terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Música: O Melhor de 2009


Depois do desfile de textos curtos que justificaram as minhas escolhas no campo musical (pop/rock) no ano de 2009, chegou a altura prometida de os hierarquizar segundo o grau de satisfação que cada obra me proporcionou, apesar do tempo quase escasso para as ouvir sem interrupções e outros ruídos que, eventualmente, prejudicaram a listagem final. Muito ficou por ouvir, noutros casos muitos discos foram escutados com a sensação de tempo perdido.
Sem mais delongas, eis a lista:
Dez Melhores Álbuns Musicais de 2009 (por ordem de preferência):
  1. The Flaming Lips – Embryonic (Warner)
  2. The xx – xx (Young Turks)
  3. Patrick Watson – Wooden Arms (Secret City)
  4. Yeah Yeah Yeahs – It's Blitz! (Interscope)
  5. Sonic Youth – The Eternal (Matador)
  6. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion (Domino)
  7. Placebo – Battle for the Sun (Play It Again Sam)
  8. The Legendary Tigerman – Femina (Metropolitana)
  9. Pearl Jam – Backspacer (Island)
  10. Chester French – Love the Future (Star Trak)
Menções Honrosas
Para além dos dez atrás referidos, há outros álbuns que merecem uma citação, não só por convalidação do trabalho anterior que sempre me agradou (no caso dos três primeiros), como pela descoberta (tardia) de novos intérpretes com a abertura de horizontes musicais (no caso do quarto), que o inexorável envelhecimento vai permitindo – note-se que a lista que se segue está disposta por ordem alfabética dos intérpretes:
  • Air – Love 2 (Virgin)
  • Arctic Monkeys – Humbug (Domino)
  • Pink Martini – Splendor in the Grass (Naïve)
  • St. Vincent – Actor (4AD) (a descoberta da fantástica texana de 27 anos, uma verdadeira one-woman-show – porquanto St. Vincent é ele própria –, Annie Clark. Para seguir com atenção nos próximos trabalhos.)
Decepções

  • Julian Casablancas – Phrazes for the Young (RCA) (muito esperado álbum a solo do líder dos The Strokes, bom para tocar nas pista de carrinhos de choque).
  • The Veils – Sun Gangs (Rough Trade) (é incrível a ascensão e queda vertiginosa da banda londrina, uma tragédia em três álbuns).
Mais que decepcionantes (sem ideias novas, repetitivos, exercícios burlescos de autopastiche a apelar a uma reforma urgente ou a uma retirada silenciosa), lista que poderia ser traduzida pela expressão “já não há pachorra” – disposta por ordem alfabética dos intérpretes:
  • Depeche Mode – Sounds of the Universe (Mute)
  • Eels – Hombre Lobo (Vagrant)
  • Franz Ferdinand – Tonight (Domino)
  • Morrissey – Years of Refusal (Decca)
Nota final: Muitos foram os autores e os respectivos álbuns que aqui não foram mencionados, e no entanto escutados. Na sua maioria, e na minha pessoalíssima e íntima apreciação, por falta de invocação do númen musical. Podia dar o exemplo dos incensados Camera Obscura, ou os novíssimos Them Crooked Vultures, e no caso mais flagrante, aqueles que marcaram o ano pela presença assídua em qualquer listagem elaborada pelos críticos da especialidade nacionais ou estrangeiros, os Grizzly Bear.
Para o ano há mais.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

E as cabeças rolaram (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

“Zero”
Yeah Yeah Yeahs It’s Blitz! (Interscope)
E ao terceiro álbum de originais o trio nova-iorquino conseguiu de facto convencer-me. A voz de Karen O., remissiva a outros campeonatos da era punk britânica, com a sua limpidez envolve toda a atmosfera onde quer que soltem as suas notas; as reminiscências e sobretudo as referências não param de cair em catadupa – escuso-me aqui de nomeá-las, e embora pareça o ensaio de uma ironia grosseira, ouçam “Hysteric”. It’s Blitz consagra a aplicação no mundo da música pop da teoria darwiniana da evolução, que aqui é jogada a uma velocidade supersónica, porém quase imperceptível, na adaptação de uma banda ao espírito do tempo. Os Yeah Yeah Yeahs adaptaram-se à electrónica, e saíram do bas-fond urbano para o centro de um clube de elite com uma exclusiva lista de convidados. Mas a rebeldia, apesar das decapitações, estão lá, em “Zero”, “Shame and Fortune”, “Heads Will Roll”, ou por exemplo, na soberba “Dull Life”. Depois, o que fica? Todo o álbum, harmónico, compacto, bem produzido, mas é imprescindível ouvir “Skeletons” ou “Runaway”, para atestar da possibilidade de uma transição pacífica, sem nunca perder a basilar, a alma do álbum, onde Karen e os seus genes coreanos transmitem, em todo o seu esplendor, a serenidade oriental: “Little Shadow”.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Reviver o passado em VeddersHead (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.
 
“The Fixer”
Pearl Jam Backspacer (Universal/Island)
O título seria injusto se não acrescentasse um McCreadyShire. A eterna dupla que ajudou a abalar as fundações da minha juventude nos idos primeiros anos da década de 90. Por muitos efeitos de produção, contratações bombásticas e exaustividade promocional, jamais veremos o ressurgir de um Ten (1991) ou um Vitalogy (1994), ou mesmo de um Versus (1993) – tal como nunca mais teremos um Bossanova ou um Doolittle daqueles quatro de Boston, a melhor banda de sempre, depois dos outros, efémeros, de Manchester. Em bom português, a mesma água não corre duas vezes debaixo da mesma ponte. O que temos? Vedder já com 45 anos e McCready com 43. Os loucos anos do grunge são uma memória longínqua, podemos perpetuá-la, mas dificilmente aceitaríamos, nós os trintões e quarentões deste mundo, a mimese de um espectro que se esfumou. Não foi isso que aconteceu com Backspacer, o 9.º álbum de originais dos Pearl Jam, longe vão os tempos de Seattle, dos cabelos desgrenhados e das camisas de flanela aos quadrados. É porém na voz arrastada de Vedder e nos acordes de McCready que o devaneio de uma geração ainda encontra os seus referenciais – para uma amostra “The Fixer”, o 1.º single extraído do álbum, cujo vídeo foi realizado pelo californiano Cameron Crowe. E este álbum fica aqui bem na companhia dos restantes nove; seria um sacrilégio deixar de fora “The End” ou “Just Breathe” «Yes I understand that every life must end, / As we sit alone, I know someday we must go, / I’m a lucky man to count on both hands / The ones I love (…)» E nela me revejo num filme recentemente realizado por Sean Penn, e cujo espírito de libertação perpassa por cada palavra dita, por cada frase cantada por Vedder. E é aí que eles, depois destes anos todos, ainda se encontram, no lado selvagem: «This situation, which side are you on?» (“Got Some”).
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Estrondoso (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

“Crystalised”
The xx xx (Young Turks)
O título poderia exprimir as minhas constantes fugas juvenis que parecem brotar de uma reserva, decerto inexaurível, ocultada por uma força superior nos confins da minha mente. The xx é o nome de uma banda de Londres, recentemente formada, cujo primeiro álbum de originais, xx – de produção quase artesanal –, saiu no Verão de 2009 para o mercado discográfico. Quatro pós-adolescentes, a meio do projecto da idade adulta, criaram um dos mais sensacionais álbuns de estreia dos últimos anos. Com uns laivos de Breeders – apesar da componente vocal masculina –, são no entanto uns Sonic Youth britânicos, mais macios, com um som mais limpo e menos ousado – talvez aqui, se haja verificado alguma temeridade de iniciado –, mas não menos entusiasmantes que os veteranos nova-iorquinos. “Intro”, a música instrumental de abertura, parece não soar a nada de novo; certamente, já a ouvimos em outros locais, sem a associarmos à jovem banda londrina, porque a voracidade propagandística arrebanhou-a com unhas e dentes para ornamentar os seus objectos menos vigorosos. E o que dizer de “Stars”? E de “Crystalised”? “Night Time”?... Neste momento, destaco “VCR” das restantes, o que não quer significar que na próxima semana não surja outra a ocupar o topo das minhas preferências – é sempre assim neste tipo de álbuns, nada é definitivo, todas as certezas qualificativas sobre cada peça que integra o todo é de sobremaneira instável. Uma obra-prima. 
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Tequila com pouco Sunrise (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

“Sacred Trickster”
Sonic Youth The Eternal (Matador)
O título deste texto segue o mito urbano do cliente achavascado que se dirige ao bar num ímpeto de doseador versado. Com The Eternal há um pecadilho que, certamente não advirá da mudança da editora de sempre, a Geffen, não se verificou com o extraordinário Rather Ripped de 2006: pouco Thurston Moore e cabriolas da doidinha Kim Gordon, para muito Ranaldo. Mas esta é a história da banda criada em 1981 em Nova Iorque e que se prolongou pelos seus já dezasseis álbuns de originais: o trio que sobressai do quinteto numa espécie de dialéctica de amor/repulsa e que se sintetiza em obras de arte. Se políticos fossem, eu votaria em Moore, mas procuraria garantir uma oposição responsável Gordon/Ranaldo, mesmo em possíveis formações com maiorias negativas. “Thunderclap for Bobby Pyn” é excelente, a mais sonic-youthiana e a única canção cantada exclusivamente por Moore. Mas seria uma blasfémia anticonstitucional dizer que quando os três se juntam, como em “Poison Arrow” ou em “Anti-Orgasm”, a criação perde qualidade. E Gordon está muito bem sozinha em “Calming Snake”, na poderosíssima e erecto-pixiana “Sacred Trickster”, e na épica “Massage the History”. Mas foi na coligação Moore/Ranaldo que o álbum se abalançou ao éter com a icónica “Antenna”. Em suma, «Oil dripping on my head / Let's go back to bed…», se exceptuarmos a “Walkin Blue”, The Eternal ganha como regra para audição obrigatória. E, em boa verdade vos digo, nada melhor que coleccionar ementas e ouvir Sonic Youth no dia de Natal… feliz e santo.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Declaração de Impossibilidade de Plágio

Há pouco mais de uma hora adquiri a edição de hoje do jornal Público, que contém, por antecipação (amanhã é dia de Natal), o suplemento Ípsilon.
No Ípsilon, tal como acontece todos os anos, os diversos críticos elaboram uma série de listagens consensuais sobre os melhores do ano em cada ramo de arte, tratado habitualmente pelo suplemento nas suas edições semanais.
Este ano, no topo da lista dos melhores álbuns de originais de música pop, surgem os Animal Collective, com o álbum Merriweather Post Pavilion. O texto que acompanha a referência à obra de arte do agora trio – após a saída da banda de Deakin –, formado por Panda Bear, Avey Tare e o Geologist, foi escrito pelo crítico musical Vítor Belanciano.
Quis o destino que, neste blogue, o anúncio a conta-gotas (um por dia, entre os “10+”) dos “Melhores Álbuns de 2009” reservasse para o dia 24 de Dezembro a revelação do álbum supramencionado dos Animal Collective, cujo texto se assemelha ao de Belanciano. Nesse sentido, é conveniente esclarecer que não só o texto foi escrito antes de 19 de Dezembro deste ano – dia em que começou a série de revelações dos elementos que constituem a lista final por ordem aleatória –, como também só li o texto de VB muito depois da hora pré-programada (que ocorreu a 18 de Dezembro) para publicação do texto deste blogue: neste caso as 14 horas e 5 minutos (em que, como no dia 29 se verá, o preciso minuto após as 14 horas não foi escolhido ao acaso, contém uma pista para os mais atentos).
Feita a minha exoneração de responsabilidades plagiárias, só me resta desejar um Bom Natal a todos os que me visitam e deixar-vos, como forma de entretenimento, o trompe-l’oeil da capa dos AC: para todos aqueles que se horrorizam com a exuberância consumista do Natal, sempre podem trocar de vistas.

Extinção? O Urso Panda e os sons da América (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.
 
“Summertime Clothes”
Animal Collective Merriweather Post Pavilion (Domino)
A partir da saudável loucura electrónica, Person Pitch (2007) provinda dos samplers de Panda Bear, sob o espectro inspirador que pairava no ar da, por nós sempre pronta a recusar, portugalidade, surgiu Merriweather Post Pavilion. O álbum recebeu o nome da arena helénica, ao ar livre, projectada por Frank Gehry – deve haver dedo do menino-guerreiro nisto, até porque o tribalismo psicadélico é a marca indelével deste álbum, onde até existe um leão em coma. Mas, regressando à estratosfera, MPP é o culminar (o aperfeiçoamento) do experimentalismo e da improvisação que já vinha de Strawberry Jam de 2007. Com este álbum, levado por alguns críticos e ouvintes ao paroxismo laudatório, os Animal Collective parecem conseguir captar, pela música e pelos ritmos esfusiantes, o coração da América profunda escondida nas raízes da sua historiografia: ouça-se, a título de exemplo, a faixa prodigiosa “Also Frightened”. E depois (ou antes de tudo) é impossível ficar-se indiferente perante o colosso bem urdido em notas que se liquefazem e que através de um diligente dedo que controla a gravidade seguem os trilhos sulcados na terra que formam a teia de “My Girl”. Um excelente álbum, que fui aprendendo a gostar ao longo de todo este ano, nunca por insistência, apenas a ele ia voltando, destapando o véu que guardava o nobre produto de degustação em plena fase de maturação. No vídeo, “Summertime Clothes”, assim, sem mais palavras.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Tranquilidade (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.
“Fireweed”
Patrick Watson Wooden Arms (Secret City)
Patrick Watson (n.1979), californiano por acaso, quebequense pelo sangue, é o dono de uma voz extasiante que se disseminou pelo meu mundo melómano por via secundária. De facto, fiquei a conhecer Watson pela sua inolvidável participação no álbum de 2007, Ma Fleur, dos The Cinematic Orchestra. E quem não conhece a viciante música, “To Build A Home”, criada pelo maravilhoso bando de artífices musicais comandados pelo britânico Jason Swinscoe? Foi pelos Cinematic que cheguei a Watson, e que fiquei a saber que Patrick Watson é uma espécie de vagabundo no mundo da música, ajuntando-se com vários autores de renome internacional, mas também é o nome do quarteto musical que ele lidera e que este ano lançou o seu terceiro álbum: Wooden Arms. Tranquilidade. Sigo os conselhos de Paulo Bento, e relaxo perante este ansiolítico, de olhos fechados, imaginando que, deitado numa espreguiçadeira numa varanda que se impõe sobre os socalcos, com o som baixo do leitor de CD, a leve e amena brisa das noites de Setembro do Douro, onde o cheiro da uva em fermentação se mistura com o da esteva, me afaga o rosto e a mão que segura o cálice de Porto tão velho como os anos que levo à superfície desta loucura terrena. Wooden Arms é irrepreensível de princípio ao fim. Qual Rufus, qual quê! Apenas o trágica e tristemente desaparecido Buckley, talvez. “Fireweed”, é simplesmente mágica – 1.ª música do álbum, apenas o 3.º single a ser-lhe extraído. Para ver e ouvir com atenção.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O nosso Homem Tigre (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

 

“Life Ain’t Enough for You”
The Legendary Tigerman Femina (Metropolitana)
No início de Outubro deste ano, enquanto perambulava pela secção livreira de uma das lojas Fnac do Grande Porto, ia absorvendo, com algum deleite, uns sons saídos das colunas de um dos pontos que costumam anunciar as novidades discográficas ou cinematográficas. Abandonei os livros e parti na demanda do som etéreo. A jornada não durou muito. Mesmo ali ao lado, era Paulo Furtado metamorfoseado no seu one-man-show The Legendary Tigerman. Na altura escrevi isto. Hoje venho materializar a suspeita que me assaltou no momento: Femina é um dos meus álbuns preferidos de 2009, e o único (posso já garantir) com marca portuguesa.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência; 
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O regresso dos lábios ardentes (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.

 
“I Can Be a Frog”
The Flaming Lips Embryonic (Warner)
Com alguma consciência do sucedido, atrevo-me a dizer que já quase me havia esquecido da existência deste grupo norte-americano que, entretanto, já leva no seu pecúlio 12 álbuns 12 de originais. Muito se tem falado de Coyne & Companhia devido ao esperadíssimo remake de um dos melhores álbuns de todos os tempos, The Dark Side of the Moon, produzido em 1973 pelos eternos Pink Floyd. Porém, entre anúncio e prenúncios, surgiu finalmente no princípio do Outono, Embryonic, o 12.º álbum de originais do grupo que floresceu em Oklahoma. Com a colaboração da maravilhosa Karen O em 3 músicas e dos MGMT em 1, este duplo álbum é um verdadeiro desafio ao mais empedernido dos resistentes: a distorção contínua, os sons pungentes retirados dos mais diferentes objectos orgânicos ou inorgânicos – um pigarreio, uma interferência de um telemóvel, uma voz fria e sem cor que nos chega de um auricular de um telemóvel, o ruído do escasso silêncio –, alternados, em algumas músicas, com acordes zen a apelar à meditação, e outros arreigadamente psicadélicos, deixarão porventura mossa no cérebro mais são. Contudo, é na sua audição em repetição sucessiva que damos conta que já nos encontramos embryonicizados… já é tarde para dar um passo atrás, até porque atrás é o abismo de uma vida pardacenta, de uma rotina fracturante. Não havendo encontrado a minha música preferida – a que se destaca por muito pouco do conjunto, dado o todo inebriante – para postar o som original em vídeo, a psicadélica, com laivos curtisianos, e música de abertura do álbum “Convinced of the Hex”, deixo ficar a desconcertante “I Can Be a Frog” com Karen O ao telefone. Talvez apareça por aqui em breve com os seus Yeah Yeah Yeahs…
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Uns atormentados de Harvard (“10+” de 2009)

Desde o passado dia 19, por volta das 14 horas, este blogue tem vindo a revelar, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.




“She Loves Everybody”
Chester French – Love the Future (Star Trak)
Em 2003 dois caloiros de Harvard juntaram os seus dotes musicais, e nos estúdios da universidade foram gravando algumas músicas dispersas que, num ápice, se tornaram sucessos, catapultando o dueto para as capas das revistas da especialidade. Em 2009, lançam o seu primeiro álbum, disputado por algumas editoras. A partir de então, o dueto desmultiplicou-se em entrevistas, e correram o país fazendo as primeiras partes de espectáculos de bandas já estabelecidas e bem conhecidas no mercado, como é o caso dos Blink 182. A música dos Chester French – nome do escultor responsável por obras bem conhecidas como o Lincoln Memorial em Washington D.C. ou memorial a John Harvard, hoje colocado no Harvard Yard na porta do University Hall –, é difícil de catalogar, apesar da sonoridade distintamente pop da sua canção mais famosa (e que figura no vídeo que acompanha este texto), está entre o country, os sons jazzísticos, o hip-hop e a música electrónica. Não é um álbum de fácil digestão, nem verdadeiramente homogéneo. Curiosamente, o disco abre com uma calma e curta melodia – “Introduction” – cantada num português arrevesado “Sou, eu sou atormentado…” Vamos a ver o que o futuro lhes reserva: se a bonança ou a tormenta.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. No passado dia 19, todos os álbuns nomeados ficaram agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Um placebo com efeitos renovados (“10+” de 2009)

A partir de hoje, e sempre por volta das 14 horas, este blogue revelará, por ordem perfeitamente aleatória, os 10 melhores álbuns (de originais) musicais de 2009.


“The Never-Ending Why”
Placebo Battle for the Sun (Play It Again Sam)
Não é nenhuma novidade a minha afeição, a raiar a idolatria teenager, por esta banda de Londres, formada em 1994. São os resquícios de rapaz na agitação da idade de pré-adulto, que ainda mantêm a chama acesa pelo andrógino Brian Molko, com a sua tessitura de voz inimitável. Este foi o primeiro álbum produzido com as novas aquisições da banda: o fabuloso Steve Forrest que substituiu na bateria o incompatibilizado Steve Hewitt e a polivalente e irrequieta Fiona Brice (que formalmente não faz parte do trio londrino como membro permanente). Ao longo de todo o álbum sobressai toda a envergadura de Forrest, havendo transformado o som eminentemente guitarrísticos e estrídulos dos álbuns anteriores, num tom mais dançável, sem no entanto destruir a identidade da banda – mudança que faz ver a bandas como os Green Day que não se conseguem libertar das amarras dos sons ásperos dos primeiros anos, perdendo o público que outrora lhe foi fiel.
Notas:
  1. No dia 29 de Dezembro será divulgada a lista dos “Dez Melhores”, organizada por ordem de preferência;
  2. A partir de hoje, todos os álbuns irão ficar agendados no Blogger para publicação, logo sem hipótese de ajustamento por influências externas, para surgirem na hora determinada (por voltas das 14 horas) em cada dia.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As listas de 2009

Já se tornou num hábito inultrapassável, quanto mais não seja pela preguiça de actualizar o blogue com textos que poderiam exigir um maior esforço de abstracção – e aqui apenas se seleccionam textos cuja qualidade (atente-se na polissemia do vocábulo) esteja assegurada –, irão ser publicadas as listas das minhas preferências musicais, cinéfilas e literárias que se estrearam neste pequeno rectângulo, com ilhas adjacentes, durante o ano de 2009.
Se nos livros não haverá grandes surpresas, já que a listagem dos livros editados em Portugal foi sendo actualizada desde o dia 1 de Janeiro deste ano, com a respectiva nota qualificativa, e figurou sempre na coluna do lado direito deste blogue; no cinema e na música, e dada a escassez de textos de suporte publicados, a novidade será quase total.
A terminar mais um ano civil de actividade na blogosfera, considerei que deveria salientar que, pela primeira vez, nenhum dos livros apreciados foi acompanhado de um texto, à laia de recensão – já fui acusado de me querer pôr em bicos de pés, logo faço-lhes a vontade –, que justificasse o espanto, a aversão ou a indiferença pela prosa neles vertida. Facto este que também se ficou a dever aos 211 dias de pausa para reflexão, apenas quebrada por algumas derivas culturais postadas no meu mural do Facebook, durante a minha pequena incursão por essa rede social insatisfatória e predadora de tempo – que, a talho de foice, será objecto de um filme a estrear no próximo ano, realizado pelo meu reverenciado David Fincher.


A datas para a publicação das listas:
  • Música – dia 29 de Dezembro (terça-feira) – lista dos 10 melhores álbuns musicais inéditos produzidos em 2009, com referência a algumas decepções. (Nota: a partir de amanhã, tal como fiz no final de 2008, irá ser apresentada até ao dia 28, uma sequência de dez textos diários com cada um dos referidos dez álbuns, por ordem aleatória de preferência.)
  • Cinema – dia 30 de Dezembro (quarta-feira) – lista dos 10 melhores filmes estreados em salas de cinema portuguesas durante o corrente ano, independentemente do seu ano de produção. Incluirá, também, uma lista das 10 aberrações cinematográficas do ano.
  • Literatura – dia 31 de Dezembro (quinta-feira) – listas dos 10 melhores livros de ficção e dos 5 melhores de não-ficção publicados em Portugal durante o ano. Trata-se apenas de atribuir uma ordem de preferência (hierarquia do gosto pessoal) aos livros que figuram na coluna lado direito deste blogue.
Nota: apesar da onda avassaladora de balanços da década em revistas, jornais, blogues e até na televisão, não será aqui divulgada nenhuma lista sobre a curiosa década de 9 anos. Por embirração matemática, a 1.ª década do 3.º Milénio, logo do século XXI, iniciou-se a 1 de Janeiro de 2001 e só termina a 31 de Dezembro de 2010. Por curiosidade, aqui fica a pergunta: em que década do século XX se deu a implantação da república em Portugal, na 1.ª ou na 2.ª?

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

4



Começou com o Porque, continuou com o In Absentia e em princípio acabará com o inabalável Nunca Mais. Todos se inspiraram em Sophia, ostentando diferentes epígrafes, que revelaram os meus estados de alma no momento inaugural de cada espaço de divagação.
Evolução temporal e alguns dados estatísticos (fonte: Sitemeter):
  • Porque, criado a 17 de Dezembro de 2005, encerrado a 23 de Setembro de 2006. Foram publicados 535 textos e contou com 33.862 visitantes (45.123 de páginas visitadas). Poema de Sophia: “Porque”; epígrafe de Bernardo Soares (Pessoa), Livro do Desassossego: «Tendo visto com que lucidez e coerência lógica certos loucos justificam, a si próprios e aos outros, as suas ideias delirantes, perdi para sempre a segura certeza da lucidez da minha lucidez.»
  • In Absentia, criado a 2 de Dezembro de 2006, encerrado a 6 de Abril de 2008. Foram publicados 457 textos e contou com 43.649 visitantes (57.817 de páginas visitadas). Poema de Sophia: “Ausência”; epígrafe de Raymond Carver, do conto “Jerry, Molly e Sam”: «Ele ficou ali sentado. Pensou que, bem vistas as coisas, não se sentia muito mal com a sua consciência. O mundo estava cheio de cães. Havia cães e havia cães. Com alguns cães não havia nada a fazer.» (Sob a fina camada do título do blogue, pairou um alto-relevo dos primeiros versos do poema “The Fascination of What’s Difficult”, de William Butler Yeats.)
  • Nunca Mais, criado a 30 de Abril de 2008, sempre na iminência de encerrar. Foram publicados 302 textos, incluindo este, e contou com 30.386 visitantes (38.608 de páginas visitadas) até às 13 horas de hoje. Poema de Sophia: “Nunca Mais”; Epígrafe de Don DeLillo (verificou-se uma pausa para reflexão entre 24 de Fevereiro e 23 de Setembro deste ano)
  • Somatório dos hiatos temporais entre a criação e a extinção de blogues, e pausa para reflexão: 305 dias (70+24+211), em 1461 dias possíveis.
  • Dias de actividade: 1156
  • Número total de visitantes: 107.897 (141.548 de páginas visitadas)
E, assim, quis assinalar a passagem do quarto ano, recorrendo a uma espécie de tuning blogosférico para ilustrar a efeméride. E, porventura, através dos ensinamentos que logrei obter por esta experiência que se estendeu pelo último quadriénio, o tuning, pese embora o germanismo, seja a expressão efectiva para alguma da blogosfera dita de referência: muito espaventosa, munida de atavios de um deslumbramento ofuscante e que pungem o ouvido mais delicado por uma barulheira ensurdecedora, mas que apenas cobrem, dissimulam, a pobreza de espírito, a fraqueza intelectual e o arrivismo impetuoso dos escribas.
Não tenho dúvidas de que as generalizações são perigosas, porquanto atingem todos sem excepção, mas no lado direito deste texto suponho que existe uma lista bastante extensa daqueles que não incluo no grupo de tuning da blogosfera lusa – a esmagadora maioria ficou de fora dada a limitação humana do número de blogues que conheço.
Os restantes são aqueles que medem a blogosfera pelos amiguismos potencialmente ascensores ao Olimpo opinativo bem pago, e que se distinguem dos restantes porque ritualmente praticam o “deslincamento” – a arma de arremesso, o qualificativo de menosprezo em acção.
Era um prazer deslincar… A frase não é nova, foi devidamente profanada para servir o fim deste texto pirómano. A que temperatura ardem os blogues? Talvez à temperatura do sobreaquecimento neuronal perante algo que não se entende, ou que se julga entender como agente promotor do enfraquecimento da média qualitativa dos poucos blogues que surgem no arrolamento: tida como a fina-flor da blogosfera, carregada de uma erudição ímpar, que dá vontade de ostentar pelo aplauso que forçosamente advirá da criteriosa selecção que captou o sublime da opinião publicada em hipertexto.
No princípio fui banido do arrolamento de um blogue, cujo promotor se convenceu da sua eminência literária, guindado pela bajulação nauseante dos “delta menos”. Esse acto foi a faísca que fez disparar o lança-chamas do deslincamento: «I love the smell of napalm in the morning.» já dizia o Duvall. Enfim, o horror. O horror.
«You can either surf, or you can fight!»
Fight, fight, fight… Ladeiras, vales de lágrimas, lugares antinómicos e quejandos. Não se pode agradar a todos. E logo agora que o Technorati resolveu entrar de férias… por inabilidade dos seus programadores. «In a war there are many moments for compassion and tender action.» Mesmo seguindo o conrado-coppoliano “Kurtz”, aproveitando a alegoria para o “unlink back”my tender moment of joy between bloggers – há sempre um gosto amargo de fel, como cantava a Bethânia, em jeito de grito de alerta.
Enfim, avancemos. É tempo de comemoração, e acresce que atravessamos a quadra da paz e da harmonia fraterna entre os homens. O anúncio foi feito – 4 anos. Agradeço, antecipadamente, as centenas de mensagens de felicitações recebidas.
PS – obrigado ao construtor bávaro de Ingolstadt, pela utilização abusiva do emblema que há uns tempos simbolizou uma importante revolução tecnológica, aproveitada hoje para passear e ostentar as máquinas no asfalto liso das ruas das nossas cidades.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Os amigos da Revolução

Há anos, surgiram nos Estados Unidos – o Império do Mal, responsável por todos os cataclismos à escala global: políticos, económicos, sociais, culturais, ambientais, tecnológicos –, pela evolvente propiciatória da livre iniciativa e do mercado concorrencial, empresas privadas que se dedicam à limpeza das “zonas de crime”: lavam carpetes, tapam os buracos de balas perdidas, repõem o stock de picadores de gelo (quiçá de picaretas mexicanas, com a marca de água do NKVD) e de conjuntos lustrosos de facas de cozinha; só não garantem a desinfecção do idealismo e da mitomania do coitadinho – está ainda para surgir um insecticida iconoclasta. Mas sobre a mitomania revolucionária, deixo as despesas do verbo a quem conhece (por palavras e actos) o assunto por dentro, Olivier Rolin (n. 1947):
«Vocês têm vinte anos, são românticos, revoltados, ignorantes, esforçam-se por amar os ídolos da revolução mundial (há ainda, na época, qualquer coisa no mundo que usa esse nome “Revolução Mundial”), Marx ou Mao, alguns vão ainda mais longe no seu zelo e tentam convencer-se de que gostam de Estaline. Mas há em vocês uma inquietação, no fundo dessa zona livre e sonhadora que habita no vosso íntimo e que resiste ao culto dos líderes, à cobarde admiração pelos vencedores. Vocês são muito ignorantes, e no entanto sentem que a Revolução é um gesto cuja grandeza prometaica [sic] não resiste à sua própria vitória, que a Revolução vitoriosa vê o tempo dos burocratas e dos polícias suceder ao dos heróis, e que não há grande Revolução a não ser nos primeiros momentos incrédulos, e depois de ser assassinada. Rosa Luxemburgo lançada ao Landwehrkanal, num dia de gelo e de sangue em 1919, Che Guevara deitado como um Cristo deposto da cruz no lavadouro do hospital de Valegrande: o que há de menos vulgar e de menos servil em vocês pressente que é eles serem vencidos o que os faz tão gloriosos. A República espanhola, a Comuna de Paris, a sua história é para vocês uma epopeia porque é feita apenas de derrotas. E ninguém te emociona mais do que aqueles que são duplamente derrotados, porque foram mortos por uma causa na qual deixaram de acreditar. Fazes bem em defender-te, a personagem que te fascina já não é a do militante, mas a muito mais romântica, a do aventureiro. Porque tu desejas, ao mesmo tempo, a fraternidade e a solidão. Tu também te sentes “desenraizado” do mundo. Sombrio, intransigente, apaixonado, desesperado, Rossel* é um dos heróis dos teus vinte anos idealistas e teatrais.» [destaque a bold de minha autoria]
Olivier Rolin, Um caçador de leões, pp. 87-88
[Lisboa: Sextante, 1.ª edição, Outubro de 2009, 198 pp; tradução de Tiago França; obra original: Un chasseur de lions, 2008.]

*[nota minha]: Louis Rossel (1844-1871), coronel do Exército Francês, o único oficial a juntar-se à Comuna de Paris (em Março de 1871), como resistente à invasão prussiana da França, e a capitulação desta perante Guilherme I e o seu chanceler Otto Bismarck. Morreu fuzilado perante ordens do presidente Adolphe Thiers, que esmagou a insurreição e destruiu a Comuna quarenta dias depois de haver sido instituída.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Há pouco mais de duas horas foram anunciadas as nomeações para 67.ª edição dos Globos de Ouro, organizada pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, e cuja entrega ocorrerá no Beverly Hilton, em Hollywood, no próximo dia 17 de Janeiro, pelas 17 horas PST (18 de Janeiro, à 1 hora da madrugada, hora de Lisboa).
Para quem acompanha o fenómeno cinematográfico de Hollywood, não houve surpresas de maior. Todavia, evidencio a categoria “Melhor Filme Estrangeiro” pela fortíssima concorrência que se faz adivinhar dados os filmes, as críticas e os nomes envolvidos nas suas realização e produção.
Por outro lado e em resumo, destaca-se dos demais um conjunto de nove filmes que receberam três ou mais nomeações (entre os quais dois estrearam durante o corrente ano em Portugal, fazendo, sem qualquer hesitação, parte dos melhores filmes que vi em 2009 – lista a divulgar no final do ano):


Nas Nuvens // Up in the Air – 6 nomeações
(estreia a 11/02/2010 em Portugal)
Actor (Drama) – George Clooney
Actriz Secundária – Anna Kendrick
Actriz Secundária – Vera Farmiga
Argumento – Jason Reitman
Filme (Drama)
Realizador – Jason Reitman
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Nove // Nine – 5 nomeações
(estreia a 14/01/2010 em Portugal)
Actor (Comédia ou Musical) – Daniel Day-Lewis
Actriz (Comédia ou Musical) – Marion Cotillard
Actriz Secundária – Penélope Cruz
Canção Original
Filme (Comédia ou Musical)
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Avatar – 4 nomeações
(estreia a 17/12/2009 em Portugal)
Banda Sonora Original – James Horner
Canção Original
Filme (Drama)
Realizador – James Cameron
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Sacanas Sem Lei // Inglourious Basterds – 4 nomeações
Actor Secundário – Christoph Waltz
Argumento – Quentin Tarantino
Filme (Drama)
Realizador – Quentin Tarantino
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Amar... É Complicado // It’s Complicated – 3 nomeações
(estreia a 04/03/2010 em Portugal)
Actriz (Comédia ou Musical) – Meryl Streep
Argumento – Nancy Meyers
Filme (Comédia ou Musical)
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Estado de Guerra // The Hurt Locker – 3 nomeações
Argumento – Mark Boal
Filme (Drama)
Realizador – Kathryn Bigelow
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Invictus – 3 nomeações
(estreia a 28/01/2010 em Portugal)
Actor (Drama) – Morgan Freeman
Actor Secundário – Matt Damon
Realizador – Clint Eastwood
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Precious: Based on the Novel Push by Sapphire – 3 nomeações
(sem estreia marcada para Portugal)
Actriz (Drama) – Gabourey Sidibe
Actriz Secundária – Mo’Nique
Filme (Drama)
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A Single Man – 3 nomeações
(estreia a 18/02/2010 em Portugal)
Actor (Drama) – Colin Firth
Actriz Secundária – Julianne Moore
Banda Sonora Original – Abel Korzeniowski

Melhor Filme Estrangeiro
  • Abraços Desfeitos // Los Abrazos Rotos (Espanha), de Pedro Almodóvar
  • Baaria (Itália), de Giuseppe Tornatore (sem estreia marcada – PT)
  • O Laço Branco // Das Weisse Band (Alemanha), de Michael Haneke (estreia PT – 07/01/2010)
  • La nana (Chile), de Sebastián Silva (sem estreia marcada – PT)
  • Um Profeta // Un prophète (França), de Jacques Audiard (estreia PT – 31/12/2009)
Nota final: Este ano, Martin Scorsese receberá o prémio honorário Cecil B. DeMille.

sábado, 12 de dezembro de 2009

European Film Awards 2009


Foram hoje entregues, no Jahrhunderthalle em Bochum na Alemanha, as estatuetas relativas à 22.ª edição dos prémios de cinema europeu, da Academia Europeia de Cinema (EFA).
O realizador alemão Michael Haneke (n. 1942) foi o grande vencedor, arrecadando 3 estatuetas com o filme O Laço Branco (Das Weisse Band). A sua estreia em Portugal está marcada para o próximo dia 7 de Janeiro.
Com este filme, segundo a crítica, o mais sério candidato ao Óscar para Melhor Filme Estrangeiro, Haneke já havia vencido em Cannes a Palma de Ouro.
De notar que o SlumBoyle – realizador perito em cloacas – ainda mexe e ganhou mais dois prémios: um em partilha e outro o da popularidade.
Eis a listagem dos vencedores – (prémios precedidos do adjectivo “Melhor”):


Filme Europeu
O Laço Branco (Das Weisse Band), de Michael Haneke
Realizador Europeu
Michael HanekeO Laço Branco (Das Weisse Band)
Actriz Europeia
Kate WinsletO Leitor (The Reader), de Stephen Daldry
Actor Europeu
Tahar RahimUm Profeta (Un prophète), de Jacques Audiard
Argumentista Europeu
Michael Haneke O Laço Branco (Das Weisse Band), de Michael Haneke
Director de Fotografia Europeu
Anthony Dod Mantle (por 2 filmes) – Anticristo (Antichrist), de Lars Von Trier & Quem quer ser bilionário? (Slumdog Millionaire), de Danny Boyle
Compositor Europeu
Alberto IglesiasAbraços Desfeitos (Los abrazos Rotos), de Pedro Almodóvar
Revelação Europeia (Filme)
Katalin Varga, de Peter Strickland
EFA Prémio de Excelência
Francesca Calvelli (pela Montagem) – Vincere, de Marco Bellocchio
EFA Filme de Animação Europeu
Mia et le Migoo, de Jacques-Rémy Girerd (França)
Prémio da Crítica EFA – Pémio Fipresci
Andrzej Wajda [nota: realizador e argumentista polaco, nascido em 1926; entre outros prémios, foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1981 pelo filme O Homem de Ferro (Czlowiek z zelaza); e do Óscar Honorário da Academia de Hollywood em 2000).
EFA Documentário – Prémio Arte
The Sound of Insects: Record of a Mummy, de Peter Liechti (Suíça)
EFA Curta-Metragem
Poste Restante, de Marcel Lozinski (Polónia)
EFA Prémio de Carreira
Ken Loach [nota: realizador e argumentista britânico, nascido em 1936; entre outros prémios, foi o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2006, pelo filme Brisa de Mudança (The Wind That Shakes the Barley).]
Prémio Europeu de Carreira – Cinema do Mundo
Isabelle Huppert [nota: actriz francesa, nascida em 1953; entre outros prémios, venceu: o prémio para Melhor Actriz no Festival de Cannes de 2001, pelo filme A Pianista (La pianiste), de Michael Haneke; e do César de 1996 para Melhor Actriz pelo filme A Cerimónia (La cérémonie), de Claude Chabrol – entre 1976 e 2006 foi nomeada mais 12 vezes para este prémio para outros tantos filmes. É a 3.ª estatueta que arrecada no festival da EFA, tendo sido as restantes conquistadas em 2002 por 8 Mulheres (8 femmes), de François Ozon (em conjunto com as restantes 7 actrizes); e em 2001 pelo filme A Pianista (La pianiste).]
Filme (Prémio – Escolha do Público)
Quem quer ser bilionário? (Slumdog Millionaire), de Danny Boyle

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Seguidismo crítico

«Parece que os críticos do Reino Unido gostaram realmente de Invisível, o último romance de Paul Auster, e eu dei por mim a pensar se valeria a pena analisá-lo – já não leio um livro dele desde O Livro das Ilusões (2002) – quando, na New Yorker, James Wood veio a terreiro e zurziu no livro.» [tradução livre: AMC, 2009]
Estas palavras pertencem a Christopher Tayler, postadas no blogue da London Review of Books no passado dia 9, sítio onde, em conjunto com outros peritos em assuntos artístico-literários, escreve sobre livros e supostamente sobre Literatura.
Tayler, de 34 anos, para além de colaborar com a LRB, é o crítico-chefe de ficção literária no jornal londrino The Guardian.
Todo o texto é hiperbólico, escrito num estilo de tragicomédia, cujo excerto atrás traduzido revela, à partida, uma debilidade preocupante – que muitos julgavam exclusiva dos críticos literários portugueses, vide as recensões em que se nota, num impudor ostensivo, um cunho eminentemente sintético, uma espécie de súmula dos textos produzidos pelos principais críticos anglófonos e, até, por alguns francófonos de reputação assegurada –, a subordinação da opinião de determinados críticos à concepção e ao pensamento provindos dos putativos donos da crítica literária. Porém, pensar que essa debilidade evidente é um caso exclusivo do recenseador e da publicação em questão, não só seria uma mentira muito mal amanhada, como branquearia todo o comportamento de uma nova horda recenseadora que se fundou com o endeusamento do crítico britânico James Wood e as suas repreensões (sovas eruditas) estético-literárias. É, aliás, com este personagem das letras contemporâneas que esse depauperamento, eucalíptico, da crítica se tornou flagrantemente chocante.
O caso não é de agora, Wood com a sua prosa inteligente e aparentemente dominadora do fenómeno, fomentou a ortodoxia literária que tem circunstanciado a análise crítica da ficção que se vai publicando por esse mundo fora.
Umberto Eco, referindo-se aos repetidos episódios inscritos na História universal de queima pública de livros – de Savonarola a Hitler, entre outros –, fala de uma censura promovida por um tipo de totalitarismo (pensamento único, se quisermos), em que o fomentador, longe de pensar que a fogueira extinguirá a obra queimada, assume um papel de demiurgo com vista a moldar e a purgar todo pensamento cultural de uma determinada comunidade. E esse é precisamente o perigo do anátema woodiano, promotor de um pernicioso unanimismo. 
Se provas faltassem para o seguidismo messiânico, onde se professa uma liturgia de estrita observância – usando da censura, do sarcasmo e dos ataques ad hominem –, benzendo-se, em contínua persignação supersticiosa e aduladora, todo o objecto de talento que fuja ao dogma do criador, leia-se para o efeito o artigo completo deste crítico em incubação (embora, como se afirmou, estejamos a falar do editor-chefe da secção de literatura de ficção no The Guardian) que, por vontade própria, não pretende sair da proveta, porquanto se sente aconchegado pelas palavras do deus criador – o curioso subtítulo deste texto é “Eu fui um adolescente fanático por Auster”.
As ondas sísmicas do abalo provocado pelo texto “covas rasas” – uma alusão à sepultura metaficcional em que August Brill introduziu Owen Brick no romance Homem na Escuridão (Man in the Dark, 2008) como exercício de diversão dos pensamentos tenebrosos que o assaltavam diariamente na titânica luta contra a insónia –, parte integrante do n.º 89, volume 35, da New Yorker, fizeram-se sentir um pouco por todo lado, basta para isso efectuar uma pequena e breve pesquisa na Internet num qualquer motor de busca. Para além dos diversos textos de recriminação dedicados ao emérito professor de crítica literária de Harvard, ressuscitaram algumas mentes cuja planura argumentativa não consegue fugir da mera corroboração: “eu sempre disse”, “até que enfim alguém pôs o dedo na ferida”. Como se não houvesse uma passado, um autor, toda uma obra que não deixou de ser escrutinada com encómios, indiferença ou duras críticas, fazendo tábua rasa de toda a sua biobibliografia, em suma, da própria história recente da literatura.
Mas, para nosso profundo pesar, estes são os campeões da nova crítica contemporânea, os filhos dilectos de qualquer publicação literária ou com pretensões a assumir esse estatuto; todos umbilicalmente ligados por um gritante minimalismo conceptual: “Shallow Thinking”.
PS – o acaso – um tema tão caro a Auster nas suas efabulações –, talvez o acaso (e quero continuar ingénuo) fez com que James Wood, nas habituais listas de final do ano, nomeasse o livro de contos de Lydia Davis como o melhor do ano no campo da ficção. As palavras são dele: «Este ano fiquei excitado com as “Collected Stories” de Lydia Davis. […] Davis é divertida, mordaz, autodepreciativa (até auto-repulsiva) e muito bem-humorada.» [tradução livre: AMC, 2009] Acaso sabem, os poucos que me lêem, com quem foi casada a autora supramencionada no início dos anos 70 e com quem compartilhou a experiência de vida de fome e atribulações em França, tendo gerado um filho em comum chamado Daniel? Bingo! Isso mesmo, um tal de Paul Benjamin Auster, nascido a 3 de Fevereiro de 1947 em Newark, Nova Jérsia. Usando uma frase feita, estafada, o velho cliché que se usa sem itálicos, qual Adamastor woodiano, apetece perguntar, abusando da retórica: Há coisas fantásticas, não há?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Estarão mesmo todos bem? (apropriações fílmicas – parte II)


Foi em finais da década de 90 do século passado que, aproveitando uma sexta-feira de indolência pós-laboral, liguei o antigo canal de filmes TeleCine 2 da TV Cabo – na altura uma oferta, em período experimental, que não viria a ter continuidade pela exaustiva repetição dos filmes exibidos acrescida da prática de um preço abusivo – e reparei, de forma fortuita, que se anunciava um filme italiano para os minutos que se seguiam. Tratava-se de um filme do meu muito apreciado Pepuccino, protagonizado pelo monstro sagrado da cinematografia mundial Marcello Mastroianni – o homem de 8 ½ e de La Dolce Vita do inigualável Fellini, do maravilhoso La Notte do mestre Antonioni e do assombroso Um Dia Inesquecível (Una giornata particolare, 1977) de Ettore Scola, ao lado de Sophia Loren.
Perguntei-me como é que um filme de Tornatore havia escapado à minha análise indefectível de um faccioso do realizador siciliano e de um fã incondicional da escola de cinema que lhe serviu de sustentáculo: Visconti, Fellini, Scola, Antonioni, e tantos outros que construíram no pós-guerra a fábrica de sonhos alternativa à máquina devoradora de Hollywood. Sentimento de ignorância que se agravou pelo facto de o argumento ter sido escrito pelo realizador siciliano em co-autoria com o lendário Tonino Guerra.
E assim se iniciou o filme. Chamava-se Estão Todos Bem (Stanno tutti bene, 1990), terceira longa-metragem de Giuseppe Tornatore, produzida logo após o sucesso universal de Cinema Paraíso (Nuovo cinema Paradiso, 1988) que catapultou Pepuccino até ao Olimpo dos deuses do cinema. O filme abriu com as notas de um allegro que saindo da batuta de Ennio Morricone se tornaram de imediato etéreas. Mastroianni parte… ou melhor, Matteo Scuro sai da sua Sicília, partindo pela primeira vez rumo ao encontro dos seus filhos que há muito migraram, numa espécie de diáspora siciliana, para a imponente Itália em busca de melhores condições de vida.
Este é o filme de Matteo, um amante da ópera lírica, que, viúvo e após se reformar da função pública, caminha até aos lugares que o conduzem à sua prole espalhada por Itália entre Nápoles e Turim, passando por Roma, Florença e Milão. Todos lhe haviam assegurado nas espaçadas visitas à Sicília, estar bem na vida, disputando altos cargos nas mais variadas profissões. Eis o encantador Matteo que, tendo dado asas à sua paixão lírica, dispôs que todos os seus filhos tivessem nomes de personagens famosos criados por alguns dos mais que consagrados compositores italianos: Guglielmo (personagem da ópera Guillaume Tell de Rossini), Tosca (personagem da ópera epónima de Puccini), Norma (personagem da ópera epónima de Bellini), Alvaro (personagem da ópera La forza del destino de Verdi) e Canio (personagem da ópera Pagliacci de Ruggero Leoncavallo).
Mastroianni (1924-1996), apesar de alquebrado por um estado de saúde periclitante – embora quando protagonizou o filme tivesse apenas 65 anos – enche o ecrã com a sua magistral interpretação, desde as situações burlescas passando por aquelas carregadas de um pathos bem tornatoriano (vide, por exemplo, Cinema Paraíso, e o grave e simultaneamente enternecedor A Lenda de 1900).
Com este filme, Tornatore venceu, entre outros, o Prémio do Júri Ecuménico no decurso do Festival de Cannes de 1990 – ano em que David Lynch arrecadou a Palma de Ouro do festival com o inolvidável Um Coração Selvagem (Wild at Heart), sendo o júri presidido por Bernardo Bertolucci.
Mas agora, é chegado o tempo para descrever o horror que me assaltou há poucos dias numa suposta improfícua navegação pela Internet.
Tudo o que atrás foi referido, e que me inebriou até âmago do meu ser, foi, porventura, artisticamente extorquido aos seus autores e arrasado pela repetição, porquanto há pouco mais de uma semana, estreou nos Estados Unidos um filme chamado Everybody’s Fine, baseado no argumento original de Tornatore, Guerra e De Rita, com adaptação do também realizador, um tal de um inglês – que, confessando a minha muito provável cine-ignorância, até hoje desconhecia – chamado Kirk Jones.
Onde havia MorriconeMarianelli – sim, o mesmo das marteladas dactilografadas de Expiação (Atonement, 2007), cujo nome me faz lembrar uma qualquer marca de componentes para automóvel –, e onde brilhava Mastroianni há agora De Niro.
Curiosamente, Robert De Niro tem exactamente a mesma idade de Mastroianni quando este protagonizou o filme de Tornatore. Porém, apesar da inegável qualidade do actor norte-americano – um dos meus preferidos, diga-se –, não consigo vislumbrá-lo a interpretar o papel de um velho reformado, picaresco, terno, crédulo ou aparentemente iludido pelos seus filhos num périplo cheio de incidentes por Itália... perdão, pelos Estados Unidos. O resto do elenco é composto por nomes como Kate Beckinsale, Drew Barrymore e o normalmente apatetado Sam Rockwell.
Para ser sincero, espero o pior. Não consigo, por exemplo, encaixar os tiques dramáticos de De Niro – “are you talking to me?” ou “If I talk to you, and you turn me into a fag, I’m gonna kill you, you understand?” – no papel de Matteo que passou a Frank Goode. E, então, se atentarmos nos seus últimos filmes, o actor italo-americano está a necessitar de uma urgente e profunda intervenção, de que tipo for, para a regeneração do seus, outrora, infindáveis dotes interpretativos.
Como referi na parte I desta série, a ver vamos. Até à sua exibição em frente dos meus olhos (abertos, de preferência), vou deixar morrer lentamente alguns dos apriorismos que me toldaram a mente no momento da inesperada notícia do heteróclito remake hollywoodiano. Até lá resta-me assobiar como Mastroianni (Matteo) fazia para marcar a presença e chamar os seus filhos, e com isso desanuviar a tensão de um cinéfilo irascível.