sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Bon Iver



"Holocene"
Bon Iver – Bon Iver 
(4AD)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Horrors



"Still Life"
The Horrors – Skying 
(XL)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conduz-me aos verdes prados…



E a cada ano que passa há sempre pelo menos uma fantasia fúchsia, glamorosa púrpura garrida, deste calibre. Um filme inenarrável que uma pesada turba (de dedo sensível) incensa e a indústria segue – até Cannes se rendeu ao fogo-de-artifício danês, que se assemelha (e muito) à penosa e descoroçoante rendição da imprensa estrangeira acreditada em Hollywood, quando, em Dezembro do ano passado, num impulso arrebatador desferiu um golpe na 7.ª arte ao benzer, com três nomeações, o refugo fílmico O Turista (The Tourist, 2010) do promissor realizador germânico Florian Henckel von Donnersmarck.
Muito virtuosismo arraialesco dedicado pelo realizador dinamarquês ao produto final: com um argumento abaixo de sofrível; uma interpretação mil vezes repetida por Gosling (o pseudo-estóico, o passivo-insensível que chama a si todos os males para salvar o mundo, quase uma figura hierática, mono-expressiva e uma mescla de canastrão-redentor, condenado ao papel do novo messias); uma Carey Muligan desgraçadinha e lacrimejante para quem já não há pachorra. Então o restante elenco… é de uma boçalidade e histrionia gritantes, tendo como epítomes Albert Brooks e Ron Perlman Penitenziagite!
Drive – Risco Duplo (Drive, 2011) não é do pior que se fez no ano, mas seguramente é um dos filmes visualmente mais desonestos da temporada, e aí ter-se-á de tirar o chapéu a Refn, tal é o engodo que oculta a massa consistente com flashes de tuning, bem ao jeito dos amantes do oleoso Overhaulin’ e do mentor Chip Foose, que escapa ao mais incauto “estrelador” precoce.

Termino, manifestando a minha concordância completa com a avaliação do Luís Miguel Oliveira. Este péssimo produto nas mãos de um Mann talvez valesse para o gasto do bilhete e a reparação dos danos estéticos. E digo mais, até um Bryan Singer provavelmente o faria melhor. E é pena porque o realizador (agora com 41 anos), Nicolas Winding Refn, até teve um começo auspicioso no circuito internacional com o subavaliado Fear X de 2003, cujo excelente argumento foi compartilhado com o excêntrico e corrosivo Hubert Selby Jr., pouco tempo antes de morrer. Porém, (o auspicioso é pessoal e em nada irónico) Refn tinha apenas 32 anos e o filme valeu-lhe o dissabor da falência – porventura foi daí que veio a grande mossa que o conduziu pela sinuosidade festivaleira das piores colinas de Hollywood. É meter-lhe um chip de potência.

Música: Os melhores álbuns de 2011 – St. Vincent



"Cruel"
St. Vincent – Strange Mercy 
(4AD)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Radiohead



"Lotus Flower"
Radiohead – The King of Limbs 
(XL)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Iceage



"White Rune"
Iceage – New Brigade 
(What's Your Rupture)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Strokes



"Under Cover of Darkness"
The Strokes – Angles 
(RCA)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sábado, 10 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Sonic Thurston



"Circulation"
Thurston Moore – Demolished Thoughts 
(Matador)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Callahan



"Riding for the Feeling"
Bill Callahan – Apocalypse 
(Drag City)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – J. Maus



"Believer"
John Maus – We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves 
(Upset the Rhythm)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As Listas de 2011


Apesar do induzido estado de adormecimento blogueiro durante o ano de 2011, motivado, por um lado, pelo esmorecer do encanto de dizer ao mundo aquilo que perpassa por esta mente em tumulto perene e, com maior acuidade, pelos trabalhos acrescidos pouco rentáveis a que fui sujeito, não poderia terminar o 6.º ano de actividade deste blogue (próximo dia 17) sem revelar as minhas listas de preferências sobre as três áreas artísticas mais presentes na torrente desordenada de textos que o constitui e que já se aproxima do milhar e meio.
Assim, sem grande novidade ao que aqui ocorreu no anterior (excepto na sua ordenação), passarei a postar diariamente as minhas predilecções musicais (como se irá ver, ainda com alguma irreverência pubertária nas veias), por ordem aleatória, apenas revelando a listagem final organizada por ordem de preferência, o meu “Top 10” de álbuns originalmente editados à escala mundial durante 2011, no final do mês (dia ainda indefinido) – os dez vídeos estão a partir de hoje programados para surgir neste blogue à mesma hora numa base diária.
Na secção “Cinema” (filmes exibidos pela primeira vez em sala de cinema em Portugal), e dadas a estreias que ainda irão ocorrer até ao final do ano (onde se excluem os que estrearão a 29 de Dezembro – serão incluídos na lista de 2012, se por cá andar – e incluem os estreados a 30 de Dezembro do ano passado, tal como foi prometido), o “Top 10” será revelado em vésperas natalícias – embora creia que as estreias que se avizinham em pouco ou nada contribuirão para alterar a opinião já formada.
Nos “Livros” editados em Portugal durante 2011, e como sempre tem ocorrido, as novidades não serão grandes, porquanto ao longo do ano aqueles que vou lendo vão sendo ordenados por prazer literário na coluna do lado direito deste blogue – apenas se espera a introdução de mais um ou dois exemplares cujo processo de leitura se encontra em curso e em velocidade de cruzeiro. Publicação final do “Top 10” prevista para 30 ou 31 de Dezembro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória


Nada de resenhas, críticas, ou pseudo-recensões – ainda me vergastam pela foice cravada na seara dourada deles. Trata-se apenas da exteriorização de um desassossego. Perdão! Fui assombrado pelo quarteto de palavras que formam a frase que encerra a centena e meia de páginas deste aqui ao lado – o Booker Prize deste ano. Talvez aquele que nos últimos dois ou três anos mais fez vibrar a corda sensível da minha condição de leitor ávido: «Há uma grande agitação.» [There is great unrest] – unrest.
     
Acumulação.
Seguimos com as nossas vida sem perceber… nunca percebemos. Caminhos trilhados a remover obstáculos que se vão acumulando, formando muros insuperáveis para quem outrora nos rodeou e seguia os nossos passos; e quando olhamos para trás apenas vislumbramos vultos difusos, uma memória esparsa que se foi enterrando nos escombros do quotidiano pelo egoísmo intrínseco à nossa subsistência.      
Responsabilidade.
A tomada de consciência. O despertar da memória – puxar os fios soltos que adejam ao vento, radicados ao solo estéril, que a libertam do entulho opaco, infecto e nauseabundo –, a miséria humana. A culpa pela dor atroz infligida.  
Agitação.
Não há reparação, nem nunca iremos perceber que todos os actos praticados com esse fim apenas irão servir para ampliar o sofrimento provocado. Resta o remorso:
«Às vezes penso que a finalidade da vida é reconciliar-nos com a sua eventual perda esgotando-nos, e provando, por muito tempo que leve, que a vida não é tão boa como se diz.»

Julian Barnes, O Sentido do Fim, pág. 109

[Lisboa: Quetzal, Novembro de 2011, 152 pp.; tradução de Helena Cardoso.]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

manuel a. domingos

Teorias
tiragem única de 100 exemplares
composição, paginação e ilustração de Sérgio Nogueira
Edição de Autor
2011



domingo, 13 de novembro de 2011

Uma punch line do atordoante Smog


«Estourei os micrómetros com os primeiros golpes que dei no saco de areia. Prendi-os com uma ligadura à volta das mãos antes de calçar as luvas e arremeti contra o saco até os dedos ficarem ensanguentados, desfeitos e em carne viva.
»O meu treinador está muito, muito impressionado. Quero dizer, não parece de todo impressionado. Cheguei a convencer-me de que descobriria o meu potencial. A semente. Da grandeza. Nem pensar.»
Bill Callahan, Letters to Emma Bowlcut (Chicago: Drag City, 2010) [excerto da “Carta 59”; tradução livre: AMC]

Persisti em esmurrar-vos nos gumes escabrosos da realidade; expostos, despidos no púlpito do desespero. Degradante exibicionismo. Sois miseráveis, afastados da ribalta pelos aduladores da podridão. Jamais saltareis para o ringue. Vós? Nunca… Nós? Em tempo algum. Até ao dia. Rebentarei. Eu.


Bill Callahan, “Riding for the Feeling”, Apocalypse (Drag City, 2011)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Às distribuidoras de filmes

Vão-se foder!


Enfiem-nos pelo vosso respectivo centralista.
Façam lá os vossos festivais. Convidem 2347 personalidades pagas a peso de ouro com financiamento provindo do Orçamento de Estado, que é alimentado alarvemente pelos nossos impostos, inter alia, nortenhos, algarvios, transmontanos, beirões, e conspurquem-se em belugas mal-cheirosas, divirtam-se com as bolhinhas carbónicas dos Moët & Chandon, Bollinger e Veuve Clicquot, ou então, com shots inebriantes de Stolichnaya e de Ketel One, a que, decerto, não faltarão umas linhas alvo-pulverulentas nos autoclismos dos concorridos toillettes.


Bom proveito, que por aqui ainda vai existindo a Internet.    

sábado, 29 de outubro de 2011

MH & AH: 1065 páginas.


Até breve...


PS - Aquela coisa do Finkler e do finklarismo tem mesmo piada. Repousou por aqui seis meses e vale mesmo a pena ser aberto e deixá-lo respirar, especialmente devido ao denso e brumoso momento por que passa a nossa vida (bom, diga-se, a minha...) Estrelização próxima, e por muito que custe aos estrelados (e até nem desdenho dos agora escalfados em lume brando) e aos guardiões pretorianos de constelação alheia que, por nebulosa atitude, votam à matéria escura aquele que ousa tão baixo estrelar. (Dou-vos um mandamento novo, contado com o de "amai-vos uns aos outros como...", será o 12.º: Não baixamente estrelarás o teu próximo [leia-se, o meu amigo].)  

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Com o TEMPO, fez-se justiça


The Sense of an Ending


I remember, in no particular order:
– a shiny inner wrist;
– steam rising from a wet sink as a hot frying pan is laughingly tossed into it;
– gouts of sperm circling a plughole, before being sluiced down the full length of a tall house;
– a river rushing nonsensically upstream, its wave and wash lit by half a dozen chasing torchbeams;
– another river, broad and grey, the direction of its flow disguised by a stiff wind exciting the surface;
– bathwater long gone cold behind a locked door. This last isn’t something I actually saw, but what you end up remembering isn’t always the same as what you have witnessed
.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Atentamente, L. Cohen

Como diria o outro (não me recordo agora de quem seja), é todo um programa que levou menos de três décadas a cumprir. Não é uma visão apocalíptica, trata-se de uma constatação da miséria humana num mundo em decadência compulsiva, quiçá registada no seu código genético, a autodestruição pela emergência in ego dos contrários.

«Sempre quis ser amado pelo Partido Comunista e pela Santa Madre Igreja. Queria viver numa canção folk, como o Joe Hill. Queria chorar pelas pessoas inocentes que a minha bomba deixaria necessariamente estropiadas. Queria agradecer ao velho camponês que nos daria de comer na nossa fuga. Queria usar a minha manga vazia arregaçada até cima, ver as pessoas sorrir quando eu fizesse a continência com a mão errada. Queria ser contra os ricos, mesmo que alguns deles conhecessem Dante; momentos antes da derrocada um deles ficaria a saber que também eu conhecia Dante. Queria que levassem o meu busto pelas ruas de Pequim, com um poema escrito no meu ombro. Queria poder sorrir aos dogmas, e apesar de tudo deixar que estes me distorcessem a personalidade. Queria defrontar as máquinas da Broadway. Queria que a Quinta Avenida recordasse os atalhos índios que por lá passavam. Queria sair de uma cidade mineira com maus modos e convicções incutidos por um tio ateu e bêbedo, ovelha negra da família. Queria atravessar a América num comboio blindado, ser o único branco aceite pelos negros na convenção. Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona. Queria lutar contra o golpe de estado da polícia secreta, mas de dentro do partido. Queria que uma velha a quem morreram os filhos se lembrasse de mim nas suas orações, numa igreja de adobe, e que os filhos me garantissem que o fizera. Queria persignar-me quando ouvisse palavrões. Queria ser tolerante para com os vestígios de paganismo numa festa de aldeia, condenando a Cúria. Queria envolver-me em negócios obscuros de imobiliário, ser o agente de um bilionário sem nome e sem idade. Queria escrever bem dos Judeus. Queria ser alvejado entre os Bascos por transportar a eucaristia para o campo da batalha contra Franco. Queria pregar sobre o casamento com a indiscutível autoridade de uma virgem, espreitando pêlos negros das pernas das noivas. Queria escrever um manifesto contra o controlo de natalidade num inglês muito claro, um panfleto que se vendesse nas salas de espera, ilustrado a duas cores com desenhos de estrelas cadentes e da eternidade. Queria proibir a dança durante uns tempos. Queria ser um padre drogado que gravasse um disco para a Folkways. Queria ser deportado por razões políticas. Acabo de descobrir que o cardeal … recebeu um avultado suborno de uma revista feminina, fui alvo de propostas desonestas por parte do meu confessor, vi os camponeses serem traídos por razões necessárias, mas os sinos tocam esta noite, outra noite no mundo de Deus, e há muitos que precisam de alimento, muitos joelhos ansiosos por se vergarem, subo os degraus gastos enrolado na velha pele de arminho.»
Leonard Cohen, Belos Vencidos, pp. 30-32 [Lisboa: Relógio D’Água, Novembro de 1997, 271 p; tradução de Margarida Vale de Gato; obra original: Beautiful Losers, 1966]