terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Música: Melhores Álbuns de 2011 – A Lista


Encerra-se a primeira etapa deste blogue no que respeita à minha listomania que recidiva com uma virulência inusitada no final de cada ano. Desde o dia da Imaculada Conceição, os meus gostos musicais, substanciados nos vídeos que por aqui desfilaram, foram gerados com a mácula de não ter tempo, por um lado, e de me ir faltando a paciência necessária para as artes musicais do que se produz actualmente na vertente contemporaneamente apelidada de “Pop/Rock”. Daí que houvesse afirmado que a minha veia pubertária ainda se manifeste nas minhas assaz particulares escolhas/preferências – e sem dar grande margem à influência opinativa externa – nos álbuns de música editados em 2011.
Como mencionei em 2010, muitos (centenas) que me poderiam tocar ficaram por ouvir, a que não é alheia a (minha) nossa decadência física – vamos perdendo indelevelmente a audição e as cambiantes de um produto que se faz apenas ouvir perde terreno frente à ebulição do que é visual, qual imberbe perante a iridescência feérica da imagem. 
Resumindo e indo directamente ao assunto sem mais floreados, neste jogos florais que são um vício confessado deste que vos escreve, entre o muito pouco que pude escutar de um modo decente, houve 10 álbuns editados originalmente em 2011 que se destacaram dos demais, e outros (poucos, em 2011) que se revelaram uma decepção, por vezes dolorosa, já que admiráramos de uma forma visceral, a raiar o fundamentalismo melómano, os seus intérpretes como deuses, mas que, como cupidos de Brueghel, se deixaram cair nas garras do grotesco; traduzindo: quando “parar” lhes significará decerto “morte” e jamais soará como “empobrecimento” ou “fatal decadência”.
Sem mais, eis a lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2011 (ordem de preferência):

  1. – The Horrors, Skying (XL)
  2. – Iceage, New Brigade (What’s Your Rupture)
  3. – Bill Callahan, Apocalypse (Drag City)
  4. – St. Vincent, Strange Mercy (4AD)
  5. – Thurston Moore, Demolished Thoughts (Matador)
  6. – Radiohead, The King of Limbs (XL)
  7. – Arctic Monkeys, Suck It and See (Domino)
  8. – John Maus, We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves (Upset the Rhythm)
  9. – The Strokes, Angles (RCA)
  10. – Bon Iver, Bon Iver (4AD)
De entre várias decepções (pouco ouvidas – e uma vez mais, devido ao grau de pachorra decrescente ante a causa auditiva), destaco apenas três (poderia incluir o 2.º álbum dos nova-iorquinos The Drums, Portamento, mas falta-lhes ainda tempo para a consolidação do estilo), apenas porque a ferida aberta cominada pelo horror estético ainda permanece aberta – nada que um bom antibiótico não ataque findo este período de profunda desilusão.

Decepções Musicais de 2011 (por ordem alfabética do nome do intérprete musical):
  • Panda Bear, Tomboy (Paw Tracks)
  • Peter Murphy, Ninth (Nettwerk)
  • Tv on the Radio, Nine Types of Light (Interscope)
Não refiro este ano uma banda sonora de um filme, pois não me recordo de alguma que, sendo original, uma compilação ou uma mistura de ambas, me tenha tocado a veia sensível.
Porém, não poderia deixar de dedicar um último parágrafo listómano para referir um álbum cuja tranquilidade de eminência country de uma banda do Oregon, EUA me induziu, e em particular, o seu “January Hymn”. Assim, em jeito de “Menção Honrosa”, que poderia ter entrado no “Top 10”, não fosse o meu vergonhoso conhecimento superficial do folclore musicado norte-americano e o declarado desconhecimento do trabalho anterior da banda (ignorância exposta):
  • The Decemberists, The King is Dead (Rough Trade)
PS – Para 30 ou 31 de Dezembro as listas dos “Melhores Livros de 2011 (editados em Portugal), nas categorias ficção e não-ficção. Entre 23 e 26 de Dezembro serão publicadas as listas dos “10+”, “10-” e menções honrosas no texto dedicado aos “Melhores Filmes de 2011 (estreados em salas de cinema portuguesas).


PPS – Fica aqui mais um vídeo de uma das faixas do álbum vencedor deste ano. A prodigiosa e revivalista “I Can See through You”:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Cocky & Tacky (como prometido)


Depois do 6.º aniversário desta coisa e, não vindo a talho de foice – a questão é mesmo uma ceifa apocalíptica sanjoanina evangelista, com direito a trombetas e a juízo (o muito que escasseia, não só por aqui…) Onde ia? Ah! E por haver falado nesse dia festivo num greasy cocky, ligando-o ao momento presente em que me debato por rememorar os poucos filmes que passaram pelos meus olhos (por comparação com anos anteriores) estreados em Portugal durante o ano em causa, emergiu a cockiest moda fílmica do ano que se apelida (enrolando línguas) Apichatpong Weerasethakul e o seu tacky-picture O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores, escolhido por aquela coisa chamada Tim Burton que encabeçava um grupo que premiou Javier Bardem pela sua interpretação no horrendo Biutiful (look at the pun, there) e que incluía, inter alia, o canastrão Benicio, a presumivelmente douta Beckinsale, o requisitado Desplat (qualquer dia musica até a Casa dos Segredos), a menina “Meio-Dia” (que, conceda-se, tem uma interpretação soberba no fabuloso Vincere de Bellocchio), ou o recalcitrante indiano isabelino.
E uns tempos depois, vendo-o no grande ecrã, reflecti sobre a origem da náusea e concordei com os poucos que ousaram profanar a transmigração das almas de escolha burtoniana, como já mencionei aqui naquele dia fatídico, e reproduzo um par de frases que me fez rir de satisfação:
«Uncle Boonmee believes his encroaching kidney failure is karmic retribution for having killed “too many commies,” as well as “lots of bugs.” The viewer is free to calculate how many domestic-terrorist insects he may have palled around with.» (TheBoston Phoenix)
Hã? Fustigação ou zurzidela? Não me preocupa, até porque hoje, à hora de publicação deste texto, passeio-me certamente, findos os afazeres, pela Galleria Vittorio Emanuele II, percorrendo lentamente o trilho urbano entre o Teatro alla Scala e il Duomo.


In bocca al lupo a tutti giovani e spavaldi cinefili, e dai giudizi affrettati degli altri!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – A. Monkeys



"Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair"
Arctic Monkeys – Suck It and See 
(Domino)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sábado, 17 de dezembro de 2011

O que fica abaixo do Básico?



Seis anos a aturar-me na blogosfera. Pela cadência de publicação de textos e pela decadência dos assuntos profusamente enfeitados de figuras, gráficos e vídeos, o 1.º ano do 1.º Ciclo atirou-me, sem me perguntar, para o 2.º patamar… do básico. E, na óptica, basicamente, do blogueiro (obrigado ao Rui Santos e ao Brylcream que amansam os seus caracóis neuronais tumultuosos – o nosso B.Boy, perfectly set for the day!) daqui não sairei tão cedo.
Obrigado aos meus 12 seguidores e aos outros 12 que, na óptica do paradigma do internauta distraído, basicamente caem aqui por acaso.


PS – por falar num greasy cocky mf, apeteceu-me de imediato falar de um filme, cuja exteriorização do meu estado de alma por si estimulado poderá ou não surgir neste espaço – até porque já está escrito –, e que tem funcionado como bandeira da jactância pequeno-burguesa dos que se impingem no grupo restrito da cinefilia lusa. Básico (como o rudimentar espúrio, que me levou aos adjectivos seguintes): cocky & tacky, numa espécie de panlinguismo zurzidor. A ver vamos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Bon Iver



"Holocene"
Bon Iver – Bon Iver 
(4AD)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Horrors



"Still Life"
The Horrors – Skying 
(XL)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conduz-me aos verdes prados…



E a cada ano que passa há sempre pelo menos uma fantasia fúchsia, glamorosa púrpura garrida, deste calibre. Um filme inenarrável que uma pesada turba (de dedo sensível) incensa e a indústria segue – até Cannes se rendeu ao fogo-de-artifício danês, que se assemelha (e muito) à penosa e descoroçoante rendição da imprensa estrangeira acreditada em Hollywood, quando, em Dezembro do ano passado, num impulso arrebatador desferiu um golpe na 7.ª arte ao benzer, com três nomeações, o refugo fílmico O Turista (The Tourist, 2010) do promissor realizador germânico Florian Henckel von Donnersmarck.
Muito virtuosismo arraialesco dedicado pelo realizador dinamarquês ao produto final: com um argumento abaixo de sofrível; uma interpretação mil vezes repetida por Gosling (o pseudo-estóico, o passivo-insensível que chama a si todos os males para salvar o mundo, quase uma figura hierática, mono-expressiva e uma mescla de canastrão-redentor, condenado ao papel do novo messias); uma Carey Muligan desgraçadinha e lacrimejante para quem já não há pachorra. Então o restante elenco… é de uma boçalidade e histrionia gritantes, tendo como epítomes Albert Brooks e Ron Perlman Penitenziagite!
Drive – Risco Duplo (Drive, 2011) não é do pior que se fez no ano, mas seguramente é um dos filmes visualmente mais desonestos da temporada, e aí ter-se-á de tirar o chapéu a Refn, tal é o engodo que oculta a massa consistente com flashes de tuning, bem ao jeito dos amantes do oleoso Overhaulin’ e do mentor Chip Foose, que escapa ao mais incauto “estrelador” precoce.

Termino, manifestando a minha concordância completa com a avaliação do Luís Miguel Oliveira. Este péssimo produto nas mãos de um Mann talvez valesse para o gasto do bilhete e a reparação dos danos estéticos. E digo mais, até um Bryan Singer provavelmente o faria melhor. E é pena porque o realizador (agora com 41 anos), Nicolas Winding Refn, até teve um começo auspicioso no circuito internacional com o subavaliado Fear X de 2003, cujo excelente argumento foi compartilhado com o excêntrico e corrosivo Hubert Selby Jr., pouco tempo antes de morrer. Porém, (o auspicioso é pessoal e em nada irónico) Refn tinha apenas 32 anos e o filme valeu-lhe o dissabor da falência – porventura foi daí que veio a grande mossa que o conduziu pela sinuosidade festivaleira das piores colinas de Hollywood. É meter-lhe um chip de potência.

Música: Os melhores álbuns de 2011 – St. Vincent



"Cruel"
St. Vincent – Strange Mercy 
(4AD)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Radiohead



"Lotus Flower"
Radiohead – The King of Limbs 
(XL)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Iceage



"White Rune"
Iceage – New Brigade 
(What's Your Rupture)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Strokes



"Under Cover of Darkness"
The Strokes – Angles 
(RCA)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sábado, 10 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Sonic Thurston



"Circulation"
Thurston Moore – Demolished Thoughts 
(Matador)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Callahan



"Riding for the Feeling"
Bill Callahan – Apocalypse 
(Drag City)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – J. Maus



"Believer"
John Maus – We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves 
(Upset the Rhythm)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As Listas de 2011


Apesar do induzido estado de adormecimento blogueiro durante o ano de 2011, motivado, por um lado, pelo esmorecer do encanto de dizer ao mundo aquilo que perpassa por esta mente em tumulto perene e, com maior acuidade, pelos trabalhos acrescidos pouco rentáveis a que fui sujeito, não poderia terminar o 6.º ano de actividade deste blogue (próximo dia 17) sem revelar as minhas listas de preferências sobre as três áreas artísticas mais presentes na torrente desordenada de textos que o constitui e que já se aproxima do milhar e meio.
Assim, sem grande novidade ao que aqui ocorreu no anterior (excepto na sua ordenação), passarei a postar diariamente as minhas predilecções musicais (como se irá ver, ainda com alguma irreverência pubertária nas veias), por ordem aleatória, apenas revelando a listagem final organizada por ordem de preferência, o meu “Top 10” de álbuns originalmente editados à escala mundial durante 2011, no final do mês (dia ainda indefinido) – os dez vídeos estão a partir de hoje programados para surgir neste blogue à mesma hora numa base diária.
Na secção “Cinema” (filmes exibidos pela primeira vez em sala de cinema em Portugal), e dadas a estreias que ainda irão ocorrer até ao final do ano (onde se excluem os que estrearão a 29 de Dezembro – serão incluídos na lista de 2012, se por cá andar – e incluem os estreados a 30 de Dezembro do ano passado, tal como foi prometido), o “Top 10” será revelado em vésperas natalícias – embora creia que as estreias que se avizinham em pouco ou nada contribuirão para alterar a opinião já formada.
Nos “Livros” editados em Portugal durante 2011, e como sempre tem ocorrido, as novidades não serão grandes, porquanto ao longo do ano aqueles que vou lendo vão sendo ordenados por prazer literário na coluna do lado direito deste blogue – apenas se espera a introdução de mais um ou dois exemplares cujo processo de leitura se encontra em curso e em velocidade de cruzeiro. Publicação final do “Top 10” prevista para 30 ou 31 de Dezembro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória


Nada de resenhas, críticas, ou pseudo-recensões – ainda me vergastam pela foice cravada na seara dourada deles. Trata-se apenas da exteriorização de um desassossego. Perdão! Fui assombrado pelo quarteto de palavras que formam a frase que encerra a centena e meia de páginas deste aqui ao lado – o Booker Prize deste ano. Talvez aquele que nos últimos dois ou três anos mais fez vibrar a corda sensível da minha condição de leitor ávido: «Há uma grande agitação.» [There is great unrest] – unrest.
     
Acumulação.
Seguimos com as nossas vida sem perceber… nunca percebemos. Caminhos trilhados a remover obstáculos que se vão acumulando, formando muros insuperáveis para quem outrora nos rodeou e seguia os nossos passos; e quando olhamos para trás apenas vislumbramos vultos difusos, uma memória esparsa que se foi enterrando nos escombros do quotidiano pelo egoísmo intrínseco à nossa subsistência.      
Responsabilidade.
A tomada de consciência. O despertar da memória – puxar os fios soltos que adejam ao vento, radicados ao solo estéril, que a libertam do entulho opaco, infecto e nauseabundo –, a miséria humana. A culpa pela dor atroz infligida.  
Agitação.
Não há reparação, nem nunca iremos perceber que todos os actos praticados com esse fim apenas irão servir para ampliar o sofrimento provocado. Resta o remorso:
«Às vezes penso que a finalidade da vida é reconciliar-nos com a sua eventual perda esgotando-nos, e provando, por muito tempo que leve, que a vida não é tão boa como se diz.»

Julian Barnes, O Sentido do Fim, pág. 109

[Lisboa: Quetzal, Novembro de 2011, 152 pp.; tradução de Helena Cardoso.]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

manuel a. domingos

Teorias
tiragem única de 100 exemplares
composição, paginação e ilustração de Sérgio Nogueira
Edição de Autor
2011



domingo, 13 de novembro de 2011

Uma punch line do atordoante Smog


«Estourei os micrómetros com os primeiros golpes que dei no saco de areia. Prendi-os com uma ligadura à volta das mãos antes de calçar as luvas e arremeti contra o saco até os dedos ficarem ensanguentados, desfeitos e em carne viva.
»O meu treinador está muito, muito impressionado. Quero dizer, não parece de todo impressionado. Cheguei a convencer-me de que descobriria o meu potencial. A semente. Da grandeza. Nem pensar.»
Bill Callahan, Letters to Emma Bowlcut (Chicago: Drag City, 2010) [excerto da “Carta 59”; tradução livre: AMC]

Persisti em esmurrar-vos nos gumes escabrosos da realidade; expostos, despidos no púlpito do desespero. Degradante exibicionismo. Sois miseráveis, afastados da ribalta pelos aduladores da podridão. Jamais saltareis para o ringue. Vós? Nunca… Nós? Em tempo algum. Até ao dia. Rebentarei. Eu.


Bill Callahan, “Riding for the Feeling”, Apocalypse (Drag City, 2011)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Às distribuidoras de filmes

Vão-se foder!


Enfiem-nos pelo vosso respectivo centralista.
Façam lá os vossos festivais. Convidem 2347 personalidades pagas a peso de ouro com financiamento provindo do Orçamento de Estado, que é alimentado alarvemente pelos nossos impostos, inter alia, nortenhos, algarvios, transmontanos, beirões, e conspurquem-se em belugas mal-cheirosas, divirtam-se com as bolhinhas carbónicas dos Moët & Chandon, Bollinger e Veuve Clicquot, ou então, com shots inebriantes de Stolichnaya e de Ketel One, a que, decerto, não faltarão umas linhas alvo-pulverulentas nos autoclismos dos concorridos toillettes.


Bom proveito, que por aqui ainda vai existindo a Internet.    

sábado, 29 de outubro de 2011

MH & AH: 1065 páginas.


Até breve...


PS - Aquela coisa do Finkler e do finklarismo tem mesmo piada. Repousou por aqui seis meses e vale mesmo a pena ser aberto e deixá-lo respirar, especialmente devido ao denso e brumoso momento por que passa a nossa vida (bom, diga-se, a minha...) Estrelização próxima, e por muito que custe aos estrelados (e até nem desdenho dos agora escalfados em lume brando) e aos guardiões pretorianos de constelação alheia que, por nebulosa atitude, votam à matéria escura aquele que ousa tão baixo estrelar. (Dou-vos um mandamento novo, contado com o de "amai-vos uns aos outros como...", será o 12.º: Não baixamente estrelarás o teu próximo [leia-se, o meu amigo].)  

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Com o TEMPO, fez-se justiça


The Sense of an Ending


I remember, in no particular order:
– a shiny inner wrist;
– steam rising from a wet sink as a hot frying pan is laughingly tossed into it;
– gouts of sperm circling a plughole, before being sluiced down the full length of a tall house;
– a river rushing nonsensically upstream, its wave and wash lit by half a dozen chasing torchbeams;
– another river, broad and grey, the direction of its flow disguised by a stiff wind exciting the surface;
– bathwater long gone cold behind a locked door. This last isn’t something I actually saw, but what you end up remembering isn’t always the same as what you have witnessed
.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Atentamente, L. Cohen

Como diria o outro (não me recordo agora de quem seja), é todo um programa que levou menos de três décadas a cumprir. Não é uma visão apocalíptica, trata-se de uma constatação da miséria humana num mundo em decadência compulsiva, quiçá registada no seu código genético, a autodestruição pela emergência in ego dos contrários.

«Sempre quis ser amado pelo Partido Comunista e pela Santa Madre Igreja. Queria viver numa canção folk, como o Joe Hill. Queria chorar pelas pessoas inocentes que a minha bomba deixaria necessariamente estropiadas. Queria agradecer ao velho camponês que nos daria de comer na nossa fuga. Queria usar a minha manga vazia arregaçada até cima, ver as pessoas sorrir quando eu fizesse a continência com a mão errada. Queria ser contra os ricos, mesmo que alguns deles conhecessem Dante; momentos antes da derrocada um deles ficaria a saber que também eu conhecia Dante. Queria que levassem o meu busto pelas ruas de Pequim, com um poema escrito no meu ombro. Queria poder sorrir aos dogmas, e apesar de tudo deixar que estes me distorcessem a personalidade. Queria defrontar as máquinas da Broadway. Queria que a Quinta Avenida recordasse os atalhos índios que por lá passavam. Queria sair de uma cidade mineira com maus modos e convicções incutidos por um tio ateu e bêbedo, ovelha negra da família. Queria atravessar a América num comboio blindado, ser o único branco aceite pelos negros na convenção. Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona. Queria lutar contra o golpe de estado da polícia secreta, mas de dentro do partido. Queria que uma velha a quem morreram os filhos se lembrasse de mim nas suas orações, numa igreja de adobe, e que os filhos me garantissem que o fizera. Queria persignar-me quando ouvisse palavrões. Queria ser tolerante para com os vestígios de paganismo numa festa de aldeia, condenando a Cúria. Queria envolver-me em negócios obscuros de imobiliário, ser o agente de um bilionário sem nome e sem idade. Queria escrever bem dos Judeus. Queria ser alvejado entre os Bascos por transportar a eucaristia para o campo da batalha contra Franco. Queria pregar sobre o casamento com a indiscutível autoridade de uma virgem, espreitando pêlos negros das pernas das noivas. Queria escrever um manifesto contra o controlo de natalidade num inglês muito claro, um panfleto que se vendesse nas salas de espera, ilustrado a duas cores com desenhos de estrelas cadentes e da eternidade. Queria proibir a dança durante uns tempos. Queria ser um padre drogado que gravasse um disco para a Folkways. Queria ser deportado por razões políticas. Acabo de descobrir que o cardeal … recebeu um avultado suborno de uma revista feminina, fui alvo de propostas desonestas por parte do meu confessor, vi os camponeses serem traídos por razões necessárias, mas os sinos tocam esta noite, outra noite no mundo de Deus, e há muitos que precisam de alimento, muitos joelhos ansiosos por se vergarem, subo os degraus gastos enrolado na velha pele de arminho.»
Leonard Cohen, Belos Vencidos, pp. 30-32 [Lisboa: Relógio D’Água, Novembro de 1997, 271 p; tradução de Margarida Vale de Gato; obra original: Beautiful Losers, 1966]

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um final de enterrar


Já que “funeral”, já dizia a inefável Bobone com uma floreira, por vezes fruteira, na cabeça, é para a criadagem, e para o «magote de camponeses, de boné na mão» (p. 20).
«Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado.»
Maria Filomena Mónica, A Morte, p. 80 [Lisboa: FFMS, Junho de 2011, 82 pp.]
Um final de todo espirituoso, o menino ‘tá a ver…

sábado, 23 de julho de 2011

A (Musa) Conspiradora



Inspira pouco produzindo uma amálgama estética e técnica de mau gosto e pouco brio. Resta-lhe a ética redfordiana com o seu subtexto programático. Um cordeiro cujo espelho reflecte um leão.
Oito filmes, oito miseráveis conjuntos de imagens em movimento. Ninguém lhe sugere, ou até impõe, que não se abeire de uma câmara numa distância segura, digamos que por uns 100 metros bem medidos?
Have you ever believed in something far greater than yourself?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pritzker 2012?


«por […] construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.»

Agraciem-no antes com o Pritzker do próximo ano (o deste está tomado pelo nosso ESM), e ele próprio ainda não entende como ajudou a construir a ponte se nasceu e cresceu no Japão, fala japonês (o que é, desde logo, um feito notável), come comida japonesa (e que lhe faça bom proveito, por aqui é sinal pequeno-burguês de bom gosto: peixe cru por 200 euros) e faz todas as coisas que fazem os japoneses, mas (importante adversativa) gosta de Jazz e da literatura ocidental de Dostoievski a Stephen King (valha-me um qualquer Kami xintoísta, de Pessoa a Rebelo Pinto à escala lusa).
Sim, venceu em Março passado o Prémio Internacional da Catalunha, que conseguiu a proeza de meter no mesmo saco Harold Bloom e Stephen King por via referencial de Haruki Murakami. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Profundidade e Beleza...



It's four in the morning, the end of December
I'm writing you now just to see if you're better
New York is cold, but I like where I'm living
There's music on Clinton Street all through the evening.

I hear that you're building your little house deep in the desert
You're living for nothing now, I hope you're keeping some kind of record.

Yes, and Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?

Ah, the last time we saw you you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
You'd been to the station to meet every train
And you came home without Lili Marlene

And you treated my woman to a flake of your life
And when she came back she was nobody's wife.

Well I see you there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see Jane's awake 

She sends her regards.
And what can I tell you my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you, I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way.

If you ever come by here, for Jane or for me
Your enemy is sleeping, and his woman is free.

Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.

And Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear

 Sincerely, L. Cohen

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fincher 9

Eis o trailer aprovado para todas as audiências:




Nota: Apesar de ser francamente contra à nova mania hollywoodiana do abastardamento dos filmes de sucesso de outras línguas e latitudes – vide o sensacional Låt den rätte komma in de 2008 (Deixa-me Entrar) do realizador sueco Tomas Alfredson, tendo-me mesmo recusado a ver a versão americana de 2010 de Matt Reeves –, com Fincher abre-se sempre uma excepção e aqui, ao contrário, não vi a versão original de 2009 do dinamarquês Niels Arden Oplev, porque aquela já se fizera anunciar (diz-se que Noomi Rapace esteve simplesmente soberba, e que Fincher queria incluí-la na sua versão, mas Rapace recusou dada a “exaustão” de personagem). 

sábado, 28 de maio de 2011

Odisseia Malickiana

Não. Não vale a pena interpretar o que não se expôs para ser interpretado. Será a apreciação uma forma depurada da inevitável interpretação? Não me apetece ir por aí, nem tão-pouco entrar em considerações teosóficas sobre, se me é permitido, a mundividência transcendentalista de dois contrários:
«Father, Mother. Always you wrestle inside me. Always you will.»
Fiat lux. E após 90 minutos de projecção a sala estava a metade. Já nem nos importamos com o belo e com uma conjecturada harmonia, em nome da diversão imediata. É uma pena… que me tenham interrompido o delírio com a vossa indiferença. É só isso.
A alusão no momento crítico à 4.ª Sinfonia de Brahms… E o omnipresente, na nossas cabeças formatadas pelo marketing da coisa, 2.º Poema Sinfónico de A Minha Pátria de Bedrich Smetana, (o rio) “Moldava” (T 111, “Vltava”, 1874), são instantes de um todo… sublime?
Arrepio-me

[Sobre A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), de Terrence Malick]

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tinha perdido a magia

E como num estranho processo de contágio, porventura um exercício deliberado de auto-recriminação em forma de novela, Roth transpôs o fracasso de Simon Axler para a luta encarniçada, que referia numa entrevista recente, de Philip, o escritor, até alcançar a obra: o tal abatimento pós-escrita.
Não é que não se sinta aquela voz impulsiva e obstinada com que nos permitiu, felizmente, captar a sua criatividade, que julgáramos infinita, ao longo da sua espantosa obra. Mas esses, os deuses, também falham. E o libidinoso grotesco que Roth maneja como ninguém, é mesmo neste caso liminarmente grotesco e artificial, como o falo verde de látex, de onde o nosso espírito, por mais indulgente que seja e mesmo com arnês, já não consegue fugir até ao pretendido pathos tchekhoviano final, puerilmente falhado.
[Sobre A Humilhação]

sábado, 21 de maio de 2011

Novas Oportunidades

Pode-se maldizer o programa, porém é um facto, este país mudou. Pode ser leviano apontar-se-lhe a frivolidade na demanda pelo santo grau, mesmo que os cavaleiros oportunistas não alcancem o seu sentido prático, ou melhor, a sua exequibilidade na vida deteriorada de cada lar que recebe um papel em letra de forma para emoldurar junto à reprodução da ágape primordial do famoso fresco de Da Vinci. E o Menino da Lágrima não se lembrou… seria melhor não desprezar as suas qualidades de vedor de lençóis freáticos carregados de auto-elogio.
Prosseguindo. Como uma erupção magmática, ao Menino da Lágrima veio-lhe à ideia o fenomenal furo propagandístico, logo arrefecido pela recordação ressentida de velhas querelas em Verão quente: não há um único dia que o Público não esgote nos hipermercados Continente. Lemos mais, estamos mais cultos, já sabemos escrever Pisa sem dois “z’s”.
Perante pilhas de jornais Record, dois ou três exemplares de quatro ou cinco títulos, dei por mim a afagar o frio metal do escaparate, arrepiando-me pela confirmação da longa ausência do Público, hoje com Ípsilon. Esbocei um grito. Mas, de repente, fui assolado por um vórtice de emoções de sinais contrários difíceis de transcorrer para estas linhas em hipertexto – o profundo pesar pelo companheiro das sextas-feiras perdido e a indescritível exultação pela constatação de que nos tornámos num povo mais letrado, mesmo que seja para acender os fogareiros na Avenida da Liberdade da erudita Capital no megapiquenique com o Carreira (e o apelido até vem a propósito).
Eram duas as lágrimas: apenas ficou a invisível contrafeita activada pelo testemunho veemente e iracundo do torneiro mecânico pós-doutorado em quinze dias, ditando, sem vacilar, a narrativa do regime na barraca do Sr. Engenheiro, o nosso mestre das oportunidades.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De uma vida (auto)esventrada em blogues e redes

«Se revelares tudo, puseres a nu todos os sentimentos, implorares compreensão, perdes uma coisa crucial para a tua percepção de ti mesmo. Precisas de saber coisas que os outros não saibam. É o que ninguém sabe acerca de ti que te permite conheceres-te a ti mesmo.»
Don DeLillo, Ponto Ómega, p. 70 [Porto: Sextante, 1.ª edição, Março de 2011, 121 p.; tradução de Paulo Faria; obra original: Point Omega, 2010.]

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sem (muitas) mais palavras


Já vencemos, já vencemos,
Vencemos outra vez.
O Porto ganhou a taça,
Como em 2003.
(cântico modificado nos seus tempos verbais dada a concretização) 


PPS – A constatação pela sintonia perfeita (futura) entre a choraminguice final, (devido a um cartão que, aventou, ficou por mostrar ao filho dos Cárpatos ao 75 minutos, palavras insanas proferidas, demonstrando uma soberba inusitada, que decerto se traduziria num golo marcado) e o clube que representará e que dela vai fazendo hino todos estes anos de deserto.

PPPS – Aos 30 minutos de jogo o nosso super-herói da Marvel (verde quando se enfurece), só se manteve em campo porque a ligação da alcunha à sua compleição física não é apenas um acaso. Um tal Sílvio, que no final do jogo se apressou a dizer que se irá acostar nos alvo-e-rubros colchoneros na próxima temporada, deveria ter jogado menos 60 minutos no verde de Dublin. A choraminguice esqueceu-se desse pormenor. Paciência!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nem Tanovic, nem cópula com peixe-gato

Nem tão-pouco o modorrento, porém bastante aprazível, Beauvois. Da lista de 9 semifinalistas consta o Hævnen dinamarquês vencedor do Globo de Ouro (galardão que caminha a passos largos para o nível qualitativo do seu irmão mais novo português); o irritante Iñárritu (por curiosidade, um nome crioulo-anagramático do assertoado qualificativo); a imperiosa presença japonesa (deve tratar-se de um exercício anual de expiação pela fúria radioactiva de Agosto de 1945).
A lista inclui ainda o desconcertante dente canino psicossocial grego de Lanthimos (auf!). Não poderia faltar, my fair..., a chuva em Espanha esquerdista (ético-exclusivista) com uma alegoria analéptico-dicotómica “maldita globalização / exploração pós-colombiana” (dois coelhos: bang! bang! a culpa do ocidente) e, pelos vistos, bastante aplaudida. Regressando ao título, sinto, em boa verdade alguma pena, gostava mesmo de ouvir pronunciar no próximo dia 27 de Fevereiro no Kodak Theatre o vencedor de Cannes deste ano: Apichatpong Weerasethakul, exercício de pronunciação que foi apenas superado pelo do famoso vulcão da Islândia.
Consultar lista aqui.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Os prémios “highbrow” do cinema americano

Ou melhor, foram anunciados, depois de alguns adiamentos, os prémios de cinema atribuídos pela National Society of Film Critics (NSFC) – associação norte-americana de críticos cinematográficos –, constituída por um grupo de 61 intelectuais (entre eles, Ebert, Denby, McCarthy, Travers, Morgenstern, Hoberman ou Melissa Anderson) que se autodenomina como promotor de «A Verdade, uma vez a cada 12 meses». A NSFC foi fundada há mais de quatro décadas em Nova Iorque por Hollis Alpert, em conjunto com outros críticos de renome, como resposta ao exclusivismo da sua congénere New York Film Critics Circle.
Apesar de no ano passado os prémios da NSFC terem, de certo modo, coincidido com os filmes galardoados com os Óscares da Academia nas diversas categorias – e mais em concreto na categoria “Melhor Filme” para Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow, coincidência que, com esta, só ocorreu por cinco vezes* desde a sua fundação em 1966 –, estes galardões são normalmente conhecidos como os Anti-Óscares. Atente-se, por exemplo, nos realizadores que já viram filmes seus eleitos como os melhores do ano: Antonioni, Bergman (3 vezes), Costa-Gavras, Robert Altman (2 vezes), Rohmer, Buñuel, Truffaut, Louis Malle, Jarmusch, Kurosawa, David Lynch (2 vezes), Mike Leigh (2 vezes) ou P.T. Anderson. Apesar de haver filmes galardoados nesta categoria do calibre de Um Porquinho Chamado Babe (Babe, 1995, de Chris Noonan), Romance Perigoso (Out of Sight, 1998, de Steven Soderbergh), ou O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006, de Guillermo del Toro), para apenas nomear alguns, assaz medíocres (na minha íntima opinião) e de gosto bastante discutível.
Fincher soma e segue, com as três maiores votações do ano: 73, 66 e 61 votos, para o Argumento, Realizador e Filme, respectivamente.
Eis os vencedores, por categoria, dos NSFC Awards de 2010 (a 27 de Fevereiro verificaremos se foi ou não mais um ano – seria o 6.º – de coincidências com a Academia):
4 Prémios
A Rede Social (The Social Network), de David Fincher:
Melhor Filme
Melhor Realizador – David Fincher
Melhor Actor – Jesse Eisenberg
Melhor Argumento – Aaron Sorkin
Restantes filmes com 1 prémio cada (por ordem alfabética do título em português):
Carlos, de Olivier Assayas
Melhor Filme Estrangeiro
O Discurso do Rei (The King’s Speech), de Tom Hooper
Melhor Actor Secundário – Geoffrey Rush
O Escritor Fantasma (The Ghost Writer), de Roman Polanski
Melhor Actriz Secundária – Olivia Williams
Indomável (True Grit), de Joel e Ethan Coen
Melhor Fotografia – Roger Deakins
Vencer (Vincere), de Marco Bellocchio
Melhor Actriz – Giovanna Mezzogiorno
Notas: *Filmes que no mesmo ano venceram o Óscar e o NSFC Award na categoria “Melhor Filme” (desde 1966):
- 1977 – Annie Hall, de Woody Allen;
- 1992 – Imperdoável (Unforgiven), de Clint Eastwood;
- 1993 – A Lista de Schindler (Schindler’s List), de Steven Spielberg;
- 2004 – Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos (Million Dollar Baby), de Clint Eastwood;
- 2009 – Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow.
**Em apenso aos prémios, os críticos NSFC emitiram dois comunicados em jeito de protesto: o primeiro sobre a esdrúxula classificação etária atribuída aos filmes nos Estados Unidos pela Classification & Ratings Administration, órgão da Motion Picture Association of América (MPAA); o segundo repudia as autoridades iranianas pelas recentes condenações dos cineastas Jafar Panahi e Mohammad Rasoulof por motivos estritamente políticos, sentenciados a 6 anos de prisão e as 20 de proibição do exercício da sua actividade.
***Fonte: indieWire.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano de 2011

A voz etérea da maravilhosa Kathleen Battle no único Concerto de Ano Novo dirigido pelo mestre Karajan (já bastante debilitado), dirigindo, claro, a Filarmónica de Viena.

Obra: Frühlingsstimmen (valsa “Vozes da Primavera”) op. 410 (1883)
Compositor: Johann Strauss, filho (1825-1899)
Maestro: Herbert von Karajan (1908-1989)
Orquestra: Filarmónica de Viena
Solista: Kathleen Battle (soprano) (n. 1948)
Data: 1 de Janeiro de 1987
Local: Wiener Musikverein