sábado, 10 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Sonic Thurston



"Circulation"
Thurston Moore – Demolished Thoughts 
(Matador)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – Callahan



"Riding for the Feeling"
Bill Callahan – Apocalypse 
(Drag City)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Música: Os melhores álbuns de 2011 – J. Maus



"Believer"
John Maus – We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves 
(Upset the Rhythm)

Nota: Todos os dias às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

As Listas de 2011


Apesar do induzido estado de adormecimento blogueiro durante o ano de 2011, motivado, por um lado, pelo esmorecer do encanto de dizer ao mundo aquilo que perpassa por esta mente em tumulto perene e, com maior acuidade, pelos trabalhos acrescidos pouco rentáveis a que fui sujeito, não poderia terminar o 6.º ano de actividade deste blogue (próximo dia 17) sem revelar as minhas listas de preferências sobre as três áreas artísticas mais presentes na torrente desordenada de textos que o constitui e que já se aproxima do milhar e meio.
Assim, sem grande novidade ao que aqui ocorreu no anterior (excepto na sua ordenação), passarei a postar diariamente as minhas predilecções musicais (como se irá ver, ainda com alguma irreverência pubertária nas veias), por ordem aleatória, apenas revelando a listagem final organizada por ordem de preferência, o meu “Top 10” de álbuns originalmente editados à escala mundial durante 2011, no final do mês (dia ainda indefinido) – os dez vídeos estão a partir de hoje programados para surgir neste blogue à mesma hora numa base diária.
Na secção “Cinema” (filmes exibidos pela primeira vez em sala de cinema em Portugal), e dadas a estreias que ainda irão ocorrer até ao final do ano (onde se excluem os que estrearão a 29 de Dezembro – serão incluídos na lista de 2012, se por cá andar – e incluem os estreados a 30 de Dezembro do ano passado, tal como foi prometido), o “Top 10” será revelado em vésperas natalícias – embora creia que as estreias que se avizinham em pouco ou nada contribuirão para alterar a opinião já formada.
Nos “Livros” editados em Portugal durante 2011, e como sempre tem ocorrido, as novidades não serão grandes, porquanto ao longo do ano aqueles que vou lendo vão sendo ordenados por prazer literário na coluna do lado direito deste blogue – apenas se espera a introdução de mais um ou dois exemplares cujo processo de leitura se encontra em curso e em velocidade de cruzeiro. Publicação final do “Top 10” prevista para 30 ou 31 de Dezembro.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memória


Nada de resenhas, críticas, ou pseudo-recensões – ainda me vergastam pela foice cravada na seara dourada deles. Trata-se apenas da exteriorização de um desassossego. Perdão! Fui assombrado pelo quarteto de palavras que formam a frase que encerra a centena e meia de páginas deste aqui ao lado – o Booker Prize deste ano. Talvez aquele que nos últimos dois ou três anos mais fez vibrar a corda sensível da minha condição de leitor ávido: «Há uma grande agitação.» [There is great unrest] – unrest.
     
Acumulação.
Seguimos com as nossas vida sem perceber… nunca percebemos. Caminhos trilhados a remover obstáculos que se vão acumulando, formando muros insuperáveis para quem outrora nos rodeou e seguia os nossos passos; e quando olhamos para trás apenas vislumbramos vultos difusos, uma memória esparsa que se foi enterrando nos escombros do quotidiano pelo egoísmo intrínseco à nossa subsistência.      
Responsabilidade.
A tomada de consciência. O despertar da memória – puxar os fios soltos que adejam ao vento, radicados ao solo estéril, que a libertam do entulho opaco, infecto e nauseabundo –, a miséria humana. A culpa pela dor atroz infligida.  
Agitação.
Não há reparação, nem nunca iremos perceber que todos os actos praticados com esse fim apenas irão servir para ampliar o sofrimento provocado. Resta o remorso:
«Às vezes penso que a finalidade da vida é reconciliar-nos com a sua eventual perda esgotando-nos, e provando, por muito tempo que leve, que a vida não é tão boa como se diz.»

Julian Barnes, O Sentido do Fim, pág. 109

[Lisboa: Quetzal, Novembro de 2011, 152 pp.; tradução de Helena Cardoso.]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

manuel a. domingos

Teorias
tiragem única de 100 exemplares
composição, paginação e ilustração de Sérgio Nogueira
Edição de Autor
2011



domingo, 13 de novembro de 2011

Uma punch line do atordoante Smog


«Estourei os micrómetros com os primeiros golpes que dei no saco de areia. Prendi-os com uma ligadura à volta das mãos antes de calçar as luvas e arremeti contra o saco até os dedos ficarem ensanguentados, desfeitos e em carne viva.
»O meu treinador está muito, muito impressionado. Quero dizer, não parece de todo impressionado. Cheguei a convencer-me de que descobriria o meu potencial. A semente. Da grandeza. Nem pensar.»
Bill Callahan, Letters to Emma Bowlcut (Chicago: Drag City, 2010) [excerto da “Carta 59”; tradução livre: AMC]

Persisti em esmurrar-vos nos gumes escabrosos da realidade; expostos, despidos no púlpito do desespero. Degradante exibicionismo. Sois miseráveis, afastados da ribalta pelos aduladores da podridão. Jamais saltareis para o ringue. Vós? Nunca… Nós? Em tempo algum. Até ao dia. Rebentarei. Eu.


Bill Callahan, “Riding for the Feeling”, Apocalypse (Drag City, 2011)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Às distribuidoras de filmes

Vão-se foder!


Enfiem-nos pelo vosso respectivo centralista.
Façam lá os vossos festivais. Convidem 2347 personalidades pagas a peso de ouro com financiamento provindo do Orçamento de Estado, que é alimentado alarvemente pelos nossos impostos, inter alia, nortenhos, algarvios, transmontanos, beirões, e conspurquem-se em belugas mal-cheirosas, divirtam-se com as bolhinhas carbónicas dos Moët & Chandon, Bollinger e Veuve Clicquot, ou então, com shots inebriantes de Stolichnaya e de Ketel One, a que, decerto, não faltarão umas linhas alvo-pulverulentas nos autoclismos dos concorridos toillettes.


Bom proveito, que por aqui ainda vai existindo a Internet.    

sábado, 29 de outubro de 2011

MH & AH: 1065 páginas.


Até breve...


PS - Aquela coisa do Finkler e do finklarismo tem mesmo piada. Repousou por aqui seis meses e vale mesmo a pena ser aberto e deixá-lo respirar, especialmente devido ao denso e brumoso momento por que passa a nossa vida (bom, diga-se, a minha...) Estrelização próxima, e por muito que custe aos estrelados (e até nem desdenho dos agora escalfados em lume brando) e aos guardiões pretorianos de constelação alheia que, por nebulosa atitude, votam à matéria escura aquele que ousa tão baixo estrelar. (Dou-vos um mandamento novo, contado com o de "amai-vos uns aos outros como...", será o 12.º: Não baixamente estrelarás o teu próximo [leia-se, o meu amigo].)  

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Com o TEMPO, fez-se justiça


The Sense of an Ending


I remember, in no particular order:
– a shiny inner wrist;
– steam rising from a wet sink as a hot frying pan is laughingly tossed into it;
– gouts of sperm circling a plughole, before being sluiced down the full length of a tall house;
– a river rushing nonsensically upstream, its wave and wash lit by half a dozen chasing torchbeams;
– another river, broad and grey, the direction of its flow disguised by a stiff wind exciting the surface;
– bathwater long gone cold behind a locked door. This last isn’t something I actually saw, but what you end up remembering isn’t always the same as what you have witnessed
.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Atentamente, L. Cohen

Como diria o outro (não me recordo agora de quem seja), é todo um programa que levou menos de três décadas a cumprir. Não é uma visão apocalíptica, trata-se de uma constatação da miséria humana num mundo em decadência compulsiva, quiçá registada no seu código genético, a autodestruição pela emergência in ego dos contrários.

«Sempre quis ser amado pelo Partido Comunista e pela Santa Madre Igreja. Queria viver numa canção folk, como o Joe Hill. Queria chorar pelas pessoas inocentes que a minha bomba deixaria necessariamente estropiadas. Queria agradecer ao velho camponês que nos daria de comer na nossa fuga. Queria usar a minha manga vazia arregaçada até cima, ver as pessoas sorrir quando eu fizesse a continência com a mão errada. Queria ser contra os ricos, mesmo que alguns deles conhecessem Dante; momentos antes da derrocada um deles ficaria a saber que também eu conhecia Dante. Queria que levassem o meu busto pelas ruas de Pequim, com um poema escrito no meu ombro. Queria poder sorrir aos dogmas, e apesar de tudo deixar que estes me distorcessem a personalidade. Queria defrontar as máquinas da Broadway. Queria que a Quinta Avenida recordasse os atalhos índios que por lá passavam. Queria sair de uma cidade mineira com maus modos e convicções incutidos por um tio ateu e bêbedo, ovelha negra da família. Queria atravessar a América num comboio blindado, ser o único branco aceite pelos negros na convenção. Queria ir a cocktails de metralhadora ao ombro. Queria dizer a uma velha namorada escandalizada pelos meus métodos que as revoluções não se fazem nos buffets, que não podemos ser selectivos, e ver o seu vestido de noite prateado molhar-se no sítio da cona. Queria lutar contra o golpe de estado da polícia secreta, mas de dentro do partido. Queria que uma velha a quem morreram os filhos se lembrasse de mim nas suas orações, numa igreja de adobe, e que os filhos me garantissem que o fizera. Queria persignar-me quando ouvisse palavrões. Queria ser tolerante para com os vestígios de paganismo numa festa de aldeia, condenando a Cúria. Queria envolver-me em negócios obscuros de imobiliário, ser o agente de um bilionário sem nome e sem idade. Queria escrever bem dos Judeus. Queria ser alvejado entre os Bascos por transportar a eucaristia para o campo da batalha contra Franco. Queria pregar sobre o casamento com a indiscutível autoridade de uma virgem, espreitando pêlos negros das pernas das noivas. Queria escrever um manifesto contra o controlo de natalidade num inglês muito claro, um panfleto que se vendesse nas salas de espera, ilustrado a duas cores com desenhos de estrelas cadentes e da eternidade. Queria proibir a dança durante uns tempos. Queria ser um padre drogado que gravasse um disco para a Folkways. Queria ser deportado por razões políticas. Acabo de descobrir que o cardeal … recebeu um avultado suborno de uma revista feminina, fui alvo de propostas desonestas por parte do meu confessor, vi os camponeses serem traídos por razões necessárias, mas os sinos tocam esta noite, outra noite no mundo de Deus, e há muitos que precisam de alimento, muitos joelhos ansiosos por se vergarem, subo os degraus gastos enrolado na velha pele de arminho.»
Leonard Cohen, Belos Vencidos, pp. 30-32 [Lisboa: Relógio D’Água, Novembro de 1997, 271 p; tradução de Margarida Vale de Gato; obra original: Beautiful Losers, 1966]

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um final de enterrar


Já que “funeral”, já dizia a inefável Bobone com uma floreira, por vezes fruteira, na cabeça, é para a criadagem, e para o «magote de camponeses, de boné na mão» (p. 20).
«Se amanhã um médico me disser que sofro de uma doença incurável, terei um ataque de coração, o que, convenhamos, resolveria o problema. Mas, se isso não acontecer, quero ter a lei do meu lado.»
Maria Filomena Mónica, A Morte, p. 80 [Lisboa: FFMS, Junho de 2011, 82 pp.]
Um final de todo espirituoso, o menino ‘tá a ver…

sábado, 23 de julho de 2011

A (Musa) Conspiradora



Inspira pouco produzindo uma amálgama estética e técnica de mau gosto e pouco brio. Resta-lhe a ética redfordiana com o seu subtexto programático. Um cordeiro cujo espelho reflecte um leão.
Oito filmes, oito miseráveis conjuntos de imagens em movimento. Ninguém lhe sugere, ou até impõe, que não se abeire de uma câmara numa distância segura, digamos que por uns 100 metros bem medidos?
Have you ever believed in something far greater than yourself?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Pritzker 2012?


«por […] construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.»

Agraciem-no antes com o Pritzker do próximo ano (o deste está tomado pelo nosso ESM), e ele próprio ainda não entende como ajudou a construir a ponte se nasceu e cresceu no Japão, fala japonês (o que é, desde logo, um feito notável), come comida japonesa (e que lhe faça bom proveito, por aqui é sinal pequeno-burguês de bom gosto: peixe cru por 200 euros) e faz todas as coisas que fazem os japoneses, mas (importante adversativa) gosta de Jazz e da literatura ocidental de Dostoievski a Stephen King (valha-me um qualquer Kami xintoísta, de Pessoa a Rebelo Pinto à escala lusa).
Sim, venceu em Março passado o Prémio Internacional da Catalunha, que conseguiu a proeza de meter no mesmo saco Harold Bloom e Stephen King por via referencial de Haruki Murakami. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Profundidade e Beleza...



It's four in the morning, the end of December
I'm writing you now just to see if you're better
New York is cold, but I like where I'm living
There's music on Clinton Street all through the evening.

I hear that you're building your little house deep in the desert
You're living for nothing now, I hope you're keeping some kind of record.

Yes, and Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?

Ah, the last time we saw you you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
You'd been to the station to meet every train
And you came home without Lili Marlene

And you treated my woman to a flake of your life
And when she came back she was nobody's wife.

Well I see you there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see Jane's awake 

She sends her regards.
And what can I tell you my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you, I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way.

If you ever come by here, for Jane or for me
Your enemy is sleeping, and his woman is free.

Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.

And Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear

 Sincerely, L. Cohen

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Fincher 9

Eis o trailer aprovado para todas as audiências:




Nota: Apesar de ser francamente contra à nova mania hollywoodiana do abastardamento dos filmes de sucesso de outras línguas e latitudes – vide o sensacional Låt den rätte komma in de 2008 (Deixa-me Entrar) do realizador sueco Tomas Alfredson, tendo-me mesmo recusado a ver a versão americana de 2010 de Matt Reeves –, com Fincher abre-se sempre uma excepção e aqui, ao contrário, não vi a versão original de 2009 do dinamarquês Niels Arden Oplev, porque aquela já se fizera anunciar (diz-se que Noomi Rapace esteve simplesmente soberba, e que Fincher queria incluí-la na sua versão, mas Rapace recusou dada a “exaustão” de personagem).