sábado, 25 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 1.º

"What's in It For?"
Avi Buffalo  Avi Buffalo (Sub Pop)
(Com estes abro uma excepção – referência à regra de nenhum texto acrescentar aos álbuns aqui postados para o Top 10 deste ano –, apenas para afirmar, com convicção, que o conjunto de dez canções que compõe este álbum de estreia desta banda mista de pré-adultos de Long Beach, Califórnia, é absolutamente fenomenal – ouçam-no de fio a pavio e até à exaustão em modo “repeat”. Só me resta desejar que estes quatro, ao contrário de muitos outros com inícios fulgurantes, não se percam pelos labirintos escarpados da indústria musical norte-americana. Discordam? Paciência, blame the indie-pop...)
-- Fim da Listagem --

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 2.º

"Afraid of Everyone"
The National High Violet (4AD)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

The “Chairman of the Board” e Dean Martin, com imagens de clássicos de Hollywood:

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 3.º

"Helicopter"
Deerhunter  Halcyon Digest (4AD)
Notas:
- Revelação antecipada para as 16 horas por motivos festivos (colocação de mensagem à laia de postal natalício).
- Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 4.º

"My Right Eye"
Laurie Anderson  Homeland (Nonesuch)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 5.º

"Home"
LCD Soundsystem  This Is Happening (EMI)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 6.º

"Bury Pts. 1 + 3" (2 + 4)
The Fall  Our Future Your Clutter (Domino)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 7.º

"Cousins"
Vampire Weekend  Contra (XL)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

PPM (uma boa notícia)

Pitt, Penn & Malick
The Tree of Life (estreia mundial em Maio de 2011)

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 8.º

"Blue as Your Blood"
The Walkmen  Lisbon (Bella Union)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 9.º

"Heathen Child"
Grinderman  Grinderman 2 (Mute)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

Um enorme pesar

Pôncio Monteiro
(Peso da Régua, 1940 - Porto, 2010)

Até sempre, DRAGÃO.

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 10.º

"Best Friend"
The Drums The Drums (Island)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Melhores Filmes de 2010 (e não só)

Embora ainda faltem dez dias para terminar este ano tragicómico do nosso querido cantinho, e sob todos os aspectos (político, económico, social e a sempre trucidada vertente cultural), é tempo (ou arranjou-se-mo) de postar nesta amálgama de excitações em hipertexto, chamada “Nunca Mais”, as seguintes listas ligadas às artes cinematográficas (sem adiposidades verborreicas, nem tão-pouco explicações telegráficas):
(A) Os Melhores Filmes de 2010* (Top 10):
1.º - A Rede Social, de David Fincher (The Social Network, 2010)
2.º - Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (Copie Conforme, 2010)
3.º - Shutter Island, de Martin Scorsese (2010)
4.º - Vencer, de Marco Bellocchio (Vincere, 2009)
5.º - Líbano, de Samuel Maoz (Lebanon, 2009)
6.º - O Escritor Fantasma, de Roman Polanski (The Ghost Writer, 2010)
7.º - Mother - Uma Força Única, de Bong Joon-ho (Madeo, 2009)
8.º - Um Profeta, de Jacques Audiard (Un prophète, 2008)
9.º - Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino (Io sono l’amore, 2009)
10.º - Águas Agitadas, de Erik Poppe (DeUsynlige, 2008)
(B) Da lista publicada ontem, que incluía os por mim considerados 30 melhores filmes do ano, destaco ainda mais 8, em jeito de menção honrosa (por ordem alfabética do título em português):
24 City, de Zhang Ke Jia (Er shi si cheng ji, 2008)
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois (Des hommes et des dieux, 2010)
Um Homem Singular, de Tom Ford (A Single Man, 2009)
O Laço Branco, de Michael Haneke (Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, 2009)
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (The Kids Are All Right, 2010)
Nada Pessoal, de Urszula Antoniak (Nothing Personal, 2009)
Polícia Sem Lei, de Werner Herzog (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (El secreto de sus ojos, 2009)
(C) Dez filmes que não vi e que, de acordo com a crítica e a opinião de pessoas que reputo de bom juízo cinéfilo, seriam susceptíveis de alterar a ordem e o conteúdo das listas acima referidas (por ordem alfabética do título em português):
36 Vistas do Monte Saint-Loup, de Jacques Rivette (36 vues du Pic Saint Loup, 2009)
Cela 211, de Daniel Monzón (Celda 211, 2009)
Gainsbourg – Vida Heróica, de Joann Sfar [Gainsbourg (Vie héroïque), 2010]
Green Zone: Combate pela Verdade, de Paul Greengrass (Green Zone, 2010)
Irène, de Alain Cavalier (2009)
Mammuth, de Gustave de Kervern e Benoît Delépine (2010)
Mistérios de Lisboa, de Raoul Ruiz (2010)
A Teta Assustada, de Claudia Llosa (La teta asustada, 2009)
Vão-me Buscar Alecrim, de Ben Safdie e Joshua Safdie (Go Get Some Rosemary, 2009)
Yuki e Nina, de Hippolyte Girardot e Nobuhiro Suwa (Yuki & Nina, 2009)
(D) Entre os 68 filmes vistos, 18 foram classificados de medíocres, eis os 10 Piores Filmes de 2010*, os meus Razzies (ordenados do pior ao menos mau):
1.º - Um Cidadão Exemplar, de F. Gary Gray (Law Abiding Citizen, 2009)
2.º - Precious, de Lee Daniels (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009)
3.º - Anticristo, de Lars von Trier (Antichrist, 2009)
4.º - Partir, de Catherine Corsini (2009)
5.º - Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, de Oliver Stone (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010)
6.º - Salt, de Phillip Noyce (2010)
7.º - Dia e Noite, de James Mangold (Knight and Day, 2010)
8.º - Homens que Matam Cabras Só com o Olhar, de Grant Heslov (The Men Who Stare at Goats, 2009)
9.º A Mente dos Famosos, de Jonas Pate (Shrink, 2009)
10.º Thirst – Este é o Meu Sangue..., de Park Chan-wook (Bakjwi, 2009)
Notas: * Filmes estreados durante o ano 2010 em salas de cinema portuguesas, incluindo os de 31/12/2009.
** Os filme a estrear no próximo dia 30 serão incluídos na análise cinematográfica de 2011 (se por cá andar, senão enviarei um emissário devidamente munido de uma procuração com plenos poderes para escolher livremente, publicar, alterar a forma, mudar a agulha estética para o drama-romance de domingo à tarde, e a ética para as tortuosidades larsvontrieranas & discípulos, Ilda.)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Filmes 2010: jogos preliminares

Como já expliquei, em texto anterior, a falta de tempo não me irá permitir que este ano exponha a teoria subjacente às minhas escolhas nas três áreas artísticas habitualmente sujeitas a balanço de final do ano neste blogue.
Assim, tenho de aproveitar as horas de bulício de listas de compras, de efervescência natalícia e de encandeamento das luzes ornamentais aqui em casa, para poder desistir das matérias mais elevadas (ou mais sérias, porque delas depende a minha subsistência), uma oportunista fuga mental, e conseguir escrever alguma coisa de aproveitável (e sem sentimentos de culpa pelo trade-off) sobre o ano cinematográfico, musical e literário.
Não acreditando que de hoje até ao final do ano me consiga deslocar a uma sala de cinema para assistir a um filme recentemente estreado, e usando a famosa e utilíssima técnica de edição de texto “cortar e colar”, aplicada à listagem completa dos filmes estreados em salas de cinema portuguesas durante o ano de 2010 (cerca de 270, em que incluí, por razões óbvias, os estreados a 31 de Dezembro de 2009, da mesma forma que não inclui os que irão estrear-se a 30 de Dezembro deste ano), cheguei a uma lista preliminar de 68 filmes vistos, entre os quais 30 merecem o meu elogio (13 de produção norte-americana) – apesar dos diferentes níveis de prazer cinéfilo que deles retirei: há os que admirei em toda a sua plenitude e aqueles que tocaram em alguns dos meus pontos sensíveis –, 20 foram classificados como indiferentes e 18 como medíocres (entre estes, também se contam 13 os produzidos nos Estados Unidos).
Sem mais delongas, eis os 30 melhores filmes de 2010 (por ordem alfabética do título em português), entre os quais sairá, em breve, a lista definitiva dos “10+” de 2010:
24 City, de Zhang Ke Jia (Er shi si cheng ji, 2008);
Águas Agitadas, de Erik Poppe (DeUsynlige, 2008);
Aquário, de Andrea Arnold (Fish Tank, 2009);
City Island – Segredos à Medida, de Raymond De Felitta (City Island, 2009);
Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (Copie Conforme, 2010);
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois (Des hommes et des dieux, 2010);
Entre Irmãos, de Jim Sheridan (Brothers, 2009);
O Escritor Fantasma, de Roman Polanski (The Ghost Writer, 2010);
Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino (Io sono l’amore, 2009);
Um Homem Singular, de Tom Ford (A Single Man, 2009);
O Laço Branco, de Michael Haneke (Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, 2009);
Líbano, de Samuel Maoz (Lebanon, 2009);
Um Lugar para Viver, de Sam Mendes (Away We Go, 2009);
O Mensageiro, de Oren Moverman (The Messenger, 2009);
Meu Filho, Olha o que Fizeste!, de Werner Herzog (My Son, My Son, What Have Ye Done, 2009);
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (The Kids Are All Right, 2010);
Mother – Uma Força Única, de Bong Joon-ho (Madeo, 2009);
Na Senda dos Condenados, de Kari Skogland (Fifty Dead Men Walking, 2008);
Nada Pessoal, de Urszula Antoniak (Nothing Personal, 2009);
Polícia Sem Lei, de Werner Herzog (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
Presente de Morte, de Richard Kelly (The Box, 2009);
Um Profeta, de Jacques Audiard (Un prophète, 2009);
A Rede Social, de David Fincher (The Social Network, 2010);
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (El secreto de sus ojos, 2009);
Shirin, de Abbas Kiarostami (2008);
Shutter Island, de Martin Scorsese (2010);
Soul Kitchen, de Fatih Akin (2009);
Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen (Whatever Works, 2009);
A Última Estação, de Michael Hoffman (The Last Station, 2009);
Vencer, de Marco Bellocchio (Vincere, 2009).
Nota: no dia 23 de Dezembro irão estrear dois filmes. Por outro lado, há muitos ainda em cartaz sobre os quais os meus olhos não passaram. Como expliquei, estou convencido de que não terei oportunidade de ver nenhum deles. Todavia, se tal se verificar, qualquer ida à sala de cinema engordará a cifra dos 68 filmes vistos, e será posteriormente classificado segundo as três categorias acima referidas, que poderá interferir com esta listagem final – situação de ocorrência difícil perante o cartaz actual e apesar de O Mágico (L’illusionniste, 2010) se basear no argumento daquela figura esguia, terna e inesquecível que é o meu muito estimado Jacques Tati.

Filmes 2010 – preliminares

[Amanhã (hoje). A iminente vitória do sono sobre o meu estado de vigília não me irá permitir uma formatação digna e atempada.]

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mão Cheia

…de nada.

Seguido do meu compositor, a minha sinfonia (a primeira de entre muitas coisas que me sobrevieram à mente pelo número de anos que hoje se encerra), na vizinhança dos 100 anos da sua morte, pela batuta do seu grande reabilitador na segunda metade do século XX.
 
Gustav Mahler, Sinfonia n.º 5, 1.º Andamento, “Trauermarsch” (In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt.)
(tradução de um estado de espírito – cf. título e tempo)
Leonard Bernstein
Filarmónica de Viena
Musikvereinssaal, Viena
Abril de 1972

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

As Listas de 2010

Quando houver tempo e disponibilidade mental para escrever neste blogue, postarei aqui as habituais três listas dos meus “10+” no que diz respeito a filmes (projectados nas salas de cinemas portuguesas durante o ano), livros (editados em Portugal este ano) e álbuns originais de música editados no mundo em 2010.
Nada será como nos anos anteriores, onde reservava os três últimos dias do ano, para em cada um deles publicar uma lista diferente. Nem tão-pouco, de acordo com a tradição, irei revelando diariamente, por ordem aleatória, os meus dez álbuns musicais preferidos auxiliados pelos videoclipes disponíveis no YouTube, com um texto justificativo das minhas predilecção e escolha.
Este ano não há tempo. E depois, convenhamos, para quê? Ninguém lê esta porra…
Notas:
(1) O logótipo da 68.ª edição (a deste ano) dos prémios cinematográficos Globos de Ouro, atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA), nada tem que ver com o texto supra. Todavia, considerei ser de bom-tom introduzir uma imagem tão apelativa e tão bem gizada pelos seus criativos designers (embora tenha a certeza de que disporia de um maior impacto se guardada para edição do próximo ano), na medida em que reflecte o meu estado de espírito para com o mundo.
(2) Tem sido como limpar o rabo a meninosA Rede Social (The Social Network, 2010) prepara-se para o pleno dos prémios da Crítica. Não disponho de tantas certezas, contudo, com o que se irá passar nos mais folclóricos, uma vez que Danny cheesy Boyle aparece a concurso, ladeado pelo seu compatriota Christophemazy Nolan.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Liu Xiaobo

Cuba, Venezuela e quejandos, os defensores do australiano Assange – o pai da bufaria internacional, que actua sob a capa da liberdade de expressão, pondo milhões de vidas em risco –, não se farão representar na cerimónia, que hoje decorre em Oslo, de atribuição do Prémio Nobel da Paz 2010 ao dissidente chinês:

Liu Xiaobo
(n. 1955)
A minha homenagem será feita com o meu silêncio e com as palavras dos outros. Paul Auster, curiosamente, disse quase tudo no romance que escreveu durante o ano de 2009, a propósito da tirania do torcionário regime comunista de Pequim:

«O crime de Liu: ter sido um dos autores de um documento intitulado Carta 08, uma declaração apelando a reformas políticas, a mais amplos direitos humanos, e ao fim do governo de partido único na China.
»Liu Xiaobo começou como crítico literário e como professor na Universidade de Pequim e tornou-se uma figura tão importante que viria a trabalhar como professor convidado numa série de instituições estrangeiras, em particular a Universidade de Oslo e a Columbia em Nova Iorque, (…) e o activismo de Liu remonta a 1989, o ano dos anos, o ano em que o muro de Berlim veio abaixo, o ano da fatwa, o ano da Praça Tiananmen, e foi precisamente na Primavera de 1989 que Liu deixou o seu posto na Columbia e regressou a Pequim, onde fez uma greve da fome (na Tiananmen) de apoio aos estudantes, e defendeu métodos não violentos de contestação a fim de que não houvesse mais derramamento de sangue. Passou dois anos na prisão por causa disso, e, depois, em 1996, foi condenado a três anos de reeducação pelo trabalho por ter sugerido que o governo chinês encetasse negociações com o Dalai Lama. Continuou a ser importunado pelas autoridades e, desde então, tem vivido sob vigilância da polícia. A sua última detenção ocorreu a 8 de Dezembro de 2008, por coincidência ou não, um dia antes do sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Tem estado detido num local desconhecido, sem direito a um advogado, sem material para escrever, sem nenhuma possibilidade para comunicar com ninguém. O facto de a mulher o ter visitado na noite de Ano Novo significará uma viragem importante, ou será apenas um pequeno acto de misericórdia sem quaisquer consequências no desfecho do caso?»
Paul Auster, Sunset Park, pp. 175-176 [Alfragide: Asa, 1.ª edição, Outubro de 2010, 231 pp; tradução de José Vieira de Lima; obra original: Sunset Park, 2010.]

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os preços

Já aqui tenho elogiado algumas editoras que têm vindo a recuperar os grandes nomes da literatura universal, editando as suas obras até hoje inéditas em Portugal (ou caídas no olvido rumo aos alfarrabistas há dezenas de anos). Por mera preguiça, não fui verificar os meus escassamente incontáveis textos anteriores, e já não sei se a Ulisseia, agora chancela do grupo editorial Babel de Paulo Teixeira Pinto, já foi vítima dos meus elogios ou agraciada com a minha descomprometida verrina. Todavia, recorro à depauperada memória mais fresca para informar que a dita já foi objecto sacrificial por louvor aquando da publicação recente do Ham on Rye de Bukowski, com tradução do meu amigo invisível (apenas blogosférico) Manuel A. Domingos – o problema da coisa, isolamo-nos atrás destes muros cintilantes de cristais líquidos, e cremos que somos imensamente apreciados e até populares, apesar de o infalível contador não deixar a sombra de uma dúvida.
Volto à Ulisseia, trazendo-a ao pelourinho do aplauso pelas obras entretanto publicadas, com especial destaque do viciante deleite que retiro da leitura lenta e cuidada, quase como um meticuloso exercício de degustação, de Break It Down – Demolição da autora norte-americana Lydia Davis – a “ex” do Paul Auster, a sua companheira de viagem em tradução por França no início dos anos 70 do século passado (não sei se, com ele, ficou a conhecer o mestre Beckett), compartilhadora da fome que o judeu de Newark descreve nos suas memórias, e mulher entre 1974 e 1978, mãe do agora atinado (creio eu) Daniel Auster –, com uma tradução, que até chateia pela irrepreensibilidade, pelo nosso guardião do universo borgiano, José Mário Silva. [Frontispício da obra, acima reproduzido.]
De minha parte, enquanto leitor passivo – de nenhuma forma participante na elaboração da política editorial da referida editora –, espero que se continue a traduzir a obra desta autora, até há bem pouco tempo passível de ser conotada (e luso-conjecturada) com a mulher do intangível criador de vestuário desportivo, com lojas abertas ao público. E, como refere José Luís Peixoto no prefácio a este livro de histórias breves quando refere a tradução, também eu sou defensor do primeiro lado [cf. subcapítulo ‘Prefácio’ do “Prefácio”, de Break It Down – Demolição], e apugilista dessa prática (pronto a defender a ideia num ringue de boxe à laia de um Mailer a levar uns ganchos mortíferos de Vidal – e não me enganei, e até faço um apelo à Porto Editora para que na próxima revisão do seu dicionário introduza o vocábulo tão ouvido nas tertúlias erudito-futebolísticas deste país), que afinal é bem mais habitual em Portugal.
Gostaria de ter terminado o texto no parágrafo anterior, mas o título impede-me, apenas por uma questão de pudor (prefiro-o, neste caso, à honra): duzentas e cinco páginas impressas em edição brochada custam dezanove euros e cinquenta cêntimos – dezanove cêntimos a folha impressa. Considero um verdadeiro exagero e abstenho-me de enquadrar a questão na conjuntura socioeconómica do país (pois bem, acabei de o fazer). Aliás, sem ter feito uma exaustiva análise comparada, a generalidade dos livros da Babel merecem que os preços sejam sovados…
Máxima surfista modificada e aumentada: destruam os preços e não os livros (e a carteira de quem os compra).