livre/versão de AMC, 2008, a partir da audição do monólogo]
Uma das cenas que marcará toda a História do cinema, e que já imortalizou o Mestre David Cronenberg (apesar de alguns recentes ostracismos inter pares).
Dá-me para isto, quando a melancolia aperta... as minhas desculpas.