sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

O embuste

Brokeback MountainTantos encómios, louvores, prémios e galardões, e só me resta uma palavra para classificar o último filme do taiwanês Ang Lee chamado “O Segredo de Brokeback Mountain”: medíocre.
A novidade – e não originalidade, porque considero que este termo só deverá ser aposto a uma obra digna desse epíteto – da relação homossexual entre dois sheepboys por si só não justifica os metros de celulóide despendidos.
Se no papel Jack fosse Jacqueline Twist, desempenhado por exemplo por uma quase sempre andrógina Hillary Swank, ouviríamos a crítica a torpedear o filme de Ang Lee como “mais uma comédia romântica, descartável, para o entretenimento das massas” ou “é apenas um mero produto da catarse de um povo que vive oprimido pelas agruras quotidianas das suas vidas de classe média” ou até por uma proposição redutora de “parolo e sensaborão”, e por aí em diante.
Já sei o que estarão a pensar, este exercício é puramente demagógico e falacioso, uma vez que é precisamente na relação homossexual entre dois canastrões de chapéu de cowboy que se encontra o âmago do filme. Logo, retirar isso seria a mesma coisa que colocar Hannibal Lecter como um vegetariano empedernido.
Admito que sim. Porém, irei apenas focar dois pontos que não poderão ser considerados como simples pormenores:

  • Péssimo elenco – isto se exceptuarmos o experiente Randy Quaid, embora pouco relevo tenha no filme. O australiano Heath Ledger – Ennis del Mar – é um actor sofrível, sem profundidade, sem eloquência, sem o necessário carisma ou até charme para representar um grande papel – vamos a ver se tudo isto será confirmado no seu antagónico papel de Casanova, de Lasse Hallström. Jake Gyllenhaal – Jack Twist – promete, mas não passou da simples mediania nesta película cujo argumento, em abono da verdade, também não ajudava. Considero-o um actor em potência – e note-se que tem apenas 25 anos, traduzindo-se pela a adolescência de um actor na máquina dos sonhos da Academia de Hollywood, de notar que o Óscar para melhor actor raramente desce os 30 anos; estou expectante pela sua performance no próximo filme do mestre Fincher – “Zodiac” – ao lado de Gary Oldman e Robert Downey, Jr.
  • Um argumento paupérrimo, sem chama, sem genialidade ou momentos de brilhantismo. Larry McMurtry – que já arrecadou um Pulitzer – é o homem que adaptou a história escrita para a revista New Yorker pela também Pulitzerada E. Annie Proulx. McMurtry é também conhecido nas lides artísticas pela autoria do romance “Laços de Ternura”, no qual se baseou o filme com o argumento adaptado pelo, esse sim, genial James L. Brooks, e que pôs meio mundo de lágrimas nos olhos. Contudo, mais do que os adjectivos, convém atentar no primeiro diálogo do filme – imenso em silêncios que nada conseguem traduzir – entre os dois amásios protagonistas:
    «Jack: Jack Twist.
    Ennis: Ennis.
    Jack: Your folks just stop at Ennis?
    Ennis: Del Mar.
    Jack: Nice to know you, Ennis del Mar.»

Se há coisa que me irrita é esta falsa piedade pelas vítimas dos pretensos homofóbicos. Prefiro mil vezes ver a série de televisão britânica “Queer as Folk”, criada por Russell T. Davies, transmitida até há bem pouco tempo pela 2:! Aí, pelo menos, não há subentendidos e pretensas lições de moral, mostra-se a homofobia como ela é na actualidade.

Na madrugada de 5 para 6 de Março, sentar-me-ei no meu sofá e adoptarei uma pressuposta postura de “anti-Brokeback-Mountain”.

[Adenda] - Seria deveras injusto não referir aqui o final do filme, não por uma questão de simples alívio, mas pela excelente canção interpretada por Willie Nelson, e escrita por Bob Dylan, “He was a Friend of Mine”.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A não perder…

…as confissões de um Maradona sportinguista no seu melhor!

[Via este texto de FJV no seu blogue A Origem das Espécies]

Em releitura...

Truman Capote «A sangue frio»...“A sangue frio” de Truman Capote, desta feita editado pela Dom Quixote neste mês de Fevereiro.
A seguir, quando houver tempo e uma avó paciente para cuidar da minha filha pela noite dentro, irei ver o filme de Bennett Miller, baseado no livro de Gerald Clarke “Capote: a biography”, e acima da tudo, ao que parece, conta com a soberba interpretação de Phillip Seymour Hoffman.

Nuclear sim, obrigado!

Hoje na FIL decorre a conferência “Energia Nuclear: o debate necessário”, promovida pela Ordem dos Engenheiros (ver aqui mais desenvolvimentos).
Recordo-me da discussão que este tema gerou há uns anos, numa altura que Chernobyl pairava como um sinal de aviso aos países que recorriam a este tipo de energia. Lembro-me, também – apesar da minha púbere idade na altura –, que era manifestamente contra a instalação de uma Central desse tipo em território português, alinhando a minha opinião pela dos ecologistas e do activíssimo PPM – não tanto pela Lena D’Água e a salgalhada de frutas que poluíam os nossos preciosos ouvidos.
Hoje, porém, a energia nuclear revela-se como um excelente sucedâneo à energia produzida pelos combustíveis fósseis por diversas razões.
Em primeiro lugar, a energia produzida pelos derivados de petróleo é extremamente poluente e tende a destruir, de forma irremediável, o equilíbrio do nosso ecossistema, produzindo-se, com maior frequência, fenómenos naturais catastróficos e paradoxais: secas, cheias, tempestades, ciclones, furacões, etc.
Em segundo lugar, a dependência energética das economias ocidentais face ao petróleo é por demais assustadora. Não nos esqueçamos que os grandes produtores de petróleo são países cuja instabilidade política e/ou o fundamentalismo religioso impera. De um lado temos os países árabes que, frequentemente, utilizam o petróleo como instrumento de chantagem para fazer valer a cumplicidade ocidental sobre regimes totalitários e teocráticos – veja-se o caso da Arábia Saudita, para já nem falar dos restantes, esses sim verdadeiramente hostis. Por outro, temos países grandes produtores que usam da sua influência política não só para fazer aumentar o preço do ouro negro, como também para afrontar as democracias ocidentais mediante a recordação de velhos medos que marcaram a sangue o nosso mundo e abriram feridas que levarão séculos a cicatrizar; neste caso incluo, como parece óbvio, a Venezuela – 4.º produtor mundial de petróleo – que o utiliza como uma arma de arremesso àquilo que um tirano com Hugo Chávez denomina por capitalismo selvagem – que é, de certa forma, o nosso estilo de vida, para o bem e para o mal.
Finalmente, um último motivo. O avanço tecnológico permitiu conferir um elevado nível de segurança às outrora denominadas por máquinas de destruição simbolizadas nas centrais nucleares. Está provado que de facto são seguras, dispondo de mecanismos de segurança eficazes, se verdadeiramente monitorizadas e cumpridos os manuais de procedimentos mínimos. Por exemplo, considero mais perigoso residir nas cercanias de uma refinaria de petróleo, contaminadas pelos gases que, fatalmente, se libertam do processo de refinamento, assim como, da autêntica bomba relógio que passa sobre as nossas casas na forma de oleodutos ou gasodutos. Dou como flagrante exemplo a refinaria da Petrogal situada em Leça da Palmeira, que convive, a paredes-meias, com condomínios de luxo para habitação, construídos com o beneplácito das autoridades – quer centrais, quer locais –, devido à forte pressão exercida pelos agentes ligados à construção imobiliária.
Apesar de tudo o que aqui foi referido, há, no entanto, algo que me preocupa e que ainda não vislumbrei uma explicação, ou até uma solução, cabal e inequívoca: o que fazer aos resíduos produzidos pelas centrais nucleares?
Portugal é o país da União Europeia mais dependente do petróleo, logo o maior refém de um directório, que se designa por OPEP, que funciona como um verdadeiro cartel, legalmente constituído e aceite, influenciando as economias dos países desenvolvidos que, inelutavelmente, pertencem ao nosso mundo.
As grandes barragens e as mini-hídricas não são suficientes e têm efeitos colaterais igualmente nefastos, como por exemplo o desassoreamento e a consequente degradação da costa marítima. Porém, há alternativas, sou inteiramente a favor da proliferação das energias renováveis, designadamente da eólica, da solar e da subaproveitada energia das marés – facto agravado por se tratar de um país com 800 km de costa –, todavia creio que Portugal não pode esperar mais e tem que se desenredar dessa camisa de forças que se chama petróleo, sob pena de um colapso político, económico, financeiro, social e tecnológico do qual jamais se erguerá.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Pequenos apontamentos futeboleiros

O Benfica disputa os oitavos de final da Liga dos Campeões. Claro que já se esperava uma euforia histérica dos jornalistas desportivos alegadamente isentos.
Na SIC-N um jornalista – do qual não sei o nome – apresentava, no exterior do Estádio da Luz, a chegada dos adeptos do Liverpool. Enquanto discorria sobre as vicissitudes do jogo que se iria desenrolar daí a uma hora, entusiasmou-se e chegou a dizer numa incontida paixão:
«Liverpool, sem dúvida, é a melhor equipa em competição…»

O jogo já se desenrolava e caminhava inexoravelmente para o final da 1.ª parte. Os comentadores de serviço da RTP, entre os quais se inclui o erudito Gabriel Alves, não cabiam em si de contentamento e excitavam-se sempre que a bola ultrapassava o meio campo em direcção à baliza do Liverpool. Para além disso, a pérola futeboleira estava prestes a chegar. Quando o árbitro austríaco deu 3 minutos de compensação, Gabriel Alves na sua compulsão comentadeira disse:
«O árbitro ajuizou bem! Os 3 minutos justificam-se, foi muito bem minutado»
De repente, dei por mim a corar, pensando ter ouvido outra coisa!
Enfim, são estes os habituais quase-cunnilingus do inefável e imparcial Gabriel!

É preciso ter calma…

Rui Rio…e não dar o Rio como culpado!
Para além do princípio da presunção da inocência, Rui Rio sempre pode ter sido intimado para responder pelo eventual cometimento de um crime de injúria, de calúnia ou de difamação, o que não me admiraria nada dada a sua incrustada característica de incontinência verbal.
Logo, neste caso, o Rio poderá parir um rato!

A ver vamos!

Novo blogue

Carlos Narciso «Escrita em DiaUma vez mais corro o risco de anunciar como novidade o que toda a gente já sabe:
Carlos Narciso está na blogosfera, pelo menos desde Dezembro, e o seu blogue denomina-se por Escrita em Dia.

Para ir acompanhando!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Estado Civil: Desavindo


A informática tem destas coisas!
Agora mesmo, quando navegava na minha blogosfera de referência dei com um
Estado Civil, de Pedro Mexia, profundamente divorciado dos sinais diacríticos da nossa língua: tis, cedilhas e acentos.
Alguém, por esse mundo fora, anda a boicotar o idioma de Camões. O mais curioso é que se for uma prática terrorista, certamente não será provinda do Islão, dada a posição do nosso mais recente Ayatollah, Freitas do Amaral!
Certo dia, alguém me afirmou que o som produzido pelo nosso idioma – português de Portugal – se assemelhava em muito ao russo, dada a excessiva quantidade de vogais mudas. Eu não só não refutei essa asserção, como a confirmei relatando a tendência natural do português bem-falante para fechar as vogais.
Vejamos alguns casos:
  • A palavra “mestrado” deveria ter um “e” aberto, mas normalmente pronunciamo-la com “e” fechado;
  • A terrível regra de eliminar o som de um “i” quando a palavra é composta por duas sílabas consecutivas que incluem essa vogal: ministro deve-se pronunciar “menistro”, difícil deve-se pronunciar “defícil”;
  • As palavras alcoolemia e hipoglicemia não são acentuadas na antepenúltima sílaba, porque a sílaba tónica é a penúltima – palavra grave e não esdrúxula – o que convenhamos ajuda a enrolar mais a nossa língua;
  • O plural da palavra líder, escreve-se “líderes”, passa de grave a esdrúxula, todavia o “e” da penúltima sílaba deve-se pronunciar fechado – eu pronuncio-o aberto, o que leva muita gente a crer que alterei a acentuação, coisa que não acontece de forma alguma.

Quando há algum tempo atrás iniciei a minha aventura espanhola, tive o cuidado de frequentar um curso intensivo de 20 horas da língua de Cervantes apenas devido ao vocabulário – já que todos os portugueses julgam saber falar castelhano, bastando para isso meter uns “i’s”, uns “u’s” ou uns “e’s” nalgumas palavras portuguesas, saindo autênticas obras-primas de fusão linguística como “españiol” (para español) ou “huera” (para hora). Nesse curso, e confesso a minha pretérita ignorância, aprendi que todas as letras do alfabeto espanhol se lêem sempre da mesma forma, sem excepção, onde todas as vogais se lêem abertas; o que torna a língua muito fácil e acessível, justificando, de algum modo, a sua rápida propagação como alternativa ao inglês universal.
Muito a propósito, deixo aqui um episódio verídico, ocorrido no norte de Espanha protagonizado por um hóspede português num hotel espanhol situado em pleno campo:
«O turista português, a meio da noite, verificou que a sua dificuldade em dormir se devia ao raio da torneira do lavatório no quarto de banho que não parava de pingar. O turista, furibundo, liga para a recepção para que o problema fosse resolvido, e diz, no seu melhor espanhol:
Por favor, tengo un problema en mi… ¡Hay una ternera que pinga! – diz resolutamente
Diz quem assistiu que, em plena madrugada, alguns funcionários do hotel andaram num perfeito alvoroço à procura de um “vitelo pingante” que, alegadamente, vagabundeava pelos quartos do hotel. Só acalmaram quando entenderam que o que pingava era um “grifo” e não uma “ternera”.

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Lévy treplica

Bernard-Henry LévyPelas bandas do New York Times continua animada a discussão sobre o livro de Bernard-Henri Lévy “American Vertigo: Traveling America in the Footsteps of Tocqueville”. Ver em primeiro lugar a crítica de Garrison Keillor, depois a de William Grimes e a seguir carta de hoje do inefável e sobranceiro escritor ao NYT.
É uma novela para continuar a acompanhar, sem que ainda se vislumbre a possibilidade de uma definição correcta do número de episódios e muito menos o modo de conclusão da trama: final feliz, tragédia, comédia ou então uma profunda abstracção, com resquícios metafísicos, que concederá ao leitor a liberdade de escolha para a concepção do desejado epílogo.
Porém, ao ler a
carta de Lévy, verifiquei que existiam outras cartas à redacção que dissertavam sobre esta polémica, entre as quais houve uma que, desde logo, me saltou à vista, dada a minha condição de fundamentalista pelo meu eterno Ol’ Blue Eyes, The Voice, ou The Chairman of the Board: FRANK SINATRA.
A
carta, de poucas linhas, é de Kitty Kelley, a famosa jornalista que nos anos 80 escreveu uma biografia não autorizada sobre o REI, publicada em Portugal pela Dom Quixote, em Dezembro de 1987, sob o nome de “His Way: a biografia não autorizada de Frank Sinatra”.
Sinatra recorreu aos tribunais para impedir a publicação desta biografia, mas mais tarde retirou-a, tendo percebido que o seu acto contribuiu fatalmente para tornar o livro um estrondoso bestseller.
Insondáveis são os caminhos do Senhor, no caso que abriu este texto, a guerra sem quartel lançada pelos críticos do
NYT a Lévy, gerou uma corrida furiosa à compra do livro.

Enfim, cenas do admirável mundo actual! É simplesmente o mercado a corresponder quando a estratégia de marketing funciona!

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Amanhã acordarei assim…

D. Afonso Henriques

…Conquistador! Com esta magnífica imagem na cabeça.

De resto, amanhã, só espero não ter que me deitar assim…


Alberto João «o Maritimista»

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Crónicas do País da Impunidade #2

Desta feita nem preciso de discorrer sobre o assunto, já tudo foi dito e bem dito.
Resta-me deixar aqui as ligações para O Acidental e os textos bem reveladores dos apregoados “brandos costumes” e “revolução sem sangue”:

  1. Carta de leitor (de 17 de Fevereiro).

Sem mais comentários!

S. Tomé revisitado

Segundo o Independente de hoje:

CID e o Holocausto
Será verdade? Teremos mais um revisionista entre nós? Ou será apenas o corolário – ou o embrião – do campeonato Euro-Árabe de futebol ambicionado pelo incauto MNE português? Ver para crer!

Freitas emite um comunicado sebento, depois sugere, no seu sensual tom magnânimo, um campeonato de futebol entre árabes e europeus, finalmente é louvado pela Embaixada do Irão em Lisboa… Corolário: Cid retribui com a sua arte!

Poder

Pequeno intróito
Tenho andado bastante ocupado com labores e cogitações que não me dão espaço para escrever… aqui, neste espaço plural a que se convencionou chamar de blogosfera. No entanto, não tenho razões que me façam admirar, a agitação faz parte do meu dia e muitas vezes suplico em vão para que este não se confine às 24 horas de 60 minutos. Preciso de mais tempo!

Introdução
O relógio do meu carro marcava 19 horas, ligo o rádio em 105.3 MHz e ouço a notícia introdutória do pequeno bloco que se segue: o director do jornal 24 Horas e dois jornalistas foram vítimas de buscas domiciliárias e de buscas no local de trabalho, tendo sido apreendidos os computadores e vários documentos.

(Con)Sequência e meditação
Em Portugal o jornalismo de investigação é praticamente inexistente. É caro, dizem uns. Não vende, dizem outros. Avilta os poderosos, digo eu e alguns milhares que não querem ou não podem falar.
Para ser claro atrevo-me a asseverar que, diariamente, há uma chusma de simples portugueses que enfrenta a arbitrariedade, a insídia e a perversidade dos seus pares, vivendo num angustiado silêncio com medo de perder a família, os amigos, o posto de trabalho, o património, a honradez, a felicidade, a saúde, o bom nome e até a sua vida ou a daqueles que lhe são próximos. O dano é irreparável e irrevogável. O mal foi feito e com esse mal terá que viver, quando muito poderá exigir a compensação das horas, dos dias, dos anos perdidos pelo anátema da perfídia.
O qualificativo de uma relação de poder é a hierarquização ou, mais corriqueiramente, a autoridade. Há o mandante e o mandado. O dirigente e o dirigido. O que pode e o que obedece. Porém, há direitos que não se confinam aos primeiros e obrigações que não se esgotam nos últimos; e, se assim fosse, viveríamos numa sociedade eminentemente perfeita, porque a liberdade tem o poder de me conferir o direito de ser livre, contudo – e este é o fruto do problema – atribui-nos a obrigação de deixar que os outros sejam livres.
Em teoria, o paroxismo da liberdade reflectir-se-ia na figura de um asceta, desprovido de relações humanas e em pleno e melífluo convívio com a natureza. No entanto, a própria mente é um mecanismo perverso porque nos impõe limites que se poderão traduzir por uma só palavra: Moral.
Em todas as profissões há normas de conduta e princípios deontológicos, mesmo que não exista um articulado plasmado num chorrilho de artigos profundamente abstractos, que pintam de preto as folhas brancas da pasta extraída das árvores que verdejam o nosso planeta. Essas normas explícitas ou implícitas, exteriorizadas sobre a forma de normas ou interiorizadas como correcção de conduta, terão que ser flexíveis e susceptíveis de interpretação. Não são becos, são vielas que desembocam em ruas e ruas que desaguam em avenidas suficientemente amplas, que nos permitam respirar e viver num todo harmonioso sem dor, sem ressentimentos, sem… INJUSTIÇA.

Conclusão
Os meios de comunicação social são, na maioria das vezes, o instrumento que nos permite gritar ao mundo a injustiça que sobre nós se abateu e para que o mundo a conheça, a sinta, a corporize através da sua divulgação para nos soltar do torpor ou da tremenda indiferença do individualismo dos nossos dias, profundamente egoísta e desumano.
Alguns poderão afirmar que, para além dos jornalistas, há padres, psiquiatras, advogados, procuradores e juízes sobre os quais impende o dever de sigilo. Porém, o padre ouve-me em confidência, e cura-me com uma penitência e com o eventual perdão do Espírito Santo, não mata a minha sede de justiça no mundo, neste mundo onde eu vivo hic et nunc. O psiquiatra aumenta-me a dose de antidepressivos, de ansiolíticos e de antipsicóticos, e carrega, carrega enquanto o mal não for curado, e isso, todos sabemos, que nunca será extirpado, nós é que nos vamos transformando em inadaptados, em perfeitos seres alienados, desprovidos de dor e sentimento: já não sentimos, logo não pensamos nem agimos. Advogados, procuradores e juízes… [espaço propositadamente deixado em branco]

Epílogo
Tudo isto para apenas referir que concordo plenamente com aquilo que o Eduardo Pitta proferiu com este texto, tentando abanar esta comunidade que se indigna facilmente – e felizmente tem todo o direito a isso – mas que, incompreensivelmente, fecha os olhos, ou então, é indiferente para assuntos que nos deveriam preocupar a todos.
O que se passou ontem com os jornalistas do 24 Horas tratou-se de um acto puro e simples de atentado legal à liberdade.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Vampiros ressuscitados

BAUHAUS
É mesmo verdade, ELES voltaram!
O fabuloso quarteto liderado por “O Vampiro” Peter Murphy, Daniel Ash, David J. e Kevin Haskins assustará amanhã no Coliseu do Porto.
Uma vez mais não poderei estar presente, restando-me apenas a hipótese de mais uma reza a Vlad, para que os traga em breve.
Os Bauhaus são a eterna recordação melancólica do meu inexorável processo de envelhecimento. Recordo os meus gloriosos anos 80, quando ainda de púbere idade comecei a apreciar a voz cavernosa de Murphy, as batidas tonitruantes de Haskins, os perenes acordes sísmicos do baixo de David J. e o som inconfundível da guitarra de Ash.
Nasceram para o mundo em 1978 e na década de 80 espalharam o seu feitiço, povoando as mentes dos seus seguidores de uma lugubridade gótica sem par.
Apesar do seu desmembramento em 1983, a sua música subsistiu até aos dias hoje como ícone de uma época e de uma geração que, através da denominada música alternativa ou "som da frente", buscava a válvula de escape que lhes facilitasse a angustiante tarefa de espantar os espíritos de inadaptação que os assolavam.
Depois ficaram as experiências a solo de Peter Murphy que, depois do insucesso do projecto Dali’s Car, editou 7 álbuns de originais – dos quais destaco os magistrais e consecutivos “Love Hysteria”, “Deep”, “Holy Smoke” e “Cascade” – e de David J., e a admirável formação do trio Ash/Haskins/David J. denominado por Love & Rockets – quem não se lembra do “So Alive” e do impressionante instrumental denominado “Saudade”, criado pelo desvelado amor do trio à nossa ditosa e lusa pátria.
A par dos seus contemporâneos Joy Division – com o mestre Ian Curtis na liderança –, os Bauhaus continuam a possuir aquela força que me provocava um arrepio duradouro de delírio ao ouvir as suas obras de arte musicais.
Os que amanhã tiverem o privilégio de os poder degustar ao vivo, são aqueles que jamais os esquecerão.

PS 1 – a propósito Bela Lugosi estará morto?

PS 2 – durante umas semanas permanecerão neste blogue alguns trechos para escuta. Bom proveito!

PS 3 – aos utilizadores do Firefox não sei o que hei-de fazer para disponibilizar uma plataforma que lhes permita controlar a audição nos seus computadores! Aceitam-se sugestões.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Lágrimas escarninhas #3

Desta feita vai para o título deste texto do Miguel d’O Insurgente:

«Como pode o PR contribuir para a criação de emprego
Notícia na TVI: "Fabricante de medalhas teve de contratar mais pessoal"
».

PS – será que, de igual modo mas por vias diferentes, a Portucel – Inacópia ou Navigator? – aumentou o seu volume de negócios com os brilhantes e ponderados indultos presidenciais?

Pedras Rolantes

Rolling StonesIncisivo e certeiro são os atributos do pequeno remoque publicado pelo jornalista José Manuel Ribeiro do jornal O Jogo a propósito da vinda ao Estádio do Dragão dos sexagenários Rolling Stones:

«SEM PEDIR NADA
FC Porto dá música a Rui Rio

Os "Rolling Stones" no Dragão para descentralizar a música. Lá está o FC Porto a fazer outra vez o que Rui Rio não consegue, não quer ou não sabe como: pôr a cidade no mapa. Agora sem Mourinho.
»

Porém, em 9 de Outubro de 2005 os portuenses – tal como eu – puderam escolher livremente o Presidente da Câmara para o próximo quadriénio. Ganhou Rui Rio ajudado por Sócrates porque, em primeiro lugar, não soube ou não quis escolher alguém que sentisse a cidade como sua e que, em simultâneo, demonstrasse uma vontade inequívoca de relançar o nome – ou a já denominada marca “Porto” – nos contextos nacional e internacional; depois, em segundo lugar, as medidas de austeridade anunciadas conduziram a um voto de protesto por aqueles que, nos últimos anos, no panorama nacional, mais sofreram com o centralismo feroz e aniquilador da região de Lisboa e Vale do Tejo, transformando o Porto, outrora o centro das grandes empresas e o símbolo do apego pelo trabalho, numa cidade deprimida, descaracterizada e sombria, assolada por rendimentos per capita dignos de uma cidade de pequena dimensão e por taxas de desemprego, assustadoramente, acima da média nacional.
Resultado:
Viveremos mais quatro anos de retrocesso, governados por um Presidente de Câmara sem visão estratégica para a cidade, sem vistas largas, gerindo a outrora 2.ª cidade mais populosa do país como uma mera mercearia da esquina.

Este Rio tem vindo a transformar esta cidade num mísero ribeiro que, a continuar neste ritmo, passará, velozmente, a um pútrido charco e se transmutará num deserto onde não se vislumbrará vivalma ou nem sequer um pequeno oásis de esperança nos tempos mais próximos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Nobel sobre Nobel

Gabriel García MárquezCoetzee sobre García Márquez

No último número da The New York Review of Books (Volume 53, n.º 3, de 23 de Fevereiro de 2006) o sul-africano J. M. Coetzee – galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2003 – recenseia o último romance do colombiano Gabriel García Márquez – galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1982 – “Memoria de mis putas tristes” traduzido para português sob o nome “Memória das minhas putas tristes” e publicado em 2005 pela Dom Quixote.
O artigo de Coetzee intitulado por “
Bela Adormecida” [tradução livre] é um tratado sobre uma parte importante da obra de García Márquez e a recorrente fábula da redenção da alma através da evocação da Virgem, simbolizada numa relação perigosa entre velhos e espúrios príncipes e belas e virginais adolescentes que, com a sua inocência, os assolam como meros espectros simultaneamente lúbricos e fúnebres.

De indispensável leitura!

Um blogue para o Futuro

Porventura tenho andado distraído, já que no passado dia 16 de Janeiro se inaugurou mais um espaço para debate na blogosfera – e digo “para debate” porque os comentários dos textos publicados são exclusivos aos autores do blogue – e não só não vi alguma menção a este facto, como também só hoje o encontrei por mero acaso.
O nome do blogue é
OFUTUROPRESENTE, e torna-se notícia porque um dos seus autores é Jaime Nogueira Pinto.
Segundo o texto de inauguração do novo espaço, este será o «"diário de bordo" da nossa viagem editorial», uma vez que se trata do «
blog da revista "Futuro Presente"» com o subtítulo de “Revista de nova cultura”, fundada em 1980 por «António Pinheiro Torres, António Marques Bessa, Vítor Luís Rodrigues, Nuno Rogeiro e Jaime Nogueira Pinto, que tem sido sempre o seu Director.»
A referida revista é de publicação bimestral.

Para ir acompanhando!

A 8.ª potência

Revista: Dia DNa edição de hoje da revista Dia D – número 22 – do jornal Público, a economia espanhola está em destaque, tentando discutir-se se para Portugal é bom ou mau ter um vizinho que poderá, em breve, ser considerado como a oitava economia mundial, integrando, de pleno direito, o G8 que passaria, assim, a G9 – que na prática se revestiria na fórmula de G(8+1), já que a Rússia está representada na qualidade dela mesma, isto é, com a economia depauperada mas, não vá o diabo tecê-las, com uma imensa influência política.
Tal como
aqui foi dito – num segundo artigo a 5 de Janeiro –, esta notícia não me espanta. O que cada vez mais me espanta é o nosso provincianismo, difícil de expurgar, plasmado no célebre adágio que “De Espanha nem bom vento, nem bom casamento”.
Só quem por lá passou e viveu – como é o meu caso – consegue vislumbrar a dinâmica de um povo empenhado no verdadeiro fortalecimento e engrandecimento da sua economia, que, apesar de tudo, emana de um forte espírito nacional. Poder-se-á apontar a forte tensão territorial existente entre as autoridades de Madrid e determinadas regiões autónomas, como são os casos do País Basco e da Catalunha. Todavia, a autonomia dessas regiões é uma realidade e que funcionou como um verdadeiro catalisador para que se tenha logrado alcançar o desiderato de um desenvolvimento sustentado e harmonioso do país por inteiro.
Para que não restem dúvidas veja-se a infografia publicada hoje na
referida revista, na qual se poderá observar que apenas as regiões autónomas da Extremadura e da Andaluzia estão a par de Portugal – com a honrosa excepção de Lisboa e do Algarve – no nível de riqueza medido pelo rácio PIB per capita a preços correntes referente ao ano de 2002.



(clique aqui ou na imagem para aumentar)



Esta tendência tem vindo a observar-se há anos e parece-nos que, fatalmente – lá está o nosso fado! –, jamais se conseguirá inverter, ao contrário do forte crescimento da economia portuguesa ocorrido nas décadas de 80 e 90 do século passado.
Muitas razões poderão ser aventadas, porém há duas que aqui destaco: (1) a transição pacífica para a democracia após a morte de Franco e (2) a estabilidade governativa que a partir daí se verificou com apenas 4 Governos em 30 anos de democracia – tal como
aqui referi no primeiro artigo postado em 3 de Janeiro deste ano.

Portugal, Quo Vadis?

PS – convém não esquecer o forte desenvolvimento do sistema de ensino espanhol, destacando-se escolas como o
Instituto de Empresa (Madrid), a IESE (Universidade de Navarra, em Barcelona e também em Madrid) e a ESADE (Barcelona) que começaram a marcar presença em anos consecutivos no top 50 que classifica, mediante determinados critérios – que variam de publicação em publicação –, a excelência de escolas de negócios a nível mundial.

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Mega Kitsch!

Mega SoberbaPara ser sincero, já há muito tempo que não despendo os meus parcos recursos financeiros na compra da revista balsomónica Visão.
Como no nosso mundo, quer se queira ou não, o dinheiro é um recurso escasso, optei por ir lendo outros jornais e revistas que possuem uma qualidade superior para excitar as minhas ondas cerebrais, por recurso ao meu, felizmente, saudável nervo óptico.
Assim, para minha desgraça – fazendo fé neste
texto do BlogCafé – perdi mais uma Mega prosápia do António – da mesma magnitude que a soberba – Ferreira.
Então, segundo o
BlogCafé, AMF discorre na sua crónica – creio que quinzenal, alternando, ironicamente, com o Grande Mestre Lobo Antunes – sobre a sacrílega apropriação de Mozart pelas massas – que horror:

«De resto, a generalidade da imprensa dedicou generoso espaço ao Geburtstag do nosso compositor e todos, em uníssono, ameaçam fazer do “Ano Mozart” um cortejo infindável de edições, celebrações, eventos, citações e homenagens que correm o risco de provocar uma autêntica indigestão cultural. Numa palavra: Mozart pode transformar-se, também em Portugal, naquilo que já é em muitos países - um produto kitsh.»


Após a leitura destas doutas linhas de sapiente e legítima indignação, recordei-me de uma célebre frase de Banville – que ele reporta como um aforismo – no seu excepcional livro de 1997 “The Untouchable”, traduzido para a nossa língua por Helena e Artur Ramos sob o nome “O Intocável” e publicado em 1998 pela Dom Quixote:
«Aforismo: o Kitsch é para a Arte o que a Física é para a Matemática: a sua tecnologia.»
Já que actualmente muito se discute a “liberdade de expressão”, eu proponho que se extinga a livre escolha dos gostos artísticos, por exemplo punindo severa e exemplarmente os difusores da música de Mozart, ou então, que se parta para uma profunda reflexão, como Banville também refere no mesmo livro, sobre a «Teoria do Declínio da Arte Sob o Domínio dos Valores Burgueses».

Valha-nos… Mega!

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Um mundo de iniquidade

Ontem, foram anunciados os resultados do concurso anual de fotografia da World Press Photo.
O vencedor da melhor fotografia do ano de 2005 foi o fotógrafo canadiano Finbarr O'Reilly com esta fotografia:

© Finbarr O’Reilly, World Press Photo

© Finbarr O’Reilly, Reuteurs
(
clicar aqui ou na fotografia para a ver em tamanho superior)


A fotografia foi tirada no passado dia 1 de Agosto num centro de alimentação de emergência, situado em Tahoua, no Níger.
Uma pequena mão de uma criança parece querer refrear o ímpeto esfaimado da boca da sua mãe, que se lhe vislumbra naquele olhar profundo e rendido à dura batalha da subsistência diária.
Um enredado nó formou-se-me na garganta, apertando-a de tal forma que se me assolou um sentimento de incredulidade e, acima de tudo, a repugnante consciência da minha confortável e burguesa impotência.

Queria-te dar um grama de esperança por cada mililitro de lágrima derramada, mas não consigo libertar-me deste cómodo torpor… Não consigo!

Crónicas do País da Impunidade #1

Margarida MaranteMais uma secção deste blogue que hoje se inaugura.

Através deste
artigo do Manuel da Grande Loja do Queijo Limiano tomei conhecimento de uma verdadeira história rocambolesca que tem como protagonistas um tal indivíduo, pouco recomendável – fazendo fé nas notícias –, de nome Francisco Farinha Simões e a jornalista da TSF e ex-mulher de Emídio Rangel – amigo do primeiro – Margarida Marante.
Esta história de contornos fílmicos vem relatada num
artigo de ontem no jornal Correio da Manhã.

Como é que alguém que foi preso, e diga-se devido a um rol verdadeiramente assustador de crimes cometidos, e que, neste momento, se encontra em liberdade condicional – e destaque-se esta palavra, cujo significado vem em qualquer dicionário da língua portuguesa – goza desta perfeita liberdade de acção, roçando as raias da, tão portuguesa, impunidade?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

A Equipa Dourada

Quo Vadis Mantorras?Deixem jogar o Mantorras!

Segundo o jornal O Jogo:

«Facto insólito o que ocorreu hoje de manhã no Estádio Nacional, a anteceder o treino do Benfica. Ainda antes da habitual prelecção do técnico Ronald Koeman, Mantorras abandonou o relvado na companhia de Shéu para no exterior do estádio receber uma intimação policial, cujo conteúdo e ou implicações se desconhecem, por, ao que tudo indica, ser uma questão do foro pessoal.»

O que se passará por aqueles lados?

O canalha

O PalhaçoNuma rápida vistoria googliana não só descobri a fotografia daquele frustrado pseudocrítico de gastronomia que se dá pelo nome AA Gill – ver o que aqui foi dito –, como também encontrei um texto, datado de 20 de Outubro de 2005, postado por José Pimentel Teixeira no seu blogue Ma-Schamba que, em simultâneo, foi enviado para o Sunday Times as a reply.

De leitura obrigatória!

Nota: para esquadrinhar a cara do palhaço, clique na fotografia!

Liberdade de expressão!

GOD SHAVE THE QUEEN!Via RAF's Blue Lounge (com este texto), tomei o devido conhecimento da existência de um energúmeno que assina os seus textos dignos de um miserável e iletrado campónio sob o nome de A A Gill. Essa besta escreveu isto sobre o nosso país no Sunday Times, em Agosto do ano passado – cheira-me a déjà vue!
E, com toda a desfaçatez, diz que nunca visitou Portugal!
Merecer-me-á uma resposta adequada:
Iria, se não tivesse fechado no ano passado, ao Consulado Britânico, situado menezolândia, munido de umas garrafas de “Casal Garcia” – vazias de vinho e cheias de um rosé colheita de 98 octanas, claro! – e entretinha-me a queimar aquela bandeira cheia de cruzes e cores, a partir uns vidritos das janelas e, quiçá, a vandalizar o seu interior. Claro que, nesse caso, não poderia faltar uma pilhagemzita do seu espólio para encaixar na minha modesta casinha. Nem uma Bic escaparia à minha fúria!
Depois telefonava ao MNE Diogo para ele emitir um comunicado de desagravo. Regressaria a casa, com “A Bola” debaixo do sovaco e passaria horas a tentar encontrar o código subliminarmente oculto nos caracteres que compõem aquelas obras-primas da literatura profusamente herméticas.
Ah, não esquecendo o fato de treino verde alface, a coçadela horária na genitália e um mimito marialva à mulher antes de deitar.

A A Gill não perdes pela demora, ó pacóvio!

PS - Dá-te por contente pelo pacóvio, ó cabrão!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Tudo o que eu quis dizer sobre DFA…

...mas não tive a necessária paz de espírito e a imprescindível argúcia para escrever!
Por vezes assim acontece, o estado de profunda irritação não me permite discorrer sobre a desvelada mediocridade – e claro, não se confunda esse com o meu quase permanente estado de desassossego ou de sublevação interior perante a iniquidade e a insensatez dos estultos, já que essa condição de incontrolável ebulição permite-me afrontar com alguma agilidade, quer pela escrita, quer em viva voz, os putativos representantes da vontade alheia.
O artigo de hoje de Francisco José Viegas no Jornal de Notícias é pequeno mas mordaz, facilmente inteligível mas de uma acuidade extrema, conjugando o seu intrínseco dom da escrita com as habituais sensatez e correcção na corporalização dos seus pensamentos.
Termino com uma só palavra:

Bravo!

COMUNICADO - CONVITE

E Na próxima 5ª feira, 9 de Fevereiro, pelas 15 horas, um grupo de cidadãos portugueses irá manifestar a sua solidariedade para com os cidadãos dinamarqueses (cartoonistas e não-cartoonistas), na Embaixada da Dinamarca, na Rua Castilho nº 14, em Lisboa. Convidamos desde já todos os concidadãos a participarem neste acto cívico em nome de uma pedra basilar da nossa existência: a liberdade de expressão. Não nos move ódio ou ressentimento contra nenhuma religião ou causa. Mas não podemos aceitar que o medo domine a agenda do século XXI. Cidadãos livres, de um país livre que integra uma comunidade de Estados livres chamada União Europeia, publicaram num jornal privado desenhos cómicos. Não discutimos o direito de alguém a considerar esses desenhos de mau gosto. Não discutimos o direito de alguém a sentir-se ofendido. Mas consideramos inaceitável que um suposto ofendido se permita ameaçar, agredir e atentar contra a integridade física e o bom nome de quem apenas o ofendeu com palavras e desenhos num meio de comunicação livre. Não esqueçamos que a sátira – os romanos diziam mesmo "Satura quidem tota nostra est" – é um género particularmente querido a mais de dois milénios de cultura europeia, e que todas as ditaduras começam sempre por censurar os livros "de gosto duvidoso", "má moral", "blasfemos", "ofensivos à moral e aos bons costumes". Apelamos ainda ao governo da república portuguesa para que se solidarize com um país europeu que partilha connosco um projecto de união que, a par do progresso económico, pretende assegurar aos seus membros, Estados e Cidadãos, a liberdade de expressão e os valores democráticos a que sentimos ter direito.
Pela liberdade de expressão!
Os mentores:
Rui Zink
Manuel João Ramos
Luísa Jacobetty

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Menoridade

Este homem não fala em meu nome!Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 1986, com apenas 13 anos, vagueei pelo Porto e Vila Real com um chapéu na cabeça que tinha aposta a seguinte frase “Para a frente Portugal”.
Vinte anos volvidos, congratulo-me pela inocente menoridade que não me conferia o direito de voto.
Só não entendo o comportamento de alguém que ficou barricado num célebre comício do CDS no Palácio de Cristal.

Este homem jamais falará em meu nome e muito menos através de um COMUNICADO que, descarada e ostensivamente, não condena os actos criminosos perpetrados por fundamentalistas contras as embaixadas de países que connosco partilham um espaço comum, onde o debate de ideias é livre, democrático e plural, que se designa por União Europeia.

A não perder: fatwa a Camões!

Via A Origem das Espécies, FJV recomenda, e bem, a leitura deste artigo do nosso irmão Alexandre Soares Silva.
Após uma cuidada leitura do artigo e fazendo fé nas palavras de Alexandre – ao contrário do que costumo fazer neste blogue não postei as iniciais porque transformaria o nome do autor num acrónimo pouco agradável –, cheguei à seguinte conclusão:

Se isto é Maomé…

Scarlett Maomé


…a partir de agora sou islamita!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Cristo e Moisés vs. Maomé

O sempre ácido – acetilsalicílico – Daniel Oliveira disse:

«O que não aceito é que Cristo e Moisés sejam intocáveis na Europa e Maomé motivo recorrente de galhofa.»

Quanto a Moisés suponho que – e peço desculpa para o eventual cometimento de um erro que possa ser entendido por simples blasfémia – as três religiões monoteístas – Cristã, Judaica e Islâmica – distinguem-no como profeta – sob diferentes gradações de importância – nos seus Livros religiosos de base – Bíblia, Talmud (tendo recebido de Deus a revelação do Torah) e Alcorão (onde é designado por Musa).
Quanto a Cristo – e por uma questão de proximidade religiosa –, creio que, nas artes de caricaturar, satirizar e desmistificar, não há figura na História das religiões que tenha merecido mais citações.
Para começar recomendo uma visita a este
sítio – que, confesso, por razão de algum decoro me levou a não postar os trabalhos nele inseridos – de uma fundação gay finlandesa, de nome Tom of Finland Foundation, onde se poderá ver uma imagem da autoria de um tal Claudio Tessari intitulada por “Christ Cock”. A mesma Fundação galardoou, em 1995, um truculento transsexual de nome Garilyn Brune com o Grande Prémio da Arte Erótica pelo seu trabalhoCockSuckers for Christ” (ficheiro PDF – ver página 1).
Em segundo lugar, vem este “Piss Christ” de Andrés Serrano, que inclusivamente esteve exposto - é certo que à revelia dos organizadores do evento - no Instituto Smithsonian. Esta representação de um crucifixo mergulhado num tubo de plástico com urina e sangue do próprio fotógrafo já foi reproduzida
aqui por Afonso Bivar no seu blogue Bombyx Mori.
Depois, não esqueçamos o Nikos Kazantzakis e quejandos.
Finalmente, apresento alguns de centenas de cartoons, que surgiram de geração espontânea em alguns jornais, onde se dá a total liberdade de expressão, sem que com isso se assaltem embaixadas e se queimem bandeiras:


Morning Call (Pennsylvania) – 24 de Março de 1997
Clique para aumentar

Philadelphia Daily News – 1 de Março de 2002
Clique para aumentar

Los Angeles Times – 6 de Junho de 2002
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New York Post – 6 de Agosto de 2003
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Notas:

(1) Os 4 cartoons foram retirados do sítio da associação norte-americana “The Catholic League for Religious and Civil Rights”, onde se expõe de maneira honesta e pacífica, através de uma publicação anual – num tom de alerta à comunidade religiosa e não religiosa –, os atentados contra a fé cristã em geral, e a Igreja Católica em Particular.

(2) Editorial: em termos meramente estatísticos, sou católico porque fui baptizado – é certo que sem hipótese de escolha, já que tinha apenas 6 meses –, porém nesta fase da minha vida, por razões que aqui não interessam, tenho-me vindo a afastar – para profundo e incomensurável desgosto do meu pai – dos conglomerados religiosos manifestamente arquitectados pela mão humana e tentar entender, à luz da razão e de profundas introspecções, essa entidade que é Deus – sem, com isso, negar a preponderância da emotividade nesse estado dubitativo em que me encontro no momento.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

E (se) recordar é viver...

Sim eu sei que tudo são recordações…

Qual foi o árbitro que decidiu o não-hexa na época 1999/2000?
Pista 1: o jogo foi na nabeirolândia.
Pista 2: é este apaixonado aqui da fotografia.



Este campeonato é uma vergonha!

Uma verdadeira aspirina C…

…de Camus!

(para ouvir) The Cure - Killing an Arab

Esta, ao contrário da B, tira mesmo dores de cabeça!
O mais notável é que se trata de um composto único: analgésico-ansiolítico, além da dor, acalma a histeria… bloquista!

PS – Torna-se, deveras, indispensável dar uma aula de pretensiosa erudição sobre O Estrangeiro, de Albert Camus, e o seu significado alegadamente antitético do título da música daqueles que curam.

Lágrimas escarninhas #2

Via O Sniper fica esta asserção dubitativa bastante pertinente, sob a qualificação de “Teoria da Conspiração”:

«É curioso, e apenas isso: das duas vezes em que o Benfica não tentou comprar/emprestar/seduzir jogadores das equipas com que ia jogar a seguir, perdeu.»

E aqui bem fica mais um SAPO!

Multiculturalismo

No recente episódio das caricaturas de Maomé difundidas na imprensa da “Velha Europa”, o Governo norte-americano disse “nim” e manifestou-se a favor do respeito da liberdade religiosa, mesmo que isso coarcte a liberdade de expressão.
Therefore, cantem comigo esta pequena estrofe do famoso hino "America, the Beautiful":

«America! America!
God shed His grace on Thee,
And crown thy good with brotherhood
From sea to shining sea!
»

Now watch this drive: multiculturalismo de borla! (imperdível)

domingo, 5 de fevereiro de 2006

O homem das bandeiras

Luiz Felipe Scolari, em entrevista à BBC Radio Live Five disse:

«Se for para Inglaterra, tenho de melhorar o meu conhecimento da língua e saber mais sobre o cargo. Isso pode demorar dois ou três meses, mas não é um problema para mim. Conheço muito bem a linguagem dos jogadores. Mas é importante (saber) comunicar com as pessoas».

Fonte: RTP

Sugestão: Depois do inglês que tal aprender um pouquinho de futebol?

Tenacidade no campo de batalha da literatura

Nasceu no dia 3 de Fevereiro de 1947 na cidade de Newark, Nova Jérsia nos Estados Unidos.
Viveu em França, onde sobrevivia com o parco sustento provindo da tradução de poemas de autores franceses para a língua inglesa. Esta aventura materializou-se na publicação bilingue – francês e inglês – da antologia poética denominada por The Random House Book of Twentieth Century-French Poetry, publicado por essa editora em 1 de Janeiro de 1982.
Com 37 anos tenta publicar o seu primeiro romance “City of Glass” – é a primeira parte do livro A Trilogia de Nova Iorque, publicado em Portugal pela Asa em Novembro de 1999, sob o nome de “Cidade de Vidro”.

O manuscrito foi apresentado para publicação a 17 editoras, todas o rejeitaram, algumas exigiam alterações profundas como condição para a eventual publicação.
O autor não cedeu, persistiu na dura batalha do meio editorial e apresentou-o pela 18.ª vez a uma editora sediada em Los Angeles, Califórnia, de nome “Sun & Moon Press” dirigida pelo poeta, dramaturgo e ensaísta David Messerli, que se comprometeu a publicar os restantes dois livros.
Como Messerli prognosticou, a obra foi um sucesso estrondoso, publicando-se de seguida as duas últimas partes que compõem a famosa Trilogia – “Fantasmas” e “O Quarto Fechado” –, mais tarde reeditada e publicada pela gigantesca editora Penguin.

«Foi uma chamada para o número errado que despoletou tudo, o telefone a tocar três vezes no silêncio da noite, e a voz do outro lado da linha a perguntar por alguém que não era ele».
Paul Auster, A Trilogia de Nova Iorque. Porto: Edições Asa, 3.ª edição, Outubro de 2000, pág. 9.


Paul Auster - City of Glass
Ele, Quinn, era um escritor de 35 anos amargurado e solitário, quando lhe perguntaram do outro lado da linha se era o detective Auster, Paul Auster e Quinn à terceira chamada equívoca prontificou-se a assumir o seu papel.

Depois de ter lido “O Correio da Lena” de João Pedro George no Esplanar, recordei-me deste paradigmático episódio que ocorreu com o – meu – gigante literário que dá pelo nome de Paul Benjamin Auster*. Logo, não me admira a rejeição do manuscrito anónimo, elaborado pelo trindadense, de ascendência indiana, naturalizado inglês e galardoado com Prémio Nobel da Literatura em 2001 V. S. Naipaul.
O mundo literário está povoado desses pequenos episódios, muitas vezes por mera distracção do editor, outras por manifesta falta de sensatez e de um espírito literário aberto e ousado, e outros ainda pelo lugar ocupado pela franja falaz do nepotismo.

Quantos manuscritos de eleição não terão sido metaforicamente queimados por esse mundo fora?

Nota: * para saber mais sobre a vida e a obra do autor consultar este sítio na Internet criado e mantido pelos seus fãs.

Mais um SAPO!

José Veiga

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Mais achas…

…para a fogueira!

Casamento

Esta é a definição do Dicionário da Língua Portuguesa Online da Priberam.

Pequena nota de ironia: “s. f.” é a abreviatura da categoria morfológica da palavra casamento, que neste caso diz-se que é “substantivo feminino”!?

Novo blogue

Quando iniciei este blogue, em 17 de Dezembro de 2005, sabia de antemão que jamais alcançaria as audiências de blogues como o Abrupto, O Acidental, O Insurgente, a GLQL ou o Blasfémias. Todavia, tenho de vos confessar que os resultados são pelo menos risíveis. As estatísticas demonstram que, em média, 18 (Sitemeter) ou 23 (eXTReMe Tracking) leitores – unique visitors – visitam este blogue diariamente. Porém, há visitantes! Tal como proclamei ao iniciar este blogue «Bastar-me-á um leitor» para que sinta vontade de o continuar a actualizar.
A todos que aqui se enlaçaram agradeço de uma forma muito sincera, porque o fizeram sem algum pretensiosismo ou amiguismo de conveniência.
E isto tudo para dizer que um dos meus mais assíduos leitores, simultaneamente comentador inveterado, lançou – já não era sem tempo – o seu blogue. Falo-vos do A. Leitão e o seu A Máquina do Tempo – não sei se inspirado em H. G. Wells –, que se juntou à blogosfera.

Ao A. Leitão dou-lhe os parabéns e desejo-lhe as maiores felicidades para o seu cantinho de expiação (quase) diário, que se materializa através da fotografia.

Lágrimas escarninhas #1

Hoje, declaro aberta uma nova secção deste blogue: “Lágrimas escarninhas”.
Com toda a franqueza pensei noutros títulos, como por exemplo “Para dramas já basta a vida”, contudo este soou-me melhor, é curto e tem o dom de reflectir sem ruído o meu estado de divertida reverência perante algumas genialidades mordazes e certeiras que pela blogosfera vou descobrindo.

Quem inaugura esta secção é Henrique Fialho com
este texto no seu blogue “Insónia”.
Atrevo-me a citar a parte do texto que melhor se adequa a este cantinho:

«Early morning blog

Há pessoas que gostam de dizer que acordaram a trabalhar ou começaram o dia com uma grande discussão… etc. Eu prefiro sempre acordar a abrir os olhos. Não sou muito ambicioso, julgo que não há como começar o dia abrindo os olhos.»

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

A não perder...

Este relato dos malefícios da “flatulência elevatória” no Ópera Bufa.

Regresso às trevas

Fiquei francamente estupefacto com este resultado da recolha de opinião que o portal Sapo está a realizar em linha:


Viveremos nós ainda na Idade Média? A liberdade de expressão – já agora estende-se ao propalado liberalismo – terá que se cingir a determinados temas preestabelecidos por alguém ou por um directório? Quem tem a autoridade moral para definir os tabus que cerceiam a voz do livre-pensador?

Para não ficar atrás de JPP – vide o seu último livro –, só me apetece dizer: sic gloria transit mundi!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

O sótão bairrista

aguas furtadasNa minha deambulação diária pelo blogue de Eduardo Pitta "Da Literatura" – o qual tenho o prazer de ler, embora estejamos política e geograficamente em pontos opostos –, tomei o conhecimento, através do seu último texto, da existência de uma revista semestral editada pelo Núcleo de Jornalismo Académico do Porto de nome “aguas furtadas”.
Ora, sendo eu um portista portuense de gema, de razão e coração, nunca tive o prazer de me cruzar com essa ilustre desconhecida, nem que fosse nos inúmeros escaparates da Invicta.
Através de uma simples e curta pesquisa na rede descobri que o sítio do Núcleo está de momento inacessível – provavelmente em fase de remodelação –, porém a revista poderá ser adquirida através do sítio da lendária e quase quarentona Livraria Leitura – sim, essa mesmo, aquela da esquina da Rua de Ceuta com a José Falcão!

Aviso: a partir deste ponto o autor usará uma linguagem de índole profundamente bairrista, susceptível de ferir por apedrejamento verbal a clique que defende que somos o bastião do provincianismo português – como se não fôssemos todos!

Conforme avisou Eduardo Pitta o nome da revista escreve-se em minúsculas e sem acento agudo na primeira palavra: “aguas furtadas”.
Como me parece evidente, qualquer leigo – como é o meu caso – transformará, por instinto corrector, o título da revista em “águas-furtadas”. Ora, é precisamente aí que reside o problema.
Excluindo os dois tipos de migrantes que aqui nasceram – (1) o que se diz mais portuense que os portuenses residentes e (2) o que renega, como Pedro, a sua origem, imitando ridiculamente a pronúncia lisboeta – um portuense nado e criado no Porto não conhece, ou melhor despreza a expressão “águas-furtadas”, porque aqui esse espaço que medeia o piso superior da habitação e o telhado chama-se “sótão” – curioso que para alguns “sótão” é uma espécie de cave, tal como para os espanhóis é sótano.
Eventualmente, poderei estar a cometer um erro colossal, mas o meu processo de aculturação ontogénica portuense assim mo ensinou.
Sinceramente, aguardo que alguma alma caridosa me esclareça, em jeito de Ciberdúvidas, esta perplexidade existencial.

Aviso Segundo: cuidado! Use de muita precaução na leitura da parte que se segue, o autor perdeu por completo o sentido de decência, que se poderá resumir por um profundo estado de bairrismo patológico.

Serve o que acima foi dito – evidentemente acima daquele aviso idiota – para confessar que estou farto de ler literatura traduzida com as seguintes expressões:

  • Chapéu-de-chuva – não será preferível dizer guarda-chuva;
  • Encarnado – (idem) vermelho;
  • Lava-loiça – (idem) pia ou então banca;
  • Casa de banho – (idem) quarto de banho (esta confesso que é mais discutível);
  • Bica – (idem) café (não, não digo cimbalino!);

(…)

Aviso e súplica: neste momento o autor deste texto perfeitamente deplorável acaba de ser amarrado a uma cama e… Perdoai-lhe Senhor a bipolaridade! Evitai, por favor, que este acto conduza a resultados trágicos para esta já fragilizada blogosfera com o problema do “tamanho das pilas de direita” e da “endogamia dos críticos literários”. Ámen.

Ora bolas!

Lá me desloquei ao dito cujo Café e, com tempo, folheei a Atlântico de uma ponta à outra 3 vezes. O artigo não estava lá!

Por onde andas Auster?

Um irresistível apelo à pirataria

AtlânticoA renovada revista Atlântico, d’O Acidental Paulo Pinto Mascarenhas, já está nas bancas.
Hoje de manhã, enquanto tomava o meu café bem forte, olhei para o escaparate e lá estavam pelo menos 5 exemplares. Peguei num e folheei-o à pressa e saltou a este olhinhos que a terra há-de comer um texto sobre o último romance de Philip Roth – um dos meus favoritos de 2005. Num impulso pavloviano olhei para a capa à procura do preço… 3 euros… hum! Se a levar lá terei de ouvir a mesma ladainha de sempre «Não te chega o que gastas com as assinaturas de jornais e revistas, e as pequenas fortunas despendidas, quase que diariamente, na Fnac ou na Bertrand?».
Assim, paguei os 55 cêntimos pelo café e regressei a casa de mãos vazias, com a esperança bem portuguesa que o texto sobre Roth estivesse disponível de borla no sítio da revista.
Não está! Porra!
Porém, algo aconteceu entretanto. Enquanto navego nas páginas cibernéticas da Atlântico, encontro um artigo sem ligação que se designa por «A vergonha humana: The Brooklyn Follies».
Auster, será Auster? Como é que se me escapou hoje de manhã?
Neste momento, enquanto escrevo esta frase, para a postar no meu blogue, já me vou preparando para sair, chegar ao café e largar 3 euros – fora ao carioca de limão que vou pedir, já que por hoje basta de cafeína.
Quanto a comentários sobre o conteúdo, resta-me dizer: até já!

Nota: o título deste texto fica a dever-se ao facto de que o apelo googliano saiu obviamente gorado.

Acasos

Quase em simultâneo Pedro Mexia no seu blogue Estado Civil referia-se à mudança forçada da frase que antecede o nome do eleito na noite dos Óscares – é o vírus do p.c. que também aqui foi referido.
O p.c. mata a lúbrica sensação da vitória na hora da verdade. Adoro essas situações em que se revela o paroxismo do “rabo escondido com gato de fora”.
Porém, os censores do orgasmo vitorioso alheio esqueceram-se de inventar um verbo, e os seus vocábulos derivados, que substituísse vencer ou ganhar, correndo até o risco da substituição compulsiva descambar para um “conquistar” ou “aniquilar”.
And the Oscar goes to” deveria ter sido alterado para “And the oscarer is”.
A necessidade do p.c. obriga à criação desse artifício, como bem se compreende num singelo exemplo em português:
“Sean Penn ganhou o Óscar para melhor actor” devia ser “Sean Penn oscarou na categoria de melhor actor” – aproveita-se, assim, a terminação “ar” para a 1.ª conjugação e ainda para não cairmos na tentação de o transformar em “oscaralhar”, foda-se, convenhamos que soa mal! –, porque se com um Óscar não se ganha, vence, conquista ou aniquila a concorrência, para que é que serve a merda do Óscar? Para desentupir sanitas?