Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Santana Lopes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Santana Lopes. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de março de 2010

Driving Mr. Penn

Se os tempos não tivessem mudado e no caso de coarctada a exposição mediática (para o bem e para o mal) de determinadas atrocidades perpetradas pela sordícia do autoritarismo legítima ou ilegitimamente referendado – exposição agora inexorável, facilitada pelo crescimento exponencial dos meios de difusão de informação não manipulada –, o actor norte-americano Sean Penn porventura – e trata-se de mera especulação, embora fundamentada pelos flagícios sociopolíticos do século XX – teria dado um outro final à sua frase, proferida – é bom notar – num ambiente irrestrito de liberdade de expressão, «Devia haver um tribunal que mandasse» fuzilar* «as pessoas […] por este tipo de mentiras», e aquele tipo consiste em alcunhar reiteradamente de «ditador» o déspota venezuelano Hugo Chávez, um «líder eleito» como afirmou Penn, servido-se de forma abusiva da proposição para servir de alavanca enfática à sua irritação impositiva. Mas, Hitler também foi eleito e aclamado pelo povo – o que, por curiosidade, até desfaz a retórica falaciosa professada num dos exaltados filmes messiânicos em que Penn foi figura de cartaz (e que lhe permitiu arrecadar meia dúzia dos mais importantes prémios do mundo do cinema e mais um punhado de dólares): E se Klara Hitler tivesse abortado durante a gravidez de Adolf?
É o mundo em mudança. Santana manda expulsar quem critique a direcção do partido. Penn mandaria prender quem apodasse Chávez de ditador. Não vale. Duas estrelas que se movimentam no caldo protector da democracia para poderem proferir este tipo de inanidades. Enviemo-los para a Venezuela, transformemo-los em venezuelanos retirando-lhes as actuais cidadanias. Nada melhor que vestir a pele daqueles que clamam e se expõem ao martírio pelo simples cheiro da liberdade.
Se ao primeiro lhe permito o dislate, porque não existe, de forma sentida, qualquer apelo a um resquício de indulgência, o sujeito é-me soberanamente indiferente, e tão-pouco afecta a minha vida; ao segundo, que me diz muito, até o perdoo porque me deu o inesquecível Lado Selvagem (Into the Wild, 2007), e protagonizou autoritariamente Mystic River ou Milk.
Nota: *verbo caro ao grande amigo do camarada Soderbergh.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Uma história de violência… perdão, de 65 milhões

[via Reflexão Portista; perfilados na imagem, com os cargos que ocupavam na altura, (04/Março/2002, na campanha eleitoral do PSD para as Legislativas de 17 de Março, no denominado “jantar-comício do desporto”) da esquerda para a direita, temos: Fernando Seara (presidente da Câmara de Sintra); Luís Filipe Vieira (director de futebol do Benfica e grande higienista paliteiro pós-repasto – uma adivinha: em que comício se apresentou o homem do palito nas Autárquicas de Outubro de 2009? E contra quem?) Pedro Santana Lopes (presidente da Câmara de Lisboa); António Rola (ex-árbitro, funcionário do Benfica, de pé); e Manuel Vilarinho (presidente do Benfica, que no calor da festividade se estatelou ao comprido ao tentar chutar uma bola – homem que nos habitou mal (porque agora resta o vazio) a uma regularidade de momentos de diversão, por exemplo, sete anos volvidos foi protagonista desta excelente intervenção em directo para a RTP, e ainda eram 9 da manhã…)]
Recomendação: Antes da leitura da notícia completa do JN, convém dar um pequeno destaque sobre um novo conceito, a “im(p)unidade vermelho-desportiva” (de facto, como diz o pobre cântico, ninguém os pára):

«A outra parcela dos 18 milhões resulta do compromisso da Câmara de pagar, através da EPUL, os ramais de ligações às infra-estruturas de subsolo para o estádio. Isto valeu ao Benfica oito milhões de euros, sendo que 80% das facturas que cobrou à EPUL respeitavam a serviços de consultoria: só 20% tinham a ver com os ramais. De resto, parte das facturas tinha data anterior ao contrato-programa (…)
Nenhuma irregularidade detectada nas facturas do Benfica foi valorizada, para efeitos de responsabilização criminal dos dirigentes do clube.»
in Jornal de Notícias, 28/Janeiro/2009.