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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O Camaleão e a Voz Cavernosa

O vídeo deste ano recorda, uma vez mais, Bing Crosby e a época que lhe é sempre associada; o homem do anualmente reeditado “White Christmas” de Irving Berlin.
O curto filme que se segue, gravado em Inglaterra para a televisão, foi o último de Crosby. Mais um dos seus especiais para a quadra natalícia que ao longo dos anos protagonizou, representando e cantando, ao lado dos seus pares mais célebres, incluindo o seu proto-rival Frank Sinatra, a Voz.
No seu último trouxe Bowie. O Camaleão canta “Peace on Earth” num belíssimo dueto, com Bing a entoar “The Little Drummer Boy”. A gravação ocorreu no dia 11 de Setembro de 1977; Bing morre, vítima de um ataque cardíaco fulminante em pleno buraco 18 num campo de golfe nos arredores de Madrid, no dia 14 de Outubro do mesmo ano.
O Sr. Natal continua a ser recordado. E nós, à medida que vamos envelhecendo, apercebemo-nos de que a época vem carregada de uma melancolia pungente, surda, inexorável e que parece somatizar-se num imenso nó na garganta, apenas libertado pela alegria que irradia daqueles que chegaram há menos de uma década, em cujos olhos brilham lágrimas que brotam de outra fonte.


Feliz Natal! 

sábado, 24 de dezembro de 2011

Natal


Deixo-vos, em jeito de presente, com uma das melhores canções de Natal de sempre.
Escrita por Shane MacGowan e Jem Finer, composta pelos saudosos e dilectíssimos The Pogues e cantada num dueto perfeito e sublime por MacGowan e a desafortunada Kirsty MacColl – morta aos 41 anos, uma semana antes do Natal do ano 2000, num estranhíssimo acidente com uma lancha rápida conduzida por um daqueles todo-poderosos magnatas mexicanos («They’ve got cars big as bars / They’ve got rivers of gold») ao largo da lindíssima Ilha de Cozumel enquanto Kirsty com a sua família fazia mergulho (escusado será dizer que o multimilionário saiu praticamente impune, um homicídio por amendoins em pesos).
É com uma estranha melancolia que ouço esta canção, num época que por definição deveria exaltar ou fazer emergir tudo o que de positivo existe em nós; este negrume não me abandona e o nó na garganta adensa-se a cada ano que passa, e vou alvitrando justificações para uma mente inquieta: talvez porque no deste ano se celebra o 10.º aniversário do último que passei, no coração da bela e sinuosa Montmartre, junto de uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Perdoem-me o pathos.
Desejo-vos um Feliz Natal, independentemente do credo professado, mas apenas com o simbolismo e o espírito da quadra.
Eis the bum Shane, que entre the old slut Kirsty:


It was Christmas Eve babe
In the drunk tank
An old man said to me, won’t see another one
And then he sang a song
The Rare Old Mountain Dew
I turned my face away
And dreamed about you

Got on a lucky one
Came in eighteen to one
I’ve got a feeling
This year’s for me and you
So happy Christmas
I love you baby
I can see a better time
When all our dreams come true

They’ve got cars big as bars
They’ve got rivers of gold
But the wind goes right through you
It’s no place for the old
When you first took my hand
On a cold Christmas Eve
You promised me
Broadway was waiting for me

You were handsome
You were pretty
Queen of New York City
When the band finished playing
They howled out for more
Sinatra was swinging,
All the drunks they were singing
We kissed on a corner
Then danced through the night

The boys of the NYPD choir
Were singing “Galway Bay
And the bells were ringing out
For Christmas day

You’re a bum
You’re a punk
You’re an old slut on junk
Lying there almost dead on a drip in that bed
You scumbag, you maggot
You cheap lousy faggot
Happy Christmas your arse
I pray God it’s our last

I could have been someone
Well so could anyone
You took my dreams from me
When I first found you
I kept them with me babe
I put them with my own
Can’t make it all alone
I’ve built my dreams around you

Fairytale of New York
(MacGowan & Finer; The Pogues)
The Pogues, If I Should Fall from Grace with God (1988, WEA)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

The “Chairman of the Board” e Dean Martin, com imagens de clássicos de Hollywood:

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Declaração de Impossibilidade de Plágio

Há pouco mais de uma hora adquiri a edição de hoje do jornal Público, que contém, por antecipação (amanhã é dia de Natal), o suplemento Ípsilon.
No Ípsilon, tal como acontece todos os anos, os diversos críticos elaboram uma série de listagens consensuais sobre os melhores do ano em cada ramo de arte, tratado habitualmente pelo suplemento nas suas edições semanais.
Este ano, no topo da lista dos melhores álbuns de originais de música pop, surgem os Animal Collective, com o álbum Merriweather Post Pavilion. O texto que acompanha a referência à obra de arte do agora trio – após a saída da banda de Deakin –, formado por Panda Bear, Avey Tare e o Geologist, foi escrito pelo crítico musical Vítor Belanciano.
Quis o destino que, neste blogue, o anúncio a conta-gotas (um por dia, entre os “10+”) dos “Melhores Álbuns de 2009” reservasse para o dia 24 de Dezembro a revelação do álbum supramencionado dos Animal Collective, cujo texto se assemelha ao de Belanciano. Nesse sentido, é conveniente esclarecer que não só o texto foi escrito antes de 19 de Dezembro deste ano – dia em que começou a série de revelações dos elementos que constituem a lista final por ordem aleatória –, como também só li o texto de VB muito depois da hora pré-programada (que ocorreu a 18 de Dezembro) para publicação do texto deste blogue: neste caso as 14 horas e 5 minutos (em que, como no dia 29 se verá, o preciso minuto após as 14 horas não foi escolhido ao acaso, contém uma pista para os mais atentos).
Feita a minha exoneração de responsabilidades plagiárias, só me resta desejar um Bom Natal a todos os que me visitam e deixar-vos, como forma de entretenimento, o trompe-l’oeil da capa dos AC: para todos aqueles que se horrorizam com a exuberância consumista do Natal, sempre podem trocar de vistas.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Contrastes

Entre prendas e sorrisos. Velhas recordações e mesas cheias de tentações adiposas, de casa em casa, com espírito da quadra, mas sem vestígios expressos do motivo ancestral que nos acomodou frente a frente na revisão de um ano. Caras, corpos, razões, provindos de um mesmo código genético. Rugas que aparecem. Um inaudito cabelo branco que nos deixa siderados, de boca aberta… aquela que apenas se fecha para trincar, degustar, falar da vida, e de repetir até à náusea “parece que foi ontem”.
Sim, crescemos todos um pouco, mesmo que a acção não se tenha feito acompanhar da proposição “em” unida a expressões como “sensibilidade”, “razão para existir”, “paixão”, “alegria”, “compreensão”… “amor” – o que é isso?... Nunca nos questionámos, ou já não nos interrogamos sobre o significado das palavras, sobre a sua materialização em emoções. A vida corre voraz, galgando barreiras visíveis, poucas, ou, na sua maioria, imperceptíveis… envelhecemos… todos, sem excepção. É um belo espectáculo… enriquecemos? Bocas que se abrem e fecham e que proferiram aquilo que hoje já não recordamos. Não há memória, porque é demasiado dura e cara para a podermos alimentar…
Passou. As casas vazias durante uma noite e um dia, voltam a encher-se de quotidiano, apesar da festa que se avizinha… mais um ano, meus queridos… merda, mais uma ano.
Como é que te vou explicar isso, doce e caracolenta M.? Não me perdoaria se já houvesse ensaiado a decifração desta maldita existência, I. Dois e cinco anos, e um pai que vai definhando, de sorriso de orelha a orelha, qual histrião, palhaço treinado e consumado para suportar esta convivência infernal, protocolar… os outros. A mesquinhez, a indiferença, a maledicência, o arrivismo. O permanente estado de vigília para não ser espezinhado… cansa e estou exausto.
Mas quem não o está? Talvez, com dizia o “Pai da Pátria”, os “banqueiros delinquentes” que agora arfam como bestas pela ganância do dinheiro dos nossos impostos…

E poderia continuar, partindo do lúgubre para um conhecedor e exaltado J’accuse…! zoliano.

Mas, a despeito do palavreado inane acima registado em zeros e uns, o que, realmente, me trouxe a estas linhas foi a publicação de “A Tralha de 2008” no suplemento Ípsilon do jornal
Público de hoje (ontem) e a sua comparação com as listas que irei aqui publicar nos próximos dias 29, 30 e 31, os dez melhores filmes, livros e discos de 2008, respectivamente, segundo a minha única e íntima (e discutível, pois claro) opinião pessoal.

O contraste com a Ípsilon:

Música

  • 30 discos arrumados na secção “pop” (sem limão), organizados do melhor ao menos bom. Apenas 3 – em 30, é obra! – coincidem com a minha lista final: os Vampire Weekend, com o álbum Vampire Weekend; os Portishead, com Third; e os TV on the Radio, com álbum de originais editado em 2008, Dear Science. O restantes: ou são completamente desconhecidos para este ouvido que, confesso, já foi mais melómano; ou são aberrações, como os Buraka Som Sistema; ou, então, exaltou-se, de forma heteróclita, o experimentalismo dos tradicionais SYR’s dos mui estimados Sonic Youth – um faixa de 60 minutos de estridência.

Cinema

  • 10 filmes: 3 não vi (Austrália, Quatro Noites com Anna, e Aquele Querido Mês de Agosto); 2 integram o meu Top10; 4 integram o meu Top 17 (antes da tal “última triagem”, e serão apresentados no dia 29 por ordem alfabética); e finalmente há 1 que vi e foi colocado no conjunto de “indiferentes”, Nós Controlamos a Noite, de James Gray (We Own the Night, 2007).

Literatura

  • 20 livros: 13 não li, e desses apenas Capote e Bernhard constam da minha biblioteca para ler, os restantes acumularão sapiência literária na minha total ignorância; 2 foram lidos, mas de forma alguma integraram, ou tiveram sequer hipóteses de integrar, a lista dos meus 21 finalistas (Coetzee e Rushdie, atente-se na listagem que foi engrossando ao longo do ano na coluna do lado direito deste blogue); 5 foram lidos e integram a listagem final dos “10 Melhores”, depurada a listagem dos 21 possíveis.

Depois disto, só resta relembrar a agenda listómana deste blogue:

  • 29 de Dezembro – Cinema – Os Melhores Filmes de 2008 (estreados em salas de cinema portuguesas durante o corrente ano, independentemente do seu ano de produção);
  • 30 de Dezembro – Literatura – Os Melhores Livros de 2008 (editados, reeditados ou reimpressos durante o ano, em tradução portuguesa no mercado editorial nacional);
  • 31 de Dezembro – Música – Os Melhores Álbuns Musicais de 2008 (editados internacionalmente durante o ano de 2008).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008