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Tardou, por manifesta falta de tempo, mas não faltou. Na tentativa de ser um nada congruente com a linha editorial desta chafarica digital pseudocultural, não poderia deixar de me referir aos livros que me acompanharam durante 2007 e sobre os quais fui falando em dezenas de textos, encerrando, assim e em definitivo, os habituais balanços do ano velho.
A lista que se segue não é de todo uma novidade. Desde o início do ano, fui publicando aqui neste blogue a minha visão particular sobre as obras que iam sendo publicados no mercado editorial nacional, e isto, convém notar, sem que houvesse a pretensão de atingir o inaudito rigor quase científico de uma recensão, ou ainda, que o processo se tornasse um emulador daquilo que o mercado vem estabelecendo como cânone da crítica literária, não cedendo nas suas características da rigidez e de um dogmatismo anacrónico, que afugenta quem faz da Literatura o principal instrumento para os seus momentos de lazer.
Ao longo do ano, como sempre fui referindo até ao limiar da exaustão, apenas assumi o papel do bibliófilo inveterado que procurou transmitir a quem o quisesse ler – e nunca é de mais assinalar e enfatizar esta última parte – simples notas de leitura: as emanações feéricas de um bom livro, as irritações provocadas por outros, as frustrações, os arrebatamentos, as perplexidades, as imprecisões e/ou os momentos de genialidade que contribuíram, de forma decisiva, para a assunção de determinada vontade de qualificar a obra que se acabou de ler. Nada mais. Aliás, não sigo critérios editoriais, nem sou vítima de imposições de leitura; o único critério que aqui se segue materializa-se (também literalmente) em tentar manter alguma (ir)racionalidade económico-financeira perante as minhas necessidades e os meus recursos monetários disponíveis no momento – sim, paguei por todos os livros que aqui foram apreciados – e, por outro lado, só leio o que me apetece, o que em certa medida serve de fundamento ao baixo número de livros de classificação inferior a “3 estrelas”: 5 ao todo, 3 dos quais foram revelados a despeito do princípio que adoptei de não divulgação das mediocridades literárias.
Em jeito de balanço quantitativo do ano, foram lidos e avaliados 50 livros editados em 2007, predominantemente de ficção, havendo-se revelado a avaliação de 48 e, entre esses, um conjunto de 34 foi objecto de textos individuais de análise oportunamente publicados. Quanto à sua divisão pelas 6 grandes categorias qualitativas (ou 5+1) – de mau (1 estrela) a Obra-prima (6 estrelas) –, foram classificados, para além das 2 obras não referidas, 1 livro como “Mau”, 2 como “Medíocre”, 11 com o designativo “A ler”, 13 como “Bom”, 18 como “Muito Bom” e, finalmente, 3 como “Obra-prima”.
No que diz respeito às editoras que os publicaram, sem qualquer tipo de critério apriorístico de selecção como atrás expliquei, sobressaíram os livros da editora independente Relógio D’Água (8 obras), das Publicações Dom Quixote (6), seguidas pelas editoras Civilização e Casa das Letras (4 obras cada), representando as 4 cerca de 44% do total de obras de 2007 aqui avaliadas – de realçar que em termos qualitativos, desprezando as editoras com apenas 1 título nesta lista final, a Texto Editores (com 2 títulos, ambos de Saul Bellow) e a Relógio D’Água tiveram os níveis de avaliação mais altos, 5 e 4,9 pontos, respectivamente.
Lista Final
Dos 21 livros que atingiram a classificação máxima (5 estrelas), houve três que se destacaram pela qualidade excepcional, daí haver-se adoptado o critério de desdobramento do nível máximo em dois patamares de avaliação, correspondendo o mais elevado à tal distinção pela excepcionalidade, apondo-se o natural epíteto de “obra-prima” (6 estrelas).
Assim, de acordo com o meu critério estético-literário, um conjunto de três obras publicadas (2 novidades e 1 reedição) destacou-se das restantes 18. As três figurarão por ordem de preferência nos três primeiros lugares da lista composta pelos dez melhores livros editados em 2007 – esta será a primeira vez em que irei fazer uma distinção classificativa individual dos 10 primeiros livros, atendendo, estritamente, ao grau de exaltação literária provocado (em anos anteriores classificava-os apenas por grandes grupos, sem distinções internas em cada grupo):
- Colm Tóibín, O Mestre, Dom Quixote (The Master, 2004);
- Jonathan Littell, As Benevolentes, Dom Quixote (Les Bienveillantes, 2006);
- Lev Tolstói, A Sonata de Kreutzer, Relógio D'Água (Крейцерова соната, translit. Kreutzerova sonata, 1889, reedição);
- Cormac McCarthy, Este País Não É para Velhos, Relógio D'Água (No Country for Old Men, 2005);
- Ian McEwan, Na Praia de Chesil, Gradiva (On Chesil Beach, 2007);
- John Updike, Corre, Coelho, Civilização (Rabbit, Run; 1960; reedição);
- Cormac McCarthy, A Estrada, Relógio D'Água (The Road, 2006);
- Ivan Turguéniev, Pais e Filhos, Relógio D'Água (Отцы и Дети, translit. Otzy i Deti, 1862, reedição);
- Gonçalo M. Tavares, Aprender a Rezar na Era da Técnica, Caminho (2007);
- W.G. Sebald, Vertigens. Impressões, Teorema (Schwindel. Gefühle, 1990).
Restantes 11 livros com classificação máxima (por ordem alfabética do autor):
- André Gide, Os Subterrâneos do Vaticano, Âmbar (Les Caves du Vatican, 1914);
- Gustave Flaubert, Salammbô, Relógio D'Água (Salammbô, 1862, reedição);
- Halldór Laxness, Gente Independente, Cavalo de Ferro (Sjálfstætt fólk, 1933-35);
- Hisham Matar, Em Terra de Homens, Civilização (In the Country of Men, 2006);
- Honoré de Balzac, O Último Adeus, Europa-América/DN (Adieu, 1830, reedição);
- Iris Murdoch, Um Homem Acidental, Relógio D'Água (An Accidental Man, 1971);
- John Cheever, Falconer, Sextante (Falconer, 1977);
- Paul Auster, Viagens no Scriptorium, Asa (Travels in the Scriptorium, 2007);
- Philip Roth, Todo-o-Mundo, Dom Quixote (Everyman, 2006);
- Saul Bellow, Aproveita o Dia, Texto Editores (Seize the Day, 1956, reedição);
- Saul Bellow, O Planeta do Sr. Sammler, Texto Editores (Mr. Sammler’s Planet, 1970).
Nota: ligações para as “notas de prova” na coluna do lado direito deste blogue.


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