«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Traições e Engano
quarta-feira, 6 de junho de 2012
¡Qué viva España!
domingo, 20 de maio de 2012
Roth dobra o cabo das tormentas em Portugal
Em pouco mais de meio século, com 27 obras de ficção originalmente publicadas – não entrando em consideração com as dezenas de contos e ensaios, e as obras de não-ficção –, e com a publicação garantida da sua opera omnia pela Library of America, o injustiçado não-Nobel, à maneira luso-heteróclita e descontando o republicadíssimo O Complexo de Portnoy de 1969 (Portnoy’s Complaint), só tem obra publicada a partir da sua novela dialógica de 1990 Traições (Deception), editada pela Bertrand, embora ainda não exista a publicação que se lhe seguiu: Operation Shylock (1993).
«A primeira vez que vi a Brenda, pediu-me que lhe tomasse conta dos óculos. Deu uns passos até à extremidade da prancha de saltos e fitou a piscina com olhos enevoados; até podia estar vazia, que a Brenda, míope como era, não teria dado por nada. Fez uma belíssima entrada na água e, passado um momento, estava a nadar de regresso à margem da piscina, a cabeça, de cabelos curtos e acobreados, erguida no prolongamento do corpo como uma rosa na ponta de um caule comprido. Içou-se para a margem fazendo deslizar o corpo e veio ter comigo. – Obrigada – disse, de olhos aquosos mas não por causa da água. Estendeu a mão e pegou nos óculos, mas só os pôs depois de virar costas e começar a andar. Fiquei a vê-la afastar-se. De repente apareceram-lhe as mãos atrás das costas. Agarrou os fundilhos do fato de banho com o polegar e o indicador de cada mão e com um gesto rápido repôs no lugar a carne que tinha ficado à vista. Ferveu-me o sangue nas veias.[Alfragide: Dom Quixote, 1.ª edição, 2012, 304 pp.; tradução de Francisco Agarez; obra original: Goodbye, Columbus; 1959.]
Nessa noite, antes de jantar, telefonei-lhe.»
Philip Roth, “Goodbye, Columbus”, Goodbye, Columbus e cinco contos, pág. 15.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Tinha perdido a magia
[Sobre A Humilhação]
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Outra forma de ressurreição*
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Mais próximos
«Faz quase um ano que ele começou a tirar fotografias de objectos abandonados. Há pelo menos dois serviços por dia, por vezes chegam a seis ou sete, e de cada vez que ele e os seus colegas entram noutra casa, são confrontados pelas coisas, inúmeros objectos usados deixados para trás pelas famílias que partiram. Todas as pessoas ausentes fugiram à pressa, com vergonha, confusas, e é certo que, qualquer que seja o sítio em que agora vivam (se é que encontraram outro lugar para viver e não estão acampadas nas ruas) as suas novas residências são mais pequenas que as casas que perderam. Cada casa é uma história de fracasso – de bancarrota e de incumprimento, de dívidas e de hipotecas executadas – e ele resolveu assumir as responsabilidades deste emprego para documentar os últimos, os vestígios remanescentes daquelas vidas dissipadas para provar que, em tempos, as famílias desaparecidas aqui estiveram, que os fantasmas de pessoas que ele nunca verá e jamais conhecerá, continuam presentes nos objectos sem préstimo espalhados pelas suas casas vazias.»Paul Auster, Sunset Park, p. 3 [excerto de obra a publicar em Novembro próximo pela Henry Holt no mercado norte-americano; 320 pp. – tradução livre: AMC, 2010]
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O Regresso seguido de “O Opróbrio” (act.)
Paul Benjamin Auster (n. 1947), para muitos a voz contemporânea mais autorizada para carregar o epíteto de “o poeta do acaso”, considerado por outros tantos como o mais europeu dos escritores norte-americanos vivos, seguido por um alargado grupo de fãs espalhados por todo o mundo, (coeso embora heterogéneo nos elementos que o estabelecem, genuíno pelo ostentado deleite por todo o imaginário das suas histórias, que se constitui como uma espécie de milícia de defesa acérrima do seu processo criativo, mesmo quando o defendido se confessa cansado e vulnerável, na iminência de um ataque da terrível síndrome de que padecem alguns dos eminentes profissionais da palavra escrita, conhecida como “bloqueio do escritor”), parece ter feito a vontade àqueles que há anos vêm denunciando o desvio do rumo da sua prosa, para um intricado de convulsões metaficcionais – Invisível, cedo se provou como o regresso do ícone Auster .
«JORNALISTA: […] nesta semana James Wood investe contra si na The New Yorker.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Finalmente em descanso
Frase de abertura:
«De pé no meio do bronzeado e exaltado gentio pós-natalício do Aeroporto Regional do Sudoeste da Florida, Coelho Angstrom tem a repentina e curiosa sensação de que aquilo com que se foi encontrar, o que flutua no invisível prestes a aterrar, não é o seu filho, Nelson, a nora, Pru, e os dois filhos destes, mas sim uma coisa mais agoirenta e intimamente sua: a sua própria morte, com a silhueta imprecisa de um avião.»
John Updike, Coelho em Paz, p. 9
[Porto: Civilização, Setembro de 2009, 539 pp; tradução de Carmo Romão; obra original: Rabbit at Rest, 1990]
domingo, 4 de outubro de 2009
Roth Nogueira Pinto
Philip Roth, Indignação, p. 52
[Algragide: Dom Quixote, 1.ª edição, Setembro de 2009, 175 pp; tradução de Francisco Agarez; obra original: Indignation, 2008.]
domingo, 14 de dezembro de 2008
Ficção
«Mas não será o nosso coeficiente de dor suficientemente chocante sem a amplificação ficcional, sem dar às coisas uma intensidade que na vida real é efémera e por vezes até invisível? Para alguns, não. Para outros, poucos, muito poucos, essa amplificação, que se desenvolve hesitante a partir do nada, constitui a única segurança, e a vida não vivida, a vida conjecturada, minuciosamente passada ao papel, é aquela que acaba por ser a mais importante.»
Philip Roth, O Fantasma Sai de Cena, p. 145
[Lisboa: Dom Quixote, 1.ª edição, Novembro de 2008, 285 pp.; tradução de Francisco Agarez; obra original: Exit Ghost, 2007]
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Irrealismo pós-histérico
Talvez seja das sucessivas interrupções, algumas bastante longas, ou quiçá de um preconceito inultrapassável perante o autor da obra, mas parece-me que A Feiticeira de Florença é uma manta de retalhos muito mal cerzida. Mas a falta da visão global, que se adquire após a última página, prejudica, para já, qualquer análise minimamente séria.
Há, no entanto, passagens que têm o condão de fazer soar o alarme que me alerta para o atingimento de um nível estético notavelmente baixo, para não falar do ético, essencialmente pela sua impudica e descarada desarmonia com o texto, como se tentasse colar uma ideia que sobreveio inusitadamente a uma mente subitamente tortuosa – e espera-se, sem qualquer relação com a experiência, difícil de vislumbrar pela conhecida garbosidade da contraparte. Verosímil, pode ser; real, infelizmente sim; necessária, jamais, atendendo ao contexto, de uma Florença dissoluta, expulsos os Chorões corporizados em Savonarola e o seus sequazes, largamente descrita ao longo da obra.
Rushdie ultrapassou o histerismo, na medida em que ele é resolvido pelos devaneios lascivos perfeitamente secundários dos seus personagens, tautológicos e recalcitrantes, e que parecem resultar de um falhadíssimo pastiche da marca distintamente lúbrica de Philip Roth, ética e esteticamente irrepreensíveis.
Veja-se esta passagem… ou melhor, leia-se este retalho, que deveria voltar ao lugar de onde saiu, à mente maltratada… retalhada:
«Todas as noites se punha a olhar para a sua mulher à mesa e não encontrava nada para lhe dizer. Marietta, era esse o seu nome, e aqui estavam os seus filhos, os filhos de ambos, os seus muitos, muitos filhos; era, portanto, verdade que ele se casara e tivera filhos a exemplo das pessoas como deve ser, mas isso era noutra época, na época da grandeza negligente, em que todos os dias fodia com uma rapariga diferente para se manter vigoroso e vivo, e fodia também com a mulher, claro, seis vezes, pelo menos. Marietta Corsini, a mulher, que lhe passajava as camisolas interiores e toalhas e não sabia nada de nada, que não compreendia a sua filosofia nem se ria das suas piadas. Todos os demais no mundo o achavam engraçado, mas ela tomava tudo à letra, pensava que um homem queria dizer exactamente o que dizia e as alusões e metáforas eram apenas as ferramentas de que os homens se serviam para enganar as mulheres, para as fazerem pensar que não sabiam o que se passava. Ele amava-a, é certo. Amava-a como um membro da sua família. Como uma irmã. Quando fodia com ela sentia-se levemente pecaminoso. Sentia-se incestuoso, como se estivesse a foder com a irmã. Aliás, essa noção era a única coisa capaz de o excitar quando se deitava com ela. Estou a foder com a minha irmã, dizia para consigo, e vinha-se.»
Salman Rushdie, A Feiticeira de Florença, pp. 230-231.
[Lisboa: Dom Quixote, 1.ª edição, Outubro de 2008, 343 pp.; tradução de J. Teixeira de Aguilar; obra original: The Enchantress of Florence, 2008.]
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
As Novidades
Segundo Isabel Coutinho, regressada da Feira do Livro de Frankfurt, a Editorial Teorema comprou os direitos para publicação para Portugal do romance inédito de Vladimir Nabokov (1899-1977), The Original of Laura, que havia despoletado um aceso debate no mundo das letras, dadas as instruções específicas do autor russo em leito de morte na Suíça para que Véra (1902-1991), a sua mulher, destruísse o manuscrito. Véra morreu em 1991 e deixou a “batata quente” nas mãos do insuportavelmente agreste e evasivo filho de ambos, Dmitri (n. 1934), que andou a brincar durante os últimos anos ao “queimo/não queimo” com os pacientes editores, críticos e jornalistas literários, gerando um chorrilho de especulações quanto ao conteúdo do misterioso manuscrito, composto por 125 ficheiros de indexação – para quem leu Na Outra Margem da Memória (Speak, Memory; 1951, rev. 1967) e Opiniões Fortes (Strong Opinions, 1973), sabe que este era o método de composição utilizado por Nabokov nas suas obras. A conspiração dos letrados envolveu Petrarca, Ticiano, Giorgione, putativas traições passionais reveladas, e por aí fora. Se a especulação tem durado, certamente que o pobre Vladimir Vladimirovich não teria escapado aos ovnilogistas, à Cientologia e a Tom Cruise, e até às conversas privadas com o Altíssimo da emissária Alexandra Solnado.
Também de forma misteriosa, surgiu mais um manuscrito do autor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), intitulado de El Tercer Reich, eventualmente escrito antes de Os Detectives Selvagens (Los Detectives Salvajes, 1998), e que entra pelo mundo dos fanáticos alienados dos jogos de estratégia, em que o protagonista, inventor de um jogo de realidade virtual (jogado em tabuleiro) denominado por “O Terceiro Reich” e participante alemão num torneio mundial, se desloca à Costa Brava espanhola para umas férias com a sua namorada, cujo jogo assume o papel de encruzilhada no entretecer de uma teia onírica de proporções cataclísmicas para o jovem autor. Não consegui descortinar pelo texto de Isabel Coutinho se os direitos desta publicação haviam ou não sido adquiridos pelo editor Carlos Veiga Ferreira da Teorema – editora que já havia publicado de Bolaño Os Detectives Selvagens e Estrela Distante (Estrella distante, 1996). No entanto, num país que ainda tem por publicar o magistral 2666 (2004) – obra póstuma, composta por cinco livros, que Bolaño pretendia ver publicados separadamente, com uma periodicidade anual, para garantir uma fonte de sustento à sua família –, e que ainda não publicou a esmagadora maioria da sua obra, acho, no mínimo, extravagante (a tal singularidade lusa que não me canso de repisar) que se opte pela publicação do manuscrito emergido das trevas, e isto apesar da datação posterior de 2666. A ver vamos.

quarta-feira, 5 de março de 2008
Sem paciência
As respectivas notas de apreciação seguem, como é hábito – homessa, alguns hábitos são difíceis de extinguir, mesmo recorrendo ao rapazinho nuclear – directamente para a coluna do lado direito dedicada aos livros editados este ano.
Extraordinariamente tocante (atendendo à idiossincrasia do alter-ego literário), fina ironia (as provas) e erudição (nas parábolas), e a tal que supostamente era mas não passou da prima-do-mestre-de-obras (literatura regional e do usurpado, tirada semi-nabokoviana), e isto, respectivamente (já não sei de quê):

domingo, 2 de março de 2008
Orgulho e independência
«Mas isto já me acontecera mais do que uma vez na vida: recusara-me a permitir que as convenções determinassem a minha conduta para afinal aprender, depois de ter percorrido o meu próprio caminho, que os meus fundamentais e entranhados sentimentos eram mais convencionais do que a minha noção de inabalável imperativo moral.
[…]
Enfim, aprendemos com os nossos próprios erros. “Paciência”, pensei. “Quase se pode dizer que o dinheiro foi bem empregue para poder apreciar, uma vez mais, a comédia da nossa própria marca de presunçosa estupidez.”»
Philip Roth, Património, pp. 95-96
(Lisboa: Dom Quixote, 1.ª edição, Fevereiro de 2008, 214 pp.; trad. Fernanda Pinto Rodrigues; obra original: Patrimony, 1991)
Facilmente nos convencemos de que apusemos uma moral certa nos nossos comportamentos, da laudatória singularidade do nosso temperamento, talvez à espera de que nos seja reconhecida essa superioridade: comentada, alardeada; disseminada por um conjunto tão alargado de pessoas, que, nos nossos devaneios de frágeis glórias, nos imaginamos no palco, escuro, sombrio, gélido, mas moderadamente aquecido por um foco incandescente que do outro lado nos encandeia, cerra-nos os olhos, e escancara os ouvidos aos “ahs!” e “bravos!”, aclamações de uma santidade, aplausos por um heroísmo, louvores por um acto que qualquer um dos encomiastas que convocámos para a festa da entronização, na sua cupidez de repartição do espólio, não atribui qualquer espécie de valor.
Quero a tua tigela de barbear, T. Mas que o meu orgulho de irmão, severa e definitivamente, ferido pela tua morte prematura não aceitou, distanciando-me, como diz Roth, de um objecto-símbolo da tua sobrevivência.
Nem nos damos conta dos actos brutais tão civilizados, da camisa de titânio que nos envolve e que, dia após dia, semana após semana, se vai apertando sem remissão, para que possamos ocultar, por pudor, a frágil estrutura de cristal que sustenta as nossas emoções. Depois… agora, é tarde de mais.
E é, talvez por isso, que não consigo pôr um fim a esta merda.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Património
[capa da 1.ª edição americana; vencedor do National Book Critics Circle Award em 1991 na categoria de Biografia; em Portugal será publicado pela
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
The Twofer
Roth já o havia confirmado, Nathan Zuckerman – para muitos o alter-ego do autor norte-americano – despede-se do público com Exist Ghost, o nono livro a contar com o atormentado personagem – décimo com a compilação Zuckerman Bound (1985) –, havendo intervindo em seis como protagonista (incluindo o mais recente) e nos restantes como narrador e personagem secundário.Depois da valente zurzidela em Todo-o-Mundo (Everyman, 2006), que foi devidamente precedida por outras impiedosas recensões, com destaque para Teatro de Sabbath (Sabbath’s Theater, 1995), Michiko Kakutani, crítica literária residente do periódico The New York Times, vencedora do Pulitzer para a Crítica em 1998 pela sua «escrita apaixonada e inteligente sobre livros e literatura contemporânea» [tradução AMC], aprova o último romance de Philip Roth – o que pode significar que, de facto, o achou uma maravilha, dada a sua embirração com o escritor de Newark e quejandos (já lá vamos…)
Em boa verdade, para a letrada nipo-americana nem tudo é mau com Roth. Kakutani sempre se confessou como admiradora incondicional da Trilogia Americana (do pós-guerra), com especial destaque para Pastoral Americana (American Pastoral, 1997) – curiosamente, o meu romance preferido, entre a dezena que tive a oportunidade de ler de Philip Roth.
Mas Philip Roth não é a única presa nas garras do falcão desgrenhado de origem japonesa. Aliás, Kakutani é suficientemente conhecida pela sua acerba implicância com os escritores anglo-saxónicos, brancos e do sexo masculino, e quase todos pertencentes à mesma geração: Updike e Pynchon, para além do já ido pai Bellow, e, em especial, Norman Mailer, com quem já se envolveu em ferozes altercações, chegando ao ponto de este último se ter visto na obrigação de defender Roth, com o qual mantém uma animosidade surda, de origem bellowniana, quando Kakutani trucidou Teatro de Sabbath.
Em 2005, em entrevista à revista Rolling Stone, Mailer disse:
«Kakutani é uma mulher kamikaze. Ela despreza os escritores masculinos e brancos, e eu sou o seu alvo preferido […] Todavia, os editores do Times não a podem despedir. Eles têm medo dela. Com as leis de discriminação e por aí fora, bom, ela é uma “três em um”[1]… Asiática, feminista, e… ah, qual é a terceira? Bom… vamos antes chamá-la de “dois em um”[2]… Ela é um adereço, e, provavelmente, lá no fundo, ela sabe disso.» [tradução AMC]
Shame on you, Mr. Mailer. (O autor deste blogue a aderir ao p.c.)
Notas:
[1] Tradução aproximada para “Threefer”, uso mais correcto em “conjunto de três produtos pelo preço de um”.
[2] Tradução aproximada para “Twofer”, mais correcto “conjunto de dois produtos pelo preço de um”. Pode também utilizar-se para mencionar uma pessoa pertencente a dois grupos minoritários ou objecto de discriminação, beneficiária por duas vias de um sistema de quotas (cf. "twofer." Dictionary.com Unabridged (v 1.1). Random House, Inc. 04 Oct. 2007. No caso Mailer referia-se à condição de “mulher asiática”.
Recomendação: Ler o artigo “The Twilight of the Old Goats” de autoria do jornalista, crítico literário e ensaísta D.T. Max, publicado em Maio de 1997 na revista digital Salon.
sábado, 23 de junho de 2007
O fim do romance anglo-saxónico?
(seguindo os passos até ao São João)
Felizes os podcasts da estação de televisão pública. Eis a plataforma que evita a incompatibilidade de horários no mundo… isto é, o do telespectador com o dos seus programas favoritos. Assim seja.
Câmara Clara, programa da RTP2, apresentado pela faiscante Paula Moura Pinheiro, cujo título foi decalcado do último trabalho publicado em vida de Roland Barthes, o ensaio filosófico de 1980 em que Barthes discorreu sobre a fotografia e os seus elementos vivos e essenciais, o studium e o punctum: o primeiro resulta da nossa concepção geral do mundo, onde a fotografia reflecte o nosso interesse apenas como objecto; o segundo é aquele que transforma a fotografia de novo em sujeito, não só pelo simples pormenor que torna a fotografia única a cada indivíduo, visto no momento ou resultante de um processo apuramento da memória, mas também, de forma mais arrebatadora, a consciência da morte ou da sua chegada iminente, porque representa no tempo um momento que deixou de existir… Bom, basta de filosofias!
Ponto de ordem: prosseguindo…
No passado dia 27 de Maio, o Câmara Clara, no meu entender o melhor programa de produção exclusivamente portuguesa no descoroçoante panorama televisivo nacional, contou com a presença do all-in-one das artes e das letras nacionais Jorge Silva Melo. Da ficha do programa destacava-se a celebração dos cem anos de nascimento do actor norte-americano John Wayne – nasceu a 26 de Maio de 1907. Por outro lado, dela constava a promessa de uma boa conversa sobre livros, particularmente daqueles que acompanharam o convidado de honra ao longo da sua vida e da sua carreira literária, discutindo-se, em simultâneo, o estado da arte do mercado editorial português, bem a propósito da abertura da 77.ª edição das feiras do livro de Lisboa e do Porto.Jorge Silva Melo, quer se goste ou não da sua idiossincrasia e/ou das suas ideias ou reflexões, é uma personalidade que se ouve por vício, tem uma capacidade comunicacional ímpar no meio cultural português, pelas fluidez do discurso e limpidez de raciocínio.
Sobre John Wayne, de quem Silva Melo confessou a sua profunda admiração, especialmente nos filmes em que foi dirigido pelo mestre Howard Hawks – de forma notável, referiu, para o efeito e através da exibição de um excerto do filme de 1959 Rio Bravo, a introdução do elemento fragilidade nos personagens interpretados por Wayne quando dirigido por Hawks, comummente apresentado com um homem de ferro por outros realizadores –, evocou um facto curioso que demonstra a perenidade da arte no espírito humano através das suas constantes revoluções e contra-revoluções: recordou que no preciso ano em que Wayne soltava o primeiro choro no Iowa nos Estados Unidos – certamente já instilando, no seu estilo pastoso, a sua voz cava –, Pablo Picasso pintava Les Demoiselles d’Avignon (óleo sobre tela, com as descomunais dimensões de 2,44 por 2,34 metros, actualmente propriedade do MoMA em Nova Iorque) e com ele revolucionou as artes plásticas mundiais, o grande ponto de viragem, o início de um novo paradigma estético que se alastrou às demais artes.
Depois, chegou o momento dos livros. Antes de referir as sugestões de Filipa Melo, consultora de Literatura do Câmara Clara, dou um salto cronológico até Rui Zink para logo regressar a Silva Melo, que discorre sobre o estado do romance anglo-saxónico da segunda metade do século XX.
O último romance de Martin Amis, A Casa dos Encontros (Teorema, 2007), foi destacado mediante a exibição de uma pequena peça jornalística, por Luís Caetano, na qual o hiperbólico Rui Zink, após haver falado do horror dos gulags, exprimiu a sua imensa admiração pelo escritor de Oxford, filho de Kingsley Amis, nestes termos: «o Martin Amis é para mim, simplesmente, o melhor escritor de língua inglesa do mundo… e é-o desde há vinte anos.»
Não podia estar mais em desacordo, embora conheça mal a obra de Amis – devo ter lido, ao todo, 4 ou 5 obras – havendo-me recordado naquele preciso momento de pelo menos dez nomes que, segundo os meus padrões estético-literários, são consideravelmente superiores ao autor de O Cão Amarelo.
Para não os nomear e, para além disso, ter de puxar pela memória e encontrar mais uma meia dúzia escritores de língua inglesa, com obra publicada nos últimos 20 anos, cuja qualidade considero superior a Amis, basta-me fazer de novo um recuo no programa e falar dos quatro gigantes literários norte-americanos propostos por Filipa Melo, no pressuposto – quanto a mim um pouco lírico, a Internet tomou em definitivo esse lugar – de que nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto poderíamos encontrar os livros que, por razões de espaço, há muito abandonaram os escaparates das livrarias portuguesas:
Saul Bellow, Philip Roth, John Updike e Gore Vidal.
Considero qualquer um daqueles quatro nomes com uma razoável distância qualitativa, para melhor, em relação a Martin Amis. No futuro, quem sabe, se lá não chegará… E mais, Zink traduziu Bellow…
Confrontado com os quatro nomes, Silva Melo diz não considerar Gore Vidal como um ficcionista de primeira linha, apesar de ser uma personalidade fascinante [talvez um cínico?, pergunto eu]*; de Philip Roth confessa-se um leitor irregular, lê três obras de Roth de enfiada para depois ficar anos sem o ler, processo que curiosamente metaforiza como de ir «por ataques, são abcessos [sic] de leitura»; de seguida, JSM revela o seu enorme fascínio por Saul Bellow e pelas suas obras, que acompanhava a cada nova publicação, chamando-lhe o fenómeno (de leitura) da «continuidade permanente», cujo processo apenas durou até ao romance Dean’s December, o décimo de quinze romances que Bellow – Nobel da Literatura em 1976 – publicou – morreu a 5 de Abril de 2005; nunca leu com muito interesse as obras de John Updike, apesar de o achar «inteligente, cerebral e pertinente».
Depois veio uma reflexão potencialmente assassina e a apelar para alguma reflexão da blogosfera que se interessa por e admira a Literatura anglo-saxónica (como é, sem qualquer sombra de dúvida, o meu caso):
«Eu tenho algumas dúvidas com a ficção anglo-saxónica desta segunda metade do século XX, ou seja, até justamente Saul Bellow, Graham Greene, Doris Lessing fui um leitor fiel… depois comecei a achar… a ficar um pouco aborrecido com esta hipótese de contar histórias, com esta hipótese de acreditar na ficção e nas personagens sem ter passado pela era da suspeita de que falava tão bem a Nathalie Sarraute.»
Para reflectir enquanto ando nesta tentativa de desintoxicação blogólica. Estarei limpo no dia de São João, ou seja, amanhã…?
Nota: *A propósito de Gore Vidal e das suas qualidades enquanto personalidade do show business americano, há um episódio – para além de outros deliciosos protagonizados com os ex-amigos Capote ou Mailer, ou até com William F. Buckley (a quem, em directo na cadeia de televisão ABC, Vidal chamou de “proto ou cripto-nazi”, motivando a seguinte resposta de Buckley: “Now listen, you queer, stop calling me a crypto-Nazi or I'll sock you in your goddamn face, and you'll stay plastered”) – contado por Fred Kaplan no seu livro de 1999 Gore Vidal: A Biography, em que Saul Bellow, em conversa com Vidal, lhe confessou que um dia gostaria de lhe apresentar o seu filho, para este último ficar a conhecer alguém verdadeiramente cínico.
Promessa: Depois de ouvir JSM, vou ler a obra por ele recomendada Aqui nos Encontramos de John Berger. Já era dela possuidor desde o início do ano. Neste momento passou para a lista de prioridades no enorme arquivo de não-lidos que repousam nas estantes e atulham a minha biblioteca.
domingo, 10 de junho de 2007
Extinção
Fundo preto. Um quadrado negro – transformado em rectângulo na versão portuguesa – finamente debruado a vermelho – thin red line, ou a pequena distância que nos separa do abismo – destacando-se no centro, em letras brancas, inscrita como uma sentença, a palavra Everyman – Todo-o-Mundo na recente edição portuguesa da Dom Quixote. Uma lápide onde está inscrita a verdade absoluta sobre a natureza do Homem: a sua inescapável transitoriedade, a morte.
Em Dezembro de 2005, o jornalista dinamarquês Martin Krasnik conseguiu a rara proeza de entrevistar o autor norte-americano Philip Roth, publicada posteriormente no jornal inglês The Guardian. No título figurava a seguinte asserção proferida por Roth no decurso da inusitada entrevista: “Já não sinto como uma grande injustiça o ter de morrer.” [tradução: AMC]
Pois, acredito que não. Principalmente, havendo sido proferida por um homem que, através do sortilégio da sua escrita, viveu uma vida cheia de êxitos e como dizia a canção de Anka imortalizada pelo deus dos deuses, Francis Albert Sinatra, já sente que “fez o seu caminho” no mundo dos mortais.
Philip Roth, nascido no dia 19 de Março de 1933 na cidade de Newark, Estado de Nova Jérsia, publicou com apenas 26 anos (1959) a sua primeira obra. Tratava-se da obra Goodbye, Columbus, que inclui a novela epónima e mais cinco contos, com a qual arrecadou no ano seguinte o prestigiado National Book Award.
A partir desse momento seguiu a sua imparável carreira com 26 romances publicados e um conjunto de prémios que faz inveja a qualquer dos seus contemporâneos.
Entre outros, destacam-se o seguintes:
Vencedor por três vezes do PEN/Faulkner Award for Fiction:
- Operation Shylock em 1993;
- A Mancha Humana (Dom Quixote) em 2001;
- Todo-o-Mundo (Dom Quixote) em 2007.
Vencedor por duas vezes do National Book Award for Fiction:
- Goodbye, Columbus em 1960;
- Teatro de Sabbath (Dom Quixote) em 1995.
Vencedor por duas vezes do National Book Critics Circle Award:
- Counterlife em 1987;
- Patrimony em 1992;
Vencedor do Pulitzer Prize for Fiction: Pastoral Americana em 1997.
Vencedor do Ambassador Book Award for Fiction: Casei com um Comunista (Dom Quixote) em 1999.
Vencedor do WH Smith Literary Award: A Mancha Humana (Dom Quixote) em 2001.
Vencedor do prémio Medicis para melhor romance estrangeiro (França): A Mancha Humana (Dom Quixote) em 2002.
Vencedor do Sidewise Awards for Alternate History: A Conspiração contra a América (Dom Quixote) em 2004.
Vencedor dos prémios de carreira e obra literárias:
- National Arts Club Medal of Honor em 1991;
- National Medal of Arts em 1998;
- American Academy of Arts and Letters’ Gold Medal for Fiction em 2001 (prémio atribuído de 6 em 6 anos);
- Franz Kafka Prize em 2001 (República Checa);
- National Book Foundation Medal for Distinguished Contribution to American Letters em 2002;
- PEN/Nabokov em 2006 (bienal);
- PEN/Saul Bellow em 2007 (bienal – prémio atribuído pela primeira vez).
De notar que, com a excepção do romance O Animal Moribundo (The Dying Animal, 2001) – até à data, a sua antepenúltima obra –, Roth venceu sempre um prémio por qualquer obra publicada a partir de 1990: começando com Patrimony (1991) e terminando com Todo-o-Mundo (Everyman, 2006).
O título do último romance de Roth não é, de forma deliberada, original. Everyman é o nome de uma obra dramática medieval, publicada pela primeira vez no final do século XV, da qual não se conhece o autor e cuja temática serviu de inspiração à presente obra.
Como refere Roth na referida entrevista ao jornal The Guardian, dando ao caso um relevo especial, a obra a que se reporta o seu romance foi publicada no longo interstício que decorreu entre a morte do autor dos Contos de Cantuária, Geoffrey Chaucer (circa 1343-1400), e o nascimento de William Shakespeare (1564-1616), quando a literatura e a dramaturgia funcionavam como um dos braços da propaganda da Igreja de Roma – recorde-se que Martinho Lutero nascia precisamente no final do século XV – mediante a interpretação dramática alegórica das normas de conduta, dos princípios e valores cristãos. Everyman não fugiu à norma, e tratou-se, à época, na sua essência, de mais uma obra moral.
«Já não sinto como uma grande injustiça o ter de morrer.»
A coerência é uma das marcas que notabiliza a já longa lista de obras escritas e publicadas por Philip Roth, principalmente plasmada no seu mais vivo personagem, o escritor Nathan Zuckerman – a quem Roth atribuiu, segundo refere nas suas memórias, alguma componente autobiográfica, mas que na realidade por vezes se transforma no seu alter-ego mais arrojado –, que protagonizou oito obras e que, segundo o próprio Roth, se prepara para a nona aparição, ao que parece a última, no próximo romance do autor, sob o título premonitório de Exit Ghost – depois do papel de narrador, secundarizado pela trama, na trilogia americana: Pastoral Americana, Casei com um Comunista e A Mancha Humana (nesta última interpretado por Gary Sinise, entre Anthony Hopkins e Nicole Kidman, na adaptação cinematográfica de 2003 de Nicholas Meyer e com a realização de Robert Benton) – e cuja sequência começou com a sua obra de 1979 The Ghost Writer.
Depois temos David Kepesh, outro dos personagens que cruza a obra do escritor norte-americano. O lúbrico e aparentemente frívolo académico, fortemente autocentrado e concentrado no seu recalcitrante hedonismo, que faz a sua primeira aparição com o romance de 1972 sob o sugestivo título The Breast, onde Kepesh, seguindo os passos de Gregor Samsa de A Metamorfose de Kafka, se vê transformado num… seio. Este é, certamente, o menos autobiográfico dos seus personagens. Após a terrível metamorfose, Kepesh reaparece no romance de 1977 desta feita com o título instrutivo The Professor of Desire; a última aparição do professor dá-se com o romance de 2001 O Animal Moribundo, onde surge este notável excerto: «Pensem na velhice do seguinte modo: o facto de a nossa vida estar em risco é apenas um facto quotidiano. Não podemos esquivar-nos ao conhecimento daquilo que em breve nos espera. O silêncio que nos envolverá para sempre. Tirando isso, é tudo a mesma coisa. Tirando isso, somos imortais enquanto vivermos.» (cf. Philip Roth, O Animal Moribundo). Nesta última obra a mortalidade surge de uma forma irónica, com as vicissitudes da própria velhice, não há conclusões morais a retirar de uma vida potencialmente apelidada de devassa; o factor mais desencorajante reside na incapacidade física para a materialização dos jogos de sedução, que mesmo nos mais novos poderá surgir pela doença – transportada por Consuela – ou por um casamento mal sucedido amarrado a uma moralidade caduca e castradora da liberdade – onde figura o seu filho Kenny.
Tal como em A Conspiração contra a América (2004), com Everyman (2006) Roth atribui o protagonismo a um personagem eminentemente autobiográfico, o pequeno Philip – que era simultaneamente o narrador – na primeira obra e um personagem anónimo nascido no mesmo ano que Roth (1933) na cidade vizinha de Newark, chamada Elizabeth, na segunda.
Por outro lado, os temas assinaladamente identitários e profundamente inter-relacionados com o sexo e a morte, são uma imagem de marca do autor norte-americano. Se por intermédio do perturbado Portnoy – que por seu turno foi decalcado no seu romance Zuckerman Unbound (1985) quando o seu personagem-escritor Nathan Zuckerman é acossado pelo público após haver decidido escrever o seu romance Carnovsky (o equivalente ficcional a O Complexo de Portnoy de 1969) –, a narrativa é marcada pela forte tensão sexual que assalta o protagonista pela vida dissoluta, mediante o relato ao seu psiquiatra com descrições explícitas das práticas carnais que o perturbam e cuja recordação não alimenta a sua lubricidade; em Counterlife (1986) o complexo desaparece pelo desejo de continuar essa dissolução e de reviver uma vida que parecia destroçada pela doença, no romance mais meta-ficcional de Roth.
Todo-o-Mundo começa com a morte num cemitério destroçado, onde os personagens principais vão-nos sendo apresentados à medida que, agarrando um punhado de terra para arremessar ao caixão, discursam sobre as qualidades do defunto que não sobreviveu à sua última intervenção cirúrgica.
Recorrendo à Parábola dos Talentos (S. Mateus, 25: 14-30), Roth descreve-nos, de uma forma brutal e desoladora, a iminência da morte sentida por um publicitário reformado que, após três casamentos desastrosos e outros tantos filhos – dois rapazes do primeiro casamento que se afastaram do pai pelo seu abandono do lar, e uma filha, Nancy, fruto do seu segundo casamento e com a qual o pai se identifica – e uma infindável sucessão de cirurgias cardiovasculares assim que entra no ocaso da vida, rememora a sua existência como uma pungente inutilidade que redundou no seu isolamento e na perda daqueles que mais amava, o tal desperdício de talentos de que nos fala a parábola, uma vida mal vivida por quem a recebeu e não soube investir para a dignificar e valorizar, «porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. A esse servo inútil, lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.» (Mateus, 25: 29-30).
Chegou o momento da expiação e do despertar para o sofrimento que provoca a decadência física, «onde o simples pensar já é sofrer…» (verso de um poema de Keats, que serve de epígrafe ao romance), e como Roth definiu em uma das mais brilhantes passagens do livro, a dos dilacerantes telefonemas que efectuou aos seus ex-companheiros de trabalho ou respectivas famílias, «o assalto inevitável que é o fim da vida»:
«Tivesse ele sabido do sofrimento mortal de todos os homens e mulheres que por acaso tinha conhecido durante todos os seus anos de vida profissional, da história penosa de desgosto, sofrimento e estoicismo, de medo, pânico, isolamento e pavor de cada uma dessas pessoas, tivesse ele sabido de todas as coisas, até à mais insignificante, que elas tinham deixado para trás depois de em tempos terem sido estruturalmente suas, e da forma sistemática como estavam a ser destruídas e teria sido obrigado a ficar ao telefone o resto do dia e pela noite fora, fazendo pelo menos mais cem chamadas. A velhice não é uma batalha; a velhice é um massacre.» (pp. 154-155)
Com Everyman, Roth demonstra uma vez mais o largo espectro em que se move toda a sua destreza literária, desde o grande romance à mais curta narrativa, e por que razão é considerado actualmente como um dos melhores escritores de todo-o-mundo, ao qual tem faltado o mais que merecido Prémio Nobel da Literatura.
Classificação: ***** (Muito Bom)
Referência bibliográfica:
Philip Roth, Todo-o-Mundo. Lisboa: Dom Quixote, 1.ª edição, Maio de 2007, 179 pp. (tradução de Francisco Agarez; obra original: Everyman, 2006).
terça-feira, 5 de junho de 2007
Todo-o-Mundo
terça-feira, 15 de maio de 2007
Em breve...
Em português, editado pela Dom Quixote, e segundo o JL sob o estranho título – adjectivação de minha responsabilidade – de Todo-o-Mundo (recebeu o título de “O Homem Comum” no Brasil e de “Elegía” em Espanha.
Até lá (e ainda vai funcionando o contador "R.E.P." iniciado por mim há mais de 1 ano no meu hibernado blogue Data) vamo-nos deliciando com as primeiras linhas do original (tal como fiz no Porque há 1 ano):
«Around the grave in the rundown cemetery were a few of his former advertising colleagues from New York, who recalled his energy and originality and told his daughter, Nancy, what a pleasure it had been to work with him. There were also people who'd driven up from Starfish Beach, the residential retirement village at the Jersey Shore where he'd been living since Thanksgiving of 2001-the elderly to whom only recently he'd been giving art classes. And there were his two sons, Randy and Lonny, middle-aged men from his turbulent first marriage, very much their mother's children, who as a consequence knew little of him that was praiseworthy and much that was beastly and who were present out of duty and nothing more. His older brother, Howie, and his sister-in-law were there, having flown in from California the night before, and there was one of his three ex-wives, the middle one, Nancy's mother, Phoebe, a tall, very thin whitehaired woman whose right arm hung limply at her side. When asked by Nancy if she wanted to say anything, Phoebe shyly shook her head but then went ahead to speak in a soft voice, her speech faintly slurred. "It's just so hard to believe. I keep thinking of him swimming the bay-that's all. I just keep seeing him swimming the bay." And then Nancy, who had made her father's funeral arrangements and placed the phone calls to those who'd showed up so that the mourners wouldn't consist of just her mother, herself, and his brother and sister-in-law. There was only one person whose presence hadn't to do with having been invited, a heavyset woman with a pleasant round face and dyed red hair who had simply appeared at the cemetery and introduced herself as Maureen, the private duty nurse who had looked after him following his heart surgery years back. Howie remembered her and went up to kiss her cheek.»
Philip Roth, Everyman (Houghton Mifflin)
Das 26 obras de ficção escritas e publicadas pelo Mestre Philip Roth – saga que começou em 1959 com Goodbye, Columbus and Five Short Stories, estando prevista para Outubro a publicação da 27.ª, com o título de Exit Ghost –, estão disponíveis em português de Portugal apenas 9 (NOVE), sendo que o perturbado Alexander Portnoy é o único representante de 31 anos de obra publicada entre 1959 e 1990 – por ordem cronológica da publicação original:
- O Complexo de Portnoy (Bertrand, 1994) – Portnoy's Complaint, 1969.
- Traições (Bertrand, 1991) – Deception, 1990.
- Teatro de Sabbath (Dom Quixote, 2000) – Sabbath's Theater, 1995.
- Pastoral Americana (Dom Quixote, 1999) – American Pastoral, 1997.
- Casei com um Comunista (Dom Quixote, 2001) – I Married a Communist, 1998.
- A Mancha Humana (Dom Quixote, 2004) – The Human Stain, 2000.
- O Animal Moribundo (Dom Quixote, 2006) – The Dying Animal, 2001.
- A Conspiração contra a América (Dom Quixote, 2005) – The Plot Against America, 2004.
- Todo-o-Mundo (Dom Quixote, 2007) – Everyman, 2006.




