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terça-feira, 27 de maio de 2008

Eu fiz um filme sobre África...

«I had a farm in Africa at the foot of the Ngong Hills.»

Sydney Pollack

Sydney Pollack
(1 de Julho de 1934 – 26 de Maio de 2008)


Não, não preciso falar de O Nosso Amor de Ontem (The Way We Were, 1973), do soberbamente dirigido Tootsie (1982), de Os cavalos também se abatem (They Shoot Horses, Don't They?, 1969), de Os Três Dias de Condor (Three Days of the Condor, 1975) ou do excelente remake do melodrama de 1954 do gigante Billy Wilder, Sabrina (1995) com Julia Ormond e Harrison Ford (com a espinhosa tarefa de personificar papéis outrora atribuídos por Wilder a gigantes como Humphrey Bogart, Audrey Hepburn ou William Holden), basta-me-ia um, um filme apenas para o deixar para sempre no meu mui privado Olimpo cinematográfico (forte apelo do meu lado lamechas): África Minha (Out of Africa, 1985) – adaptação de três obras autobiográficas de escritora dinamarquesa Karen Blixen (então sob o pseudónimo de Isak Dinesen), com as soberbas interpretações de Meryl Streep, Robert Redford e de Klaus Maria Brandauer, vencedor de 7 Óscares da Academia, 3 Globos de Ouro e de 3 BAFTA.


Para além das suas aparições, quase sempre secundárias, como actor, ele dirigiu os melhores: Paul Newman, Robert Redford, de Dustin Hoffman a Harrison Ford, de Jane Fonda, Meryl Streep a Nicole Kidman, de Burt Lancaster ou Robert Mitchum a Al Pacino ou Sean Penn.


Deixo-vos com uma das cenas mais memoráveis da História do cinema, para além da fotografia, divinizada pela excepcional banda sonora de John Barry (volume de som bem alto, por favor):



«Denys will like that. I must remember to tell him.»

quinta-feira, 27 de março de 2008

Assim não há dúvida existencial que resista

Já me havia habituado a vê-lo assim, cabelo branco, rugas vincadas, em filmes de faca e alguidar, muitas vezes envergando um enorme par de óculos quadrados de massa. Tinha 93 anos:

Richard Widmark

Richard Widmark
(26 de Dezembro de 1914 – 24 de Março de 2008)

Um mecânica tétrica: este blogue, nos últimos dias, reaparece da bruma depressiva para anunciar mortes…

sexta-feira, 21 de março de 2008

Ao ritmo de “1 por dia”...

Aproxima-se o equinócio de Primavera, e estes acontecimentos mortais sucedem-se numa cadência insólita:

Paul Scofield (©Associated Press)


Paul Scofield
(21 de Janeiro de 1922 – 19 de Março de 2008)


Filho da prodigiosa escola dramática inglesa, muitas vezes comparado ao gigante Laurence Olivier, notabilizou-se sobretudo no teatro, colaborando em menos de três dezenas de obras de longa-metragem cinematográfica.
O seu ponto alto na 7.ª Arte deu-se em 1966 interpetando o papel do humanista Sir Thomas More em Um Homem para a Eternidade (A Man for All Seasons), realizado pelo austro-americano Fred Zinnemann (1907-1997), que lhe valeu o Óscar para Melhor Actor em 1967, derrotando nomes como Alan Arkin (em Vêm Aí os Russos de Norman Jewison), Richard Burton (em Quem tem medo de Virginia Woolf? de Mike Nichols), Michael Caine (em Alfie de Lewis Gilbert) e Steve McQueen (em Yang-Tsé em Chamas de Robert Wise).

quarta-feira, 19 de março de 2008

Reviver os últimos dias de Julho de 2007

Arthur C. Clarke
Arthur C. Clarke

(16 de Dezembro de 1917 – 19 de Março de 2008)

Morreu, em Colombo, Sri Lanka (onde vivia há mais de 50 anos) o pai de 2001 – Odisseia no Espaço (1968) de Stanley Kubrick, com quem partilhou a elaboração do argumento do filme baseado no seu conto The Sentinel (1948)

Quem não se recorda de O Mundo Misterioso de Arthur C. Clarke na televisão nos anos 80?

Nota: David Fincher irá levar ao grande ecrã a sua obra de ficção científica Rendezvous with Rama, publicada no ano do meu nascimento, 1972, (Rendez-vous com Rama, da colecção Argonauta da editora Livros do Brasil, com tradução do saudoso Eurico da Fonseca).

Em jeito de homenagem, ao homem que me pregou alguns sustos enquanto criança e me deixou literalmente siderado na adolescência, ficam os famosos créditos iniciais de O filme, com a abertura “Aurora” de Assim falava Zaratustra (Also Sprach Zarathustra) de Richard Strauss, dirigida por Herbeth von Karajan e interpretada pela Filarmónica de Viena:


Inacreditável

Anthony Minghella (©Getty Images) Anthony Minghella

(6 de Janeiro de 1954 - 18 de Março 2008)

Para a História do cinema, dois filmes magistrais: O Paciente Inglês (The English Patient, 1996) e O Talentoso Mr. Ripley (The Talented Mr. Ripley, 1999).

sábado, 10 de novembro de 2007

Galeria dos Sem Nobel

Norman Mailer morreu. De insuficiência renal, dizem, no Hospital Mount Sinai em Nova Iorque.
A ironia da sua morte: a Academia Sueca juntou-o a Tolstói, Joyce, Proust, Musil, Borges, Nabokov, Walser, etc.

Norman Mailer


Norman Mailer

(Nova Jérsia, 31 de Janeiro de 1923 – Nova Iorque, 10 de Novembro de 2007).

Nota: é, segundo dizem, a lei da vida, Manel.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

O Sétimo Selo

Ingmar Bergman - O Sétimo Selo
Perseverante. Xeque-mate aos 89 anos.

Ingmar Bergman
(n. 14/07/1918 – m. 30/07/2007)

Na imagem: Max von Sydow (Antonius Block) com Bengt Ekerot (A Morte) no meu filme preferido do cineasta sueco, O Sétimo Selo de 1957 (Det sjunde inseglet).

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Pela Tua vida breve

…um pequeno tributo por outra voz.

Too proud to die, broken and blind he died
The darkest way, and did not turn away,
A cold kind man brave in his narrow pride

On that darkest day. Oh, forever may
He lie lightly, at last, on the last, crossed
Hill, under the grass, in love, and there grow

Young among the long flocks, and never lie lost
Or still all the numberless days of his death, though
Above all he longed for his mother's breast

Which was rest and dust, and in the kind ground
The darkest justice of death, blind and unblessed.
Let him find no rest but be fathered and found,

I prayed in the crouching room, by his blind bed,
In the muted house, one minute before
Noon, and night, and light. The rivers of the dead

Veined his poor hand I held, and I saw
Through his unseeing eyes to the roots of the sea.
[An old tormented man three-quarters blind,

I am not too proud to cry that He and he
Will never never go out of my mind.
All his bones crying, and poor in all but pain,

Being innocent, he dreaded that he died
Hating his God, but what he was was plain:
An old kind man brave in his burning pride.

The sticks of the house were his; his books he owned.
Even as a baby he had never cried;
Nor did he now, save to his secret wound.

Out of his eyes I saw the last light glide.
Here among the light of the lording sky
An old blind man is with me where I go

Walking in the meadows of his son's eye
On whom a world of ills came down like snow.
He cried as he died, fearing at last the spheres'

Last sound, the world going out without a breath:
Too proud to cry, too frail to check the tears,
And caught between two nights, blindness and death.

O deepest wound of all that he should die
On that darkest day. Oh, he could hide
The tears out of his eyes, too proud to cry.

Until I die he will not leave my side.]

Dylan Thomas (1914-1953), Elegy (1953)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

No se puede vivir sin amar

11.º Passo: oração e meditação para consumar uma vontade inaudita de desprendimento.
(seguindo os passos até ao São João... + 2 d.)

Um dos livros da minha vida:


«Mas ali nada havia: nem cimos, nem vida, nem subidas. Nem aquele cume era afinal bem um cume; não possuía matéria, nem base firme. Além disso, o que quer que fosse que o sustentava começava a desintegrar-se, enquanto ele próprio ia caindo, caindo para dentro do vulcão; contudo devia ter conseguido subi-lo antes, pois agora rugia-lhe aos ouvidos o som obcecante da lava; tratava-se de uma erupção terrível e, contudo, não era o vulcão; era o próprio mundo que explodia, explodia, com negros jactos de aldeias catapultadas no espaço, com ele próprio a cair por entre tudo aquilo, por entre o pandemónio inconcebível de um milhão de tanques, por entre o imenso braseiro de dez milhões de corpos a arder, caindo, caindo, numa floresta...» (Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão, Livros do Brasil; tradução de Virgínia Motta)