
«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
A verdadeira Cadeira de Sonho
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quinta-feira, 16 de junho de 2011
Fincher e Nolan sobre Malick
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quinta-feira, 9 de junho de 2011
Pritzker 2012?
«por […] construir uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.»
Agraciem-no antes com o Pritzker do próximo ano (o deste está
tomado pelo nosso ESM), e ele próprio ainda não entende como ajudou a construir a
ponte se nasceu e cresceu no Japão, fala japonês (o que é, desde logo, um feito
notável), come comida japonesa (e que lhe faça bom proveito, por aqui é sinal
pequeno-burguês de bom gosto: peixe cru por 200 euros) e faz todas as coisas que fazem os japoneses, mas (importante adversativa) gosta de Jazz e da literatura ocidental de Dostoievski a Stephen King (valha-me um qualquer Kami xintoísta,
de Pessoa a Rebelo Pinto à escala lusa).
Sim, venceu em Março passado o Prémio Internacional da Catalunha, que conseguiu a proeza de meter no mesmo saco Harold Bloom e Stephen
King por via referencial de Haruki Murakami.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Profundidade e Beleza...
It's four in the morning, the end of December
I'm writing you now just to see if you're better
New York is cold, but I like where I'm living
There's music on Clinton Street all through the evening.
I hear that you're building your little house deep in the desert
You're living for nothing now, I hope you're keeping some kind of record.
Yes, and Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
Did you ever go clear?
Ah, the last time we saw you you looked so much older
Your famous blue raincoat was torn at the shoulder
You'd been to the station to meet every train
And you came home without Lili Marlene
And you treated my woman to a flake of your life
And when she came back she was nobody's wife.
Well I see you there with the rose in your teeth
One more thin gypsy thief
Well I see Jane's awake –
She sends her regards.
And what can I tell you my brother, my killer
What can I possibly say?
I guess that I miss you, I guess I forgive you
I'm glad you stood in my way.
If you ever come by here, for Jane or for me
Your enemy is sleeping, and his woman is free.
Yes, and thanks, for the trouble you took from her eyes
I thought it was there for good so I never tried.
And Jane came by with a lock of your hair
She said that you gave it to her
That night that you planned to go clear
– Sincerely, L. Cohen
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Fincher 9
Eis o trailer aprovado para todas as audiências:
Nota: Apesar de ser francamente contra à nova mania hollywoodiana do
abastardamento dos filmes de sucesso de outras línguas e latitudes – vide o
sensacional Låt den rätte komma in de 2008 (Deixa-me Entrar) do realizador
sueco Tomas Alfredson, tendo-me mesmo recusado a ver a versão americana de 2010
de Matt Reeves –, com Fincher abre-se sempre uma excepção e aqui, ao contrário,
não vi a versão original de 2009 do dinamarquês Niels Arden Oplev, porque
aquela já se fizera anunciar (diz-se que Noomi Rapace esteve simplesmente
soberba, e que Fincher queria incluí-la na sua versão, mas Rapace recusou dada
a “exaustão” de personagem).
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sábado, 28 de maio de 2011
Odisseia Malickiana
Não. Não vale a pena interpretar o que não se expôs para ser
interpretado. Será a apreciação uma forma depurada da inevitável interpretação?
Não me apetece ir por aí, nem tão-pouco entrar em considerações teosóficas sobre, se me é
permitido, a mundividência transcendentalista de dois contrários:
«Father,
Mother. Always you wrestle inside me. Always you will.»
Fiat lux. E após 90 minutos de projecção a sala estava a
metade. Já nem nos importamos com o belo e com uma conjecturada harmonia, em
nome da diversão imediata. É uma pena… que me tenham interrompido o delírio com a vossa indiferença. É só isso.
A alusão no momento crítico à 4.ª Sinfonia de Brahms… E o omnipresente,
na nossas cabeças formatadas pelo marketing da coisa, 2.º Poema Sinfónico de A
Minha Pátria de Bedrich Smetana, (o rio) “Moldava” (T 111, “Vltava”, 1874), são
instantes de um todo… sublime?
Arrepio-me…
[Sobre A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011), de Terrence Malick]
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
Tinha perdido a magia
E como num estranho processo de contágio, porventura um exercício deliberado de auto-recriminação em forma de novela, Roth transpôs o fracasso de Simon Axler para a luta encarniçada, que referia numa entrevista recente, de Philip, o escritor, até alcançar a obra: o tal abatimento pós-escrita.
Não é que não se sinta aquela voz impulsiva e obstinada com que nos permitiu, felizmente, captar a sua criatividade, que julgáramos infinita, ao longo da sua espantosa obra. Mas esses, os deuses, também falham. E o libidinoso grotesco que Roth maneja como ninguém, é mesmo neste caso liminarmente grotesco e artificial, como o falo verde de látex, de onde o nosso espírito,
por mais indulgente que seja e mesmo com arnês, já não consegue fugir até ao pretendido
pathos tchekhoviano final, puerilmente falhado.
[Sobre A Humilhação]
[Sobre A Humilhação]
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domingo, 22 de maio de 2011
16.ª Taça de Portugal
69.º título oficial
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sábado, 21 de maio de 2011
Novas Oportunidades
Pode-se maldizer o programa, porém é um facto, este país
mudou. Pode ser leviano apontar-se-lhe a frivolidade na demanda pelo santo grau,
mesmo que os cavaleiros oportunistas não alcancem o seu sentido prático, ou
melhor, a sua exequibilidade na vida deteriorada de cada lar que recebe um
papel em letra de forma para emoldurar junto à reprodução da ágape primordial do
famoso fresco de Da Vinci. E o Menino da Lágrima não se lembrou… seria melhor não
desprezar as suas qualidades de vedor de lençóis freáticos carregados de auto-elogio.
Prosseguindo. Como uma erupção magmática, ao Menino da Lágrima
veio-lhe à ideia o fenomenal furo propagandístico, logo arrefecido pela
recordação ressentida de velhas querelas em Verão quente: não há um único dia
que o Público não esgote nos hipermercados Continente. Lemos mais, estamos mais
cultos, já sabemos escrever Pisa sem dois “z’s”.
Perante pilhas de jornais Record, dois ou três exemplares de
quatro ou cinco títulos, dei por mim a afagar o frio metal do escaparate, arrepiando-me pela confirmação
da longa ausência do Público, hoje com Ípsilon. Esbocei um grito. Mas, de
repente, fui assolado por um vórtice de emoções de sinais contrários difíceis de
transcorrer para estas linhas em hipertexto – o profundo pesar pelo companheiro
das sextas-feiras perdido e a indescritível exultação pela constatação de que nos
tornámos num povo mais letrado, mesmo que seja para acender os fogareiros na Avenida da Liberdade da erudita Capital no megapiquenique com o Carreira (e o apelido até vem a propósito).
Eram duas as lágrimas: apenas ficou a invisível contrafeita activada pelo testemunho veemente e iracundo do torneiro mecânico pós-doutorado em quinze dias, ditando, sem vacilar, a narrativa do regime na barraca do Sr. Engenheiro, o nosso mestre das oportunidades.
Eram duas as lágrimas: apenas ficou a invisível contrafeita activada pelo testemunho veemente e iracundo do torneiro mecânico pós-doutorado em quinze dias, ditando, sem vacilar, a narrativa do regime na barraca do Sr. Engenheiro, o nosso mestre das oportunidades.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
De uma vida (auto)esventrada em blogues e redes
«Se revelares tudo, puseres a nu todos os sentimentos, implorares compreensão, perdes uma coisa crucial para a tua percepção de ti mesmo. Precisas de saber coisas que os outros não saibam. É o que ninguém sabe acerca de ti que te permite conheceres-te a ti mesmo.»Don DeLillo, Ponto Ómega, p. 70 [Porto: Sextante, 1.ª edição, Março de 2011, 121 p.; tradução de Paulo Faria; obra original: Point Omega, 2010.]
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Sem (muitas) mais palavras
Já vencemos, já vencemos,
Vencemos outra vez.
O Porto ganhou a taça,
Como em 2003.
(cântico modificado nos seus tempos verbais dada a concretização)
PPS – A constatação pela sintonia perfeita (futura) entre a choraminguice final, (devido a um cartão que, aventou, ficou por mostrar ao filho dos Cárpatos ao 75 minutos, palavras insanas proferidas, demonstrando uma soberba inusitada, que decerto se traduziria num golo marcado) e o clube que representará e que dela vai fazendo hino todos estes anos de deserto.
PPPS – Aos 30 minutos de jogo o nosso super-herói da Marvel (verde quando se enfurece), só se manteve em campo porque a ligação da alcunha à sua compleição física não é apenas um acaso. Um tal Sílvio, que no final do jogo se apressou a dizer que se irá acostar nos alvo-e-rubros colchoneros na próxima temporada, deveria ter jogado menos 60 minutos no verde de Dublin. A choraminguice esqueceu-se desse pormenor. Paciência!
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Outra forma de ressurreição*
Philip Roth
(Newark, NJ, 19 de Março de 1933)
Nota: *Reparação de uma justiça adiada. (v. Entrevista na Ípsilon).
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100 Anos - «Ressureição»
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segunda-feira, 4 de abril de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Nem Tanovic, nem cópula com peixe-gato
Nem tão-pouco o modorrento, porém bastante aprazível, Beauvois. Da lista de 9 semifinalistas consta o Hævnen dinamarquês vencedor do Globo de Ouro (galardão que caminha a passos largos para o nível qualitativo do seu irmão mais novo português); o irritante Iñárritu (por curiosidade, um nome crioulo-anagramático do assertoado qualificativo); a imperiosa presença japonesa (deve tratar-se de um exercício anual de expiação pela fúria radioactiva de Agosto de 1945).
A lista inclui ainda o desconcertante dente canino psicossocial grego de Lanthimos (auf!). Não poderia faltar, my fair..., a chuva em Espanha esquerdista (ético-exclusivista) com uma alegoria analéptico-dicotómica “maldita globalização / exploração pós-colombiana” (dois coelhos: bang! bang! a culpa do ocidente) e, pelos vistos, bastante aplaudida. Regressando ao título, sinto, em boa verdade alguma pena, gostava mesmo de ouvir pronunciar no próximo dia 27 de Fevereiro no Kodak Theatre o vencedor de Cannes deste ano: Apichatpong Weerasethakul, exercício de pronunciação que foi apenas superado pelo do famoso vulcão da Islândia.
A lista inclui ainda o desconcertante dente canino psicossocial grego de Lanthimos (auf!). Não poderia faltar, my fair..., a chuva em Espanha esquerdista (ético-exclusivista) com uma alegoria analéptico-dicotómica “maldita globalização / exploração pós-colombiana” (dois coelhos: bang! bang! a culpa do ocidente) e, pelos vistos, bastante aplaudida. Regressando ao título, sinto, em boa verdade alguma pena, gostava mesmo de ouvir pronunciar no próximo dia 27 de Fevereiro no Kodak Theatre o vencedor de Cannes deste ano: Apichatpong Weerasethakul, exercício de pronunciação que foi apenas superado pelo do famoso vulcão da Islândia.
Consultar lista aqui.
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sábado, 8 de janeiro de 2011
Os prémios “highbrow” do cinema americano
Ou melhor, foram anunciados, depois de alguns adiamentos, os prémios de cinema atribuídos pela National Society of Film Critics (NSFC) – associação norte-americana de críticos cinematográficos –, constituída por um grupo de 61 intelectuais (entre eles, Ebert, Denby, McCarthy, Travers, Morgenstern, Hoberman ou Melissa Anderson) que se autodenomina como promotor de «A Verdade, uma vez a cada 12 meses». A NSFC foi fundada há mais de quatro décadas em Nova Iorque por Hollis Alpert, em conjunto com outros críticos de renome, como resposta ao exclusivismo da sua congénere New York Film Critics Circle.
Apesar de no ano passado os prémios da NSFC terem, de certo modo, coincidido com os filmes galardoados com os Óscares da Academia nas diversas categorias – e mais em concreto na categoria “Melhor Filme” para Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow, coincidência que, com esta, só ocorreu por cinco vezes* desde a sua fundação em 1966 –, estes galardões são normalmente conhecidos como os Anti-Óscares. Atente-se, por exemplo, nos realizadores que já viram filmes seus eleitos como os melhores do ano: Antonioni, Bergman (3 vezes), Costa-Gavras, Robert Altman (2 vezes), Rohmer, Buñuel, Truffaut, Louis Malle, Jarmusch, Kurosawa, David Lynch (2 vezes), Mike Leigh (2 vezes) ou P.T. Anderson. Apesar de haver filmes galardoados nesta categoria do calibre de Um Porquinho Chamado Babe (Babe, 1995, de Chris Noonan), Romance Perigoso (Out of Sight, 1998, de Steven Soderbergh), ou O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006, de Guillermo del Toro), para apenas nomear alguns, assaz medíocres (na minha íntima opinião) e de gosto bastante discutível.
Fincher soma e segue, com as três maiores votações do ano: 73, 66 e 61 votos, para o Argumento, Realizador e Filme, respectivamente.
Eis os vencedores, por categoria, dos NSFC Awards de 2010 (a 27 de Fevereiro verificaremos se foi ou não mais um ano – seria o 6.º – de coincidências com a Academia):
Apesar de no ano passado os prémios da NSFC terem, de certo modo, coincidido com os filmes galardoados com os Óscares da Academia nas diversas categorias – e mais em concreto na categoria “Melhor Filme” para Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow, coincidência que, com esta, só ocorreu por cinco vezes* desde a sua fundação em 1966 –, estes galardões são normalmente conhecidos como os Anti-Óscares. Atente-se, por exemplo, nos realizadores que já viram filmes seus eleitos como os melhores do ano: Antonioni, Bergman (3 vezes), Costa-Gavras, Robert Altman (2 vezes), Rohmer, Buñuel, Truffaut, Louis Malle, Jarmusch, Kurosawa, David Lynch (2 vezes), Mike Leigh (2 vezes) ou P.T. Anderson. Apesar de haver filmes galardoados nesta categoria do calibre de Um Porquinho Chamado Babe (Babe, 1995, de Chris Noonan), Romance Perigoso (Out of Sight, 1998, de Steven Soderbergh), ou O Labirinto do Fauno (El laberinto del fauno, 2006, de Guillermo del Toro), para apenas nomear alguns, assaz medíocres (na minha íntima opinião) e de gosto bastante discutível.
Fincher soma e segue, com as três maiores votações do ano: 73, 66 e 61 votos, para o Argumento, Realizador e Filme, respectivamente.
Eis os vencedores, por categoria, dos NSFC Awards de 2010 (a 27 de Fevereiro verificaremos se foi ou não mais um ano – seria o 6.º – de coincidências com a Academia):
4 Prémios
A Rede Social (The Social Network), de David Fincher:
Melhor Filme
Melhor Realizador – David Fincher
Melhor Actor – Jesse Eisenberg
Melhor Argumento – Aaron Sorkin
A Rede Social (The Social Network), de David Fincher:
Melhor Filme
Melhor Realizador – David Fincher
Melhor Actor – Jesse Eisenberg
Melhor Argumento – Aaron Sorkin
Restantes filmes com 1 prémio cada (por ordem alfabética do título em português):
Carlos, de Olivier Assayas
Melhor Filme Estrangeiro
Carlos, de Olivier Assayas
Melhor Filme Estrangeiro
O Discurso do Rei (The King’s Speech), de Tom Hooper
Melhor Actor Secundário – Geoffrey Rush
Melhor Actor Secundário – Geoffrey Rush
O Escritor Fantasma (The Ghost Writer), de Roman Polanski
Melhor Actriz Secundária – Olivia Williams
Melhor Actriz Secundária – Olivia Williams
Indomável (True Grit), de Joel e Ethan Coen
Melhor Fotografia – Roger Deakins
Melhor Fotografia – Roger Deakins
Vencer (Vincere), de Marco Bellocchio
Melhor Actriz – Giovanna Mezzogiorno
Melhor Actriz – Giovanna Mezzogiorno
Notas: *Filmes que no mesmo ano venceram o Óscar e o NSFC Award na categoria “Melhor Filme” (desde 1966):
- 1977 – Annie Hall, de Woody Allen;
- 1992 – Imperdoável (Unforgiven), de Clint Eastwood;
- 1993 – A Lista de Schindler (Schindler’s List), de Steven Spielberg;
- 2004 – Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos (Million Dollar Baby), de Clint Eastwood;
- 2009 – Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow.
- 1977 – Annie Hall, de Woody Allen;
- 1992 – Imperdoável (Unforgiven), de Clint Eastwood;
- 1993 – A Lista de Schindler (Schindler’s List), de Steven Spielberg;
- 2004 – Million Dollar Baby – Sonhos Vencidos (Million Dollar Baby), de Clint Eastwood;
- 2009 – Estado de Guerra (The Hurt Locker), de Kathryn Bigelow.
**Em apenso aos prémios, os críticos NSFC emitiram dois comunicados em jeito de protesto: o primeiro sobre a esdrúxula classificação etária atribuída aos filmes nos Estados Unidos pela Classification & Ratings Administration, órgão da Motion Picture Association of América (MPAA); o segundo repudia as autoridades iranianas pelas recentes condenações dos cineastas Jafar Panahi e Mohammad Rasoulof por motivos estritamente políticos, sentenciados a 6 anos de prisão e as 20 de proibição do exercício da sua actividade.
***Fonte: indieWire.
***Fonte: indieWire.
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sábado, 1 de janeiro de 2011
Feliz Ano de 2011
A voz etérea da maravilhosa Kathleen Battle no único Concerto de Ano Novo dirigido pelo mestre Karajan (já bastante debilitado), dirigindo, claro, a Filarmónica de Viena.
Obra: Frühlingsstimmen (valsa “Vozes da Primavera”) op. 410 (1883)
Compositor: Johann Strauss, filho (1825-1899)
Maestro: Herbert von Karajan (1908-1989)
Orquestra: Filarmónica de Viena
Solista: Kathleen Battle (soprano) (n. 1948)
Data: 1 de Janeiro de 1987
Local: Wiener Musikverein
Compositor: Johann Strauss, filho (1825-1899)
Maestro: Herbert von Karajan (1908-1989)
Orquestra: Filarmónica de Viena
Solista: Kathleen Battle (soprano) (n. 1948)
Data: 1 de Janeiro de 1987
Local: Wiener Musikverein
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Stoppard devora Franzen
Se há expressão corrente que mais me fascina, pela sua pseudo-singeleza metafórica, é aquela que retrata um bibliómano como “um devorador de livros” – sintetizando, um bibliófago –, um vulgar verme que se alimenta de papel. Todavia, este meu indomável fascínio atinge o seu clímax quando, pela metonímia, se antropomorfiza o verme criando um leitor de homens que, embebido na metáfora, se transforma num antropófago.
Na selecção anual dos melhores livros de 2010 pela insuportável equipa de críticos do diário britânico The Guardian, foi pedida a contribuição de autores consagrados, de cineastas e até do público leitor (desconheço, neste último caso, de que forma se revestiu e qual o peso atribuído à participação). Na listagem final o inevitável afilhado de Oprah, o enfatuado, e assumidamente invejoso, Jonathan Franzen, lá conquistou o lugar cimeiro com o calhamaço Freedom – uma pretensa bofetada inglesa aos seus ex-colonos americanos que ousaram em não lhe atribuir o National Book Award – e, depois, verifiquei, alvoraçando-me as entranhas, que até Bret Easton Ellis consta da lista dos 29 melhores, com aquela coisa inenarrável entre a novela e o romance em forma de livro (o que eu já aqui espumei devido à mera existência dessa bagatela literária!) Se fizerem uma simples pesquisa googliana e introduzirem as expressões “snubbed” “freedom” e “franzen” chegam a um resultado próximo das 13.300 páginas. Mas, se substituírem as duas últimas expressões na barra de pesquisa por “solar” e “mcewan” obtém-se um resultado a rondar as 1980 páginas da internet (e na maioria delas o termo “ignorado, com alguma premeditação”, nem está associado aos restantes dois). É triste, e logo na obra mais alegre e desassombrada do, a par de Ishiguro, melhor escritor inglês vivo.
Continuando nas escolhas do Guardian, constatamos que o dramaturgo Tom Stoppard também participou nos jogos florais de fim de ano, e depois de no primeiro parágrafo se haver referido, com alguma ironia, à miríade de livros que leu, logo no dealbar do ano que agora termina, sobre a implosão de Wall Street, abordou a parte mais importante e séria no segundo:
Na selecção anual dos melhores livros de 2010 pela insuportável equipa de críticos do diário britânico The Guardian, foi pedida a contribuição de autores consagrados, de cineastas e até do público leitor (desconheço, neste último caso, de que forma se revestiu e qual o peso atribuído à participação). Na listagem final o inevitável afilhado de Oprah, o enfatuado, e assumidamente invejoso, Jonathan Franzen, lá conquistou o lugar cimeiro com o calhamaço Freedom – uma pretensa bofetada inglesa aos seus ex-colonos americanos que ousaram em não lhe atribuir o National Book Award – e, depois, verifiquei, alvoraçando-me as entranhas, que até Bret Easton Ellis consta da lista dos 29 melhores, com aquela coisa inenarrável entre a novela e o romance em forma de livro (o que eu já aqui espumei devido à mera existência dessa bagatela literária!) Se fizerem uma simples pesquisa googliana e introduzirem as expressões “snubbed” “freedom” e “franzen” chegam a um resultado próximo das 13.300 páginas. Mas, se substituírem as duas últimas expressões na barra de pesquisa por “solar” e “mcewan” obtém-se um resultado a rondar as 1980 páginas da internet (e na maioria delas o termo “ignorado, com alguma premeditação”, nem está associado aos restantes dois). É triste, e logo na obra mais alegre e desassombrada do, a par de Ishiguro, melhor escritor inglês vivo.
Continuando nas escolhas do Guardian, constatamos que o dramaturgo Tom Stoppard também participou nos jogos florais de fim de ano, e depois de no primeiro parágrafo se haver referido, com alguma ironia, à miríade de livros que leu, logo no dealbar do ano que agora termina, sobre a implosão de Wall Street, abordou a parte mais importante e séria no segundo:
«Também este ano, retirei um enorme prazer das últimas 518 páginas do livro de Jonathan Franzen The Corrections (Fourth Estate)*, que havia posto de parte em 2001 para o ler quando tivesse tempo. Encontro-me agora na página 14 de Freedom. Altamente recomendado.» [tradução livre: AMC; nota minha: *romance publicado em Portugal em 2003 pela Dom Quixote, sob o título Correcções, que na sua 1.ª edição continha 512 páginas; já a versão referida por Stoppard contém 526 páginas (1.ª edição britânica em 2001).]
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Literatura: Os Melhores Livros de 2010
Ao contrário de qualquer lista publicada nos órgãos de informação convencionais por um, de forma isolada, ou mais críticos, por qualquer espécie de votação, o único critério que preside à escolha dos livros editados durante o ano em que os irei ler e posteriormente atribuir-lhes uma classificação (com publicação imediata no blogue) é apenas o meu gosto pessoal por determinados autores, por determinada escola literária ou por certo tipo de narrativas, embora a escolha possa haver resultado da indicação de alguém, seja um crítico literário ou um mero leitor, que me recomendou a sua leitura e, como é óbvio, desde que eu lhe confira algum tipo de autoridade na matéria – há críticos e críticos, e há leitores mais conformes às minhas preferências estético-literárias, mesmo que não os suporte. Assim, este tipo de listagem sofre, à partida, de um vício de forma, e que leva a que a maioria dos livros classificados se situe nos graus mais altos de apreciação literária: uma escolha apriorística e condicional, sem a isenção que outros terão de apor no processo de selecção da obra a analisar, condição necessária a um crítico – no plano teórico, claro; não sou tão inocente.
Foram 41 os livros editados em Portugal no ano de 2010 que passaram sob o meu crivo de bibliómano: 3 foram classificados como “obra-prima” (6 estrelas); 14 com “Muito Bom” (5 estrelas); 12 com “Bom” (4 estrelas); 8 com “A Ler” (3 estrelas); 2 com “Medíocre” (2 estrelas), e mais 2 classificados como “Mau” (1 estrela).
As listas
Os 10 Melhores Livros de 2010 – Ficção
1.º – Saul Bellow, As Aventuras de Augie March (ed. port. Quetzal; The Adventures of Augie March, 1953)
2.º – Don DeLillo, Submundo (ed. port. Sextante; Underworld, 1997)
3.º – Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Poética (Caminho)
4.º – Thomas Pynchon, Vício Intrínseco (ed. port. Bertrand; Inherent Vice, 2009)
5.º – valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis (Alfaguara)
6.º – Lydia Davis, Break It Down – Demolição (ed. port. Ulisseia; Break It Down, 1986)
7.º – William Gaddis, Agapé, Agonia (ed. port. Ahab; Agapé Agape, 2002)
8.º – Ian McEwan, Solar (ed. port. Gradiva; 2010)
9.º – John Cheever, Crónica de Wapshot (ed. port. Relógio D’Água; The Wapshot Chronicle, 1957)
10.º – Norman Manea, O Regresso do Hooligan (ed. port. Asa; Întoarcerea huliganului, 2003)
Menções Honrosas (livros que poderiam ocupar, por troca ou em simultâneo, os quatro últimos lugares do Top 10, ordenados pelo nome próprio do autor)
- Charles Bukowski, Ham on Rye – Pão com Fiambre (ed. port. Ulisseia; Ham on Rye, 1982)
- John Updike, As Lágrimas do Meu Pai (ed. port. Civilização; My Father’s Tears and Other Stories, 2009)
- Martin Amis, A Viúva Grávida (ed. port. Quetzal; The Pregnant Widow, 2010)
- Sherwood Anderson; Winesburg, Ohio (ed. port. Ahab; 1919)
Os 5 Melhores Livros de 2010 – Não-Ficção
1.º – George Steiner, George Steiner em The New Yorker (edição de Robert Boyers) (ed. port. Gradiva; George Steiner at The New Yorker, 2008)
2.º – George Orwell, Livros & Cigarros (ed. port. Antígona, antologia da editora portuguesa; ensaios publicados entre 1936 e 1952)
3.º – Peter Sloterdijk, Cólera e Tempo (ed. port. Relógio D’Água; Zorn und Zeit. Politisch-psychologischer Versuch, 2006)
4.º – John Newsinger, George Orwell – Uma Biografia Política (ed. port. Antígona; Orwell’s Politics, 1999)
5.º – Andrew Sullivan, A Alma Conservadora (ed. port. Quetzal; The Conservative Soul, 2006)
Memória (os meus melhores desde 2005)
2005 – Kazuo Ishiguro, Nunca Me Deixeis (ed. port. Gradiva; Never Let Me Go, 2005)
2006 – Vladimir Nabokov, Convite para uma decapitação (ed. port. Assírio & Alvim; Priglasheniye na kazn, 1936)
2007 – (2 obras em igualdade) Colm Tóibín, O Mestre (ed. port. Dom Quixote; The Master, 2004) & Jonathan Littell, As Benevolentes (ed. port. Dom Quixote; Les Bienveillantes, 2006)
2008 – Robert Musil, O homem sem qualidades, volumes I e II (ed. port. Dom Quixote; Der Mann ohne Eigenschaften, 1930-1942)
2009 – John Updike, Coelho em Paz (ed. port. Civilização; Rabbit at Rest, 1990)
Por fim, uma verdadeira pérola, num mar literário pejado delas (um belo retrato – a Humanidade e a versão do real):
«Não é correcto pensar que todas as outras pessoas têm mais força de carácter que nós. Ora, é óbvio que isso não é verdade, é apenas a nossa imaginação a exagerar a visão que as pessoas têm de nós, interpretando erradamente que gostam de nós pelo que não somos, ou que não gostam de nós pelo que não somos, tanto por equívoco como por preguiça. A saída deve ser não nos importarmos, mas, para isso, temos de saber com o que nos devemos realmente importar e entender o que agrada ou não agrada em nós. Mas pensamos que cada nova pessoa que chega está preocupada com isso e atenta a isso? Não. E importamo-nos que cada uma delas se importe por sua vez? Nem pensar. Porque, de qualquer modo, não há uma única pessoa no mundo que consiga mostrar o que é sem se sentir um pouco exposta e envergonhada e, estando preocupada com isso, não pode importar-se, mas tem de tentar parecer melhor e mais forte do que as outras pessoas todas – que loucura! Entretanto, não sente nenhuma força de verdade em si, engana e é enganada, depende da burla, mas acredita anormalmente na força dos fortes. Durante este tempo todo, ninguém deixa que nada de genuíno apareça, nem sabe o que é real e o que não é. E estes são os desfigurados, degenerados e sombrios seres humanos – a simples Humanidade.» [E continua no parágrafo seguinte.]
Saul Bellow, As Aventuras de Augie March, p. 534 [Lisboa: Quetzal, Setembro de 2010, 709 pp; tradução de Salvato Telles de Menezes; obra original: The Adventures of Augie March, 1953.]
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domingo, 26 de dezembro de 2010
Música: Melhores Álbuns de 2010 – recapitulação
Desde o passado dia 21, como foi visível para aqueles que me visitaram, foram sendo revelados, por ordem crescente de preferência, os álbuns de música editados em 2010 que mais me disseram durante um ano de audições. Muitos outros ficaram por ouvir, especialmente entre aqueles nomes que me são mais próximos, ou que já o foram, e muito, ao longo destas quase quatro décadas de existência. Todavia, acompanhando o fenómeno quase natural de irmos perdendo o fulgor da excitação que apúnhamos à arte musical e às suas novidades no idos anos dourados que coloriram a adolescência e os primeiros passos da idade adulta, há anos que os afazeres profissionais e os deveres domésticos se perfilam cada vez mais como o grande obstáculo para o consumo dos produtos musicais que vão surgindo em catadupa; eliminando mesmo do nosso vislumbre alguns, cujos intérpretes iniciaram por estes anos as suas carreiras na selva mundial da indústria discográfica.
Em suma, entre o muito pouco que pude ouvir, houve 10 álbuns editados originalmente em 2010 que se destacaram dos demais, e outros (ainda não mencionados) que se revelaram uma decepção, por vezes descoroçoante.
Eis, então, uma recapitulação da lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2010:
Em suma, entre o muito pouco que pude ouvir, houve 10 álbuns editados originalmente em 2010 que se destacaram dos demais, e outros (ainda não mencionados) que se revelaram uma decepção, por vezes descoroçoante.
Eis, então, uma recapitulação da lista de Os Melhores Álbuns Musicais de 2010:
1.º – Avi Buffalo, Avi Buffalo (Sub Pop)
2.º – The National, High Violet (4AD)
3.º – Deerhunter, Halcyon Dreams (4AD)
4.º – Laurie Anderson, Homeland (Nonesuch)
5.º – LCD Soundsystem, This Is Happening (EMI)
6.º – The Fall, Our Future Your Clutter (Domino)
7.º – Vampire Weekend, Contra (XL)
8.º – The Walkmen, Lisbon (Bella Union)
9.º – Grinderman, Grinderman 2 (Mute)
10.º – The Drums, The Drums (Island)
Este, apesar das restrições acima relatadas, também foi o ano das decepções. Umas manifestaram-se com maior acuidade que outras, mas todas elas foram graves para a minha memória estético-musical dos seus intérpretes. Com destaque para o horripilante regresso dos Stone Temple Pilots e a rápida deterioração dos Arcade Fire, imagine-se, já ao seu 3.º álbum de originais…
Ei-las, as Decepções Musicais de 2010 (por ordem alfabética da banda musical – não há cantores a solo):
Ei-las, as Decepções Musicais de 2010 (por ordem alfabética da banda musical – não há cantores a solo):
- Arcade Fire, The Suburbs (Mercury)
- Belle & Sebastian, Write About Love (Rough Trade)
- Blonde Redhead, Penny Sparkle (4AD)
- Interpol, Interpol (Soft Limit)
- Kings of Leon, Come Around Sundown (RCA)
- Stone Temple Pilots, Stone Temple Pilots (Atlantic)
Para terminar, não poderia deixar de mencionar a excelente banda sonora do meu 3.º filme de 2010: Shutter Island (Rhino). Apesar de não ser original, foi criteriosamente seleccionada pelo portentoso autor canadiano, judeu-índio de ascendência, Robbie Robertson, que inclui nomes como Mahler, Penderecki, Ligeti, John Adams, John Cage, ou Brian Eno, aventurando-se, inclusivamente, numa fusão etérea entre a maravilhosa e acolhedora voz de Dinah Washington com a sua canção de 1960 (três anos antes da sua morte por overdose de barbitúricos), composta por Clyde Otis, “This Bitter Earth”, com o excepcional trecho musical “On the Nature of Daylight” do compositor anglo-germânico Max Richter. Banda sonora que, na minha opinião, contribuiu e muito para a eternização do filme de Martin Scorsese (o futuro o dirá).
Para o ano há mais. E num texto a seguir perfilam-se (sem surpresas – cf. coluna do lado direito) os melhores livros editados em Portugal no ano de 2010.
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