quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – PAWS



"Jellyfish"
PAWS – Cokefloat! 
(Fat Cat)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Stagnant Pools



"Solitude"
Stagnant Pools – Temporary Room 
(Polyvinyl)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Amour e Indiferença

Não encontrei. O último fotograma de Amor de Haneke. Huppert, pouco depois, sentada na mesma cadeira, a do pai, siderada por um estranho brilho emoldurado pelo inquietante sossego da casa agora a seus pés. Remorso. Culpa, talvez. Mas é aquela apatia o oposto do Amor. A cruel indiferença que enche, em silêncio, o último fotograma antes do fade-out para a escuridão futura.

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Byrne & St. Vincent



"Who"
David Byrne & St. Vincent – Love This Giant 
(4AD)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Música: Os Melhores Álbuns de 2012 – Clinic



"Miss You"
Clinic – Free Reign 
(Domino)

Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Resvalamento do Planalto



Ando por estes dias a observar, incrédulo e impotente (já não se trata de simples acédia), a subida, ainda por cima escabrosa, dos meus índices de PMD*. Com o efeito de retroacção sónica das Bombas V pynchonianas e o seu pavlovianismo, que por cá não se manifesta pela intumescência pré-libidinosa, nas convulsões anti-osmóticas com a espantosa turgidez narrativa de DFW**, os agonizantes odores de cansaço dos pupilos da ATE*** e que nos atingem fatalmente através de espúrias cadeiras de rodas canuck's, rejeitando com incompreensível intensidade a experialista Grande Concavidade: Quo vadis PMD!
Mais de duas mil duzentas páginas… Já nem há tempo para brevidade antologiada da ex-Auster, nem para a, pela cronologia, segunda pérola nabokoviana.
Terapêutica urgente: Reeducação Prescritiva, já!

A que vis andanças podemos tornar…****    

Notas:
*Propensão Marginal para a Demência.
**David Foster Wallace.
***Academia de Ténis de Enfield (“ETA” no original).

**** To what base uses we may return…

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Brennen, bevor es kann beobachtet werden

Volta Bradbury, os 451 ºF não garantem a pulverização completa desta coisa:



Que saloiada! Perante isto, o Para a Finlândia com Amor, de Cascais merecia, no mínimo, o Prémio da mise en scène, na secção Un Certain Regard em Cannes.

Ich bin ein baixa-da-banheiren.

domingo, 11 de novembro de 2012

Dedicado à 4.ª Internacional


E logo hoje que o bafio revolucionário se ergueu bicéfalo, como a águia da burocracia K&K dos Habsburgo, em palmas ritmadas que, num paradoxo não tão estranho, faz lembrar os arrebatados e pantomineiros congressos do PCUS.

E dizia Robert Harris no Sunday Times a propósito da publicação de uma celebrada e polémica biografia sobre aquele que burlescamente ficou para a História como o homem do piolet na cabeça:
«Se imaginar o aluno mais detestável, um radical amargo, sarcástico, arrogante, egoísta, insensível e imaturo e se congelar essa imagem no princípio do século, o resultado é: Trotsky… [Robert] Service torna absolutamente claro que o Trotskismo nada mais é que o Estalinismo embrionário… Raramente a patologia do tipo revolucionário, e suas consequências fatais, foi tão impiedosamente exposta como nesta biografia exemplar.»

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Rapsódia em Azul – Manhattan



Em degustação e por mais quatro anos…


Punch line: He’s done a great job on you. Your self-esteem is like a notch below Kafka’s.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

39 anos, 7 meses e 3 dias

Não se trata de um filme romeno, nem tão-pouco da minha idade (sou infelizmente mais velho, embora cerca de 8 meses, para que conste), mas do tempo que decorreu entre a publicação original e a edição em Portugal de uma transgressão literária que, mesmo na actualidade, continua a fazer torcer várias mentes e a vergar à humilíssima condição de falível humano os reaccionários semideuses defensores do realismo flaubertiano (e há um muito na moda) – como se isto fosse uma competição interescolar ou de mensuração perimetral e da extensibilidade máxima do órgão da soberba na eterna refrega pela masculinidade.

É somente isto:
«Uma berraria vem através do céu. Já aconteceu antes, mas nada há que a compare com agora.»
Com chancela da Bertrand e tradução de Jorge Pereirinha Pires, eis a tão magistral, como polémica, obra de Thomas Pynchon, que motivou mesmo uma suspensão de atribuição do prémio Pulitzer em 1974, embora a obra tivesse sido unanimemente eleita pelo júri nomeado para a categoria de “Ficção” – a talho de foice, constituído pelos escritores e críticos literários Elizabeth Hardwick (1916-2007) e Alfred Kazin (1915-1998), e pelo escritor, ensaísta, eminente académico e crítico cultural Benjamin DeMott (1924-2005) , porém enfaticamente rejeitado pelos visionários membros do Conselho de Administração dos referidos galardões.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Oportuno, no dia que hoje corre…


Adapte-se o contexto.
[Shhhh... no more words / Hear only the voice within. (Jalal ad-Din Rumi, 1207-1273).]

«É uma contradição […] Que cada dia e cada noite e o mundo se dividam naqueles que fazem escutas e torturam e aqueles que se calam e continuam calados.»
Herta Müller, Já então a raposa era o caçador, pág. 128
[Alfragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Setembro de 2012, 239 pp; tradução de Aires Graça; obra original: Der Fuchs war damals schon der Jäger, 1992.]

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quem?

(n. 1955)

Exemplar único em Portugal: Peito Grande, Ancas Largas (Lisboa: Ulisseia, 2007).

Diziam que era o Kafka à Beira-Mar, mas enganaram-se (por pouco) nas coordenadas geográficas, saiu o suposto Kafka das letras chinesas.

O seio rosado de Virgem Maria e a terminação lombar desnuda do rechonchudo Menino Jesus vistos pelo auto-reprimido de Shandong na abertura do seu único romance editado em Portugal:   
«From where he lay on the brick-and-tamped-earth sleeping platform, his Kang, Pastor Malory saw a bright red beam of light shining down on Virgin Mary’s pink breast and on the pudgy face of the bare-bottomed Blessed Infant in her arms.»
Mo Yan, Big Breasts, Wide Hips (New York: Arcade, 2004; trad. Howard Goldblatt.)
Sinais dos tempos: A Academia Sueca dobra-se ao poderio chinês e ao seu heteróclito Socialismo de Mercado. É histórico: o autor, com a sua profissão de fé mutista, instado a comentar o Prémio Nobel da Paz atribuído ao seu colega dissidente Liu Xiaobo disse que "nada tinha a dizer", da mesma forma que uns anos antes, transcreveu mudamente, com uma fé dilacerante, um dos muitos discursos do Educador do Povo para um livro comemorativo. Mao rejubilaria. Por cá, o MRPP renovou, decerto, a sua esperança no levantamento das vítimas da fome, como se sabe, completamente extinta na dita República Popular desde a derrota, em 1949, de Chiang Kai-shek. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Gula

Há quem lamente um certo adormecimento do vigor da ficção ultimamente produzida pelo escritor inglês Ian McEwan. Servem-se do seu natural processo de envelhecimento como caixa-de-ressonância dessa inexorabilidade, contribuindo, assim, para a perda de algum do tão característico negrume nas suas obras mais recentes. Porém, até hoje e que se note, esse negrume tão idiossincrático pairou sempre sobre a sua arte de contar histórias, e neste conceito conseguimos facilmente encaixar a sua prosa concisa, furiosa, brutal, de um sadismo muitas vezes concretizado num humor negro subtil (embora pareça um contra-senso, a subtileza desse humor esconde-se nos pormenores da vulgar vastidão das suas paisagens narrativas) ou numa ironia tão fina e penetrante que, sem darmos por isso, nos atira para um labirinto cuja única saída é o assombro e a inquietação que esse espanto provoca.
Expiação (Atonement, 2001) e Solar (2010) são, à primeira vista, os seus romances mais atípicos, porquanto no primeiro se nota a presença de um certo lirismo e de um pathos não existentes nas obras anteriores e logo abandonados nas obras que se lhe seguiram: Sábado (Saturday, 2005) e a novela Na Praia de Chesil (On Chesil Beach, 2007); no segundo a deliberada hiperbolização do grotesco e as passagens de uma hilaridade de levar o leitor às lágrimas parecem fugir ao cânone mcewaniano. Nada de mais enganador, são artifícios que um McEwan mais refinado, e talvez, na aparência, um pouco menos fragoso, foi desenvolvendo com o maturar da sua escrita: as sombras, a perversidade e a perfídia irreparável encontram-se no subtexto, por muito que alguém se queira enganar com as atribulações do romance "Robbie/Cecilia" ou com as peripécias pessoais e profissionais do físico, burlesco e peripatético, "Michael Beard".
Com Mel (Sweet Tooth, 2012; ed. port. Gradiva), McEwan acrescenta à sua ficção, por um lado, a auto-referencialidade e, por outro, a sucessão vertiginosa de factos, pseudo-rupturas, acidentes e peripécias na narrativa, que se consubstanciam numa representação simbólica das famosas caixas chinesas.  
Se, por exemplo, a auto-referencialidade se evidencia sobretudo com a colectânea de contos negros Entre os Lençóis (In Between the Sheets, 1978) – porventura o mais perverso livro de McEwan, cujas histórias servirão como base para a fulgurante estreia literária de "Thomas Haley" –, afigura-se-me como tortuoso, e até de difícil justificação, deixar cair o epíteto de áspero ou negro para caracterizar Mel. A gula tão humana no crisol da sua existência.

Deixando a crítica aos recenseadores ajuramentados da nação lusa, termino com a minha sintética opinião: Mel é mais uma pérola literária do escritor inglês do Hampshire, uma obra-prima. Surpreendente, escrito numa cadência sufocante – à medida que as caixas se vão abrindo –, é mais uma proeza de um virtuoso que parece dispor de recursos infinitos para nos assombrar de uma forma irresistível e, no entanto e por agora, Serena.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Fincheriana


13 episódios

David Fincher (co-produtor da série e realiza os dois primeiros episódios), seguem-se:
Joel Schumacher
Charles McDougall
Carl Franklin
Alan Coulter

Com o notável duo de actores bem conhecidos do Mestre de Denver:
Kevin Spacey // Robin Wright

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Nostalgia por esses anos sombrios

Hoje de manhã, ao ligar-me à Fnac espanhola, reencontrei um dos fantasmas do meu passado, Kristin Hersh. Em 1994, entre os meus 21/22 anos de (in)experiência empilhada por uma vida burguesa, de diletante – em busca de sombras para tornar expressiva uma vida anódina – a Rat Girl, que, uma década antes, noutra dimensão e suportando um fardo de um peso inaudito, vivenciou esse mesma deriva crepuscular, edita o seu primeiro e sublime álbum a solo, Hips and Makers.
Encontrávamo-nos naquele quarto atulhado com as superfluidades das nossas vidas – quando a dor, de que nos arrogávamos ser os sumos-sacerdotes curtisianos, ainda nos assombrava como uma nuvem pulviscular (vale-me o Mestre Calvino, o Italo) que só se dissipou na Primavera desse mesmo ano pela crueldade da tirania divina que fez de mim o agnóstico que vinte anos não mudaram – ligávamo-nos à eterna XFM, para desgosto dos ouvidos incuravelmente musicófobos da nossa mãe, e escutávamos, sem parar, as músicas que saltavam do disco, repetido pela novidade, da melhor estação de rádio de sempre: “Teeth” e “A Loon”, mas também “The Cuckoo”, e principalmente “Your Ghost” – nem de propósito, no início deste mês cujo fim marca uma década da Tua Ausência:

I think last night
you were driving circles around me.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O Homem com Antenas de Visionário

Mais uma boa notícia (abaixo).
Nove contos escritos entre 1979 e 2011 por mais um dos autores do meu Olimpo e que empresta as suas palavras à epígrafe deste blogue à beira do colapso (nem de propósito!), editados em português pela Sextante.



Dilema Gaspar/Vladimir Ilyich: Que fazer? Dois Bukowski (Alfaguara); McEwan (Gradiva); as memórias de Rushdie, aka Franz Anton, a meticulosidade histórica da cruel Némesis sobre a hubris hitleriana de Kershaw (ambos editados na Dom Quixote); o último romance de Mrs. Auster, Siri Hustvedt (Asa); a reedição dos dois calhamaços do pós-guerra de Popper (Edições 70); e agora este.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Para os Gulosos, estirpe McEwaniana

Eu, pecador, pela gula bibliómana com a marca do mestre de Aldershot, me confesso.

Um mês após o lançamento em Inglaterra, a Gradiva (obrigado!) publica no nosso país Sweet Tooth:



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Este eterno desassossego…

«É uma das mais estranhas descobertas que um homem pode fazer: a de que a vida, seja como for que a levemos, contém momentos de contentamento. Há sempre comparações que se podem fazer com tempos piores, e o pêndulo não deixa de oscilar mesmo no perigo e na miséria.»
Graham Greene, O Poder e a Glória, pág. 77.
[Alfragide: Casa das Letras, 1.ª edição, Março de 2010, 248 pp.; tradução de Manuel Cordeiro; obra original: The Power and the Glory, 1940.]
…muralha, possivelmente intransponível, que nos mantém dentro desta fossa cavernosa.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É, de facto, o Melhor Filme de Sempre

(Scottie [James Stewart] entre a ficção obsidiante de Madeleine [Kim Novak] e a vertigem da realidade carnal de Judy [idem].)


«[No auge da obsessão, o catalisador para o desenlace | notas de minha autoria]

Judy: Não podias gostar de mim? Apenas de mim, tal como sou?
[…]
Judy: Se eu permitir que me modifiques, será o suficiente? Se fizer o que me pedes, passarás a amar-me?
Scottie: [veemente] Sim... [toldado pela obsessão] Sim!
Judy: Então eu faço-o. Eu já não me importo comigo.»


Nota: A exaltação da obra-prima do mestre Hitchcock por 846 especialistas em cinema na Sight & Sound, que pela primeira vez destrona o colossal O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane, 1941) de Orson Welles, deixando para trás obras de realizadores (por ordem classificativa) como Ozu (2 filmes), Renoir, Murnau, Kubrick, John Ford, Vertov, Dreyer (3 filmes), Fellini (2 filmes), Eisenstein, Vigo, Godard (4 filmes, um deles o não-kermodesco À bout de souffle, 1960, ou O Acossado), Coppola (3 filmes), Bresson, Kurosawa (2 filmes), Bergman, Tarkovsky (3 filmes), Stanley Donen e Gene Kelly, Antonioni, Wong Kar-Wai, Lynch, Claude Lanzmann, Scorsese, De Sica, Buster Keaton e Clyde Bruckman, Fritz Lang, Hitchcock (de novo), Chantal Akerman, Béla Tarr, Truffaut, Rossellini, Satyajit Ray, Billy Wilder, Tati, Kiarostami, Pontecorvo, Chaplin, Mizoguchi, e Chris Marker (falecido há 3 dias, no dia em que completava 91 anos).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Por fim, fecharam-se os lábios

«Às vezes, pareço-me com Montaigne quando ele observa: “Adoptei a prática de ter sempre a morte não apenas na minha mente, mas também nos lábios”.»


(West Point, NY, 3/Outubro/1925 – Hollywood Hills, CA, 31/Julho/2012)

Parte do que eu poderia dizer, já o disse.
O que dizem eles, pobre e atabalhoadamente.
E o que diz o João, porventura o maior admirador e conhecedor da vida e da obra deste americano, feroz e mordaz, neste Portugal (dos pequeninos) que quase o ignora.