Philip Roth, Indignação, p. 52
[Algragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Setembro de 2009, 175 pp; tradução de Francisco Agarez; obra original: Indignation, 2008.]
«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.


2009 | 2005 | Diferenças | Crescimento | |||||||
Votos | % | Dep. | Votos | % | Dep. | votos | dep. | % | p.p. | |
PS | 2.068.665 | 36,6% | 96 | 2.573.406 | 45,0% | 120 | -504.741 | -24 | -24,4% | -8,5 |
PSD | 1.646.097 | 29,1% | 78 | 1.639.240 | 28,7% | 72 | 6.857 | 6 | 0,4% | 0,4 |
CDS-PP | 592.064 | 10,5% | 21 | 414.922 | 7,3% | 12 | 177.142 | 9 | 29,9% | 3,2 |
BE | 557.109 | 9,8% | 16 | 364.407 | 6,4% | 8 | 192.702 | 8 | 34,6% | 3,5 |
PCP-PEV | 446.174 | 7,9% | 15 | 432.000 | 7,6% | 14 | 14.174 | 1 | 3,2% | 0,3 |
5.310.109 | 93,8% | 226 | 5.423.975 | 95,0% | 226 | -113.866 | ||||
Inscritos | 9.337.314 | - | 8.785.762 | - | 551.552 | |||||
Votantes | 5.658.808 | 60,6% | 5.712.427 | 65,0% | -53.619 | |||||
Abstenção | 3.678.506 | 39,4% | 3.073.335 | 35,0% | 605.171 | |||||
«[…] o Estado nunca confronta intencionalmente o senso, intelectual ou moral, de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Não é dotado de inteligência ou de honestidade superiores, mas apenas de superior força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar de acordo com a minha vontade. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que me podem coagir são os que obedecem a uma lei superior à minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados pelas massas a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando enfrento um governo que me diz “O dinheiro ou a vida!”, porque é que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro? Ele talvez esteja a passar por um grande aperto, sem saber o que fazer. Não o posso ajudar. Ele deve cuidar de si mesmo; deve agir como eu ajo. Não vale a pena choramingar sobre o assunto. Não sou individualmente responsável pelo bom funcionamento da máquina da sociedade. Não sou o filho do maquinista. No meu modo de ver, quando uma bolota e uma castanha caem lado a lado, uma delas não se retrai para dar vez à outra; pelo contrário, cada uma obedece às suas próprias leis, e brotam, crescem e florescem da melhor maneira possível, até que uma, por acaso, acaba por vingar e destrói a outra. Se uma planta não pode viver de acordo com a sua natureza, então morre; o mesmo acontece com um homem.»
Henry David Thoreau, A Desobediência Civil
[Revisão da versão brasileira com apoio do texto original em inglês: AMC, 2009; obra original: Civil Disobedience, 1849]
Quando visitava Santiago (há, pelo menos, nove ou dez anos que não ponho lá os pés), um dos pontos imprescindíveis do roteiro turístico era a livraria “Follas Novas” – a Díaz de Santos ficava sempre para segundo plano.«Buscó en la primera página y en la última y en la contraportada alguna señal y encontró, en la primera página, la etiqueta cortada de la Librería Follas Novas, S.L., Montero Ríos 37, teléfonos 981-59-44-06 y 981-59-44-18, Santiago. Evidentemente no Santiago de Chile, único lugar del mundo en donde Amalfitano era capaz de verse a sí mismo en un estado de catatonia total, capaz de entrar en una librería, coger un libro cualquiera sin siquiera mirar la portada, pagarlo y marcharse.
»Se trataba, era obvio, de Santiago de Compostela, en Galicia.»
Roberto Bolaño, 2666 (Barcelona: Anagrama, 2004, 1126 pp.)
«Brod em lágrimas, numa noite chuvosa, na rua dos ourives e alquimistas por baixo do castelo de Praga. Cruza-se com um livreiro muito conhecido: “Por que [sic] choras, Max?” “Acabo de saber que Franz Kafka morreu.” “Oh, lamento muito. Sei da tua estima pelo moço.” “Não compreendes. Ele ordenou-me que queimasse os seus manuscritos.” “Nesse caso terás de o fazer, pela tua honra.” “Não compreendes. Franz foi um dos maiores escritores da língua alemã.” Um momento de silêncio: “Max, tenho a solução. Por que [sic] não queimas antes os teus próprios livros?”»
In George Steiner, As Lições dos Mestres.
[Lisboa: Gradiva, 2.ª edição, Outubro de 2005, pág. 69; tradução de Rui Pires Cabral; obra original: Lessons of the Masters, 2003]
Anuncio ao mundo que:
«Este tipo fugiu à polícia francesa... em mocassins?»
[trad. AMC; lost in translation? Saio, madraçamente, de pantufas.]

«Não, os pássaros já não passam mais por ali, eles já o sabem.»
«Por muito boa que seja uma lei, ela é invariavelmente inapta. É por isso que a sua aplicação deveria ser disputada ou questionada. E a prática de fazer isto corrige a sua inépcia e serve a justiça.Existem leis más que legalizam a injustiça. Tais leis não são inaptas, porque elas reforçam, quando aplicadas, exactamente aquilo que se pretendia que reforçassem. E é preciso resistir-lhes, é preciso que sejam ignoradas, desafiadas. Mas é claro, compañeros, que o nosso desafio a elas é inapto!»John Berger, De A para X. Cartas de Amor, pág. 36[Porto: Civilização, Abril de 2009, 207 pp; tradução de Isabel Baptista; obra original: From A to X. A Story in Letters, 2008]

«Se não te importas, Asa, há uma coisa que quero sublinhar e ainda não percebeste. Não somos crianças. Somos homens vividos. É quase pecado ser tão inocente como tu és. Pensa. Está bem? Queres que o mundo inteiro goste de ti. Mas existem fatalmente pessoas que não gostam. Como eu gosto, por exemplo. Não te chega que algumas pessoas gostem de ti? Não aceitas o facto de que algumas pessoas nunca hão-de gostar de ti? (…) É uma questão de vida ou de morte?»
Saul Bellow, A Vítima, p. 75
[Lisboa: Texto, 1.ª edição., Março de 2006, p. 75; tradução de Sofia Gomes; obra original: The Victim, 1947]
Ganhar peso (neste país que me oprime) e saúde para não ter de me vender aos chineses como um perfeito Épsilon menos, mão-de-obra barata de acordo com a Cartilha Paradoxal de M. Pinho Huxley de Deus & Magalhães, responsabilidade limitada (leia-se "licença para a impunidade").
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Até ao possível regresso, gostaria de deixar uma nota à 2.ª “Nota de Tradução” de Tânia Ganho (pág. 221) do 14.º capítulo de A Vida em Surdina (Deaf Sentence, 2008) do escritor britânico David Lodge (Edições Asa, 1.ª edição, 2009) – foi cometido um crime de lesa-majestade (musical), sobre o Rei, o eterno, insubstituível e inesquecível Chairman of the Board:
– A canção a que Desmond Bates se refere não é “New York, New York”, mas “Chicago”, que, por um lado, o próprio personagem refere como exemplo da musicalidade da palavra no corpo do texto, e, por outro, para qualquer sinatreiro de trazer por casa – dispensando o recurso a um qualquer sinatrólico – o final dos versos (de Fred Fisher) “…that toddling town. / … I’ll show you around.” só podem vir acompanhados de início com o nome de uma e uma só cidade: CHICAGO.
Eis um exemplo de A Voz em Tóquio em 1962 (a talho de foice, reza a História, cidade em que detestou cantar, introduzindo vários remoques e gracejos subliminares entre e durante as canções):
Até breve... (referência a cripto-filosófica nabokoviana postada a 30/Abr/2009)
«É geralmente aceite que, se o homem pudesse comprovar o facto da sobrevivência depois da morte, também resolveria, ou estaria no bom caminho para resolver, o mistério do Ser. Infelizmente, os dois problemas não se sobrepõem ou fundem, necessariamente.
Vamos encerrar o assunto com este bizarro apontamento.»
in Vladimir Nabokov, Transparências, p. 118 (Lisboa: Teorema, 1989, 129 pp; tradução de Margarida Santiago; obra original: Transparent Things, 1972).
A 24 de Fevereiro de 2009 [Nunca Mais + In Absentia + Porque (os três blogues nunca coexistiram no tempo e, entre o fim de um e o início de actividade de outro, verificou-se sempre um hiato de alguns meses), desde 17 de Dezembro de 2005], as estatísticas (fonte: Sitemeter):
Obrigado a todos.