«Glenn Gould said, "Isolation is the indispensable component of human happiness."» [Contraponto] «How close to the self can we get without losing everything?»
Don DeLillo, “Counterpoint”, Brick, 2004.
Sem muita conversa e sem dar importância ao que para aí e acolá se vai vendo de listas de final de ano – e o que não se vê é quase tudo o que aqui foi escolhido: ou estou completamente desfasado da realidade estética da música pop, rock, electrónica, ou alternativa contemporânea, ou ainda melhor, o vasto campo musical onde sempre me movi, e movimentava-me muitíssimo mais há coisa de uma ou duas décadas, levou-me à profissão destas dez heteróclitas escolhas –, chegou, pois, o momento de revelar a ordem de preferências dos álbuns que por aqui desfilaram desde o dia 10 de Dezembro.
Os Melhores Álbuns de 2012
Tame Impala, Lonerism (Modular);
Calexico, Algiers (City slang);
ERAAS, ERAAS (Felte);
Beach House, Bloom (Bella union);
Stagnant Pools, Temporary Room (Polyvinyl);
The xx, Coexist (Young Turks);
Clinic, Free Reign (Domino);
Animal Collective, Centipede Hz (Domino)
PAWS, Cokefloat! (Fat Cat)
David Byrne & St. Vincent, Love this Giant (4AD)
(Nota pertinentíssima – os dois primeiros foram os últimos a ser revelados, por ordem inversa, nos dias 20 e 21. Um verdadeiro passe de mágica… Subtileza artística. E Tudo! Pim!)
De seguida, é de todo justa a referência a quatro álbuns que também me encheram as medidas e que, para ser sincero, me dava uma vontade indómita de os colocar nas posições supramencionadas, por substituição dos 7.º a 10.º classificados.
Eis as minhas Menções Honrosas para 2012, com direito a vídeo (organizados por ordem alfabética do nome do músico ou da banda):
Andy Stott, Luxury Problems(Modern Love):
Lee Ranaldo, Between the Times and the Tides(Matador):
Moullinex, Flora (Gomma):
Patrick Watson, Adventures In Your Own Backyard (Domino):
Banda Sonora Original a destacar (escolha mais que óbvia para um radioheadiano-ptandersoniano):
Jonny Greenwood, The Master – O.S.T.(Nonesuch)
Já nem há muito mais para as decepções, basta referi-las e ouvi-las num lugar e numa data qualquer por esse espaço infinito: Air, Hives e os que continuam A Esmagar Abóborassince 1988 (thru 1995, ano que deveria ter ditado o fim).
Livros, talvez amanhã. Porém, continuam perfilados mesmo aí ao lado.
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Nota: Todos os dias úteis às 10 da manhã em ponto, revelação, por ordem aleatória, de um dos dez melhores álbuns musicais do ano (a lista definitiva do Top 10, organizada por ordem de preferência, será publicada num dos dias que se seguem à exibição do último dos dez álbuns).
Hoje de manhã, ao ligar-me à Fnac espanhola, reencontrei um dos fantasmas do meu passado, Kristin Hersh. Em 1994, entre os meus 21/22 anos de (in)experiência empilhada por uma vida burguesa, de diletante – em busca de sombras para tornar expressiva uma vida anódina – a Rat Girl, que, uma década antes, noutra dimensão e suportando um fardo de um peso inaudito, vivenciou esse mesma deriva crepuscular, edita o seu primeiro e sublime álbum a solo, Hips and Makers.
Encontrávamo-nos naquele quarto atulhado com as superfluidades das nossas vidas – quando a dor, de que nos arrogávamos ser os sumos-sacerdotes curtisianos, ainda nos assombrava como uma nuvem pulviscular (vale-me o Mestre Calvino, o Italo) que só se dissipou na Primavera desse mesmo ano pela crueldade da tirania divina que fez de mim o agnóstico que vinte anos não mudaram – ligávamo-nos à eterna XFM, para desgosto dos ouvidos incuravelmente musicófobos da nossa mãe, e escutávamos, sem parar, as músicas que saltavam do disco, repetido pela novidade, da melhor estação de rádio de sempre: “Teeth” e “A Loon”, mas também “The Cuckoo”, e principalmente “Your Ghost” – nem de propósito, no início deste mês cujo fim marca uma década da Tua Ausência:
I think last night you were driving circles around me.
P. Seymor Hoffman / J. Phoenix / Amy Adams & Laura Dern
Uma vez mais com BSO a cargo do assombroso radioheaderJonny Greenwood, por muito que custe ao irreconhecível, quase-afónico (perdeu o falsete de cana rachada), inchado e ressentido, como uma abóbora já mesmo esborrachada, Billy Corgan, um dos melhores guitarristas dos últimos tempos, simultaneamente responsável por inquietantes e geniais bandas sonoras. Dou três exemplos:
Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood, 2007);
Norwegian Wood, de Tran Anh Hung (Noruwei no mori, 2010);
Temos de Falar sobre Kevin, de Lynne Ramsay (We Need to Talk About Kevin, 2011).
Help me to name it! (Não te acomodes na indiferença perante o teatro do sofrimento. Aquilo que fomos.)
«“Nunca sabemos quem somos. São os outros que nos dizem quem e o que somos. Explicam-nos tantas vezes quem somos, e de formas tão diferentes, que, no final, acabamos por não saber em absoluto quem somos. Todos dizem de nós algo diferente. Até nós mesmos estamos sempre a mudar de opinião. Se a isso acrescentarmos que nos esforçamos por surpreender os outros sendo várias pessoas ao mesmo tempo, o que na verdade acaba por acontecer é que acabamos por não ter a menor noção de quem somos ou poderíamos ter sido” (Juan Lancastre, A Interrupção).» Enrique Vila-Matas, Ar de Dylan, pág. 124. [Lisboa: Teodolito, 1.ª edição, Março de 2012, 259 pp; tradução de Miranda das Neves; obra original: Aire de Dylan, 2012.]
*Nota: «Yes. It's odd — when it turns dark you need someone.» (“Patricia Hollmann”, por Margaret Sullavan (1909-1960) em Três Camaradas (Three Comrades, 1938), de Frank Borzage (1893-1962).
É daquelas coisas incorpóreas, porém gelatinosas, peganhentas que se agarram e colam ao nosso ouvido. Difícil de expurgar como uma nódoa oleosa. Mesmo assim, não tão má como qualquer coisa saída da voz náuseo-lacrimosa de um James Blunt ou de um Marante.
Daqui a menos de uma semana já não a suporto. De hoje a um mês odeio-me por ter dito que se havia postado como um parasita paradoxalmente simbiótico dentro deste emaranhado de sinapses – como a origem plantada, uma ideia para o emaranhado Nolan, resiliente, um vírus – e irá dar-me uma vontade irreprimível para apagar este texto e o vídeo de um trio de parolos “gelizados” escoceses a cantar para os corações frágeis, e que quando colidimos amamo-nos ainda mais, e depois dizes “eu amo-te” e eu sei que mentes. O Horror, ou melhor, Na Sua Maioria Horror.
Ostentação irreprimível de um mau gosto, provocado por um trailer – pista nas palavras-chave.
Peço-te perdão, André. Mas foste tu que escreveste isto na infeliz data acima fixada.
Pois, convençam-me, isto nunca vos aconteceu… Fugir o dito para o chinelo.