quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Fazer as contas ao Cinema acima do paralelo 39ºN (act.)


Em breve, talvez no próximo fim-de-semana, será aqui publicada a lista dos filmes vistos, por este que vos quer, e estreados durante o ano corrente em salas de cinemas nacionais.
Como tem ocorrido nos anos mais recentes, haverá uma derrogação a este critério, que se traduz pela inclusão dos filmes estreados na última quinta-feira do ano civil anterior e pela exclusão dos filmes a estrear na última deste ano – neste caso, foram incluídos os filmes estreados a 29 de Dezembro de 2011 e não serão objecto de apreciação os filmes a estrear na quinta-feira 27 de Dezembro de 2012, que transitarão para o próximo ano.
Por agora, e tendo feito a trabalhosa contabilidade dos meus estados de encantamento, de decepção ou de repulsa, e de indiferença perante as obras visionadas durante o ano – aguardo apenas pelo dia de amanhã e por uma possível deslocação às salas de cinema do Grande Porto nos próximos dias –, são 24 os filmes que serão divulgados numa primeira lista e que tocaram a minha veia sensível de cinéfilo. Entre eles:
  • 11 foram produzidos nos Estados Unidos;
  • 2, 12, 10 estrearam mundialmente em 2010, 2011 e 2012, respectivamente;
  • 1 filme irá, com certeza, provocar uma derrogação adicional ao critério de inclusão da lista, dado o centralismo Medeiano neste pobre país; vi o filme no Renoir em Espanha – na versão original francesa e legendado em castelhano –, mas gostaria de vê-lo traduzido na língua de Camões para os portugueses cinéfilos que têm a infelicidade de residir longe das latitudes da Capital do Império; mas também para o mal amnésico centralóide que assola a queirosiana Província, há sempre um remédio na possibilidade internética… Ah, gente com fibra!

Até breve, antes que, por decreto, fechem a salas de cinema acima do paralelo 39. Mas, temos de convir, é bastante justo e mais que certo, a arte para os verdadeiros artistas…  

Correcção [20/12/2012, às 13:53]: Afinal, o filme referido no ponto 3, estreia hoje num cinema a Norte da Capital. Ler aqui o texto com a correcção.

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Animalesca



"Today's Supernatural"
Animal Collective – Centipede Hz 
(Domino)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – xx



"Angels"
The xx – Coexist 
(Young Turks)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Número Mágico


Pormenor alterado do logótipo da capa comemorativa de © DanMonick & Gingko Press, para o 7.º aniversário da editora Rhymesayers e da banda Atmosphere – álbum musical e fotográfico comemorativo: Seven Years with Atmosphere and Rhymesayers.

Sete anos… Naquele 17 de Dezembro de 2005 queria que a coisa, com o tempo, se fosse moldando em algo que, em definitivo, não o é agora. Agora não o é… nada! Mas também, que diabo!, estou mais velho e cheguei este ano, há menos de seis meses, aos implacáveis “-entas”.
Chegou o tempo. Auto-análise, auto-ilusão – julgo-me 7 vezes: menos paciente, mais irritado, menos submisso, mais inquieto, menos prudente, mais desgarrado, menos crente na bondade imanente à coisa humana, mais atento às palmadas nas costas provindas da coisa.


Hélas!

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Beach House



"Lazuli"
Beach House – Bloom 
(Bella Union)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

E este tem dias

Já não sei o que pensar de Ang Lee, a posição crítica tornou-se bastante volátil. Não sei se é o Ang Lee de Hulk (2003), se o de O Banquete de Casamento (1993) ou de Sensibilidade e Bom Senso (1995), para citar os extremos.
Agora aferrou-se ao Booker Prize de Yann Martel, e há aplausos de gente importante, avaliadora da 7.ª arte. Porém, ainda há os que não se deixaram encantar pela exuberante garridicehá, pelo menos, esta frase espirituosa que sobressai da recensão do cáustico O’Hehir no Salon e que resulta da sua experiência de visionamento, tendo-lhe carinhosamente chamado o “Embuste Desvendado”:
«Eu senti-me como se tivesse sido convidado para um jantar de sete pratos e afinal todos se resumiram a um bolo – e, de seguida, o anfitrião insistiu em dar uma palestra sobre como o bolo poderia aproximar-me mais de Deus.»
Também gostei do destaque do artigo sobre «(…) a impossibilidade de algo na Terra brilhar com a baboseira radioactiva de “A Vida de Pi”.»
Mas, até lá – se o houver, esse tempo no futuro próximo –, prometo, não vou cair nos tão usados apriorismos catalogadores, e até pode ser que, como o farol cinéfilo Ebert, o considere como «um feito miraculoso na narração e uma proeza da mestria visual.» 

Nota: Traduções (livres) do inglês – AMC.

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – ERAAS



"Fang"
ERAAS – ERAAS 
(Felte)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Já foi ano…

…(como se sói dizer) em que Spielberg ficava de fora dos inúmeros tapetes vermelhos que amparam os pezinhos galácticos no magote de prémios cinematográficos a entregar no princípio de cada ano civil.
Atente-se nas nomeações para os Globos de Ouro de 2013 e apesar de Tarantino ir a quase todas e de Bigelow andar perto, a mascarada será a mesma, deixando o viperino (também canastrão) enfant terrible PT de fora da parte que lhe interessava e o Wes ao lado daquela coisa do Marigold, da marmelada salmónica no Iémen e da 57.ª versão tele/cinematográfica de Os Miseráveis (na realidade, não devo andar longe) de Victor Hugo que, por um lado, tem o condão de trazer de volta aquele britânico triste, atadinho (ou formalmente agrilhoado) e cinzento do Tom Hooper e que, por outro, irá contribuir para ofuscar ainda mais, na memória de peixe-dourado do pipoqueiro nato, a muito razoável versão do dinamarquês Bille August de há quase 15 anos (é só comparar os trios: Jackman, Crowe e Hathaway (cor apropriada) vs. Neeson, G. Rush e Thurman).
E será que vamos ver de novo a Streep com aquele braço bamboleante em cima dos apensos proto-gelationosos e que saltam intensamente devido, não só, à sua proeminência, mas também ao resfolegar sexagenário, por aquela zurrapa fílmica chamada Terapia a Dois (Hope Springs, 2012)?

A 13 de Janeiro de 2013 teremos a confirmação. Entretanto fiquemo-nos, apenas, com a introdução tartamudeada das nomeações deste ano pela curiosa figura da presidente da HFPA, a "Dra. Aida" (foi pena não ter sido o habitual cómico-sério do bigodinho seboso e sotaque pior-que-Moltalban do Jorge Camara), mas temos a doce Megan (depois podem desligar, o tipo não interessa e a Alba que vá aprender a ler):


Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – PAWS



"Jellyfish"
PAWS – Cokefloat! 
(Fat Cat)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Stagnant Pools



"Solitude"
Stagnant Pools – Temporary Room 
(Polyvinyl)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amour e Indiferença

Não encontrei. O último fotograma de Amor de Haneke. Huppert, pouco depois, sentada na mesma cadeira, a do pai, siderada por um estranho brilho emoldurado pelo inquietante sossego da casa agora a seus pés. Remorso. Culpa, talvez. Mas é aquela apatia o oposto do Amor. A cruel indiferença que enche, em silêncio, o último fotograma antes do fade-out para a escuridão futura.

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Byrne & St. Vincent



"Who"
David Byrne & St. Vincent – Love This Giant 
(4AD)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Clinic



"Miss You"
Clinic – Free Reign 
(Domino)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Resvalamento do Planalto



Ando por estes dias a observar, incrédulo e impotente (já não se trata de simples acédia), a subida, ainda por cima escabrosa, dos meus índices de PMD*. Com o efeito de retroacção sónica das Bombas V pynchonianas e o seu pavlovianismo, que por cá não se manifesta pela intumescência pré-libidinosa, nas convulsões anti-osmóticas com a espantosa turgidez narrativa de DFW**, os agonizantes odores de cansaço dos pupilos da ATE*** e que nos atingem fatalmente através de espúrias cadeiras de rodas canuck's, rejeitando com incompreensível intensidade a experialista Grande Concavidade: Quo vadis PMD!
Mais de duas mil duzentas páginas… Já nem há tempo para brevidade antologiada da ex-Auster, nem para a, pela cronologia, segunda pérola nabokoviana.
Terapêutica urgente: Reeducação Prescritiva, já!

A que vis andanças podemos tornar…****    

Notas:
*Propensão Marginal para a Demência.
**David Foster Wallace.
***Academia de Ténis de Enfield (“ETA” no original).

**** To what base uses we may return…

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Brennen, bevor es kann beobachtet werden

Volta Bradbury, os 451 ºF não garantem a pulverização completa desta coisa:



Que saloiada! Perante isto, o Para a Finlândia com Amor, de Cascais merecia, no mínimo, o Prémio da mise en scène, na secção Un Certain Regard em Cannes.

Ich bin ein baixa-da-banheiren.

domingo, 11 de novembro de 2012

Dedicado à 4.ª Internacional


E logo hoje que o bafio revolucionário se ergueu bicéfalo, como a águia da burocracia K&K dos Habsburgo, em palmas ritmadas que, num paradoxo não tão estranho, faz lembrar os arrebatados e pantomineiros congressos do PCUS.

E dizia Robert Harris no Sunday Times a propósito da publicação de uma celebrada e polémica biografia sobre aquele que burlescamente ficou para a História como o homem do piolet na cabeça:
«Se imaginar o aluno mais detestável, um radical amargo, sarcástico, arrogante, egoísta, insensível e imaturo e se congelar essa imagem no princípio do século, o resultado é: Trotsky… [Robert] Service torna absolutamente claro que o Trotskismo nada mais é que o Estalinismo embrionário… Raramente a patologia do tipo revolucionário, e suas consequências fatais, foi tão impiedosamente exposta como nesta biografia exemplar.»

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rapsódia em Azul – Manhattan



Em degustação e por mais quatro anos…


Punch line: He’s done a great job on you. Your self-esteem is like a notch below Kafka’s.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

39 anos, 7 meses e 3 dias

Não se trata de um filme romeno, nem tão-pouco da minha idade (sou infelizmente mais velho, embora cerca de 8 meses, para que conste), mas do tempo que decorreu entre a publicação original e a edição em Portugal de uma transgressão literária que, mesmo na actualidade, continua a fazer torcer várias mentes e a vergar à humilíssima condição de falível humano os reaccionários semideuses defensores do realismo flaubertiano (e há um muito na moda) – como se isto fosse uma competição interescolar ou de mensuração perimetral e da extensibilidade máxima do órgão da soberba na eterna refrega pela masculinidade.

É somente isto:
«Uma berraria vem através do céu. Já aconteceu antes, mas nada há que a compare com agora.»
Com chancela da Bertrand e tradução de Jorge Pereirinha Pires, eis a tão magistral, como polémica, obra de Thomas Pynchon, que motivou mesmo uma suspensão de atribuição do prémio Pulitzer em 1974, embora a obra tivesse sido unanimemente eleita pelo júri nomeado para a categoria de “Ficção” – a talho de foice, constituído pelos escritores e críticos literários Elizabeth Hardwick (1916-2007) e Alfred Kazin (1915-1998), e pelo escritor, ensaísta, eminente académico e crítico cultural Benjamin DeMott (1924-2005) , porém enfaticamente rejeitado pelos visionários membros do Conselho de Administração dos referidos galardões.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Oportuno, no dia que hoje corre…


Adapte-se o contexto.
[Shhhh... no more words / Hear only the voice within. (Jalal ad-Din Rumi, 1207-1273).]

«É uma contradição […] Que cada dia e cada noite e o mundo se dividam naqueles que fazem escutas e torturam e aqueles que se calam e continuam calados.»
Herta Müller, Já então a raposa era o caçador, pág. 128
[Alfragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Setembro de 2012, 239 pp; tradução de Aires Graça; obra original: Der Fuchs war damals schon der Jäger, 1992.]

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quem?

(n. 1955)

Exemplar único em Portugal: Peito Grande, Ancas Largas (Lisboa: Ulisseia, 2007).

Diziam que era o Kafka à Beira-Mar, mas enganaram-se (por pouco) nas coordenadas geográficas, saiu o suposto Kafka das letras chinesas.

O seio rosado de Virgem Maria e a terminação lombar desnuda do rechonchudo Menino Jesus vistos pelo auto-reprimido de Shandong na abertura do seu único romance editado em Portugal:   
«From where he lay on the brick-and-tamped-earth sleeping platform, his Kang, Pastor Malory saw a bright red beam of light shining down on Virgin Mary’s pink breast and on the pudgy face of the bare-bottomed Blessed Infant in her arms.»
Mo Yan, Big Breasts, Wide Hips (New York: Arcade, 2004; trad. Howard Goldblatt.)
Sinais dos tempos: A Academia Sueca dobra-se ao poderio chinês e ao seu heteróclito Socialismo de Mercado. É histórico: o autor, com a sua profissão de fé mutista, instado a comentar o Prémio Nobel da Paz atribuído ao seu colega dissidente Liu Xiaobo disse que "nada tinha a dizer", da mesma forma que uns anos antes, transcreveu mudamente, com uma fé dilacerante, um dos muitos discursos do Educador do Povo para um livro comemorativo. Mao rejubilaria. Por cá, o MRPP renovou, decerto, a sua esperança no levantamento das vítimas da fome, como se sabe, completamente extinta na dita República Popular desde a derrota, em 1949, de Chiang Kai-shek.