quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 5.º

"Home"
LCD Soundsystem  This Is Happening (EMI)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 6.º

"Bury Pts. 1 + 3" (2 + 4)
The Fall  Our Future Your Clutter (Domino)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 7.º

"Cousins"
Vampire Weekend  Contra (XL)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

PPM (uma boa notícia)

Pitt, Penn & Malick
The Tree of Life (estreia mundial em Maio de 2011)

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 8.º

"Blue as Your Blood"
The Walkmen  Lisbon (Bella Union)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 9.º

"Heathen Child"
Grinderman  Grinderman 2 (Mute)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

Um enorme pesar

Pôncio Monteiro
(Peso da Régua, 1940 - Porto, 2010)

Até sempre, DRAGÃO.

Música: Os melhores álbuns de 2010 – 10.º

"Best Friend"
The Drums The Drums (Island)
Nota: Todos os dias às 10 da manhã e às 10 da noite em ponto, revelação de dois álbuns em contagem decrescente até ao dia de Natal (lista definitiva do Top 10 já elaborada, com publicação a conta-gotas previamente agendada).

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os Melhores Filmes de 2010 (e não só)

Embora ainda faltem dez dias para terminar este ano tragicómico do nosso querido cantinho, e sob todos os aspectos (político, económico, social e a sempre trucidada vertente cultural), é tempo (ou arranjou-se-mo) de postar nesta amálgama de excitações em hipertexto, chamada “Nunca Mais”, as seguintes listas ligadas às artes cinematográficas (sem adiposidades verborreicas, nem tão-pouco explicações telegráficas):
(A) Os Melhores Filmes de 2010* (Top 10):
1.º - A Rede Social, de David Fincher (The Social Network, 2010)
2.º - Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (Copie Conforme, 2010)
3.º - Shutter Island, de Martin Scorsese (2010)
4.º - Vencer, de Marco Bellocchio (Vincere, 2009)
5.º - Líbano, de Samuel Maoz (Lebanon, 2009)
6.º - O Escritor Fantasma, de Roman Polanski (The Ghost Writer, 2010)
7.º - Mother - Uma Força Única, de Bong Joon-ho (Madeo, 2009)
8.º - Um Profeta, de Jacques Audiard (Un prophète, 2008)
9.º - Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino (Io sono l’amore, 2009)
10.º - Águas Agitadas, de Erik Poppe (DeUsynlige, 2008)
(B) Da lista publicada ontem, que incluía os por mim considerados 30 melhores filmes do ano, destaco ainda mais 8, em jeito de menção honrosa (por ordem alfabética do título em português):
24 City, de Zhang Ke Jia (Er shi si cheng ji, 2008)
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois (Des hommes et des dieux, 2010)
Um Homem Singular, de Tom Ford (A Single Man, 2009)
O Laço Branco, de Michael Haneke (Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, 2009)
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (The Kids Are All Right, 2010)
Nada Pessoal, de Urszula Antoniak (Nothing Personal, 2009)
Polícia Sem Lei, de Werner Herzog (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (El secreto de sus ojos, 2009)
(C) Dez filmes que não vi e que, de acordo com a crítica e a opinião de pessoas que reputo de bom juízo cinéfilo, seriam susceptíveis de alterar a ordem e o conteúdo das listas acima referidas (por ordem alfabética do título em português):
36 Vistas do Monte Saint-Loup, de Jacques Rivette (36 vues du Pic Saint Loup, 2009)
Cela 211, de Daniel Monzón (Celda 211, 2009)
Gainsbourg – Vida Heróica, de Joann Sfar [Gainsbourg (Vie héroïque), 2010]
Green Zone: Combate pela Verdade, de Paul Greengrass (Green Zone, 2010)
Irène, de Alain Cavalier (2009)
Mammuth, de Gustave de Kervern e Benoît Delépine (2010)
Mistérios de Lisboa, de Raoul Ruiz (2010)
A Teta Assustada, de Claudia Llosa (La teta asustada, 2009)
Vão-me Buscar Alecrim, de Ben Safdie e Joshua Safdie (Go Get Some Rosemary, 2009)
Yuki e Nina, de Hippolyte Girardot e Nobuhiro Suwa (Yuki & Nina, 2009)
(D) Entre os 68 filmes vistos, 18 foram classificados de medíocres, eis os 10 Piores Filmes de 2010*, os meus Razzies (ordenados do pior ao menos mau):
1.º - Um Cidadão Exemplar, de F. Gary Gray (Law Abiding Citizen, 2009)
2.º - Precious, de Lee Daniels (Precious: Based on the Novel Push by Sapphire, 2009)
3.º - Anticristo, de Lars von Trier (Antichrist, 2009)
4.º - Partir, de Catherine Corsini (2009)
5.º - Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme, de Oliver Stone (Wall Street: Money Never Sleeps, 2010)
6.º - Salt, de Phillip Noyce (2010)
7.º - Dia e Noite, de James Mangold (Knight and Day, 2010)
8.º - Homens que Matam Cabras Só com o Olhar, de Grant Heslov (The Men Who Stare at Goats, 2009)
9.º A Mente dos Famosos, de Jonas Pate (Shrink, 2009)
10.º Thirst – Este é o Meu Sangue..., de Park Chan-wook (Bakjwi, 2009)
Notas: * Filmes estreados durante o ano 2010 em salas de cinema portuguesas, incluindo os de 31/12/2009.
** Os filme a estrear no próximo dia 30 serão incluídos na análise cinematográfica de 2011 (se por cá andar, senão enviarei um emissário devidamente munido de uma procuração com plenos poderes para escolher livremente, publicar, alterar a forma, mudar a agulha estética para o drama-romance de domingo à tarde, e a ética para as tortuosidades larsvontrieranas & discípulos, Ilda.)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Filmes 2010: jogos preliminares

Como já expliquei, em texto anterior, a falta de tempo não me irá permitir que este ano exponha a teoria subjacente às minhas escolhas nas três áreas artísticas habitualmente sujeitas a balanço de final do ano neste blogue.
Assim, tenho de aproveitar as horas de bulício de listas de compras, de efervescência natalícia e de encandeamento das luzes ornamentais aqui em casa, para poder desistir das matérias mais elevadas (ou mais sérias, porque delas depende a minha subsistência), uma oportunista fuga mental, e conseguir escrever alguma coisa de aproveitável (e sem sentimentos de culpa pelo trade-off) sobre o ano cinematográfico, musical e literário.
Não acreditando que de hoje até ao final do ano me consiga deslocar a uma sala de cinema para assistir a um filme recentemente estreado, e usando a famosa e utilíssima técnica de edição de texto “cortar e colar”, aplicada à listagem completa dos filmes estreados em salas de cinema portuguesas durante o ano de 2010 (cerca de 270, em que incluí, por razões óbvias, os estreados a 31 de Dezembro de 2009, da mesma forma que não inclui os que irão estrear-se a 30 de Dezembro deste ano), cheguei a uma lista preliminar de 68 filmes vistos, entre os quais 30 merecem o meu elogio (13 de produção norte-americana) – apesar dos diferentes níveis de prazer cinéfilo que deles retirei: há os que admirei em toda a sua plenitude e aqueles que tocaram em alguns dos meus pontos sensíveis –, 20 foram classificados como indiferentes e 18 como medíocres (entre estes, também se contam 13 os produzidos nos Estados Unidos).
Sem mais delongas, eis os 30 melhores filmes de 2010 (por ordem alfabética do título em português), entre os quais sairá, em breve, a lista definitiva dos “10+” de 2010:
24 City, de Zhang Ke Jia (Er shi si cheng ji, 2008);
Águas Agitadas, de Erik Poppe (DeUsynlige, 2008);
Aquário, de Andrea Arnold (Fish Tank, 2009);
City Island – Segredos à Medida, de Raymond De Felitta (City Island, 2009);
Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami (Copie Conforme, 2010);
Dos Homens e dos Deuses, de Xavier Beauvois (Des hommes et des dieux, 2010);
Entre Irmãos, de Jim Sheridan (Brothers, 2009);
O Escritor Fantasma, de Roman Polanski (The Ghost Writer, 2010);
Eu Sou o Amor, de Luca Guadagnino (Io sono l’amore, 2009);
Um Homem Singular, de Tom Ford (A Single Man, 2009);
O Laço Branco, de Michael Haneke (Das weisse Band – Eine deutsche Kindergeschichte, 2009);
Líbano, de Samuel Maoz (Lebanon, 2009);
Um Lugar para Viver, de Sam Mendes (Away We Go, 2009);
O Mensageiro, de Oren Moverman (The Messenger, 2009);
Meu Filho, Olha o que Fizeste!, de Werner Herzog (My Son, My Son, What Have Ye Done, 2009);
Os Miúdos Estão Bem, de Lisa Cholodenko (The Kids Are All Right, 2010);
Mother – Uma Força Única, de Bong Joon-ho (Madeo, 2009);
Na Senda dos Condenados, de Kari Skogland (Fifty Dead Men Walking, 2008);
Nada Pessoal, de Urszula Antoniak (Nothing Personal, 2009);
Polícia Sem Lei, de Werner Herzog (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, 2009)
Presente de Morte, de Richard Kelly (The Box, 2009);
Um Profeta, de Jacques Audiard (Un prophète, 2009);
A Rede Social, de David Fincher (The Social Network, 2010);
O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella (El secreto de sus ojos, 2009);
Shirin, de Abbas Kiarostami (2008);
Shutter Island, de Martin Scorsese (2010);
Soul Kitchen, de Fatih Akin (2009);
Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen (Whatever Works, 2009);
A Última Estação, de Michael Hoffman (The Last Station, 2009);
Vencer, de Marco Bellocchio (Vincere, 2009).
Nota: no dia 23 de Dezembro irão estrear dois filmes. Por outro lado, há muitos ainda em cartaz sobre os quais os meus olhos não passaram. Como expliquei, estou convencido de que não terei oportunidade de ver nenhum deles. Todavia, se tal se verificar, qualquer ida à sala de cinema engordará a cifra dos 68 filmes vistos, e será posteriormente classificado segundo as três categorias acima referidas, que poderá interferir com esta listagem final – situação de ocorrência difícil perante o cartaz actual e apesar de O Mágico (L’illusionniste, 2010) se basear no argumento daquela figura esguia, terna e inesquecível que é o meu muito estimado Jacques Tati.

Filmes 2010 – preliminares

[Amanhã (hoje). A iminente vitória do sono sobre o meu estado de vigília não me irá permitir uma formatação digna e atempada.]

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mão Cheia

…de nada.

Seguido do meu compositor, a minha sinfonia (a primeira de entre muitas coisas que me sobrevieram à mente pelo número de anos que hoje se encerra), na vizinhança dos 100 anos da sua morte, pela batuta do seu grande reabilitador na segunda metade do século XX.
 
Gustav Mahler, Sinfonia n.º 5, 1.º Andamento, “Trauermarsch” (In gemessenem Schritt. Streng. Wie ein Kondukt.)
(tradução de um estado de espírito – cf. título e tempo)
Leonard Bernstein
Filarmónica de Viena
Musikvereinssaal, Viena
Abril de 1972

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

As Listas de 2010

Quando houver tempo e disponibilidade mental para escrever neste blogue, postarei aqui as habituais três listas dos meus “10+” no que diz respeito a filmes (projectados nas salas de cinemas portuguesas durante o ano), livros (editados em Portugal este ano) e álbuns originais de música editados no mundo em 2010.
Nada será como nos anos anteriores, onde reservava os três últimos dias do ano, para em cada um deles publicar uma lista diferente. Nem tão-pouco, de acordo com a tradição, irei revelando diariamente, por ordem aleatória, os meus dez álbuns musicais preferidos auxiliados pelos videoclipes disponíveis no YouTube, com um texto justificativo das minhas predilecção e escolha.
Este ano não há tempo. E depois, convenhamos, para quê? Ninguém lê esta porra…
Notas:
(1) O logótipo da 68.ª edição (a deste ano) dos prémios cinematográficos Globos de Ouro, atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood (HFPA), nada tem que ver com o texto supra. Todavia, considerei ser de bom-tom introduzir uma imagem tão apelativa e tão bem gizada pelos seus criativos designers (embora tenha a certeza de que disporia de um maior impacto se guardada para edição do próximo ano), na medida em que reflecte o meu estado de espírito para com o mundo.
(2) Tem sido como limpar o rabo a meninosA Rede Social (The Social Network, 2010) prepara-se para o pleno dos prémios da Crítica. Não disponho de tantas certezas, contudo, com o que se irá passar nos mais folclóricos, uma vez que Danny cheesy Boyle aparece a concurso, ladeado pelo seu compatriota Christophemazy Nolan.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Liu Xiaobo

Cuba, Venezuela e quejandos, os defensores do australiano Assange – o pai da bufaria internacional, que actua sob a capa da liberdade de expressão, pondo milhões de vidas em risco –, não se farão representar na cerimónia, que hoje decorre em Oslo, de atribuição do Prémio Nobel da Paz 2010 ao dissidente chinês:

Liu Xiaobo
(n. 1955)
A minha homenagem será feita com o meu silêncio e com as palavras dos outros. Paul Auster, curiosamente, disse quase tudo no romance que escreveu durante o ano de 2009, a propósito da tirania do torcionário regime comunista de Pequim:

«O crime de Liu: ter sido um dos autores de um documento intitulado Carta 08, uma declaração apelando a reformas políticas, a mais amplos direitos humanos, e ao fim do governo de partido único na China.
»Liu Xiaobo começou como crítico literário e como professor na Universidade de Pequim e tornou-se uma figura tão importante que viria a trabalhar como professor convidado numa série de instituições estrangeiras, em particular a Universidade de Oslo e a Columbia em Nova Iorque, (…) e o activismo de Liu remonta a 1989, o ano dos anos, o ano em que o muro de Berlim veio abaixo, o ano da fatwa, o ano da Praça Tiananmen, e foi precisamente na Primavera de 1989 que Liu deixou o seu posto na Columbia e regressou a Pequim, onde fez uma greve da fome (na Tiananmen) de apoio aos estudantes, e defendeu métodos não violentos de contestação a fim de que não houvesse mais derramamento de sangue. Passou dois anos na prisão por causa disso, e, depois, em 1996, foi condenado a três anos de reeducação pelo trabalho por ter sugerido que o governo chinês encetasse negociações com o Dalai Lama. Continuou a ser importunado pelas autoridades e, desde então, tem vivido sob vigilância da polícia. A sua última detenção ocorreu a 8 de Dezembro de 2008, por coincidência ou não, um dia antes do sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Tem estado detido num local desconhecido, sem direito a um advogado, sem material para escrever, sem nenhuma possibilidade para comunicar com ninguém. O facto de a mulher o ter visitado na noite de Ano Novo significará uma viragem importante, ou será apenas um pequeno acto de misericórdia sem quaisquer consequências no desfecho do caso?»
Paul Auster, Sunset Park, pp. 175-176 [Alfragide: Asa, 1.ª edição, Outubro de 2010, 231 pp; tradução de José Vieira de Lima; obra original: Sunset Park, 2010.]

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Os preços

Já aqui tenho elogiado algumas editoras que têm vindo a recuperar os grandes nomes da literatura universal, editando as suas obras até hoje inéditas em Portugal (ou caídas no olvido rumo aos alfarrabistas há dezenas de anos). Por mera preguiça, não fui verificar os meus escassamente incontáveis textos anteriores, e já não sei se a Ulisseia, agora chancela do grupo editorial Babel de Paulo Teixeira Pinto, já foi vítima dos meus elogios ou agraciada com a minha descomprometida verrina. Todavia, recorro à depauperada memória mais fresca para informar que a dita já foi objecto sacrificial por louvor aquando da publicação recente do Ham on Rye de Bukowski, com tradução do meu amigo invisível (apenas blogosférico) Manuel A. Domingos – o problema da coisa, isolamo-nos atrás destes muros cintilantes de cristais líquidos, e cremos que somos imensamente apreciados e até populares, apesar de o infalível contador não deixar a sombra de uma dúvida.
Volto à Ulisseia, trazendo-a ao pelourinho do aplauso pelas obras entretanto publicadas, com especial destaque do viciante deleite que retiro da leitura lenta e cuidada, quase como um meticuloso exercício de degustação, de Break It Down – Demolição da autora norte-americana Lydia Davis – a “ex” do Paul Auster, a sua companheira de viagem em tradução por França no início dos anos 70 do século passado (não sei se, com ele, ficou a conhecer o mestre Beckett), compartilhadora da fome que o judeu de Newark descreve nos suas memórias, e mulher entre 1974 e 1978, mãe do agora atinado (creio eu) Daniel Auster –, com uma tradução, que até chateia pela irrepreensibilidade, pelo nosso guardião do universo borgiano, José Mário Silva. [Frontispício da obra, acima reproduzido.]
De minha parte, enquanto leitor passivo – de nenhuma forma participante na elaboração da política editorial da referida editora –, espero que se continue a traduzir a obra desta autora, até há bem pouco tempo passível de ser conotada (e luso-conjecturada) com a mulher do intangível criador de vestuário desportivo, com lojas abertas ao público. E, como refere José Luís Peixoto no prefácio a este livro de histórias breves quando refere a tradução, também eu sou defensor do primeiro lado [cf. subcapítulo ‘Prefácio’ do “Prefácio”, de Break It Down – Demolição], e apugilista dessa prática (pronto a defender a ideia num ringue de boxe à laia de um Mailer a levar uns ganchos mortíferos de Vidal – e não me enganei, e até faço um apelo à Porto Editora para que na próxima revisão do seu dicionário introduza o vocábulo tão ouvido nas tertúlias erudito-futebolísticas deste país), que afinal é bem mais habitual em Portugal.
Gostaria de ter terminado o texto no parágrafo anterior, mas o título impede-me, apenas por uma questão de pudor (prefiro-o, neste caso, à honra): duzentas e cinco páginas impressas em edição brochada custam dezanove euros e cinquenta cêntimos – dezanove cêntimos a folha impressa. Considero um verdadeiro exagero e abstenho-me de enquadrar a questão na conjuntura socioeconómica do país (pois bem, acabei de o fazer). Aliás, sem ter feito uma exaustiva análise comparada, a generalidade dos livros da Babel merecem que os preços sejam sovados…
Máxima surfista modificada e aumentada: destruam os preços e não os livros (e a carteira de quem os compra).

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

“Frank Drebin”

Leslie Nielsen
(Regina, SK, Canadá, 26/02/1926 – Fort Lauderdale, FL, EUA, 28/11/2010)
Nunca fui de lágrima fácil, tanto na alegria, como na tristeza, sou um acumulador, porventura reprimido (vou-me dando conta disso à medida que envelheço), de fenómenos (emocionais) de exteriorização de sentimentos perante terceiros, mas este homem, que ontem desapareceu ao 84 anos, vítima de uma pneumonia, foi um dos principais responsáveis por algumas das fortes gargalhadas, acompanhadas de incontidos jorros de lágrimas, em muitos momentos da minha vida. Poderia não ser um Peter Sellers, um Buster Keaton, ou um Jacques Tati (e este é, sempre que o recordo, um trio arrepiantemente assombroso e hilariante), até pela sua ausente vertente de “autor”. Todavia, Nielsen, em conjunto com os fabulosos irmãos Zucker e Jim Abrahams, permanecerá para todo o sempre no meu imaginário como um dos grandes protagonistas de filmes cómicos: a sua aparência respeitável, séria, a sua ilusória formalidade e até assertividade, conjugavam de forma sublime com as suas inocência e atrapalhação nos momentos mais aflitivos, redundando nas situações mais rocambolescas. Era um histrião de smoking, o pinga-amor desajeitado, o sedutor tortuoso e irresistível, e actualmente o mais fidedigno representante do burlesco cândido. Mesmo com 84 anos, a sua aparição no grande ou no pequeno ecrã fazia rir mesmo o mais sisudo empedernido.
Em jeito de homenagem, deixo ficar uma das melhores cenas retiradas da curta (pelo fracasso nas audiências), porém extraordinária, série televisiva Police Squad (a fonte de inspiração da trilogia Naked Gun):

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

IMPAC 2011

[Por vezes criamos rotinas difíceis de quebrar, como escrever neste blogue sem o deixar a morrer de inanição, famélico por novos textos por muito deploráveis que possam ser – do subgénero maçã podre – à luz dos profissionais desta coisa pavoneante; ou de deixar cair a divulgação de alguns eventos ou factos ligados à Literatura que, estou convencido do convencimento do leitor letrado, em nada engrandecem o valor deste blogue – aliás se acreditasse na potência do seu efeito multiplicador, seria como esperar por Godot, porquanto ao que de absorção se chama o elemento da multiplicação se traduz o valor real deste pasquim na plataforma do empório Google; e se absorve, por muitos milhões de caracteres que se lhe apliquem por repetição, a sua insignificância ou o nada será sempre a sua máxima distintiva.
Face ao grave e soturnamente exposto acima, e ao contrário de anos anteriores, abandono o tradicional exercício de “cortar e colar”, até pela expiração do prazo de validade da coisa, ou seja, mais desvalorizado pelo diferimento entre o acontecimento e o auto de notícia infra-escrito.]
No passado dia 15, foi anunciada a lista dos semifinalistas do International IMPAC Dublin Literary Award. A lista deste ano é composta por 162 romances (mais 6 que em 2010) escritos por outros tantos autores.
O destaque que aqui se dá a este prémio, advém da sua característica principal que o torna único e meritório, que se poderia traduzir nas 2 etapas (3 fases) bastantes distintas no processo de selecção que consiste na intervenção de dois níveis de especialistas ligados ao mundo dos livros: (1) bibliotecários, na 1.ª fase (este ano intervieram 126 bibliotecas situadas em 43 países), e (2) autores, críticos, editores e gente das letras, que constituem o júri previamente escolhido, nas 2.ª (eleição dos finalistas) e 3.ª (eleição do vencedor) fases (cujos resultados serão anunciados a 12 de Abril e a 15 de Junho de 2011, respectivamente).
As regras para as bibliotecas seleccionadas através de candidatura previamente elaborada são bastante simples:
- O Dublin City Council, através da administração das bibliotecas públicas da cidade de Dublin recebe uma lista de obras de ficção nomeadas por responsáveis de bibliotecas situadas nas capitais e principais cidades de países espalhados pelos cinco continentes.
- Cada biblioteca pode nomear até 3 obras de ficção que apenas têm de obedecer a uma condição: a sua publicação em língua inglesa.

Para o prémio de 2011 só poderiam ser nomeadas:
- Obras originalmente publicadas em inglês durante o ano de 2009;
ou,
- Obras originalmente publicadas noutra língua no quinquénio 2005/2009, e que hajam sido publicadas em inglês durante o ano de 2009.

Neste primeira fase do IMPAC de 2011, destacaram-se dez obras que obtiveram mais de quatro votos (cinco já foram publicadas em Portugal, curiosamente as quatro mais votadas e uma das três obras colocadas na quinta posição), num total dos 310 votos exercidos (para um máximo de 378 votos) pelas 126 bibliotecas (1 biblioteca – 3 obras diferentes; 1 obra – 1 voto).
Lidera a lista das dez mais votadas, a obra vencedora do National Book Award de 2009:
14 votos – Colum McCann, Deixa o Grande Mundo Girar (ed. port. Civilização, Let the Great World Spin);
13 votos – Colm Tóibín, Brooklyn (ed. port. Bertrand);
11 votos – Kathryn Stockett, As Serviçais (ed. port. Saída de Emergência, The Help);
10 votos – Hilary Mantel, Wolf Hall (ed. port. Civilização).
7 votos (3 obras)
- Julia Franck, The Blind Side of the Heart;
- Barbara Kingsolver, The Lacuna;
- Lorrie Moore, Uma Porta nas Escadas (ed. port. Relógio D’Água, A Gate at the Stairs);
5 votos (3 obras)
- A.S. Byatt, The Children’s Book;
- Linden MacIntyre, The Bishop’s Man;
- Dimitri Verhulst, Madame Verona Comes Down the Hill.

Apesar do encurtamento do texto habitual, jamais poderia deixar de revelar as obras eleitas pelas duas únicas bibliotecas portuguesas participantes no processo. Por norma, a sua participação reputa-se de bastante valiosa (nunca votaram num vencedor), isenta e, por isso, reveste-se do carácter de imprescindível; em regra, desprovida de qualquer vestígio de pró-lusofonia ou de amiguismo literário, resultando sempre de um enorme esforço de abstracção inteiramente dirigido para a qualidade das obras elegíveis. Eis, então, as escolhas para o IMPAC de 2011 enviadas (dentro do prazo) pelas nossas queridas instituições:
Biblioteca Municipal Central de Lisboa
- Carlos Ruiz Zafón – O Jogo do Anjo (ed. port. Dom Quixote) – 4 nomeações (+ Birmingham, Cork e Gateshead)
- Claudia Piñeiro – As Viúvas das Quintas-Feiras (ed. port. QuidNovi) – 2 nomeações (+ Brasília)
- Patrícia Melo – Mundo Perdido (ed. port. Campo das Letras) – 3 nomeações (+ Porto e Brasília)
Biblioteca Pública Municipal do Porto
- Daniel Silva – O Desertor (ed. port. Bertrand) – 1 nomeação
- Luiz Alfredo Garcia-Roza – Na Multidão (ed. brasileira Companhia das Letras) – 2 nomeações (+ Brasília)
- Patrícia Melo – Mundo Perdido (ed. port. Campo das Letras) – 3 nomeações (+ Lisboa e Brasília)

É tudo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

80 Anos

Nasceu a 23 de Novembro de 1930 no Funchal, o maior (não o medi pela fita métrica cortada em centímetros, senão pela minha mui pessoal escala estética) poeta português vivo. A matemática dos dias marcou hoje oito dezenas em grupos de trezentos e sessenta e cinco – terminado às vezes na meia dúzia para acertos astronómicos –, oitenta órbitas deste rochedo vicioso à volta do fogo; anéis, por ele gravados, na memória de um povo, apenas ao alcance dos sublimes. Poetas da nossa terra. Obrigado por estes momentos densos pelo mais sincero, calmo e etéreo inebriamento: «O incêndio atrás das noites corta / pelo meio / o abraço da nossa morte.»

Parabéns Herberto.

«Esta mão que escreve a ardente melancolia
da idade
é a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os recessos negros
onde
se formam
as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial
da luz e da espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se. O mel escurece dentro da veia
jugular talhando
a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, a lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro
da tua árvore. Ou um filão ardido de ponta a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz
dos braços, a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida
ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro
é tão feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se
fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda
no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas
consanguíneas, luzimos de um para o outro
nas trevas.»
Herberto Helder, A faca não corta o fogo, pp. 74-76.
[Lisboa: Assírio & Alvim, Setembro de 2008, 208 pp.]

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A Caminho

o livro do ano. Novecentas e vinte páginas de poesia de Sophia, com selecção e organização pela sua filha Maria Andresen de Sousa Tavares.

sábado, 20 de novembro de 2010

O Armário e o Paquiderme*

Por vezes sou paquidérmico em relação a determinadas opiniões, que mais não são que pré-conceitos em estado latente prontos a serem arremessados para a arena de “olha que contra a corrente que eu sou”.
Não gosto mesmo nada de me citar, nem de fazer das minhas opiniões sentenças, até por razão de manter algum contacto com a realidade: ninguém lê este blogue – ou melhor, pedindo desculpa aos que me lêem, cerca de meia dúzia, tenho a consciência de que qualquer opinião que aqui emita jamais será considerada em qualquer microtertúlia em que se discuta cinema, literatura, ou qualquer outro tema que aqui desenvolvi. Não é falsa modéstia, é apenas a constatação da realidade: não distribuo empregos, nem abraço políticos, não sou dono de uma editora, não escrevo em jornais ou revistas, vivo (e espero continuar a viver) no Porto, sou apartidário, embora a minha condição de blogger dispensável se agrave por uma certa dextralidade política (o que é isso?), sou agnóstico, sempre dubitativo (e não dúbio), estou-me perfeitamente nas tintas para líderes e pseudo-líderes, para os tipos que se dizem éticos (esta é das melhores lidas ultimamente), chefes, autoridades (sobre qualquer matéria); nisso sou um anarca (não estender muito o conceito, por favor), libertário, anticonservador, cultor do meu pensamento livre (jamais constrangido), sem o fim último de insultar a diferença, embora por vezes uma boa provocação à laia de insulto sirva para aliviar um pouco desta minha idiossincrática carga emocional fortemente compressora.
Não preciso de sair do armário (pronto, já arrumei com o título), nem sinto a necessidade de me revelar, muito menos de encetar qualquer manobra de diversão que permita deixar-me mais confortável perante alguém.
A 2 de Outubro passado disse aqui:

«A primeira e, pelos vistos, frutuosa união Fincher & Sorkin chega cá no próximo dia 4 de Novembro, e tenho uma forte suspeita de que, por terras do primeiro-ministro filósofo (…), onde predominam as mentes preclaras, levará no mínimo com uma bola preta… Há quem culpe o realizador de Denver por haver realizado alguns telediscos, uma mácula jamais expurgável na carreira de um cineasta.»
E a bola preta veio de onde mais esperava: o algoz do realizador de videoclipes para Madonna, Paula Abdul, George Michael, Sting, entre outros, dificilmente reconhecerá qualquer mérito ao realizador de Denver, só se, por uma análise da crítica intracomparada, conseguir vencer um reaccionarismo, que o próprio julgará tratar-se de criatividade e de ambição cinematográfica, tal como proferia o polémico Ben Marcus nas artes literárias. Adaptando o texto à sétima arte, vem: aqueles que procuram assegurar que a cultura se afaste do progresso cinematográfico, aqueles que insistem que os sucessos fílmicos do passado devem ser solidificados, polidos e praticados pelas gerações mais jovens. Qualquer adaptação à realidade vigente é um sacrilégio. Logo, mais vale filmar de câmara ao ombro um bairro degradado de Manila e contratar uma dúzia de actores não profissionais e com uma fotografia deslavada, sem artifícios, contar uma história banal, para não se cair na malfeitoria do truque fácil de câmara, jogos de luz, filtros e montagem, e demais maquinaria associada – a profanação do cinema.
A concretização da profecia (mesmo antes de ter visto o filme, que, suponho, vi no dia a seguir à estreia – 5 de Novembro), levou-me, como já aqui disse, a suspender e arremessar para o arquivo de ficheiros “ponto doc” mortos a minha opinião mais elaborada sobre a última obra de Fincher**. Mas estarei sempre disponível para exteriorizar uma boa irritação, como se não bastasse, para não danificar ainda mais as paredes desta panela de pressão, já de si bastante combalida e com cicatrizes de repressões de antanho. O outing é a minha forma de vida. E já agora a de exibir algumas opiniões de quem muito respeito nesta matéria, apesar de discordâncias viscerais noutras ocasiões, o fio condutor no exercício da crítica jamais se cristalizou num conservadorismo bafiento:
«O filme de David Fincher possui não só a rara qualidade de ser tão inteligente como o seu brilhante herói, mas é-o da mesma forma. É arrogante, impaciente, frio, excitante e instintivamente arguto.
(…)
“A Rede Social” é um grande filme, não só devido ao seu estilo deslumbrante ou ao seu engenho visual, mas porque é admiravelmente bem-feito. Apesar das desconcertantes complicações da programação informática, da estratégia da Internet e da grande finança, o argumento de Aaron Sorkin torna tudo compreensível, e não seguimos com tanta força a história como somos puxados para detrás dela. Eu assisti ao filme rodeado por uma audiência que parecia absorta de uma forma invulgar: encontrava-se amplamente fascinada.»
Roger Ebert, “The Social Network”, Chicago Sun-Times, 29/09/2010.
Para terminar, e para um bom momento de descompressão, como seria A Rede Social se filmada por Wes Anderson, Michael Bay, Christopher Guest, Quentin Tarantino, Guillermo del Toro ou Frank Capra?

Notas: *este título não se inspirou em qualquer obra do realizador, tão cauterizado pela crítica em Portugal, Julian Schnabel.
**A minha indefectibilidade fincheriana será posta à prova no passo que o realizador do Colorado está prestes a dar. Trata-se de um remake de um filme sueco estreado no ano passado sobre o primeiro livro da trilogia-dos-títulos-em-comboio do escritor já desaparecido Stieg Larsson. Entretanto, continuo em aulas de mentalização para considerar uma obra-prima o terceiro filme da série Alien. Depois do 8.º Passageiro de Scott (o Ridley, o menos apimbalhado dos manos) e do Recontro Final de Cameron, e antes da Ressurreição do Jeunet, suponho que não necessitarei de uma sala fechada com grampos nas pálpebras para a Desforra de Fincher.