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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Pecado Sinonímico


Levantou-se o habitual alarido na imprensa lisboeto-espalhafatosa – mas há-a de outro tipo? A dos bas-fonds do poder – quando o sujeito passivo da epinotícia é o Governo ou as suas instituições, e o activo um dos seus elementos mais próximos.
Na TVI o episódio mereceu maior destaque, em minutos, que a derrapagem nos números de (de)crescimento do PIB ou de acréscimo na taxa de desemprego. No Público gastaram-se 1.700 caracteres para dizer, logo no seu título, que «Ex-secretário de Estado avisa que vai mandar o fisco “tomar no cu”».
A mim preocupa-me apenas a expressão. Eu teria dito “apanhar” ou “levar”, é mais rasteirinha, bem mais portuguesa, vernacular. Mas sendo o Francisco um homem ecuménico por natureza, tão lido por nós, os do rectângulo, como pelos nossos irmãos do outro lado do Atlântico, desculpa-se o “tomar”; e este, é o único pecado detectável no seu texto, venial, apenas susceptível de causar algum tipo de proctalgia aos mais sensíveis.
“Cu” também goza de um riquíssimo campo semântico, mas adequa-se ao contexto, embora “olho” se encaixasse melhor neste baixo ciclópico país, terra em que os dois de cima, há muito, deixaram de ver, e como em tempos disse Vasco Pulido Valente, os que tinham um e poderiam ser reis, tiveram de o vazar, porque a mediocridade reinante a cada esquina não permite esse arrojo.
No entanto, é urgente resolver outra questão que, por analogia, pode traduzir-se em ineficácia fiscalizadora: como será possível mandar esses zelosos e temerários fiscais tomar, apanhar, levar no cu (perdoem-me a exergásia), se quem tem cu tem medo?

sábado, 13 de novembro de 2010

Desisto

Após esta leitura:

«Depois de “Se7en”, David Fincher nunca mais atingiu as mesmas alturas, talvez porque se tenha deixado deslumbrar pelo seu virtuosismo, mais interessado em explorar jogos de imagem e surpresas de peripécias em reviravoltas constantes.»
Breve crítica de Mário Jorge Torres, Público, CineCartaz e Ípsilon.
Desisto de postar aqui o texto que há uma semana vinha a congeminar nos intervalos da minha esgotante e, ultimamente, tumultuosa e angustiante actividade. Não sou crítico de nada, sou apenas, nestes domínios, um cinéfilo. Agarro nesta arte da projecção de ideias na grande tela com a paixão de um amante persistente não só da estética, mas também da técnica que a apurou. Preocupo-me menos com o corolário ético do «interrogar as manobras de poder e tocar nas contradições da modernidade», porque esse nunca foi o objectivo – faz-se a luz sobre um homem só, que aos dezanove anos começou do nada a erigir um império.
Não pretendo fazer a crítica da crítica ou dos críticos, embora esteja convicto de que todos nós, os que laboram nas mais diversas actividades cujo objectivo final é a exposição das nossas formas de pensar, sentir e/ou agir perante o mundo, jamais seremos possuidores do direito divino de proibir o seu escrutínio – negar esse exercício equivale a escrever entradas pueris num diário que se aferrolha ao fim de um dia de exaltações, tristezas, êxitos e frustrações, para mais tarde deitar fora a chave –, what lies beneath
Desisto, mas deixo ficar uma sugestão: o excelente texto escrito pelo Sérgio Lavos a propósito do último trabalho de Fincher, A Rede Social (The Social Network, 2010). O tal que agora terminava, iniciava-se com uma rememoração (regressão), porventura fetal, e partia da técnica para estética: a fabulosa cena inicial num bar de Harvard e a viagem ao som do mestre Reznor, “Hand Covers Bruise”, até à consumação do pecado original na construção do personagem (que é real), e que acompanha os créditos iniciais até à sua entrada na Kirkland House: «Universidade de Harvard Outono 2003» (Fincher pretendia filmá-la num só take com a, segundo dizem, intrincada RED One®, que pediu de empréstimo ao seu amigo Steve [Soderbergh]).
Desisto, mas não resisto em deixar aqui, para memória futura, o começo do que estava escrito (excerto de um texto bastante mais longo – até poupei tempo ao leitor e meio que teimosamente me visita):


Um silêncio invadiu a sala durante os primeiros dez minutos após o último anúncio. A memória, por vezes traiçoeira, porém associativa num movimento perpétuo de sinapses, conduziu-me à infância. A estância – a última antes da reprise – concebida por uma trupe londrina de quatro (por justaposição à de Liverpool que sublima o final), quando ainda o calor líquido do ventre materno me afagava e abafava os sons psicadélicos que se lhe uniram numa perfeição eloquente, de vibração, tremor, oscilação – Respira:

Corre, coelho corre
Cava esse buraco e esquece-te do sol
E quando enfim o trabalho terminar
Não descanses é tempo de voltares a cavar
Por muito que vivas e por mais alto que voes
A menos que sigas com a maré
E te equilibres na maior das ondas
Lanças-te rumo a uma morte prematura.
Pink Floyd, Breathe” (The Dark Side of the Moon, 1973; tradução livre: AMC, 2010)
Retomo ao silêncio embasbacado. Palavras proferidas em torno de uma mesa. Um diálogo frenético em tons pardacentos à mesa de um bar de Harvard. O fim, como revelação para a teia apocalíptica que se seguiria, envolvendo tudo e todos sem dó ou recuos perante a constatação do que se foi estilhaçando pelo caminho. Nove páginas do argumento de Sorkin equilibradas por um jogo de palavras que se entrecruzam sem se tangerem, que se esgotam com o murro no estômago:

«Ouve-me. Tu vais ser rico e ter imenso sucesso. Mas irás passar toda a tua vida a pensar que as raparigas não gostam de ti porque tu és um maníaco dos computadores. E eu só quero que saibas, do fundo do meu coração, que não irá ser esse o verdadeiro motivo. Será porque tu és uma besta.» [Do argumento de Aaron Sorkin, pág. 8; tradução livre: AMC]
[Textus interruptus]
Fincher 8 (obras-primas destacadas):
  • Alien 3 – A Desforra (Alien3, 1992)
  • Se7en – Sete Pecados Mortais (Se7en, 1995)
  • O Jogo (The Game, 1997)
  • Clube de Combate (Fight Club, 1999)
  • Sala de Pânico (Panic Room, 2002)
  • Zodiac (2007)
  • O Estranho Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008)
  • A Rede Social (The Social Network, 2010)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Declaração de Impossibilidade de Plágio

Há pouco mais de uma hora adquiri a edição de hoje do jornal Público, que contém, por antecipação (amanhã é dia de Natal), o suplemento Ípsilon.
No Ípsilon, tal como acontece todos os anos, os diversos críticos elaboram uma série de listagens consensuais sobre os melhores do ano em cada ramo de arte, tratado habitualmente pelo suplemento nas suas edições semanais.
Este ano, no topo da lista dos melhores álbuns de originais de música pop, surgem os Animal Collective, com o álbum Merriweather Post Pavilion. O texto que acompanha a referência à obra de arte do agora trio – após a saída da banda de Deakin –, formado por Panda Bear, Avey Tare e o Geologist, foi escrito pelo crítico musical Vítor Belanciano.
Quis o destino que, neste blogue, o anúncio a conta-gotas (um por dia, entre os “10+”) dos “Melhores Álbuns de 2009” reservasse para o dia 24 de Dezembro a revelação do álbum supramencionado dos Animal Collective, cujo texto se assemelha ao de Belanciano. Nesse sentido, é conveniente esclarecer que não só o texto foi escrito antes de 19 de Dezembro deste ano – dia em que começou a série de revelações dos elementos que constituem a lista final por ordem aleatória –, como também só li o texto de VB muito depois da hora pré-programada (que ocorreu a 18 de Dezembro) para publicação do texto deste blogue: neste caso as 14 horas e 5 minutos (em que, como no dia 29 se verá, o preciso minuto após as 14 horas não foi escolhido ao acaso, contém uma pista para os mais atentos).
Feita a minha exoneração de responsabilidades plagiárias, só me resta desejar um Bom Natal a todos os que me visitam e deixar-vos, como forma de entretenimento, o trompe-l’oeil da capa dos AC: para todos aqueles que se horrorizam com a exuberância consumista do Natal, sempre podem trocar de vistas.

sábado, 19 de julho de 2008

Vigilância (Surveillance) - Parte II

Tal como previa, eis as "Estrelas do Público" (apenas na edição em papel ou digital a pagar):


(carregar na imagem para a ampliar)

Agora comparem-no com o "estrelar" de Angel – Encanto e Sedução de François Ozon aqui, muito longe, decerto, do apodo de «juvenil e inconsequente», mais dentro da categoria «chinelada melodramática e lamechice sabrínica», mas isso sou eu e os meus devaneios pueris pelo grindhouse*.

*Nota: por acaso, género que não suporto de todo.